Poemas neste tema
Vida e Existência
Raul Seixas
Esse Negodiamô
Sem concepção de tempo,
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
O papel já terminou
Você vê que nada ficou
Sem poder dormir você pensa em fugir
Mas não há pra onde ir
Lá trancado no porão
Que é escuro mas é clara sua visão
Daquilo que você tanto esperou
Não passava de um sonho
Sobre esse negócio de amor
Doeu na hora que você acordou
Ao som agudo de um despertador
Mais barulhento que o apito
Do guarda abrindo o sinal.
Você procura entender,
Sabendo que não há porquê
Tudo é apenas o que é
Vai morrendo firme em pé
Você vê que não sabe de nada
Você louco e ela calada
Ela foi linda e clara esta noite
Inevitável, claro o açoite
E a dor foi mais que demais
Tudo que cê aprendeu desde que você nasceu
Embora sempre cê desconfiou
Que a gente é gente e é isso aí
Mas no entanto cê esperou
Sei lá, um milagre ou coisa assim
De repente o punhal
Mostrando as frestas do que é
Aí se entende o que é morrer
Estando vivo pra saber
Que cê não passa de um guri
Sua mente flashbacka atrás
aos catorze anos ou pouco mais
As meninas coloridas de batom
de rouge de risadinhas freteiras
Eram todas tão iguais
Sempre elas e sempre o rapaz
Transbordando de amor
Preferi ser escritor sem mesmo sequer saber
Que eu também queria amor
Como um susto bem pregado
De repente vi que tinha esse negócio mesmo
De estar apaixonado
Vi o mundo do outro lado
Tudo tão certo e tudo tão errado
1 077
Roberto Pontes
Cantiga
Os mais desesperados são os mais belos cantos.
Musset
Até Cecília
que se encantava
morreu.
Por que um dia
também não morro eu?
Até Cecília
que de beleza
padeceu
e não desejou mais nada
arrefeceu.
Onde Cecília
seus olhos de estampa
escondeu
após os Cânticos
que prometeu?
Até Cecília
ave encantada
feneceu.
Por que de dor talvez
quem sabe não morro eu?
Musset
Até Cecília
que se encantava
morreu.
Por que um dia
também não morro eu?
Até Cecília
que de beleza
padeceu
e não desejou mais nada
arrefeceu.
Onde Cecília
seus olhos de estampa
escondeu
após os Cânticos
que prometeu?
Até Cecília
ave encantada
feneceu.
Por que de dor talvez
quem sabe não morro eu?
1 196
Renata Trocoli
Sem Titulo
A saudade de teus meigos olhos a olhar-me com tanto amor
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas m2os tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que n2o podia deixar-te
um minuto sem meus abraTos e doces palavras de amor.
Quando sent5vamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da P0rsia, me abraTavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doTura e colocando minha cabeTa em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coraT2o.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranq ilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para n2o perder t2o bela vis2o.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braTos
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraTavas com doce saudade e com l5grimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que n2o poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor n2o mais me envolveria o corpo,
que n2o mais teria tua presenTa a cuidar de mim
nas noites de cansaTo ap s uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraTaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde pass5ssemos. Aonde estiv0ssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraTos a me envolver...
doe em meu peito com aguda tristeza, meu grande amor.
Tuas macias, delicadas e pequeninas m2os tocavam meu rosto
com tanto carinho e amor que n2o podia deixar-te
um minuto sem meus abraTos e doces palavras de amor.
Quando sent5vamos debaixo das estrelas nas noites mornas
da bela primavera da P0rsia, me abraTavas com tanto medo
e chorava baixinho escondendo teu lindo rostinho delicado em meu
peito, e me fazia jura-te amor eterno.
Este amor que jurei e sinto sempre por ti minha linda princesa.
Sinto saudades de tuas palavras e teu carinho ao ver-me zangado e
preocupado, e como me acalmava com teu belo olhar sobre o meu,
sorrindo com doTura e colocando minha cabeTa em teus delicados
ombros para fazer com que a calma tomasse conta de meu coraT2o.
Por tantos dias fiquei a admirar tua beleza
enquanto dormias um sono tranq ilo e
quantas vezes tocava teus lindos cabelos negros, macios e perfumados
sem ter vontade de fechar os olhos para n2o perder t2o bela vis2o.
Quantas vezes ainda dormi cansado em teus pequeninos braTos
sentindo cada vez mais um amor puro e leal por ti.
Me abraTavas com doce saudade e com l5grimas nos olhos
depois de dias de batalha sem ver-me.
E cuidava de mim com tanto carinho e me amava com tanta saudade
que meus dias pareciam um doce sonho que n2o poderia nunca ter fim.
O mais triste meu amor foi perder-te.
Foi perceber que teu amor n2o mais me envolveria o corpo,
que n2o mais teria tua presenTa a cuidar de mim
nas noites de cansaTo ap s uma batalha.
Com uma linda e dolorosa promessa nos despedimos.
Tu me abraTaste chorosa e amedrontada,
e prometemos um amor eterno
por todos os lugares onde pass5ssemos. Aonde estiv0ssemos.
Hoje a saudade de teus doces olhinhos
a olhar-me com amor cegam meus dias.
Mas pelo menos ainda posso sentir teus perfume
e teus abraTos a me envolver...
1 102
Raul Seixas
Apesar dos Pesares
Vou gostar de você
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar
Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.
Como gosto do mar
Mergulhar em você
Me perder
Me encontrar
Ai, como é linda essa vida
Apesar da miséria
Apesar dessa fome
Aquele beijo com gosto de coca
O meu coração bate e toca
Vale a pena viver.
2 051
Roberto Pontes
O Deputado Discurso de Memória Corporal
por Luiz F. Papi
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
Quando o amor faz dos amantes os "animais enternecidos"de que nos fala o poeta cearense Roberto Pontes em Memória Corporal, esse achado elide a conotação antitética que em outro contexto estaria evidente. E isto ocorre simplesmente porque o amor, tal como o poeta o concebe e revitaliza literariamente, confere ao homem, enquanto bicho-amante, a mais completa e diversificada dimensão humanista. A depuradíssima imagem do enternecimento do animal-homem – uma entre muitas mais – como que sintetiza em seu despojamento calidoscópico metafórico de um discurso que dispensa, por desnecessários, os suportes da veemência usual e convencional dos poemas de amor. O reparo não equivale a repúdio aos que sabem exercitar a veemência de seus arroubos, mas não resta dúvida de que a ruptura aqui assinalada se opera em proveito de uma expressividade de elegância substantiva e sóbria. E não se trata de mera contenção verbal, já que o poeta assume o risco de fazer sua Memória Corporal fluir em liberdade, dentro dos condutos líricos que armou para "esta reflexão amadurecida e vivenciada sobre o amor", conforme escreve Carlos d’Alge nas abas da capa deste livro primorosamente ilustrado por Ana e Paulo Brandão.
O valor do texto de Roberto Pontes está realmente na força da palavra, na versátil inventiva e na amplitude dada ao velho tema. Sente-se, por exemplo, o pulsar do poema nesta confissão do poeta: "Quando me afoguei na região das termas/ bebi da mais profunda natureza." Mas o panteísmo não é o limite da amplitude do projeto poético do autor. Ele vai mais longe na escalada lírica e tece ainda segundo Carlos d’Alge – "um canto geral de integração e de ternura, de paz e realização humana". Tanto quanto a música, como queria Shakespeare, Roberto Pontes quer também a poesia como alimento do amor. E esse alimento ele o distribui sem apelar para a linguagem hiperbólica tão cara aos amantes. Curiosamente até, em certos passos de Memória Corporal o amor se nutre de poesia numa atmosfera de forte realismo imagístico, como no poema "Faltando Leite, Faltando Pão". Daí não ser "excessivo afirmar – com Lúcia helena no prefácio-ensaio intitulado "Sutil Tecido de Sal e Concha" – que a personagem central deste texto desejante é Eros, captado em todos os seus poros e latências".
Roberto Pontes iniciou-se na literatura nos anos 60 através do Grupo SIN (de sincretismo) e teve seu primeiro livro de poesia, Contracanto, publicado em Fortaleza pela Edições SIN, em 1968. O Grupo SIN, fundado por ele, Pedro Lyra, Horácio Dídimo, Linhares Filho e Rogério Bessa, desfez-se em 1969, porém marcou sua efêmera presença com a publicação de uma Sinantologia, reunindo aqueles poetas e alguns outros que haviam aderido ao movimento, cuja meta era a renovação das letras cearenses.
Em 1970 Roberto Pontes teve editado pela Imprensa Universitária do Ceará o volume Lições de Espaço – Teletipos, Módulos e Quânticas, um poema longo que naquele ano conquistou o Prêmio Universidade Federal do ceará. Ainda em 1970 o poeta publica o ensaio Vanguarda Brasileira: Introdução e tese, com que obtém o Pêmio Esso-Jornal de Letras, e no ano seguinte ganha em Brasília o Prêmio Fundação Nacional dos Garimpeiros com o poema Garimpo.
LUIZ F. PAPI é jornalista, poeta, tradutor e crítico.
Por muitos anos militou em O Globo e atualmente
trabalha na agência de notícias UPI. É autor de Arado Branco
(1957), livro apreendido pelos órgãos da repressão, em 1964,
no Rio de Janeiro; Poemas do Ofício (1964), Os Artífices (1967)
Este Ofício (1976) , e Desarvorárvore (1982) , todos de poesia.
Cartilha Anticrítica (1979) reúne artigos literários publicados
em vários órgãos da imprensa brasileira. Traduziu Konstantin Fédin,
Mikhail Cholokov, Jorge Icaza e Juan José Arreola. Militante
político do antigo Partido Comunista Brasileiro, seu nome figura
no mesmo inquérito do DOPS em que também está o de Graciliano Ramos.
1 223
Renata Trocoli
Sem Titulo VI
É engraçado como a amizade
pode mudar as coisas.
A amizade chegou toda meiguinha, sorridente.
E não é que era amizade verdadeira!?
Veio devagarinho,
chegou para mim com jeitinho carinhoso
e olharzinho meio perdido, seguro e inseguro.
Mas com sorriso maroto.
Andou até mim e entrou mais uma vez,
mas dessa vez foi para ficar.
Essa amizade substitui um amor perdido,
supera uma dor aguda
e cura desilusões profundas...
Porque é simplesmente amizade verdadeira,
que vem do coração sem pedir nada,
sem exigir nada.
Quem sabe apenas um sorriso sincero
e um aperto de mão.
Talvez uma abraço, uma ombro,
um carinho, amor de irmão.
Amizade é assim.
Vem, fica e ilumina.
Com apenas um olhar
e um esboço de sorriso.
Assim a amizade cativa
e dura até o fim da vida.
pode mudar as coisas.
A amizade chegou toda meiguinha, sorridente.
E não é que era amizade verdadeira!?
Veio devagarinho,
chegou para mim com jeitinho carinhoso
e olharzinho meio perdido, seguro e inseguro.
Mas com sorriso maroto.
Andou até mim e entrou mais uma vez,
mas dessa vez foi para ficar.
Essa amizade substitui um amor perdido,
supera uma dor aguda
e cura desilusões profundas...
Porque é simplesmente amizade verdadeira,
que vem do coração sem pedir nada,
sem exigir nada.
Quem sabe apenas um sorriso sincero
e um aperto de mão.
Talvez uma abraço, uma ombro,
um carinho, amor de irmão.
Amizade é assim.
Vem, fica e ilumina.
Com apenas um olhar
e um esboço de sorriso.
Assim a amizade cativa
e dura até o fim da vida.
850
Renato Russo
Vamos fazer um filme
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
1 173
Renato Russo
Vamos fazer um filme
Achei um 3x4 teu e não quis acreditar
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
Que tinha sido há tanto tempo atrás
Um exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo:
Um por todos, todos por um
- O sistema é maus, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Sem essa de que: "- Estou sozinho"
Somos muito mais que isso
Somos pinguim, somos golfinho
Homem, sereia e beija-flor
Leão, leoa e leão-marinho
Eu preciso e quero ter carinho, liberdade e respeito
Chega de opressão
Quero viver a minha vida em paz
Quero um milhão de amigos
Quero irmãos e irmãs
Deve ser cisma minha
Mas a única maneira ainda
De imaginar a minha vida
É vê-la como um musical dos anos trinta
E no meio de uma depressão
Te ver e ter beleza e fantasia
E hoje em dia, como é que se diz: "- Eu te amo" ?
Vamos fazer um filme
Eu te amo
Eu te amo
Eu te amo
1 173
Renata Trocoli
Teu Amor
Como uma luz aquecida e suave
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
Senti teu amor chegando para me presentear.
Teus olhos transmitem carinho.
Tua boca me fala de mansinho
tudo que eu sempre quis escutar.
Tuas m2os me tocam com ternura,
meu rosto, meus cabelos, minhas m2os.
Teu doce beijo acaricia meus l5bios
com teus olhos fixos aos meus.
Esse amor 0 novo e puro.
Chegou devagar, me conquistou com ternura.
Tu me envolves com teus abraTos
apertados e amorosos.
E me enche de medo de perder-te ainda mais uma vez.
Perder teus carinhos,
teus olhares,
tua boca,
tuas palavras
e teu amor ...
Amor este que me renova a alma,
e me d5 esperanTas de viver alegre
e sonhando sempre com tua doce presenTa.
A vida nem sempre atende nossos pedidos
de amor e felicidade.
Mas peTo com todo coraT2o que ela me abenToe
com tua presenTa a meu lado sempre.
Me dando carinho e um amor t2o puro
e doce que sentimentos juntos dentro de nossos coraTes.
Este amor vem de longe,
vem do alto e 0 benT2o dos c0us.
+ perfeito e verdadeiro,
0 sentimento que n2o se sente por qualquer um,
que n2o brinca com o coraT2o
mas que envolve a alma e o corpo
como brisa suave e morna que sopra do mar.
1 006
Renata Trocoli
Moreno
L5 vem meu amor chegando.
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
Ele veio para me envolver em seus braTos,
me pegar no colo, me beijar com carinho,
me enlouquecer os desejos como sS ele sabe fazer.
L5 vem ele chegando pertinho,
me olhando e me tocando devagarinho.
Com sua pele morena, seus olhos t2o negros
e seus l5bios macios.
Sua voz me embala,
e me abraTando me diz com ternura
que me ama e que me quer sS pra ele...
Como se eu quisesse ser de mais outro algu0m!!!
E quando ele sorri!??
N2o h5 nada mais lindo que seu sorriso!
Um sorriso sincero e delicado,
que ilumina seu rosto...
Esse rosto de um doce menino,
que esconde bem dentro de seu olhar
a malCcia de algu0m que
n2o mais um menino 0.
Vem ent2o ele a me amar
como nunca algu0m foi capaz.
E me envolve com esse carinho diferente
que sS ele sabe me dar!
1 059
Renata Trocoli
Sem Titulo II
Ás vezes a gente se pergunta
o porquê de tanta coisa...
o porquê de amar e não ser amado,
talvez ser mas não saber lidar com ele.
Sofrer profundamente quando a situação
que nos envolve é tão clara,
tudo e todos nos mostram que motivos
não temos para sofrer assim.
Envolver-se com alguém desconhecido,
se entregar, abrir as portas do coração
e perceber que tudo valeu à pena,
que a vida é isso ai, arriscar, amar, envolver,
deixar-se conquistar e sofre para aprender
que tudo na vida vale à pena,
que amar é cair e levantar
e sempre ter força para continuar acreditando nele.
o porquê de tanta coisa...
o porquê de amar e não ser amado,
talvez ser mas não saber lidar com ele.
Sofrer profundamente quando a situação
que nos envolve é tão clara,
tudo e todos nos mostram que motivos
não temos para sofrer assim.
Envolver-se com alguém desconhecido,
se entregar, abrir as portas do coração
e perceber que tudo valeu à pena,
que a vida é isso ai, arriscar, amar, envolver,
deixar-se conquistar e sofre para aprender
que tudo na vida vale à pena,
que amar é cair e levantar
e sempre ter força para continuar acreditando nele.
772
Renato Russo
Vinte e Nove
Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
1 269
Renato Russo
Vinte e Nove
Perdi vinte em vinte e nove amizades
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
Por conta de uma pedra em minhas mãos
Me embriaguei morrendo vinte e nove vezes
Estou aprendendo a viver sem você
( Já que você não me quer mais )
Passei vinte e nove meses num navio
E vinte e nove dias na prisão
E aos vinte e nove, com o retorno de Saturno
Decidi começar a viver
Quando você deixou de me amar
Aprendi a perdoar
E a pedir perdão
( E vinte e nove anjos me saudaram
E tive vinte e nove amigos outra vez )
1 269
Roberto Pontes
A Que Saiu do Cântico dos Cânticos
A que sempre chega
Traz a fala morna e mansa
Sabe a prática lasciva do desejo.
Em seu corpo trigueiro vem o sol.
Está e não está na incerteza,
Mas tem do mormaço, sol a pino,
A magia da terra iridescente.
A que sempre chega
É o amor, o mito, vindo e partindo,
Aprisco e dor, mas feliz contentamento.
E são os ombros, são as ancas,
As virilhas, as nádegas sedosas,
Os pequeninos seios, o sexo mordente,
Os tesouros que só eu pude achar.
A que sempre chega
Escapou de um versículo do Cântico dos Cânticos
Enquanto Salomão se ocupava demais
Com a pastorinha Sulamita.
E até hoje ele a procura, desesperado,
Naquelas linhas.
Mas em vão. É muito tarde. Está comigo.
( In: jornal Diário do Povo. Teresina-PI, 27 abr. 1991)
Traz a fala morna e mansa
Sabe a prática lasciva do desejo.
Em seu corpo trigueiro vem o sol.
Está e não está na incerteza,
Mas tem do mormaço, sol a pino,
A magia da terra iridescente.
A que sempre chega
É o amor, o mito, vindo e partindo,
Aprisco e dor, mas feliz contentamento.
E são os ombros, são as ancas,
As virilhas, as nádegas sedosas,
Os pequeninos seios, o sexo mordente,
Os tesouros que só eu pude achar.
A que sempre chega
Escapou de um versículo do Cântico dos Cânticos
Enquanto Salomão se ocupava demais
Com a pastorinha Sulamita.
E até hoje ele a procura, desesperado,
Naquelas linhas.
Mas em vão. É muito tarde. Está comigo.
( In: jornal Diário do Povo. Teresina-PI, 27 abr. 1991)
764
Roberto Pontes
E O Verbo Se Fez Carne
por Margarida Maria Moreira Rodrigues
Verbalizar é transformar o inexistente, o abstrato e o vago em matéria viva e pulsante. Não foi dessa forma que Deus criou o mundo e os homens? O homem é linguagem. É preciso atribuir sentido ao desconhecido e angustiante mundo que o abarca e, ao mesmo tempo, o liberta. Como bem assinalou Wilhelm von Humboldt: "O homem vive com seus objetos relação fundamental, tal como a linguagem lhos apresenta, pois nele o sentir e o atuar dependem de suas representações."
A poesia não é nada senão uma das tantas tentativas desesperadas de ordenar e significar o mundo. Nos versos de Verbo Encarnado, podemos vislumbrar essa tentativa desesperada de compreender o homem e o mundo:
Que sentido tem o céu?
Tingir os olhos de azul.
Deixar voar qualquer asa.
[...]
Que sentido tem o homem?
[...]
Homem, o homem terá sentido?
(VE, p. 41)
No entanto, o Verbo não se limita apenas a construir uma semântica da vida. Ele também se torna um eficaz instrumento de denúncia, uma arma que tem por objetivo o lançar-se e ferir as consciências:
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor
não for reconhecido.
(VE, p. 21)
A poesia de Roberto Pontes vergasta e acalenta. A leitura de cada verso perpassa paradoxalmente o desconforto e o consolo. Há uma crítica mordaz a todo tipo de opressão e de miséria. Quando o poeta se apropria da gemedeira – forma popular nordestina – é evidente que sua intenção além de valorizar a cultura do Nordeste – é a de colocar em foco a condição miserável das vendedoras de flores do Ceará. Assim, a gemedeira representa a dor e o sofrimento dessas mulheres. E o que aparece de mais belo no lamento da florista é a maneira como seu trabalho é descrito:
Florista fabrica flores
e seu ritual de rua
é um bailado sem som
um triste cantar de loa...
(VE, p. 31)
A poesia oferece ao leitor a imagem triste dessas singulares mulheres que são tão frágeis e belas quanto as flores que produzem. Nesse momento, a sensação de desconforto é inevitável: o leitor não consegue permanecer isento de certa culpa. Entretanto, logo em seguida, após a chamada de consciência para os problemas sociais, o poeta vem afagar e consolar o leitor, porque o sonho ainda é possível: "o amanhã é sempre diferente" (VE, p. 55):
Não desesperes nunca.
A vida é asssim mesmo.
Um dia para a dor
Um outro pra esperança.
(VE, p. 55)
O poeta acredita que o mundo possa renascer, mas, antes de tudo, deve "merecer o flagelo". Somente a dor é capaz de libertar o homem dos mecanismos de opressão que ele próprio constrói. Para isso importa desconstruir o mundo para reconstruí-lo, de tal modo, que o homem, em sua breve existência reconheça a relevância de transformar a sociedade, a fim de que a felicidade não seja somente privilégio de poucos que detêm o poder pelo poder – como nos admoesta Aristóteles – e sim patrimônio dos corações mais puros e das inteligências mais brilhantes.
MARGARIDA MARIA MOREIRA RODRIGUES é do Curso de Letras
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro–UERJ. Participa do
Núcleo de Literatura Comparada e colabora no jornal Comunicando
do Instituto de Letras da mesma Instituição.
Verbalizar é transformar o inexistente, o abstrato e o vago em matéria viva e pulsante. Não foi dessa forma que Deus criou o mundo e os homens? O homem é linguagem. É preciso atribuir sentido ao desconhecido e angustiante mundo que o abarca e, ao mesmo tempo, o liberta. Como bem assinalou Wilhelm von Humboldt: "O homem vive com seus objetos relação fundamental, tal como a linguagem lhos apresenta, pois nele o sentir e o atuar dependem de suas representações."
A poesia não é nada senão uma das tantas tentativas desesperadas de ordenar e significar o mundo. Nos versos de Verbo Encarnado, podemos vislumbrar essa tentativa desesperada de compreender o homem e o mundo:
Que sentido tem o céu?
Tingir os olhos de azul.
Deixar voar qualquer asa.
[...]
Que sentido tem o homem?
[...]
Homem, o homem terá sentido?
(VE, p. 41)
No entanto, o Verbo não se limita apenas a construir uma semântica da vida. Ele também se torna um eficaz instrumento de denúncia, uma arma que tem por objetivo o lançar-se e ferir as consciências:
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor
não for reconhecido.
(VE, p. 21)
A poesia de Roberto Pontes vergasta e acalenta. A leitura de cada verso perpassa paradoxalmente o desconforto e o consolo. Há uma crítica mordaz a todo tipo de opressão e de miséria. Quando o poeta se apropria da gemedeira – forma popular nordestina – é evidente que sua intenção além de valorizar a cultura do Nordeste – é a de colocar em foco a condição miserável das vendedoras de flores do Ceará. Assim, a gemedeira representa a dor e o sofrimento dessas mulheres. E o que aparece de mais belo no lamento da florista é a maneira como seu trabalho é descrito:
Florista fabrica flores
e seu ritual de rua
é um bailado sem som
um triste cantar de loa...
(VE, p. 31)
A poesia oferece ao leitor a imagem triste dessas singulares mulheres que são tão frágeis e belas quanto as flores que produzem. Nesse momento, a sensação de desconforto é inevitável: o leitor não consegue permanecer isento de certa culpa. Entretanto, logo em seguida, após a chamada de consciência para os problemas sociais, o poeta vem afagar e consolar o leitor, porque o sonho ainda é possível: "o amanhã é sempre diferente" (VE, p. 55):
Não desesperes nunca.
A vida é asssim mesmo.
Um dia para a dor
Um outro pra esperança.
(VE, p. 55)
O poeta acredita que o mundo possa renascer, mas, antes de tudo, deve "merecer o flagelo". Somente a dor é capaz de libertar o homem dos mecanismos de opressão que ele próprio constrói. Para isso importa desconstruir o mundo para reconstruí-lo, de tal modo, que o homem, em sua breve existência reconheça a relevância de transformar a sociedade, a fim de que a felicidade não seja somente privilégio de poucos que detêm o poder pelo poder – como nos admoesta Aristóteles – e sim patrimônio dos corações mais puros e das inteligências mais brilhantes.
MARGARIDA MARIA MOREIRA RODRIGUES é do Curso de Letras
da Universidade do Estado do Rio de Janeiro–UERJ. Participa do
Núcleo de Literatura Comparada e colabora no jornal Comunicando
do Instituto de Letras da mesma Instituição.
1 473
Roberto Pontes
Soneto Para Crer
Para não morrer, vivo acordado.
São muitas as maneiras de viver.
E entre os dois extremos tenho ao lado
Aquela que não cansa de me haver.
Estamos, assim, posto na vida
Igual à flor nascida para ser,
Mas se se abre em nós chaga dorida
Melhor é esquecê-la se doer.
Onde o mistério se a vida é vida?
Por que dormir suspenso no enfado,
Se a esta tenho a vida devotado?
Lá do céu, egressos, vêm anjos
Conselhar que sejam consumidas
A um só tempo flores e feridas.
(In: Revista de Letras. Fortaleza, 15 (1/8)- jan. 1990/dez.1993)
São muitas as maneiras de viver.
E entre os dois extremos tenho ao lado
Aquela que não cansa de me haver.
Estamos, assim, posto na vida
Igual à flor nascida para ser,
Mas se se abre em nós chaga dorida
Melhor é esquecê-la se doer.
Onde o mistério se a vida é vida?
Por que dormir suspenso no enfado,
Se a esta tenho a vida devotado?
Lá do céu, egressos, vêm anjos
Conselhar que sejam consumidas
A um só tempo flores e feridas.
(In: Revista de Letras. Fortaleza, 15 (1/8)- jan. 1990/dez.1993)
965
Roberto Pontes
Soneto Para Crer
Para não morrer, vivo acordado.
São muitas as maneiras de viver.
E entre os dois extremos tenho ao lado
Aquela que não cansa de me haver.
Estamos, assim, posto na vida
Igual à flor nascida para ser,
Mas se se abre em nós chaga dorida
Melhor é esquecê-la se doer.
Onde o mistério se a vida é vida?
Por que dormir suspenso no enfado,
Se a esta tenho a vida devotado?
Lá do céu, egressos, vêm anjos
Conselhar que sejam consumidas
A um só tempo flores e feridas.
(In: Revista de Letras. Fortaleza, 15 (1/8)- jan. 1990/dez.1993)
São muitas as maneiras de viver.
E entre os dois extremos tenho ao lado
Aquela que não cansa de me haver.
Estamos, assim, posto na vida
Igual à flor nascida para ser,
Mas se se abre em nós chaga dorida
Melhor é esquecê-la se doer.
Onde o mistério se a vida é vida?
Por que dormir suspenso no enfado,
Se a esta tenho a vida devotado?
Lá do céu, egressos, vêm anjos
Conselhar que sejam consumidas
A um só tempo flores e feridas.
(In: Revista de Letras. Fortaleza, 15 (1/8)- jan. 1990/dez.1993)
965
Raul Seixas
Óculos Escuros
Esta luz tá muito forte
Tenho medo de cegar
Os meus olhos tão manchados
Com teus raios de luar
Eu deixei a vela acesa
Para a bruxa não voltar
Acendi a luz de dia
Para a noite não chiar
Já bebi daquela água
Quero agora vomitar
Uma vez a gente aceita
Duas tem que reclamar
A serpente está na terra
O programa está no ar
Vim de longe, de outra terra
Pra mirder teu calcanhar
Esta noite eu tive um sonho
Eu queria me matar
Com dois galos a galinha não tem tempo de chocar
Tanto pé na nossa frente que não sabe como andar
Quem não tem colírio usa óculos escuros
Quem não tem papel dá recado pelo muro
Quem não tem presente se conforma com o futuro!
Tenho medo de cegar
Os meus olhos tão manchados
Com teus raios de luar
Eu deixei a vela acesa
Para a bruxa não voltar
Acendi a luz de dia
Para a noite não chiar
Já bebi daquela água
Quero agora vomitar
Uma vez a gente aceita
Duas tem que reclamar
A serpente está na terra
O programa está no ar
Vim de longe, de outra terra
Pra mirder teu calcanhar
Esta noite eu tive um sonho
Eu queria me matar
Com dois galos a galinha não tem tempo de chocar
Tanto pé na nossa frente que não sabe como andar
Quem não tem colírio usa óculos escuros
Quem não tem papel dá recado pelo muro
Quem não tem presente se conforma com o futuro!
1 779
Roberto Pontes
Verbo Encarnado, a Lição da Liberdade
por Angela Gutiérrez
O próprio poeta Roberto Pontes lembra, em "Nota posterior" a seus poemas de Verbo Encarnado, que "encarnado é sinônimo de vermelho, havendo nas festas populares acirradas disputas entre os partidos azul e encarnado". Aceitando o mote, ressalto que, além da acepção bíblica de "verbo que se fez carne", junta-se à significação do título do livro de Roberto, a idéia da cor vermelha que, no imaginário ocidental, é a cor da paixão, reiterada, no encarnado, pela etimologia ligada à carne. A acepção de encarnado, como aquilo que é representado, ou penetrado por um espírito, o brasileirismo que considera como encarnado aquilo que assedia, importuna, o simbolismo do encarnado como cor dos partidos de esquerda, tudo isso converge para o título da coletânea de poemas que, hoje, chega ao público cearense. O verbo poético de Roberto é verbo vermelho na palavra-luta; é verbo de carne, na palavra-dor e na palavra-paixão, é verbo que nos assedia, ao exigir, em diferentes modulações, a lição da liberdade.
A mesma "Nota posterior", além de informar sobre datas, nomes e fatos ligados à gestação dos poemas, sendo, portanto, um adendo genético, funciona, também, como uma poética do autor. Nela, Roberto afirma que a poesia não é "exercício para narcisos", mas "fala insubmisssa" que age como "resistência" e como "incitação das consciências". Quem viveu a adolescência e a juventude durante "os anos de chumbo" – entre 64 e 84 – e recorda a sensação do medo, da revolta, da impotência da boca amordaçada que nos afligia nessa "página infeliz de nossa história" (na bela expressão de Chico Buarque em seu samba Vai passar), entende que os poemas de Roberto, escritos entre 64 e 83, são intérpretes dessa "memória corporal" e nos fazem não só recordá-la como reencarná-la.
Em Verbo Encarnado, o poeta nega-se o direito de contemplar a própria imagem; nunca é um só, é sempre um entre muitos: é cidadão do mundo em "Soul por Luther King", "Lembrança de Neruda", "O Pássaro Amarelo" (poema dedicado a Ho Chi Minh); cidadão do Nordeste e de Fortaleza, em "Composição sobre a Peixeira", "Os Nossos Meninos Azuis", "Chula da Rendeira", "Poema para Fortaleza" e tantos mais.
O poeta, naqueles tempos de revolta, traveste seu verbo em arma, como em "A Bala do Poema":
A palavra há de ser
a consistência da bala
.....................................
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor não for reconhecido.
Ou, como em "Dedicatória":
Pixe muros
faça hinos
dê combate à ditadura
enforque em cordas de aço
toda forma de opressão.
Ou, ainda, como em "Definição":
trago um chicote
inquieto na mão
Mas se, em "Ultrapassagem", o poeta canta o momento feliz da fartura contra a guerra, da liberdade contra o medo, do mundo novo sem miséria, esse é o tempo do futuro:
quando o homem se souber
indigno do que até hoje cometeu
Apesar da delicadeza, quase diafaneidade, do poema "Os Ausentes", dedicado a Frei Tito –
Dos ausentes fica sempre um sorriso
como as pinturas recheias
de surpresa, reencontro e irreal.
– e que abre o livro, na versão em francês, o tom dominante de Verbo Encarnado é o que explode nas imagens audaciosas do ciclo apocalíptico, em "Antevéspera", "Véspera" e "O Dia":
e o ágape servido será dor e veneno.
No dia
e após o dia
a vida irá sumindo lentamente
e cheios de medalhas
os cus dos generais apodrecendo.
Essas são as últimas palavras do último poema do livro e, apesar de vertidas no futuro, são as que impregnam a nossa memória do passado que o livro do Roberto nos traz, dolorosamente, ao presente.
ANGELA GUTIÉRREZ é Professora Adjunta de Literatura Brasileira
no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutora em
Literatura Comparada pela UFMG. Pertence ao quadro de especialistas
da Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC.
Autora de O mundo de Flora (romance) e Vargas Llosa e o Romance
Possível da América Latina (ensaio).
O próprio poeta Roberto Pontes lembra, em "Nota posterior" a seus poemas de Verbo Encarnado, que "encarnado é sinônimo de vermelho, havendo nas festas populares acirradas disputas entre os partidos azul e encarnado". Aceitando o mote, ressalto que, além da acepção bíblica de "verbo que se fez carne", junta-se à significação do título do livro de Roberto, a idéia da cor vermelha que, no imaginário ocidental, é a cor da paixão, reiterada, no encarnado, pela etimologia ligada à carne. A acepção de encarnado, como aquilo que é representado, ou penetrado por um espírito, o brasileirismo que considera como encarnado aquilo que assedia, importuna, o simbolismo do encarnado como cor dos partidos de esquerda, tudo isso converge para o título da coletânea de poemas que, hoje, chega ao público cearense. O verbo poético de Roberto é verbo vermelho na palavra-luta; é verbo de carne, na palavra-dor e na palavra-paixão, é verbo que nos assedia, ao exigir, em diferentes modulações, a lição da liberdade.
A mesma "Nota posterior", além de informar sobre datas, nomes e fatos ligados à gestação dos poemas, sendo, portanto, um adendo genético, funciona, também, como uma poética do autor. Nela, Roberto afirma que a poesia não é "exercício para narcisos", mas "fala insubmisssa" que age como "resistência" e como "incitação das consciências". Quem viveu a adolescência e a juventude durante "os anos de chumbo" – entre 64 e 84 – e recorda a sensação do medo, da revolta, da impotência da boca amordaçada que nos afligia nessa "página infeliz de nossa história" (na bela expressão de Chico Buarque em seu samba Vai passar), entende que os poemas de Roberto, escritos entre 64 e 83, são intérpretes dessa "memória corporal" e nos fazem não só recordá-la como reencarná-la.
Em Verbo Encarnado, o poeta nega-se o direito de contemplar a própria imagem; nunca é um só, é sempre um entre muitos: é cidadão do mundo em "Soul por Luther King", "Lembrança de Neruda", "O Pássaro Amarelo" (poema dedicado a Ho Chi Minh); cidadão do Nordeste e de Fortaleza, em "Composição sobre a Peixeira", "Os Nossos Meninos Azuis", "Chula da Rendeira", "Poema para Fortaleza" e tantos mais.
O poeta, naqueles tempos de revolta, traveste seu verbo em arma, como em "A Bala do Poema":
A palavra há de ser
a consistência da bala
.....................................
A palavra há de trazer
o peso do chumbo
a quentura
a explosão do peito
enquanto o amor não for reconhecido.
Ou, como em "Dedicatória":
Pixe muros
faça hinos
dê combate à ditadura
enforque em cordas de aço
toda forma de opressão.
Ou, ainda, como em "Definição":
trago um chicote
inquieto na mão
Mas se, em "Ultrapassagem", o poeta canta o momento feliz da fartura contra a guerra, da liberdade contra o medo, do mundo novo sem miséria, esse é o tempo do futuro:
quando o homem se souber
indigno do que até hoje cometeu
Apesar da delicadeza, quase diafaneidade, do poema "Os Ausentes", dedicado a Frei Tito –
Dos ausentes fica sempre um sorriso
como as pinturas recheias
de surpresa, reencontro e irreal.
– e que abre o livro, na versão em francês, o tom dominante de Verbo Encarnado é o que explode nas imagens audaciosas do ciclo apocalíptico, em "Antevéspera", "Véspera" e "O Dia":
e o ágape servido será dor e veneno.
No dia
e após o dia
a vida irá sumindo lentamente
e cheios de medalhas
os cus dos generais apodrecendo.
Essas são as últimas palavras do último poema do livro e, apesar de vertidas no futuro, são as que impregnam a nossa memória do passado que o livro do Roberto nos traz, dolorosamente, ao presente.
ANGELA GUTIÉRREZ é Professora Adjunta de Literatura Brasileira
no Curso de Letras da Universidade Federal do Ceará. Doutora em
Literatura Comparada pela UFMG. Pertence ao quadro de especialistas
da Associação Brasileira de Literatura Comparada – ABRALIC.
Autora de O mundo de Flora (romance) e Vargas Llosa e o Romance
Possível da América Latina (ensaio).
1 409
Renata Trocoli
Sem Titulo III
Seus olhos sorriem ao encontrar os meus.
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
Seu sorriso tão lindo e doce
me faz te amar cada vez mais
e desejar que nunca deixe de sorrir para mim.
Sua pele tão clara, faz com que minhas mãos desejem
tocar seu rosto cada vez que te vejo.
Seus lábios tão macios
tocam os meus com delicadeza e carinho
que só quero sentir de você, sempre.
Suas mãos carinhosas tocam meu rosto.
Suas palavras doces
fazem meu coração palpitar de alegria
e meu peito doer de tanto amor que sinto por você
... AH! como te amo!!!
O amor que sinto por você
é puro, inocente e despreparado.
É uma leve brisa que me envolve
fazendo sorrir e suspirar
a cada lembrança, a cada momento vivido.
Meus olhos enchem-se de lágrimas
ao lembrar de nossos sonhos e desejos
Mas nunca com tristeza, sempre com carinho, amor e desejo
de encontrar seus olhos novamente, sentir seu abraço,
tocar seus cabelos macios, ver o sorriso doce
em seu lindo rosto, tocá-lo...
A vida proporciona emoções e sensações divinas!
Desejo que este momento nunca se acabe...
Que dure enquanto te amar deste jeito...
985
Roberto Pontes
Olhe a Poça
Há quem olhe a poça e veja a lua
Numa noite de intenso tremedal
Nela viaja a sede acre, insaciável
Do homem que trabalha, mas não vive
Daquele que não sabe já quem é
A sede é de tudo e de justiça
E o sedento não vê flores no caminho
A não ser nos canteiros do futuro
Mas como o advir não lhe pertence
Sendo a certeza um fruto de amanhã
Pisar na poça talvez não lhe pareça
Senão mero obstáculo a vencer
Um passo a mais do corpo que carrega
E enquanto a vida for seus dias de alugado
O seu suor, o seu sangue, o excremento
Para ele todo o céu será cinzento
Ter nascido foi ganhar uma sentença
Vai o homem, pisa a poça na calçada
E há quem olhe a mesma poça e veja a lua
Numa noite de intenso tremedal
Nela viaja a sede acre, insaciável
Do homem que trabalha, mas não vive
Daquele que não sabe já quem é
A sede é de tudo e de justiça
E o sedento não vê flores no caminho
A não ser nos canteiros do futuro
Mas como o advir não lhe pertence
Sendo a certeza um fruto de amanhã
Pisar na poça talvez não lhe pareça
Senão mero obstáculo a vencer
Um passo a mais do corpo que carrega
E enquanto a vida for seus dias de alugado
O seu suor, o seu sangue, o excremento
Para ele todo o céu será cinzento
Ter nascido foi ganhar uma sentença
Vai o homem, pisa a poça na calçada
E há quem olhe a mesma poça e veja a lua
949
Roberto Pontes
A Flor Anídrica
A Mirtes Brígido Machado
Por quem bate o coração da amiga
Já esquecida das pecas pétalas
A dessangrada papoula entre grafemas
Na revista contendo manchas pardas?
Ser vivo ainda? Borboleta ou forma?
Que importa o dobre de um sino
Abafado, ao rés do lado esquerdo?
Ter-se exaurido a força em certas mãos
Se o corpo frágil, os olhos da menina
São estampa que nunca se desfaz?
Horizontalizada, resguarda os segredos
Talvez de múmia, inseto ou arabesco
Discreto modo de assim permanecer
Ali imóvel, a marca de um momento
A sensação, impulso terno, gesto
De preservar a vida em tempo breve
A mão que o pôs ali.
Por quem pulsa o coração que esquece?
Bate pela flor? Ou sua ausência?
(De A Poesia Cearense no Século XX [Org. Assis Brasil]. Rio de Janeiro: 1996)
Por quem bate o coração da amiga
Já esquecida das pecas pétalas
A dessangrada papoula entre grafemas
Na revista contendo manchas pardas?
Ser vivo ainda? Borboleta ou forma?
Que importa o dobre de um sino
Abafado, ao rés do lado esquerdo?
Ter-se exaurido a força em certas mãos
Se o corpo frágil, os olhos da menina
São estampa que nunca se desfaz?
Horizontalizada, resguarda os segredos
Talvez de múmia, inseto ou arabesco
Discreto modo de assim permanecer
Ali imóvel, a marca de um momento
A sensação, impulso terno, gesto
De preservar a vida em tempo breve
A mão que o pôs ali.
Por quem pulsa o coração que esquece?
Bate pela flor? Ou sua ausência?
(De A Poesia Cearense no Século XX [Org. Assis Brasil]. Rio de Janeiro: 1996)
921
Roberto Pontes
A Flor Anídrica
A Mirtes Brígido Machado
Por quem bate o coração da amiga
Já esquecida das pecas pétalas
A dessangrada papoula entre grafemas
Na revista contendo manchas pardas?
Ser vivo ainda? Borboleta ou forma?
Que importa o dobre de um sino
Abafado, ao rés do lado esquerdo?
Ter-se exaurido a força em certas mãos
Se o corpo frágil, os olhos da menina
São estampa que nunca se desfaz?
Horizontalizada, resguarda os segredos
Talvez de múmia, inseto ou arabesco
Discreto modo de assim permanecer
Ali imóvel, a marca de um momento
A sensação, impulso terno, gesto
De preservar a vida em tempo breve
A mão que o pôs ali.
Por quem pulsa o coração que esquece?
Bate pela flor? Ou sua ausência?
(De A Poesia Cearense no Século XX [Org. Assis Brasil]. Rio de Janeiro: 1996)
Por quem bate o coração da amiga
Já esquecida das pecas pétalas
A dessangrada papoula entre grafemas
Na revista contendo manchas pardas?
Ser vivo ainda? Borboleta ou forma?
Que importa o dobre de um sino
Abafado, ao rés do lado esquerdo?
Ter-se exaurido a força em certas mãos
Se o corpo frágil, os olhos da menina
São estampa que nunca se desfaz?
Horizontalizada, resguarda os segredos
Talvez de múmia, inseto ou arabesco
Discreto modo de assim permanecer
Ali imóvel, a marca de um momento
A sensação, impulso terno, gesto
De preservar a vida em tempo breve
A mão que o pôs ali.
Por quem pulsa o coração que esquece?
Bate pela flor? Ou sua ausência?
(De A Poesia Cearense no Século XX [Org. Assis Brasil]. Rio de Janeiro: 1996)
921
Roberto Pontes
Definição
Rosa não rosa
eu não rescendo a flor.
Nada mais nada
eu fui tirado
de onde o mundo veio.
Mundo ó mundo
a dor constante
de compreender.
Roda com roda
quero a ciranda
orando pela paz.
Rumo e mais rumo
trunfo e conquista
não canto canção.
Vida vida vida
flor de existência
curta mas bela.
Grito então grito
trago um chicote
inquieto na mão.
(In: Poiésis Literatura. Petrópolis, n. 41, nov. 1996)
eu não rescendo a flor.
Nada mais nada
eu fui tirado
de onde o mundo veio.
Mundo ó mundo
a dor constante
de compreender.
Roda com roda
quero a ciranda
orando pela paz.
Rumo e mais rumo
trunfo e conquista
não canto canção.
Vida vida vida
flor de existência
curta mas bela.
Grito então grito
trago um chicote
inquieto na mão.
(In: Poiésis Literatura. Petrópolis, n. 41, nov. 1996)
934