Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Pablo Neruda
XIX
Contaram o ouro que tem
o território do milho?
Sabes que é verde ao meio-dia
a neblina na Patagônia?
Quem canta no fundo da água
na lagoa abandonada?
De que ri a melancia
quando a estão assassinando?
o território do milho?
Sabes que é verde ao meio-dia
a neblina na Patagônia?
Quem canta no fundo da água
na lagoa abandonada?
De que ri a melancia
quando a estão assassinando?
1 053
Pablo Neruda
XV
Mas é verdade que se prepara
a insurreição dos coletes?
Por que outra vez a primavera
oferece seus vestidos verdes?
Por que ri a agricultura
do pálido pranto do céu?
Como logrou sua liberdade
a bicicleta abandonada?
a insurreição dos coletes?
Por que outra vez a primavera
oferece seus vestidos verdes?
Por que ri a agricultura
do pálido pranto do céu?
Como logrou sua liberdade
a bicicleta abandonada?
1 077
Pablo Neruda
XV
Mas é verdade que se prepara
a insurreição dos coletes?
Por que outra vez a primavera
oferece seus vestidos verdes?
Por que ri a agricultura
do pálido pranto do céu?
Como logrou sua liberdade
a bicicleta abandonada?
a insurreição dos coletes?
Por que outra vez a primavera
oferece seus vestidos verdes?
Por que ri a agricultura
do pálido pranto do céu?
Como logrou sua liberdade
a bicicleta abandonada?
1 077
Pablo Neruda
L
Quem pode convencer o mar
para que seja razoável?
De que lhe serve demolir
âmbar azul, granito verde?
E para que tantas marcas
e tantos sulcos no rochedo?
Cheguei de detrás do mar
e onde vou quando me atalha?
Por que encerrei meu caminho
caindo no ardil do mar?
para que seja razoável?
De que lhe serve demolir
âmbar azul, granito verde?
E para que tantas marcas
e tantos sulcos no rochedo?
Cheguei de detrás do mar
e onde vou quando me atalha?
Por que encerrei meu caminho
caindo no ardil do mar?
973
Pablo Neruda
XVII
Percebeste que o outono
é como uma vaca amarela?
E como a besta outonal
é logo um escuro esqueleto?
E como o inverno acumula
tantos azuis lineares?
E quem pediu à primavera
sua monarquia transparente?
é como uma vaca amarela?
E como a besta outonal
é logo um escuro esqueleto?
E como o inverno acumula
tantos azuis lineares?
E quem pediu à primavera
sua monarquia transparente?
1 082
Pablo Neruda
I - Os homens
Sou o peregrino
da Ilha de Páscoa, o cavaleiro
estranho, venho para golpear as portas do silêncio:
− mais um dos que traz o ar
saltando num voo todo o mar:
aqui estou, como os outros pesados peregrinos
que em inglês amamentam e levantam as ruínas:
egrégios comensais do turismo, iguais a Simbad
e a Cristóvão, sem mais descobrimento
que a conta do bar.
Me confesso: matamosos veleiros de cinco mastros e carne deteriorada,
matamos os pálidos livros de marinheiros em extinção,
nos trasladamos em gansos imensos de alumínio,
corretamente sentados, bebendo taças ácidas,
descendo em fileiras de estômagos amáveis.
da Ilha de Páscoa, o cavaleiro
estranho, venho para golpear as portas do silêncio:
− mais um dos que traz o ar
saltando num voo todo o mar:
aqui estou, como os outros pesados peregrinos
que em inglês amamentam e levantam as ruínas:
egrégios comensais do turismo, iguais a Simbad
e a Cristóvão, sem mais descobrimento
que a conta do bar.
Me confesso: matamosos veleiros de cinco mastros e carne deteriorada,
matamos os pálidos livros de marinheiros em extinção,
nos trasladamos em gansos imensos de alumínio,
corretamente sentados, bebendo taças ácidas,
descendo em fileiras de estômagos amáveis.
620
Pablo Neruda
Tarde - LXXII
Amor meu, o inverno regressa a seus quartéis,
estabelece a terra seus dons amarelos
e passamos a mão sobre um país remoto,
sobre a cabeleira da geografia.
Ir-nos! Hoje! Adiante, rodas, naves, sinos,
aviões acerados pelo diurno infinito
para o olor nupcial do arquipélago,
por longitudinais farinhas de usufruto!
Vamos, levanta-te, e endiadema-te e sobe
e desce e corre e trina com o ar e comigo
vamo-nos aos trens da Arábia ou Tocopilla,
sem mais que transmigrar para o pólen longínquo,
a povoados lancinantes de farrapos e gardênias
governados por pobres monarcas sem sapatos.
estabelece a terra seus dons amarelos
e passamos a mão sobre um país remoto,
sobre a cabeleira da geografia.
Ir-nos! Hoje! Adiante, rodas, naves, sinos,
aviões acerados pelo diurno infinito
para o olor nupcial do arquipélago,
por longitudinais farinhas de usufruto!
Vamos, levanta-te, e endiadema-te e sobe
e desce e corre e trina com o ar e comigo
vamo-nos aos trens da Arábia ou Tocopilla,
sem mais que transmigrar para o pólen longínquo,
a povoados lancinantes de farrapos e gardênias
governados por pobres monarcas sem sapatos.
570
Pablo Neruda
A terra
Antártica pátria que do racimo cheiroso aos cereais,
da salitreira que esconde a lua enterrada e acima no frio
os sete episódios do cobre e suas páginas verdes,
estendes, oh terra delgada, entre ondas de vinho e de neve
teus filhos insignes e esfarrapados que cantam em plena agonia.
da salitreira que esconde a lua enterrada e acima no frio
os sete episódios do cobre e suas páginas verdes,
estendes, oh terra delgada, entre ondas de vinho e de neve
teus filhos insignes e esfarrapados que cantam em plena agonia.
662
Pablo Neruda
Noite - LXXX
De viagens e dores eu regressei, amor meu,
a tua voz, a tua mão voando na guitarra,
ao fogo que interrompe com beijos o outono,
à circulação da noite no céu.
Para todos os homens peço pão e reinado,
peço terra para o lavrador sem-ventura,
que ninguém espere trégua de meu sangue ou meu canto.
Mas a teu amor não posso renunciar sem morrer.
Por isso toca a valsa da serena lua,
a barcarola na água da guitarra
até que se dobre minha cabeça sonhando:
que todos os desvelos de minha vida teceram
esta ramagem onde tua mão vive e voa
custodiando a noite do viageiro dormido.
a tua voz, a tua mão voando na guitarra,
ao fogo que interrompe com beijos o outono,
à circulação da noite no céu.
Para todos os homens peço pão e reinado,
peço terra para o lavrador sem-ventura,
que ninguém espere trégua de meu sangue ou meu canto.
Mas a teu amor não posso renunciar sem morrer.
Por isso toca a valsa da serena lua,
a barcarola na água da guitarra
até que se dobre minha cabeça sonhando:
que todos os desvelos de minha vida teceram
esta ramagem onde tua mão vive e voa
custodiando a noite do viageiro dormido.
1 290
Pablo Neruda
Noite - LXXX
De viagens e dores eu regressei, amor meu,
a tua voz, a tua mão voando na guitarra,
ao fogo que interrompe com beijos o outono,
à circulação da noite no céu.
Para todos os homens peço pão e reinado,
peço terra para o lavrador sem-ventura,
que ninguém espere trégua de meu sangue ou meu canto.
Mas a teu amor não posso renunciar sem morrer.
Por isso toca a valsa da serena lua,
a barcarola na água da guitarra
até que se dobre minha cabeça sonhando:
que todos os desvelos de minha vida teceram
esta ramagem onde tua mão vive e voa
custodiando a noite do viageiro dormido.
a tua voz, a tua mão voando na guitarra,
ao fogo que interrompe com beijos o outono,
à circulação da noite no céu.
Para todos os homens peço pão e reinado,
peço terra para o lavrador sem-ventura,
que ninguém espere trégua de meu sangue ou meu canto.
Mas a teu amor não posso renunciar sem morrer.
Por isso toca a valsa da serena lua,
a barcarola na água da guitarra
até que se dobre minha cabeça sonhando:
que todos os desvelos de minha vida teceram
esta ramagem onde tua mão vive e voa
custodiando a noite do viageiro dormido.
1 290
Pablo Neruda
Tu entre os que pareciam estranhos
Tu, clara e escura, Matilde morena e dourada,
parecida com trigo e com vinho e com pão da pátria,
ali nos caminhos abertos por reinos depois devorados,
fazias cantar teus quadros e parecias, antiga e terrestre araucana,
com a ânfora pura que ardeu com o vinho naquela comarca
e te conhecia o azeite insigne das caçarolas
e as papoulas crescendo no pólen de antigos arados
te reconheciam e balançavam
bailando em teus pés rumorosos.
Porque são os mistérios do povo ser um e ser todos
e igual é tua mãe campestre que jaz nas gredas de Ñuble
à rajada etrusca que move as tranças tirrenas
e tu és um cântaro negro de Quinchamalí ou de Pompeia
erigido por mãos profundas que não têm nome:
por isso ao beijar-te, amor meu, e apertar com meus lábios tua boca,
em tua boca me deste a sombra e a música do barro terrestre.
parecida com trigo e com vinho e com pão da pátria,
ali nos caminhos abertos por reinos depois devorados,
fazias cantar teus quadros e parecias, antiga e terrestre araucana,
com a ânfora pura que ardeu com o vinho naquela comarca
e te conhecia o azeite insigne das caçarolas
e as papoulas crescendo no pólen de antigos arados
te reconheciam e balançavam
bailando em teus pés rumorosos.
Porque são os mistérios do povo ser um e ser todos
e igual é tua mãe campestre que jaz nas gredas de Ñuble
à rajada etrusca que move as tranças tirrenas
e tu és um cântaro negro de Quinchamalí ou de Pompeia
erigido por mãos profundas que não têm nome:
por isso ao beijar-te, amor meu, e apertar com meus lábios tua boca,
em tua boca me deste a sombra e a música do barro terrestre.
1 140
Pablo Neruda
LXX
Qual o trabalho forçado
de Hitler no inferno?
Pinta paredes ou cadáveres?
Ou fareja o gás de seus mortos?
Lhe dão de comer as cinzas
de tantos meninos calcinados?
Ou lhe deram desde sua morte
de beber sangue em um funil?
Ou lhe martelam na boca
os arrancados dentes de ouro?
de Hitler no inferno?
Pinta paredes ou cadáveres?
Ou fareja o gás de seus mortos?
Lhe dão de comer as cinzas
de tantos meninos calcinados?
Ou lhe deram desde sua morte
de beber sangue em um funil?
Ou lhe martelam na boca
os arrancados dentes de ouro?
956
Pablo Neruda
Crevel
Ou talvez aqui devo recordar que canto
quando desço do trem em Bordéus e compro um jornal
e a linha mais negra levanta um punhal e me fere:
Crevel tinha morrido, dizia a linha, no forno de gás, sua cabeça,
sua cabeça dourada, riçada no forno como o pão para um rito,
e eu que vinha da Espanha porque ele me esperava
ali na plataforma de Bordéus lendo o punhal
com que a França acolhia minha viagem naquela estação, no frio.
Passa o tempo e não passa Paris, se te caem
os cabelos, as folhas à árvore, os soldados ao ódio,
e na Catedral os apóstolos reluzem com a barba fresca,
com a barba fresca de morangueiro da França fragrante.
Mesmo que a desventura galope a teu lado golpeando o tambor da morte
a rosa murcha te oferece sua taça de líquido impuro
e a multidão de pétalas que ardem sem rumo na noite
até que a rosa tomou com o tempo entre os automóveis
sua cor de cinza queimada por bocas e beijos.
quando desço do trem em Bordéus e compro um jornal
e a linha mais negra levanta um punhal e me fere:
Crevel tinha morrido, dizia a linha, no forno de gás, sua cabeça,
sua cabeça dourada, riçada no forno como o pão para um rito,
e eu que vinha da Espanha porque ele me esperava
ali na plataforma de Bordéus lendo o punhal
com que a França acolhia minha viagem naquela estação, no frio.
Passa o tempo e não passa Paris, se te caem
os cabelos, as folhas à árvore, os soldados ao ódio,
e na Catedral os apóstolos reluzem com a barba fresca,
com a barba fresca de morangueiro da França fragrante.
Mesmo que a desventura galope a teu lado golpeando o tambor da morte
a rosa murcha te oferece sua taça de líquido impuro
e a multidão de pétalas que ardem sem rumo na noite
até que a rosa tomou com o tempo entre os automóveis
sua cor de cinza queimada por bocas e beijos.
1 197
Pablo Neruda
Clareira de Sol
Mas agora não foi o inimigo que espreita montado em sua vassoura amarela,
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
1 085
Pablo Neruda
Clareira de Sol
Mas agora não foi o inimigo que espreita montado em sua vassoura amarela,
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
1 085
Pablo Neruda
Clareira de Sol
Mas agora não foi o inimigo que espreita montado em sua vassoura amarela,
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
coberto como um porco-espinho com as puas do ódio;
agora entre irmãos nasceram racimos tortuosos
e desenvolveram os vinhos amargos, misturando mentira e vileza,
até preparar a suspeita, a dúvida, as acusações:
uma gelatina asfixiante de transpiração literária.
Não posso voltar a cabeça e olhar a manada perdida.
Passei entre os vivos fazendo meu ofício, e regresso à chuva
com alguns cravos e o pão que elaboram minhas mãos.
Eu busquei a bondade no bom e no mau busquei a bondade
e busquei a bondade na pedra que leva ao suplício
e encontrei a bondade na cova em que vive o falcão
e busquei a bondade na lua coberta de farinha campestre
e encontrei a bondade onde estive: esse foi meu dever na terra.
1 085
Pablo Neruda
Tarde - LIV
Esplêndida razão, demônio claro
do cacho absoluto, do reto meio-dia,
aqui estamos ao fim, sem solidão e sós,
longe do desvario da cidade selvagem.
Quando a linha pura rodeia sua pomba
e o fogo condecora a paz com seu sustento,
tu e eu erigimos este celeste efeito.
Razão e amor despidos vivem nesta casa.
Sonhos furiosos, rios de amarga certeza,
decisões mais duras que o sonho de um martelo
caíram na dúplice taça dos amantes.
Até que na balança se elevaram, gêmeos,
a razão e o amor como duas asas.
Assim se construiu a transparência.
do cacho absoluto, do reto meio-dia,
aqui estamos ao fim, sem solidão e sós,
longe do desvario da cidade selvagem.
Quando a linha pura rodeia sua pomba
e o fogo condecora a paz com seu sustento,
tu e eu erigimos este celeste efeito.
Razão e amor despidos vivem nesta casa.
Sonhos furiosos, rios de amarga certeza,
decisões mais duras que o sonho de um martelo
caíram na dúplice taça dos amantes.
Até que na balança se elevaram, gêmeos,
a razão e o amor como duas asas.
Assim se construiu a transparência.
1 089
Pablo Neruda
VII. Tristeza
O homem maldiz de repente a aurora recém-descoberta
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
953
Pablo Neruda
VII. Tristeza
O homem maldiz de repente a aurora recém-descoberta
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
953
Pablo Neruda
VII. Tristeza
O homem maldiz de repente a aurora recém-descoberta
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
953
Pablo Neruda
VII. Tristeza
O homem maldiz de repente a aurora recém-descoberta
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
953
Pablo Neruda
VII. Tristeza
O homem maldiz de repente a aurora recém-descoberta
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
e rompe as novas bandeiras golpeando o irmão e matando seus filhos:
Assim foi então, assim é agora e assim será, por desgraça.
E não há mais amargo sino no mundo que aquele que anuncia
com a liberdade, a agonia daqueles que o construíram.
Carrera, Rodríguez, O’Higgins, compartilham a glória e o ódio
e um pano de luto ameaça cobrir o destino dos estandartes.
953
Pablo Neruda
Solidão
Viajante, estou só na Rua da Huchette. É manhã.
Nem um só vestígio de ontem ficou colado nos muros.
Prepara-se o depois de amanhã na noite ruidosa
que passa enredada na névoa que sobe das cabeleiras.
Há um vago silêncio apoiado por uma guitarra tardia.
E compreendo que nesta minúscula ruela tortuosa
alguém toca a rebater o metal invisível
de um agudo sino que estende na noite seu círculo
e no mapa redondo baixando a vista descubro
caminhos de formiga que vêm sulcando o outono e os mares
e vão deslizando figuras que caem do mapa da Austrália,
que descem da Suécia nos trens da madrugada deserta,
pequenos caminhos de inseto que perfuram o ar e a terra
e que se desprenderam da Espanha, da Escócia, do Golfo do México,
tradeando buracos que tarde ou cedo penetram a terra
e aqui à meia-noite destapa a noite seu frio orifício
e assoma a fronte de algum colombiano que amarra no cinto
tua velha pistola e a louca guitarra dos guerrilheiros.
Talvez Aragón junto a Elsa estendeu o arquipélago
de seus sonhos povoados por amplas sereias que penteiam a música
e sobre a Rua de Varennes uma estrela, a única do céu vazio,
abre e fecha suas pálpebras de diamante e platina,
e mais longe o traje fragrante da França se guarda em uma arca
porque dormem as vinhas e o vinho nos barris prepara
a saída do sol, professor de francês no céu.
Para Menilmontant, nos meus tempos, para os acordeões
do ano de milnovecentosevinte acudíamos: era sério o encontro
com a malandragem de guimba na boca e brutal aparência.
Eu dancei com Friné Lavatier, com Marise e com quem?
Ah com quem? Fogem-me os nomes do baile
mas continuo dançando a “java” no impuro subúrbio
e viver era então tão fácil como o pão que se come nos trens,
como andar no campo assobiando, festejado pela primavera.
Nem um só vestígio de ontem ficou colado nos muros.
Prepara-se o depois de amanhã na noite ruidosa
que passa enredada na névoa que sobe das cabeleiras.
Há um vago silêncio apoiado por uma guitarra tardia.
E compreendo que nesta minúscula ruela tortuosa
alguém toca a rebater o metal invisível
de um agudo sino que estende na noite seu círculo
e no mapa redondo baixando a vista descubro
caminhos de formiga que vêm sulcando o outono e os mares
e vão deslizando figuras que caem do mapa da Austrália,
que descem da Suécia nos trens da madrugada deserta,
pequenos caminhos de inseto que perfuram o ar e a terra
e que se desprenderam da Espanha, da Escócia, do Golfo do México,
tradeando buracos que tarde ou cedo penetram a terra
e aqui à meia-noite destapa a noite seu frio orifício
e assoma a fronte de algum colombiano que amarra no cinto
tua velha pistola e a louca guitarra dos guerrilheiros.
Talvez Aragón junto a Elsa estendeu o arquipélago
de seus sonhos povoados por amplas sereias que penteiam a música
e sobre a Rua de Varennes uma estrela, a única do céu vazio,
abre e fecha suas pálpebras de diamante e platina,
e mais longe o traje fragrante da França se guarda em uma arca
porque dormem as vinhas e o vinho nos barris prepara
a saída do sol, professor de francês no céu.
Para Menilmontant, nos meus tempos, para os acordeões
do ano de milnovecentosevinte acudíamos: era sério o encontro
com a malandragem de guimba na boca e brutal aparência.
Eu dancei com Friné Lavatier, com Marise e com quem?
Ah com quem? Fogem-me os nomes do baile
mas continuo dançando a “java” no impuro subúrbio
e viver era então tão fácil como o pão que se come nos trens,
como andar no campo assobiando, festejado pela primavera.
1 312
Pablo Neruda
Solidão
Viajante, estou só na Rua da Huchette. É manhã.
Nem um só vestígio de ontem ficou colado nos muros.
Prepara-se o depois de amanhã na noite ruidosa
que passa enredada na névoa que sobe das cabeleiras.
Há um vago silêncio apoiado por uma guitarra tardia.
E compreendo que nesta minúscula ruela tortuosa
alguém toca a rebater o metal invisível
de um agudo sino que estende na noite seu círculo
e no mapa redondo baixando a vista descubro
caminhos de formiga que vêm sulcando o outono e os mares
e vão deslizando figuras que caem do mapa da Austrália,
que descem da Suécia nos trens da madrugada deserta,
pequenos caminhos de inseto que perfuram o ar e a terra
e que se desprenderam da Espanha, da Escócia, do Golfo do México,
tradeando buracos que tarde ou cedo penetram a terra
e aqui à meia-noite destapa a noite seu frio orifício
e assoma a fronte de algum colombiano que amarra no cinto
tua velha pistola e a louca guitarra dos guerrilheiros.
Talvez Aragón junto a Elsa estendeu o arquipélago
de seus sonhos povoados por amplas sereias que penteiam a música
e sobre a Rua de Varennes uma estrela, a única do céu vazio,
abre e fecha suas pálpebras de diamante e platina,
e mais longe o traje fragrante da França se guarda em uma arca
porque dormem as vinhas e o vinho nos barris prepara
a saída do sol, professor de francês no céu.
Para Menilmontant, nos meus tempos, para os acordeões
do ano de milnovecentosevinte acudíamos: era sério o encontro
com a malandragem de guimba na boca e brutal aparência.
Eu dancei com Friné Lavatier, com Marise e com quem?
Ah com quem? Fogem-me os nomes do baile
mas continuo dançando a “java” no impuro subúrbio
e viver era então tão fácil como o pão que se come nos trens,
como andar no campo assobiando, festejado pela primavera.
Nem um só vestígio de ontem ficou colado nos muros.
Prepara-se o depois de amanhã na noite ruidosa
que passa enredada na névoa que sobe das cabeleiras.
Há um vago silêncio apoiado por uma guitarra tardia.
E compreendo que nesta minúscula ruela tortuosa
alguém toca a rebater o metal invisível
de um agudo sino que estende na noite seu círculo
e no mapa redondo baixando a vista descubro
caminhos de formiga que vêm sulcando o outono e os mares
e vão deslizando figuras que caem do mapa da Austrália,
que descem da Suécia nos trens da madrugada deserta,
pequenos caminhos de inseto que perfuram o ar e a terra
e que se desprenderam da Espanha, da Escócia, do Golfo do México,
tradeando buracos que tarde ou cedo penetram a terra
e aqui à meia-noite destapa a noite seu frio orifício
e assoma a fronte de algum colombiano que amarra no cinto
tua velha pistola e a louca guitarra dos guerrilheiros.
Talvez Aragón junto a Elsa estendeu o arquipélago
de seus sonhos povoados por amplas sereias que penteiam a música
e sobre a Rua de Varennes uma estrela, a única do céu vazio,
abre e fecha suas pálpebras de diamante e platina,
e mais longe o traje fragrante da França se guarda em uma arca
porque dormem as vinhas e o vinho nos barris prepara
a saída do sol, professor de francês no céu.
Para Menilmontant, nos meus tempos, para os acordeões
do ano de milnovecentosevinte acudíamos: era sério o encontro
com a malandragem de guimba na boca e brutal aparência.
Eu dancei com Friné Lavatier, com Marise e com quem?
Ah com quem? Fogem-me os nomes do baile
mas continuo dançando a “java” no impuro subúrbio
e viver era então tão fácil como o pão que se come nos trens,
como andar no campo assobiando, festejado pela primavera.
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