Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 112
António Ramos Rosa
A Sombra do Vento
A sombra do vento
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
a sombra e o vento
para respirar
no vento na sombra
570
António Ramos Rosa
Uma Falha Entre
Uma falha entre
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
997
António Ramos Rosa
Movo-Me Sobre a Montanha
Movo-me sobre a montanha
entre as pálpebras do caminho
A fragilidade da frase
na marcha
sob a cinza
do sol
o eco detém-se à altura da garganta
aridez da água aridez uma parede
que ascende o papel da sombra
entre as pálpebras do caminho
A fragilidade da frase
na marcha
sob a cinza
do sol
o eco detém-se à altura da garganta
aridez da água aridez uma parede
que ascende o papel da sombra
1 061
António Ramos Rosa
Casa Entre Árvores
Casa entre árvores
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
tranquila próxima
na transparência
opaca e azul opaca
E azul
1 083
António Ramos Rosa
81. Verde E Tu Verás Por Sobre o Sono
81
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
1 056
António Ramos Rosa
81. Verde E Tu Verás Por Sobre o Sono
81
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
1 056
António Ramos Rosa
81. Verde E Tu Verás Por Sobre o Sono
81
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
Verde e tu verás por sobre o sono
das marés o único céu abrindo o mar
ou senão o campo em que verás o céu das árvores.
E o animal que não dança mas que exalta
o corpo da mulher da lança
ela própria a lança o pulso que a persegue.
A lisa redondez é toda ela face
figura sem imagem e imagem de outra imagem
— verde e tu verás a extrema lança: verde.
1 056
António Ramos Rosa
63. Branca E Profunda Ausência Que Desvias
63
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
Branca e profunda ausência que desvias
o vagar e vagas indecisa
a lava que tu levas no declive
aproxima a sombra de outra sombra viva.
E cresces no labirinto, uma palavra bela.
E atónitas pupilas tu deslocas
onde arde um campo nas praias desta noite
e as artérias ardem nos ramos dessa noite.
Não guardes a beleza porque é o terror que arde
a rasar pelo silêncio e lentamente
a grade é sacudida nas artérias.
Não é portanto um caminho, o vagar da tua força
abre-te a solidão e tu dirás a lâmpada
com a insegura mão crestada sobre o muro.
1 110
António Ramos Rosa
25. o Ombro de — Nenhum Ombro Ó Ombro
25
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
1 042
António Ramos Rosa
25. o Ombro de — Nenhum Ombro Ó Ombro
25
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
1 042
António Ramos Rosa
44. Permanecer Aqui (E Quando?)
44
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
929
António Ramos Rosa
23. Clamor do Sangue Respiração Montanha
23
Clamor do sangue respiração montanha
renascendo sobre os sabres luz do corpo
riso informulado do respirar da árvore.
E folha sobre folha ardência de outro corpo
e mais ardor de ser mais corpo sobre o corpo
vivacidade vermelha de inesgotável óleo.
Terra e sangue maravilha negra
de substância de entusiasmo e altitude
ilimitado corpo sobre o campo iluminado.
Clamor do sangue respiração montanha
renascendo sobre os sabres luz do corpo
riso informulado do respirar da árvore.
E folha sobre folha ardência de outro corpo
e mais ardor de ser mais corpo sobre o corpo
vivacidade vermelha de inesgotável óleo.
Terra e sangue maravilha negra
de substância de entusiasmo e altitude
ilimitado corpo sobre o campo iluminado.
1 185
António Ramos Rosa
27. Aspecto de — Ou Circunstância Simples
27
Aspecto de — ou circunstância simples
do pobre membro inútil de tão pobre
que ninguém diz a terra e o muro de cinza
que ninguém fala do membro pobre e nu.
A não verdade e a verdade, a dupla
vulva longa e querida impenetrável
despe o membro da terra/adoração
do simples sol pequeno mas palpável.
O nascimento é isto: o isto
de nenhuma fala, escrita na
parede corrompida e curta
onde está o membro, o sol pequeno.
Aspecto de — ou circunstância simples
do pobre membro inútil de tão pobre
que ninguém diz a terra e o muro de cinza
que ninguém fala do membro pobre e nu.
A não verdade e a verdade, a dupla
vulva longa e querida impenetrável
despe o membro da terra/adoração
do simples sol pequeno mas palpável.
O nascimento é isto: o isto
de nenhuma fala, escrita na
parede corrompida e curta
onde está o membro, o sol pequeno.
1 016
António Ramos Rosa
56. Mancha da Perna Maternal
56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
997
António Ramos Rosa
69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura
69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
536
António Ramos Rosa
65. Revelação da Visão Obscurecido o Ser
65
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
Revelação da visão obscurecido o ser
terra não a verde mas a terra e o nome
que segue a folhagem sem centro e sem as margens,
pura extensão, folhagem, violação das partes
densas onde o olhar se perde. Encontro
do alto muro do ser, de líquida voragem
violência de terra e da linguagem alta
que a linguagem ilumina nas falhas do olhar.
Violência verde; muro: voragem
interpretação ao rés da terra lisa
tempo sem tempo, olhar que vê sem ver.
1 154
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 106
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 106
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
991
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
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