Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Charles Bukowski
Os Insanos Sempre Me Amaram
e os subnormais.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados se
uniam a
mim.
caras com um só braço
caras com tiques
caras com problemas de fala
caras com uma película branca
sobre um dos olhos,
covardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles me encontravam
logo de cara e se grudavam
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, cadarços
sacos vazios de batata frita,
caixas de leite, jornais, canetas...
“ei, parceiro, o que tá fazendo?”
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua me
seguindo
para além dos
puteiros e dos
prostíbulos...
“me mantenha informado,
parceiro, me mantenha informado,
quero saber o que está
acontecendo.”
esse é o meu insano do momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chacoalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele se detém para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados se
uniam a
mim.
caras com um só braço
caras com tiques
caras com problemas de fala
caras com uma película branca
sobre um dos olhos,
covardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles me encontravam
logo de cara e se grudavam
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, cadarços
sacos vazios de batata frita,
caixas de leite, jornais, canetas...
“ei, parceiro, o que tá fazendo?”
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua me
seguindo
para além dos
puteiros e dos
prostíbulos...
“me mantenha informado,
parceiro, me mantenha informado,
quero saber o que está
acontecendo.”
esse é o meu insano do momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chacoalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele se detém para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
1 261
Charles Bukowski
Os Insanos Sempre Me Amaram
e os subnormais.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados se
uniam a
mim.
caras com um só braço
caras com tiques
caras com problemas de fala
caras com uma película branca
sobre um dos olhos,
covardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles me encontravam
logo de cara e se grudavam
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, cadarços
sacos vazios de batata frita,
caixas de leite, jornais, canetas...
“ei, parceiro, o que tá fazendo?”
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua me
seguindo
para além dos
puteiros e dos
prostíbulos...
“me mantenha informado,
parceiro, me mantenha informado,
quero saber o que está
acontecendo.”
esse é o meu insano do momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chacoalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele se detém para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
ao longo de todo o ensino
fundamental
ensino médio
faculdade
os rejeitados se
uniam a
mim.
caras com um só braço
caras com tiques
caras com problemas de fala
caras com uma película branca
sobre um dos olhos,
covardes
misantropos
assassinos
tarados
e ladrões.
e em todas
as fábricas e na
vagabundagem
sempre atraí
os rejeitados. eles me encontravam
logo de cara e se grudavam
em mim. continuam
fazendo isso.
aqui na vizinhança há agora
um que me
encontrou.
ele anda por aí empurrando um
carrinho de supermercado
cheio de lixo:
bengalas partidas, cadarços
sacos vazios de batata frita,
caixas de leite, jornais, canetas...
“ei, parceiro, o que tá fazendo?”
eu paro e conversamos um
pouco.
então eu digo adeus
mas ele continua me
seguindo
para além dos
puteiros e dos
prostíbulos...
“me mantenha informado,
parceiro, me mantenha informado,
quero saber o que está
acontecendo.”
esse é o meu insano do momento.
nunca o vi falar
com mais
ninguém.
o carrinho chacoalha
um pouco atrás
de mim
então alguma coisa
cai.
ele se detém para
juntá-la.
enquanto ele se ocupa disso eu
entro pela porta de um
hotel verde que fica na
esquina
cruzo
o saguão
saio pela porta
dos fundos e
ali há um gato
cagando
absolutamente deliciado,
que me arreganha os
dentes.
1 261
Charles Bukowski
No Continente
eu sou frouxo. eu
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
1 259
Charles Bukowski
No Continente
eu sou frouxo. eu
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
1 259
Charles Bukowski
No Continente
eu sou frouxo. eu
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
sonho também.
me deixo sonhar. sonho em
ser famoso. sonho em
caminhar nas ruas de Londres e
Paris. sonho em
sentar em cafés
bebendo vinhos caros e
pegando um táxi de volta a um bom
hotel.
sonho em
conhecer lindas mulheres no saguão
e
dispensá-las porque
tenho um soneto em mente que
quero escrever
antes do nascer do sol. quando o sol nascer
estarei dormindo e haverá um
gato estranho enrolado
no parapeito da janela.
penso que todos nos sentimos assim
de vez em quando.
eu gostaria mesmo de visitar
Andernatch, na Alemanha, o lugar onde
comecei. depois gostaria de
voar até Moscou para checar
o sistema de transporte coletivo assim
teria alguma coisa levemente obscena para
sussurrar no ouvido do prefeito de
Los Angeles quando retornasse para este
lugar fodido.
poderia acontecer.
estou pronto.
já vi lesmas escalarem
paredes de três metros de altura e
desaparecerem.
você não deve confundir isto com
ambição.
eu seria capaz de rir ao receber
uma mão perfeita nas cartas –
e não esquecerei de você.
vou lhe mandar cartões-postais e
instantâneos, e o
soneto acabado.
1 259
Manuel Bandeira
Retrato
O sorriso escasso,
O riso-sorriso,
À risada nunca.
(Como quem consigo
Traz o sentimento
Do madrasto mundo.)
Com os braços colados
Ao longo do corpo,
Vai pela cidade
Grande e cafajeste,
Com o mesmo ar esquivo
Que escolheu nascendo
Na esquiva Itabira.
Aprendeu com ela
Os olhos metálicos
Com que vê as coisas:
Sem ódio, sem ênfase,
Às vezes com náusea.
Ferro de Itabira,
Em cujos recessos
Um vedor, um dia,
Um vedor — o neto —
Descobriu infante
As fundas nascentes,
O veio, o remanso
Da escusa ternura.
O riso-sorriso,
À risada nunca.
(Como quem consigo
Traz o sentimento
Do madrasto mundo.)
Com os braços colados
Ao longo do corpo,
Vai pela cidade
Grande e cafajeste,
Com o mesmo ar esquivo
Que escolheu nascendo
Na esquiva Itabira.
Aprendeu com ela
Os olhos metálicos
Com que vê as coisas:
Sem ódio, sem ênfase,
Às vezes com náusea.
Ferro de Itabira,
Em cujos recessos
Um vedor, um dia,
Um vedor — o neto —
Descobriu infante
As fundas nascentes,
O veio, o remanso
Da escusa ternura.
1 477
Charles Bukowski
M.T.
M.T.[1] ela morava em Galveston e fazia
M.T.
e eu fui visitá-la e fizemos amor
ininterruptamente ainda que o tempo estivesse muito
quente
e tomamos mescalina
e uma balsa até a ilha
e dirigimos 200 milhas até o hipódromo mais
próximo.
nós dois ganhamos e fomos sentar num bar de caipiras –
odiado e não frequentado pelos nativos –
e então fomos para um motel caipira
e voltamos um ou dois dias depois
e fiquei por lá mais uma semana
pintei-lhe um par de quadros decentes –
um de um homem sendo enforcado
e outro de uma mulher sendo fodida por um lobo.
acordei certa noite e ela não estava na cama
e levantei e caminhei ao redor perguntando,
“Gloria, Gloria, onde você está?”
era um lugar enorme e eu caminhava a esmo
abrindo porta atrás de porta,
então abri uma que parecia a de um closet
e lá estava ela de joelhos
cercada por fotografias de
7 ou 8 homens
as cabeças raspadas
em sua maioria usando óculos sem armações.
havia uma pequena vela acesa
e eu disse, “oh, me desculpe”.
Gloria vestia um quimono com águias
em pleno voo na parte de trás.
fechei a porta e voltei para a cama.
ela saiu 15 minutos depois.
começamos a nos beijar,
sua língua enorme deslizando para dentro e para fora da
[minha
boca.
ela era uma garota grande e saudável do Texas.
“escute, Gloria”, consegui finalmente dizer,
“preciso de uma noite de folga”.
no dia seguinte ela me levou até o aeroporto.
eu prometi escrever. Ela prometeu escrever.
nenhum de nós escreveu.
M.T.
e eu fui visitá-la e fizemos amor
ininterruptamente ainda que o tempo estivesse muito
quente
e tomamos mescalina
e uma balsa até a ilha
e dirigimos 200 milhas até o hipódromo mais
próximo.
nós dois ganhamos e fomos sentar num bar de caipiras –
odiado e não frequentado pelos nativos –
e então fomos para um motel caipira
e voltamos um ou dois dias depois
e fiquei por lá mais uma semana
pintei-lhe um par de quadros decentes –
um de um homem sendo enforcado
e outro de uma mulher sendo fodida por um lobo.
acordei certa noite e ela não estava na cama
e levantei e caminhei ao redor perguntando,
“Gloria, Gloria, onde você está?”
era um lugar enorme e eu caminhava a esmo
abrindo porta atrás de porta,
então abri uma que parecia a de um closet
e lá estava ela de joelhos
cercada por fotografias de
7 ou 8 homens
as cabeças raspadas
em sua maioria usando óculos sem armações.
havia uma pequena vela acesa
e eu disse, “oh, me desculpe”.
Gloria vestia um quimono com águias
em pleno voo na parte de trás.
fechei a porta e voltei para a cama.
ela saiu 15 minutos depois.
começamos a nos beijar,
sua língua enorme deslizando para dentro e para fora da
[minha
boca.
ela era uma garota grande e saudável do Texas.
“escute, Gloria”, consegui finalmente dizer,
“preciso de uma noite de folga”.
no dia seguinte ela me levou até o aeroporto.
eu prometi escrever. Ela prometeu escrever.
nenhum de nós escreveu.
1 151
Charles Bukowski
Inverno
um cachorro grande, sujo e ferido
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
1 144
Charles Bukowski
Inverno
um cachorro grande, sujo e ferido
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
1 144
Charles Bukowski
Inverno
um cachorro grande, sujo e ferido
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
atingido por um carro e caminhando
em direção ao meio-fio
emitindo enormes
sons
seu corpo curvado
vermelho explodindo pelo
cu e pela boca.
olho para ele e
sigo em frente
pois como seria
para mim segurar
um cão moribundo junto a
um meio-fio em Arcadia,
o sangue escorrendo por minha
camisa e calças e
cueca e meias e meus
sapatos? pareceria apenas
uma tolice.
além disso, pus o olho no cavalo
número 2 no primeiro páreo
e queria fazer uma dobradinha
com o número 9
no segundo. estudei o jornal para
pagar algo em torno de $ 140
assim eu tinha que deixar aquele
cachorro morrer ali sozinho
bem defronte ao
shopping center
com as senhoras à
procura de pechinchas
enquanto o primeiro floco de
neve caía sobre a
Sierra Madre.
1 144
Charles Bukowski
A Aranha
então houve um tempo em
New Orleans
em que eu vivia com uma gorda,
Marie, no Bairro Francês
e fiquei bastante doente.
enquanto ela estava no trabalho
ajoelhei-me
naquela tarde
na cozinha e
rezei. não sou um
homem religioso
mas era uma tarde escura demais
e eu rezei:
“caro Deus: se você me poupar,
prometo-lhe nunca mais tomar
outro trago”.
fiquei ali de joelhos e foi como estar
num filme –
ao terminar minha oração
as nuvens se abriram e o sol
rasgou as cortinas
e deitou sobre mim.
então me ergui e fui dar uma cagada.
havia uma aranha enorme no banheiro da Marie.
mas caguei do mesmo jeito.
uma hora depois comecei a me sentir muito
melhor. dei uma volta pelo bairro
e sorri para as pessoas.
parei na mercearia e comprei
uma dúzia de cervejas para Marie.
comecei a me sentir tão bem que uma hora depois
me sentei na cozinha e abri
uma das cervejas.
esvaziei-a e depois outra
e então fui lá e
matei a aranha.
quando Marie voltou do trabalho
eu lhe dei um beijo daqueles,
depois sentei na cozinha e conversamos
enquanto ela preparava o jantar.
ela me perguntou o que eu tinha feito naquele dia
e eu lhe disse que tinha matado uma
aranha. ela não ficou
braba. era uma boa
pessoa.
New Orleans
em que eu vivia com uma gorda,
Marie, no Bairro Francês
e fiquei bastante doente.
enquanto ela estava no trabalho
ajoelhei-me
naquela tarde
na cozinha e
rezei. não sou um
homem religioso
mas era uma tarde escura demais
e eu rezei:
“caro Deus: se você me poupar,
prometo-lhe nunca mais tomar
outro trago”.
fiquei ali de joelhos e foi como estar
num filme –
ao terminar minha oração
as nuvens se abriram e o sol
rasgou as cortinas
e deitou sobre mim.
então me ergui e fui dar uma cagada.
havia uma aranha enorme no banheiro da Marie.
mas caguei do mesmo jeito.
uma hora depois comecei a me sentir muito
melhor. dei uma volta pelo bairro
e sorri para as pessoas.
parei na mercearia e comprei
uma dúzia de cervejas para Marie.
comecei a me sentir tão bem que uma hora depois
me sentei na cozinha e abri
uma das cervejas.
esvaziei-a e depois outra
e então fui lá e
matei a aranha.
quando Marie voltou do trabalho
eu lhe dei um beijo daqueles,
depois sentei na cozinha e conversamos
enquanto ela preparava o jantar.
ela me perguntou o que eu tinha feito naquele dia
e eu lhe disse que tinha matado uma
aranha. ela não ficou
braba. era uma boa
pessoa.
1 215
Charles Bukowski
A Aranha
então houve um tempo em
New Orleans
em que eu vivia com uma gorda,
Marie, no Bairro Francês
e fiquei bastante doente.
enquanto ela estava no trabalho
ajoelhei-me
naquela tarde
na cozinha e
rezei. não sou um
homem religioso
mas era uma tarde escura demais
e eu rezei:
“caro Deus: se você me poupar,
prometo-lhe nunca mais tomar
outro trago”.
fiquei ali de joelhos e foi como estar
num filme –
ao terminar minha oração
as nuvens se abriram e o sol
rasgou as cortinas
e deitou sobre mim.
então me ergui e fui dar uma cagada.
havia uma aranha enorme no banheiro da Marie.
mas caguei do mesmo jeito.
uma hora depois comecei a me sentir muito
melhor. dei uma volta pelo bairro
e sorri para as pessoas.
parei na mercearia e comprei
uma dúzia de cervejas para Marie.
comecei a me sentir tão bem que uma hora depois
me sentei na cozinha e abri
uma das cervejas.
esvaziei-a e depois outra
e então fui lá e
matei a aranha.
quando Marie voltou do trabalho
eu lhe dei um beijo daqueles,
depois sentei na cozinha e conversamos
enquanto ela preparava o jantar.
ela me perguntou o que eu tinha feito naquele dia
e eu lhe disse que tinha matado uma
aranha. ela não ficou
braba. era uma boa
pessoa.
New Orleans
em que eu vivia com uma gorda,
Marie, no Bairro Francês
e fiquei bastante doente.
enquanto ela estava no trabalho
ajoelhei-me
naquela tarde
na cozinha e
rezei. não sou um
homem religioso
mas era uma tarde escura demais
e eu rezei:
“caro Deus: se você me poupar,
prometo-lhe nunca mais tomar
outro trago”.
fiquei ali de joelhos e foi como estar
num filme –
ao terminar minha oração
as nuvens se abriram e o sol
rasgou as cortinas
e deitou sobre mim.
então me ergui e fui dar uma cagada.
havia uma aranha enorme no banheiro da Marie.
mas caguei do mesmo jeito.
uma hora depois comecei a me sentir muito
melhor. dei uma volta pelo bairro
e sorri para as pessoas.
parei na mercearia e comprei
uma dúzia de cervejas para Marie.
comecei a me sentir tão bem que uma hora depois
me sentei na cozinha e abri
uma das cervejas.
esvaziei-a e depois outra
e então fui lá e
matei a aranha.
quando Marie voltou do trabalho
eu lhe dei um beijo daqueles,
depois sentei na cozinha e conversamos
enquanto ela preparava o jantar.
ela me perguntou o que eu tinha feito naquele dia
e eu lhe disse que tinha matado uma
aranha. ela não ficou
braba. era uma boa
pessoa.
1 215
Charles Bukowski
Já Vi Mendigos Demais Com Os Olhos Vidrados Bebendo Vinho Barato Debaixo da Ponte
você se senta comigo
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
no sofá
nesta noite
nova mulher.
você já viu os
documentários
sobre animais carnívoros?
eles mostram a morte.
e agora me pergunto
que animal entre
nós dois
devorará
primeiro o outro
física e
por fim
espiritualmente?
nós consumimos animais
e então um de nós
consome o outro,
meu amor.
enquanto isso
prefiro que você vá
primeiro e do primeiro jeito
se os gráficos de performance passadas
significarem alguma coisa
eu certamente irei
primeiro e do último
jeito.
1 423
Charles Bukowski
Pacific Telephone
vá atrás dessas piranhas, ela disse,
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
vá atrás dessas putas,
logo ficará de saco cheio de mim.
não quero mais fazer esse tipo de merda,
eu disse,
relaxe.
quando bebo, ela disse, sinto dor na minha
bexiga, uma queimação.
deixe a bebida comigo, eu disse.
você está só esperando o telefone tocar,
ela disse,
você não para de olhar pro aparelho.
se uma dessas piranhas ligar você sairá
correndo porta afora.
não posso lhe prometer nada, eu disse.
então – simples assim – o telefone tocou.
aqui é a Madge, disse a voz. preciso
ver você imediatamente.
oh, eu disse.
estou num aperto, ela continuou, preciso de dez
pratas – rápido.
logo estarei aí, eu disse, e
desliguei.
ela me olhou, era uma piranha,
ela disse, o rosto todo em chamas.
que diabos há com você?
escute, eu disse, tenho que ir.
você fica aqui. já volto.
vou embora, ela disse. eu te amo mas você é
louco, um caso perdido.
ela apanhou a bolsa e bateu a porta.
provavelmente é algum distúrbio profundamente enraizado
[na
infância
que me faz assim vulnerável, pensei.
então saí de casa e fui até meu fusca.
dirigi para o norte pela Western com o rádio ligado.
havia putas caminhando pra lá e pra cá
dos dois lados da rua e Madge parecia
mais perdida do que qualquer uma delas.
1 233
Charles Bukowski
Foda
ela tirou o vestido
por sobre a cabeça
e eu vi a calcinha
um tanto enterrada em suas
carnes.
é simplesmente humano.
agora teremos que fazê-lo.
eu terei que fazê-lo
depois de todo esse logro.
é como uma festa –
dois idiotas
numa cilada.
debaixo dos lençóis
depois que apaguei
as luzes
suas calcinhas ainda estavam
ali. ela esperava um
número introdutório.
eu não podia culpá-la. mas sim
me perguntar por que ela estava ali
comigo? onde estão os outros
caras? como você pode se julgar
sortudo tendo alguém que
outros abandonaram?
não precisávamos fazer aquilo
embora tivéssemos que fazê-lo
era algo como
renovar o crédito
com o homem do imposto de
renda. tirei a calcinha.
decidi não usar
a língua. ainda assim
pensava no momento
em que tudo estivesse terminado.
dormiremos juntos
esta noite
tentando nos acomodar
entre os papéis de parede.
tento, falho,
reparo no cabelo em sua
cabeça
mais do que tudo reparo no cabelo
em sua
cabeça
e de relance em
suas narinas
de porquinho
tento
novamente.
por sobre a cabeça
e eu vi a calcinha
um tanto enterrada em suas
carnes.
é simplesmente humano.
agora teremos que fazê-lo.
eu terei que fazê-lo
depois de todo esse logro.
é como uma festa –
dois idiotas
numa cilada.
debaixo dos lençóis
depois que apaguei
as luzes
suas calcinhas ainda estavam
ali. ela esperava um
número introdutório.
eu não podia culpá-la. mas sim
me perguntar por que ela estava ali
comigo? onde estão os outros
caras? como você pode se julgar
sortudo tendo alguém que
outros abandonaram?
não precisávamos fazer aquilo
embora tivéssemos que fazê-lo
era algo como
renovar o crédito
com o homem do imposto de
renda. tirei a calcinha.
decidi não usar
a língua. ainda assim
pensava no momento
em que tudo estivesse terminado.
dormiremos juntos
esta noite
tentando nos acomodar
entre os papéis de parede.
tento, falho,
reparo no cabelo em sua
cabeça
mais do que tudo reparo no cabelo
em sua
cabeça
e de relance em
suas narinas
de porquinho
tento
novamente.
1 169
Charles Bukowski
A Música Suave
vence o amor porque nela não há
feridas: pela manhã
a mulher liga o rádio, Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart. ferve os
ovos contando em voz alta os segundos: 56,
57, 58... descasca os ovos, os traz
para mim na cama. depois do café da manhã é
a mesma cadeira e ouvir a música
clássica. A mulher está no seu primeiro copo de
scotch e no seu terceiro cigarro. digo-lhe
que preciso ir ao hipódromo. ela
está aqui há 2 noites e 2 dias. “quando
voltarei a vê-la?” pergunto. ela
sugere que fique a meu critério.
aceno com a cabeça e Mozart toca.
feridas: pela manhã
a mulher liga o rádio, Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart. ferve os
ovos contando em voz alta os segundos: 56,
57, 58... descasca os ovos, os traz
para mim na cama. depois do café da manhã é
a mesma cadeira e ouvir a música
clássica. A mulher está no seu primeiro copo de
scotch e no seu terceiro cigarro. digo-lhe
que preciso ir ao hipódromo. ela
está aqui há 2 noites e 2 dias. “quando
voltarei a vê-la?” pergunto. ela
sugere que fique a meu critério.
aceno com a cabeça e Mozart toca.
1 252
Charles Bukowski
Este Poeta
este poeta andou bebendo durante 2 ou 3 dias e ele entrou no palco e olhou para a plateia e
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
1 174
Charles Bukowski
Este Poeta
este poeta andou bebendo durante 2 ou 3 dias e ele entrou no palco e olhou para a plateia e
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
imediatamente soube que iria fazer aquilo. ha via um piano de cauda no palco
e ele foi até lá,
abriu a tampa e vomitou dentro. então fech ou a tampa e fez sua leitura.
eles tiveram
que remover as cordas do piano e limpar o interior para en tão recolocá-las.
posso entender
por que nunca voltaram a convidá-lo. mas espalhar para
outras universidades que ele era um poeta
que gostava de vomitar em pianos de cauda não foi justo.
eles jamais consideraram a qualidade de sua leitura. conheço esse poeta: ele é como todos nós: vomitará em qualquer lugar por dinheiro.
1 174
Charles Bukowski
A 5ª do Bee
escutei-a pela primeira vez enquanto trepava com uma
[loira
que tinha a maior xoxota em
Scranton.
escutei-a novamente enquanto escrevia uma carta
para minha mãe
pedindo US$ 5.000
e ela me respondeu mandando
3 tampinhas de garrafa e
os ossinhos dos dedos indicadores do
vovô.
a 5ª acabará com você
na grama ou na pista do jóquei,
a gatinha disse,
cruzando o tapete
de papagaios estampados.
se a 5ª não te matar
a décima irá,
disse a prostituta Caliente.
enquanto eles sobem a
maravilhosa bandeira vermelha cor de ketchup
93 ladrões choram em meio a
poeira púrpura.
a 5ª é como uma
formiga numa mesa de café da manhã cheia de
bengalas e
besouros
sugando o
suco de laranja do amanhecer que chega.
e eu peguei as 3 tampinhas que minha mãe
mandou e
as devorei
embrulhadas em páginas da
revista
Cosmopolitan.
mas estou cansado da
5ª
e eu disse isso a uma mulher em
Ohio, certa vez, eu
recém havia carregado carvão por 3 lances
de escada
eu estava tonto e
bêbado, e ela disse:
como você pode dizer que não dá bola
para algo muito maior do que você
jamais será?
e eu disse:
isso é fácil.
e ela se sentou em uma cadeira verde e
e eu numa cadeira vermelha
e depois disso
nunca mais voltamos a fazer
amor.
[loira
que tinha a maior xoxota em
Scranton.
escutei-a novamente enquanto escrevia uma carta
para minha mãe
pedindo US$ 5.000
e ela me respondeu mandando
3 tampinhas de garrafa e
os ossinhos dos dedos indicadores do
vovô.
a 5ª acabará com você
na grama ou na pista do jóquei,
a gatinha disse,
cruzando o tapete
de papagaios estampados.
se a 5ª não te matar
a décima irá,
disse a prostituta Caliente.
enquanto eles sobem a
maravilhosa bandeira vermelha cor de ketchup
93 ladrões choram em meio a
poeira púrpura.
a 5ª é como uma
formiga numa mesa de café da manhã cheia de
bengalas e
besouros
sugando o
suco de laranja do amanhecer que chega.
e eu peguei as 3 tampinhas que minha mãe
mandou e
as devorei
embrulhadas em páginas da
revista
Cosmopolitan.
mas estou cansado da
5ª
e eu disse isso a uma mulher em
Ohio, certa vez, eu
recém havia carregado carvão por 3 lances
de escada
eu estava tonto e
bêbado, e ela disse:
como você pode dizer que não dá bola
para algo muito maior do que você
jamais será?
e eu disse:
isso é fácil.
e ela se sentou em uma cadeira verde e
e eu numa cadeira vermelha
e depois disso
nunca mais voltamos a fazer
amor.
1 245
Manuel Bandeira
Minha Gente Salvemos Ouro Preto
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
1 383
Manuel Bandeira
Minha Gente Salvemos Ouro Preto
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
1 383
Manuel Bandeira
Minha Gente Salvemos Ouro Preto
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
1 383
Manuel Bandeira
Minha Gente Salvemos Ouro Preto
As chuvas de verão ameaçaram derruir Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Ouro Preto, a avozinha, vacila.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Bem sei que os monumentos veneráveis
Não correm perigo.
"Mas Ouro Preto não é só o Palácio dos Governadores
A Casa dos Contos,
A Casa da Câmara,
Os templos,
Os chafarizes,
Os nobres sobrados da Rua Direita.
Ouro Preto são também os casebres de taipa de sopapo
Agúentando-se uns aos outros ladeira abaixo,
O casario do Vira-Saia,
Que está vira-não-vira enxurro,
E é a isso que precisamos acudir urgentemente!
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
Homens ricos do Brasil
Que dais quinhentos contos por um puro-sangue de corridas,
Está certo,
Mas dai também dinheiro para Ouro Preto.
Grã-finas cariocas e paulistas
Que pagais dez contos por um modelo de Christian Dior
E meio conto por uma permanente no Baldini,
Está tudo muito certo,
Mas mandai também dez contos para consolidar umas quatro casinhas de Ouro Preto.
(Nossa Senhora do Carmo de Ouro Preto vos acrescentará...)
Gentes da minha terra!
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa vontade de autonomia nos sonhos frustrados dos Inconfidentes.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa arte nas igrejas e esculturas do Aleijadinho.
Em Ouro Preto alvoreceu a nossa poesia nos versinhos do Desembargador.
Minha gente,
Salvemos Ouro Preto.
Meus amigos, meus inimigos,
Salvemos Ouro Preto.
1 383
Charles Bukowski
Chicago
“consegui,” ela disse, “apareci.”
ela estava com botas novas, calças
e um suéter branco. “agora eu sei
o que eu quero.” ela era de Chicago e
havia se mudado para o distrito de Fairfax, L.A.
“você me prometeu champanhe,”
ela disse.
“eu estava bêbado quando liguei. que tal uma
cerveja?”
“não, me passa seu baseado.”
ela tragou, soltou:
“não é lá grande coisa”.
e me devolveu.
“há uma diferença”, eu disse, “entre
fazer a coisa e simplesmente ficar duro.”
“gosta das minhas botas?”
“sim, bem legais.”
“escuta, tenho que ir. posso usar
o banheiro?”
“claro.”
quando ela voltou tinha a boca muito
pintada de batom. eu não via uma assim
desde que era garoto.
beijei-a a caminho da porta
sentindo o batom grudar em meus
lábios.
“tchau” ela disse.
“tchau” eu disse.
caminhou pela passagem até o carro.
eu fechei a porta.
ela sabia o que queria e não era
eu.
conheço mais mulheres desse tipo do que de
qualquer outro.
ela estava com botas novas, calças
e um suéter branco. “agora eu sei
o que eu quero.” ela era de Chicago e
havia se mudado para o distrito de Fairfax, L.A.
“você me prometeu champanhe,”
ela disse.
“eu estava bêbado quando liguei. que tal uma
cerveja?”
“não, me passa seu baseado.”
ela tragou, soltou:
“não é lá grande coisa”.
e me devolveu.
“há uma diferença”, eu disse, “entre
fazer a coisa e simplesmente ficar duro.”
“gosta das minhas botas?”
“sim, bem legais.”
“escuta, tenho que ir. posso usar
o banheiro?”
“claro.”
quando ela voltou tinha a boca muito
pintada de batom. eu não via uma assim
desde que era garoto.
beijei-a a caminho da porta
sentindo o batom grudar em meus
lábios.
“tchau” ela disse.
“tchau” eu disse.
caminhou pela passagem até o carro.
eu fechei a porta.
ela sabia o que queria e não era
eu.
conheço mais mulheres desse tipo do que de
qualquer outro.
1 285