Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Escrevo-Te Com o Fogo E a Água
Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
1 165
António Ramos Rosa
Escrevo-Te Com o Fogo E a Água
Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
1 165
António Ramos Rosa
Escrevo-Te Com o Fogo E a Água
Escrevo-te com o fogo e a água. Escrevo-te
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
no sossego feliz das folhas e das sombras.
Escrevo-te quando o saber é sabor, quando tudo é surpresa.
Vejo o rosto escuro da terra em confins indolentes.
Estou perto e estou longe num planeta imenso e verde.
O que procuro é um coração pequeno, um animal
perfeito e suave. Um fruto repousado,
uma forma que não nasceu, um torso ensanguentado,
uma pergunta que não ouvi no inanimado,
um arabesco talvez de mágica leveza.
Quem ignora o sulco entre a sombra e a espuma?
Apaga-se um planeta, acende-se uma árvore.
As colinas inclinam-se na embriaguez dos barcos.
O vento abriu-me os olhos, vi a folhagem do céu,
o grande sopro imóvel da primavera efémera.
1 165
António Ramos Rosa
Vibrar
Vibrar a superfície de um bloco. Dizer
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
1 045
António Ramos Rosa
Vibrar
Vibrar a superfície de um bloco. Dizer
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
1 045
António Ramos Rosa
Vibrar
Vibrar a superfície de um bloco. Dizer
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
1 045
António Ramos Rosa
Vibrar
Vibrar a superfície de um bloco. Dizer
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
a aspereza da pedra, a calma recompensa
da matéria nativa, os ritmos simples
da terra, do mar, do vento. Os frémitos
do solo, a realidade múltipla do imediato.
Acolhe, aceita o húmus primeiro do mundo.
No acaso da escrita, a necessária equivalência.
Energias latentes do universo em ressonância.
Sinais da dinâmica interna, submissão livre,
união infinita na liberdade do ar.
Diz a palavra muda das trevas donde veio
a pedra, músculo imóvel, sempre fértil,
diz a rudeza e o esforço e a inocência
em que perdura, diz ao rés da terra
o itinerário minucioso das formigas.
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António Ramos Rosa
As Figuras do Espaço
Mais próximo de uma simples coisa diminuta.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
1 038
António Ramos Rosa
Corpo de Argila
Aqui, para que se abram os poros na floresta.
Aqui o verde incendeia-se, os muros tornam-se aéreos.
Tudo é liso e nítido na grande folha do dia.
A terra mostra as fibras castanhas e vermelhas.
Um pássaro pousou algures na proa de uma pedra.
A ignorância, a inocência mais completa, mais nua.
Acaricio as lâmpadas do corpo vegetal,
sulcos que não conheço, portas leves e verdes
de uma casa nua, o aroma do sono,
os simples sortilégios que se lêem nas árvores.
Algo nos cria e nos liberta dos absurdos cercos.
Despertámos para tocar a boca esquecida pela noite.
Somos a folhagem e o espaço, somos uma garganta fresca.
As sombras aquecem-nos e as estrelas visitam-nos.
O meu corpo é de argila estou vivo e aceito o dia.
Aqui o verde incendeia-se, os muros tornam-se aéreos.
Tudo é liso e nítido na grande folha do dia.
A terra mostra as fibras castanhas e vermelhas.
Um pássaro pousou algures na proa de uma pedra.
A ignorância, a inocência mais completa, mais nua.
Acaricio as lâmpadas do corpo vegetal,
sulcos que não conheço, portas leves e verdes
de uma casa nua, o aroma do sono,
os simples sortilégios que se lêem nas árvores.
Algo nos cria e nos liberta dos absurdos cercos.
Despertámos para tocar a boca esquecida pela noite.
Somos a folhagem e o espaço, somos uma garganta fresca.
As sombras aquecem-nos e as estrelas visitam-nos.
O meu corpo é de argila estou vivo e aceito o dia.
1 126
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
967
António Ramos Rosa
Fácil Escrever
Fácil escrever na inesperada leveza.
As mãos e as sombras numa folhagem única.
Portas acesas. Anéis ou astros.
As bocas seguem as alamedas sinuosas.
Multiplicam-se as luzes do teu vestido de ervas.
Uma cabeleira no flanco das colinas,
carícias deslumbradas, silenciosas folhas,
linhas de um corpo, linhas de um rio frágil e minúsculo,
corolas de veludo e barro, corolas de água.
Um gesto dissipa as letras, levanta o silêncio ágil.
Reflexos, raízes na água transparente,
monótonos caprichos de semelhanças leves.
Ao acaso libertam-se sombras mais profundas.
O olhar agora está ligado à terra.
Um animal levanta-se entre as pedras com as pedras.
As mãos e as sombras numa folhagem única.
Portas acesas. Anéis ou astros.
As bocas seguem as alamedas sinuosas.
Multiplicam-se as luzes do teu vestido de ervas.
Uma cabeleira no flanco das colinas,
carícias deslumbradas, silenciosas folhas,
linhas de um corpo, linhas de um rio frágil e minúsculo,
corolas de veludo e barro, corolas de água.
Um gesto dissipa as letras, levanta o silêncio ágil.
Reflexos, raízes na água transparente,
monótonos caprichos de semelhanças leves.
Ao acaso libertam-se sombras mais profundas.
O olhar agora está ligado à terra.
Um animal levanta-se entre as pedras com as pedras.
1 116
António Ramos Rosa
Fácil Escrever
Fácil escrever na inesperada leveza.
As mãos e as sombras numa folhagem única.
Portas acesas. Anéis ou astros.
As bocas seguem as alamedas sinuosas.
Multiplicam-se as luzes do teu vestido de ervas.
Uma cabeleira no flanco das colinas,
carícias deslumbradas, silenciosas folhas,
linhas de um corpo, linhas de um rio frágil e minúsculo,
corolas de veludo e barro, corolas de água.
Um gesto dissipa as letras, levanta o silêncio ágil.
Reflexos, raízes na água transparente,
monótonos caprichos de semelhanças leves.
Ao acaso libertam-se sombras mais profundas.
O olhar agora está ligado à terra.
Um animal levanta-se entre as pedras com as pedras.
As mãos e as sombras numa folhagem única.
Portas acesas. Anéis ou astros.
As bocas seguem as alamedas sinuosas.
Multiplicam-se as luzes do teu vestido de ervas.
Uma cabeleira no flanco das colinas,
carícias deslumbradas, silenciosas folhas,
linhas de um corpo, linhas de um rio frágil e minúsculo,
corolas de veludo e barro, corolas de água.
Um gesto dissipa as letras, levanta o silêncio ágil.
Reflexos, raízes na água transparente,
monótonos caprichos de semelhanças leves.
Ao acaso libertam-se sombras mais profundas.
O olhar agora está ligado à terra.
Um animal levanta-se entre as pedras com as pedras.
1 116
António Ramos Rosa
Encontro No Vazio
Apenas uma luz ínfima num verde subterrâneo.
A textura mais secreta, o esplendor inerme.
Um corpo, um corpo ainda suavemente amoroso,
mas em ruínas, em cal, em transparência vazia.
Uma esfera partida em ombros e cabeças,
em volumes exíguos, em palavras esquecidas.
Tudo se perdeu no vazio, tudo se encontra no vazio.
Intacta é a matéria materna, a nocturna folhagem.
Fragilidade da montanha, aérea a brisa subterrânea.
Que idade recomeça no princípio da música?
Uma cálida cabeça ama as folhas de mercúrio
e sombra, a pausa harmoniosa, a linha de equilíbrio
e de repouso. Lentamente tudo se desloca
para uma luminosa boca de água e pedra.
Ó delicada pele, ó melodia nua do vazio!
A textura mais secreta, o esplendor inerme.
Um corpo, um corpo ainda suavemente amoroso,
mas em ruínas, em cal, em transparência vazia.
Uma esfera partida em ombros e cabeças,
em volumes exíguos, em palavras esquecidas.
Tudo se perdeu no vazio, tudo se encontra no vazio.
Intacta é a matéria materna, a nocturna folhagem.
Fragilidade da montanha, aérea a brisa subterrânea.
Que idade recomeça no princípio da música?
Uma cálida cabeça ama as folhas de mercúrio
e sombra, a pausa harmoniosa, a linha de equilíbrio
e de repouso. Lentamente tudo se desloca
para uma luminosa boca de água e pedra.
Ó delicada pele, ó melodia nua do vazio!
1 091
António Ramos Rosa
Encontro No Vazio
Apenas uma luz ínfima num verde subterrâneo.
A textura mais secreta, o esplendor inerme.
Um corpo, um corpo ainda suavemente amoroso,
mas em ruínas, em cal, em transparência vazia.
Uma esfera partida em ombros e cabeças,
em volumes exíguos, em palavras esquecidas.
Tudo se perdeu no vazio, tudo se encontra no vazio.
Intacta é a matéria materna, a nocturna folhagem.
Fragilidade da montanha, aérea a brisa subterrânea.
Que idade recomeça no princípio da música?
Uma cálida cabeça ama as folhas de mercúrio
e sombra, a pausa harmoniosa, a linha de equilíbrio
e de repouso. Lentamente tudo se desloca
para uma luminosa boca de água e pedra.
Ó delicada pele, ó melodia nua do vazio!
A textura mais secreta, o esplendor inerme.
Um corpo, um corpo ainda suavemente amoroso,
mas em ruínas, em cal, em transparência vazia.
Uma esfera partida em ombros e cabeças,
em volumes exíguos, em palavras esquecidas.
Tudo se perdeu no vazio, tudo se encontra no vazio.
Intacta é a matéria materna, a nocturna folhagem.
Fragilidade da montanha, aérea a brisa subterrânea.
Que idade recomeça no princípio da música?
Uma cálida cabeça ama as folhas de mercúrio
e sombra, a pausa harmoniosa, a linha de equilíbrio
e de repouso. Lentamente tudo se desloca
para uma luminosa boca de água e pedra.
Ó delicada pele, ó melodia nua do vazio!
1 091
António Ramos Rosa
O Obscuro
Porque o obscuro cresce e cresce em ambíguas sombras,
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
1 097
António Ramos Rosa
O Obscuro
Porque o obscuro cresce e cresce em ambíguas sombras,
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
1 097
António Ramos Rosa
O Obscuro
Porque o obscuro cresce e cresce em ambíguas sombras,
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
1 097
António Ramos Rosa
O Obscuro
Porque o obscuro cresce e cresce em ambíguas sombras,
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
porque a folhagem sobe já os declives, porque a boca
respira a árvore obscura, porque o suave clamor
das sombras se propaga no nocturno espaço.
Frases, que possíveis frases imediatas e seguras
oferecem os arcos da tranquilidade luminosa?
Onde a ternura e o perfume, onde o pulso
amoroso que navega na aragem?
Quando poderei consumar-me na certeza do espaço?
Algo oscila em mim como uma folha, algo diz sim.
É uma corrente de ar brilhante, é um lugar que emerge
de obscuras veias. Que leveza no vento! Estou no meio do espaço.
Oiço os murmúrios do sol. Saboreio o que sou.
Sou renovado pelo espaço, nasço num espaço verde.
O que eu amo está perto entre a terra e o ar.
1 097
António Ramos Rosa
Um Cenário de Rochedos E de Mar
Um cenário de rochedos e de mar
(A água não cintila não reflecte)
é uma discreta superfície
ela
bruscamente vê-se figurada
pela presença de uma multidão
indivisível
Desliza ainda mas sem rosto
esperando vertical
Veloz caminha no ar negro e brilhante
afunda-se cada vez mais reduz-se
a um ponto luminoso
sem jamais desaparecer
Ouvem-se ao longe detonações surdas
de uma tempestade subterrânea
Eis o momento da primeira cintilação
A cena é apenas indicada nos limites
Não é o projecto de uma história
mas anuncia-o
Breves estilhas
segmentos separados poderiam reunir-se
noutro lado
Há o gesto de duas mãos que se encontram
os quartos o bosque uma sombria álea
o alvorecer numa praia deserta
Uma das mãos corre ao longo das pernas
à superfície do corpo buscando
apoderar-se de uma forma de um centro líquido
Surge uma clareira de ramos baixos
O gesto desfaz-se num refluxo
ouvem-se golpes passam sombras húmidas
traços cada vez mais desligados
antes que o outro desapareça sob o nome
Eis os nomes aprendidos em que se dissimula
o fundo sem nome em que ela se transforma
terra idêntica música ventre
tempestade matéria muro animal
azul vermelho chuva chão madeira…
(A água não cintila não reflecte)
é uma discreta superfície
ela
bruscamente vê-se figurada
pela presença de uma multidão
indivisível
Desliza ainda mas sem rosto
esperando vertical
Veloz caminha no ar negro e brilhante
afunda-se cada vez mais reduz-se
a um ponto luminoso
sem jamais desaparecer
Ouvem-se ao longe detonações surdas
de uma tempestade subterrânea
Eis o momento da primeira cintilação
A cena é apenas indicada nos limites
Não é o projecto de uma história
mas anuncia-o
Breves estilhas
segmentos separados poderiam reunir-se
noutro lado
Há o gesto de duas mãos que se encontram
os quartos o bosque uma sombria álea
o alvorecer numa praia deserta
Uma das mãos corre ao longo das pernas
à superfície do corpo buscando
apoderar-se de uma forma de um centro líquido
Surge uma clareira de ramos baixos
O gesto desfaz-se num refluxo
ouvem-se golpes passam sombras húmidas
traços cada vez mais desligados
antes que o outro desapareça sob o nome
Eis os nomes aprendidos em que se dissimula
o fundo sem nome em que ela se transforma
terra idêntica música ventre
tempestade matéria muro animal
azul vermelho chuva chão madeira…
1 064
António Ramos Rosa
Um Cenário de Rochedos E de Mar
Um cenário de rochedos e de mar
(A água não cintila não reflecte)
é uma discreta superfície
ela
bruscamente vê-se figurada
pela presença de uma multidão
indivisível
Desliza ainda mas sem rosto
esperando vertical
Veloz caminha no ar negro e brilhante
afunda-se cada vez mais reduz-se
a um ponto luminoso
sem jamais desaparecer
Ouvem-se ao longe detonações surdas
de uma tempestade subterrânea
Eis o momento da primeira cintilação
A cena é apenas indicada nos limites
Não é o projecto de uma história
mas anuncia-o
Breves estilhas
segmentos separados poderiam reunir-se
noutro lado
Há o gesto de duas mãos que se encontram
os quartos o bosque uma sombria álea
o alvorecer numa praia deserta
Uma das mãos corre ao longo das pernas
à superfície do corpo buscando
apoderar-se de uma forma de um centro líquido
Surge uma clareira de ramos baixos
O gesto desfaz-se num refluxo
ouvem-se golpes passam sombras húmidas
traços cada vez mais desligados
antes que o outro desapareça sob o nome
Eis os nomes aprendidos em que se dissimula
o fundo sem nome em que ela se transforma
terra idêntica música ventre
tempestade matéria muro animal
azul vermelho chuva chão madeira…
(A água não cintila não reflecte)
é uma discreta superfície
ela
bruscamente vê-se figurada
pela presença de uma multidão
indivisível
Desliza ainda mas sem rosto
esperando vertical
Veloz caminha no ar negro e brilhante
afunda-se cada vez mais reduz-se
a um ponto luminoso
sem jamais desaparecer
Ouvem-se ao longe detonações surdas
de uma tempestade subterrânea
Eis o momento da primeira cintilação
A cena é apenas indicada nos limites
Não é o projecto de uma história
mas anuncia-o
Breves estilhas
segmentos separados poderiam reunir-se
noutro lado
Há o gesto de duas mãos que se encontram
os quartos o bosque uma sombria álea
o alvorecer numa praia deserta
Uma das mãos corre ao longo das pernas
à superfície do corpo buscando
apoderar-se de uma forma de um centro líquido
Surge uma clareira de ramos baixos
O gesto desfaz-se num refluxo
ouvem-se golpes passam sombras húmidas
traços cada vez mais desligados
antes que o outro desapareça sob o nome
Eis os nomes aprendidos em que se dissimula
o fundo sem nome em que ela se transforma
terra idêntica música ventre
tempestade matéria muro animal
azul vermelho chuva chão madeira…
1 064
António Ramos Rosa
Omnipresença Imediata
Ela é nuvem, omnipresença imediata,
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
530
António Ramos Rosa
Vejo o Fogo
Vejo o fogo (os dedos e a sombra), vejo os caminhos,
a matéria das árvores. Bebo um rumor de abelhas.
Estou cego talvez, deslumbro-me, no deserto
sobre uma boca pura. Aqui durmo, aqui desenho
a felicidade da chama, as ondas e as pedras.
Na folhagem ascendo àquele poder intenso
que se deslumbra em delícia que roda até ao cimo.
O tempo doura o silêncio e a penumbra dos caminhos.
Entro por um país de minúcias transparentes.
Que é a distância agora? A perspectiva do gérmen.
Encontro-me no mundo, sou o ar que desce
alegre, o ar, o sol, o sangue. O corpo é tão feliz
que reina na extensão em transparência verde.
É o amor que bebe o fogo branco das colinas,
e que deslumbra e se deslumbra e acaricia e arde.
a matéria das árvores. Bebo um rumor de abelhas.
Estou cego talvez, deslumbro-me, no deserto
sobre uma boca pura. Aqui durmo, aqui desenho
a felicidade da chama, as ondas e as pedras.
Na folhagem ascendo àquele poder intenso
que se deslumbra em delícia que roda até ao cimo.
O tempo doura o silêncio e a penumbra dos caminhos.
Entro por um país de minúcias transparentes.
Que é a distância agora? A perspectiva do gérmen.
Encontro-me no mundo, sou o ar que desce
alegre, o ar, o sol, o sangue. O corpo é tão feliz
que reina na extensão em transparência verde.
É o amor que bebe o fogo branco das colinas,
e que deslumbra e se deslumbra e acaricia e arde.
995
António Ramos Rosa
Nudez
Toquei um nome quando a luz amanhecia.
Era uma ferida menor do que um suspiro.
Ondulava um campo, um luminoso mar.
Nada podia faltar porque as palavras o diziam.
Imediata era a sede, o coração na espuma.
Cheguei e era o espaço, a suave inteligência
de um corpo. Eram pálpebras e lábios.
Era um pássaro, o pulsar de uma pedra, os dedos
como um sopro cálido, o vento nos cabelos.
Era leve a nudez e a frescura da sombra.
Nasci dormindo, sonhando, abrindo os olhos
num pleno descanso transparente. Conheci
a realidade completa do desejo, o diamante
da água. Voluptuosa, a folhagem estremecia.
Eu adormecia a teu lado como um puro esquecimento.
Tu erguias-te da penumbra vegetal. Uma mulher
nasce sem cessar. Tu ardias na aresta azul
do horizonte. Um pássaro cantava
no centro de uma árvore. Eu vibrava
numa terra imóvel, num país imenso.
Era uma ferida menor do que um suspiro.
Ondulava um campo, um luminoso mar.
Nada podia faltar porque as palavras o diziam.
Imediata era a sede, o coração na espuma.
Cheguei e era o espaço, a suave inteligência
de um corpo. Eram pálpebras e lábios.
Era um pássaro, o pulsar de uma pedra, os dedos
como um sopro cálido, o vento nos cabelos.
Era leve a nudez e a frescura da sombra.
Nasci dormindo, sonhando, abrindo os olhos
num pleno descanso transparente. Conheci
a realidade completa do desejo, o diamante
da água. Voluptuosa, a folhagem estremecia.
Eu adormecia a teu lado como um puro esquecimento.
Tu erguias-te da penumbra vegetal. Uma mulher
nasce sem cessar. Tu ardias na aresta azul
do horizonte. Um pássaro cantava
no centro de uma árvore. Eu vibrava
numa terra imóvel, num país imenso.
1 130
António Ramos Rosa
Figuras do Ar E da Terra
A língua liberta-se no silêncio e no espaço.
As graciosas folhas, as feridas nas colinas, os declives
incendeiam-se no azul. Alguma coisa se altera
subtil, inominável. Figuras do ar
enlaçam-se, dissipam-se, renovam-se.
É a hora da paixão das árvores e da inocência selvagem.
Entre o verde divisam-se flancos amorosos.
Uma espádua adormece na brancura dos murmúrios.
Sobre as coxas da terra caem as cascatas obscuras.
A vida ondula como uma árvore sob o sol.
Em suave indolência de seiva os músculos movem-se.
Respiram os contrários em formas simultâneas.
É uma fábula completa, é um país de silêncios.
Vibra, vibra o anel verde-negro da sombra.
Belo é o desejo e belo é o seu espaço.
As graciosas folhas, as feridas nas colinas, os declives
incendeiam-se no azul. Alguma coisa se altera
subtil, inominável. Figuras do ar
enlaçam-se, dissipam-se, renovam-se.
É a hora da paixão das árvores e da inocência selvagem.
Entre o verde divisam-se flancos amorosos.
Uma espádua adormece na brancura dos murmúrios.
Sobre as coxas da terra caem as cascatas obscuras.
A vida ondula como uma árvore sob o sol.
Em suave indolência de seiva os músculos movem-se.
Respiram os contrários em formas simultâneas.
É uma fábula completa, é um país de silêncios.
Vibra, vibra o anel verde-negro da sombra.
Belo é o desejo e belo é o seu espaço.
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