Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Entre Vestígios Verdes
Entre vestígios verdes
entre pedras
de sono as frases
das ervas
verdes brancas
entre pedras
de sono as frases
das ervas
verdes brancas
1 091
António Ramos Rosa
Casa Entre Árvores
Casa entre árvores
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
1 080
António Ramos Rosa
Pedra de Sol Na Boca
Pedra de sol na boca
língua verde
ombros no horizonte
próximos
língua verde
ombros no horizonte
próximos
1 009
António Ramos Rosa
Um Mar Furtivo Entre Dois Ventos
Um mar furtivo entre dois ventos
no limite
das árvores as vagas
no papel áridas asas
uma cabeça oca branca entre algas dedos
transparência da luz alta
sobre as pálpebras
ávida morte nua lápide da sombra
no limite
das árvores as vagas
no papel áridas asas
uma cabeça oca branca entre algas dedos
transparência da luz alta
sobre as pálpebras
ávida morte nua lápide da sombra
1 069
António Ramos Rosa
A Sombra do Vento
A sombra do vento
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
568
António Ramos Rosa
69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura
69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
535
António Ramos Rosa
Não É Um Texto:
Não é um texto:
é um movimento da sombra
o pulso dos passos: pedra A mão
traça
o caminho separa as sombras
no desejo de ervas claras de ervas vivas
e só as pálpebras
pesam
sobre o texto
sem árvores
o braço oscila na montanha
é um movimento da sombra
o pulso dos passos: pedra A mão
traça
o caminho separa as sombras
no desejo de ervas claras de ervas vivas
e só as pálpebras
pesam
sobre o texto
sem árvores
o braço oscila na montanha
1 074
António Ramos Rosa
Movo-Me Sobre a Montanha
Movo-me sobre a montanha
entre as pálpebras do caminho
A fragilidade da frase
na marcha
sob a cinza
do sol
o eco detém-se à altura da garganta
aridez da água aridez uma parede
que ascende o papel da sombra
entre as pálpebras do caminho
A fragilidade da frase
na marcha
sob a cinza
do sol
o eco detém-se à altura da garganta
aridez da água aridez uma parede
que ascende o papel da sombra
1 060
António Ramos Rosa
43. Definição do Dia Pela Palavra do Corpo
43
Definição do dia pela palavra do corpo
aceso: cintilação das imagens sob
a escrita não límpida e escrita impura
da negra verdura do não saber exacto.
A aranha verde da folhagem verde
tece as linhas de linguagem e sombra
ardente e esquece o que tece esquece a arma
o corpo do desejo armas discretas.
Quem saberá do silêncio das folhas
e da perspectiva incendiada sob
a não verdade a confusão o medo.
Definição do dia pela palavra do corpo
aceso: cintilação das imagens sob
a escrita não límpida e escrita impura
da negra verdura do não saber exacto.
A aranha verde da folhagem verde
tece as linhas de linguagem e sombra
ardente e esquece o que tece esquece a arma
o corpo do desejo armas discretas.
Quem saberá do silêncio das folhas
e da perspectiva incendiada sob
a não verdade a confusão o medo.
1 076
António Ramos Rosa
Uma Falha Entre
Uma falha entre
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
995
António Ramos Rosa
63. Branca E Profunda Ausência Que Desvias
63
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
1 107
António Ramos Rosa
56. Mancha da Perna Maternal
56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
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