Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Fernando Pessoa
EPIGRAMS - III
If rank [?] the guinea‑stamp but be,
Why, to this one thing may be said:
That 'tis only midst men we see
A guinea‑stamp on head [?]
Why, to this one thing may be said:
That 'tis only midst men we see
A guinea‑stamp on head [?]
953
Fernando Pessoa
Ah as horas indecisas
Ah as horas indecisas em que a minha vida parece de um outro...
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.
As horas do crepúsculo no terraço dos cafés cosmopolitas!
Na hora de olhos húmidos em que se acendem as luzes
E o cansaço sabe vagamente a uma febre passada.
1 405
Fernando Pessoa
Ah, sempre me contentou que a plebe se divertisse.
Ah, sempre me contentou que a plebe se divertisse.
Sou-lhe alheio à alegria, mas não alheio a que a tenha
Quero que sejam alegres à maneira deles.
Se o fossem à minha seriam tristes.
Não pretendo ser como eles, nem que eles sejam como eu.
Cada um no seu lugar e com a alegria dele
Cada um no seu ponto de espírito e faltando a língua dele.
Ouço a sua alegria, amo-a, não participo não a posso ter.
Sou-lhe alheio à alegria, mas não alheio a que a tenha
Quero que sejam alegres à maneira deles.
Se o fossem à minha seriam tristes.
Não pretendo ser como eles, nem que eles sejam como eu.
Cada um no seu lugar e com a alegria dele
Cada um no seu ponto de espírito e faltando a língua dele.
Ouço a sua alegria, amo-a, não participo não a posso ter.
1 163
Fernando Pessoa
2ª Ode - E eu era parte de toda a gente que partia.
2ª Ode
E eu era parte de toda a gente que partia.
A minha alma era parte do lenço com que aquela rapariga acenava
Da janela afastando-se de comboio...
O adeus do rapaz de boné claro
É dirigido a alguém dentro de mim
Sem que ele o queira ou o saiba...
E Paris-Fuentes d'Oñoro
Em letras encarnadas em fundo branco
Ao centro da carruagem, e no alto
Em letras que parecem mais vivas e sábias
Cª Internacional dos Wagons [...]
E o comboio avança — eu fico...
E eu era parte de toda a gente que partia.
A minha alma era parte do lenço com que aquela rapariga acenava
Da janela afastando-se de comboio...
O adeus do rapaz de boné claro
É dirigido a alguém dentro de mim
Sem que ele o queira ou o saiba...
E Paris-Fuentes d'Oñoro
Em letras encarnadas em fundo branco
Ao centro da carruagem, e no alto
Em letras que parecem mais vivas e sábias
Cª Internacional dos Wagons [...]
E o comboio avança — eu fico...
1 053
Fernando Pessoa
O DESTINO: As minhas mãos invisíveis
As minhas mãos invisíveis
Pesam sobre o mundo
E as coisas, insensíveis
Ao seu condestinar profundo,
Dormem no sonho de verdade
Chamado a sua liberdade.
Todos são malhas de uma rede
Que no seu desfazer
Julgam que vivem e têm sede
De em si crer.
Pesam sobre o mundo
E as coisas, insensíveis
Ao seu condestinar profundo,
Dormem no sonho de verdade
Chamado a sua liberdade.
Todos são malhas de uma rede
Que no seu desfazer
Julgam que vivem e têm sede
De em si crer.
1 000
Fernando Pessoa
ON THE ROAD
In a cart.
Here we go while morning life burns
In the sunlight's golden ocean,
And upon our faces a freshness comes,
A freshness whose soul is motion.
Up the hills, up! Down to the vales!
Now in the plains more slow!
Now in swift turns the shaken cart reels.
Soundless in sand now we go!
But we must come to some village or town,
And our eyes show sorrow at it.
Could we for ever and ever go on
In the sun and air that we hit;
On an infinite road, at a mighty pace,
With endless and free commotion,
With the sun eter round us and on our face
A freshness whose soul is motion!
Here we go while morning life burns
In the sunlight's golden ocean,
And upon our faces a freshness comes,
A freshness whose soul is motion.
Up the hills, up! Down to the vales!
Now in the plains more slow!
Now in swift turns the shaken cart reels.
Soundless in sand now we go!
But we must come to some village or town,
And our eyes show sorrow at it.
Could we for ever and ever go on
In the sun and air that we hit;
On an infinite road, at a mighty pace,
With endless and free commotion,
With the sun eter round us and on our face
A freshness whose soul is motion!
1 520
Fernando Pessoa
ON THE ROAD
In a cart.
Here we go while morning life burns
In the sunlight's golden ocean,
And upon our faces a freshness comes,
A freshness whose soul is motion.
Up the hills, up! Down to the vales!
Now in the plains more slow!
Now in swift turns the shaken cart reels.
Soundless in sand now we go!
But we must come to some village or town,
And our eyes show sorrow at it.
Could we for ever and ever go on
In the sun and air that we hit;
On an infinite road, at a mighty pace,
With endless and free commotion,
With the sun eter round us and on our face
A freshness whose soul is motion!
Here we go while morning life burns
In the sunlight's golden ocean,
And upon our faces a freshness comes,
A freshness whose soul is motion.
Up the hills, up! Down to the vales!
Now in the plains more slow!
Now in swift turns the shaken cart reels.
Soundless in sand now we go!
But we must come to some village or town,
And our eyes show sorrow at it.
Could we for ever and ever go on
In the sun and air that we hit;
On an infinite road, at a mighty pace,
With endless and free commotion,
With the sun eter round us and on our face
A freshness whose soul is motion!
1 520
Fernando Pessoa
Quando os povos da Dalmácia
Quando os povos da Dalmácia
Fizeram guerra aos da Grécia
Saiu muita gente sécia
Da casa do rei da Trácia.
Houve disto grande falácia,
Lá para as bandas da Fenícia,
Porém temendo malícia,
De gente tão pouco sócia,
Lá se foram para a Beócia
Para se curar da icterícia.
Fizeram guerra aos da Grécia
Saiu muita gente sécia
Da casa do rei da Trácia.
Houve disto grande falácia,
Lá para as bandas da Fenícia,
Porém temendo malícia,
De gente tão pouco sócia,
Lá se foram para a Beócia
Para se curar da icterícia.
873
Fernando Pessoa
Quando os povos da Dalmácia
Quando os povos da Dalmácia
Fizeram guerra aos da Grécia
Saiu muita gente sécia
Da casa do rei da Trácia.
Houve disto grande falácia,
Lá para as bandas da Fenícia,
Porém temendo malícia,
De gente tão pouco sócia,
Lá se foram para a Beócia
Para se curar da icterícia.
Fizeram guerra aos da Grécia
Saiu muita gente sécia
Da casa do rei da Trácia.
Houve disto grande falácia,
Lá para as bandas da Fenícia,
Porém temendo malícia,
De gente tão pouco sócia,
Lá se foram para a Beócia
Para se curar da icterícia.
873
Fernando Pessoa
Toda a gente é interessante
Toda a gente é interessante se a gente souber ver toda a gente
Que obra-prima para um pintor possível em cada cara que existe!
Que expressões em todas, em tudo!
Que maravilhosos perfis todos os perfis!
Vista de frente, que cara qualquer cara!
Os gestos humanos de cada qual, que humanos os gestos!
Que obra-prima para um pintor possível em cada cara que existe!
Que expressões em todas, em tudo!
Que maravilhosos perfis todos os perfis!
Vista de frente, que cara qualquer cara!
Os gestos humanos de cada qual, que humanos os gestos!
1 270
Fernando Pessoa
Ah quem tivesse a força para desertar deveras!
Ah quem tivesse a força para desertar deveras!
1 347
Fernando Pessoa
Uma vontade física de comer o Universo
[1ª Ode]
Uma vontade física de comer o Universo
Toma às vezes o lugar do meu pensamento...
Uma fúria desmedida
A conquistar a pose como que observadora
Dos céus e das estrelas
Persegue-me como um remorso de não ter cometido um crime.
Como quem olha um mar
Olho os que partem em viagem...
Olho os comboios como quem os estranha
Grandes coisas férreas e absurdas que levam almas.
Que levam consciências da vida e de si-próprias
Para lugares verdadeiramente reais,
Para os lugares que — custa a crer — realmente existem
Não sei como, mas é no espaço e no tempo
E têm gente que tem vidas reais
Seguidas hora a hora como as nossas vidas...
Ah, por uma nova sensação física
Pela qual eu possuísse o universo inteiro
Um uno tacto que fizesse pertencer-me,
A meu ser possuidor fisicamente,
O universo com todos os seus sóis e as suas estrelas
E as vidas múltiplas das suas almas...
Uma vontade física de comer o Universo
Toma às vezes o lugar do meu pensamento...
Uma fúria desmedida
A conquistar a pose como que observadora
Dos céus e das estrelas
Persegue-me como um remorso de não ter cometido um crime.
Como quem olha um mar
Olho os que partem em viagem...
Olho os comboios como quem os estranha
Grandes coisas férreas e absurdas que levam almas.
Que levam consciências da vida e de si-próprias
Para lugares verdadeiramente reais,
Para os lugares que — custa a crer — realmente existem
Não sei como, mas é no espaço e no tempo
E têm gente que tem vidas reais
Seguidas hora a hora como as nossas vidas...
Ah, por uma nova sensação física
Pela qual eu possuísse o universo inteiro
Um uno tacto que fizesse pertencer-me,
A meu ser possuidor fisicamente,
O universo com todos os seus sóis e as suas estrelas
E as vidas múltiplas das suas almas...
986
Fernando Pessoa
BEIJA-MÃO
Então dizem que o Barão
Que ocupa o lugar cruel
De chefe da situação
Beijou ao Ramiro o anel…
Foi para levar a cabo
Tudo a bem.
Que ocupa o lugar cruel
De chefe da situação
Beijou ao Ramiro o anel…
Foi para levar a cabo
Tudo a bem.
1 333
Fernando Pessoa
Como uma criança, antes de a ensinarem a ser grande,
Como uma criança antes de a ensinarem a ser grande,
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.
Fui verdadeiro e leal ao que vi e ouvi.
1 424
Fernando Pessoa
JULIANO EM ANTIOQUIA [b]
Agir, sabendo
Que a acção é vil e o esforço nada.
Ir para a frente por dever, mas vendo
Que não há estrada.
Tomar a pôr altares, templos mortos
Aos deuses reerguer, sem ignorar
Que as almas são de Cristo já, e há outros
Homens (...)
O esforço inútil feito por dever
E o amor à verdade inaceitável,
A teimosia estóica em dever ser.
Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.
Constantemente o mundo se renova
Um dia é o dia do mal (…)
Que a acção é vil e o esforço nada.
Ir para a frente por dever, mas vendo
Que não há estrada.
Tomar a pôr altares, templos mortos
Aos deuses reerguer, sem ignorar
Que as almas são de Cristo já, e há outros
Homens (...)
O esforço inútil feito por dever
E o amor à verdade inaceitável,
A teimosia estóica em dever ser.
Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.
Constantemente o mundo se renova
Um dia é o dia do mal (…)
1 009
Fernando Pessoa
JULIANO EM ANTIOQUIA [b]
Agir, sabendo
Que a acção é vil e o esforço nada.
Ir para a frente por dever, mas vendo
Que não há estrada.
Tomar a pôr altares, templos mortos
Aos deuses reerguer, sem ignorar
Que as almas são de Cristo já, e há outros
Homens (...)
O esforço inútil feito por dever
E o amor à verdade inaceitável,
A teimosia estóica em dever ser.
Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.
Constantemente o mundo se renova
Um dia é o dia do mal (…)
Que a acção é vil e o esforço nada.
Ir para a frente por dever, mas vendo
Que não há estrada.
Tomar a pôr altares, templos mortos
Aos deuses reerguer, sem ignorar
Que as almas são de Cristo já, e há outros
Homens (...)
O esforço inútil feito por dever
E o amor à verdade inaceitável,
A teimosia estóica em dever ser.
Venceste, Galileu. Mas nada prova
Da verdade de ti teres vencido.
Constantemente o mundo se renova
Um dia é o dia do mal (…)
1 009
Fernando Pessoa
EPITAPHS
A.S. (Alex[ander] Search)
Here lies a poet who was mad and young
The two things may go together
As to the songs he sung
They were found in winter weather.
EPITAPHS FOR THE FUTURE
Monarchy
Here lies a part of hell that on earth was
(It took it long to pass,
Riddled by way of Justice
[…]
Here lies the other part.
Religion
Here lies the beautiful assassin cold
who smiled upon his victim and singing
Murdering sweet songs to his imagining
Till by his each a (...) he sells
It died because it was old.
Here lies a poet who was mad and young
The two things may go together
As to the songs he sung
They were found in winter weather.
EPITAPHS FOR THE FUTURE
Monarchy
Here lies a part of hell that on earth was
(It took it long to pass,
Riddled by way of Justice
[…]
Here lies the other part.
Religion
Here lies the beautiful assassin cold
who smiled upon his victim and singing
Murdering sweet songs to his imagining
Till by his each a (...) he sells
It died because it was old.
1 167
Fernando Pessoa
III - Adagas cujas jóias velhas galas...
III
Adagas cujas jóias velhas galas...
Opalesci amar-me entre mãos raras,
E, fluido a febres entre um lembrar de aras,
O convés sem ninguém cheio de malas...
O íntimo silêncio das opalas
Conduz orientes até jóias caras,
E o meu anseio vai nas rotas claras
De um grande sonho cheio de ócio e salas...
Passa o cortejo imperial, e ao longe
O povo só pelo cessar das lanças
Sabe que passa o seu tirano, e estruge
Sua ovação, e erguem as crianças...
Mas no teclado as tuas mãos pararam
E indefinidamente repousaram...
Adagas cujas jóias velhas galas...
Opalesci amar-me entre mãos raras,
E, fluido a febres entre um lembrar de aras,
O convés sem ninguém cheio de malas...
O íntimo silêncio das opalas
Conduz orientes até jóias caras,
E o meu anseio vai nas rotas claras
De um grande sonho cheio de ócio e salas...
Passa o cortejo imperial, e ao longe
O povo só pelo cessar das lanças
Sabe que passa o seu tirano, e estruge
Sua ovação, e erguem as crianças...
Mas no teclado as tuas mãos pararam
E indefinidamente repousaram...
1 071
Fernando Pessoa
ANTÍNOO - T
Era em Adriano fria a chuva fora.
Jaz morto o jovem
No raso leito, e sobre o seu desnudo todo,
Aos olhos rasos de Adriano, cuja dor é medo,
A umbrosa luz do eclipse-morte era difusa.
Jaz morto o jovem, e o dia semelhava noite
Lá fora. A chuva cai como um exausto alarme
Da Natureza em acto de matá-lo.
Memória de que el' foi não dava já deleite,
Deleite no que el' foi era morto e indistinto.
Ó mãos que já apertaram as de Adriano quentes,
Cuja frieza agora as sente frias!
Ó cabelo antes preso p'lo penteado justo!
Ó olhos algo inquietantemente ousados!
Ó simples macho corpo feminino qual
O aparentar-se um deus à humanidade!
Os lábios cujo abrir vermelho titilava
Os sítios da luxúria com tanta arte viva!
Ó dedos que hábeis eram no de não ser dito!
Ó língua que na língua o sangue audaz tornava!
[...]
Jaz morto o jovem
No raso leito, e sobre o seu desnudo todo,
Aos olhos rasos de Adriano, cuja dor é medo,
A umbrosa luz do eclipse-morte era difusa.
Jaz morto o jovem, e o dia semelhava noite
Lá fora. A chuva cai como um exausto alarme
Da Natureza em acto de matá-lo.
Memória de que el' foi não dava já deleite,
Deleite no que el' foi era morto e indistinto.
Ó mãos que já apertaram as de Adriano quentes,
Cuja frieza agora as sente frias!
Ó cabelo antes preso p'lo penteado justo!
Ó olhos algo inquietantemente ousados!
Ó simples macho corpo feminino qual
O aparentar-se um deus à humanidade!
Os lábios cujo abrir vermelho titilava
Os sítios da luxúria com tanta arte viva!
Ó dedos que hábeis eram no de não ser dito!
Ó língua que na língua o sangue audaz tornava!
[...]
1 528
Fernando Pessoa
O segredo da Busca é que não se acha.
O segredo da Busca é que não se acha.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses,
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e deuses vai a luz incerta
Da suprema verdade.
Eternos mundos infinitamente,
Uns dentro de outros, sem cessar decorrem
Inúteis; Sóis, Deuses, Deus dos Deuses,
Neles intercalados e perdidos
Nem a nós encontramos no infinito.
Tudo é sempre diverso, e sempre adiante
De [Deus] e deuses vai a luz incerta
Da suprema verdade.
1 492
Fernando Pessoa
Sempre que penso uma coisa, traio-a.
Sempre que penso uma coisa, traio-a.
Só tendo-a diante de mim devo pensar nela.
Não pensando, mas vendo,
Não com o pensamento, mas com os olhos.
Uma coisa que é visível existe para se ver,
E o que existe para os olhos não tem que existir para o pensamento;
Só existe verdadeiramente para o pensamento e não para os olhos.
Olho, e as coisas existem.
Penso e existo só eu.
Só tendo-a diante de mim devo pensar nela.
Não pensando, mas vendo,
Não com o pensamento, mas com os olhos.
Uma coisa que é visível existe para se ver,
E o que existe para os olhos não tem que existir para o pensamento;
Só existe verdadeiramente para o pensamento e não para os olhos.
Olho, e as coisas existem.
Penso e existo só eu.
1 006
Fernando Pessoa
Todas as teorias, todos os poemas
Todas as teorias, todos os poemas
Duram mais que esta flor.
Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e húmido,
E maior que esta flor...
O tamanho, a duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...
O que importa é a flor a durar e ter tamanho...
(Se verdadeira dimensão é a realidade)
Ser real é a única coisa verdadeira do mundo.
Duram mais que esta flor.
Mas isso é como o nevoeiro, que é desagradável e húmido,
E maior que esta flor...
O tamanho, a duração não têm importância nenhuma...
São apenas tamanho e duração...
O que importa é a flor a durar e ter tamanho...
(Se verdadeira dimensão é a realidade)
Ser real é a única coisa verdadeira do mundo.
1 393