Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
A Nudez Mais Completa
uma área branca
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
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António Ramos Rosa
A Nudez Mais Completa
uma área branca
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
sem uma árvore um texto opaco
com frases apressadas nuas
com chuva sobre as pedras
sobre os poros
e o desejo do desejo e a sombra nua
palavras animais cor de relâmpago
frutos da sombra e do esplendor
solidárias lâmpadas no deserto
animais animais à chuva à sombra
abrem o espaço ao desejo ao espaço
palavras dilacerando outras palavras
tronco e lua suor e sempre
tecla tábua espuma pedra
vocábulos que desfiguram as imagens
palavras que só amam a figura
da nudez mais completa
do intacto
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António Ramos Rosa
O Lugar
a Lídia Jorge
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
1 095
António Ramos Rosa
O Lugar
a Lídia Jorge
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
1 095
António Ramos Rosa
O Lugar
a Lídia Jorge
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
Algo está por dizer Ao longe o diamante
da distância a promessa fulgurante
Aqui onde tudo será como uma festa
ao fundo das áleas de ciprestes e pinheiros
as amorosas arcadas transparentes
a praia que se estende um lábio fulvo
algo adormece no sossego de nenhuma vaga
nenhuma espuma Um navio silencioso
As palavras iniciam a delicada translucidez
*
Branco domínio do ser aéreo movimento
imóvel Um caminho redondo
em torno de uma torre O sabor de viver
em claridade e calma Espiral
a partir do solo até ao sol Transparência
compacta com as grandes pedras claras
os insectos a seiva a hera sobre os troncos
os anéis do dia
*
Eis o esplendor no seu repouso de praia
Todas as tensões e intensidades se tornaram um arco
Aqui a nascente ressoa no lugar central
as formas puras resplandecem com as suas sombras lúcidas
a construção é clara
*
Amplitude imensa da água serena
o júbilo tranquilo na circulação amiga
esplendor vivacidade clamor branco
o lugar da presença e da evidência
das escadas de pedra
das portas esculpidas
o que se respira é o tempo o espaço o oiro leve
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António Ramos Rosa
A Distracção do Vento
A distracção do vento ou a despreocupação pelos obstáculos até à dissipação no ar. Vento, esquecimento vivo, cegueira activa do ar. As palavras terão alguma vez esta respiração fluida de uma dança rebelde, livre? A sede do ar sufoca as palavras ou liberta-as? É o branco sempre, errante e puro, que lavra este grande lábio mutilado que é a palavra no limiar do vazio e do silêncio? A linguagem é um animal equívoco que voa sobre a areia do deserto num voo raso de elipse ou a sombra de um puro momento de ruptura indescritível? A ausência devasta a linguagem, até que ela se torne o sopro da brancura e da única vida que não soçobra na sua própria sombra? Os vocábulos respiram quando a distância os liberta da sua presença opaca restituindo-os à fragilidade de um sopro e de uma transparência livre e nunca literal. No corpo das palavras pressente-se o imperceptível ardor de um fluxo discreto, mínimo, como a pulsação de um pulso de insecto, indemonstrável, secreto.
1 081
António Ramos Rosa
Entre o Sol E a Lua
procura-se um segredo solar
atrás de cadeiras empoeiradas. um perfume arcaico.
uma sabedoria de portas circunstanciais.
sobre a mesa uma crusta
nova. a lâmpada e a elipse.
a chama de uma frase negra.
há vibrações quase imperceptíveis.
uma laranja sobre uma cadeira.
os anéis incessantes em torno das cinturas.
a noite emite os seus signos.
uma música de lua e de silêncio
multiplica-se na seda dos espelhos.
os ventos são azuis sobre a beleza
incerta. as palavras vão
do esplendor à música.
uma porta lunar abriu-se
sobre um quarto. na mesa está a chave
de todas as imagens esquecidas.
atrás de cadeiras empoeiradas. um perfume arcaico.
uma sabedoria de portas circunstanciais.
sobre a mesa uma crusta
nova. a lâmpada e a elipse.
a chama de uma frase negra.
há vibrações quase imperceptíveis.
uma laranja sobre uma cadeira.
os anéis incessantes em torno das cinturas.
a noite emite os seus signos.
uma música de lua e de silêncio
multiplica-se na seda dos espelhos.
os ventos são azuis sobre a beleza
incerta. as palavras vão
do esplendor à música.
uma porta lunar abriu-se
sobre um quarto. na mesa está a chave
de todas as imagens esquecidas.
1 067
António Ramos Rosa
Um Rio No Rio
Onde de súbito desliza a densidade
…………………………………...
Ressurge a energia profunda suave
que entrega à claridade vivo e trémulo
o animal de sombra que respira inteiro
………………………………………
Nada sabemos que não seja estar
na superfície da leveza exacta
Amamos a vertigem lúcida o frémito
do equilíbrio subtil
Longo longo é o tempo do intacto longo
é o tempo do túmido percurso
…………………………………..
Sulcando os sulcos do imprevisível
nas areias repousadas
gozamos o sabor e a cintilação dos frutos
ramos ardentes do ser do espaço livre
………………………………………
Folheamos o corpo da terra no tremor
de um deus longo que se inclina e soletra
as palavras jamais ditas mas ouvidas
no sopro subtil no fogo
aéreo
…………………………………….
Vemos as minúcias do solo vemos a
secreta face silenciosa
nascemos no aqui no seu segredo
indecifrável somos
um imóvel olhar na nitidez do resplendor
………………………………………….
Flui um rio no rio
…………………………………...
Ressurge a energia profunda suave
que entrega à claridade vivo e trémulo
o animal de sombra que respira inteiro
………………………………………
Nada sabemos que não seja estar
na superfície da leveza exacta
Amamos a vertigem lúcida o frémito
do equilíbrio subtil
Longo longo é o tempo do intacto longo
é o tempo do túmido percurso
…………………………………..
Sulcando os sulcos do imprevisível
nas areias repousadas
gozamos o sabor e a cintilação dos frutos
ramos ardentes do ser do espaço livre
………………………………………
Folheamos o corpo da terra no tremor
de um deus longo que se inclina e soletra
as palavras jamais ditas mas ouvidas
no sopro subtil no fogo
aéreo
…………………………………….
Vemos as minúcias do solo vemos a
secreta face silenciosa
nascemos no aqui no seu segredo
indecifrável somos
um imóvel olhar na nitidez do resplendor
………………………………………….
Flui um rio no rio
1 120
António Ramos Rosa
Um Rio No Rio
Onde de súbito desliza a densidade
…………………………………...
Ressurge a energia profunda suave
que entrega à claridade vivo e trémulo
o animal de sombra que respira inteiro
………………………………………
Nada sabemos que não seja estar
na superfície da leveza exacta
Amamos a vertigem lúcida o frémito
do equilíbrio subtil
Longo longo é o tempo do intacto longo
é o tempo do túmido percurso
…………………………………..
Sulcando os sulcos do imprevisível
nas areias repousadas
gozamos o sabor e a cintilação dos frutos
ramos ardentes do ser do espaço livre
………………………………………
Folheamos o corpo da terra no tremor
de um deus longo que se inclina e soletra
as palavras jamais ditas mas ouvidas
no sopro subtil no fogo
aéreo
…………………………………….
Vemos as minúcias do solo vemos a
secreta face silenciosa
nascemos no aqui no seu segredo
indecifrável somos
um imóvel olhar na nitidez do resplendor
………………………………………….
Flui um rio no rio
…………………………………...
Ressurge a energia profunda suave
que entrega à claridade vivo e trémulo
o animal de sombra que respira inteiro
………………………………………
Nada sabemos que não seja estar
na superfície da leveza exacta
Amamos a vertigem lúcida o frémito
do equilíbrio subtil
Longo longo é o tempo do intacto longo
é o tempo do túmido percurso
…………………………………..
Sulcando os sulcos do imprevisível
nas areias repousadas
gozamos o sabor e a cintilação dos frutos
ramos ardentes do ser do espaço livre
………………………………………
Folheamos o corpo da terra no tremor
de um deus longo que se inclina e soletra
as palavras jamais ditas mas ouvidas
no sopro subtil no fogo
aéreo
…………………………………….
Vemos as minúcias do solo vemos a
secreta face silenciosa
nascemos no aqui no seu segredo
indecifrável somos
um imóvel olhar na nitidez do resplendor
………………………………………….
Flui um rio no rio
1 120
António Ramos Rosa
Terra Aérea
Aqui o livro abriu-se
à claridade da água
*
Para o cimo plano lâmpadas incertas navegam
folhas e lábios reúnem-se
*
Livres onde a respiração é o movimento
a tranquila exaltação
*
As palavras onduladas indivisíveis múltiplas
*
Antes de começar e só quando começa
a circulação da luz
de um sol azul claro
*
Terra mais viva aérea terra amiga
sem segredos e obscura e viva
*
Sem movimento a boca exalta
o suspiro que alimenta e dilata
*
Com os lábios do fogo
com os lábios da água
subimos à torre da lucidez do silêncio
*
O cimo é azul como o sol do princípio
*
Nenhum apelo no silêncio das árvores
Quietude plena quase um frémito uma asa
A terra é uma frase completa e contínua
*
Subimos descemos pela escada esculpida
Em cada janela a terra tem um rosto igual
*
Nenhum segredo nenhuma voz O cimo é a delícia
de uma pura igualdade e permanência suave
*
Habitar a terra é ser o olhar e a luz
Não se diz o sim nem sequer se segreda
*
Um mais aéreo e íntimo movimento
Amplitude calma liberdade
*
Todo o olhar é uma confirmação do lugar e do ser
Força permanência suavidade
*
A quase totalidade do esplendor do ser
*
Uma festa mais extrema luz mais luminosa
Domínio do ar do espaço e do lugar
à claridade da água
*
Para o cimo plano lâmpadas incertas navegam
folhas e lábios reúnem-se
*
Livres onde a respiração é o movimento
a tranquila exaltação
*
As palavras onduladas indivisíveis múltiplas
*
Antes de começar e só quando começa
a circulação da luz
de um sol azul claro
*
Terra mais viva aérea terra amiga
sem segredos e obscura e viva
*
Sem movimento a boca exalta
o suspiro que alimenta e dilata
*
Com os lábios do fogo
com os lábios da água
subimos à torre da lucidez do silêncio
*
O cimo é azul como o sol do princípio
*
Nenhum apelo no silêncio das árvores
Quietude plena quase um frémito uma asa
A terra é uma frase completa e contínua
*
Subimos descemos pela escada esculpida
Em cada janela a terra tem um rosto igual
*
Nenhum segredo nenhuma voz O cimo é a delícia
de uma pura igualdade e permanência suave
*
Habitar a terra é ser o olhar e a luz
Não se diz o sim nem sequer se segreda
*
Um mais aéreo e íntimo movimento
Amplitude calma liberdade
*
Todo o olhar é uma confirmação do lugar e do ser
Força permanência suavidade
*
A quase totalidade do esplendor do ser
*
Uma festa mais extrema luz mais luminosa
Domínio do ar do espaço e do lugar
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António Ramos Rosa
Olhar Sem Olhar
Em qualquer parte, talvez, uma palavra arde. Um acto do universo, não uma palavra, mas uma palavra ainda: a chuva cai sobre as cores, lava os pórticos, refresca os deuses. O que me atrai são os confusos indícios de uma prosa marinha, os fluxos, os matizes, as pausas, as minúcias de uma música que se esvai ao mesmo tempo que se abate sobre a muralha a grande ressaca de uma outra escrita ou contra-escrita. Quero seguir o bulício mais vivo de uma outra cidade que nunca vi. As manchas das casas revelariam as relações que só se distinguem nos indefiníveis intervalos em que a morte de súbito se extingue e um rosto intacto se entremostra. Há uma limpidez exacta e uma vivacidade mate nos murmúrios e nas cenas, nas sombras e surpresas. Então, num impulso de atenção outra, cega e vidente, a mão levanta-se e compreende o intenso e inenarrável momento de aliança completa entre o corpo e a terra, entre as sombras e a claridade.
1 054
António Ramos Rosa
Não Dissemos As Palavras Mais Simples
Não dissemos as palavras mais simples
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
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António Ramos Rosa
Não Dissemos As Palavras Mais Simples
Não dissemos as palavras mais simples
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
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António Ramos Rosa
Não Dissemos As Palavras Mais Simples
Não dissemos as palavras mais simples
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
a caligrafia das águas sobre a pedra uma pedra vacila verde
as árvores despertam dormem apertadas na concavidade do rumor
não dissemos ainda as pálpebras longínquas do horizonte
o trémulo deslumbramento da água jorrando lisa da terra
não dissemos a progressão das formigas em torno da árvore
de claras malhas como um leopardo
não dissemos as vagas sombras imóveis as folhas verdes
as altas e negras flores nas varandas suspensas
não dissemos sequer o nascimento da terra e do cavalo
as manhãs a meia-noite o turbilhão
do ventre o arranque para a primeira explosão no mar e o muro
onde o tempo se condensa como um navio suspenso sobre o mar vertical
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António Ramos Rosa
Na Sequência Viva
O que tu lês é/será uma música da folhagem, não do lábio sôfrego, não do fôlego exausto. O que procuramos está no vento que se vai levantar, na seiva e no sangue dos dois lábios amantes, o teu e o meu, na sequência viva da substância escrita, homogénea, heterogénea. O que arde é a chama do silêncio do não-lugar que é clareira e cimo, vértice e prumo de uma linguagem enamorada do rosto de cada palavra, das veias da árvore que nos ergue à transparência oculta de cada folha. O instante, na sua aérea fugacidade, o espaço na sua disseminação amante, requer a confiança sem delírio nem vertigem, um silêncio que não é o silêncio mas a sombra da claridade que cada palavra cria no seu descoberto caminho.
1 206
António Ramos Rosa
Celebração da Terra
Desenhar o sono e o volume da cabeça
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
1 035
António Ramos Rosa
Celebração da Terra
Desenhar o sono e o volume da cabeça
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
que no sóbrio sossego vai caindo
É o momento da terra das cigarras dos montes
a janela está aberta
às presenças intactas
*
É uma presença da água e da luz na água
a superfície isenta límpida de uma página
A palavra é o ar não é ainda a palavra
nada se inventa que não seja um torso aéreo
o dia completa-se com o dia
*
Aqui se recebem as ondas sobre as ondas
o corpo já não espera vive numa planície
Tudo respira e tudo é exacto e puro
Ondulação do simples ondulação do completo
O universo é a terra que respira é o corpo liberto
A luz cria o silêncio e a palavra a indizível unidade
Tudo se compreende no domínio do ar
Não há labirintos mas caminhos e horizontes clareiras
Tudo o que se agita é leve e confirma o silêncio
*
Num tumulto lento quase paralisado
o âmbito dilata-se sobre a sombra
a terra compreende-se nas vertentes duplas
da água nasce a árvore silenciosa
e o ar reconstitui a terra submersa
O fulgor alimenta uma palavra límpida
*
Além do ar o ar azul
além da terra a terra verde e azul
além da água a água verde azul ou cinza
três reinos num só reino um só domínio aéreo
*
Uma névoa se desfaz o céu presença plácida
e completa
nenhuma interrogação trai a claridade viva
nenhum pesar nenhum ardor nenhuma fúria
tudo se consome e reaviva em tranquilas presenças
1 035
António Ramos Rosa
Matéria Incerta
Em contacto com Matéria ardente
sem visíveis margens Nenhum lugar
ou objecto Cegueira
quase
*
No papel a opacidade é branca
*
Respiro esta matéria
agora fria agora mais ardente
*
Mas o lugar é impensável
nada que possa suscitar uma perspectiva
nem um plano imediatamente presente
*
Mas há o odor do mar Um cheiro a força
e a mão como se estende dilata-se no papel
*
Intensidades breves sem um arco
Vida sem visão autónoma Vazio sem teia
*
É um trabalho incerto reunir estes sinais
*
Estas palavras serão talvez o indício ou o início
das figuras mais frescas da manhã
sem visíveis margens Nenhum lugar
ou objecto Cegueira
quase
*
No papel a opacidade é branca
*
Respiro esta matéria
agora fria agora mais ardente
*
Mas o lugar é impensável
nada que possa suscitar uma perspectiva
nem um plano imediatamente presente
*
Mas há o odor do mar Um cheiro a força
e a mão como se estende dilata-se no papel
*
Intensidades breves sem um arco
Vida sem visão autónoma Vazio sem teia
*
É um trabalho incerto reunir estes sinais
*
Estas palavras serão talvez o indício ou o início
das figuras mais frescas da manhã
1 117
António Ramos Rosa
Entre Desejo E Sombra
entre desejo e sombra
umas pálidas pernas uma fugaz
fornalha o som
do orvalho
como te quero não sei
este veneno puro
esta alga incerta
são os números do fogo
corro com as perguntas e
as pedras ferozes
entravo o ritmo das
aves tempestuosas
que súbitas tenazes
vêm rodopiando
sobre a terra dos nomes
sobre o fogo dos caminhos
como renascer hoje
com uma imperícia atroz
o flanco esquerdo ferido
e a moribunda lua
seguirei este atalho
de formigas e fósseis
até ao anel de pedra
ao vislumbre da vespa
umas pálidas pernas uma fugaz
fornalha o som
do orvalho
como te quero não sei
este veneno puro
esta alga incerta
são os números do fogo
corro com as perguntas e
as pedras ferozes
entravo o ritmo das
aves tempestuosas
que súbitas tenazes
vêm rodopiando
sobre a terra dos nomes
sobre o fogo dos caminhos
como renascer hoje
com uma imperícia atroz
o flanco esquerdo ferido
e a moribunda lua
seguirei este atalho
de formigas e fósseis
até ao anel de pedra
ao vislumbre da vespa
620
António Ramos Rosa
Percurso
Ela tem a cor de uma fábula e é um animal.
Não lhe chames lâmpada.
Tudo o que ela diz é uma ficção inesperada.
Ela caminha entre a parede e o espaço.
Não lhe chames lâmpada.
Tudo o que ela diz é uma ficção inesperada.
Ela caminha entre a parede e o espaço.
964
António Ramos Rosa
Insituável Lugar
Um oblíquo solo Um contorno
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
1 126
António Ramos Rosa
Insituável Lugar
Um oblíquo solo Um contorno
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
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António Ramos Rosa
Insituável Lugar
Um oblíquo solo Um contorno
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
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António Ramos Rosa
Insituável Lugar
Um oblíquo solo Um contorno
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
adormecido iluminado
Confiança na lentidão para um desvio
e uma aliança no intacto
Canais inextricáveis
em todos os sentidos Nenhum
centro mas
estigmas eflúvios sussurros
sombras de animais furtivos
o bafo germinal o negro
do interdito corpo
Insituável lugar cintilações
de um jogo Como
iniciar a espiral para além do magma?
Desenrola-se sobre os resíduos sob o vento
uma espécie de
animal ou fábula ou deus pequeno
Sombras resvalam O amarelo
contém o negro As veias traçam
o contorno de umas palavras de pedra
Nenhuma semelhança na folhagem opaca
Um caminho nocturno principia
para a presença talvez de uma figura
Conivência do sangue com o ar
quando nasce uma folha um sol
quando o deslumbramento da ferida
fogos minúsculos no mármore ascendem
tenazes ténues moléculas
ao longo de uma língua de sombra e verde
um clamor se eleva no limiar
de uma profunda câmara
de frescura
a linguagem confunde-se com a nascente
a clara boca abre-se ao esquecimento
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