Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Marina Colasanti
DEPOIS, A ATERRISSAGEM
À noite
em terras de Amsterdam
brilham acesas
as estufas de flores,
Piscinas de luz
recortadas no negro
fundas águas de vidro,
eu as vejo do alto
desse avião que desliza
como um fuso
trazendo a madrugada.
Flutuam lá embaixo
pálidos crisântemos
pétalas
e o lento desdobrar das brotações.
Navegamos acima
desfeitos rostos
olheiras
o sono confrontado
com a noturna bandeja
do breakfast.
A manhã chegará em silêncio
quando tivermos sacudido migalhas.
E então veremos o mar
atrás dos diques
escuro
à espreita.
em terras de Amsterdam
brilham acesas
as estufas de flores,
Piscinas de luz
recortadas no negro
fundas águas de vidro,
eu as vejo do alto
desse avião que desliza
como um fuso
trazendo a madrugada.
Flutuam lá embaixo
pálidos crisântemos
pétalas
e o lento desdobrar das brotações.
Navegamos acima
desfeitos rostos
olheiras
o sono confrontado
com a noturna bandeja
do breakfast.
A manhã chegará em silêncio
quando tivermos sacudido migalhas.
E então veremos o mar
atrás dos diques
escuro
à espreita.
934
Marina Colasanti
DEPOIS, A ATERRISSAGEM
À noite
em terras de Amsterdam
brilham acesas
as estufas de flores,
Piscinas de luz
recortadas no negro
fundas águas de vidro,
eu as vejo do alto
desse avião que desliza
como um fuso
trazendo a madrugada.
Flutuam lá embaixo
pálidos crisântemos
pétalas
e o lento desdobrar das brotações.
Navegamos acima
desfeitos rostos
olheiras
o sono confrontado
com a noturna bandeja
do breakfast.
A manhã chegará em silêncio
quando tivermos sacudido migalhas.
E então veremos o mar
atrás dos diques
escuro
à espreita.
em terras de Amsterdam
brilham acesas
as estufas de flores,
Piscinas de luz
recortadas no negro
fundas águas de vidro,
eu as vejo do alto
desse avião que desliza
como um fuso
trazendo a madrugada.
Flutuam lá embaixo
pálidos crisântemos
pétalas
e o lento desdobrar das brotações.
Navegamos acima
desfeitos rostos
olheiras
o sono confrontado
com a noturna bandeja
do breakfast.
A manhã chegará em silêncio
quando tivermos sacudido migalhas.
E então veremos o mar
atrás dos diques
escuro
à espreita.
934
Marina Colasanti
LESUNG
Nessas janelas sem cortinas
reflexos nos duplicam
e ao cristal dos pingentes.
Um trem passa no escuro
janelas janelas janelas
cortam nosso sorriso
varam o reservado espaço
entre olho e nariz.
Lá fora alguém viaja
em nossa pele.
Usurpador ignaro
que nem sequer nos vê
por instantes nos leva noite afora
num quadrado de luz
que logo se desfaz
como miragem.
Seburg 1995
reflexos nos duplicam
e ao cristal dos pingentes.
Um trem passa no escuro
janelas janelas janelas
cortam nosso sorriso
varam o reservado espaço
entre olho e nariz.
Lá fora alguém viaja
em nossa pele.
Usurpador ignaro
que nem sequer nos vê
por instantes nos leva noite afora
num quadrado de luz
que logo se desfaz
como miragem.
Seburg 1995
1 148
Marina Colasanti
LESUNG
Nessas janelas sem cortinas
reflexos nos duplicam
e ao cristal dos pingentes.
Um trem passa no escuro
janelas janelas janelas
cortam nosso sorriso
varam o reservado espaço
entre olho e nariz.
Lá fora alguém viaja
em nossa pele.
Usurpador ignaro
que nem sequer nos vê
por instantes nos leva noite afora
num quadrado de luz
que logo se desfaz
como miragem.
Seburg 1995
reflexos nos duplicam
e ao cristal dos pingentes.
Um trem passa no escuro
janelas janelas janelas
cortam nosso sorriso
varam o reservado espaço
entre olho e nariz.
Lá fora alguém viaja
em nossa pele.
Usurpador ignaro
que nem sequer nos vê
por instantes nos leva noite afora
num quadrado de luz
que logo se desfaz
como miragem.
Seburg 1995
1 148
Marina Colasanti
IA NO RUMO DE SEVILHA
Subi o Guadalquivir
no meu cavalo de água
de um lado o trigo deitava
do outro o trigo caía
as foices cortavam rentes
e das mulheres nos campos
só havia uma que sorria.
Subi o Guadalquivir
e o verão subiu comigo
carregado de papoulas.
Levei cigarras na crina
levei saias de babados
mas os moços que encontrei
todos ficaram calados
no meu cavalo de água
de um lado o trigo deitava
do outro o trigo caía
as foices cortavam rentes
e das mulheres nos campos
só havia uma que sorria.
Subi o Guadalquivir
e o verão subiu comigo
carregado de papoulas.
Levei cigarras na crina
levei saias de babados
mas os moços que encontrei
todos ficaram calados
1 146
Marina Colasanti
SALOMÉ DO EDIFÍCIO PÚBLICO
A saia comprida até o meio da perna
os altos saltos das sandálias pretas
o bater sobre o mármore que brilha.
No hall vazio - só eco e tetos baixos -
avança a funcionária de longos cabelos
e bandeja na mão.
Nem prata
nem Batista.
Um copo d'água
a xícara
a mancha de café.
Rumo à sala do chefe
abre-se ao passo a longa fenda
da saia
e a panturrilha escapa
musculosa.
Rija carne de atleta
trai a Salomé do edificio público
e devolve ao relógio de ponto
os seus pálidos seios.
os altos saltos das sandálias pretas
o bater sobre o mármore que brilha.
No hall vazio - só eco e tetos baixos -
avança a funcionária de longos cabelos
e bandeja na mão.
Nem prata
nem Batista.
Um copo d'água
a xícara
a mancha de café.
Rumo à sala do chefe
abre-se ao passo a longa fenda
da saia
e a panturrilha escapa
musculosa.
Rija carne de atleta
trai a Salomé do edificio público
e devolve ao relógio de ponto
os seus pálidos seios.
1 068
Marina Colasanti
SALOMÉ DO EDIFÍCIO PÚBLICO
A saia comprida até o meio da perna
os altos saltos das sandálias pretas
o bater sobre o mármore que brilha.
No hall vazio - só eco e tetos baixos -
avança a funcionária de longos cabelos
e bandeja na mão.
Nem prata
nem Batista.
Um copo d'água
a xícara
a mancha de café.
Rumo à sala do chefe
abre-se ao passo a longa fenda
da saia
e a panturrilha escapa
musculosa.
Rija carne de atleta
trai a Salomé do edificio público
e devolve ao relógio de ponto
os seus pálidos seios.
os altos saltos das sandálias pretas
o bater sobre o mármore que brilha.
No hall vazio - só eco e tetos baixos -
avança a funcionária de longos cabelos
e bandeja na mão.
Nem prata
nem Batista.
Um copo d'água
a xícara
a mancha de café.
Rumo à sala do chefe
abre-se ao passo a longa fenda
da saia
e a panturrilha escapa
musculosa.
Rija carne de atleta
trai a Salomé do edificio público
e devolve ao relógio de ponto
os seus pálidos seios.
1 068
Marina Colasanti
CIRCO DE SOL
Chovia em Viena
quando te vi ao lado do Opera
e fomos juntas ao
Circo do Sol.
Fazia frio
era noite
mas debaixo da lona
o sol
andou de bicicleta
sobre um fio e despencou
na ponta de um elástico.
Em Viena
quando saímos
debaixo das pequenas lonas
dos guarda-chuvas abertos
trazíamos todos
no peito
um coração saltimbanco.
Viena 1995
quando te vi ao lado do Opera
e fomos juntas ao
Circo do Sol.
Fazia frio
era noite
mas debaixo da lona
o sol
andou de bicicleta
sobre um fio e despencou
na ponta de um elástico.
Em Viena
quando saímos
debaixo das pequenas lonas
dos guarda-chuvas abertos
trazíamos todos
no peito
um coração saltimbanco.
Viena 1995
1 220
Marina Colasanti
CERIMÔNIA ACADÊMICA
Tédio e lustres de cristal
falsos dourados.
Palavras em caravana cruzam
o zumbir do ar refrigerado
lentamente
as vidraças refletem
as tantas roupas pretas penduradas
no cabide dos corpos.
Da rua nada nos chega
e nós
pomposos
não estamos nela.
falsos dourados.
Palavras em caravana cruzam
o zumbir do ar refrigerado
lentamente
as vidraças refletem
as tantas roupas pretas penduradas
no cabide dos corpos.
Da rua nada nos chega
e nós
pomposos
não estamos nela.
1 051
Marina Colasanti
DIA NÃO PASSA SEM
Há trinta anos decido
o que vai ser o jantar
e dia não passa sem
que eu apalpe frutas
suspenda guelras
ou arranque folhas podres das verduras.
Ponho frango na mesa
e porco e vaca
arrumados com graça nas travessas
mas na cozinha testo
o fio da faca
e afundo a ponta
procurando juntas.
Tenho sangue nas mãos
e sumo e leite.
Trago as unhas vedadas com farinha.
E nas palmas abertas
como pratos
vêm as bocas vorazes da família
sempre buscar comida
e mais comida
sempre matar sua fome
inesgotável.
o que vai ser o jantar
e dia não passa sem
que eu apalpe frutas
suspenda guelras
ou arranque folhas podres das verduras.
Ponho frango na mesa
e porco e vaca
arrumados com graça nas travessas
mas na cozinha testo
o fio da faca
e afundo a ponta
procurando juntas.
Tenho sangue nas mãos
e sumo e leite.
Trago as unhas vedadas com farinha.
E nas palmas abertas
como pratos
vêm as bocas vorazes da família
sempre buscar comida
e mais comida
sempre matar sua fome
inesgotável.
1 095
Marina Colasanti
VERDE, PORÉM
Por que será que
entre tantos arbustos
galhos
e árvores das praças
esse pássaro urbano
fez seu pouso
na viva aresta
de vidro verde
caco cravado
que ao alto do muro
defende propriedades
e fere consciências?
entre tantos arbustos
galhos
e árvores das praças
esse pássaro urbano
fez seu pouso
na viva aresta
de vidro verde
caco cravado
que ao alto do muro
defende propriedades
e fere consciências?
928
Marina Colasanti
VERDE, PORÉM
Por que será que
entre tantos arbustos
galhos
e árvores das praças
esse pássaro urbano
fez seu pouso
na viva aresta
de vidro verde
caco cravado
que ao alto do muro
defende propriedades
e fere consciências?
entre tantos arbustos
galhos
e árvores das praças
esse pássaro urbano
fez seu pouso
na viva aresta
de vidro verde
caco cravado
que ao alto do muro
defende propriedades
e fere consciências?
928
Marina Colasanti
VERÃO DE CHUVA EM SAITAMA
Grand-mother me chamou
para vê-la dançar as danças da colheita
no Festival de Verão.
Caminhei junto aos campos
de arroz e berinjelas
bicicletas passaram por mim
saias em festa
íamos todos na mesma direção.
Chovia sobre o desfile
as sandálias de palha
se empapavam na lama
o andor
ou como là se chame em japonês
pesava sobre os ombros
dos homens encharcados de sakê
mas o tambor batia no mesmo ritmo
e além das cordas
as crianças olhavam submersas
na longa ondulação dos guarda-chuvas.
A avó veio por fim.
Presas as longas mangas do quimono
- não fosse a foice decepar a seda -
ceifou com graça as hastes invisíveis
fez tombar as espigas
atou os feixes
celebrando a abundância
sobre o asfalto.
E o sol
abriu-se inteiro
no seu leque.
Satums 2988
para vê-la dançar as danças da colheita
no Festival de Verão.
Caminhei junto aos campos
de arroz e berinjelas
bicicletas passaram por mim
saias em festa
íamos todos na mesma direção.
Chovia sobre o desfile
as sandálias de palha
se empapavam na lama
o andor
ou como là se chame em japonês
pesava sobre os ombros
dos homens encharcados de sakê
mas o tambor batia no mesmo ritmo
e além das cordas
as crianças olhavam submersas
na longa ondulação dos guarda-chuvas.
A avó veio por fim.
Presas as longas mangas do quimono
- não fosse a foice decepar a seda -
ceifou com graça as hastes invisíveis
fez tombar as espigas
atou os feixes
celebrando a abundância
sobre o asfalto.
E o sol
abriu-se inteiro
no seu leque.
Satums 2988
531
Marina Colasanti
NA CORTE DE HAAKON
Para bem degolar
um viking
agarra-se por trás
o cabelo comprido
e puxa-se com força.
Só então
na curva da garganta
afia-se o fio
da espada.
Na corte de Haakon
da Noruega
oito cabeças sobre o chão de pedra
olham a festa
com seus olhos mortos.
Chegada é a vez de
Sved
-e Sved não tem sequer
dezoito anos -
longos cabelos
para curta vida
longos cabelos
como rédea ou laço
enrolados nos punhos
do inimigo.
A garganta de Sved se tende
em arco
a espada canta
atenta ao seu chamado.
Mas num arranco
Sved
ergue a cabeça
e a lâmina decepa
aqueles punhos
que a seda envolve
como dois casulos.
Na corte de Haakon
da Noruega
pergunta a voz de Sved
aço cortante:
- Que arrogante esqueceu
suas mãos
nos meus cabelos?
um viking
agarra-se por trás
o cabelo comprido
e puxa-se com força.
Só então
na curva da garganta
afia-se o fio
da espada.
Na corte de Haakon
da Noruega
oito cabeças sobre o chão de pedra
olham a festa
com seus olhos mortos.
Chegada é a vez de
Sved
-e Sved não tem sequer
dezoito anos -
longos cabelos
para curta vida
longos cabelos
como rédea ou laço
enrolados nos punhos
do inimigo.
A garganta de Sved se tende
em arco
a espada canta
atenta ao seu chamado.
Mas num arranco
Sved
ergue a cabeça
e a lâmina decepa
aqueles punhos
que a seda envolve
como dois casulos.
Na corte de Haakon
da Noruega
pergunta a voz de Sved
aço cortante:
- Que arrogante esqueceu
suas mãos
nos meus cabelos?
1 132
Marina Colasanti
NA CORTE DE HAAKON
Para bem degolar
um viking
agarra-se por trás
o cabelo comprido
e puxa-se com força.
Só então
na curva da garganta
afia-se o fio
da espada.
Na corte de Haakon
da Noruega
oito cabeças sobre o chão de pedra
olham a festa
com seus olhos mortos.
Chegada é a vez de
Sved
-e Sved não tem sequer
dezoito anos -
longos cabelos
para curta vida
longos cabelos
como rédea ou laço
enrolados nos punhos
do inimigo.
A garganta de Sved se tende
em arco
a espada canta
atenta ao seu chamado.
Mas num arranco
Sved
ergue a cabeça
e a lâmina decepa
aqueles punhos
que a seda envolve
como dois casulos.
Na corte de Haakon
da Noruega
pergunta a voz de Sved
aço cortante:
- Que arrogante esqueceu
suas mãos
nos meus cabelos?
um viking
agarra-se por trás
o cabelo comprido
e puxa-se com força.
Só então
na curva da garganta
afia-se o fio
da espada.
Na corte de Haakon
da Noruega
oito cabeças sobre o chão de pedra
olham a festa
com seus olhos mortos.
Chegada é a vez de
Sved
-e Sved não tem sequer
dezoito anos -
longos cabelos
para curta vida
longos cabelos
como rédea ou laço
enrolados nos punhos
do inimigo.
A garganta de Sved se tende
em arco
a espada canta
atenta ao seu chamado.
Mas num arranco
Sved
ergue a cabeça
e a lâmina decepa
aqueles punhos
que a seda envolve
como dois casulos.
Na corte de Haakon
da Noruega
pergunta a voz de Sved
aço cortante:
- Que arrogante esqueceu
suas mãos
nos meus cabelos?
1 132
Marina Colasanti
ALI, ONDE
Onde a coxa acaba
e a nádega começa
fronteira do obscuro
que ainda não é sexo
mas diz do seu início
há um resvalar de curvas
beirando o precipicio
prenúncio de voragem
onde o futuro é agora.
Ali, onde sol não nasce,
evadem-se os caminhos
ali traçam-se os rumos
se homem
se mulher
carta marcada.
E ali o desejo dorme
ou canta
senhor da encruzilhada.
e a nádega começa
fronteira do obscuro
que ainda não é sexo
mas diz do seu início
há um resvalar de curvas
beirando o precipicio
prenúncio de voragem
onde o futuro é agora.
Ali, onde sol não nasce,
evadem-se os caminhos
ali traçam-se os rumos
se homem
se mulher
carta marcada.
E ali o desejo dorme
ou canta
senhor da encruzilhada.
1 200
Marina Colasanti
SOBRE FUNDO AZUL
O homem-asa brinca no sudoeste.
Incrédulo. Umm helicóptero
lhe inveja a cor e o silêncio.
Incrédulo. Umm helicóptero
lhe inveja a cor e o silêncio.
1 093
Allen Ginsberg
Peço-lhe que volte
Esta noite fiquei ligado na janela do meu apartamento
sentado às 3 da manhã
olhando incandescentes tochas azuis
embaixo a rua amplamente iluminada
densas sombras assomando no asfalto recém-colocado
—assim como os rabinos medievais da semana passada
andando penosamente no escuro
lixo cruamente virado —bastões
& latas
e senhoras cansadas sentadas nos latões
de lixo espanhol —no calor mortal
- faz um mês
os hidrantes de incêndio tiveram um vazamento
hoje às 3 da tarde o sol numa neblina —
agora tudo escuro lá fora, um gato silencioso
atravessa a rua —eu mio
e ele olha para cima e passa por
uma pilha de entulho no caminho
até o brilhante latão dourado de lixo
(fósforo na noite
e fedor do beco)
( ou então do lixo nas portas)
—Acho que a América é um caos
A polícia atravanca as ruas com sua ansiedade
A viatura guincha & pára
Hoje uma mulher, 20 anos, bateu no irmão
que brincava com seus tijolos infantis
brincava com um enorme rochedo —
“Não faça isso agora! a polícia! a polícia!”
E não havia polícia lá —
Olho por cima do meu ombro —
Um monte de lixo do outro lado.
Gás lacrimogêneo! Dinamite! Bigodes!
Deixarei crescer a barba e carregarei adoráveis
bombas,
destruirei o mundo, me infiltrarei entre
as fendas da morte
E transformarei o universo —Ha!Tenho o segredo, carrego
salames subversivos na
minha pasta amarrotada
“Alho, pobreza, um testamento para o céu,”
um estranho sonho na minha carne:
Nuvens radiantes, eu ouvi a voz de Deus no
meu sono, ou de Blake acordado, ou minha
própria ou
o sonho de uma rotisseria de vacas mugindo
e porcos grunhindo —
O golpe de uma facada
um dedo decepado no meu cérebro —
umas poucas mortes que eu conheço —
Oh, irmãos na Láurea
Será o mundo real?
Será a Coroa de Louros
uma piada ou uma coroa de espinhos? —
Depressa, passa
pelo cu
Lá vou eu
Vem Pavor
—a rua lá fora,
eu espreitando Nova York
O caminhão negro passa roncando &
vibrando fundo —
Que
tai
se
os
mundos
fossem
uma
série
de degraus
Que
tal
se
os
degraus
se encontrassem
de novo
na
Margem
—Deixando-nos voar como pássaros para dentro do Tempo
—olhos e faróis de carros —
A retração do vazio
dentro da Nebulosa
Essas Galáxias cruzam-se como roldanas & elas passam
como gás
Que florestas nascem.
15 de setembro, 1959
sentado às 3 da manhã
olhando incandescentes tochas azuis
embaixo a rua amplamente iluminada
densas sombras assomando no asfalto recém-colocado
—assim como os rabinos medievais da semana passada
andando penosamente no escuro
lixo cruamente virado —bastões
& latas
e senhoras cansadas sentadas nos latões
de lixo espanhol —no calor mortal
- faz um mês
os hidrantes de incêndio tiveram um vazamento
hoje às 3 da tarde o sol numa neblina —
agora tudo escuro lá fora, um gato silencioso
atravessa a rua —eu mio
e ele olha para cima e passa por
uma pilha de entulho no caminho
até o brilhante latão dourado de lixo
(fósforo na noite
e fedor do beco)
( ou então do lixo nas portas)
—Acho que a América é um caos
A polícia atravanca as ruas com sua ansiedade
A viatura guincha & pára
Hoje uma mulher, 20 anos, bateu no irmão
que brincava com seus tijolos infantis
brincava com um enorme rochedo —
“Não faça isso agora! a polícia! a polícia!”
E não havia polícia lá —
Olho por cima do meu ombro —
Um monte de lixo do outro lado.
Gás lacrimogêneo! Dinamite! Bigodes!
Deixarei crescer a barba e carregarei adoráveis
bombas,
destruirei o mundo, me infiltrarei entre
as fendas da morte
E transformarei o universo —Ha!Tenho o segredo, carrego
salames subversivos na
minha pasta amarrotada
“Alho, pobreza, um testamento para o céu,”
um estranho sonho na minha carne:
Nuvens radiantes, eu ouvi a voz de Deus no
meu sono, ou de Blake acordado, ou minha
própria ou
o sonho de uma rotisseria de vacas mugindo
e porcos grunhindo —
O golpe de uma facada
um dedo decepado no meu cérebro —
umas poucas mortes que eu conheço —
Oh, irmãos na Láurea
Será o mundo real?
Será a Coroa de Louros
uma piada ou uma coroa de espinhos? —
Depressa, passa
pelo cu
Lá vou eu
Vem Pavor
—a rua lá fora,
eu espreitando Nova York
O caminhão negro passa roncando &
vibrando fundo —
Que
tai
se
os
mundos
fossem
uma
série
de degraus
Que
tal
se
os
degraus
se encontrassem
de novo
na
Margem
—Deixando-nos voar como pássaros para dentro do Tempo
—olhos e faróis de carros —
A retração do vazio
dentro da Nebulosa
Essas Galáxias cruzam-se como roldanas & elas passam
como gás
Que florestas nascem.
15 de setembro, 1959
915
Allen Ginsberg
Ahm-Bum!
I
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
1 045
Allen Ginsberg
Ahm-Bum!
I
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
1 045
Allen Ginsberg
Ahm-Bum!
I
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra eles!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Temos bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Quem tem bomba?
Tu tem bomba pra ti!
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Temos bomba pra quem?
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Que fazemos?
Tu tem bomba! Tu tem bomba pra eles!
Maio de 1971
II
Para Dom Cherry
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Por que tu tem bomba?
A gente não queria a bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem disse bomba?
Quem disse que temos bomba?
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria ter bomba!
Quem aí quer uma bomba?
A gente não queria
não queria
não queria ter uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Quem pediu uma bomba?
Alguém tem que ter pedido uma bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles pediram uma bomba!
Precisavam da bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
Eles acham que têm uma bomba!
III
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom nova era
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Bombas em Babilônia e Ur
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Armagedom na galera
Gog & Magog Gog & Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog & Magog Gog & Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Gog Magog Gog Magog
Ginsberg disse Gog & Magog
Armagedom nova era
Fevereiro–Junho de 1991
1 045
Marina Colasanti
MADRUGADA EM CARDEIROS
Para Stella Marinho
Atados ao alto do mastro
peixes japoneses ondeiam
nadando contra a corrente do vento.
Lutam as escamas pintadas
para defender
seu vermelho na escuridão.
Quando a manhã chegar
- bocas abertas -
depositarão ovos de seda
nas nascentes do Sudoeste.
Atados ao alto do mastro
peixes japoneses ondeiam
nadando contra a corrente do vento.
Lutam as escamas pintadas
para defender
seu vermelho na escuridão.
Quando a manhã chegar
- bocas abertas -
depositarão ovos de seda
nas nascentes do Sudoeste.
932
Allen Ginsberg
Patna-Benares Express
O que quer que seja quem quer que seja
O homem sanguíneo todo cantante todo justo
Como quer que ele morra
Ele viajou em vagões de trem
Ele acordou à alba, na luz branca de um novo universo
Ele não poderia fazer diferente
Ele o esqueleto com olhos
levantou-se de um banco de madeira
sentiu-se diferente olhando os campos e palmeiras
sem dinheiro no banco de pó
sem nação além de inexpressivas nuvens cinza antes da aurora
perdeu sua identidade cartões em sua carteira
no riquixá careca próximo ao Maidan na seca Patna
Mais tarde olhou sem esperança levantando de um sono bêbado
boca seca na RR Station
entre engraxates adormecidos de tanga no concreto sujo
Corpos demais lotando estas cidades agora
Benares, 1 de maio de 1963.
O homem sanguíneo todo cantante todo justo
Como quer que ele morra
Ele viajou em vagões de trem
Ele acordou à alba, na luz branca de um novo universo
Ele não poderia fazer diferente
Ele o esqueleto com olhos
levantou-se de um banco de madeira
sentiu-se diferente olhando os campos e palmeiras
sem dinheiro no banco de pó
sem nação além de inexpressivas nuvens cinza antes da aurora
perdeu sua identidade cartões em sua carteira
no riquixá careca próximo ao Maidan na seca Patna
Mais tarde olhou sem esperança levantando de um sono bêbado
boca seca na RR Station
entre engraxates adormecidos de tanga no concreto sujo
Corpos demais lotando estas cidades agora
Benares, 1 de maio de 1963.
544
Allen Ginsberg
Patna-Benares Express
O que quer que seja quem quer que seja
O homem sanguíneo todo cantante todo justo
Como quer que ele morra
Ele viajou em vagões de trem
Ele acordou à alba, na luz branca de um novo universo
Ele não poderia fazer diferente
Ele o esqueleto com olhos
levantou-se de um banco de madeira
sentiu-se diferente olhando os campos e palmeiras
sem dinheiro no banco de pó
sem nação além de inexpressivas nuvens cinza antes da aurora
perdeu sua identidade cartões em sua carteira
no riquixá careca próximo ao Maidan na seca Patna
Mais tarde olhou sem esperança levantando de um sono bêbado
boca seca na RR Station
entre engraxates adormecidos de tanga no concreto sujo
Corpos demais lotando estas cidades agora
Benares, 1 de maio de 1963.
O homem sanguíneo todo cantante todo justo
Como quer que ele morra
Ele viajou em vagões de trem
Ele acordou à alba, na luz branca de um novo universo
Ele não poderia fazer diferente
Ele o esqueleto com olhos
levantou-se de um banco de madeira
sentiu-se diferente olhando os campos e palmeiras
sem dinheiro no banco de pó
sem nação além de inexpressivas nuvens cinza antes da aurora
perdeu sua identidade cartões em sua carteira
no riquixá careca próximo ao Maidan na seca Patna
Mais tarde olhou sem esperança levantando de um sono bêbado
boca seca na RR Station
entre engraxates adormecidos de tanga no concreto sujo
Corpos demais lotando estas cidades agora
Benares, 1 de maio de 1963.
544