Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
Ataca a Longa Frase Que Prolonga o Sol
Les naseaux du cheval forment un lac
L’insecte écrit une longue phrase longue
SALAH STÉTIÉ
Ataca a longa frase que prolonga o sol
e o bafo do cavalo forma um lago no sol.
Os insectos escrevem as longas frases vivas.
Tudo se cresta no meio-dia voraz.
Vens tu sem vestes arrebatada e sempre
fortalecer o instante mais animal do sol.
Ataca a terra, o sol, o mar, o céu
com a dilatação dos teus pulmões sedentos.
Aqui é o coração, o núcleo do carvão.
Apressa-te a atacar os flancos deste dia.
Chega antes da noite ao templo sibilante.
L’insecte écrit une longue phrase longue
SALAH STÉTIÉ
Ataca a longa frase que prolonga o sol
e o bafo do cavalo forma um lago no sol.
Os insectos escrevem as longas frases vivas.
Tudo se cresta no meio-dia voraz.
Vens tu sem vestes arrebatada e sempre
fortalecer o instante mais animal do sol.
Ataca a terra, o sol, o mar, o céu
com a dilatação dos teus pulmões sedentos.
Aqui é o coração, o núcleo do carvão.
Apressa-te a atacar os flancos deste dia.
Chega antes da noite ao templo sibilante.
956
António Ramos Rosa
Ataca a Longa Frase Que Prolonga o Sol
Les naseaux du cheval forment un lac
L’insecte écrit une longue phrase longue
SALAH STÉTIÉ
Ataca a longa frase que prolonga o sol
e o bafo do cavalo forma um lago no sol.
Os insectos escrevem as longas frases vivas.
Tudo se cresta no meio-dia voraz.
Vens tu sem vestes arrebatada e sempre
fortalecer o instante mais animal do sol.
Ataca a terra, o sol, o mar, o céu
com a dilatação dos teus pulmões sedentos.
Aqui é o coração, o núcleo do carvão.
Apressa-te a atacar os flancos deste dia.
Chega antes da noite ao templo sibilante.
L’insecte écrit une longue phrase longue
SALAH STÉTIÉ
Ataca a longa frase que prolonga o sol
e o bafo do cavalo forma um lago no sol.
Os insectos escrevem as longas frases vivas.
Tudo se cresta no meio-dia voraz.
Vens tu sem vestes arrebatada e sempre
fortalecer o instante mais animal do sol.
Ataca a terra, o sol, o mar, o céu
com a dilatação dos teus pulmões sedentos.
Aqui é o coração, o núcleo do carvão.
Apressa-te a atacar os flancos deste dia.
Chega antes da noite ao templo sibilante.
956
António Ramos Rosa
O Cavalo Decide Antes Ainda
O cavalo decide antes ainda
da decisão, na planície.
Cavalo azul, não, mas forma
do meu bafo que lhe respira o ardor.
Eu sou cavalo no cavalo
porque a palavra o diz inteiro
e vejo que ela cava, é terra e pedra
e músculo a músculo retenho a força dele.
Com a paciência do campo e o amor do olhar
a precisão do cavalo é maior que o caminho
e tem em si todo o hálito da casa.
da decisão, na planície.
Cavalo azul, não, mas forma
do meu bafo que lhe respira o ardor.
Eu sou cavalo no cavalo
porque a palavra o diz inteiro
e vejo que ela cava, é terra e pedra
e músculo a músculo retenho a força dele.
Com a paciência do campo e o amor do olhar
a precisão do cavalo é maior que o caminho
e tem em si todo o hálito da casa.
1 319
António Ramos Rosa
Mil Cores, E Uma Sombra Só Te Despe.
Mil cores, e uma sombra só te despe.
Substância perfeita da sombra mais feliz.
Substância ardente e diamante firme.
Água feliz do corpo, água de mil sombras,
e esta é a mais fresca, onde o cavalo bebe
sobre os teus seios tão altos como as chamas mais verdes.
O teu vestido de sombras torna cálido o corpo
e as sílabas do cavalo refrescam-se no mar.
Na praia mais selvagem caminha esse cavalo
que nos transforma o corpo e nos abre a face
mais escura da terra. E todo o mundo aceso.
Substância perfeita da sombra mais feliz.
Substância ardente e diamante firme.
Água feliz do corpo, água de mil sombras,
e esta é a mais fresca, onde o cavalo bebe
sobre os teus seios tão altos como as chamas mais verdes.
O teu vestido de sombras torna cálido o corpo
e as sílabas do cavalo refrescam-se no mar.
Na praia mais selvagem caminha esse cavalo
que nos transforma o corpo e nos abre a face
mais escura da terra. E todo o mundo aceso.
1 115
António Ramos Rosa
Mil Cores, E Uma Sombra Só Te Despe.
Mil cores, e uma sombra só te despe.
Substância perfeita da sombra mais feliz.
Substância ardente e diamante firme.
Água feliz do corpo, água de mil sombras,
e esta é a mais fresca, onde o cavalo bebe
sobre os teus seios tão altos como as chamas mais verdes.
O teu vestido de sombras torna cálido o corpo
e as sílabas do cavalo refrescam-se no mar.
Na praia mais selvagem caminha esse cavalo
que nos transforma o corpo e nos abre a face
mais escura da terra. E todo o mundo aceso.
Substância perfeita da sombra mais feliz.
Substância ardente e diamante firme.
Água feliz do corpo, água de mil sombras,
e esta é a mais fresca, onde o cavalo bebe
sobre os teus seios tão altos como as chamas mais verdes.
O teu vestido de sombras torna cálido o corpo
e as sílabas do cavalo refrescam-se no mar.
Na praia mais selvagem caminha esse cavalo
que nos transforma o corpo e nos abre a face
mais escura da terra. E todo o mundo aceso.
1 115
António Ramos Rosa
Creio Em Teu Silêncio, Na Tua Pele de Luz,
Creio em teu silêncio, na tua pele de luz,
no galope violeta, relâmpago terrestre,
animal de chuva, de vento e ar nocturno,
de ventas formidáveis aspirando o ar da noite.
O tempo amadureceu a luz da tua pele.
Minhas palavras tornam-se pedras do teu calor.
Mesmo entre nuvens, cheiras ao estrume do teu chão.
És a manhã do tempo, a madrugada madura.
De obstáculo em obstáculo, procuro o teu alento,
e a cor do ar do tempo, o teu aroma ardente,
a tua pulsação que rasga as rugas da terra.
Creio no teu vigor, na paciência do vagar,
na violência nascente que destrói muro a muro
e em cada pisada deixa um sinal de amor.
no galope violeta, relâmpago terrestre,
animal de chuva, de vento e ar nocturno,
de ventas formidáveis aspirando o ar da noite.
O tempo amadureceu a luz da tua pele.
Minhas palavras tornam-se pedras do teu calor.
Mesmo entre nuvens, cheiras ao estrume do teu chão.
És a manhã do tempo, a madrugada madura.
De obstáculo em obstáculo, procuro o teu alento,
e a cor do ar do tempo, o teu aroma ardente,
a tua pulsação que rasga as rugas da terra.
Creio no teu vigor, na paciência do vagar,
na violência nascente que destrói muro a muro
e em cada pisada deixa um sinal de amor.
1 090
António Ramos Rosa
Creio Em Teu Silêncio, Na Tua Pele de Luz,
Creio em teu silêncio, na tua pele de luz,
no galope violeta, relâmpago terrestre,
animal de chuva, de vento e ar nocturno,
de ventas formidáveis aspirando o ar da noite.
O tempo amadureceu a luz da tua pele.
Minhas palavras tornam-se pedras do teu calor.
Mesmo entre nuvens, cheiras ao estrume do teu chão.
És a manhã do tempo, a madrugada madura.
De obstáculo em obstáculo, procuro o teu alento,
e a cor do ar do tempo, o teu aroma ardente,
a tua pulsação que rasga as rugas da terra.
Creio no teu vigor, na paciência do vagar,
na violência nascente que destrói muro a muro
e em cada pisada deixa um sinal de amor.
no galope violeta, relâmpago terrestre,
animal de chuva, de vento e ar nocturno,
de ventas formidáveis aspirando o ar da noite.
O tempo amadureceu a luz da tua pele.
Minhas palavras tornam-se pedras do teu calor.
Mesmo entre nuvens, cheiras ao estrume do teu chão.
És a manhã do tempo, a madrugada madura.
De obstáculo em obstáculo, procuro o teu alento,
e a cor do ar do tempo, o teu aroma ardente,
a tua pulsação que rasga as rugas da terra.
Creio no teu vigor, na paciência do vagar,
na violência nascente que destrói muro a muro
e em cada pisada deixa um sinal de amor.
1 090
António Ramos Rosa
A Teoria do Cavalo — o Friso Das Mulheres.
A teoria do cavalo — o friso das mulheres.
Os animais que auscultam o silêncio da noite,
a mulher enleada numa teia de aranha,
um grito que morreu no silêncio mais frio.
A explosão dos ombros, o punho desse olhar,
a torsão desse corpo na fúria do amor,
a explosão das palavras como o sémen na vulva,
a suavidade sedosa no seio de uma lâmpada.
A noite amorosa até ao fim da noite.
Não existe espectáculo para a visão mais íntima.
Os corpos mais suaves arrancam-se da fúria
e banham-se no óleo feliz do absoluto.
Os animais que auscultam o silêncio da noite,
a mulher enleada numa teia de aranha,
um grito que morreu no silêncio mais frio.
A explosão dos ombros, o punho desse olhar,
a torsão desse corpo na fúria do amor,
a explosão das palavras como o sémen na vulva,
a suavidade sedosa no seio de uma lâmpada.
A noite amorosa até ao fim da noite.
Não existe espectáculo para a visão mais íntima.
Os corpos mais suaves arrancam-se da fúria
e banham-se no óleo feliz do absoluto.
1 106
António Ramos Rosa
Já Alguém Viu o Cavalo? Vou Aprendê-Lo
Já alguém viu o cavalo? Vou aprendê-lo
no jogo das palavras musculares.
Alento alto, volume de vontade,
força do ar nas ventas, dia claro.
Aqui a pata pesa só a mancha
do cavalo em liberdade lenta
para que o cavalo perca todo o halo
para que a mão seja fiel ao olhar lento
e o perfil em cinza azul aceso
de clareira de inverno. Bafo, o tempo
do cavalo é terra repisada
e sem véus, de vértebras desenhadas,
lê o cavalo na mancha, alerta,
na solidão da planície E uma montanha.
no jogo das palavras musculares.
Alento alto, volume de vontade,
força do ar nas ventas, dia claro.
Aqui a pata pesa só a mancha
do cavalo em liberdade lenta
para que o cavalo perca todo o halo
para que a mão seja fiel ao olhar lento
e o perfil em cinza azul aceso
de clareira de inverno. Bafo, o tempo
do cavalo é terra repisada
e sem véus, de vértebras desenhadas,
lê o cavalo na mancha, alerta,
na solidão da planície E uma montanha.
1 294
António Ramos Rosa
Já Alguém Viu o Cavalo? Vou Aprendê-Lo
Já alguém viu o cavalo? Vou aprendê-lo
no jogo das palavras musculares.
Alento alto, volume de vontade,
força do ar nas ventas, dia claro.
Aqui a pata pesa só a mancha
do cavalo em liberdade lenta
para que o cavalo perca todo o halo
para que a mão seja fiel ao olhar lento
e o perfil em cinza azul aceso
de clareira de inverno. Bafo, o tempo
do cavalo é terra repisada
e sem véus, de vértebras desenhadas,
lê o cavalo na mancha, alerta,
na solidão da planície E uma montanha.
no jogo das palavras musculares.
Alento alto, volume de vontade,
força do ar nas ventas, dia claro.
Aqui a pata pesa só a mancha
do cavalo em liberdade lenta
para que o cavalo perca todo o halo
para que a mão seja fiel ao olhar lento
e o perfil em cinza azul aceso
de clareira de inverno. Bafo, o tempo
do cavalo é terra repisada
e sem véus, de vértebras desenhadas,
lê o cavalo na mancha, alerta,
na solidão da planície E uma montanha.
1 294
António Ramos Rosa
O Calor Dos Campos E da Cor Em Ti, Cavalo,
O calor dos campos e da cor em ti, cavalo,
e em mim o muro quente e a força do teu nome.
Não espero mas aceito a tua marcha
como quem navega no campo dessas cores.
Tua abrasada língua, teus olhos sem antolhos,
correm a liberdade dos campos sem a névoa,
relinchas do prazer de ser cavalo
(e não o sabes)
e aqui me tens numa linguagem árida
e tensa. Para que me arrebates ainda mais que nunca
sempre com a paz do teu campo de cores
e a grande paz da força, tua boca descoberta,
sempre a alertar-me em palavras que são brasas
ou cinza ainda cálida do papel, destas formas
do meu amor da liberdade e do vigor
da vontade inteira em mim, cavalo.
e em mim o muro quente e a força do teu nome.
Não espero mas aceito a tua marcha
como quem navega no campo dessas cores.
Tua abrasada língua, teus olhos sem antolhos,
correm a liberdade dos campos sem a névoa,
relinchas do prazer de ser cavalo
(e não o sabes)
e aqui me tens numa linguagem árida
e tensa. Para que me arrebates ainda mais que nunca
sempre com a paz do teu campo de cores
e a grande paz da força, tua boca descoberta,
sempre a alertar-me em palavras que são brasas
ou cinza ainda cálida do papel, destas formas
do meu amor da liberdade e do vigor
da vontade inteira em mim, cavalo.
1 053
António Ramos Rosa
O Desejado Chegado
He llegado a una tierra de llegada.
JUAN RAMÓN JIMÉNEZ
Porque és sem tensão o resultado,
o chegado. A praia e o centro do olhar
no extremo e simples.
A água toda externa, água solar,
por toda a parte visível nua em ti.
Vejo-te desejado pupila toda mar
à varanda de ti próprio.
À varanda do mar.
O desejado desejo
nudez de consciência
livre ao ar de tudo
em palavras nuas de água
eu o recebo, teu princípio e fim.
No espaço interno mar
onde chegaste
o desejo coincide eterno em si
no mar.
JUAN RAMÓN JIMÉNEZ
Porque és sem tensão o resultado,
o chegado. A praia e o centro do olhar
no extremo e simples.
A água toda externa, água solar,
por toda a parte visível nua em ti.
Vejo-te desejado pupila toda mar
à varanda de ti próprio.
À varanda do mar.
O desejado desejo
nudez de consciência
livre ao ar de tudo
em palavras nuas de água
eu o recebo, teu princípio e fim.
No espaço interno mar
onde chegaste
o desejo coincide eterno em si
no mar.
1 010
António Ramos Rosa
Da Substância Ao Quarto a Substância Cresce
Da substância ao quarto a substância cresce
pelo amor de uma árvore ou de um brinquedo fácil.
Tu despes-te. Alegria de tão suave seio.
A substância cresce com o cavalo aceso.
Quem regula o manejo que faz vibrar o verde?
Quem une as fibras e alarga as estreitas vértebras?
O animal avança para uma praça-forte
onde as varandas todas abrem o céu inteiro.
Esta é a terra das moitas de sol, das dunas
e dos grilos. Pernas fortes, seios de lança,
a rapariga avança sobre um cavalo sem sela.
pelo amor de uma árvore ou de um brinquedo fácil.
Tu despes-te. Alegria de tão suave seio.
A substância cresce com o cavalo aceso.
Quem regula o manejo que faz vibrar o verde?
Quem une as fibras e alarga as estreitas vértebras?
O animal avança para uma praça-forte
onde as varandas todas abrem o céu inteiro.
Esta é a terra das moitas de sol, das dunas
e dos grilos. Pernas fortes, seios de lança,
a rapariga avança sobre um cavalo sem sela.
1 031
António Ramos Rosa
Da Substância Ao Quarto a Substância Cresce
Da substância ao quarto a substância cresce
pelo amor de uma árvore ou de um brinquedo fácil.
Tu despes-te. Alegria de tão suave seio.
A substância cresce com o cavalo aceso.
Quem regula o manejo que faz vibrar o verde?
Quem une as fibras e alarga as estreitas vértebras?
O animal avança para uma praça-forte
onde as varandas todas abrem o céu inteiro.
Esta é a terra das moitas de sol, das dunas
e dos grilos. Pernas fortes, seios de lança,
a rapariga avança sobre um cavalo sem sela.
pelo amor de uma árvore ou de um brinquedo fácil.
Tu despes-te. Alegria de tão suave seio.
A substância cresce com o cavalo aceso.
Quem regula o manejo que faz vibrar o verde?
Quem une as fibras e alarga as estreitas vértebras?
O animal avança para uma praça-forte
onde as varandas todas abrem o céu inteiro.
Esta é a terra das moitas de sol, das dunas
e dos grilos. Pernas fortes, seios de lança,
a rapariga avança sobre um cavalo sem sela.
1 031
António Ramos Rosa
Quem Vem Negar As Folhas,
Quem vem negar as folhas,
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
638
António Ramos Rosa
Quem Vem Negar As Folhas,
Quem vem negar as folhas,
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
quem as expõe à morte? O pólen do céu?
Este corpo rejuvenescido e verde ainda.
Ardente.
Quem desfaz o sentido e quem me dá a sede?
Aqui a perfeição: a água e o seu outono.
A companhia deste olhar ao rés das ervas.
As pedras que existem só para a compreensão.
E o frio mortal detido. A perfeição do corpo.
Este é o teu dia em que ninguém te nega.
638
António Ramos Rosa
O Peito Entre As Plantas, Vês Os Cristais Nas Árvores,
O peito entre as plantas, vês os cristais nas árvores,
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
1 159
António Ramos Rosa
O Peito Entre As Plantas, Vês Os Cristais Nas Árvores,
O peito entre as plantas, vês os cristais nas árvores,
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
1 159
António Ramos Rosa
O Peito Entre As Plantas, Vês Os Cristais Nas Árvores,
O peito entre as plantas, vês os cristais nas árvores,
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
a pedra límpida, os grandes nós da água.
De margem a margem o dia é tão claro
que o cavalo se ilumina da minha sede limpa.
E esse verde aroma do teu corpo que chama
a aridez dos insectos, a voraz oficina
de que se compõe a luta vida a vida,
searas, canaviais, constelações.
Entre o ar dos quartos e a fresca imobilidade
a curva da viagem num planeta novo.
Entre a terra e a lua deixa os seios da água,
limpa-os do pó nocturno, deixa a luz entre as árvores,
que o teu nome de mármore seja o cimo do salto
e a tua cauda arraste uma sombra vazia.
1 159
António Ramos Rosa
Não Acaba o Cavalo de Ser Cavalo
Não acaba o cavalo de ser cavalo
pelo nome e pelo corpo,
pela argila vermelha e o verde bosque,
o princípio da forma do seu ser.
Tão rasteiro me faço para o ver
na glória do seu campo raso
a respirar o ar do seu ar
e o barro que é bafo parado.
O dia pardo como um pão de terra
e a sede dessas virilhas fortalece
o martelo com que bato a paz do campo.
pelo nome e pelo corpo,
pela argila vermelha e o verde bosque,
o princípio da forma do seu ser.
Tão rasteiro me faço para o ver
na glória do seu campo raso
a respirar o ar do seu ar
e o barro que é bafo parado.
O dia pardo como um pão de terra
e a sede dessas virilhas fortalece
o martelo com que bato a paz do campo.
1 075
António Ramos Rosa
Não Acaba o Cavalo de Ser Cavalo
Não acaba o cavalo de ser cavalo
pelo nome e pelo corpo,
pela argila vermelha e o verde bosque,
o princípio da forma do seu ser.
Tão rasteiro me faço para o ver
na glória do seu campo raso
a respirar o ar do seu ar
e o barro que é bafo parado.
O dia pardo como um pão de terra
e a sede dessas virilhas fortalece
o martelo com que bato a paz do campo.
pelo nome e pelo corpo,
pela argila vermelha e o verde bosque,
o princípio da forma do seu ser.
Tão rasteiro me faço para o ver
na glória do seu campo raso
a respirar o ar do seu ar
e o barro que é bafo parado.
O dia pardo como um pão de terra
e a sede dessas virilhas fortalece
o martelo com que bato a paz do campo.
1 075
António Ramos Rosa
Despenhou-Se a Lâmpada Neste Papel Tão Frio!
Despenhou-se a lâmpada neste papel tão frio!
Membros dilacerados, martelos da vontade
percutem este chão de aromas acres onde
lateja a nova lâmpada dilacerada e pobre.
Lateja sob os cascos uma nova lâmpada branca
para sentar na terra das mãos o chão das árvores,
para marcar o desejo de habitar esta terra,
para viver dos elementos do círculo material.
Não descanses, cavalo, esfacela os muros da treva,
rasga-te, mas inteiro, nas raízes do mundo,
liga esta ponte viva entre a morte e a vida.
Peço aqui o silêncio de uma plácida mancha
para que o óleo alimente o olhar do cavalo
e que a terra prossiga sua vitória rasa.
Membros dilacerados, martelos da vontade
percutem este chão de aromas acres onde
lateja a nova lâmpada dilacerada e pobre.
Lateja sob os cascos uma nova lâmpada branca
para sentar na terra das mãos o chão das árvores,
para marcar o desejo de habitar esta terra,
para viver dos elementos do círculo material.
Não descanses, cavalo, esfacela os muros da treva,
rasga-te, mas inteiro, nas raízes do mundo,
liga esta ponte viva entre a morte e a vida.
Peço aqui o silêncio de uma plácida mancha
para que o óleo alimente o olhar do cavalo
e que a terra prossiga sua vitória rasa.
1 050
António Ramos Rosa
Despenhou-Se a Lâmpada Neste Papel Tão Frio!
Despenhou-se a lâmpada neste papel tão frio!
Membros dilacerados, martelos da vontade
percutem este chão de aromas acres onde
lateja a nova lâmpada dilacerada e pobre.
Lateja sob os cascos uma nova lâmpada branca
para sentar na terra das mãos o chão das árvores,
para marcar o desejo de habitar esta terra,
para viver dos elementos do círculo material.
Não descanses, cavalo, esfacela os muros da treva,
rasga-te, mas inteiro, nas raízes do mundo,
liga esta ponte viva entre a morte e a vida.
Peço aqui o silêncio de uma plácida mancha
para que o óleo alimente o olhar do cavalo
e que a terra prossiga sua vitória rasa.
Membros dilacerados, martelos da vontade
percutem este chão de aromas acres onde
lateja a nova lâmpada dilacerada e pobre.
Lateja sob os cascos uma nova lâmpada branca
para sentar na terra das mãos o chão das árvores,
para marcar o desejo de habitar esta terra,
para viver dos elementos do círculo material.
Não descanses, cavalo, esfacela os muros da treva,
rasga-te, mas inteiro, nas raízes do mundo,
liga esta ponte viva entre a morte e a vida.
Peço aqui o silêncio de uma plácida mancha
para que o óleo alimente o olhar do cavalo
e que a terra prossiga sua vitória rasa.
1 050
António Ramos Rosa
Sinto a Perfeição de Um Corpo
Sinto a perfeição de um corpo
e nos seus olhos perpassa um pouco o medo.
Serei eu quem tu vês?
Quem me abraçou outro dia não é já quem me abraça?
Sinto o não e o sim — e a inflexão da noite.
Vivo à superfície de um corpo negro e fundo.
O amplexo é real
e o que escrevo é o frémito.
Porque é tudo tão breve e tão longo, não sei.
Tenho os olhos fechados de abertos de ternura.
Tenho um pouco a paz de uma noite vivida.
e nos seus olhos perpassa um pouco o medo.
Serei eu quem tu vês?
Quem me abraçou outro dia não é já quem me abraça?
Sinto o não e o sim — e a inflexão da noite.
Vivo à superfície de um corpo negro e fundo.
O amplexo é real
e o que escrevo é o frémito.
Porque é tudo tão breve e tão longo, não sei.
Tenho os olhos fechados de abertos de ternura.
Tenho um pouco a paz de uma noite vivida.
999