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Poemas neste tema

Natureza e Elementos

Herberto Helder

Herberto Helder

Poesia Mexicana do Ciclo Nauatle - Elogios

Deitada, repousa a flor. Deitado, além, repousa o canto.
Lapido esmeraldas, derreto o ouro: e eis o meu canto.
Engasto esmeraldas: eis o meu canto.
O homem inclina-se para polir o canto como uma turquesa.
E o deus faz brilhar o escudo de plumas de quetzal.
Imitas o pássaro verde-azul, o pássaro de fogo.
Embriaga-se teu coração: absorve a flor da pintura, o canto pintado.
E abres agora as asas de quetzal.
Ondulas com tuas plumas de arco-íris, ó pássaro de colo vermelho e
plumagem cor de malva.
Bebe o mel. A grande flor perfumada apareceu na terra.

No pórtico de flores, no corredor de flores,
canta o cantor e eleva seu canto puro:

«Chegaram os pássaros diferentes:
o pássaro azul, o pássaro amarelo, o pássaro de ouro e cor-de-rosa
o maravilhoso pássaro da luz.»

Na casa do deus levanta-se agora o canto admirável.
Bracelete, fino unguento, esmeralda brilhante,
ouro, flauta acordada. Eis o que o teu canto é para mim.

Belas são as tuas virgens flores.
Colares de luzentes e redondas pedras de jade,
enorme plumagem de quetzal,
arco de finíssimas plumas,
ouro, flauta acordada. Eis o que o teu canto é para mim.
Belas são as tuas virgens flores.

És uma flor vermelha de milho queimado.
Abres na terra do México tuas pétalas ardentes.
As borboletas do mundo libam em ti o mel vivo,
e em ti libam o mel os pássaros semelhantes ás águias roubadoras.
Tua casa verde refulge como um grande sol —
a casa de aquáticas flores de jade.
Flores espalham-se, soam os guizos.
Príncipe, são os teus guizos.

És uma flor encarnada de plumas:
abres na terra do México tuas pétalas ardentes.
E teu perfume caminha pelo mundo, espalha-se entre a multidão.
Uma pedra de jade rolou na poeira, nasceu uma flor: o teu canto.
Esplende o sol
somente quando na terra do México levantas tuas flores virgens.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Poesia Mexicana do Ciclo Nauatle - Elogios

Deitada, repousa a flor. Deitado, além, repousa o canto.
Lapido esmeraldas, derreto o ouro: e eis o meu canto.
Engasto esmeraldas: eis o meu canto.
O homem inclina-se para polir o canto como uma turquesa.
E o deus faz brilhar o escudo de plumas de quetzal.
Imitas o pássaro verde-azul, o pássaro de fogo.
Embriaga-se teu coração: absorve a flor da pintura, o canto pintado.
E abres agora as asas de quetzal.
Ondulas com tuas plumas de arco-íris, ó pássaro de colo vermelho e
plumagem cor de malva.
Bebe o mel. A grande flor perfumada apareceu na terra.

No pórtico de flores, no corredor de flores,
canta o cantor e eleva seu canto puro:

«Chegaram os pássaros diferentes:
o pássaro azul, o pássaro amarelo, o pássaro de ouro e cor-de-rosa
o maravilhoso pássaro da luz.»

Na casa do deus levanta-se agora o canto admirável.
Bracelete, fino unguento, esmeralda brilhante,
ouro, flauta acordada. Eis o que o teu canto é para mim.

Belas são as tuas virgens flores.
Colares de luzentes e redondas pedras de jade,
enorme plumagem de quetzal,
arco de finíssimas plumas,
ouro, flauta acordada. Eis o que o teu canto é para mim.
Belas são as tuas virgens flores.

És uma flor vermelha de milho queimado.
Abres na terra do México tuas pétalas ardentes.
As borboletas do mundo libam em ti o mel vivo,
e em ti libam o mel os pássaros semelhantes ás águias roubadoras.
Tua casa verde refulge como um grande sol —
a casa de aquáticas flores de jade.
Flores espalham-se, soam os guizos.
Príncipe, são os teus guizos.

És uma flor encarnada de plumas:
abres na terra do México tuas pétalas ardentes.
E teu perfume caminha pelo mundo, espalha-se entre a multidão.
Uma pedra de jade rolou na poeira, nasceu uma flor: o teu canto.
Esplende o sol
somente quando na terra do México levantas tuas flores virgens.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Cântico Dos Cânticos - Terceiro Poema

Quem é que sobe do deserto como uma coluna de fumo,
vapor de mirra e de incenso,
vapor de todos os perfumes exóticos?

Eis a liteira de Salomão, rodeada
por sessenta guerreiros de estirpe,
nata dos guerreiros de Israel.
Todos valentes na guerra, trazem à cinta
as espadas,
por causa das ciladas nocturnas.

o rei Salomão mandou construir um trono para si
em madeira do Líbano.
Fez-lhe de prata as colunas, de ouro o dossel,
e o assento de púrpura.
O fundo é uma marchetaria de ébano.

— Vinde ver, ó raparigas de Sião, o meu amado
trazendo o diadema que lhe pôs sua mãe
no dia dos esponsais,
no dia da alegria do seu coração.

Como és bela bela, minha amada, como
és bela.
Teus olhos são duas pombas, atrás do véu.
Tua cabeleira é um rebanho de cabras,
descendo pelas vertentes de Galaad.
Teus dentes, rebanho de ovelhas tosquiadas
que sobem do bebedouro,
duas a duas, sempre juntas.

Teus lábios, um fio de escarlata;
e mansas, as palavras que dizes.
Os pomos do teu rosto são como romãs cortadas.

No meio das tranças, levanta-se teu pescoço,
semelhante á torre de David,
edificada para pendurar os broquéis
e os escudos redondos dos guerreiros.
Teus seios são como duas corçazinhas gémeas
pastando por entre os lírios.

— Antes que se levante a brisa da manhã
e se rasgue a noite.
irei à montanha da mirra,
à colina do incenso.

Como és bela bela, minha amada, e pura.

Vem comigo do Líbano, meu amor,
comigo do Líbano.
Abaixa teus olhos dos cimos do Amana,
dos cimos do Samir e do Hermon,
covil de leões,
montanhas de leopardos.

Arrebataste meu coração, minha irmã, minha amada,
arrebataste meu coração,
com um só dos teus olhares,
com uma única pérola do teu colar.
Magnífico é o teu amor, minha irmã, minha amada.
E o cheiro dos teus perfumes, melhor
que todos os bálsamos.
Teus lábios, ó minha amada, destilam mel virgem.
Leite e mel na tua língua.
O cheiro dos teus vestidos é como o cheiro do Líbano.

Horto fechado és tu, minha irmã, minha amada,
horto fechado, fonte secreta.
Floresces como um pomar de romãzeiras,
no meio dos aromas raros:
o nardo, e o açafrão, e o cinamomo, e a cana,
e as árvores do incenso, e a mirra, e o aloés —
com os perfumes mais finos.
Ó fonte que fecundas os jardins,
poço de águas vivas, ribeira descendo do Líbano.

Levanta-te, vento norte; corre, vento sul.
Batei no meu jardim, e que os aromas se espalhem.
Entre o meu amacio no seu jardim e prove
seus frutos pesados.

Eu entro no meu jardim, minha irmã, minha amada,
eu colho a minha mirra e o meu bálsamo.
Eu entro no meu jardim, eu como o mel e o favo,
eu bebo o vinho e o leite.
— Comei, amigos. Bebei,
embriagai-vos, ó amados.
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Herberto Helder

Herberto Helder

Canção Escocesa

«Porque escorre o sangue pela tua espada,
Eduardo, Eduardo?
Porque escorre o sangue pela tua espada,
e porque estás tão triste, oh?»
«Oh, porque matei o meu melhor falcão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu melhor falcão,
e no mundo não há outro nenhum assim, oh!>>

«O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
Eduardo, Eduardo,
O sangue do teu falcão não era assim tão vermelho,
porque me mentes, oh?»
«Oh, porque matei o meu corcel ruão,
minha mãe, minha mãe,
oh, porque matei o meu corcel ruão,
que era delgado e tão ágil, oh!»

«Esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
Eduardo, Eduardo,
esse corcel era velho e possuis outros corcéis,
porque me mentes, oh?»
«Oh, foi meu pai quem eu matei,
minha mãe, minha mãe,
oh, foi meu pai quem eu matei, que
a maldição me cubra para sempre, oh!»

«Que penitência farás pelo teu crime,
Eduardo, Eduardo?
Que penitência farás pelo teu crime,
dize-me, ó filho, oh?»
«Embarcarei para longe, bem longe,
minha mãe, minha mãe,
embarcarei para longe, bem longe,
irei por sobre as águas do mar, oh!»

«E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
Eduardo, Eduardo?
E os teus castelos e torres, que é que deles farás,
que eram tão altos, tão belos, oh?»
«Que fiquem de pé, e que tombem depois,
minha mãe, minha mãe,
que fiquem de pé, e que tombem depois,
e no mundo não reste nenhum sinal, oh!»
«Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
Eduardo, Eduardo?
Que deixas ã tua mulher, e que deixas aos teus filhos,
se te aventuras ao mar, oh?»
«Deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
minha mãe, minha mãe,
deixo-lhes a terra toda para que nela mendiguem,
que nunca mais os verei, oh!»

«E que deixas tu à tua mãe extremosa,
Eduardo, Eduardo?
E que deixas tu à tua mãe extremosa,
que fica sem ti, oh?»
«A maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
minha mãe, minha mãe,
a maldição do inferno, eis agora o que te deixo,
que o meu crime é o teu, oh!»
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