Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Braço Feliz Ardente
Braço feliz ardente
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
pulso dentro
de um rasgar de acender
a nudez verde
parte de ser
a delícia da parte
o todo de encanto caindo sobre a face
Verão animal
da mão
até ao seio
a frescura do centro
a bondade mais grossa mais divina
O ser redondo
em partes
num tumulto
de espuma sobre lábios
e cabelos
até que o silêncio beije a praia rasa
528
António Ramos Rosa
Com o Tremor da Mão,
Com o tremor da mão,
vivendo o ferro de um instante ileso,
a mão no dorso do cavalo destemperado.
Conter aqui o curso desesperado,
a noite.
O rio convulso e negro e essa bandeira escura
que flutua sobre a água.
Retalhar a mão na página,
ferir de alegria o branco,
recuperar a vida na deflagração do orgasmo.
A mão quebrada cede o seu lugar ao pulso.
À água destas linhas, à espécie
mais amarga
de uma amêndoa amorosa.
vivendo o ferro de um instante ileso,
a mão no dorso do cavalo destemperado.
Conter aqui o curso desesperado,
a noite.
O rio convulso e negro e essa bandeira escura
que flutua sobre a água.
Retalhar a mão na página,
ferir de alegria o branco,
recuperar a vida na deflagração do orgasmo.
A mão quebrada cede o seu lugar ao pulso.
À água destas linhas, à espécie
mais amarga
de uma amêndoa amorosa.
1 073
António Ramos Rosa
Quem Vem Negar As Folhas,
Quem vem negar as folhas,
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
638
António Ramos Rosa
Quem Vem Negar As Folhas,
Quem vem negar as folhas,
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
638
António Ramos Rosa
Entre o Desejo E As Flores As Raparigas Altas
Entre o desejo e as flores as raparigas altas
medem a densidade de uma pureza impura,
jogam o jogo intenso da majestade e usura,
raparigas levadas pelas linhas fluentes.
Viver as raparigas no pudor da negrura,
vivê-las altamente e pelas suas virilhas,
tomá-las o mais rápido até ao centro delas,
rodopiando o fogo no ventre de merecê-las.
Ó vivas raparigas da cor do próprio alento,
aprisionai-me a um muro ou entre vós eu caia
no perfume desatado dos vossos corpos límpidos.
medem a densidade de uma pureza impura,
jogam o jogo intenso da majestade e usura,
raparigas levadas pelas linhas fluentes.
Viver as raparigas no pudor da negrura,
vivê-las altamente e pelas suas virilhas,
tomá-las o mais rápido até ao centro delas,
rodopiando o fogo no ventre de merecê-las.
Ó vivas raparigas da cor do próprio alento,
aprisionai-me a um muro ou entre vós eu caia
no perfume desatado dos vossos corpos límpidos.
1 011
António Ramos Rosa
Aqui Seria E É a Força Intensa
Aqui seria e é a força intensa
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
1 044
António Ramos Rosa
Aqui Seria E É a Força Intensa
Aqui seria e é a força intensa
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
1 044
António Ramos Rosa
Aqui Seria E É a Força Intensa
Aqui seria e é a força intensa
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
do alto caule do cavalo aceso
sobre a cinza de outra terra escassa.
Este animal agora é todo branco.
Donde o arranco? A uma treva espessa,
onde amarrado em pó jazia.
Impaciente jogo, o escrevo a salvo
de todos os desastres e ruínas.
Ei-lo alcandorado ao cimo da montanha,
a minha mão condu-lo com a mansidão da terra.
Vou dar-lhe a beber o sol inteiro.
1 044
António Ramos Rosa
Presença Ausência
a Jean Malrieu
Chamo-te chamo-te ao rés da terra
face de sombra e erva Não és o rosto nem a
sombra do corpo
Chamo-te face de sombra
e erva
sem saber se te chamo
ou se escrevo apenas a sombra de uma palavra
Se te encontrasse diria esplendor diria rosto
viveria como uma folha à sombra de uma folha
Tantas sombras sombras Se escrever fosse
percorrer o teu corpo
ou as feridas em que a terra sangra
Que palavras são estas no deserto
que palavras tão lentas
tão pobres
Quando é que foste o esplendor
e os membros altos se juntavam lentos
chama sobre chama
boca contra boca?
Porquê estas palavras estas sombras de pedra
pedras de sombra
jogos nulos no vazio da areia
Se te chamo não sei com que palavra
te acordarei
Que argila límpida
te moldará o rosto que olhos de água
me darão teu corpo na surpresa da terra
E todavia chamo-te na ténue pulsação destas palavras tão ténues como pálpebras de areia chamo-te sem saber se te vejo se
tu existes para aquém ou para além destas palavras
chamo-te com as ervas
com a sombra
com a água
com as pedras
com esta árvore de silêncio
Chamo-te com as mãos da terra
Mas não estarás tu sempre presente na ausência? Não serás tu a figura nula inacessível que vive no silêncio do espaço branco? Não sei já quem tu és se tens um corpo se escrever é perder-te ainda mais se caminho em vão ou se te encontro na própria perda se já te achei e te acho a cada passo
lâmpada branca
esparsa
nesta página
jovem braço
de um poema
em que posso escrever de novo
jardim
espaço
e ver os teus olhos
da cor do ar
Chamo-te chamo-te ao rés da terra
face de sombra e erva Não és o rosto nem a
sombra do corpo
Chamo-te face de sombra
e erva
sem saber se te chamo
ou se escrevo apenas a sombra de uma palavra
Se te encontrasse diria esplendor diria rosto
viveria como uma folha à sombra de uma folha
Tantas sombras sombras Se escrever fosse
percorrer o teu corpo
ou as feridas em que a terra sangra
Que palavras são estas no deserto
que palavras tão lentas
tão pobres
Quando é que foste o esplendor
e os membros altos se juntavam lentos
chama sobre chama
boca contra boca?
Porquê estas palavras estas sombras de pedra
pedras de sombra
jogos nulos no vazio da areia
Se te chamo não sei com que palavra
te acordarei
Que argila límpida
te moldará o rosto que olhos de água
me darão teu corpo na surpresa da terra
E todavia chamo-te na ténue pulsação destas palavras tão ténues como pálpebras de areia chamo-te sem saber se te vejo se
tu existes para aquém ou para além destas palavras
chamo-te com as ervas
com a sombra
com a água
com as pedras
com esta árvore de silêncio
Chamo-te com as mãos da terra
Mas não estarás tu sempre presente na ausência? Não serás tu a figura nula inacessível que vive no silêncio do espaço branco? Não sei já quem tu és se tens um corpo se escrever é perder-te ainda mais se caminho em vão ou se te encontro na própria perda se já te achei e te acho a cada passo
lâmpada branca
esparsa
nesta página
jovem braço
de um poema
em que posso escrever de novo
jardim
espaço
e ver os teus olhos
da cor do ar
1 180
António Ramos Rosa
Tu Que Renasces do Abandono Magia Verde
Tu que renasces do abandono magia verde
magia da montanha e do lago soberbo
tu que renasces soberba do outono
com a música do campo e o vermelho
e o negro e o húmido clamor contido
dá-me o teu seio de consolação nobre
dá-me o teu coração os teus olhos o teu sonho
de quem não és nem podes ser amor de ser
amor no horizonte do teu ser
magia da montanha e do lago soberbo
tu que renasces soberba do outono
com a música do campo e o vermelho
e o negro e o húmido clamor contido
dá-me o teu seio de consolação nobre
dá-me o teu coração os teus olhos o teu sonho
de quem não és nem podes ser amor de ser
amor no horizonte do teu ser
1 104
António Ramos Rosa
Tu Que Renasces do Abandono Magia Verde
Tu que renasces do abandono magia verde
magia da montanha e do lago soberbo
tu que renasces soberba do outono
com a música do campo e o vermelho
e o negro e o húmido clamor contido
dá-me o teu seio de consolação nobre
dá-me o teu coração os teus olhos o teu sonho
de quem não és nem podes ser amor de ser
amor no horizonte do teu ser
magia da montanha e do lago soberbo
tu que renasces soberba do outono
com a música do campo e o vermelho
e o negro e o húmido clamor contido
dá-me o teu seio de consolação nobre
dá-me o teu coração os teus olhos o teu sonho
de quem não és nem podes ser amor de ser
amor no horizonte do teu ser
1 104
António Ramos Rosa
A Sombra de Uma Onda Arrasta Ainda Outra Sombra
A sombra de uma onda arrasta ainda outra sombra.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
1 059
António Ramos Rosa
A Sombra de Uma Onda Arrasta Ainda Outra Sombra
A sombra de uma onda arrasta ainda outra sombra.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
1 059
António Ramos Rosa
A Sombra de Uma Onda Arrasta Ainda Outra Sombra
A sombra de uma onda arrasta ainda outra sombra.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
À onda de uma sombra sucede-se outra onda.
Ao meu cavalo perdido hei-de abrir o caminho
de outro cavalo mais forte e a tudo simultâneo.
O verde azul sombrio de uma colina ou nuvem.
(A tempestade arrebatou-te as vestes). Nus
somos agora a verde água de um seio
e o pão branco da casa sobre as dunas.
Despidos ao sol somos animais fulvos, vermelhos,
dos elementos nutrindo-se à sombra do cavalo,
à claridade do ócio e nas traves dos barcos.
O dia. Os seios. A água. A sombra. A luz. A febre.
Rodopia uma roda do pulso até à árvore
num céu todo aberto à sede mais feliz.
1 059
António Ramos Rosa
A Seta Principia Pela Sede. Ou o Desejo
A seta principia pela sede. Ou o desejo
no seu centro negro (húmido, efervescente)
e vai pelo campo em corpo de cavalo
dizer a plenitude do sangue nesta página.
Cavalo de espaço, terra de vigor e paz
para ser a sede, a força
de outra força,
o puro alento da felicidade ignorante.
Ah não saber e ser a sede irradiante
da água de um cavalo e de uma estrela
do mar no desenho do combate
em que o negro se volve claridade brusca.
E eis a lâmina a ferir a lucidez
de uma verdade morta, a pressa de correr
ao mais ardente nome, o do cavalo sempre,
que galopa no branco o seu negro galope.
no seu centro negro (húmido, efervescente)
e vai pelo campo em corpo de cavalo
dizer a plenitude do sangue nesta página.
Cavalo de espaço, terra de vigor e paz
para ser a sede, a força
de outra força,
o puro alento da felicidade ignorante.
Ah não saber e ser a sede irradiante
da água de um cavalo e de uma estrela
do mar no desenho do combate
em que o negro se volve claridade brusca.
E eis a lâmina a ferir a lucidez
de uma verdade morta, a pressa de correr
ao mais ardente nome, o do cavalo sempre,
que galopa no branco o seu negro galope.
1 059
António Ramos Rosa
Não Digo Rosa Mas Pedra E Digo Sombra
Não digo rosa mas pedra e digo sombra
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
1 021
António Ramos Rosa
Não Digo Rosa Mas Pedra E Digo Sombra
Não digo rosa mas pedra e digo sombra
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
1 021
António Ramos Rosa
Não Digo Rosa Mas Pedra E Digo Sombra
Não digo rosa mas pedra e digo sombra
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
por um ritmo que não sei e acendo aquela cor
que vi brilhar no muro de outono e de ferrugem
Não digo nem a sombra digo a pedra do ritmo
e quando for de água a pedra para os teus pés
não direi as flores do desejo mas a nuca
inclinada e branca sobre um lago sem lua
e toda uma colina de ar em teu redor
como uma grande e suave força do dia
como uma pulsação do campo e do olhar
luz do lugar sombra clara clareira nave
1 021
António Ramos Rosa
As Formas do Teu Ser São Várias,
As formas do teu ser são várias,
mas negam a inércia, arrancam-te
do chão. Tens o poder e a altura precisas
para a vasta geografia dos campos e das casas.
És vertical no peso, na verdade do nome
do princípio ao fim, firme de seres terra
e o cheiro que tens é de um livre universo:
a terra pode esperar, confia em teu galope.
Porque te quero único, por não ser e
para ser, quantas vezes te falho
sem a paciência
da tua impaciência nobre de cavalo.
Mas o teu galope liberta o meu alento
e o meu desejo corre sobre a planície branca,
a teu lado chispando a rubra fúria,
com a garganta ébria
de uma implacável frescura.
mas negam a inércia, arrancam-te
do chão. Tens o poder e a altura precisas
para a vasta geografia dos campos e das casas.
És vertical no peso, na verdade do nome
do princípio ao fim, firme de seres terra
e o cheiro que tens é de um livre universo:
a terra pode esperar, confia em teu galope.
Porque te quero único, por não ser e
para ser, quantas vezes te falho
sem a paciência
da tua impaciência nobre de cavalo.
Mas o teu galope liberta o meu alento
e o meu desejo corre sobre a planície branca,
a teu lado chispando a rubra fúria,
com a garganta ébria
de uma implacável frescura.
1 065
António Ramos Rosa
É Somente a Mão No Requinte da Febre
É somente a mão no requinte da febre
em sua verde pausa numa folha,
e agora a escrita encontra o tronco
e detém-se. Quem pode amar um insecto?
O cavalo está suspenso destas linhas, a mão
hesita em avançar,
a saliva da vida procria novos ritos,
o esplendor nasce sob a pata do animal.
O esplendor da luz crua exalta.
E a mulher descalça forte com um cântaro
caminha entre ciprestes, na harmonia final.
em sua verde pausa numa folha,
e agora a escrita encontra o tronco
e detém-se. Quem pode amar um insecto?
O cavalo está suspenso destas linhas, a mão
hesita em avançar,
a saliva da vida procria novos ritos,
o esplendor nasce sob a pata do animal.
O esplendor da luz crua exalta.
E a mulher descalça forte com um cântaro
caminha entre ciprestes, na harmonia final.
1 133
António Ramos Rosa
É Somente a Mão No Requinte da Febre
É somente a mão no requinte da febre
em sua verde pausa numa folha,
e agora a escrita encontra o tronco
e detém-se. Quem pode amar um insecto?
O cavalo está suspenso destas linhas, a mão
hesita em avançar,
a saliva da vida procria novos ritos,
o esplendor nasce sob a pata do animal.
O esplendor da luz crua exalta.
E a mulher descalça forte com um cântaro
caminha entre ciprestes, na harmonia final.
em sua verde pausa numa folha,
e agora a escrita encontra o tronco
e detém-se. Quem pode amar um insecto?
O cavalo está suspenso destas linhas, a mão
hesita em avançar,
a saliva da vida procria novos ritos,
o esplendor nasce sob a pata do animal.
O esplendor da luz crua exalta.
E a mulher descalça forte com um cântaro
caminha entre ciprestes, na harmonia final.
1 133
António Ramos Rosa
Quem Pega o Sol do Osso E Lhe Dá a Boca?
Quem pega o sol do osso e lhe dá a boca?
Quem dá o seio firme à mão dilacerada?
Quem saceia de orvalho uma sede nocturna?
Quem abriu esta mão ao turbilhão do dia?
Pulsa a terra e o pulso torna-se o movimento
de fibras minerais ferindo a pedra feliz.
Mil filhos do sol, mil campos, mil abraços
restabelecem a torre, sua pureza rubra.
Ó sabor da alegria, ó sabor de argila!
Aqui é o campo da boca mais sedenta:
Liberta o arco da cabeça,
diz bom dia ao vento.
Quem dá o seio firme à mão dilacerada?
Quem saceia de orvalho uma sede nocturna?
Quem abriu esta mão ao turbilhão do dia?
Pulsa a terra e o pulso torna-se o movimento
de fibras minerais ferindo a pedra feliz.
Mil filhos do sol, mil campos, mil abraços
restabelecem a torre, sua pureza rubra.
Ó sabor da alegria, ó sabor de argila!
Aqui é o campo da boca mais sedenta:
Liberta o arco da cabeça,
diz bom dia ao vento.
1 074
António Ramos Rosa
Quem Pega o Sol do Osso E Lhe Dá a Boca?
Quem pega o sol do osso e lhe dá a boca?
Quem dá o seio firme à mão dilacerada?
Quem saceia de orvalho uma sede nocturna?
Quem abriu esta mão ao turbilhão do dia?
Pulsa a terra e o pulso torna-se o movimento
de fibras minerais ferindo a pedra feliz.
Mil filhos do sol, mil campos, mil abraços
restabelecem a torre, sua pureza rubra.
Ó sabor da alegria, ó sabor de argila!
Aqui é o campo da boca mais sedenta:
Liberta o arco da cabeça,
diz bom dia ao vento.
Quem dá o seio firme à mão dilacerada?
Quem saceia de orvalho uma sede nocturna?
Quem abriu esta mão ao turbilhão do dia?
Pulsa a terra e o pulso torna-se o movimento
de fibras minerais ferindo a pedra feliz.
Mil filhos do sol, mil campos, mil abraços
restabelecem a torre, sua pureza rubra.
Ó sabor da alegria, ó sabor de argila!
Aqui é o campo da boca mais sedenta:
Liberta o arco da cabeça,
diz bom dia ao vento.
1 074
António Ramos Rosa
Lanço Uma Linha Ao Vento Lanço Um Lado
Lanço uma linha ao vento lanço um lado
de hesitação e de não vontade
como se o desejo me abandonasse abandono-me
até ao desamparo de não saber soltar-me
Mais do que solto aberto e fracturado
no nulo e raso vão em que estremece o branco
vazio de nada ser desejo e mão e corpo
ó fuga de memória sem o ardor da seiva
Não sei qual é o lado onde é só oco e oco
e todo o material se dilui no branco
e todo o horror no não-grito e no espanto
de avançar como cego no desejo de uma árvore
que repentina e fresca abrisse o horizonte
e fosse todo o espaço e todo o mar
de hesitação e de não vontade
como se o desejo me abandonasse abandono-me
até ao desamparo de não saber soltar-me
Mais do que solto aberto e fracturado
no nulo e raso vão em que estremece o branco
vazio de nada ser desejo e mão e corpo
ó fuga de memória sem o ardor da seiva
Não sei qual é o lado onde é só oco e oco
e todo o material se dilui no branco
e todo o horror no não-grito e no espanto
de avançar como cego no desejo de uma árvore
que repentina e fresca abrisse o horizonte
e fosse todo o espaço e todo o mar
1 104