Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Mediadora do Corpo
Vive no meio de um incêndio
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
1 107
António Ramos Rosa
Mediadora do Corpo
Vive no meio de um incêndio
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
entre o silêncio e a água.
Azul veloz, o sangue do desejo.
Ninguém a defende da perfeita
noite. Move-se entre espelhos
e sombras. Cumpre-se a matéria
com as feridas do vento.
Incendeia os sulcos dos acordes.
Um tremor de planeta, um som negro,
reflexos de um confuso esplendor.
Pólen de pedra nos flancos.
Um voo permanente, submerso,
através dos dédalos, dos círculos,
das móveis dunas do deserto.
Estrela, sim, estrela de argila
em núpcias consigo e com o mundo.
1 107
António Ramos Rosa
Na Cavidade da Simplicidade
Na cavidade da simplicidade
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
deslizando no imóvel
somos animais marinhos de uma delícia verde.
593
António Ramos Rosa
Imobilidade
Tudo está quieto nada insiste nada clama
a água o horizonte imóvel
repousa o tempo a beleza luz e água
Muitas árvores estremecem num torvelinho suave
Cessaram os nomes ou petrificaram-se
Estamos onde estamos onde
a luz se despenha
entre gretas de pedra
Afluem coisas mínimas pelo espaço diáfano
Dizer o repouso do silêncio Atingir
a simplicidade das coisas no silêncio
Este contacto com o mundo é a aliança
Verdade e erro uma verdade apenas
que se desnuda e se abre e abre
Ar na total vacuidade livre
Em pleno dia somos noite e água
Este é o domínio da água e da folhagem
onde todo o segredo é abertura viva
a água o horizonte imóvel
repousa o tempo a beleza luz e água
Muitas árvores estremecem num torvelinho suave
Cessaram os nomes ou petrificaram-se
Estamos onde estamos onde
a luz se despenha
entre gretas de pedra
Afluem coisas mínimas pelo espaço diáfano
Dizer o repouso do silêncio Atingir
a simplicidade das coisas no silêncio
Este contacto com o mundo é a aliança
Verdade e erro uma verdade apenas
que se desnuda e se abre e abre
Ar na total vacuidade livre
Em pleno dia somos noite e água
Este é o domínio da água e da folhagem
onde todo o segredo é abertura viva
1 034
António Ramos Rosa
Unidade do Silêncio
Unidade do silêncio com o corpo da água
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
1 093
António Ramos Rosa
Unidade do Silêncio
Unidade do silêncio com o corpo da água
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
1 093
António Ramos Rosa
Unidade do Silêncio
Unidade do silêncio com o corpo da água
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
irradiação de uma montanha
cimo e abismo numa única linha
melancolia viva e fresca floresta e pomba
a beleza frágil a beleza serena
arde a opacidade arde a madeira do mundo
revela-se a superfície fundamental
invulnerável a harmonia que inunda
Frases frases já não complicadas
mas orientadas
para a plenitude do ser
Redes vindas do ignorado disseminam-se
Uma paciência de mil árvores
Dilata-se a estrela de água
Praias praias onde os segredos se desvelam
Por toda a parte mediações para o desconhecido
Vagas vagas de ligeireza primaveril
Clara visão do fundo vibrante continuidade
igual a tudo na soberania do simples
1 093
António Ramos Rosa
A Folhagem Abre-Se Entre As Mãos
A folhagem abre-se entre as mãos
como um centro solto onde se afunda
o que nunca surge
e surge então numa segunda origem.
como um centro solto onde se afunda
o que nunca surge
e surge então numa segunda origem.
1 078
António Ramos Rosa
Matéria Incerta
Em contacto com Matéria ardente
sem visíveis margens Nenhum lugar
ou objecto Cegueira
quase
*
No papel a opacidade é branca
*
Respiro esta matéria
agora fria agora mais ardente
*
Mas o lugar é impensável
nada que possa suscitar uma perspectiva
nem um plano imediatamente presente
*
Mas há o odor do mar Um cheiro a força
e a mão como se estende dilata-se no papel
*
Intensidades breves sem um arco
Vida sem visão autónoma Vazio sem teia
*
É um trabalho incerto reunir estes sinais
*
Estas palavras serão talvez o indício ou o início
das figuras mais frescas da manhã
sem visíveis margens Nenhum lugar
ou objecto Cegueira
quase
*
No papel a opacidade é branca
*
Respiro esta matéria
agora fria agora mais ardente
*
Mas o lugar é impensável
nada que possa suscitar uma perspectiva
nem um plano imediatamente presente
*
Mas há o odor do mar Um cheiro a força
e a mão como se estende dilata-se no papel
*
Intensidades breves sem um arco
Vida sem visão autónoma Vazio sem teia
*
É um trabalho incerto reunir estes sinais
*
Estas palavras serão talvez o indício ou o início
das figuras mais frescas da manhã
1 116
António Ramos Rosa
Sentindo o Liso da Madeira, o Bosque
Sentindo o liso da madeira, o bosque
submerso, tranquilamente acesos,
continuando na corrente verde e côncava
outra forma do silêncio na morada
com o silêncio denso sobre as pálpebras.
submerso, tranquilamente acesos,
continuando na corrente verde e côncava
outra forma do silêncio na morada
com o silêncio denso sobre as pálpebras.
1 159
António Ramos Rosa
Habitando a Paciência da Ondulada
Habitando a paciência da ondulada
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.
sombra vibramos numa rede
de veemências suaves de sabores secretos
e sentimos a terra deslizando connosco.
994
António Ramos Rosa
A Nudez Mais Completa
uma área branca
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
1 117
António Ramos Rosa
A Nudez Mais Completa
uma área branca
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
1 117
António Ramos Rosa
Caos Aberto
Para aquém dos sinais definidos para aquém do silêncio
o fundo à superfície o furor formidável
turbilhão da génese turbulência marinha
multiplicidade sem soma dança flutuações
Marinho deus ou deusa marginal
deus original do clamor ódio primeiro
ódio verde ódio da treva
que ruído pode impor silêncio ao ruído
que furor pode ordenar este furor
…………………………………………….
Detonações sílabas oscilações
Algo começa começa como começa o tempo
Rumor rumor incessante
oiço pelos ouvidos pelas papilas por toda a minha pele
estou mergulhado no som no ar na luz
ó alimento perene vivacidade do rumor
oiço e compreendo cegamente as evidências
O ruído e o furor incessante é quase a deusa branca
sobre o marulho negro
Não não fales a linguagem do rigor
o canal está cheio de ruídos de rumor de imagens
Ao alto o silêncio branco das nuvens silenciosas
O animal ou deus é pouco mais do que água
A crepitação longa do rumor fragmenta-se
flutuações flutuações a língua dança
tudo recomeça tudo cresce tudo morre
O rumor não cessa rumor quase de dança
quase a luz de um corpo e cinza resplandecente
nenhum alvor nenhuma mensagem nenhuma palavra
o furor cresce continua verde e cinza
flutuações flutuações crepitação sem fim
o fundo à superfície o furor formidável
turbilhão da génese turbulência marinha
multiplicidade sem soma dança flutuações
Marinho deus ou deusa marginal
deus original do clamor ódio primeiro
ódio verde ódio da treva
que ruído pode impor silêncio ao ruído
que furor pode ordenar este furor
…………………………………………….
Detonações sílabas oscilações
Algo começa começa como começa o tempo
Rumor rumor incessante
oiço pelos ouvidos pelas papilas por toda a minha pele
estou mergulhado no som no ar na luz
ó alimento perene vivacidade do rumor
oiço e compreendo cegamente as evidências
O ruído e o furor incessante é quase a deusa branca
sobre o marulho negro
Não não fales a linguagem do rigor
o canal está cheio de ruídos de rumor de imagens
Ao alto o silêncio branco das nuvens silenciosas
O animal ou deus é pouco mais do que água
A crepitação longa do rumor fragmenta-se
flutuações flutuações a língua dança
tudo recomeça tudo cresce tudo morre
O rumor não cessa rumor quase de dança
quase a luz de um corpo e cinza resplandecente
nenhum alvor nenhuma mensagem nenhuma palavra
o furor cresce continua verde e cinza
flutuações flutuações crepitação sem fim
1 159
António Ramos Rosa
Caos Aberto
Para aquém dos sinais definidos para aquém do silêncio
o fundo à superfície o furor formidável
turbilhão da génese turbulência marinha
multiplicidade sem soma dança flutuações
Marinho deus ou deusa marginal
deus original do clamor ódio primeiro
ódio verde ódio da treva
que ruído pode impor silêncio ao ruído
que furor pode ordenar este furor
…………………………………………….
Detonações sílabas oscilações
Algo começa começa como começa o tempo
Rumor rumor incessante
oiço pelos ouvidos pelas papilas por toda a minha pele
estou mergulhado no som no ar na luz
ó alimento perene vivacidade do rumor
oiço e compreendo cegamente as evidências
O ruído e o furor incessante é quase a deusa branca
sobre o marulho negro
Não não fales a linguagem do rigor
o canal está cheio de ruídos de rumor de imagens
Ao alto o silêncio branco das nuvens silenciosas
O animal ou deus é pouco mais do que água
A crepitação longa do rumor fragmenta-se
flutuações flutuações a língua dança
tudo recomeça tudo cresce tudo morre
O rumor não cessa rumor quase de dança
quase a luz de um corpo e cinza resplandecente
nenhum alvor nenhuma mensagem nenhuma palavra
o furor cresce continua verde e cinza
flutuações flutuações crepitação sem fim
o fundo à superfície o furor formidável
turbilhão da génese turbulência marinha
multiplicidade sem soma dança flutuações
Marinho deus ou deusa marginal
deus original do clamor ódio primeiro
ódio verde ódio da treva
que ruído pode impor silêncio ao ruído
que furor pode ordenar este furor
…………………………………………….
Detonações sílabas oscilações
Algo começa começa como começa o tempo
Rumor rumor incessante
oiço pelos ouvidos pelas papilas por toda a minha pele
estou mergulhado no som no ar na luz
ó alimento perene vivacidade do rumor
oiço e compreendo cegamente as evidências
O ruído e o furor incessante é quase a deusa branca
sobre o marulho negro
Não não fales a linguagem do rigor
o canal está cheio de ruídos de rumor de imagens
Ao alto o silêncio branco das nuvens silenciosas
O animal ou deus é pouco mais do que água
A crepitação longa do rumor fragmenta-se
flutuações flutuações a língua dança
tudo recomeça tudo cresce tudo morre
O rumor não cessa rumor quase de dança
quase a luz de um corpo e cinza resplandecente
nenhum alvor nenhuma mensagem nenhuma palavra
o furor cresce continua verde e cinza
flutuações flutuações crepitação sem fim
1 159
António Ramos Rosa
Celebração da Terra
Desenhar o sono e o volume da cabeça
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
1 032
António Ramos Rosa
Celebração da Terra
Desenhar o sono e o volume da cabeça
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
1 032
António Ramos Rosa
Onde Os Deuses Se Encontram
Não busques não esperes
*
Como procurar a nudez do simples?
Os deuses encontram-se no refúgio aberto sombreado
*
O círculo dilata-se e dilata-nos
O lugar revela-se no esplendor da luz
*
O mar levanta as suas lâmpadas brancas
*
Diz de novo a fascinante simplicidade
*
Diz agora as minúcias
deslumbrantes
arcos na areia insectos frutos
*
Tanta luz tanta sombra iluminada!
*
Como procurar a nudez do simples?
Os deuses encontram-se no refúgio aberto sombreado
*
O círculo dilata-se e dilata-nos
O lugar revela-se no esplendor da luz
*
O mar levanta as suas lâmpadas brancas
*
Diz de novo a fascinante simplicidade
*
Diz agora as minúcias
deslumbrantes
arcos na areia insectos frutos
*
Tanta luz tanta sombra iluminada!
599
António Ramos Rosa
Onde Os Deuses Se Encontram
Não busques não esperes
*
Como procurar a nudez do simples?
Os deuses encontram-se no refúgio aberto sombreado
*
O círculo dilata-se e dilata-nos
O lugar revela-se no esplendor da luz
*
O mar levanta as suas lâmpadas brancas
*
Diz de novo a fascinante simplicidade
*
Diz agora as minúcias
deslumbrantes
arcos na areia insectos frutos
*
Tanta luz tanta sombra iluminada!
*
Como procurar a nudez do simples?
Os deuses encontram-se no refúgio aberto sombreado
*
O círculo dilata-se e dilata-nos
O lugar revela-se no esplendor da luz
*
O mar levanta as suas lâmpadas brancas
*
Diz de novo a fascinante simplicidade
*
Diz agora as minúcias
deslumbrantes
arcos na areia insectos frutos
*
Tanta luz tanta sombra iluminada!
599
António Ramos Rosa
Entre Mar E Sombra a Delícia
Entre mar e sombra a delícia
de um vento que abre um espaço original.
de um vento que abre um espaço original.
528
António Ramos Rosa
Entre Mar E Sombra a Delícia
Entre mar e sombra a delícia
de um vento que abre um espaço original.
de um vento que abre um espaço original.
528
António Ramos Rosa
Entre o Sol E a Lua
procura-se um segredo solar
atrás de cadeiras empoeiradas. um perfume arcaico.
uma sabedoria de portas circunstanciais.
sobre a mesa uma crusta
nova. a lâmpada e a elipse.
a chama de uma frase negra.
há vibrações quase imperceptíveis.
uma laranja sobre uma cadeira.
os anéis incessantes em torno das cinturas.
a noite emite os seus signos.
uma música de lua e de silêncio
multiplica-se na seda dos espelhos.
os ventos são azuis sobre a beleza
incerta. as palavras vão
do esplendor à música.
uma porta lunar abriu-se
sobre um quarto. na mesa está a chave
de todas as imagens esquecidas.
atrás de cadeiras empoeiradas. um perfume arcaico.
uma sabedoria de portas circunstanciais.
sobre a mesa uma crusta
nova. a lâmpada e a elipse.
a chama de uma frase negra.
há vibrações quase imperceptíveis.
uma laranja sobre uma cadeira.
os anéis incessantes em torno das cinturas.
a noite emite os seus signos.
uma música de lua e de silêncio
multiplica-se na seda dos espelhos.
os ventos são azuis sobre a beleza
incerta. as palavras vão
do esplendor à música.
uma porta lunar abriu-se
sobre um quarto. na mesa está a chave
de todas as imagens esquecidas.
1 065
António Ramos Rosa
Palavras Para Viver
Afluem do vento as velas
de uma alegria
primeira
palavras e palavras mais que cinza
despertam um fogo calmo
uma clareira se abre densa e verde
o sossego da terra é um barco imóvel
mais do que as imagens
sóbrios novos
os vocábulos são indícios e veios
de vida
mais viva por viver
Fibras afluentes estrela cega
as mãos unindo
a cabeça do sol nas águas
Boca espessa no caminho
do vento
e do verde
Ondula a boca no navio da boca
caminha a pedra
a espessa cabeleira sobre a água
Um barco desce ao fundo sol da água
Um corpo quer viver
uma haste
quer respirar equilibrada firme
quer viver no silêncio quer
a sua própria chama
levantada
silencioso chão
silenciosa frescura
silenciosa chama
de uma alegria
primeira
palavras e palavras mais que cinza
despertam um fogo calmo
uma clareira se abre densa e verde
o sossego da terra é um barco imóvel
mais do que as imagens
sóbrios novos
os vocábulos são indícios e veios
de vida
mais viva por viver
Fibras afluentes estrela cega
as mãos unindo
a cabeça do sol nas águas
Boca espessa no caminho
do vento
e do verde
Ondula a boca no navio da boca
caminha a pedra
a espessa cabeleira sobre a água
Um barco desce ao fundo sol da água
Um corpo quer viver
uma haste
quer respirar equilibrada firme
quer viver no silêncio quer
a sua própria chama
levantada
silencioso chão
silenciosa frescura
silenciosa chama
1 118
António Ramos Rosa
Palavras Para Viver
Afluem do vento as velas
de uma alegria
primeira
palavras e palavras mais que cinza
despertam um fogo calmo
uma clareira se abre densa e verde
o sossego da terra é um barco imóvel
mais do que as imagens
sóbrios novos
os vocábulos são indícios e veios
de vida
mais viva por viver
Fibras afluentes estrela cega
as mãos unindo
a cabeça do sol nas águas
Boca espessa no caminho
do vento
e do verde
Ondula a boca no navio da boca
caminha a pedra
a espessa cabeleira sobre a água
Um barco desce ao fundo sol da água
Um corpo quer viver
uma haste
quer respirar equilibrada firme
quer viver no silêncio quer
a sua própria chama
levantada
silencioso chão
silenciosa frescura
silenciosa chama
de uma alegria
primeira
palavras e palavras mais que cinza
despertam um fogo calmo
uma clareira se abre densa e verde
o sossego da terra é um barco imóvel
mais do que as imagens
sóbrios novos
os vocábulos são indícios e veios
de vida
mais viva por viver
Fibras afluentes estrela cega
as mãos unindo
a cabeça do sol nas águas
Boca espessa no caminho
do vento
e do verde
Ondula a boca no navio da boca
caminha a pedra
a espessa cabeleira sobre a água
Um barco desce ao fundo sol da água
Um corpo quer viver
uma haste
quer respirar equilibrada firme
quer viver no silêncio quer
a sua própria chama
levantada
silencioso chão
silenciosa frescura
silenciosa chama
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