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Poemas neste tema

Natureza e Elementos

Charles Bukowski

Charles Bukowski

Resposta a Um Bilhete Encontrado Na Caixa de Correio

“o amor é como um sino
me diga, você já
o escutou na voz dela?”
o amor não é como um sino
isso é poético, verdade,
mas escutei algo na voz dela
que no vômito do meu tormento
que na caveira pousada na janela
arreganhando os dentes amarelos quebrados
me alçou a um clima que raras vezes
conheci –
“aqui, uma flor. eu trago flor.”
escuto algo na voz dela
que nada tem a ver com suados e traiçoeiros
e sangrantes exércitos
que nada tem a ver com o chefe da fábrica com olhos
quebrados
não estou implicando com as suas palavras:
você tem o seu sino
eu tenho isso e talvez você tenha isso também:
“eu trago sapatos. sapato. sapato. aqui um
sapato!”
é mais do que aprender o que é um sapato
é mais do que aprender o que sou ou o que ela
é
é outra coisa
que talvez nós que vivemos há muito tempo já quase
esquecemos
que uma criança venha dos pântanos da minha dor
carregando flores, efetivamente carregando flores,
jesus, isso é quase demais
que me seja permitido ver com olhos e tocar e
rir,
essa besta informada em mim
faz careta no íntimo
mas logo constata que o esforço é grande demais para se esconder
atrás
e essa pequena criatura que me conhece tão bem
rasteja por tudo através e em cima de mim
Lázaro Lázaro
e não sinto vergonha
guerreiro espancado por horas e anos de
desperdício
o amor é como um sino
o amor é como uma montanha púrpura
o amor é como um copo de vinagre
o amor são todas as sepulturas
o amor é uma janela de trem
ela sabe o meu nome.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Invasão

eu não sabia que
havia algo
no closet
embora em certas noites
meu sono fosse
interrompido por estranhos
sons retumbantes
mas
sempre achei
que fossem
leves
terremotos.

o closet era
o que ficava
no fim do corredor
e
raramente era
usado.

o curioso
para mim
era que
os gatos
(eu tinha
4)
pareciam estar
deixando
enormes
excrementos
pela casa
(e eles eram
domesticados).

então
os gatos
desapareceram
um por
um
mas os excrementos
frescos
continuaram
aparecendo.

foi certa noite
enquanto eu
lia as
cotações
da bolsa de valores
que eu
ergui a cabeça

e
lá estava
o
leão
no vão da porta
do quarto.

eu estava
na cama
acomodado
em
alguns
travesseiros
e bebendo um
chocolate
quente.

ora
ninguém
acreditaria
num leão
em um
quarto –
pelo menos
não
numa cidade
de algum
tamanho.

portanto
fiquei apenas
olhando para o
leão
sem
acreditar
muito.

então
ele se virou e
desceu a
escada.

eu
o segui –
uns bons
cinco metros
atrás –
segurando firme meu
taco de beisebol
numa
das mãos
e minha
faca de lâmina curta
na
outra.

observei o
leão descendo a
escada
e depois
atravessando a sala
da frente

ele parou
diante das grandes
portas
deslizantes
de vidro recozido
que davam para o
pátio e a
rua.

elas estavam
fechadas.

o leão
emitiu um
rosnado
impaciente

e
saltou através do
vidro
estilhaçando a porta
para entrar na
noite.

eu me sentei
no sofá
no
escuro
ainda incapaz
de acreditar
naquilo
que eu
vira.

então
escutei
um grito
de tão extremo
sofrimento e
terror
que
por um
momento
não consegui
nem
ver
nem respirar nem
compreender.

eu me levantei,
voltei para
me entrincheirar
no
quarto
e o que vi foram
3 pequenos
filhotes de leão
tropeçando
escada
abaixo –
felinos
fofos
e diabólicos.

enquanto a
mãe
retornava
pela
noite e pela
porta de vidro
estilhaçada

meio arrastando
meio carregando
um homem
ensanguentado
ao longo do
tapete
deixando um
rastro
vermelho

os filhotes
se precipitaram
em frente
e a
lua
entrou na casa
para iluminar
o
turbilhonante
banquete.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Invasão

eu não sabia que
havia algo
no closet
embora em certas noites
meu sono fosse
interrompido por estranhos
sons retumbantes
mas
sempre achei
que fossem
leves
terremotos.

o closet era
o que ficava
no fim do corredor
e
raramente era
usado.

o curioso
para mim
era que
os gatos
(eu tinha
4)
pareciam estar
deixando
enormes
excrementos
pela casa
(e eles eram
domesticados).

então
os gatos
desapareceram
um por
um
mas os excrementos
frescos
continuaram
aparecendo.

foi certa noite
enquanto eu
lia as
cotações
da bolsa de valores
que eu
ergui a cabeça

e
lá estava
o
leão
no vão da porta
do quarto.

eu estava
na cama
acomodado
em
alguns
travesseiros
e bebendo um
chocolate
quente.

ora
ninguém
acreditaria
num leão
em um
quarto –
pelo menos
não
numa cidade
de algum
tamanho.

portanto
fiquei apenas
olhando para o
leão
sem
acreditar
muito.

então
ele se virou e
desceu a
escada.

eu
o segui –
uns bons
cinco metros
atrás –
segurando firme meu
taco de beisebol
numa
das mãos
e minha
faca de lâmina curta
na
outra.

observei o
leão descendo a
escada
e depois
atravessando a sala
da frente

ele parou
diante das grandes
portas
deslizantes
de vidro recozido
que davam para o
pátio e a
rua.

elas estavam
fechadas.

o leão
emitiu um
rosnado
impaciente

e
saltou através do
vidro
estilhaçando a porta
para entrar na
noite.

eu me sentei
no sofá
no
escuro
ainda incapaz
de acreditar
naquilo
que eu
vira.

então
escutei
um grito
de tão extremo
sofrimento e
terror
que
por um
momento
não consegui
nem
ver
nem respirar nem
compreender.

eu me levantei,
voltei para
me entrincheirar
no
quarto
e o que vi foram
3 pequenos
filhotes de leão
tropeçando
escada
abaixo –
felinos
fofos
e diabólicos.

enquanto a
mãe
retornava
pela
noite e pela
porta de vidro
estilhaçada

meio arrastando
meio carregando
um homem
ensanguentado
ao longo do
tapete
deixando um
rastro
vermelho

os filhotes
se precipitaram
em frente
e a
lua
entrou na casa
para iluminar
o
turbilhonante
banquete.
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