Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Dizer o Fulgor Sem a Lâmpada
Dizer o fulgor sem a lâmpada
sem
a cor da página
ar de boca breve
tecer a nuca desse animal
de sede
onde beber a língua de água e ser
Antes do barco ou pedra ou erva
a palpitação de um branco
insecto
a perna mais violenta
sobre o barco
o seio negro
sob a maré de Março
Abrir o branco a branco toque
de pupila liberta sob as letras
abrir a lâmpada
de vertigem branca
sem
a cor da página
ar de boca breve
tecer a nuca desse animal
de sede
onde beber a língua de água e ser
Antes do barco ou pedra ou erva
a palpitação de um branco
insecto
a perna mais violenta
sobre o barco
o seio negro
sob a maré de Março
Abrir o branco a branco toque
de pupila liberta sob as letras
abrir a lâmpada
de vertigem branca
945
António Ramos Rosa
Com a Cabeça Vibrante Ao Largo
Com a cabeça vibrante ao largo
com a cabeça tocando os limites largos
com o vento soprando no vazio da cabeça
com a língua ávida respirando o sol do ar
antes ainda do depois
aqui na avidez perene do ar do mar
o eterno efémero a respirar
sem mais com todo o mais
sulcado todo pelo ar
com a cabeça tocando os limites largos
com o vento soprando no vazio da cabeça
com a língua ávida respirando o sol do ar
antes ainda do depois
aqui na avidez perene do ar do mar
o eterno efémero a respirar
sem mais com todo o mais
sulcado todo pelo ar
949
António Ramos Rosa
Com a Cabeça Vibrante Ao Largo
Com a cabeça vibrante ao largo
com a cabeça tocando os limites largos
com o vento soprando no vazio da cabeça
com a língua ávida respirando o sol do ar
antes ainda do depois
aqui na avidez perene do ar do mar
o eterno efémero a respirar
sem mais com todo o mais
sulcado todo pelo ar
com a cabeça tocando os limites largos
com o vento soprando no vazio da cabeça
com a língua ávida respirando o sol do ar
antes ainda do depois
aqui na avidez perene do ar do mar
o eterno efémero a respirar
sem mais com todo o mais
sulcado todo pelo ar
949
António Ramos Rosa
No Abandono Límpido Sem Sinais
No abandono límpido sem sinais
só com o ar no ar
antes ainda que a palavra diga o ar
para olhar de frente essa força branca
de um vasto silêncio na distância
num puro assombro de plenitude alegre
no abrir inteiro do olhar do ar
só com o ar no ar
antes ainda que a palavra diga o ar
para olhar de frente essa força branca
de um vasto silêncio na distância
num puro assombro de plenitude alegre
no abrir inteiro do olhar do ar
921
António Ramos Rosa
Nem Antes Como Depois No Escuro Silêncio
Nem antes como depois no escuro silêncio
do sol no estrépito da espuma
do dia branco
no incessante intervalo entre mar e mar
um arranque de água em todo o corpo aceso
um abrir os poros a todo o sol do ar
e cada vez mais até à lâmina da água
o frígido murmúrio da ferida junto à boca
o rasgar das pernas na delícia do gelo
a pedra do mar e os lábios delirantes
no ar do sol do mar
do sol no estrépito da espuma
do dia branco
no incessante intervalo entre mar e mar
um arranque de água em todo o corpo aceso
um abrir os poros a todo o sol do ar
e cada vez mais até à lâmina da água
o frígido murmúrio da ferida junto à boca
o rasgar das pernas na delícia do gelo
a pedra do mar e os lábios delirantes
no ar do sol do mar
1 031
António Ramos Rosa
Nem Antes Como Depois No Escuro Silêncio
Nem antes como depois no escuro silêncio
do sol no estrépito da espuma
do dia branco
no incessante intervalo entre mar e mar
um arranque de água em todo o corpo aceso
um abrir os poros a todo o sol do ar
e cada vez mais até à lâmina da água
o frígido murmúrio da ferida junto à boca
o rasgar das pernas na delícia do gelo
a pedra do mar e os lábios delirantes
no ar do sol do mar
do sol no estrépito da espuma
do dia branco
no incessante intervalo entre mar e mar
um arranque de água em todo o corpo aceso
um abrir os poros a todo o sol do ar
e cada vez mais até à lâmina da água
o frígido murmúrio da ferida junto à boca
o rasgar das pernas na delícia do gelo
a pedra do mar e os lábios delirantes
no ar do sol do mar
1 031
António Ramos Rosa
Entre o Frio E o Sol
A casa, a luz, o espaço.
Em vão escritas, sem a luz.
O espaço sem o espaço.
O corpo sem a casa.
Um sopro sobre o espaço
desta folha.
Sem a chama.
E sem a mão que ascende sobre
a superfície iluminada.
*
Um débil sopro. Demasiado
débil.
Porquê chamar-lhe pulso
ou lâmpada?
Nenhum ardor possível.
Nenhuma violência viva
na mão nua.
*
Onde dissesse verde, a água,
intenso, azul, as ervas, livres,
ar, selvagem,
o pulso incandescente,
a língua sobre a língua.
*
Quem desenha o dia?
Muro a muro?
E quem respira?
*
Um furor branco
contra a folha branca.
Oh, se o desejo deflagrasse
num incêndio verde.
*
De casa a casa, de rosto
a rosto.
Um espaço.
E a água no braço.
Como um fogo
para ver
a chama da folha.
*
Nomeio a chama verde, a veemência
tranquila,
uma lâmpada nova.
O que toca a mão é a água viva.
*
Apenas uma lâmina. De terra?
E um sopro.
A sombra acesa? A luz?
A parede na água.
A lâmpada flutuando.
A mão na terra.
*
Entre o frio e o sol
a mão ensaia
um só desejo
entre a pedra e a água.
Os dedos hirtos. Luz gelada.
Lâmpada abolida.
Mão aniquilada.
Só vivas as margens brancas.
*
Que reste apenas esta parede branca.
O incompleto ser,
brusco animal,
tem aqui a sua boca de água.
Em vão escritas, sem a luz.
O espaço sem o espaço.
O corpo sem a casa.
Um sopro sobre o espaço
desta folha.
Sem a chama.
E sem a mão que ascende sobre
a superfície iluminada.
*
Um débil sopro. Demasiado
débil.
Porquê chamar-lhe pulso
ou lâmpada?
Nenhum ardor possível.
Nenhuma violência viva
na mão nua.
*
Onde dissesse verde, a água,
intenso, azul, as ervas, livres,
ar, selvagem,
o pulso incandescente,
a língua sobre a língua.
*
Quem desenha o dia?
Muro a muro?
E quem respira?
*
Um furor branco
contra a folha branca.
Oh, se o desejo deflagrasse
num incêndio verde.
*
De casa a casa, de rosto
a rosto.
Um espaço.
E a água no braço.
Como um fogo
para ver
a chama da folha.
*
Nomeio a chama verde, a veemência
tranquila,
uma lâmpada nova.
O que toca a mão é a água viva.
*
Apenas uma lâmina. De terra?
E um sopro.
A sombra acesa? A luz?
A parede na água.
A lâmpada flutuando.
A mão na terra.
*
Entre o frio e o sol
a mão ensaia
um só desejo
entre a pedra e a água.
Os dedos hirtos. Luz gelada.
Lâmpada abolida.
Mão aniquilada.
Só vivas as margens brancas.
*
Que reste apenas esta parede branca.
O incompleto ser,
brusco animal,
tem aqui a sua boca de água.
1 046
António Ramos Rosa
Como Uma Diferença Desconhecida Sem Diferença
Como uma diferença desconhecida sem diferença
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
1 078
António Ramos Rosa
Como Uma Diferença Desconhecida Sem Diferença
Como uma diferença desconhecida sem diferença
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
1 078
António Ramos Rosa
A Mão Seria de Fugitiva Espécie
A mão seria de fugitiva espécie
no ar
de algum arbusto
e que desejo extremo
o pulso
sobre a boca suspensa
O corpo no interior da chama verde
da folhagem
o corpo no interior do corpo ardente
braço dentro
do fogo
sobre
o rosto da figura ilesa
roxo sobre a erva
O espírito das pernas tão redondas lentas
o penetrante gesto no puro ardor
das folhas
no ar
de algum arbusto
e que desejo extremo
o pulso
sobre a boca suspensa
O corpo no interior da chama verde
da folhagem
o corpo no interior do corpo ardente
braço dentro
do fogo
sobre
o rosto da figura ilesa
roxo sobre a erva
O espírito das pernas tão redondas lentas
o penetrante gesto no puro ardor
das folhas
990
António Ramos Rosa
Como Se
Tocar as margens desta página
deste corpo
como se existisse já o corpo
sem caminho
acender palavras trémulas
como se houvesse uma lâmpada
atravessar-te o corpo unânime
como se o visse já sob o relâmpago
dizer-te um a um
os dedos das carícias
num enxame de palavras quase vermelhas
quase
como se a língua falasse sob o trovão tremendo
dizer-te
esta laranja incandescente
este músculo que desce
em água doce
como se te visse já e te tocasse a pele
sob esta chuva escura
atravessar a espessura deste papel com letras
como se as letras fossem
feridas
no teu corpo
desenhar esse gesto
despenteado
como se o corpo
rolasse sob
as palavras mesmas
como se o caminho
se abrisse
tão perto
da tua boca
É como se te respirasse
se eu falasse
como se
respirasse
no caminho
como se estas palavras fossem já
esse caminho
para o teu corpo
como se houvesse um caminho
se eu falasse
se eu falar
Vejo-te imagem só
mas não o corpo
ou nem a imagem vejo mal respiro
E no entanto uma palavra ascende
o caminho é este
através
das palavras do teu corpo
são estas
as pedras
vermelhas
negras
sob a chuva
estas as mãos que buscam
o caminho na espessura
são o caminho já
tão perto já
da tua boca
da tua língua acesa
Se eu falar
é este o caminho dos teus cabelos
da tua boca
cada palavra treme
com o tremor dos teus pulsos
com a loucura feliz
desta mão que ascende
sobre o teu corpo
e desce
ao fundo
à água
do teu sexo
e beijo o teu nome
entre os teus dentes
deste corpo
como se existisse já o corpo
sem caminho
acender palavras trémulas
como se houvesse uma lâmpada
atravessar-te o corpo unânime
como se o visse já sob o relâmpago
dizer-te um a um
os dedos das carícias
num enxame de palavras quase vermelhas
quase
como se a língua falasse sob o trovão tremendo
dizer-te
esta laranja incandescente
este músculo que desce
em água doce
como se te visse já e te tocasse a pele
sob esta chuva escura
atravessar a espessura deste papel com letras
como se as letras fossem
feridas
no teu corpo
desenhar esse gesto
despenteado
como se o corpo
rolasse sob
as palavras mesmas
como se o caminho
se abrisse
tão perto
da tua boca
É como se te respirasse
se eu falasse
como se
respirasse
no caminho
como se estas palavras fossem já
esse caminho
para o teu corpo
como se houvesse um caminho
se eu falasse
se eu falar
Vejo-te imagem só
mas não o corpo
ou nem a imagem vejo mal respiro
E no entanto uma palavra ascende
o caminho é este
através
das palavras do teu corpo
são estas
as pedras
vermelhas
negras
sob a chuva
estas as mãos que buscam
o caminho na espessura
são o caminho já
tão perto já
da tua boca
da tua língua acesa
Se eu falar
é este o caminho dos teus cabelos
da tua boca
cada palavra treme
com o tremor dos teus pulsos
com a loucura feliz
desta mão que ascende
sobre o teu corpo
e desce
ao fundo
à água
do teu sexo
e beijo o teu nome
entre os teus dentes
565
António Ramos Rosa
Ferozmente Nulo Humilde Árido
Ferozmente nulo humilde árido
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
998
António Ramos Rosa
Ferozmente Nulo Humilde Árido
Ferozmente nulo humilde árido
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
998
António Ramos Rosa
A Noite da Rua
Mão longe
da mão longe a apagar-se
ao fim da mão a rua extrema fria
ao fim da mão a rua os olhos frios
mão da terra para
o sol frio
mão ou lâmpada
nos arbustos
Língua de sol a sombra nas esquinas
Mão fria tropeçada rente ao fim da rua
rente ao longe nua
no sol frio da noite
da mão longe a apagar-se
ao fim da mão a rua extrema fria
ao fim da mão a rua os olhos frios
mão da terra para
o sol frio
mão ou lâmpada
nos arbustos
Língua de sol a sombra nas esquinas
Mão fria tropeçada rente ao fim da rua
rente ao longe nua
no sol frio da noite
1 225
António Ramos Rosa
1. a (In)Coerência do Fogo
O desenho a fogo: os dedos e o sopro.
As pedras soltas suscitam algo,
uma textura sem segredo, aberta.
Como se não procurasse olho: sempre o deserto?
O corpo e essa onda, essa pedra — é uma linha
e o tumulto dos músculos no mar
eis o desejo da perda e do encontro
contra a parede, contra esta página
este deserto — o mar.
O sopro do incêndio da folhagem
esta rasura
no raso da inércia
ó apagada força amor do mar deserto força
reúno ou disperso pedras sobre o mar
ou pedras
Onde o corpo onde o desejo
perante o vento
a frágil força do corpo (aranha inerme)?
Se eu soprar as vértebras do fogo aqui
se subverter a folha e nu gritar
Eu continuo com estas pedras no deserto — no mar?
Nem são pedras estas pedras mas a garganta
enfrenta o vento — e o deserto,
que corpo que corpo se perde ao rés da página
ou terra?
Mas se não fosse o deserto — se fosse a praia
a música do corpo
e o vento no mar
e o teu corpo no meu corpo?
Mas tu esperas três palavras
três pedras
— e sem o fogo sem a folhagem sem o mar
Se um signo fosse a coluna do sangue
perante a maré perante o fogo
e não a morte este céu deserto
esta outra morte cega ao vento
este silêncio contra o peito?
Escrever assim mesmo com os ossos
com a proa do externo
com a morte no deserto
com as sílabas no deserto
Mas se o silêncio da praia — onde o mar? —
o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos
em torno ao centro — e a respiração do mar?
Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?
Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?
Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada é aqui neste deserto
Mas isto é, isto é, como se
um signo
fosse o sangue da lâmpada?
Desenho as formas vivas na areia
desenho este sulco no meu corpo
soçobro sobre o sulco — em frente o mar?
Que corpo se levanta? É um corpo, um outro corpo?
Um corpo que se ergue sobre a espuma
ou um sinal apenas sem o sangue?
A boca morde os dentes
a página está deserta
a praia está deserta.
A minha mão ergue-se num sinal vão
como se não desistisse.
As pedras nem são pedras
mas palavras
mas o desejo de um contacto incandescente
mas o ardor de um persistente insecto.
Praia, mar, sulcos na areia, vento
ou só deserto
eu vos invoco e vos insuflo a chama
da garganta,
eu apelo para o cântico. Caminho?
Mais do que a sílaba do mar
mais do que a flor imprevista
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que o ouro da areia
eu subscrevo o branco um novo corpo.
Ainda que nada veja senão as pedras
que delimitam o vazio
eu estou à beira de eu sou o intervalo
entre a folhagem e o fogo
e o silêncio é um sinal
do corpo.
As pedras soltas suscitam algo,
uma textura sem segredo, aberta.
Como se não procurasse olho: sempre o deserto?
O corpo e essa onda, essa pedra — é uma linha
e o tumulto dos músculos no mar
eis o desejo da perda e do encontro
contra a parede, contra esta página
este deserto — o mar.
O sopro do incêndio da folhagem
esta rasura
no raso da inércia
ó apagada força amor do mar deserto força
reúno ou disperso pedras sobre o mar
ou pedras
Onde o corpo onde o desejo
perante o vento
a frágil força do corpo (aranha inerme)?
Se eu soprar as vértebras do fogo aqui
se subverter a folha e nu gritar
Eu continuo com estas pedras no deserto — no mar?
Nem são pedras estas pedras mas a garganta
enfrenta o vento — e o deserto,
que corpo que corpo se perde ao rés da página
ou terra?
Mas se não fosse o deserto — se fosse a praia
a música do corpo
e o vento no mar
e o teu corpo no meu corpo?
Mas tu esperas três palavras
três pedras
— e sem o fogo sem a folhagem sem o mar
Se um signo fosse a coluna do sangue
perante a maré perante o fogo
e não a morte este céu deserto
esta outra morte cega ao vento
este silêncio contra o peito?
Escrever assim mesmo com os ossos
com a proa do externo
com a morte no deserto
com as sílabas no deserto
Mas se o silêncio da praia — onde o mar? —
o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos
em torno ao centro — e a respiração do mar?
Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?
Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?
Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada é aqui neste deserto
Mas isto é, isto é, como se
um signo
fosse o sangue da lâmpada?
Desenho as formas vivas na areia
desenho este sulco no meu corpo
soçobro sobre o sulco — em frente o mar?
Que corpo se levanta? É um corpo, um outro corpo?
Um corpo que se ergue sobre a espuma
ou um sinal apenas sem o sangue?
A boca morde os dentes
a página está deserta
a praia está deserta.
A minha mão ergue-se num sinal vão
como se não desistisse.
As pedras nem são pedras
mas palavras
mas o desejo de um contacto incandescente
mas o ardor de um persistente insecto.
Praia, mar, sulcos na areia, vento
ou só deserto
eu vos invoco e vos insuflo a chama
da garganta,
eu apelo para o cântico. Caminho?
Mais do que a sílaba do mar
mais do que a flor imprevista
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que o ouro da areia
eu subscrevo o branco um novo corpo.
Ainda que nada veja senão as pedras
que delimitam o vazio
eu estou à beira de eu sou o intervalo
entre a folhagem e o fogo
e o silêncio é um sinal
do corpo.
1 126
António Ramos Rosa
1. a (In)Coerência do Fogo
O desenho a fogo: os dedos e o sopro.
As pedras soltas suscitam algo,
uma textura sem segredo, aberta.
Como se não procurasse olho: sempre o deserto?
O corpo e essa onda, essa pedra — é uma linha
e o tumulto dos músculos no mar
eis o desejo da perda e do encontro
contra a parede, contra esta página
este deserto — o mar.
O sopro do incêndio da folhagem
esta rasura
no raso da inércia
ó apagada força amor do mar deserto força
reúno ou disperso pedras sobre o mar
ou pedras
Onde o corpo onde o desejo
perante o vento
a frágil força do corpo (aranha inerme)?
Se eu soprar as vértebras do fogo aqui
se subverter a folha e nu gritar
Eu continuo com estas pedras no deserto — no mar?
Nem são pedras estas pedras mas a garganta
enfrenta o vento — e o deserto,
que corpo que corpo se perde ao rés da página
ou terra?
Mas se não fosse o deserto — se fosse a praia
a música do corpo
e o vento no mar
e o teu corpo no meu corpo?
Mas tu esperas três palavras
três pedras
— e sem o fogo sem a folhagem sem o mar
Se um signo fosse a coluna do sangue
perante a maré perante o fogo
e não a morte este céu deserto
esta outra morte cega ao vento
este silêncio contra o peito?
Escrever assim mesmo com os ossos
com a proa do externo
com a morte no deserto
com as sílabas no deserto
Mas se o silêncio da praia — onde o mar? —
o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos
em torno ao centro — e a respiração do mar?
Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?
Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?
Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada é aqui neste deserto
Mas isto é, isto é, como se
um signo
fosse o sangue da lâmpada?
Desenho as formas vivas na areia
desenho este sulco no meu corpo
soçobro sobre o sulco — em frente o mar?
Que corpo se levanta? É um corpo, um outro corpo?
Um corpo que se ergue sobre a espuma
ou um sinal apenas sem o sangue?
A boca morde os dentes
a página está deserta
a praia está deserta.
A minha mão ergue-se num sinal vão
como se não desistisse.
As pedras nem são pedras
mas palavras
mas o desejo de um contacto incandescente
mas o ardor de um persistente insecto.
Praia, mar, sulcos na areia, vento
ou só deserto
eu vos invoco e vos insuflo a chama
da garganta,
eu apelo para o cântico. Caminho?
Mais do que a sílaba do mar
mais do que a flor imprevista
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que o ouro da areia
eu subscrevo o branco um novo corpo.
Ainda que nada veja senão as pedras
que delimitam o vazio
eu estou à beira de eu sou o intervalo
entre a folhagem e o fogo
e o silêncio é um sinal
do corpo.
As pedras soltas suscitam algo,
uma textura sem segredo, aberta.
Como se não procurasse olho: sempre o deserto?
O corpo e essa onda, essa pedra — é uma linha
e o tumulto dos músculos no mar
eis o desejo da perda e do encontro
contra a parede, contra esta página
este deserto — o mar.
O sopro do incêndio da folhagem
esta rasura
no raso da inércia
ó apagada força amor do mar deserto força
reúno ou disperso pedras sobre o mar
ou pedras
Onde o corpo onde o desejo
perante o vento
a frágil força do corpo (aranha inerme)?
Se eu soprar as vértebras do fogo aqui
se subverter a folha e nu gritar
Eu continuo com estas pedras no deserto — no mar?
Nem são pedras estas pedras mas a garganta
enfrenta o vento — e o deserto,
que corpo que corpo se perde ao rés da página
ou terra?
Mas se não fosse o deserto — se fosse a praia
a música do corpo
e o vento no mar
e o teu corpo no meu corpo?
Mas tu esperas três palavras
três pedras
— e sem o fogo sem a folhagem sem o mar
Se um signo fosse a coluna do sangue
perante a maré perante o fogo
e não a morte este céu deserto
esta outra morte cega ao vento
este silêncio contra o peito?
Escrever assim mesmo com os ossos
com a proa do externo
com a morte no deserto
com as sílabas no deserto
Mas se o silêncio da praia — onde o mar? —
o silêncio da página
suscitassem essa música do corpo
aqueles membros brancos
vermelhos
em torno ao centro — e a respiração do mar?
Um braço, uma torção do braço pela violência do vento
um cântico na praia
o corpo contra o corpo amante amado?
Uma sílaba apenas verde ou branca
e não o torso musical
e não a pedra do mar o esplendor da praia?
Ninguém ouve o grito sobre o vento
sobre o ventre de ninguém
nada se ouve entre estas pedras
nada é aqui neste deserto
Mas isto é, isto é, como se
um signo
fosse o sangue da lâmpada?
Desenho as formas vivas na areia
desenho este sulco no meu corpo
soçobro sobre o sulco — em frente o mar?
Que corpo se levanta? É um corpo, um outro corpo?
Um corpo que se ergue sobre a espuma
ou um sinal apenas sem o sangue?
A boca morde os dentes
a página está deserta
a praia está deserta.
A minha mão ergue-se num sinal vão
como se não desistisse.
As pedras nem são pedras
mas palavras
mas o desejo de um contacto incandescente
mas o ardor de um persistente insecto.
Praia, mar, sulcos na areia, vento
ou só deserto
eu vos invoco e vos insuflo a chama
da garganta,
eu apelo para o cântico. Caminho?
Mais do que a sílaba do mar
mais do que a flor imprevista
mais do que a sombra sobre o ombro
mais do que o ouro da areia
eu subscrevo o branco um novo corpo.
Ainda que nada veja senão as pedras
que delimitam o vazio
eu estou à beira de eu sou o intervalo
entre a folhagem e o fogo
e o silêncio é um sinal
do corpo.
1 126
António Ramos Rosa
Em Abandono Límpido a Brancura
Em abandono límpido a brancura
do invisível ar por sobre a fronte
com as palavras no limite de uma margem
no intervalo assombroso
onde súbito o silêncio é um estrépito branco
avançar no silêncio sobre as pedras
num arranque de água em todo o corpo
sobre um cume de lábios
sobre a terra sempre
no ouvido da montanha uma água verde
um silêncio poderoso de íman negro
do invisível ar por sobre a fronte
com as palavras no limite de uma margem
no intervalo assombroso
onde súbito o silêncio é um estrépito branco
avançar no silêncio sobre as pedras
num arranque de água em todo o corpo
sobre um cume de lábios
sobre a terra sempre
no ouvido da montanha uma água verde
um silêncio poderoso de íman negro
1 023
António Ramos Rosa
Em Abandono Límpido a Brancura
Em abandono límpido a brancura
do invisível ar por sobre a fronte
com as palavras no limite de uma margem
no intervalo assombroso
onde súbito o silêncio é um estrépito branco
avançar no silêncio sobre as pedras
num arranque de água em todo o corpo
sobre um cume de lábios
sobre a terra sempre
no ouvido da montanha uma água verde
um silêncio poderoso de íman negro
do invisível ar por sobre a fronte
com as palavras no limite de uma margem
no intervalo assombroso
onde súbito o silêncio é um estrépito branco
avançar no silêncio sobre as pedras
num arranque de água em todo o corpo
sobre um cume de lábios
sobre a terra sempre
no ouvido da montanha uma água verde
um silêncio poderoso de íman negro
1 023
António Ramos Rosa
Braço Feliz Ardente
Braço feliz ardente
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
522
António Ramos Rosa
Braço Feliz Ardente
Braço feliz ardente
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
522
António Ramos Rosa
No Parque
Há uma distância de ser que é ainda uma forma de estar no mundo. Esta distância é uma lâmina. Sou uma constante margem que percorro até ao centro de cada coisa.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
1 058
António Ramos Rosa
No Parque
Há uma distância de ser que é ainda uma forma de estar no mundo. Esta distância é uma lâmina. Sou uma constante margem que percorro até ao centro de cada coisa.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
1 058
António Ramos Rosa
No Parque
Há uma distância de ser que é ainda uma forma de estar no mundo. Esta distância é uma lâmina. Sou uma constante margem que percorro até ao centro de cada coisa.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
Sou o espelho
deste espaço.
*
Uma pedra acesa e clara aspira o verde aroma do parque. A cegueira branca é ver as formas habitadas pela força calma.
*
Uma pedra, no dia aceso, o átrio do olhar cada vez mais alto. Inundado insecto ante o jorro compacto de uma árvore.
*
O princípio de um chão e de um rosto a centrar-se num espaço novo entre margens vivas verdes. Assim, abro a face do dia, bebo a língua do vento.
*
Posso apagar a hora,
abrir o pulso
do instante.
*
Estabeleço-me na altura verde do chão. Respiro o arbusto de pequenas folhas frescas. A delicada razão do seu ser em paz dançável com o ar.
*
O espaço aniquilou-me e dele renasço, olhando o mundo aberto.
*
Piso o chão novo animado da imóvel e branca oscilação do espaço arborescente.
*
Tenho o poder suave de me enrolar na doce espiral do dia.
*
Conheço a tranquila latitude da terra.
1 058
António Ramos Rosa
Uma Figura Errante, Ainda Incerta — E Sempre?
Uma figura errante, ainda incerta — e sempre?
Alguma folha nova caída de algum ramo?
Cai a sóbria noite em teus cabelos negros.
Pela janela vejo os campos divididos.
O cavalo entre nós é a força da paz
que dos teus ombros desce até aos teus joelhos.
Ganhei também meu rosto na sombra dolorosa.
O meu beijo, na música, é um gesto perfeito.
Suavidade intensa, uma estrela entre nós
num chão de suor negro, uma harmonia forte,
neste abraço ganhamos a força e o horizonte.
Alguma folha nova caída de algum ramo?
Cai a sóbria noite em teus cabelos negros.
Pela janela vejo os campos divididos.
O cavalo entre nós é a força da paz
que dos teus ombros desce até aos teus joelhos.
Ganhei também meu rosto na sombra dolorosa.
O meu beijo, na música, é um gesto perfeito.
Suavidade intensa, uma estrela entre nós
num chão de suor negro, uma harmonia forte,
neste abraço ganhamos a força e o horizonte.
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