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Poemas neste tema

Natureza e Elementos

Charles Bukowski

Charles Bukowski

Um Cavalo de 340 Dólares E Uma Puta de Cem

jamais tenha para si que sou um poeta; você pode me ver
semibêbado nas corridas todos os dias
apostando em todos os tipos de cavalos,
mas deixe eu dizer uma coisa a você, há algumas mulheres lá
que vão aonde o dinheiro está, e às vezes quando você
olha para essas putas essas putas de cem dólares
você por vezes se pergunta se a natureza não está de brincadeira
esbanjando tanto peito e rabo no modo como
estão reunidos, você olha e olha e
olha e não consegue acreditar; há mulheres ordinárias
e então há alguma coisa a mais que faz você querer
rasgar pinturas e quebrar discos de Beethoven
na parte dos fundos no banheiro; de todo modo, a temporada
ia se arrastando e os grandes figurões não paravam de se ferrar,
todos os amadores, os produtores, os operadores de câmeras,
os traficantes de Maria, os vendedores de pele, os proprietários
em pessoa, e Saint Louie estava correndo neste dia:
um cavalo que conseguiu romper no final;
corria com a cabeça baixa e era mau e feio
e pagava 35 por 1, e eu tinha apostado dez nele.
o jóquei lançou-o para a extremidade
colando-o na cerca onde avançaria sozinho
mesmo que tivesse de percorrer uma distância quatro vezes maior,
e foi assim que ele seguiu
o trajeto todo até a cerca exterior
avançando três quilômetros em um só
e ele venceu como se estivesse possuído pelo demônio
e não estava sequer cansado,
e a maior de todas as loiras
feita de quase nada além de peitos e bunda
foi até o guichê de pagamento comigo.
naquela noite eu não pude acabar com ela
ainda que as molas disparassem faíscas
e golpeassem as paredes.
mais tarde ela se sentou apenas de calcinha
bebendo um Old Grandad
e ela disse
o que um cara como você faz
vivendo num buraco como este?
e eu disse
sou um poeta
e ela jogou sua bela cabeça para trás e gargalhou.
você? você... um poeta?
acho que você está certa, eu disse, acho que você está certa.
mas ainda assim ela parecia legal para mim, continuava parecendo legal,
e tudo graças a um cavalo feioso
que escreveu este poema.
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Charles Bukowski

Charles Bukowski

Crucifixo Em Uma Mão Morta

sim, elas começam a surgir a partir de um salgueiro, penso
as montanhas enrijecidas começam no salgueiro
e seguem erguendo-se sem qualquer consideração por
pumas e nectarinas
de algum modo essas montanhas são como
uma velha senhora com má memória e
um cesto de compras.
estamos numa depressão. esta é a
ideia. mergulhada na areia e entre alamedas,
esta terra progrediu, soqueou, dividiu,
retida como um crucifixo numa mão morta,
esta terra comprou, revendeu, voltou a comprar e
vendeu de novo, tantas e longas guerras,
os espanhóis refazendo o caminho de volta até a Espanha
mais uma vez os ilhós, e agora
corretores, locadores, sublocadores, engenheiros que discutem
à beira de autoestradas. esta é a terra deles e
eu caminho sobre ela, vivo nela um pouco
perto de Hollywood aqui eu vejo jovens em seus quartos
escutando discos gastos
e também penso em velhos fartos de música
fartos de tudo, e a morte como suicídio
às vezes penso que é voluntário, e que para conseguir
se agarrar a esta terra é melhor voltar ao
Grande Mercado Central, ver as velhas mexicanas,
os pobres... tenho certeza de que você já viu essas mulheres
anos e anos a fio
brigando
com os mesmos e jovens atendentes japoneses
argutos, sábios e dourados
entre seus sublimes estoques de laranjas, maçãs
abacates, tomates, pepinos –
e você sabe o aspecto desses, parecem ótimos
se você pudesse comer todos eles
acender um charuto e numa baforada exalar o mundo mau.
de modo que é melhor retornar para os bares, os mesmos bares
amadeirados, fedidos, implacáveis, verdes
pela presença de jovens policiais que os invadem
assustados e em busca de confusão,
e a cerveja continuará um lixo
com aquele gosto final que é mistura de vômito e
decadência, e mergulhado nas sombras você tem que ser forte
para ignorá-lo, ignorar os pobres e a si mesmo
e a sacola de compras entre suas pernas
ali no chão e se sentindo bem com seus abacates e
laranjas e peixe fresco e garrafas de vinho, quem precisa
de um inverno em Fort Lauderdale?
25 anos atrás costumava haver uma puta ali
com um filme sobre um dos olhos, gorda ao extremo
que fazia pequenas sinetas com o papel laminado do
maço de cigarro. o sol parecia esquentar mais então
ainda que isso dificilmente seja
verdade, e você apanha sua sacola de compras
e sai a caminhar pela rua
e a cerveja verde fica ali
pairando na boca de seu estômago como
uma curta e vergonhosa mantilha, e
você dá uma olhada ao redor e já não
vê nenhum
velho.
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