Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Affonso Romano de Sant'Anna
Um Operário E Seu Desejo
De minha janela vejo um operário que se masturba
no topo do edifício.
Insólito lugar escolheu
para realizar seu desejo.
A princípio afastei os olhos, pundonoroso,
depois
de novo o procurei
e ele ainda se empenhava
laborando o prazer
naquela ponta de seu corpo.
Não segui até o fim seu ritual.
Preferi pensar que aquele era um gesto banal,
embora a céu aberto, no topo de um edifício às dez horas da manhã.
Banal como o indivíduo que puxa um cigarro
e prazeroso fuma,
banal como o poeta
que num solitário ofício
manipula seu poema no topo do edifício ao lado
e dele tira um gozo estranho
– que o pacifica.
no topo do edifício.
Insólito lugar escolheu
para realizar seu desejo.
A princípio afastei os olhos, pundonoroso,
depois
de novo o procurei
e ele ainda se empenhava
laborando o prazer
naquela ponta de seu corpo.
Não segui até o fim seu ritual.
Preferi pensar que aquele era um gesto banal,
embora a céu aberto, no topo de um edifício às dez horas da manhã.
Banal como o indivíduo que puxa um cigarro
e prazeroso fuma,
banal como o poeta
que num solitário ofício
manipula seu poema no topo do edifício ao lado
e dele tira um gozo estranho
– que o pacifica.
1 047
Affonso Romano de Sant'Anna
Desconfiando
Há muito
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
1 037
Affonso Romano de Sant'Anna
Desconfiando
Há muito
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
1 037
Affonso Romano de Sant'Anna
Desconfiando
Há muito
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
1 037
Affonso Romano de Sant'Anna
Desconfiando
Há muito
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
1 037
Affonso Romano de Sant'Anna
Desconfiando
Há muito
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
que não corro da polícia em praça pública.
Há muito
que não abrem correspondência minha.
Há muito
que não poupo palavras ao telefone.
Há muito
que não abrigo fugitivos.
Há muito
que vejo os filmes e leio livros que bem quero.
O que será que fiz?
Começo a desconfiar
que alguma coisa anda errada:
comigo
ou meu país.
1 037
Affonso Romano de Sant'Anna
Golpe Literário
Três poetas tropicais
revertendo o continente
com conteúdos formais,
deram um golpe na poesia
e o alardearam nos jornais.
A seguir
baniram o verso
dos poemas nacionais
exilaram a poesia
nas traduções abissais
e reescreveram a história literária
com ares imperiais.
Esta história local
com conteúdos morais,
mostra
que no Terceiro Mundo
até poetas
tratam a poesia
imitando os generais.
revertendo o continente
com conteúdos formais,
deram um golpe na poesia
e o alardearam nos jornais.
A seguir
baniram o verso
dos poemas nacionais
exilaram a poesia
nas traduções abissais
e reescreveram a história literária
com ares imperiais.
Esta história local
com conteúdos morais,
mostra
que no Terceiro Mundo
até poetas
tratam a poesia
imitando os generais.
1 077
Affonso Romano de Sant'Anna
Golpe Literário
Três poetas tropicais
revertendo o continente
com conteúdos formais,
deram um golpe na poesia
e o alardearam nos jornais.
A seguir
baniram o verso
dos poemas nacionais
exilaram a poesia
nas traduções abissais
e reescreveram a história literária
com ares imperiais.
Esta história local
com conteúdos morais,
mostra
que no Terceiro Mundo
até poetas
tratam a poesia
imitando os generais.
revertendo o continente
com conteúdos formais,
deram um golpe na poesia
e o alardearam nos jornais.
A seguir
baniram o verso
dos poemas nacionais
exilaram a poesia
nas traduções abissais
e reescreveram a história literária
com ares imperiais.
Esta história local
com conteúdos morais,
mostra
que no Terceiro Mundo
até poetas
tratam a poesia
imitando os generais.
1 077
Affonso Romano de Sant'Anna
Hamburg Hill
(poema tirado do Los Angeles Time, 1967)
– 10 days of battle
– 3.000 feet high overlooking the Ashan Valley to the east
– 10 infantry assaults signs
– 10 May. 1967.
But it succumbed on 21th
11th attack as
1.000 troupes of the
101st. Airborne Division
– “It was a great victory by a gutty bunch of guys”
(said Major G. Melvin Zais)
– “Real victories don’t come easily” – he ended.
Many bodies were reported
found in deep bunkers
partly crushed by massive air strike.
– Celebrating the victory
marines went to spend two days at the beaches of Chinese Sea.
– 10 days of battle
– 3.000 feet high overlooking the Ashan Valley to the east
– 10 infantry assaults signs
– 10 May. 1967.
But it succumbed on 21th
11th attack as
1.000 troupes of the
101st. Airborne Division
– “It was a great victory by a gutty bunch of guys”
(said Major G. Melvin Zais)
– “Real victories don’t come easily” – he ended.
Many bodies were reported
found in deep bunkers
partly crushed by massive air strike.
– Celebrating the victory
marines went to spend two days at the beaches of Chinese Sea.
1 227
Affonso Romano de Sant'Anna
Isto
Falam sobre isto.
Discursam sobre isto.
E, no entanto,
nem por isto.
Discursam sobre isto.
E, no entanto,
nem por isto.
1 104
Affonso Romano de Sant'Anna
Isto
Falam sobre isto.
Discursam sobre isto.
E, no entanto,
nem por isto.
Discursam sobre isto.
E, no entanto,
nem por isto.
1 104
Affonso Romano de Sant'Anna
A Paineira E a Favela
Para Sérgio Faraco
Essa paineira na entrada da favela ao lado
está florindo
– e não é primavera.
Sob a rosada copa passam pivetes em fuga
e cruzam tiros de escopeta e AR-15.
À noite
são balas luminosas com seus rastros
traficando angústia na vizinhança.
Só uma vez, vi um cadáver baixar do morro.
Amanhece
e de minha janela vejo o mar.
O mar
e essa paineira florindo
– luminosa
embora não seja primavera.
Essa paineira na entrada da favela ao lado
está florindo
– e não é primavera.
Sob a rosada copa passam pivetes em fuga
e cruzam tiros de escopeta e AR-15.
À noite
são balas luminosas com seus rastros
traficando angústia na vizinhança.
Só uma vez, vi um cadáver baixar do morro.
Amanhece
e de minha janela vejo o mar.
O mar
e essa paineira florindo
– luminosa
embora não seja primavera.
1 066
Affonso Romano de Sant'Anna
Tumba Celta
Há cinco mil anos,
na Irlanda do Sul
– sempre no solstício de inverno –
um fino raio de Sol
atravessa a noite das pedras
e ilumina, certeiro, o centro
do templo-tumba
que os celtas, em New Grange, construíram.
E é então que o fora e o dentro
a luz e a treva
o homem e o cosmos
se complementam.
Já estive em templos e tumbas imensos
arquitetados por imperadores e faraós.
Às vezes, é preciso internalizar-se
na escuridão da pedra
para merecer um raio de luz.
na Irlanda do Sul
– sempre no solstício de inverno –
um fino raio de Sol
atravessa a noite das pedras
e ilumina, certeiro, o centro
do templo-tumba
que os celtas, em New Grange, construíram.
E é então que o fora e o dentro
a luz e a treva
o homem e o cosmos
se complementam.
Já estive em templos e tumbas imensos
arquitetados por imperadores e faraós.
Às vezes, é preciso internalizar-se
na escuridão da pedra
para merecer um raio de luz.
1 056
Affonso Romano de Sant'Anna
Remorso Em Genebra
Eu não poderia viver em Genebra
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
568
Affonso Romano de Sant'Anna
Remorso Em Genebra
Eu não poderia viver em Genebra
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Remorso Em Genebra
Eu não poderia viver em Genebra
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
a olhar aquele lago congelado
sobre meu vermelho remorso.
Os prédios têm cinco, dez
andares cheios de ouro no subsolo,
estão erguidos
sobre distantes escombros.
Quando ali chove, repare
como a chuva
cai vermelha em nossos ombros.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Irei a Lucca, Caminho do Mar
Irei a Lucca, caminho do mar.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
1 026
Affonso Romano de Sant'Anna
Irei a Lucca, Caminho do Mar
Irei a Lucca, caminho do mar.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Irei a Lucca, Caminho do Mar
Irei a Lucca, caminho do mar.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
Aí, de novo, amostras da arte de Bronzino, Tintoretto,
Andrea della Robbia e Filipino Lippi.
Como soam ternos, íntimos esses nomes.
Adiante
a fachada da Chiesa de San Michelle
aquela pracinha rodeada de prédios medievais
erguidos sobre as pedras do circo romano.
Caminhar sem medo do desconhecido no entardecer
em Lucca
sobre seus largos muros
entre escuros troncos de olmo e dourados plátanos.
Um sino toca desde sempre
e epifanicamente
nos achamos perdidos
na Toscana.
1 026
Affonso Romano de Sant'Anna
O Olho do Jaguar
No Castelo de Chavin, no Peru
havia 24 labirintos
e na pedra sacrificial, cortada a cabeça humana
o sangue da vítima descia em meandros
rumo ao rio.
Do lado de fora, os fiéis
num teatro imaginário, ouviam ruídos estranhos
mas não viam a cena. Acreditavam.
Somente o olho de jade do jaguar nos monumentos
presenciava a eternidade.
havia 24 labirintos
e na pedra sacrificial, cortada a cabeça humana
o sangue da vítima descia em meandros
rumo ao rio.
Do lado de fora, os fiéis
num teatro imaginário, ouviam ruídos estranhos
mas não viam a cena. Acreditavam.
Somente o olho de jade do jaguar nos monumentos
presenciava a eternidade.
1 015
Affonso Romano de Sant'Anna
O Éden Possível
Do lado de fora da Mesquita de Oman, em Jerusalém,
muçulmanos com suas longas roupas
e sandálias de plástico
depois de passarem pelos guardas israelenses
e suas metralhadoras
repousam sob a árvore
se assentam com suas famílias domesticamente no chão
e comem e dormem.
Este sol oriental a tudo aplastra.
A garrafa de água mineral que uma mãe ergue
e dá aos filhos, tem no rótulo a palavra: “Éden”.
muçulmanos com suas longas roupas
e sandálias de plástico
depois de passarem pelos guardas israelenses
e suas metralhadoras
repousam sob a árvore
se assentam com suas famílias domesticamente no chão
e comem e dormem.
Este sol oriental a tudo aplastra.
A garrafa de água mineral que uma mãe ergue
e dá aos filhos, tem no rótulo a palavra: “Éden”.
1 044
Affonso Romano de Sant'Anna
O Éden Possível
Do lado de fora da Mesquita de Oman, em Jerusalém,
muçulmanos com suas longas roupas
e sandálias de plástico
depois de passarem pelos guardas israelenses
e suas metralhadoras
repousam sob a árvore
se assentam com suas famílias domesticamente no chão
e comem e dormem.
Este sol oriental a tudo aplastra.
A garrafa de água mineral que uma mãe ergue
e dá aos filhos, tem no rótulo a palavra: “Éden”.
muçulmanos com suas longas roupas
e sandálias de plástico
depois de passarem pelos guardas israelenses
e suas metralhadoras
repousam sob a árvore
se assentam com suas famílias domesticamente no chão
e comem e dormem.
Este sol oriental a tudo aplastra.
A garrafa de água mineral que uma mãe ergue
e dá aos filhos, tem no rótulo a palavra: “Éden”.
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Affonso Romano de Sant'Anna
Entre Castelos
Tenho conhecido castelos à beira-mar,
castelos no deserto, castelos nos rochedos
castelos na neblina, castelos nas florestas.
No entanto, nunca quis ser rei.
Entre seteiras, torres
pontes levadiças, calabouços
ouço ecos de festins,
duelos de espadas,
roçar de longas saias,
lamentos, cochichos de aias,
tropel de notícias e sussurros
de traição.
Que súdito sou, vagando
nesses adros taciturno, boquiaberto?
Que notícias de guerra trago?
Que segredo entrego ao rei?
castelos no deserto, castelos nos rochedos
castelos na neblina, castelos nas florestas.
No entanto, nunca quis ser rei.
Entre seteiras, torres
pontes levadiças, calabouços
ouço ecos de festins,
duelos de espadas,
roçar de longas saias,
lamentos, cochichos de aias,
tropel de notícias e sussurros
de traição.
Que súdito sou, vagando
nesses adros taciturno, boquiaberto?
Que notícias de guerra trago?
Que segredo entrego ao rei?
1 034
Affonso Romano de Sant'Anna
Entre Castelos
Tenho conhecido castelos à beira-mar,
castelos no deserto, castelos nos rochedos
castelos na neblina, castelos nas florestas.
No entanto, nunca quis ser rei.
Entre seteiras, torres
pontes levadiças, calabouços
ouço ecos de festins,
duelos de espadas,
roçar de longas saias,
lamentos, cochichos de aias,
tropel de notícias e sussurros
de traição.
Que súdito sou, vagando
nesses adros taciturno, boquiaberto?
Que notícias de guerra trago?
Que segredo entrego ao rei?
castelos no deserto, castelos nos rochedos
castelos na neblina, castelos nas florestas.
No entanto, nunca quis ser rei.
Entre seteiras, torres
pontes levadiças, calabouços
ouço ecos de festins,
duelos de espadas,
roçar de longas saias,
lamentos, cochichos de aias,
tropel de notícias e sussurros
de traição.
Que súdito sou, vagando
nesses adros taciturno, boquiaberto?
Que notícias de guerra trago?
Que segredo entrego ao rei?
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