Poemas neste tema
Sociedade e Mundo
Miguel Ángel Asturias
Credo
Creio na Liberdade, Mãe de América
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
1 543
Miguel Ángel Asturias
Credo
Creio na Liberdade, Mãe de América
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
1 543
Miguel Ángel Asturias
Credo
Creio na Liberdade, Mãe de América
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
criadora de mares doces na terra,
e em Bolívar, seu filho, Senhor Nosso
que nasceu em Venezuela, padeceu
sob o poder espanhol, foi combatido,
sentiu-se morto sobre o Chimborazo,
ressuscitou na voz de Colômbia,
tocou ao Eterno com suas mãos
e está parado junto a Deus!
Não nos julgues, Bolívar, antes do dia último,
porque cremos na comunhão dos homens
que comungam com o povo, só o povo
faz livres aos homens, proclamamos
guerra a morte e sem perdão aos tiranos
cremos na ressurreição dos heróis
e na vida perdurável dos que como Tu,
Libertador, não morrem, fecham os olhos e se
ficam velando.
1 543
Marilina Ross
A praça branca
Recordo quando na praça
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
1 000
Marilina Ross
A praça branca
Recordo quando na praça
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando...só brincando.
1 000
Antonio Machado
Tenho andado muitos caminhos
Tenho andado muitos caminhos
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
2 288
Antonio Machado
Tenho andado muitos caminhos
Tenho andado muitos caminhos
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
tenho aberto muitas veredas;
tenho navegado em cem mares
e atracado em cem ribeiras
Em todas partes tenho visto
caravanas de tristeza
orgulhosos e melancólicos
borrachos de sombra negra.
E pedantes ao pano
que olham, calam e pensam
que sabem, porque não bebem
o vinho das tabernas
Má gente que caminha
e vai empestando a terra...
E em todas partes tenho visto
pessoas que dançam ou jogam,
quando podem, e lavoram
seus quatro palmos de terra.
Nunca, se chegam a um lugar
perguntam a onde chegam.
Quando caminham, cavalgam
lombos de mula velha.
E não conhecem a pressa
nem mesmo nos dias de festa.
Onde há vinho, bebem vinho,
onde não há vinho, água fresca.
2 288
Alfonsina Storni
Diante do mar
Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.
Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".
Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.
Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.
Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.
Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.
Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.
Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.
E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!
Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.
Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
"Piedade, piedade para o que mais ofenda".
Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me ter a tua cólera sem nome:
já me cansa esta missão de rosa.
Vês o vulgar? Esse vulgar faz-me pena,
falta-me o ar e onde falta fico.
Quem me dera não compreender, mas não posso:
é a vulgaridade que me envenena.
Empobreci porque entender aflige,
empobreci porque entender sufoca,
abençoada seja a força da rocha!
Eu tenho o coração como a espuma.
Mar, eu sonhava ser como tu és,
além nas tardes em que a minha vida
sob as horas cálidas se abria...
Ah, eu sonhava ser como tu és.
Olha para mim, aqui, pequena, miserável,
com toda a dor que me vence, com o sonho todos;
mar, dá-me, dá-me o inefável empenho
de tornar-me soberba, inacessível.
Dá-me o teu sal, o teu iodo, a tua ferocidade,
Ar do mar!... Oh, tempestade! Oh, enfado!
Pobre de mim, sou um recife
E morro, mar, sucumbo na minha pobreza.
E a minha alma é como o mar, é isso,
ah, a cidade apodrece-a engana-a;
pequena vida que dor provoca,
quem me dera libertar-me do seu peso!
Que voe o meu empenho, que voe a minha esperança...
A minha vida deve ter sido horrível,
deve ter sido uma artéria incontível
e é apenas cicatriz que sempre dói.
1 421
Márcia Cristina Silva
Viagem vital
Às vezes
é preciso
destravar as portas
abrir todas as janelas
soltar o cinto da insegurança
e decolar...
Para assistir à Terra
de luneta
Comer pipoca
sentada na lua
Escorregar pelas pontas das estrelas
Dançar no ventre das nuvens
Sonhar em outros planetas
Às vezes
é preciso
ficar só
com um papel e uma caneta!
é preciso
destravar as portas
abrir todas as janelas
soltar o cinto da insegurança
e decolar...
Para assistir à Terra
de luneta
Comer pipoca
sentada na lua
Escorregar pelas pontas das estrelas
Dançar no ventre das nuvens
Sonhar em outros planetas
Às vezes
é preciso
ficar só
com um papel e uma caneta!
1 096
Marilina Ross
Ponte invisível
Estás...
estás em mim
embora não estejas aqui.
No canto
mais quente
onde guardo o amor.
Entras
e te instalas
com naturalidade
em cada cavidade
e sê também
Que estou
batendo igual
dentro de ti
no lugar
do grande prazer
e a grande dor.
Pela
ponte invisível
para os demais
navega
vela ao vento
nossa liberdade
de amarmos
contra todos
e apesar
de tempos
de distâncias
porque do mesmo modo
estás
Estás
estás em mim
embora não estejas
hoje aqui.
estás em mim
embora não estejas aqui.
No canto
mais quente
onde guardo o amor.
Entras
e te instalas
com naturalidade
em cada cavidade
e sê também
Que estou
batendo igual
dentro de ti
no lugar
do grande prazer
e a grande dor.
Pela
ponte invisível
para os demais
navega
vela ao vento
nossa liberdade
de amarmos
contra todos
e apesar
de tempos
de distâncias
porque do mesmo modo
estás
Estás
estás em mim
embora não estejas
hoje aqui.
844
Gabriela Mistral
Pezinhos
Pezinhos de criança
azulados de frio
Como os vêem e não os cobrem,
Deus meu!
Pezinhos feridos
pelas pedras todas,
ultrajados de neves
e lodos!
O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais;
Que ali, onde colocais
a plantinha sangrante,
o narco nasce mais
perfumado.
Sede, posto que marchais
pelos caminhos retos,
heroicos como sois
perfeitos.
Pezinhos de criança,
duas joinhas sofridas,
como passam sem ver
as pessoas!
azulados de frio
Como os vêem e não os cobrem,
Deus meu!
Pezinhos feridos
pelas pedras todas,
ultrajados de neves
e lodos!
O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais;
Que ali, onde colocais
a plantinha sangrante,
o narco nasce mais
perfumado.
Sede, posto que marchais
pelos caminhos retos,
heroicos como sois
perfeitos.
Pezinhos de criança,
duas joinhas sofridas,
como passam sem ver
as pessoas!
2 295
Gabriela Mistral
Pezinhos
Pezinhos de criança
azulados de frio
Como os vêem e não os cobrem,
Deus meu!
Pezinhos feridos
pelas pedras todas,
ultrajados de neves
e lodos!
O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais;
Que ali, onde colocais
a plantinha sangrante,
o narco nasce mais
perfumado.
Sede, posto que marchais
pelos caminhos retos,
heroicos como sois
perfeitos.
Pezinhos de criança,
duas joinhas sofridas,
como passam sem ver
as pessoas!
azulados de frio
Como os vêem e não os cobrem,
Deus meu!
Pezinhos feridos
pelas pedras todas,
ultrajados de neves
e lodos!
O homem cego ignora
que por onde passais,
uma flor de luz viva
deixais;
Que ali, onde colocais
a plantinha sangrante,
o narco nasce mais
perfumado.
Sede, posto que marchais
pelos caminhos retos,
heroicos como sois
perfeitos.
Pezinhos de criança,
duas joinhas sofridas,
como passam sem ver
as pessoas!
2 295
Salomé Ureña de Henríquez
Meu Pedro
Meu Pedro não é soldado; não ambiciona
de César nem de Alexandre os louros;
se a suas têmporas aguardam uma coroa,
a achará do estudo nos vergéis.
Sim, o vereis jogar! Tem seus jogos
algo de sério que apesar inclina.
Nunca a guerra lhe inspirou seus jogos:
a força do progresso o domina.
Filho do século, para o bem criado,
a febre da vida o sacode;
busca a luz, como o inseto alado,
e em seus fulgores a invadir-se açude.
Amante da Pátria, generoso e bom,
todo o velho lhe merece o respeito;
entre o ruído do mundo irá sereno,
que leva de virtude gérmen oculto.
Quando sacode sua infantil cabeça
o pensamento que lhe inspira brio,
estala em bênçãos minha ternura
e digo ao porvir: Te o confio!
de César nem de Alexandre os louros;
se a suas têmporas aguardam uma coroa,
a achará do estudo nos vergéis.
Sim, o vereis jogar! Tem seus jogos
algo de sério que apesar inclina.
Nunca a guerra lhe inspirou seus jogos:
a força do progresso o domina.
Filho do século, para o bem criado,
a febre da vida o sacode;
busca a luz, como o inseto alado,
e em seus fulgores a invadir-se açude.
Amante da Pátria, generoso e bom,
todo o velho lhe merece o respeito;
entre o ruído do mundo irá sereno,
que leva de virtude gérmen oculto.
Quando sacode sua infantil cabeça
o pensamento que lhe inspira brio,
estala em bênçãos minha ternura
e digo ao porvir: Te o confio!
892
Alfonsina Storni
Sabeis algo
Subi, subi, subi. Já estava bem em cima
quando senti um murmuro, era desafio, diatribe?
Escutei: gargalhadas, ironias, insultos.
o que vos pareço uma símia? Oh meus bons estultos:
sabeis de coisas belas?
Eu, fazem séculos que vivo trança que trança estrelas.
quando senti um murmuro, era desafio, diatribe?
Escutei: gargalhadas, ironias, insultos.
o que vos pareço uma símia? Oh meus bons estultos:
sabeis de coisas belas?
Eu, fazem séculos que vivo trança que trança estrelas.
1 156
Henriqueta Lisboa
Um poeta esteve na guerra
Um poeta esteve na guerra
dia a dia longos anos.
Participou do caos,
da astúcia, da fome.
Um poeta esteve na guerra.
Por entre a neve e a metralha
conheceu mundos e homens.
Homens que matavam e homens
que somente morriam.
Um poeta esteve na guerra
como qualquer, matando.
Para falar da guerra
tem apenas o pranto.
dia a dia longos anos.
Participou do caos,
da astúcia, da fome.
Um poeta esteve na guerra.
Por entre a neve e a metralha
conheceu mundos e homens.
Homens que matavam e homens
que somente morriam.
Um poeta esteve na guerra
como qualquer, matando.
Para falar da guerra
tem apenas o pranto.
1 766
Alfonsina Storni
Homem pequenino
Homem pequenino, homem pequenino,
Solta o teu canário que quer voar...
Eu sou o canário que quer voar...
Eu sou o canário, homem pequenino,
Deixa-me escapar.
Estive na tua gaiola, homem pequenino,
Homem pequenino que gaiola me dás.
Digo pequenino porque não me entendes,
Nem me entenderás.
Tampouco te entendo, mas enquanto isso
Abre-me a gaiola que quero escapar;
Homem pequenino, amei-te meia hora.
Não me peças mais.
Solta o teu canário que quer voar...
Eu sou o canário que quer voar...
Eu sou o canário, homem pequenino,
Deixa-me escapar.
Estive na tua gaiola, homem pequenino,
Homem pequenino que gaiola me dás.
Digo pequenino porque não me entendes,
Nem me entenderás.
Tampouco te entendo, mas enquanto isso
Abre-me a gaiola que quero escapar;
Homem pequenino, amei-te meia hora.
Não me peças mais.
1 693
Cristiane Neder
Menores
Os menores fumam maconha
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
930
Cristiane Neder
Menores
Os menores fumam maconha
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
930
Cristiane Neder
Menores
Os menores fumam maconha
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
na Praça da Sé,
Já perderam a vergonha
e também a fé.
Tomam leite das prostitutas,
suas mães da noite e do dia,
encantados com o berço da rua
acreditam em uma saída.
Sonham debaixo do frio
com mulheres penduradas em bancas,
e sentem um espaço vazio
de todas serem escravas brancas.
Penduram-se no vidro do meu carro
todas as manhãs,
pedindo um trocado,
me oferecendo balas de hortelã.
Os menores
não foram crianças,
sempre foram maiores
desde a infância.
930
Alda Pereira Pinto
Scherzos
Ora, meu chapa, te esguia...
tu vives sempre implicando
com meu modo de viver.
Sou prosa, sei que sou prosa,
pois nada devo a ninguém
e por isso tu me acusas
de convencida e orgulhosa.
Se acaso escondo o meu jogo
de alguma amiga ou parenta
que quer dinheiro emprestado
tu vens logo xeretando
e chamar-me de avarenta
Se desejo ter o trato
que tem a nossa vizinha
mais feia que um chimpanzé
mas, granfa e sempre cheirosa,
e fico olhando a perua
do buraco da janela,
o meu humor envenenas
como se eu fosse invejosa.
Se a cozinheira me chama na hora agá da novela,
no momento em que o bacana
está cantando a boazuda
e eu raspo uma espinafrada
na chatona de galocha,
tu bancas o imaculado
de mãos postas: queridinha,
a ira é grande pecado!
De manhã, se acho bacana
ficar na cama um pouquinho
enquanto tomas café,
vens com a cara pendurada,
igual a um velho gagá,
entre os dentes resmungando:
preguiçosa, preguiçosa...
Quando vou ao restaurante,
só porque olho o cardápio
e prefiro um vatapá
com castanha e amendoim,
uma pizza, uma fritada,
um macarrão com almôndegas,
um arroz, uma salada
com creme de leite e vinho,
um pudim de chocolate
e por cima um cafezinho,
me olhas com olhar tão terno,
mas lá bem dentro de ti
tua voz grita: gulosa
vai comer assim no inferno.
Tu me chamas fogueteira,
sapeca, luxurienta,
sem motivo, à-toa, à-toa,
porque já de longa data
tu pifaste, meu querido,
e eu prossigo, e muito boa.
És anjinho e eu carrego
os pecados de satã,
mas não te darei pelota.
Para mim só é pecado
ser bucho, ser idiota,
é querer comprar um teco
e não ver na bolsa a nota,
é guardar grande desejo
de chapoletar alguém
e em vez disso dar-lhe um beijo,
é ter um bom apetite
e só comer vegetais,
é vontade de mandar
todo dia uma brasinha
e ficar de olhinhos baixos
com ares de pomba-rola
num altar de uma santinha.
E, que o bom Deus me perdoe
se estou dizendo heresia,
pecado é ficar zanzando
pela vida dando murros,
é dormir noites inteiras
sem os prelúdios do amor,
é trabalhar no pesado
suando tal qual os burros.
Se tua achas que ao meu lado
estás, por teres pecado
numa outra encarnação,
cumprindo uma triste sina,
te manca, meu bobalhão,
dá meu desquite e vai ver
tua avó lá noutra esquina.
tu vives sempre implicando
com meu modo de viver.
Sou prosa, sei que sou prosa,
pois nada devo a ninguém
e por isso tu me acusas
de convencida e orgulhosa.
Se acaso escondo o meu jogo
de alguma amiga ou parenta
que quer dinheiro emprestado
tu vens logo xeretando
e chamar-me de avarenta
Se desejo ter o trato
que tem a nossa vizinha
mais feia que um chimpanzé
mas, granfa e sempre cheirosa,
e fico olhando a perua
do buraco da janela,
o meu humor envenenas
como se eu fosse invejosa.
Se a cozinheira me chama na hora agá da novela,
no momento em que o bacana
está cantando a boazuda
e eu raspo uma espinafrada
na chatona de galocha,
tu bancas o imaculado
de mãos postas: queridinha,
a ira é grande pecado!
De manhã, se acho bacana
ficar na cama um pouquinho
enquanto tomas café,
vens com a cara pendurada,
igual a um velho gagá,
entre os dentes resmungando:
preguiçosa, preguiçosa...
Quando vou ao restaurante,
só porque olho o cardápio
e prefiro um vatapá
com castanha e amendoim,
uma pizza, uma fritada,
um macarrão com almôndegas,
um arroz, uma salada
com creme de leite e vinho,
um pudim de chocolate
e por cima um cafezinho,
me olhas com olhar tão terno,
mas lá bem dentro de ti
tua voz grita: gulosa
vai comer assim no inferno.
Tu me chamas fogueteira,
sapeca, luxurienta,
sem motivo, à-toa, à-toa,
porque já de longa data
tu pifaste, meu querido,
e eu prossigo, e muito boa.
És anjinho e eu carrego
os pecados de satã,
mas não te darei pelota.
Para mim só é pecado
ser bucho, ser idiota,
é querer comprar um teco
e não ver na bolsa a nota,
é guardar grande desejo
de chapoletar alguém
e em vez disso dar-lhe um beijo,
é ter um bom apetite
e só comer vegetais,
é vontade de mandar
todo dia uma brasinha
e ficar de olhinhos baixos
com ares de pomba-rola
num altar de uma santinha.
E, que o bom Deus me perdoe
se estou dizendo heresia,
pecado é ficar zanzando
pela vida dando murros,
é dormir noites inteiras
sem os prelúdios do amor,
é trabalhar no pesado
suando tal qual os burros.
Se tua achas que ao meu lado
estás, por teres pecado
numa outra encarnação,
cumprindo uma triste sina,
te manca, meu bobalhão,
dá meu desquite e vai ver
tua avó lá noutra esquina.
1 118
Alda Pereira Pinto
Scherzos
Ora, meu chapa, te esguia...
tu vives sempre implicando
com meu modo de viver.
Sou prosa, sei que sou prosa,
pois nada devo a ninguém
e por isso tu me acusas
de convencida e orgulhosa.
Se acaso escondo o meu jogo
de alguma amiga ou parenta
que quer dinheiro emprestado
tu vens logo xeretando
e chamar-me de avarenta
Se desejo ter o trato
que tem a nossa vizinha
mais feia que um chimpanzé
mas, granfa e sempre cheirosa,
e fico olhando a perua
do buraco da janela,
o meu humor envenenas
como se eu fosse invejosa.
Se a cozinheira me chama na hora agá da novela,
no momento em que o bacana
está cantando a boazuda
e eu raspo uma espinafrada
na chatona de galocha,
tu bancas o imaculado
de mãos postas: queridinha,
a ira é grande pecado!
De manhã, se acho bacana
ficar na cama um pouquinho
enquanto tomas café,
vens com a cara pendurada,
igual a um velho gagá,
entre os dentes resmungando:
preguiçosa, preguiçosa...
Quando vou ao restaurante,
só porque olho o cardápio
e prefiro um vatapá
com castanha e amendoim,
uma pizza, uma fritada,
um macarrão com almôndegas,
um arroz, uma salada
com creme de leite e vinho,
um pudim de chocolate
e por cima um cafezinho,
me olhas com olhar tão terno,
mas lá bem dentro de ti
tua voz grita: gulosa
vai comer assim no inferno.
Tu me chamas fogueteira,
sapeca, luxurienta,
sem motivo, à-toa, à-toa,
porque já de longa data
tu pifaste, meu querido,
e eu prossigo, e muito boa.
És anjinho e eu carrego
os pecados de satã,
mas não te darei pelota.
Para mim só é pecado
ser bucho, ser idiota,
é querer comprar um teco
e não ver na bolsa a nota,
é guardar grande desejo
de chapoletar alguém
e em vez disso dar-lhe um beijo,
é ter um bom apetite
e só comer vegetais,
é vontade de mandar
todo dia uma brasinha
e ficar de olhinhos baixos
com ares de pomba-rola
num altar de uma santinha.
E, que o bom Deus me perdoe
se estou dizendo heresia,
pecado é ficar zanzando
pela vida dando murros,
é dormir noites inteiras
sem os prelúdios do amor,
é trabalhar no pesado
suando tal qual os burros.
Se tua achas que ao meu lado
estás, por teres pecado
numa outra encarnação,
cumprindo uma triste sina,
te manca, meu bobalhão,
dá meu desquite e vai ver
tua avó lá noutra esquina.
tu vives sempre implicando
com meu modo de viver.
Sou prosa, sei que sou prosa,
pois nada devo a ninguém
e por isso tu me acusas
de convencida e orgulhosa.
Se acaso escondo o meu jogo
de alguma amiga ou parenta
que quer dinheiro emprestado
tu vens logo xeretando
e chamar-me de avarenta
Se desejo ter o trato
que tem a nossa vizinha
mais feia que um chimpanzé
mas, granfa e sempre cheirosa,
e fico olhando a perua
do buraco da janela,
o meu humor envenenas
como se eu fosse invejosa.
Se a cozinheira me chama na hora agá da novela,
no momento em que o bacana
está cantando a boazuda
e eu raspo uma espinafrada
na chatona de galocha,
tu bancas o imaculado
de mãos postas: queridinha,
a ira é grande pecado!
De manhã, se acho bacana
ficar na cama um pouquinho
enquanto tomas café,
vens com a cara pendurada,
igual a um velho gagá,
entre os dentes resmungando:
preguiçosa, preguiçosa...
Quando vou ao restaurante,
só porque olho o cardápio
e prefiro um vatapá
com castanha e amendoim,
uma pizza, uma fritada,
um macarrão com almôndegas,
um arroz, uma salada
com creme de leite e vinho,
um pudim de chocolate
e por cima um cafezinho,
me olhas com olhar tão terno,
mas lá bem dentro de ti
tua voz grita: gulosa
vai comer assim no inferno.
Tu me chamas fogueteira,
sapeca, luxurienta,
sem motivo, à-toa, à-toa,
porque já de longa data
tu pifaste, meu querido,
e eu prossigo, e muito boa.
És anjinho e eu carrego
os pecados de satã,
mas não te darei pelota.
Para mim só é pecado
ser bucho, ser idiota,
é querer comprar um teco
e não ver na bolsa a nota,
é guardar grande desejo
de chapoletar alguém
e em vez disso dar-lhe um beijo,
é ter um bom apetite
e só comer vegetais,
é vontade de mandar
todo dia uma brasinha
e ficar de olhinhos baixos
com ares de pomba-rola
num altar de uma santinha.
E, que o bom Deus me perdoe
se estou dizendo heresia,
pecado é ficar zanzando
pela vida dando murros,
é dormir noites inteiras
sem os prelúdios do amor,
é trabalhar no pesado
suando tal qual os burros.
Se tua achas que ao meu lado
estás, por teres pecado
numa outra encarnação,
cumprindo uma triste sina,
te manca, meu bobalhão,
dá meu desquite e vai ver
tua avó lá noutra esquina.
1 118
Maria Suely de Oliveira
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É a civilização
É chiclete
Espaguete
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Perdida no espaço
Máquina moderna
Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
De São Paulo
Vista do chão
Vista do chão
É a civilização
É chiclete
Espaguete
Gilete
Papelão
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Perdida no espaço
Máquina moderna
Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
De São Paulo
Vista do chão
892
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São Paulo
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É a civilização
É chiclete
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Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
De São Paulo
Vista do chão
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É a civilização
É chiclete
Espaguete
Gilete
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Máquina moderna
Fábrica de miséria
Memória de bagaço
De sangue, suor,
Poeira, aço
E pedaço de pão
É a civilização
Megalópole de vida mutante
Espremida no esperma
Do lixo de luxo
Do espigão
É a civilização
Mercadora de entulho
Mendiga de sonho
Caco de ilusão
É a civilização
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