Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Charles Bukowski
O Humilde Herdou
se eu sofro assim diante dessa
máquina de escrever
pense em como eu me sentiria
entre os colhedores
de alface em Salinas?
penso nos homens
que conheci nas
fábricas
sem qualquer chance de
escapar –
sufocados enquanto vivem
sufocados enquanto riem
de Bob Hope ou Lucille
Ball enquanto
2 ou 3 crianças jogam
bolas de tênis contra
as paredes.
alguns suicídios jamais são
registrados.
máquina de escrever
pense em como eu me sentiria
entre os colhedores
de alface em Salinas?
penso nos homens
que conheci nas
fábricas
sem qualquer chance de
escapar –
sufocados enquanto vivem
sufocados enquanto riem
de Bob Hope ou Lucille
Ball enquanto
2 ou 3 crianças jogam
bolas de tênis contra
as paredes.
alguns suicídios jamais são
registrados.
1 170
Charles Bukowski
Orador Debaixo de Mau Tempo
por Deus, não sei o que
fazer.
elas são tão legais de se ter por perto.
elas têm um jeito de tocar
as bolas
e olhar para o pau muito
seriamente
virando-o
puxando-o
examinando cada parte
enquanto seus longos cabelos caem
sobre a sua barriga.
não é apenas o foder e o chupar
que alcançam o interior do homem
e o amaciam, são os extras,
está tudo nos extras.
agora é noite e está chovendo
e não há ninguém
estão todas em outros lugares
examinando coisas
em novos quartos
com novos humores
mesmo que em velhos
quartos.
seja o que for, é noite e está chovendo,
uma chuva torrencial, maldita e
pesada...
muito pouco a fazer.
já li o jornal
paguei a conta do gás
a conta de luz
a conta do telefone.
continua chovendo.
elas amaciam um homem
e então o deixam a nadar
em seu próprio suco.
preciso de uma vagabunda no velho estilo
batendo à porta esta noite
fechando seu guarda-chuva verde,
gotas de chuva enluarada sobre
sua bolsa, dizendo, “merda, cara,
não consegue achar uma música melhor do que
essa no seu rádio?
e aumente o aquecimento...”
é sempre quando um homem está tomado
de amor e tudo
mais
que continua chovendo
alagadoura
encharcante
chuva
boa para as árvores e para a
grama e para o ar...
boa para coisas que
vivem sozinhas.
eu daria qualquer coisa
pela mão de uma fêmea em mim
esta noite.
elas amaciam um homem e
depois o deixam
escutando a chuva.
fazer.
elas são tão legais de se ter por perto.
elas têm um jeito de tocar
as bolas
e olhar para o pau muito
seriamente
virando-o
puxando-o
examinando cada parte
enquanto seus longos cabelos caem
sobre a sua barriga.
não é apenas o foder e o chupar
que alcançam o interior do homem
e o amaciam, são os extras,
está tudo nos extras.
agora é noite e está chovendo
e não há ninguém
estão todas em outros lugares
examinando coisas
em novos quartos
com novos humores
mesmo que em velhos
quartos.
seja o que for, é noite e está chovendo,
uma chuva torrencial, maldita e
pesada...
muito pouco a fazer.
já li o jornal
paguei a conta do gás
a conta de luz
a conta do telefone.
continua chovendo.
elas amaciam um homem
e então o deixam a nadar
em seu próprio suco.
preciso de uma vagabunda no velho estilo
batendo à porta esta noite
fechando seu guarda-chuva verde,
gotas de chuva enluarada sobre
sua bolsa, dizendo, “merda, cara,
não consegue achar uma música melhor do que
essa no seu rádio?
e aumente o aquecimento...”
é sempre quando um homem está tomado
de amor e tudo
mais
que continua chovendo
alagadoura
encharcante
chuva
boa para as árvores e para a
grama e para o ar...
boa para coisas que
vivem sozinhas.
eu daria qualquer coisa
pela mão de uma fêmea em mim
esta noite.
elas amaciam um homem e
depois o deixam
escutando a chuva.
1 156
Charles Bukowski
O Estouro
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
841
Charles Bukowski
O Estouro
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
841
Charles Bukowski
O Estouro
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém.
risos ou
lágrimas
odiosos
amantes
estranhos com faces como
cabeças de
tachinhas
exércitos correndo através
de ruas de sangue
brandindo garrafas de vinho
baionetando e fodendo
virgens.
ou um velho num quarto barato
com uma fotografia de M. Monroe.
há tamanha solidão no mundo
que você pode vê-la no movimento lento dos
braços de um relógio.
pessoas tão cansadas
mutiladas
tanto pelo amor como pelo desamor.
as pessoas simplesmente não são boas umas com as outras
cara a cara.
os ricos não são bons para os ricos
os pobres não são bons para os pobres.
estamos com medo.
nosso sistema educacional nos diz que
podemos ser todos
grandes vencedores.
eles não nos contaram
a respeito das misérias
ou dos suicídios.
ou do terror de uma pessoa
sofrendo sozinha
num lugar qualquer
intocada
incomunicável
regando uma planta.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
as pessoas não são boas umas com as outras.
suponho que nunca serão.
não peço para que sejam.
mas às vezes eu penso sobre
isso.
as contas dos rosários balançarão
as nuvens nublarão
e o assassino degolará a criança
como se desse uma mordida numa casquinha de sorvete.
demais
tão pouco
tão gordo
tão magro
ou ninguém
mais odiosos que amantes.
as pessoas não são boas umas com as outras.
talvez se elas fossem
nossas mortes não seriam tão tristes.
enquanto isso eu olho para as jovens garotas
talos
flores do acaso.
tem que haver um caminho.
com certeza deve haver um caminho sobre o qual ainda
não pensamos.
quem colocou este cérebro dentro de mim?
ele chora
ele demanda
ele diz que há uma chance.
ele não dirá
“não”.
841
Charles Bukowski
Um Poema Rude
eles seguem escrevendo
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap...
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap...
1 305
Charles Bukowski
Um Poema Rude
eles seguem escrevendo
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap...
despejando poemas...
jovens garotos e professores universitários
esposas que bebem vinho durante a tarde
enquanto seus maridos trabalham,
eles seguem escrevendo
os mesmos nomes nas mesmas revistas
todos escrevendo um pouco pior a cada ano,
lançando uma coletânea de poesias
despejando mais poemas
é como um concurso
é um concurso
mas o prêmio é invisível.
eles não escreverão contos ou artigos
ou romances
apenas seguirão
despejando poemas
cada um soando mais e mais como os outros
e menos e menos como eles mesmos,
e alguns dos garotos se cansam e desistem
mas os professores nunca desistem
e as mulheres que bebem vinho durante a tarde
nunca nunca nunca desistem
e novos garotos chegam com novas revistas
e há alguma correspondência entre homens e mulheres
algumas fodas
e tudo é exagerado e estúpido.
quando os poemas são recusados
eles os reescrevem
e mandam para a próxima revista na lista,
e eles fazem leituras
todas as leituras que conseguem
de graça na maioria das vezes
esperando que alguém finalmente os reconheça
finalmente os aplauda
finalmente os congratule e reconheça o
talento deles
estão todos tão certos de suas genialidades
há tão pouco autoquestionamento,
e a maioria deles vive em North Beach ou Nova York,
e seus rostos são como seus poemas:
iguais,
e conhecem uns aos outros e
se congregam e se odeiam e se admiram e se escolhem e se
descartam
e seguem despejando mais poemas
mais poemas
mais poemas
o concurso dos cretinos:
tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap, tap...
1 305
Charles Bukowski
Sorte
o que está mal a respeito disso
tudo
é ver as pessoas
bebendo café e
esperando. gostaria de
embebê-los todos
na sorte. eles precisam
disso. precisam bem
mais do que eu.
sento nos cafés
e os vejo a
esperar. não creio
que haja muito mais
a fazer. as moscas
vão pra lá e pra cá
nos vidros das janelas
e bebemos nosso
café e fingimos
não olhar uns
para os outros.
espero junto com eles.
entre o movimento
das moscas
as pessoas vagueiam.
tudo
é ver as pessoas
bebendo café e
esperando. gostaria de
embebê-los todos
na sorte. eles precisam
disso. precisam bem
mais do que eu.
sento nos cafés
e os vejo a
esperar. não creio
que haja muito mais
a fazer. as moscas
vão pra lá e pra cá
nos vidros das janelas
e bebemos nosso
café e fingimos
não olhar uns
para os outros.
espero junto com eles.
entre o movimento
das moscas
as pessoas vagueiam.
1 331
Charles Bukowski
A Noite Em Que Trepei Com Meu Despertador
certa vez
passando fome na Filadélfia
eu ocupava um quartinho
caía a tarde e a noite chegava
e me postei junto à janela no 3° andar
no escuro e olhei para uma
cozinha que ficava no outro lado do 2° andar
e avistei uma bela garota loira
abraçar um jovem e ali beijá-lo
com o que parecia ser fome
e fiquei parado a olhá-los até que se
separassem.
então dei meia-volta e acendi a luz do quarto.
vi minha cômoda e suas gavetas
e meu despertador sobre ela.
peguei o relógio
e o levei pra cama comigo
trepei com ele até que os ponteiros caíssem fora.
depois saí e vaguei pelas ruas
até sentir meus pés se encherem de bolhas.
quando voltei fui até a janela
e olhei pra baixo e lá pro outro lado
e a luz na cozinha deles estava
apagada.
passando fome na Filadélfia
eu ocupava um quartinho
caía a tarde e a noite chegava
e me postei junto à janela no 3° andar
no escuro e olhei para uma
cozinha que ficava no outro lado do 2° andar
e avistei uma bela garota loira
abraçar um jovem e ali beijá-lo
com o que parecia ser fome
e fiquei parado a olhá-los até que se
separassem.
então dei meia-volta e acendi a luz do quarto.
vi minha cômoda e suas gavetas
e meu despertador sobre ela.
peguei o relógio
e o levei pra cama comigo
trepei com ele até que os ponteiros caíssem fora.
depois saí e vaguei pelas ruas
até sentir meus pés se encherem de bolhas.
quando voltei fui até a janela
e olhei pra baixo e lá pro outro lado
e a luz na cozinha deles estava
apagada.
1 225
Charles Bukowski
Óculos Escuros
nunca uso óculos escuros
mas esta ruiva foi buscar
uma receita preenchida no Hollywood Blvd.
e ela seguia discutindo comigo,
rilhando os dentes e rosnando.
deixei-a junto ao balcão da prescrição
e fui dar uma volta e comprei um enorme tubo de
Crest e uma garrafa gigante de Joy.
então me aproximei de um mostruário de óculos escuros
e comprei o mais terrível par
que pude encontrar.
pagamos por nossas coisas
fomos até um restaurante mexicano
e ela pediu um taco do qual não daria conta
e ficou ali sentada
rilhando os dentes e rosnando e rosnando pra mim
e após comer pedi 3 cervejas
sequei-as
depois pus meus óculos.
“ó meu Deus”, ela disse, “puta que pariu!”
e eu a acertei dos dois lados
a mais excelente das respostas
rosnando fedorentas balas de marmelada
rajadas de merda
peidos vindos do inferno,
então me levantei
paguei
ela saindo atrás de mim
nós dois de óculos escuros
e as calçadas se dividindo.
encontramos o carro dela
entramos e partimos
eu ali sentado
empurrando os óculos novamente contra meu nariz
arrancando-lhe a espinha
agitando-a do lado de fora da janela
como um mastro partido da Confederação...
os óculos escuros e malévolos ajudando.
“puta que pariu!” ela disse,
e o sol brilhava no céu
e eu não percebia.
saíram a bagatela de US$ 4.25
mesmo levando-se em consideração que esqueci a Crest
e a Joy no
mexicano do taco.
mas esta ruiva foi buscar
uma receita preenchida no Hollywood Blvd.
e ela seguia discutindo comigo,
rilhando os dentes e rosnando.
deixei-a junto ao balcão da prescrição
e fui dar uma volta e comprei um enorme tubo de
Crest e uma garrafa gigante de Joy.
então me aproximei de um mostruário de óculos escuros
e comprei o mais terrível par
que pude encontrar.
pagamos por nossas coisas
fomos até um restaurante mexicano
e ela pediu um taco do qual não daria conta
e ficou ali sentada
rilhando os dentes e rosnando e rosnando pra mim
e após comer pedi 3 cervejas
sequei-as
depois pus meus óculos.
“ó meu Deus”, ela disse, “puta que pariu!”
e eu a acertei dos dois lados
a mais excelente das respostas
rosnando fedorentas balas de marmelada
rajadas de merda
peidos vindos do inferno,
então me levantei
paguei
ela saindo atrás de mim
nós dois de óculos escuros
e as calçadas se dividindo.
encontramos o carro dela
entramos e partimos
eu ali sentado
empurrando os óculos novamente contra meu nariz
arrancando-lhe a espinha
agitando-a do lado de fora da janela
como um mastro partido da Confederação...
os óculos escuros e malévolos ajudando.
“puta que pariu!” ela disse,
e o sol brilhava no céu
e eu não percebia.
saíram a bagatela de US$ 4.25
mesmo levando-se em consideração que esqueci a Crest
e a Joy no
mexicano do taco.
1 091
Charles Bukowski
Roubada
sigo pensando que ela estará lá fora
agora
esperando por mim
azul
o para-choque frontal amassado
a cruz de Malta pendurada
no retrovisor.
o tapete de borracha
embolado debaixo dos pedais.
8 km/l
o bom e velho TRV 491
a fiel amante de um homem,
o modo como eu lhe engatava a segunda
ao dobrar uma esquina
o modo como ela podia furar um sinal
quando ninguém estava por perto.
o modo como conquistávamos enormes
e pequenos espaços
chuva
sol
neblina
hostilidade
o impacto das coisas.
saí das lutas no Olympic na última
terça-feira à noite
e minha caranga tinha sumido
com outro amante
para outro lugar.
as lutas tinham sido boas.
chamei um táxi numa estação
e me sentei numa cafeteria para comer
uma rosquinha com geleia acompanhada de café e
esperei,
e eu sabia que se encontrasse
o homem que a havia roubado
eu o mataria.
o táxi chegou. acenei para o
motorista, paguei pela rosquinha e pelo
café, saí noite afora,
entrei no carro, e lhe disse, “Hollywood com
a Western”, e naquela noite
em específico aquilo foi tudo.
agora
esperando por mim
azul
o para-choque frontal amassado
a cruz de Malta pendurada
no retrovisor.
o tapete de borracha
embolado debaixo dos pedais.
8 km/l
o bom e velho TRV 491
a fiel amante de um homem,
o modo como eu lhe engatava a segunda
ao dobrar uma esquina
o modo como ela podia furar um sinal
quando ninguém estava por perto.
o modo como conquistávamos enormes
e pequenos espaços
chuva
sol
neblina
hostilidade
o impacto das coisas.
saí das lutas no Olympic na última
terça-feira à noite
e minha caranga tinha sumido
com outro amante
para outro lugar.
as lutas tinham sido boas.
chamei um táxi numa estação
e me sentei numa cafeteria para comer
uma rosquinha com geleia acompanhada de café e
esperei,
e eu sabia que se encontrasse
o homem que a havia roubado
eu o mataria.
o táxi chegou. acenei para o
motorista, paguei pela rosquinha e pelo
café, saí noite afora,
entrei no carro, e lhe disse, “Hollywood com
a Western”, e naquela noite
em específico aquilo foi tudo.
980
Charles Bukowski
Hawley Está Saindo da Cidade
este cara
tem um olhar louco
e é bronzeado
um bronzeado escuro de sol
o sol de Hollywood e do oeste
o sol do hipódromo
ele me vê e diz,
“ei, Hawley está saindo da cidade
por uma semana. ele detona
as minhas vantagens. agora
tenho uma chance.”
ele está sorrindo, fala sério:
com Hawley fora da cidade
ele se mudará para
aquele castelo em Hollywood Hills;
dançarinas
seis pastores alemães
uma ponte levadiça,
vinhos de dez
anos.
Sam, o Putanheiro,
se aproxima e eu lhe digo que
estou faturando US$ 150 por dia
nas corridas.
“vou direto nas
totalizações”, eu lhe digo.
“preciso de uma garota”, ele me diz,
“que possa prender um cara
sem vir com toda essa bobajada sobre
moral cristã
no final.
“Hawley está saindo da cidade”,
eu digo a Sam.
“onde está o Sapato?”
ele pergunta.
“lá pro leste”, diz um velho
que está ali parado.
ele tem um pequeno protetor de plástico branco
sobre o olho esquerdo
cravejado de
pequenos furos.
“isso deixa tudo nas mãos do Pinky”,
diz o bronzeado.
ficamos todos ali de pé olhando uns para os
outros.
então
após um sinal silencioso
nos afastamos
e seguimos,
cada qual
em uma direção diferente:
norte sul leste oeste.
nós sabemos de algo.
tem um olhar louco
e é bronzeado
um bronzeado escuro de sol
o sol de Hollywood e do oeste
o sol do hipódromo
ele me vê e diz,
“ei, Hawley está saindo da cidade
por uma semana. ele detona
as minhas vantagens. agora
tenho uma chance.”
ele está sorrindo, fala sério:
com Hawley fora da cidade
ele se mudará para
aquele castelo em Hollywood Hills;
dançarinas
seis pastores alemães
uma ponte levadiça,
vinhos de dez
anos.
Sam, o Putanheiro,
se aproxima e eu lhe digo que
estou faturando US$ 150 por dia
nas corridas.
“vou direto nas
totalizações”, eu lhe digo.
“preciso de uma garota”, ele me diz,
“que possa prender um cara
sem vir com toda essa bobajada sobre
moral cristã
no final.
“Hawley está saindo da cidade”,
eu digo a Sam.
“onde está o Sapato?”
ele pergunta.
“lá pro leste”, diz um velho
que está ali parado.
ele tem um pequeno protetor de plástico branco
sobre o olho esquerdo
cravejado de
pequenos furos.
“isso deixa tudo nas mãos do Pinky”,
diz o bronzeado.
ficamos todos ali de pé olhando uns para os
outros.
então
após um sinal silencioso
nos afastamos
e seguimos,
cada qual
em uma direção diferente:
norte sul leste oeste.
nós sabemos de algo.
1 091
Charles Bukowski
Hawley Está Saindo da Cidade
este cara
tem um olhar louco
e é bronzeado
um bronzeado escuro de sol
o sol de Hollywood e do oeste
o sol do hipódromo
ele me vê e diz,
“ei, Hawley está saindo da cidade
por uma semana. ele detona
as minhas vantagens. agora
tenho uma chance.”
ele está sorrindo, fala sério:
com Hawley fora da cidade
ele se mudará para
aquele castelo em Hollywood Hills;
dançarinas
seis pastores alemães
uma ponte levadiça,
vinhos de dez
anos.
Sam, o Putanheiro,
se aproxima e eu lhe digo que
estou faturando US$ 150 por dia
nas corridas.
“vou direto nas
totalizações”, eu lhe digo.
“preciso de uma garota”, ele me diz,
“que possa prender um cara
sem vir com toda essa bobajada sobre
moral cristã
no final.
“Hawley está saindo da cidade”,
eu digo a Sam.
“onde está o Sapato?”
ele pergunta.
“lá pro leste”, diz um velho
que está ali parado.
ele tem um pequeno protetor de plástico branco
sobre o olho esquerdo
cravejado de
pequenos furos.
“isso deixa tudo nas mãos do Pinky”,
diz o bronzeado.
ficamos todos ali de pé olhando uns para os
outros.
então
após um sinal silencioso
nos afastamos
e seguimos,
cada qual
em uma direção diferente:
norte sul leste oeste.
nós sabemos de algo.
tem um olhar louco
e é bronzeado
um bronzeado escuro de sol
o sol de Hollywood e do oeste
o sol do hipódromo
ele me vê e diz,
“ei, Hawley está saindo da cidade
por uma semana. ele detona
as minhas vantagens. agora
tenho uma chance.”
ele está sorrindo, fala sério:
com Hawley fora da cidade
ele se mudará para
aquele castelo em Hollywood Hills;
dançarinas
seis pastores alemães
uma ponte levadiça,
vinhos de dez
anos.
Sam, o Putanheiro,
se aproxima e eu lhe digo que
estou faturando US$ 150 por dia
nas corridas.
“vou direto nas
totalizações”, eu lhe digo.
“preciso de uma garota”, ele me diz,
“que possa prender um cara
sem vir com toda essa bobajada sobre
moral cristã
no final.
“Hawley está saindo da cidade”,
eu digo a Sam.
“onde está o Sapato?”
ele pergunta.
“lá pro leste”, diz um velho
que está ali parado.
ele tem um pequeno protetor de plástico branco
sobre o olho esquerdo
cravejado de
pequenos furos.
“isso deixa tudo nas mãos do Pinky”,
diz o bronzeado.
ficamos todos ali de pé olhando uns para os
outros.
então
após um sinal silencioso
nos afastamos
e seguimos,
cada qual
em uma direção diferente:
norte sul leste oeste.
nós sabemos de algo.
1 091
Charles Bukowski
Táxi
a dançarina mexicana balançava suas plumas e
seu rabo para mim,
sem que eu lhe tivesse pedido, e
minha mulher enlouqueceu e saiu correndo do café e
começou a chover e dava para ouvir os pingos no
telhado e eu estava sem emprego e me restavam 13 dias
de aluguel.
às vezes, quando uma mulher corre assim de você
é de se perguntar se não faz isso por questões
econômicas, bem, não se pode culpá-las –
se eu tivesse que ser comido, preferia que fosse
por alguém com grana.
estamos todos assustados, mas quando você é feio e
está completamente fodido você se
fortalece, e chamei o garçom e disse,
achou que vou virar esta mesa, estou
de saco cheio, pirado, preciso de
ação, chame o seu leão-de-chácara, mijarei na
clavícula dele.
fui
posto pra fora bruscamente.
chovia. dei um jeito de me recompor sob a chuva e
caminhei pela rua deserta
algodão-doce
quinquilharias à venda, todas as lojinhas fechadas
com cadeados Woolworth de 67 centavos.
chego ao final da rua a tempo
de vê-la entrar num táxi
com outro cara
desabo junto a uma lata de lixo, me levanto
e mijo nela, sentindo-me triste e logo nem
tanto, sabendo que havia coisas demais que eles podiam
[fazer
contra você, o mijo escorrendo pela lata
corrugada, os filósofos deveriam ter algo a dizer sobre
isso. mulheres. a sorte delas contra o seu
destino. o vencedor leva Barcelona. próximo
bar.
seu rabo para mim,
sem que eu lhe tivesse pedido, e
minha mulher enlouqueceu e saiu correndo do café e
começou a chover e dava para ouvir os pingos no
telhado e eu estava sem emprego e me restavam 13 dias
de aluguel.
às vezes, quando uma mulher corre assim de você
é de se perguntar se não faz isso por questões
econômicas, bem, não se pode culpá-las –
se eu tivesse que ser comido, preferia que fosse
por alguém com grana.
estamos todos assustados, mas quando você é feio e
está completamente fodido você se
fortalece, e chamei o garçom e disse,
achou que vou virar esta mesa, estou
de saco cheio, pirado, preciso de
ação, chame o seu leão-de-chácara, mijarei na
clavícula dele.
fui
posto pra fora bruscamente.
chovia. dei um jeito de me recompor sob a chuva e
caminhei pela rua deserta
algodão-doce
quinquilharias à venda, todas as lojinhas fechadas
com cadeados Woolworth de 67 centavos.
chego ao final da rua a tempo
de vê-la entrar num táxi
com outro cara
desabo junto a uma lata de lixo, me levanto
e mijo nela, sentindo-me triste e logo nem
tanto, sabendo que havia coisas demais que eles podiam
[fazer
contra você, o mijo escorrendo pela lata
corrugada, os filósofos deveriam ter algo a dizer sobre
isso. mulheres. a sorte delas contra o seu
destino. o vencedor leva Barcelona. próximo
bar.
1 113
Charles Bukowski
O Pior E o Melhor
nos hospitais e nas cadeias
está o pior
nos hospícios
está o pior
nas coberturas
está o pior
nos albergues vagabundos
está o pior
nas leituras de poesia
nos concertos de rock
nos shows beneficentes para os inválidos
está o pior
nos funerais
nos casamentos
está o pior
nas paradas
nos rinques de patinação
nas orgias sexuais
está o pior
à meia-noite
às 3 da manhã
às 5h45 da tarde
está o pior
pelotões de fuzilamento
rasgando o céu
isto é o melhor
pensar na Índia
olhando para as carrocinhas de pipoca
assistindo ao touro pegar o matador
isto é o melhor
lâmpadas encaixotadas
um velho cão se coçando
amendoins em um saquinho
isto é o melhor
jogar inseticida nas baratas
um par de meias limpas
coragem natural vencendo o talento natural
isto é o melhor
de frente para pelotões de fuzilamento
lançar pedaços de pão às gaivotas
fatiar tomates
isto é o melhor
tapetes com marcas de cigarro
fendas nas calçadas
garçonetes que mantêm a sanidade
isto é o melhor
minhas mãos mortas
meu coração morto
silêncio
adágio de pedras
o mundo em chamas
isto é o melhor
para mim.
está o pior
nos hospícios
está o pior
nas coberturas
está o pior
nos albergues vagabundos
está o pior
nas leituras de poesia
nos concertos de rock
nos shows beneficentes para os inválidos
está o pior
nos funerais
nos casamentos
está o pior
nas paradas
nos rinques de patinação
nas orgias sexuais
está o pior
à meia-noite
às 3 da manhã
às 5h45 da tarde
está o pior
pelotões de fuzilamento
rasgando o céu
isto é o melhor
pensar na Índia
olhando para as carrocinhas de pipoca
assistindo ao touro pegar o matador
isto é o melhor
lâmpadas encaixotadas
um velho cão se coçando
amendoins em um saquinho
isto é o melhor
jogar inseticida nas baratas
um par de meias limpas
coragem natural vencendo o talento natural
isto é o melhor
de frente para pelotões de fuzilamento
lançar pedaços de pão às gaivotas
fatiar tomates
isto é o melhor
tapetes com marcas de cigarro
fendas nas calçadas
garçonetes que mantêm a sanidade
isto é o melhor
minhas mãos mortas
meu coração morto
silêncio
adágio de pedras
o mundo em chamas
isto é o melhor
para mim.
1 137
Charles Bukowski
Noite de Natal, Sozinho
noite de Natal, sozinho,
num quarto de motel
junto à costa
perto do Pacífico –
ouviu?
eles tentaram fazer desse lugar algo
espanhol, há
tapeçarias e lâmpadas, e
o banheiro é limpo, há
minibarras de sabonete
rosa.
não nos encontrarão por
aqui:
as piranhas ou as damas ou
os adoradores
de ídolos.
lá na cidade
eles estão bêbados e em pânico
furando sinais vermelhos
arrebentando suas cabeças
em homenagem ao aniversário de
Cristo. isso é uma beleza.
em breve terei terminado esta garrafa de
rum porto-riquenho.
pela manhã vomitarei e tomarei
banho, voltarei para
casa, comerei um sanduíche à uma da tarde,
estarei no meu quarto por volta das
duas,
estirado na cama,
esperando o telefone tocar,
sem responder,
meu feriado é uma
evasão, minha razão
não é.
num quarto de motel
junto à costa
perto do Pacífico –
ouviu?
eles tentaram fazer desse lugar algo
espanhol, há
tapeçarias e lâmpadas, e
o banheiro é limpo, há
minibarras de sabonete
rosa.
não nos encontrarão por
aqui:
as piranhas ou as damas ou
os adoradores
de ídolos.
lá na cidade
eles estão bêbados e em pânico
furando sinais vermelhos
arrebentando suas cabeças
em homenagem ao aniversário de
Cristo. isso é uma beleza.
em breve terei terminado esta garrafa de
rum porto-riquenho.
pela manhã vomitarei e tomarei
banho, voltarei para
casa, comerei um sanduíche à uma da tarde,
estarei no meu quarto por volta das
duas,
estirado na cama,
esperando o telefone tocar,
sem responder,
meu feriado é uma
evasão, minha razão
não é.
2 420
Charles Bukowski
O Principal
aí vem a cabeça de peixe cantante
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
1 119
Charles Bukowski
O Principal
aí vem a cabeça de peixe cantante
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
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Charles Bukowski
O Principal
aí vem a cabeça de peixe cantante
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
aí vem a batata assada em sua roupa bizarra
aí vem nada para fazer o dia todo
aí vem outra noite sem conciliar o sono
aí vem o telefone e sua campainha errada
aí vem um cupim com um banjo
aí vem um mastro com olhos vazios
aí vem um gato e um cachorro usando meias de náilon
aí vem uma metralhadora em cantoria
aí vem o bacon numa frigideira
aí vem uma voz dizendo qualquer coisa tola
aí vem um jornal recheado com pequenos pássaros
[vermelhos
com bicos marrons e retos
aí vem uma boceta carregando uma tocha
uma granada
um amor fatal
aí vem a vitória carregando
um balde de sangue
e tropeçando num arbusto
e os lençóis pendurados nas janelas
e os bombardeiros em direção a leste oeste norte sul
se perdem
se reviram como salada
enquanto todos os peixes no mar se alinham em fila
única
uma longa fila
muito longa e fina
a linha mais longa que você puder imaginar
e nós nos perdemos
cruzando montanhas púrpuras
caminhamos a esmo
por fim nus como a faca
tendo desistido
tendo posto tudo pra fora como uma inesperada semente de
azeitona
enquanto a garota da central telefônica
grita ao telefone:
“não retorne a ligação! você parece um cretino!”
1 119
Charles Bukowski
Uma Aposta Perdida
ela não é pra você, cara,
não faz o seu tipo,
ela foi maltratada
foi usada
adquiriu todos os maus
hábitos,
ele me disse
entre um páreo e outro.
vou apostar no cavalo 4,
eu lhe disse.
bem, é que eu gostaria apenas
de tentar tirá-la
da correnteza,
salvá-la, pode-se dizer.
você não conseguirá, ele disse,
você tem 55, precisa de gentileza.
vou apostar no cavalo 6.
você não é o cara para
salvá-la.
e você pode? perguntei.
não acho que o 6 tenha
chance, prefiro o 4.
ela precisa de alguém que lhe desça a mão,
que a jogue na parede, ele disse,
que lhe chute o rabo, ela vai adorar.
ficará em casa e
lavará a louça.
o cavalo 6 vai estar na
disputa.
não sou bom nesse negócio de bater em mulher,
eu disse.
então tire ela da cabeça, ele disse.
não é fácil, respondi.
ele se levantou e foi no 6
e eu me levantei e fui no 4.
o cavalo 5 ganhou
por 3 corpos
pagando 15 para um.
os cabelos dela são ruivos
como relâmpagos vindos do paraíso,
eu disse.
tire ela da cabeça, ele disse.
rasgamos nossos bilhetes
e olhamos para o lago
no centro da pista.
aquela ia ser
uma longa tarde
para nós dois.
não faz o seu tipo,
ela foi maltratada
foi usada
adquiriu todos os maus
hábitos,
ele me disse
entre um páreo e outro.
vou apostar no cavalo 4,
eu lhe disse.
bem, é que eu gostaria apenas
de tentar tirá-la
da correnteza,
salvá-la, pode-se dizer.
você não conseguirá, ele disse,
você tem 55, precisa de gentileza.
vou apostar no cavalo 6.
você não é o cara para
salvá-la.
e você pode? perguntei.
não acho que o 6 tenha
chance, prefiro o 4.
ela precisa de alguém que lhe desça a mão,
que a jogue na parede, ele disse,
que lhe chute o rabo, ela vai adorar.
ficará em casa e
lavará a louça.
o cavalo 6 vai estar na
disputa.
não sou bom nesse negócio de bater em mulher,
eu disse.
então tire ela da cabeça, ele disse.
não é fácil, respondi.
ele se levantou e foi no 6
e eu me levantei e fui no 4.
o cavalo 5 ganhou
por 3 corpos
pagando 15 para um.
os cabelos dela são ruivos
como relâmpagos vindos do paraíso,
eu disse.
tire ela da cabeça, ele disse.
rasgamos nossos bilhetes
e olhamos para o lago
no centro da pista.
aquela ia ser
uma longa tarde
para nós dois.
1 152
Charles Bukowski
Uma Aposta Perdida
ela não é pra você, cara,
não faz o seu tipo,
ela foi maltratada
foi usada
adquiriu todos os maus
hábitos,
ele me disse
entre um páreo e outro.
vou apostar no cavalo 4,
eu lhe disse.
bem, é que eu gostaria apenas
de tentar tirá-la
da correnteza,
salvá-la, pode-se dizer.
você não conseguirá, ele disse,
você tem 55, precisa de gentileza.
vou apostar no cavalo 6.
você não é o cara para
salvá-la.
e você pode? perguntei.
não acho que o 6 tenha
chance, prefiro o 4.
ela precisa de alguém que lhe desça a mão,
que a jogue na parede, ele disse,
que lhe chute o rabo, ela vai adorar.
ficará em casa e
lavará a louça.
o cavalo 6 vai estar na
disputa.
não sou bom nesse negócio de bater em mulher,
eu disse.
então tire ela da cabeça, ele disse.
não é fácil, respondi.
ele se levantou e foi no 6
e eu me levantei e fui no 4.
o cavalo 5 ganhou
por 3 corpos
pagando 15 para um.
os cabelos dela são ruivos
como relâmpagos vindos do paraíso,
eu disse.
tire ela da cabeça, ele disse.
rasgamos nossos bilhetes
e olhamos para o lago
no centro da pista.
aquela ia ser
uma longa tarde
para nós dois.
não faz o seu tipo,
ela foi maltratada
foi usada
adquiriu todos os maus
hábitos,
ele me disse
entre um páreo e outro.
vou apostar no cavalo 4,
eu lhe disse.
bem, é que eu gostaria apenas
de tentar tirá-la
da correnteza,
salvá-la, pode-se dizer.
você não conseguirá, ele disse,
você tem 55, precisa de gentileza.
vou apostar no cavalo 6.
você não é o cara para
salvá-la.
e você pode? perguntei.
não acho que o 6 tenha
chance, prefiro o 4.
ela precisa de alguém que lhe desça a mão,
que a jogue na parede, ele disse,
que lhe chute o rabo, ela vai adorar.
ficará em casa e
lavará a louça.
o cavalo 6 vai estar na
disputa.
não sou bom nesse negócio de bater em mulher,
eu disse.
então tire ela da cabeça, ele disse.
não é fácil, respondi.
ele se levantou e foi no 6
e eu me levantei e fui no 4.
o cavalo 5 ganhou
por 3 corpos
pagando 15 para um.
os cabelos dela são ruivos
como relâmpagos vindos do paraíso,
eu disse.
tire ela da cabeça, ele disse.
rasgamos nossos bilhetes
e olhamos para o lago
no centro da pista.
aquela ia ser
uma longa tarde
para nós dois.
1 152
Charles Bukowski
Velho Limpo
daqui a
uma semana farei
55.
sobre o que
escreverei
quando ele não
levantar mais
pela manhã?
meus críticos
vão adorar
quando a minha diversão
passar a ser
tartarugas
e estrelas-do-mar.
chegarão inclusive a
dizer
coisas boas sobre
mim
como se eu tivesse
finalmente
alcançado a
razão.
uma semana farei
55.
sobre o que
escreverei
quando ele não
levantar mais
pela manhã?
meus críticos
vão adorar
quando a minha diversão
passar a ser
tartarugas
e estrelas-do-mar.
chegarão inclusive a
dizer
coisas boas sobre
mim
como se eu tivesse
finalmente
alcançado a
razão.
1 160
Charles Bukowski
Ah...
bebendo cerveja alemã
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
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Charles Bukowski
Ah...
bebendo cerveja alemã
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
e tentando alcançar o
o poema imortal às
5 da tarde.
mas, ah, eu disse aos
estudantes que a coisa certa
a fazer é não tentar.
mas quando as mulheres não estão
por perto e os cavalos não estão
correndo
o que mais se pode fazer?
tive um par de
fantasias sexuais
almocei fora
enviei três cartas
fui à mercearia.
nada na tv.
o telefone está calado.
passei fio dental
entre meus dentes.
não vai chover e eu escuto
os primeiros a chegar das
8 horas de trabalho enquanto
dirigem e estacionam seus carros
atrás do apartamento
ao lado.
me sento bebendo cerveja alemã
e tento alcançar
o grande poema
e não irei conseguir.
apenas seguirei bebendo
mais e mais cerveja alemã
e enrolando cigarros
e lá pelas 11 horas
estarei deitado
na cama desfeita
olhando para cima
acordado sob a luz
elétrica
esperando ainda pelo poema
imortal.
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