Poemas neste tema
Vida e Existência
Marcelo Almeida de Oliveira
Paleta infeliz
Com suas tintas me pintaram criança,
da cor de seu céu,
de suas árvores,
da cor de seu ouro;
malditos reis gananciosos,
perceber não conseguem
que o céu é anil para todos,
as árvores não são de ninguém,
e seu ouro brilha para poucos.
Com suas tintas pintaram minha casa,
muito antes de eu nascer
num grande quarto sem janelas
e de portas fechadas por vocês;
conquistadores inconseqüentes,
nossos heróis de outrora,
negociando sofrimento por chão,
seus tons insanos são separados agora
pelo vermelho-sangue de meus irmãos.
Com suas tintas pintam cabeças,
preto e branco formam palavras,
elos de correntes impressas
em mentes desavisadas;
deuses impuros ditando leis,
triste realidade pintada por vocês,
quero fazer o que estiver afim,
afastem seus pincéis de mim.
da cor de seu céu,
de suas árvores,
da cor de seu ouro;
malditos reis gananciosos,
perceber não conseguem
que o céu é anil para todos,
as árvores não são de ninguém,
e seu ouro brilha para poucos.
Com suas tintas pintaram minha casa,
muito antes de eu nascer
num grande quarto sem janelas
e de portas fechadas por vocês;
conquistadores inconseqüentes,
nossos heróis de outrora,
negociando sofrimento por chão,
seus tons insanos são separados agora
pelo vermelho-sangue de meus irmãos.
Com suas tintas pintam cabeças,
preto e branco formam palavras,
elos de correntes impressas
em mentes desavisadas;
deuses impuros ditando leis,
triste realidade pintada por vocês,
quero fazer o que estiver afim,
afastem seus pincéis de mim.
710
Maria A. Oliveira
Insônia
Limbo inclinado de coisas perdidas,
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
algum mistério gozoso em mutação,
crispado e semimorto.
Melhor assim. O sono não me serve
o sono é um céu vazio
despedaçando as asas da memória
e suas aves de sonho fazem medo.
A noite singra o silencio mais alto e mais calado
sem naufrágios
e um lento espanto se estende sob o tempo,
um tempo oculto, inteiro e inconsútil
sobre as migalhas do dia.
A túnica do tempo e uma forma de paz
arrasta sobre nos sua paz de vento
e embala os gatos de tudo que lhes falta,
devolve a solidão a seus espelhos
e cala aos poucos os ecos das imagens.
Das mãos vazias as asas
tocam de leve as águas da aventura.
919
Marcelo Almeida de Oliveira
A história se repete
Não se sabe quando, nem como.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
982
Marcelo Almeida de Oliveira
A história se repete
Não se sabe quando, nem como.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
982
Marcelo Almeida de Oliveira
A história se repete
Não se sabe quando, nem como.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
É inútil olhar para trás.
É prudente olhar para o chão.
É emocionante olhar para frente
e tentar vislumbrar as coisas
que aparecem magicamente difusas
dentro da densa névoa.
Quando finalmente se cristalizam,
rapidamente são deixadas para trás.
Que gracinha ...
Ainda nem se preocupou em olhar
um pouco mais acima da bruma espessa
e perceber a cerca alta.
Não adianta, é impossível derrubá-la.
É preciso transpô-la.
Crescer é preciso.
O vermelho não é vermelho, nem é azul.
Um grito não é grito.
Uma pedra não é uma pedra, nem é dura.
O fogo não é fogo, tampouco queima .
Tókio está tão perto de São Paulo
quanto o meu fura-bolo está do cata-piolho.
Tempo não existe. Países não existem.
A ciência da borboleta reina.
Talvez 2 seja diferente de 2.
Talvez o novo átomo seja igual ao antigo,
que é igual ao mais velho,
que é igual ao sol ,
que é igual ao sistema,
que é igual à galáxia,
que é igual ao universo,
que talvez seja o átomo.
Talvez o talvez realmente seja.
Com o peso, o berço se quebra.
Não tão grandes agora, as cercas desmoronam.
Felicidade natural.
Encontramos Deus.
ELE é NÓS.
982
Majela Colares
As Marcas do Tempo
O último impulso do segundo antes
ao projetar-se no após segundo
risca no tempo cicatrizes, fendas...
(o largo corte invariável, sempre)
que esculpe a forma virtual do instante
no confundível e abstrato mármore,
imagem sólida do momento único.
ao projetar-se no após segundo
risca no tempo cicatrizes, fendas...
(o largo corte invariável, sempre)
que esculpe a forma virtual do instante
no confundível e abstrato mármore,
imagem sólida do momento único.
1 236
Majela Colares
Os Limites do Tempo
Meia face de sol - a tarde finda
nos limites do céu e da calçada.
Uma tarde partida, quando ainda
refletida entre cores, desbotada.
Aquarela dispersa - morte linda.
(Colorido de tez avermelhada)
mas o tempo ilusório fez infinda
meia face de sol desfigurada.
Murchas pétalas de horas finge o monte
rente a linha deserta do horizonte
feito rosa pendida... rosa-flores.
Nos limites da sombra projetada
nos contornos da noite aproximada
percebo o tempo farejando as cores.
nos limites do céu e da calçada.
Uma tarde partida, quando ainda
refletida entre cores, desbotada.
Aquarela dispersa - morte linda.
(Colorido de tez avermelhada)
mas o tempo ilusório fez infinda
meia face de sol desfigurada.
Murchas pétalas de horas finge o monte
rente a linha deserta do horizonte
feito rosa pendida... rosa-flores.
Nos limites da sombra projetada
nos contornos da noite aproximada
percebo o tempo farejando as cores.
944
Majela Colares
Verde Pelúcia
A semente vislumbra em breve tempo
irromper contra a terra umedecida
no húmus da manhã adormecida...
germinar e crescer e dar-se ao vento.
Fecundar neste chão rijo e sedento,
(ledo aroma de chuva acontecida)
no mormaço da véspera, confluída...
germinar e crescer e dar-se ao vento.
Mas a nômade nuvem rara e única
é que traz embuçada em frágil túnica,
o sagrado segredo derradeiro,
que ao certo, lançará feito neblina
a viçosa semente então germina,
na manhã, a saber, de algum janeiro.
irromper contra a terra umedecida
no húmus da manhã adormecida...
germinar e crescer e dar-se ao vento.
Fecundar neste chão rijo e sedento,
(ledo aroma de chuva acontecida)
no mormaço da véspera, confluída...
germinar e crescer e dar-se ao vento.
Mas a nômade nuvem rara e única
é que traz embuçada em frágil túnica,
o sagrado segredo derradeiro,
que ao certo, lançará feito neblina
a viçosa semente então germina,
na manhã, a saber, de algum janeiro.
1 042
Mário Hélio
32-II(Persianas)
a cor da dúvida na pele
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
621
Mário Hélio
32-II(Persianas)
a cor da dúvida na pele
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
repele muitos carinhos
e as linhas compostas
em muitos caminhos
diferem apenas do homem sozinho
de estar-se solto e completo
apesar de ver de perto do mundo o outro mundor
que só engana ao homem só e às persianas
às vezes os ziguezagues tortos apelam às diferenças
e às divisões que as mentes fazem
mas o que eles ignoram
é que os cérebros apenas conhecem as diferenças
entre as cousas e as lousas
que eles ignoram
o instinto de bicho do homem só
e das múltiplas multidões aglomeradas em torno dele
e das lânguidas e insensíveis persianas
um homem fica mais só quando reflete
é assim que ficam todos os homens sós
e a solidão
mero deserto entre a palavra e o chão
estranha hora entre o clarão e a aurora
o teu aéreo olhar
que medes a distância
entre o provável e o improvável
e tudo sabes
o que não sabes é o sol que esconde
ou ofusca quem sabe a dor e a sede do homem só
e o linho das linhas das alheias persianas
621
Marcelo Almeida de Oliveira
A parte e o todo
Seres-células,
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
914
Marcelo Almeida de Oliveira
A parte e o todo
Seres-células,
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
ser homem-esperma,
ser mulher-óvulo,
engenheiros-mãos constroem,
lixeiros-intestinos eliminam
lixo-excremento,
comunicações-sinápticas
anunciam guerras-alérgicas,
artistas-cancerígenos.
INDIVÍDUO = TODO
TODO = INDIVÍDUO
914
Marcelo Almeida de Oliveira
Natureza morta (still life with death)
É no negro completo das noites
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
que moram todos os mundos.
Preta é a tinta de todas as cores
já pintadas em telas imundas.
Triste melancolia?
Não...
O que seria a alva castidade
senão limitação?
O que seria o profundo silêncio
Senão todos os sons?
O que seria o abismo da noite
Senão o berço dos sonhos?
O que seria a morte
Senão o tudo inevitável?
828
Majela Colares
Vertigem
Já se ouviam, de estrelas, rebramidos
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
1 011
Majela Colares
Vertigem
Já se ouviam, de estrelas, rebramidos
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
entre as sombras da noite camuflada.
Rumores de horas mortas... tempos idos.
- Era a tarde batendo em retirada.
Lábios mudos fendidos pelos gestos...
pálida boca (a noite escancarada).
Consumidos olhares, quase restos.
- Era a tarde batendo em retirada.
A voz frágil, o braço já pendia.
Vago, inerte, rumando pela estrada,
raios cegos o sol oferecia.
- Era a tarde batendo em retirada.
Os ecos projetados no futuro.
Vã imagem, figura rebuscada.
Na linha do horizonte um traço escuro.
- Era a tarde batendo em retirada.
As palavras... a frase repetida,
denso texto, linguagem retratada.
Verso e verbo, no entanto, morte e vida.
Sempre a tarde batendo em retirada.
As medidas da mão, agora ausente,
conduzidas para hora anunciada.
A vertigem, por fim, não se pressente?
Quando é tarde batendo em retirada.
1 011
Mário Hélio
30-X-(Dos que vivem na sombra)
ontem suspeitei o cego em mim
andei errante por ruas e não encontrei luas
e me castiguei com medo de mim
ontem descobri o monstro hurrando em mim
quisera que meu corpo fosse vosso corpo
o sombrio vagalume por pousadas de mim.
ontem suspeitei o descoberto em mim
e pensei em andar pra sempre nutando
pra ver o rosto vasto que se esmaga em mim
vencido contrafeito morto
me agarrei ao quindavia de intato em mim
há muito eu constatei a insegurânsia em mim
o anjo rebelde que havia em mim
o estranho prisioneiro nas masmorras em mim
escrevi versos duros de dura ansiedade
mas não constatei verdade alguma
escrevi versos pálidos num suspiro
mas não encontrei nenhuma só lição
à tona tropeçando nos meus passos
penso que é angústia o sentimento vácuo
mas não sei ao certo se existe angústia.
quisera que meu bálsamo fosse o vosso beijo
tendes lábios enormes e eu não os vejo
mas no alto do rosto se incendeia
a mesma luz sombria que me guia.
as forças me forçam a fins que desconheço
mas suspeito que está no universo falido
ontem descobri o pouco que conheço
e me vi trancado pelo avesso
não sei se foi remorso o que passou por mim
ou foi vontade de fugir de mim.
ontem descobri o desespero em mim
verti meu sangue no vasto mundo
amorte doido feito busquei
rasguei papéis desfiz contratos
que com meu ego o tempo fez,
sonhei loucuras calei-me há tempo
meu sofrimento é tão imenso e tão presente
que nem notei
é lodo e mundo ida sem volta
amorte é sangue maldiçoado
corpo do livro pastirrasgado
amorte é medo nunca explicado
há sempre uma possibilidade de não me esconder,
e vocês sorririam se eu dissesse que a tristeza
é supérflua enquanto importa esta análise?
deixa nua a verdade do medo todos temos medo
talvez seja pela cereja que tenho no corpo
e ninguém a colheu.
nunca mais amorte amarei
nunca direi sim direi sempre talvez.
ontem suspeitei o inacabado em mim
orgasma prometida à minha estrela
à custa da revolta que houve sempre em mim
os conhecidos seres conformados como eu
inconformado que apesar da fraqueza
nunca olhei pro fim
às vezes penso que somos frutos das ondas dos instantes
que arrebatadas nos levam distante
mas é bastante pra da tal verdade ficar mais distante
ontem constatei o espectro em mim
com sua mão de fogo exorcizando a dor
mas sei e muito sei que não existem santos
apesar do ódio que sou eu amo tanto.
ontem cobri redescobri grotescos arabescos
ridículo estranho e iníquo eu era para mim.
há sempre uma possibilidade (mesmo que longínqua)
de esquecer a culpa e escapar de mim.
andei errante por ruas e não encontrei luas
e me castiguei com medo de mim
ontem descobri o monstro hurrando em mim
quisera que meu corpo fosse vosso corpo
o sombrio vagalume por pousadas de mim.
ontem suspeitei o descoberto em mim
e pensei em andar pra sempre nutando
pra ver o rosto vasto que se esmaga em mim
vencido contrafeito morto
me agarrei ao quindavia de intato em mim
há muito eu constatei a insegurânsia em mim
o anjo rebelde que havia em mim
o estranho prisioneiro nas masmorras em mim
escrevi versos duros de dura ansiedade
mas não constatei verdade alguma
escrevi versos pálidos num suspiro
mas não encontrei nenhuma só lição
à tona tropeçando nos meus passos
penso que é angústia o sentimento vácuo
mas não sei ao certo se existe angústia.
quisera que meu bálsamo fosse o vosso beijo
tendes lábios enormes e eu não os vejo
mas no alto do rosto se incendeia
a mesma luz sombria que me guia.
as forças me forçam a fins que desconheço
mas suspeito que está no universo falido
ontem descobri o pouco que conheço
e me vi trancado pelo avesso
não sei se foi remorso o que passou por mim
ou foi vontade de fugir de mim.
ontem descobri o desespero em mim
verti meu sangue no vasto mundo
amorte doido feito busquei
rasguei papéis desfiz contratos
que com meu ego o tempo fez,
sonhei loucuras calei-me há tempo
meu sofrimento é tão imenso e tão presente
que nem notei
é lodo e mundo ida sem volta
amorte é sangue maldiçoado
corpo do livro pastirrasgado
amorte é medo nunca explicado
há sempre uma possibilidade de não me esconder,
e vocês sorririam se eu dissesse que a tristeza
é supérflua enquanto importa esta análise?
deixa nua a verdade do medo todos temos medo
talvez seja pela cereja que tenho no corpo
e ninguém a colheu.
nunca mais amorte amarei
nunca direi sim direi sempre talvez.
ontem suspeitei o inacabado em mim
orgasma prometida à minha estrela
à custa da revolta que houve sempre em mim
os conhecidos seres conformados como eu
inconformado que apesar da fraqueza
nunca olhei pro fim
às vezes penso que somos frutos das ondas dos instantes
que arrebatadas nos levam distante
mas é bastante pra da tal verdade ficar mais distante
ontem constatei o espectro em mim
com sua mão de fogo exorcizando a dor
mas sei e muito sei que não existem santos
apesar do ódio que sou eu amo tanto.
ontem cobri redescobri grotescos arabescos
ridículo estranho e iníquo eu era para mim.
há sempre uma possibilidade (mesmo que longínqua)
de esquecer a culpa e escapar de mim.
880
Majela Colares
O Silêncio da Flor
Foi quando as flores não vingaram frutos:
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
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Majela Colares
O Silêncio da Flor
Foi quando as flores não vingaram frutos:
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
(nos secos ramos, ressecaram tardes)
as folhas murchas despencaram pálidas
se dispersaram contornando rastros
pelos caminhos conspiravam fugas
levando marcas de uma morte lenta,
porque raízes omitiram seiva
para mante-las sempre ao caule, sempre...
mas foi da terra sim, que a morte veio
do chão que a planta ruminava nuvens,
o fio de água, transformado em lodo,
contido pela rigidez da argila.
Foi quando as folhas se acharam adubo:
(nas secas tardes, renasceram ramos)
antigas folhas inundando o caule,
imune seiva, frutos-flores, quando...
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Mariana Angélica de Andrade
Só Por Ti
Se a luz dos teus olhares me reanima,
Dando-me gozos que jamais senti;
Se és a minha esperança mais querida,
Hei-de perder-te? Não! Se o amor é vida,
Quero viver por ti!
Mas se a vida tem dores cruciantes,
Temer não sei! Para sofrer nasci…
Abraço a minha cruz, busco o tormento,
E embora me domine o desalento
Quero sofrer por ti!
Não estranho os espinhos da desdita,
Porque sempre em espinhos me feri…
Se hei-de trilhar ainda mais abrolhos,
Se mais prantos virão turvar meus olhos,
Quero chorar por ti!
Só pelo teu afecto esqueço os entes
Que mais amei na terra, e que perdi!
É destino! Quem foge à sua sorte?…
Eu a bendigo; e, se o amor é morte,
Quero morrer por ti!
Dando-me gozos que jamais senti;
Se és a minha esperança mais querida,
Hei-de perder-te? Não! Se o amor é vida,
Quero viver por ti!
Mas se a vida tem dores cruciantes,
Temer não sei! Para sofrer nasci…
Abraço a minha cruz, busco o tormento,
E embora me domine o desalento
Quero sofrer por ti!
Não estranho os espinhos da desdita,
Porque sempre em espinhos me feri…
Se hei-de trilhar ainda mais abrolhos,
Se mais prantos virão turvar meus olhos,
Quero chorar por ti!
Só pelo teu afecto esqueço os entes
Que mais amei na terra, e que perdi!
É destino! Quem foge à sua sorte?…
Eu a bendigo; e, se o amor é morte,
Quero morrer por ti!
1 228
Mário Hélio
34-IV(Vegeptil)
lâmina de carne
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
794
Mário Hélio
34-IV(Vegeptil)
lâmina de carne
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
carne de aço
expássaro vidrarte
rasga esse deus
tira a tua parte
o mundo é teu
a morte é uma arte
domina a dor
sereia de corpo na mão
centauro de nuvens azuis
braços nas mãos
lábios no fóssil
seios de vidro
musicacústica
baobás barrocos
vegetanimal
almas de metal
armas de ar puro
bizâncio lustral
cavaleiro eleito
nas mãos o cavalo
traga esse deus
arte da arte
a morte é uma parte
o mundo é teu
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Majela Colares
As Cores do Tempo
Eu canto a passagem do tempo
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
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Majela Colares
As Cores do Tempo
Eu canto a passagem do tempo
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
Clarice Lispector
Percebo o tempo farejando as cores
de um já vencido e desbotado instante,
tingidas horas (reluzente tinta)
preserva apenas um azul distante...
pelas arestas espirais dos tons
embaça o risco do momento diante
frágil moldura irregular do tempo
descolorido feito sombra errante.
riscamt as cores novo instante súbito
(um branco espaço a revolver o caos...)
traçando o tempo - qual íris perfeito -
agora a tinta condensando as cores
consagra breve, colorido intenso,
marcas do tempo que jamais desfeito...
1 399
Majela Colares
Soneto Para uma Estação
Estas sombras antigas de poente
guardam arcos de sol - dias de outono -
desfolhados na noite, nunca ausente,
quando as horas bocejam voz de sono.
São instantes maduros de nascente
na surpresa incessante do mês nono,
concebidos em gestos, mão silente,
quando as horas bocejam cor de sono.
Entre os cílios, o mundo em movimento,
sob as asas dos olhos morre um vento
para não ser sequer restos de sono.
Mas ao leste dos lábios pousa a aurora
fogem sombras antigas, vão-se embora...
surgem arcos de sol - dias de outono.
guardam arcos de sol - dias de outono -
desfolhados na noite, nunca ausente,
quando as horas bocejam voz de sono.
São instantes maduros de nascente
na surpresa incessante do mês nono,
concebidos em gestos, mão silente,
quando as horas bocejam cor de sono.
Entre os cílios, o mundo em movimento,
sob as asas dos olhos morre um vento
para não ser sequer restos de sono.
Mas ao leste dos lábios pousa a aurora
fogem sombras antigas, vão-se embora...
surgem arcos de sol - dias de outono.
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