Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Pablo Neruda
I - Meu Amigo Das Ruas
Pelas ruas de Praga no inverno diariamente
passei junto aos muros da casa de pedra
em que foi torturado Julius Fucik.
A casa não diz nada, pedra cor de inverno,
barras de ferro, janelas surdas.
Mas diariamente passei por ali,
olhei, toquei os muros, busquei o eco,
a palavra, a voz, a pisada pura
do herói.
E assim saiu seu semblante
uma vez, e suas mãos outra tarde,
e logo todo o homem foi acompanhando-me,
foi acompanhando-me,
através da praça Wencelas, um bom amigo,
comigo pelo velho mercado de Havelska,
pelo jardim de Starhov, de onde
Praga se eleva como uma rosa cinzenta.
passei junto aos muros da casa de pedra
em que foi torturado Julius Fucik.
A casa não diz nada, pedra cor de inverno,
barras de ferro, janelas surdas.
Mas diariamente passei por ali,
olhei, toquei os muros, busquei o eco,
a palavra, a voz, a pisada pura
do herói.
E assim saiu seu semblante
uma vez, e suas mãos outra tarde,
e logo todo o homem foi acompanhando-me,
foi acompanhando-me,
através da praça Wencelas, um bom amigo,
comigo pelo velho mercado de Havelska,
pelo jardim de Starhov, de onde
Praga se eleva como uma rosa cinzenta.
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Pablo Neruda
I - a Túnica Verde
Eu nos caminhos,
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
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Pablo Neruda
I - a Túnica Verde
Eu nos caminhos,
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
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Pablo Neruda
I - a Túnica Verde
Eu nos caminhos,
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
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Pablo Neruda
I - a Túnica Verde
Eu nos caminhos,
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
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Pablo Neruda
I - a Túnica Verde
Eu nos caminhos,
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
nos montes andei.
As vinhas me cobriram com sua túnica verde,
provei o vinho e a água.
Em minhas mãos
voou a farinha, resvalou o azeite,
mas
é o povo da Itália
a produção mais fina da terra.
Andei pelas fábricas,
conversei com os homens,
conheço o sorriso
branco dos enegrecidos rostos,
e é como farinha dura este sorriso:
a áspera terra é seu moinho.
Vaguei
entre os pescadores nas ilhas,
conheço o canto
de um homem só,
só nas solidões pedregosas,
subi as redes do pescado,
vi nas ladeiras calcinadas
do sul, rasgar a entranha
da terra mais pobre.
Vi o lugar
em que meu amigo o guerrilheiro Benedetti
imóvel com seu explosivo na mão
deixou ali para sempre
o rosto mas não o sorriso.
Por toda a parte
toquei
a matéria humana
e este contato
foi para mim como terra nutriz.
Eu havia andado muito
conversando com trajes,
saudando chapéus,
dando a mão a luvas.
Andei muito
entre homens sem homem,
mulheres sem mulher,
casas sem portas.
Itália, a medida
do homem simples elevas
como o celeiro ao trigo,
acumulando grãos,
caudal, tesouro puro,
germinação profunda
da delicadeza e a esperança.
Nas manhãs
a mais antiga
das mulheres, cinza cor de oliva,
me trazia
flores de rocha, rosas arrancadas
ao difícil perfil das lombas.
Rosas e azeite verde eram os dons
que eu recolhi, mas
sobretudo
sabedoria e canto
aprendi de tuas ilhas.
Aonde vá levarei em minhas mãos
como se fosse o tato
de uma madeira pura,
musical e fragrante
que guardassem meus dedos,
o passo dos seres,
a voz e a substância,
a luta e o sorriso,
as rosas e o azeite,
a terra, a água, o vinho
de tua terra e teu povo.
Eu não vivi com as estátuas quebradas
nem com os templos cuja dentadura
caiu com suas antigas hierarquias.
Eu não vivi tampouco
só de azul e aroma,
recebi as fundas sacudidas
do oceano
humano:
na maior miséria
dos desmantelados arrabaldes
meti meu coração
como uma rede noturna,
e conheço as lágrimas e a fome
dos meninos,
mas
também conheço o passo
da organização e a vitória.
Eu não deixei meu peito
como uma lira imóvel
desfazer-se em doçura,
mas também caminhei pelas usinas
e sei que o rosto
da Itália mudará. Toquei no fundo
a germinação incessante
do amanhã, e espero.
Eu me banhei nas águas
de um manancial eterno.
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Pablo Neruda
VI - China
China, por muito tempo nos mostraram tua efígie
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
1 124
Pablo Neruda
VI - China
China, por muito tempo nos mostraram tua efígie
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
1 124
Pablo Neruda
VI - China
China, por muito tempo nos mostraram tua efígie
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
pintada especialmente para ocidentais:
eras uma velhinha enrugada,
infinitamente pobre,
com uma tigela vazia de arroz
na porta de um templo.
Entravam e saíam os soldados
de todos os países,
o sangue salpicava as paredes,
te saqueavam como a casa sem dono,
e davas ao mundo um aroma estranho,
mescla de chá e cinza,
enquanto na porta do templo com teu prato
vazio, nos fitavas com teu olhar antigo.
Em Buenos Aires se vendia teu retrato
feito especialmente para senhoras cultas,
e nas conferências tuas sílabas mágicas
surgiam de repente como luz enterrada.
Todos sabiam algo das dinastias
e ao dizer Ming ou Celadom franziam os lábios
como se comessem um morango,
e assim querias que para nós fosses
uma terra sem homens, uma pátria
onde o vento entrava pelos templos vazios
e saía cantando, só, pelas montanhas.
Queriam que acreditássemos
que dormias,
que dormirias com um sonho eterno,
que eras a “misteriosa”,
intraduzível, estranha,
uma mãe mendiga com farrapos de seda,
enquanto isso de cada um de teus portos
se afastavam os barcos carregados de tesouros
e os aventureiros entre si disputavam
tua herança: minerais
e marfins, planejando,
depois de sangrar-te, como levariam
um bom barco carregado com teus ossos.
1 124
Pablo Neruda
Ii - Ali Estava Meu Irmão
Ali estive.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
1 175
Pablo Neruda
Ii - Ali Estava Meu Irmão
Ali estive.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
1 175
Pablo Neruda
Ii - Ali Estava Meu Irmão
Ali estive.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
Ali vi
não só areia e ar,
não só camelos e metais,
mas o homem,
o remoto
irmão meu,
nascendo agora no meio
da solidão planetária,
diferenciando-se
da natureza,
conhecendo
o mistério
da eletricidade e da vida,
dando a mão ao Este
e ao Oeste,
dando a mão ao céu
e à terra
repartindo,
existindo,
assegurando
o pão e a ternura
entre seus filhos.
Oh territórios duros,
contrafortes lunares,
em vós
ascende
a semente
do tempo socialista
e sobe
da pedra
a flor e a formosura,
a usina que fala ao céu
com palavras de fumo
e com os minerais dominados elabora ferramentas e alegria.
1 175
Pablo Neruda
Iv - Construindo a Paz
Mas a vida
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
1 510
Pablo Neruda
Iv - Construindo a Paz
Mas a vida
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
ali também estava.
Em outra parte e outras horas
de minha vida, a morte
me esperou nas esquinas.
Aqui a vida espera.
Vi em Gdansk a vida
repovoando-se.
Beijaram-me
os motores com lábios de aço.
A água trepidava.
Avistei majestosas
passar como castelos sobre a água
as gruas de ferro marinho,
recém-reconstruídas.
Vi o gigantesco
novelo machucado
do ferro sobre o ferro
bombardeado
dar à luz pouco a pouco
a forma das gruas,
e despertar do fundo da morte
a majestade azul do estaleiro.
1 510
Pablo Neruda
A Paz Que Te Devemos
A teu sangue, Coréia,
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
1 274
Pablo Neruda
A Paz Que Te Devemos
A teu sangue, Coréia,
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
1 274
Pablo Neruda
A Paz Que Te Devemos
A teu sangue, Coréia,
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
1 274
Pablo Neruda
A Paz Que Te Devemos
A teu sangue, Coréia,
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
defensora
de flores,
deve a paz do mundo.
Com teu sangue, Coréia,
com tua trágica mão desgarrada,
nos defendeste a todos!
Com teu sangue, Coréia,
em minha época, nestes anos duros,
a liberdade pôde dizer teu nome
e continuar sua herança.
As lâmpadas
continuarão acesas
e as sementes buscarão a terra.
1 274
Pablo Neruda
Vii - Se Lhes Falo...
Há mil anos um homem foi crucificado,
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
836
Pablo Neruda
Vii - Se Lhes Falo...
Há mil anos um homem foi crucificado,
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
836
Pablo Neruda
Vii - Se Lhes Falo...
Há mil anos um homem foi crucificado,
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
morreu em sua fé, pensando mais além da terra.
Sua cruz pesou sobre a vida humana
e amassou a ânsia e a esperança.
Nós teremos milhões de crucificados
e nossa esperança está sobre a terra.
Que levante os olhos o que deseje vê-la.
Dá-me a mão se queres tocá-la.
Nos novos arrozais da China está nossa esperança.
E quando os dentes brancos do arroz sorriem,
não é verdade que a terra está feliz?
Não é verdade que o trigo e a carne,
não é verdade que a escola,
a casa limpa, o trabalho assegurado e justo,
a paz para os filhos, o amor,
o livro em que a alegria e a sabedoria se juntaram,
não é verdade que são estas as conquistas do homem,
e estas simples verdades compõem nossa esperança?
Por que desejais que aos camponeses aimarás da infeliz Bolívia,
desfiados pela fome e o frio das
grandes alturas, venha amanhã prometer-lhes o
céu?
Já não me crucificaríeis porque eles continuariam famintos.
Mas se lhes falo de uma cooperativa agrícola que
vi na Polônia,
onde o leite, o pão e o livro eram tesouros comuns,
então me dareis pauladas nas costas
e me crucificareis se os meus não me defendem.
Temos um crucificado em cada quilômetro de terra, e perto da próspera Nova York, perto do Stork Club, crucificam um negro e um branco diariamente.
Mas não ficamos tranquilos
esperando o martírio nem o incenso,
nós lutaremos cada dia de nossa vida,
nós venceremos e agora te chamamos,
e assim lá de sua forca e sua cruz, como a chames
não me importa,
o coração morto de Julius Fucik derrotou seus carrascos.
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Pablo Neruda
III - Dando Uma Medalha À Madame Sun Yat Sem
À MADAME SUN YAT SEN
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
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Pablo Neruda
III - Dando Uma Medalha À Madame Sun Yat Sem
À MADAME SUN YAT SEN
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
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Pablo Neruda
III - Dando Uma Medalha À Madame Sun Yat Sem
À MADAME SUN YAT SEN
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
Esta medalha que Ehrenburg te deixou no peito
é uma espiga de ouro da colheita do grande país da
paz, da União Soviética.
Teu peito é digno desta espiga de ouro, Sung Sin Ling.
Nós te conhecemos daqueles tempos em que a China
despertou,
e logo quando a China foi traída e martirizada,
uma vez mais pelos seus velhos inimigos,
e desde o primeiro dia te vemos quando a China
foi libertada na primeira fila, na vanguarda com os libertadores
Assim te vemos, querida amiga, ao chegar ao aeroporto:
pareceste-nos mais jovem de quanto pensamos e mais simples,
como teu povo que sofreu e combateu tanto
e que, na vitória, sorri e saúda todos os povos do mundo.
Nós, os homens da Latino-América, conhecemos
vossos inimigos.
Nosso continente tem toda a riqueza, o petróleo,
o cobre, o açúcar, o nitrato, o estanho,
mas tudo isto pertence a nossos inimigos, aos mesmos
que expulsastes para sempre.
Enquanto nossa gente dos campos e aldeias não tem
sapatos nem cultura,
eles levantaram, com o produto do saque, casas
de cinquenta andares em Nova York
e com nossas riquezas fabricaram as armas para
escravizar outros povos.
Por isso a vitória do povo chinês é nossa vitória.
Por isso a nova China é amada e respeitada
por todos os povos.
Uns quantos diplomatas em São Francisco e em Washington
não querem “reconhecer” a China Popular. Estes
senhores não sabem que existe.
Poderiam também não “reconhecer” a Terra e apesar
disso esta se move,
e se move para adiante, não para trás, como eles
quiseram.
Os senhores de São Francisco não “reconhecem”
à nova China,
mas poderiam fazer eles uma encosta ao longo da América
e se perguntassem a milhões de mineiros, de
camponeses, ao professor e ao poeta, ao velho e ao jovem,
desde o Alaska até o Pólo Sul, teriam a resposta:
“Reconhecemos e amamos Mao Tse-Tung. É nosso
grande irmão”.
Por isso, querida amiga da paz, Sung Sin Ling,
esta espiga de ouro que lá da generosa terra de Stalin
chegou a teu peito de mulher grande e simples,
não chegou ali por casualidade ou capricho,
mas porque te amamos
e amamos a paz que defendes não só para teu povo,
mas para que todos os povos
se reconheçam e possam construir sua vida livremente.
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