Poemas neste tema
Natureza e Elementos
António Ramos Rosa
No Lugar da Árvore
No lugar da árvore. Longa e ampla.
Tronco, não obstáculo,
roda única sem rumor.
Minha mão de silêncio sem espanto.
Fazes-me maior
perto do ar.
Toda a leveza do ouvido, rede aérea,
onde sorrio e vejo
os animais claros do dia.
Próximo estou do justo
centro da coluna.
O corpo surdo e denso, só com o vinho do ar.
Desço ao nível da pedra,
pedra clara e sem canto.
Pousada, a árvore dá-me a pausa
a partir do chão.
Um pacto
de fiel invenção.
Já afasto os meus passos.
O timbre das palavras será o deste solo.
Tronco, não obstáculo,
roda única sem rumor.
Minha mão de silêncio sem espanto.
Fazes-me maior
perto do ar.
Toda a leveza do ouvido, rede aérea,
onde sorrio e vejo
os animais claros do dia.
Próximo estou do justo
centro da coluna.
O corpo surdo e denso, só com o vinho do ar.
Desço ao nível da pedra,
pedra clara e sem canto.
Pousada, a árvore dá-me a pausa
a partir do chão.
Um pacto
de fiel invenção.
Já afasto os meus passos.
O timbre das palavras será o deste solo.
582
António Ramos Rosa
Órbita de Verão — 1
As duas vertentes — mar e terra
numa só folha lúcida.
Respiro a larga oval,
sólida lâmpada
de pedra
e ar.
Seguro a corda
nova e nua
deste campo.
numa só folha lúcida.
Respiro a larga oval,
sólida lâmpada
de pedra
e ar.
Seguro a corda
nova e nua
deste campo.
1 121
António Ramos Rosa
Órbita de Verão — 1
As duas vertentes — mar e terra
numa só folha lúcida.
Respiro a larga oval,
sólida lâmpada
de pedra
e ar.
Seguro a corda
nova e nua
deste campo.
numa só folha lúcida.
Respiro a larga oval,
sólida lâmpada
de pedra
e ar.
Seguro a corda
nova e nua
deste campo.
1 121
António Ramos Rosa
Sol de Inverno
Os joelhos gelam ao vento alto das ervas.
Caminho soprado, sôfrego, a boca rasa.
Nós agudos, montanha viva, acesa face.
Estrito o sol se apura a fio.
Pedras com sabor de terra nua.
O caminho arrefece já sob as sombras.
Sede de vento alto que se desfaz.
Límpido e frio, a nula fronte do ar me investe.
Caminho soprado, sôfrego, a boca rasa.
Nós agudos, montanha viva, acesa face.
Estrito o sol se apura a fio.
Pedras com sabor de terra nua.
O caminho arrefece já sob as sombras.
Sede de vento alto que se desfaz.
Límpido e frio, a nula fronte do ar me investe.
1 081
António Ramos Rosa
Sol de Inverno
Os joelhos gelam ao vento alto das ervas.
Caminho soprado, sôfrego, a boca rasa.
Nós agudos, montanha viva, acesa face.
Estrito o sol se apura a fio.
Pedras com sabor de terra nua.
O caminho arrefece já sob as sombras.
Sede de vento alto que se desfaz.
Límpido e frio, a nula fronte do ar me investe.
Caminho soprado, sôfrego, a boca rasa.
Nós agudos, montanha viva, acesa face.
Estrito o sol se apura a fio.
Pedras com sabor de terra nua.
O caminho arrefece já sob as sombras.
Sede de vento alto que se desfaz.
Límpido e frio, a nula fronte do ar me investe.
1 081
António Ramos Rosa
Na Solidão Renovada
Com os dentes.
Sem música,
sem água.
Reptilmente.
*
Na folha do instante
nenhum galo
ainda
canta.
*
Caminho no país do sono lúcido.
A pedra nos olhos. Um olho de pedra.
Minha cabeça de encontro ao sol do chão.
*
Junto do tronco o texto organizava-se. Todas as palavras eram brancas. Era o silêncio para sempre aqui — a primeira folha aberta. O dia, a terra, o meu corpo — um só corpo.
*
Sentados sobre um tronco, sob as silenciosas copas. A energia do verde em torno acende-nos. É um fogo verde que estala nos corpos. Uma chama verde com duas bocas.
*
Este grande bloco sem lábios. Um dia múltiplo, um só dia vazio, e esta mão que vai talvez desenhar a manhã, sulcar o deserto infatigável, abrir o subterrâneo mortal.
*
Regressas aos teus primeiros lábios. É necessária essa palavra de terra ainda molhada, para que acordes. Atravessaste a sombra desse dia opaco e baixo, até ao extremo delírio do deserto. Não temos casa ainda e alguns de nós se apagarão sem a esperança da manhã. Mas a frente é comum na solidão renovada.
Sem música,
sem água.
Reptilmente.
*
Na folha do instante
nenhum galo
ainda
canta.
*
Caminho no país do sono lúcido.
A pedra nos olhos. Um olho de pedra.
Minha cabeça de encontro ao sol do chão.
*
Junto do tronco o texto organizava-se. Todas as palavras eram brancas. Era o silêncio para sempre aqui — a primeira folha aberta. O dia, a terra, o meu corpo — um só corpo.
*
Sentados sobre um tronco, sob as silenciosas copas. A energia do verde em torno acende-nos. É um fogo verde que estala nos corpos. Uma chama verde com duas bocas.
*
Este grande bloco sem lábios. Um dia múltiplo, um só dia vazio, e esta mão que vai talvez desenhar a manhã, sulcar o deserto infatigável, abrir o subterrâneo mortal.
*
Regressas aos teus primeiros lábios. É necessária essa palavra de terra ainda molhada, para que acordes. Atravessaste a sombra desse dia opaco e baixo, até ao extremo delírio do deserto. Não temos casa ainda e alguns de nós se apagarão sem a esperança da manhã. Mas a frente é comum na solidão renovada.
1 165
António Ramos Rosa
Campo E Corpo
Não houve antes nem haverá depois.
Quando inicia, se sopra a sombra, é uma
absoluta rosa que principia sempre.
À mesa de trabalho, a página é vazia.
A luz banha a brancura e um campo emerge ténue.
O sangue tumultua, respira o mar suave.
Um corpo, quem o sabe, onde começa o sangue?
Um corpo está no campo, corpo e campo se envolvem
na paz mútua que nasce, de dentro e fora, una.
Troncos, membros, olhar circundam campo e corpo.
O campo que se alarga e que respira é corpo.
O corpo que ondula e se prolonga é campo.
O olhar alarga o campo, o campo estende o corpo.
Pernas, braços, tronco estendem-se à extensa terra.
Um corpo intenso cresce em campo vivo ao sol.
Nudez de campo e corpo. Um ar só comunica
sem dentro e fora. Uma cadência solta
percorre uma área una. O sangue está no campo.
As árvores banham-se na limpidez do corpo.
Os animais saltam lúcidos e delicados
entre as ervas do sangue. Pastam os sonhos
entre pedras. Nudez de corpo e campo.
A língua pousa no prado. O sexo penetra a terra.
Campo e corpo uno. A mão pousa no monte.
Respiro e danço com todo o corpo e campo.
Lanço-me com todo o corpo em pleno campo
e danço tranquilamente a absoluta rosa única
que formo pétala a pétala, rodando no seu centro.
O campo que desdobro e rodopio é um corpo
que do meu corpo nasce, que do meu campo solto.
Quando inicia, se sopra a sombra, é uma
absoluta rosa que principia sempre.
À mesa de trabalho, a página é vazia.
A luz banha a brancura e um campo emerge ténue.
O sangue tumultua, respira o mar suave.
Um corpo, quem o sabe, onde começa o sangue?
Um corpo está no campo, corpo e campo se envolvem
na paz mútua que nasce, de dentro e fora, una.
Troncos, membros, olhar circundam campo e corpo.
O campo que se alarga e que respira é corpo.
O corpo que ondula e se prolonga é campo.
O olhar alarga o campo, o campo estende o corpo.
Pernas, braços, tronco estendem-se à extensa terra.
Um corpo intenso cresce em campo vivo ao sol.
Nudez de campo e corpo. Um ar só comunica
sem dentro e fora. Uma cadência solta
percorre uma área una. O sangue está no campo.
As árvores banham-se na limpidez do corpo.
Os animais saltam lúcidos e delicados
entre as ervas do sangue. Pastam os sonhos
entre pedras. Nudez de corpo e campo.
A língua pousa no prado. O sexo penetra a terra.
Campo e corpo uno. A mão pousa no monte.
Respiro e danço com todo o corpo e campo.
Lanço-me com todo o corpo em pleno campo
e danço tranquilamente a absoluta rosa única
que formo pétala a pétala, rodando no seu centro.
O campo que desdobro e rodopio é um corpo
que do meu corpo nasce, que do meu campo solto.
1 161
António Ramos Rosa
O Sol da Casa
Sou o que veio por um momento
de sol.
Vim até à beira da janela
até ao hálito da casa.
Venho até ver com o sol
o ouro do campo
da casa.
Uma boca lenta que percorre
o sabor dos quartos
desta casa de terra quente.
Venho até quase à boca desta casa
silenciosa de sol.
de sol.
Vim até à beira da janela
até ao hálito da casa.
Venho até ver com o sol
o ouro do campo
da casa.
Uma boca lenta que percorre
o sabor dos quartos
desta casa de terra quente.
Venho até quase à boca desta casa
silenciosa de sol.
1 148
António Ramos Rosa
Percursos
Atravesso a rua com o gosto do ar na língua, o silencioso pousar que me ergue do solo até à copa das árvores, o mar respirado, a sede entre o olhar e o tronco — estendo a mão para a terra, o ar: para rir entre as folhas na rua do ar.
Atravesso — alguma coisa (a folha/a mão) cai devagar, o corpo mais pequeno — em si — ligação firme da cabeça ao tronco — uma pequena mão moldando a nuca — ver como cego na corrente, descer agora — o momento em que a rua se abre.
Passo entre os que passam, sobre os que passam — consciência gostosa do ar com pequenas crepitações vegetais — o meu pulso bate, flui, retenho-me entre os muros numa febre de solidez consciente — ESTOU na corrente: sou um vivo: vejo o mar vertical.
A minha mão acaricia a esquina da rua: anónimo inexisto na corrente cega de mil olhos — a mão investe-me, retesa-me, osso em brasa, dilatada gota que se articula ao ritmo, à luz, à trepidação, à plenitude deste mar de inexistência, banho-me na mortalidade fluente: ar aglomerado inexisto único entre todos.
Atravesso — não rostos nem olhares — ritmo apenas, movimentos, deslizo como uma gota sem contactos, entre sinuosos sulcos que abro entre formas cegas que me ignoram — avanço cantando esta cegueira de pressa e massa movendo-se sem uma pausa, sem um MOMENTO para respirar, pequena gota que se eleva à alta abertura da rua, mão contida que se estende plana sobre o mar.
Atravesso — alguma coisa (a folha/a mão) cai devagar, o corpo mais pequeno — em si — ligação firme da cabeça ao tronco — uma pequena mão moldando a nuca — ver como cego na corrente, descer agora — o momento em que a rua se abre.
Passo entre os que passam, sobre os que passam — consciência gostosa do ar com pequenas crepitações vegetais — o meu pulso bate, flui, retenho-me entre os muros numa febre de solidez consciente — ESTOU na corrente: sou um vivo: vejo o mar vertical.
A minha mão acaricia a esquina da rua: anónimo inexisto na corrente cega de mil olhos — a mão investe-me, retesa-me, osso em brasa, dilatada gota que se articula ao ritmo, à luz, à trepidação, à plenitude deste mar de inexistência, banho-me na mortalidade fluente: ar aglomerado inexisto único entre todos.
Atravesso — não rostos nem olhares — ritmo apenas, movimentos, deslizo como uma gota sem contactos, entre sinuosos sulcos que abro entre formas cegas que me ignoram — avanço cantando esta cegueira de pressa e massa movendo-se sem uma pausa, sem um MOMENTO para respirar, pequena gota que se eleva à alta abertura da rua, mão contida que se estende plana sobre o mar.
1 222
António Ramos Rosa
Oh, Porque Sim
E fa di clarità l’aer tremare.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
1 107
António Ramos Rosa
Oh, Porque Sim
E fa di clarità l’aer tremare.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
GUIDO CAVALCANTI
Oh, porque sim,
mas não sombra de rosa,
ela mesma,
branca de lama, lama branca,
em vertical vertigem.
Oh, sim, porque o espaço treme
à sua marcha de flancos e de folhas.
Um botão negro e alvo.
A espuma de aranha do cabelo.
As pernas que alternam, fusos de água.
O odor do corpo em côncavo de onda.
Árvores ligeiras,
Oh, sim,
por sobre o verde chão nos desfaremos
em verde sangue
até aos lábios do ar, sob as cúpulas verdes,
a grande força aérea e calma em torno
numa só boca volante sobre o chão,
caída, desfeita, respirada.
1 107
António Ramos Rosa
Primavera Material
É a noite em pleno dia. Uma luva que avança, esteira invisível. A mão que não vê o sulco, a planta do pé que assenta sobre a delgada película.
É a terra vazia, a língua que se enrola, o olhar inerte. O corpo que procura a palavra. A palavra do corpo que entra no espaço ilimitado. Todas as árvores se dispersam. As pálpebras tropeçam nas ramagens de uma floresta deserta. A fome de uma claridade nua. Um objecto que centre o espaço — promontório que avança na bruma e se submerge. Terra, nova terra, novo espaço — eu vi os troncos, os arbustos em chamas, as clareiras do verde. A primavera aqui é negra, mas eu vi a primavera das cores, respirei-lhe o hálito delicado, vi uma árvore extática coberta de lâmpadas finíssimas. Aqui é negro ou é branco e eu vou formando o sopro obscuro, o tapete que enfuno com a minha respiração entrecortada. Quero retratar-te a terra abrasada, dar-te o espelho do instante luminoso, prolongá-lo nas sequências do teu amplo olhar. É toda a terra viva que eu quero despertar na tua língua e nos teus músculos. Tropeço em membros duros e ásperos, em materiais macios e falsos, em espelhos que me aprisionam. Quero abrir-te a vasta clareira onde os objectos brilham com as suas massas sólidas e as suas nítidas e fascinantes presenças, quero rasgar-te as avenidas do espaço, o grande canto do olhar oferecido ao mundo, a áspera e triunfante materialidade da primavera verdadeira.
É a terra vazia, a língua que se enrola, o olhar inerte. O corpo que procura a palavra. A palavra do corpo que entra no espaço ilimitado. Todas as árvores se dispersam. As pálpebras tropeçam nas ramagens de uma floresta deserta. A fome de uma claridade nua. Um objecto que centre o espaço — promontório que avança na bruma e se submerge. Terra, nova terra, novo espaço — eu vi os troncos, os arbustos em chamas, as clareiras do verde. A primavera aqui é negra, mas eu vi a primavera das cores, respirei-lhe o hálito delicado, vi uma árvore extática coberta de lâmpadas finíssimas. Aqui é negro ou é branco e eu vou formando o sopro obscuro, o tapete que enfuno com a minha respiração entrecortada. Quero retratar-te a terra abrasada, dar-te o espelho do instante luminoso, prolongá-lo nas sequências do teu amplo olhar. É toda a terra viva que eu quero despertar na tua língua e nos teus músculos. Tropeço em membros duros e ásperos, em materiais macios e falsos, em espelhos que me aprisionam. Quero abrir-te a vasta clareira onde os objectos brilham com as suas massas sólidas e as suas nítidas e fascinantes presenças, quero rasgar-te as avenidas do espaço, o grande canto do olhar oferecido ao mundo, a áspera e triunfante materialidade da primavera verdadeira.
1 192
António Ramos Rosa
Primavera Material
É a noite em pleno dia. Uma luva que avança, esteira invisível. A mão que não vê o sulco, a planta do pé que assenta sobre a delgada película.
É a terra vazia, a língua que se enrola, o olhar inerte. O corpo que procura a palavra. A palavra do corpo que entra no espaço ilimitado. Todas as árvores se dispersam. As pálpebras tropeçam nas ramagens de uma floresta deserta. A fome de uma claridade nua. Um objecto que centre o espaço — promontório que avança na bruma e se submerge. Terra, nova terra, novo espaço — eu vi os troncos, os arbustos em chamas, as clareiras do verde. A primavera aqui é negra, mas eu vi a primavera das cores, respirei-lhe o hálito delicado, vi uma árvore extática coberta de lâmpadas finíssimas. Aqui é negro ou é branco e eu vou formando o sopro obscuro, o tapete que enfuno com a minha respiração entrecortada. Quero retratar-te a terra abrasada, dar-te o espelho do instante luminoso, prolongá-lo nas sequências do teu amplo olhar. É toda a terra viva que eu quero despertar na tua língua e nos teus músculos. Tropeço em membros duros e ásperos, em materiais macios e falsos, em espelhos que me aprisionam. Quero abrir-te a vasta clareira onde os objectos brilham com as suas massas sólidas e as suas nítidas e fascinantes presenças, quero rasgar-te as avenidas do espaço, o grande canto do olhar oferecido ao mundo, a áspera e triunfante materialidade da primavera verdadeira.
É a terra vazia, a língua que se enrola, o olhar inerte. O corpo que procura a palavra. A palavra do corpo que entra no espaço ilimitado. Todas as árvores se dispersam. As pálpebras tropeçam nas ramagens de uma floresta deserta. A fome de uma claridade nua. Um objecto que centre o espaço — promontório que avança na bruma e se submerge. Terra, nova terra, novo espaço — eu vi os troncos, os arbustos em chamas, as clareiras do verde. A primavera aqui é negra, mas eu vi a primavera das cores, respirei-lhe o hálito delicado, vi uma árvore extática coberta de lâmpadas finíssimas. Aqui é negro ou é branco e eu vou formando o sopro obscuro, o tapete que enfuno com a minha respiração entrecortada. Quero retratar-te a terra abrasada, dar-te o espelho do instante luminoso, prolongá-lo nas sequências do teu amplo olhar. É toda a terra viva que eu quero despertar na tua língua e nos teus músculos. Tropeço em membros duros e ásperos, em materiais macios e falsos, em espelhos que me aprisionam. Quero abrir-te a vasta clareira onde os objectos brilham com as suas massas sólidas e as suas nítidas e fascinantes presenças, quero rasgar-te as avenidas do espaço, o grande canto do olhar oferecido ao mundo, a áspera e triunfante materialidade da primavera verdadeira.
1 192
António Ramos Rosa
Bloco Intacto
Abrindo a álea
vertical sobre o vértice do instante
sem frenesim mas denso de
todo o sangue que me enche no silêncio desta álea
caminho para ti
lenta lentamente a densa bola sobre o jacto de água dança
e eu sou o jorro de água eu sou a bola em equilíbrio
a permanente coroa branca efervescente branca
na tranquila anónima macia dourada suburbana álea
a seda deste instante não se rasga
é um grande bloco intacto que se desloca
para a minha eternidade
a iminência de ti é a boca já feliz a árvore que estala em cada poro a seiva
a parede de água que contenho a porta doce e clandestina
a porta que desliza
e é então que
no espaço da vertigem
em ti me uno à sede e das raízes subo
e pelas raízes sou
vertical sobre o vértice do instante
sem frenesim mas denso de
todo o sangue que me enche no silêncio desta álea
caminho para ti
lenta lentamente a densa bola sobre o jacto de água dança
e eu sou o jorro de água eu sou a bola em equilíbrio
a permanente coroa branca efervescente branca
na tranquila anónima macia dourada suburbana álea
a seda deste instante não se rasga
é um grande bloco intacto que se desloca
para a minha eternidade
a iminência de ti é a boca já feliz a árvore que estala em cada poro a seiva
a parede de água que contenho a porta doce e clandestina
a porta que desliza
e é então que
no espaço da vertigem
em ti me uno à sede e das raízes subo
e pelas raízes sou
1 143
António Ramos Rosa
Nova Estação
Toda a gente passou a cumprimentar-nos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
1 058
António Ramos Rosa
Nova Estação
Toda a gente passou a cumprimentar-nos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
1 058
António Ramos Rosa
Nova Estação
Toda a gente passou a cumprimentar-nos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
1 058
António Ramos Rosa
Nova Estação
Toda a gente passou a cumprimentar-nos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
O sol é novo através da chuva.
Abrem-se as janelas com cuidado.
Uma frescura sobe ao compasso da terra.
Fomos crianças. As árvores tilintam.
É tempo de trabalhar
inquietamente.
Tempo de caminhar com presteza
pelas calçadas húmidas.
Tempo de ser vergastado pelo vento.
Tempo de lutar contra o vento.
Tempo sério.
A cidade é grande, cinzenta, verde.
Paremos.
Os troncos negros brilham.
Há um fervor no ar.
Mil centelhas pululam.
As fachadas são largas, lisas.
Respiremos.
Vamos continuar o dia.
O sol tão disseminado,
vibrante além nas pedras.
E sombra deste lado e quase azul.
Um animal lentamente passa
entre caminhantes apressados.
No tumulto dos metais entre os brilhos,
nós, sossegados, vemos.
1 058
António Ramos Rosa
Contemplação
Tudo o que avança ou quer,
afirmação serena,
sobre as fachadas limpas
sem sombra, desoladas.
Igualdade sem normas,
tão larga lassitude,
um homem se eleva lentamente
frente às fachadas lisas.
Contemplada casa
entre verdes disfarces,
luz jovem, luz serena,
na estação recriada.
Um nome acorda o ar.
Instante outro me iguala
à esquecida sombra
bronzeada, desperta.
Regresso quase sem pálpebras,
primeiras folhas altas,
à luminosa vontade
sem esforço, à flor, atenta.
Abro os olhos ao vento.
O que me falta respiro,
o que não tenho sou
esquecidamente firme.
afirmação serena,
sobre as fachadas limpas
sem sombra, desoladas.
Igualdade sem normas,
tão larga lassitude,
um homem se eleva lentamente
frente às fachadas lisas.
Contemplada casa
entre verdes disfarces,
luz jovem, luz serena,
na estação recriada.
Um nome acorda o ar.
Instante outro me iguala
à esquecida sombra
bronzeada, desperta.
Regresso quase sem pálpebras,
primeiras folhas altas,
à luminosa vontade
sem esforço, à flor, atenta.
Abro os olhos ao vento.
O que me falta respiro,
o que não tenho sou
esquecidamente firme.
1 021
António Ramos Rosa
Lâminas
Um fogo frio sob as pedras
tela seca
a madeira no lugar dos ossos
o cheiro do ferro
a calma violência do sangue alimentado
punho acerado
porta de ar
lâmina entre os lábios
Manhã sem caminho
pedra alta e seca
e mão pousada ouvindo
cratera de cal
meio-dia sem relógio
um dedo na ranhura soletra
a boca da terra
Chão de seda
a flor ágil que respira
move-se
um tronco de água dura
o odor de ferro
a terra cheia até aos bordos
tela seca
a madeira no lugar dos ossos
o cheiro do ferro
a calma violência do sangue alimentado
punho acerado
porta de ar
lâmina entre os lábios
Manhã sem caminho
pedra alta e seca
e mão pousada ouvindo
cratera de cal
meio-dia sem relógio
um dedo na ranhura soletra
a boca da terra
Chão de seda
a flor ágil que respira
move-se
um tronco de água dura
o odor de ferro
a terra cheia até aos bordos
1 024
António Ramos Rosa
Lâminas
Um fogo frio sob as pedras
tela seca
a madeira no lugar dos ossos
o cheiro do ferro
a calma violência do sangue alimentado
punho acerado
porta de ar
lâmina entre os lábios
Manhã sem caminho
pedra alta e seca
e mão pousada ouvindo
cratera de cal
meio-dia sem relógio
um dedo na ranhura soletra
a boca da terra
Chão de seda
a flor ágil que respira
move-se
um tronco de água dura
o odor de ferro
a terra cheia até aos bordos
tela seca
a madeira no lugar dos ossos
o cheiro do ferro
a calma violência do sangue alimentado
punho acerado
porta de ar
lâmina entre os lábios
Manhã sem caminho
pedra alta e seca
e mão pousada ouvindo
cratera de cal
meio-dia sem relógio
um dedo na ranhura soletra
a boca da terra
Chão de seda
a flor ágil que respira
move-se
um tronco de água dura
o odor de ferro
a terra cheia até aos bordos
1 024
António Ramos Rosa
Parede E Altamente a Luz Soou…
Ali se é livre no saber-se leve
e centrado Escreve esses largos traços
esse pautado repetido multiforme
e temperado gosto da laranja
Ali se sabe quanto no segredo
foi só verdade obscura e agora é luz
é vórtice renascido nas agulhas
de um tapete alerta e sobtudo
Ali se encrespa sob o tecto a noite
ou floresta ou mulher intacta e verde
coluna lenta ao sol das areias
Ali nos damos todos à matéria
branca e vermelha de ossos redivivos
o esqueleto alimento de homem forte
*
Essa é a palavra que jorrou
como uma cor e encontrou o espaço
e em espaço convertida outra palavra
como árvore árvore de sol se renovou
Assim acesa brilha branca e alta
lâmpada sob os pés tapete longo
e orelha envolvendo o nosso olhar
e abraço dado ainda a dar parede
Cobertos descobrimos o aberto
que há no dentro deste espaço aberto
É todo o olhar e o ouvir no centro
onde os raios da laranja se despedem
como cavalos desabridos e domados
no pulso que os estampa sobre o chão
*
É terra vitoriosa e são as cascas
da árvore que tombou sobre o telhado
e a pedra do mar vertida em tempo
e a palavra de um bicho que acordou
São duras rectas vertigens trucidadas
que em feixe a mão desalinhou
e sob graves pentes desnudada
a matéria casta ser e nada
Assim a terra dormida despertou
e subiu de nós um mar de coisas vivas
num arremesso de forças despejadas
Parede e altamente a luz soou
de pedras de silêncios terras vozes
As mãos duras detonaram sol
e centrado Escreve esses largos traços
esse pautado repetido multiforme
e temperado gosto da laranja
Ali se sabe quanto no segredo
foi só verdade obscura e agora é luz
é vórtice renascido nas agulhas
de um tapete alerta e sobtudo
Ali se encrespa sob o tecto a noite
ou floresta ou mulher intacta e verde
coluna lenta ao sol das areias
Ali nos damos todos à matéria
branca e vermelha de ossos redivivos
o esqueleto alimento de homem forte
*
Essa é a palavra que jorrou
como uma cor e encontrou o espaço
e em espaço convertida outra palavra
como árvore árvore de sol se renovou
Assim acesa brilha branca e alta
lâmpada sob os pés tapete longo
e orelha envolvendo o nosso olhar
e abraço dado ainda a dar parede
Cobertos descobrimos o aberto
que há no dentro deste espaço aberto
É todo o olhar e o ouvir no centro
onde os raios da laranja se despedem
como cavalos desabridos e domados
no pulso que os estampa sobre o chão
*
É terra vitoriosa e são as cascas
da árvore que tombou sobre o telhado
e a pedra do mar vertida em tempo
e a palavra de um bicho que acordou
São duras rectas vertigens trucidadas
que em feixe a mão desalinhou
e sob graves pentes desnudada
a matéria casta ser e nada
Assim a terra dormida despertou
e subiu de nós um mar de coisas vivas
num arremesso de forças despejadas
Parede e altamente a luz soou
de pedras de silêncios terras vozes
As mãos duras detonaram sol
1 030
António Ramos Rosa
As Linhas Matinais
As linhas matinais estão disponíveis
frescas resolutas segui-las
cheiram a pão da terra
perseguir até ao fim achar o mar
uma árvore em frente verde
caminhar
as lâminas sob os pés
as páginas trepidantes lisas
para trás ainda o sol para cima para a frente
as mulheres fortes na manhã
As linhas para o mar
sem demora olhar atravessar
alegres como os passos
caminhar no sol nas rectas
boa distribuição da luz coada entre as árvores
alta figura
rasgada e juvenil à distância do braço
os olhos e a língua devoram-na sobre os passos
é uma cabeça um tronco para o sol
um olhar instantâneo ignorado
o mar deserto e vasto
afoga todas as linhas
a árvore verde
frescas resolutas segui-las
cheiram a pão da terra
perseguir até ao fim achar o mar
uma árvore em frente verde
caminhar
as lâminas sob os pés
as páginas trepidantes lisas
para trás ainda o sol para cima para a frente
as mulheres fortes na manhã
As linhas para o mar
sem demora olhar atravessar
alegres como os passos
caminhar no sol nas rectas
boa distribuição da luz coada entre as árvores
alta figura
rasgada e juvenil à distância do braço
os olhos e a língua devoram-na sobre os passos
é uma cabeça um tronco para o sol
um olhar instantâneo ignorado
o mar deserto e vasto
afoga todas as linhas
a árvore verde
1 112
António Ramos Rosa
As Linhas Matinais
As linhas matinais estão disponíveis
frescas resolutas segui-las
cheiram a pão da terra
perseguir até ao fim achar o mar
uma árvore em frente verde
caminhar
as lâminas sob os pés
as páginas trepidantes lisas
para trás ainda o sol para cima para a frente
as mulheres fortes na manhã
As linhas para o mar
sem demora olhar atravessar
alegres como os passos
caminhar no sol nas rectas
boa distribuição da luz coada entre as árvores
alta figura
rasgada e juvenil à distância do braço
os olhos e a língua devoram-na sobre os passos
é uma cabeça um tronco para o sol
um olhar instantâneo ignorado
o mar deserto e vasto
afoga todas as linhas
a árvore verde
frescas resolutas segui-las
cheiram a pão da terra
perseguir até ao fim achar o mar
uma árvore em frente verde
caminhar
as lâminas sob os pés
as páginas trepidantes lisas
para trás ainda o sol para cima para a frente
as mulheres fortes na manhã
As linhas para o mar
sem demora olhar atravessar
alegres como os passos
caminhar no sol nas rectas
boa distribuição da luz coada entre as árvores
alta figura
rasgada e juvenil à distância do braço
os olhos e a língua devoram-na sobre os passos
é uma cabeça um tronco para o sol
um olhar instantâneo ignorado
o mar deserto e vasto
afoga todas as linhas
a árvore verde
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