Poemas neste tema
Natureza e Elementos
Angela Santos
Enluarada
Meus
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
olhos sacodem
poeiras de sono e estrelas
que sobram da noite, suspensa na memória
onde vibram palavras surgidas da tela
como pirilampos mágicos
atravessando o ar.
E nos meus olhos mal dormidos
passam voláteis as letras,
compondo palavras, gerando emoções
como notas musicais que bailam e ecoam
nocturnas cantatas que me lembram a Lua.....
E esse dia de sol, fica enluarado....
Meus olhos cansados, esquecem seu cansaço
e aguardam de novo a noite que há - de vir,
como deusa milenar do nada surgindo
trazendo em seu seio o enlace de amantes,
que longe e tão perto
em sonhos se abraçam.
945
Angela Santos
Templo
Terá
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
que ser e acontecer
o amor que assim é
o amor que assim quer...
Terá que ser e acontecer
esse amor que do fundo vem
que nos consome e alimenta
que nos abriga, e é ninho
água de fonte que brota.
Terá que ser e acontecer
esse amor de pedras raras
de noites sem sono
enluaradas,
onde o amor que fazemos é quase oração...
E no altar o que vemos?
a alma e o corpo deitados,
unidos sem culpas, sem medos,
porque o que for amor
será sagrado!
1 119
Angela Santos
Chama
Atento no remurejar da alma
onde correm todas as marcas
como sargaços rumo à foz
dos dias brancos.
Tantos invernos entremeados
pela luz que ascende desse jardim,
onde ardem todas as promessas
de ouro, a viagem onde me circum-navego...
Quantos sonhos
quantos sóis arderam no caminho?
De luz sempre a busca,
ainda hoje se espelha
nas gotas de chuva onde me abrigo
neste canto do mundo...
De luz, de explosões
matinais é a fome
do que em mim
chamo de alma.
onde correm todas as marcas
como sargaços rumo à foz
dos dias brancos.
Tantos invernos entremeados
pela luz que ascende desse jardim,
onde ardem todas as promessas
de ouro, a viagem onde me circum-navego...
Quantos sonhos
quantos sóis arderam no caminho?
De luz sempre a busca,
ainda hoje se espelha
nas gotas de chuva onde me abrigo
neste canto do mundo...
De luz, de explosões
matinais é a fome
do que em mim
chamo de alma.
947
Angela Santos
Clara Luz
Na
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
769
Angela Santos
Clara Luz
Na
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
769
Angela Santos
Clara Luz
Na
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
grandeza das coisas simples
te
vejo e sinto...
na brisa marinha,
no marulhar das folhas
no ondear da seara em pleno verão
no canto dos pássaros,
no cheiro da terra molhada,
nas gotas de chuva nos beirais
no gosto da fruta madura.....
Na simplicidade do que é grande
te vejo....
nessa mão que se estende
a outra mão aflita,
no pulsar do coração
pelo amigo que se vai,
na firmeza dos teus gestos
na verdade das palavras
com que vens até mim....
Em tudo isso te vejo
e adivinho-te no que sinto.....
e és grande porque simples
matriz...húmus…terra..raiz.
É assim, amor, que meus olhos te vêem
banhados por uma clara e límpida luz....
que espelha o teu dentro
onde a mim me vejo
como se um espelho reflectindo a alma
segredasse o que ela a ti mesma diz.
769
Angela Santos
Flores Orvalhadas
De
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
toques suaves
são feitos os momentos
em que olho o corpo que amo
e desnudo
Vibrações, vozes, sussurros
os dias e as noites se enchem
feitos em clarões que abrasam
inteiros o corpo e a alma…
e são pétalas orvalhadas que embelezam
nossos corpos e perfumam como essências
a alma límpida que emerge em nós
depois do amor
Do querer que em nós é grito
cúmplice é o silêncio e a noite
que nos abriga em seu seio
e nos segreda em murmúrio
que o sonho é esse lugar que não é longe nem perto
e dentro de nós está
como o caminho mais certo.
1 150
Angela Santos
Cama Lavada
Estendo-te
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
uma cama de orquídeas
e rosas
perfumo meu corpo com lavanda e jasmim
Estendo-te meus braços,
enlaças meu corpo de mulher e nos deitamos na cama
perfumada de aromas
o nosso e o das flores
Nessa cama lavada
lavaremos as feridas, do corpo e da alma
esqueceremos o tempo e o longe que faz doer
na celebração do amor
que quisemos e esperamos acontecer
Mergulhar no fundo do mar dos sentidos
esquecer o mundo que oprime a razão
e no enlace único
seremos raízes que se agarram firmes
a um mesmo chão.
1 057
Angela Santos
Âmago
Estendo
os meus braços para ti
e de olhos cravados nos teus
sussurro-te:
vem, vem comigo ao centro
do que em nós é fundo e mais além
Vê, desce a tardinha sobre as nossas vidas
o sol é morno e doura este caminho…
ainda é tempo de olharmos os campos
sentir a terra e o vento no rosto
Vem
plantar uma flor e abrir os olhos da alma
ao desconhecido
adorar deus no alto de uma montanha
e doar-nos o amor nascido assim
um quase nada que se fez tudo
que nos ata à vida e à firme certeza
de o querer viver até ao fim.
Vem meu amor é hora de regressarmos
ao lugar que sente a nossa ausência
ao tempo de sermos nós
ao âmago da nossa essência
e sermos em cada uma esse pedaço de alma
que um dia se ausentou
e anseia regressar.
os meus braços para ti
e de olhos cravados nos teus
sussurro-te:
vem, vem comigo ao centro
do que em nós é fundo e mais além
Vê, desce a tardinha sobre as nossas vidas
o sol é morno e doura este caminho…
ainda é tempo de olharmos os campos
sentir a terra e o vento no rosto
Vem
plantar uma flor e abrir os olhos da alma
ao desconhecido
adorar deus no alto de uma montanha
e doar-nos o amor nascido assim
um quase nada que se fez tudo
que nos ata à vida e à firme certeza
de o querer viver até ao fim.
Vem meu amor é hora de regressarmos
ao lugar que sente a nossa ausência
ao tempo de sermos nós
ao âmago da nossa essência
e sermos em cada uma esse pedaço de alma
que um dia se ausentou
e anseia regressar.
1 334
Angela Santos
Âmago
Estendo
os meus braços para ti
e de olhos cravados nos teus
sussurro-te:
vem, vem comigo ao centro
do que em nós é fundo e mais além
Vê, desce a tardinha sobre as nossas vidas
o sol é morno e doura este caminho…
ainda é tempo de olharmos os campos
sentir a terra e o vento no rosto
Vem
plantar uma flor e abrir os olhos da alma
ao desconhecido
adorar deus no alto de uma montanha
e doar-nos o amor nascido assim
um quase nada que se fez tudo
que nos ata à vida e à firme certeza
de o querer viver até ao fim.
Vem meu amor é hora de regressarmos
ao lugar que sente a nossa ausência
ao tempo de sermos nós
ao âmago da nossa essência
e sermos em cada uma esse pedaço de alma
que um dia se ausentou
e anseia regressar.
os meus braços para ti
e de olhos cravados nos teus
sussurro-te:
vem, vem comigo ao centro
do que em nós é fundo e mais além
Vê, desce a tardinha sobre as nossas vidas
o sol é morno e doura este caminho…
ainda é tempo de olharmos os campos
sentir a terra e o vento no rosto
Vem
plantar uma flor e abrir os olhos da alma
ao desconhecido
adorar deus no alto de uma montanha
e doar-nos o amor nascido assim
um quase nada que se fez tudo
que nos ata à vida e à firme certeza
de o querer viver até ao fim.
Vem meu amor é hora de regressarmos
ao lugar que sente a nossa ausência
ao tempo de sermos nós
ao âmago da nossa essência
e sermos em cada uma esse pedaço de alma
que um dia se ausentou
e anseia regressar.
1 334
Angela Santos
Cardos e Rosas
De
rosas e cardos se adornam os dias
na alegria exaltante, na duvida nascente
no querer desmedido, no desejo sem limite
na lúcida consciência de um amanhã
que não sabemos se vem…
De rosas e cardos se faz este amor
que dói com razão por se saber ser
tão perto e tão longe
tão tudo e tão nada
quando a mão estende para tocar
e sente que o longe lá está.......
De rosas e cardos são feitos meus dedos
buscando tocar com leveza de rendas
ou a fúria do bicho em seu cio aceso
um corpo amado num lugar que é lá.....
A alma se enche e esvazia assim....
o longe cansa-me, canso–me de mim
e desse grito aflito,
da busca incessante com que bordo meus dias,
dor de filigrana fina…. entrelaçada,
noites que desfio numa longa espera.
Ah! Cansa-me esse longe….quero repousar!
rosas e cardos se adornam os dias
na alegria exaltante, na duvida nascente
no querer desmedido, no desejo sem limite
na lúcida consciência de um amanhã
que não sabemos se vem…
De rosas e cardos se faz este amor
que dói com razão por se saber ser
tão perto e tão longe
tão tudo e tão nada
quando a mão estende para tocar
e sente que o longe lá está.......
De rosas e cardos são feitos meus dedos
buscando tocar com leveza de rendas
ou a fúria do bicho em seu cio aceso
um corpo amado num lugar que é lá.....
A alma se enche e esvazia assim....
o longe cansa-me, canso–me de mim
e desse grito aflito,
da busca incessante com que bordo meus dias,
dor de filigrana fina…. entrelaçada,
noites que desfio numa longa espera.
Ah! Cansa-me esse longe….quero repousar!
1 180
Angela Santos
Imagem
Não
sei porque vou de encontro
ao que não sei.. sei da pulsão
e da imagem esculpida nos meus olhos
vislumbrei crendo esquecer…mas ficou
Indeléveis são as marcas do que um dia
a alma atravessou e julgamos sem história
perdido, ou apagado
no limbo da memória
Um passeio imaginário
sobre o que poderia ser.. ao teu lado
a tua mão na minha
olhos fundindo-se em lago
e um caminho junto ao mar…
Assim de uma forma simples
encontro de gestos feito
as palavras nos deixaram o leve sabor do vago...
e só o silencio sobrou
E a vida que não
espera por quem se demora
ou detém
acena da outra margem de onde se fica parado.
sei porque vou de encontro
ao que não sei.. sei da pulsão
e da imagem esculpida nos meus olhos
vislumbrei crendo esquecer…mas ficou
Indeléveis são as marcas do que um dia
a alma atravessou e julgamos sem história
perdido, ou apagado
no limbo da memória
Um passeio imaginário
sobre o que poderia ser.. ao teu lado
a tua mão na minha
olhos fundindo-se em lago
e um caminho junto ao mar…
Assim de uma forma simples
encontro de gestos feito
as palavras nos deixaram o leve sabor do vago...
e só o silencio sobrou
E a vida que não
espera por quem se demora
ou detém
acena da outra margem de onde se fica parado.
681
Angela Santos
Árvore da
Vida
Que
seja da Vida, da Felicidade
a arvore de funda raiz,
presa ao solo do nosso querer
Que seja de luar,
quando a noite for de amor
de sol radiante
como o dia em que nos olharmos,
que seja para sempre em nós
com a força da terra-mãe,
ou do chão firme que nos prende.
Que seja a arvore do amor
da ternura, dos prazeres
que nas tuas mãos guardaste
inteirinhos para mim,
árvore, tu,
minha força, esteio, abrigo
nos teus braços acolher-me
neles fazer o meu ninho.
Que
seja da Vida, da Felicidade
a arvore de funda raiz,
presa ao solo do nosso querer
Que seja de luar,
quando a noite for de amor
de sol radiante
como o dia em que nos olharmos,
que seja para sempre em nós
com a força da terra-mãe,
ou do chão firme que nos prende.
Que seja a arvore do amor
da ternura, dos prazeres
que nas tuas mãos guardaste
inteirinhos para mim,
árvore, tu,
minha força, esteio, abrigo
nos teus braços acolher-me
neles fazer o meu ninho.
880
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
651
Angela Santos
Ilha dos Amores
Se
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
eu pudesse
olharia lá no fundo dos teus olhos,
segurava tuas mãos e te deixava envolver-me
no doce abraço que me desses...
abriríamos nosso peito, e sem surpresa acharíamos
o vermelho botão de rosa
que o tempo em nós fez florir...
e assim embarcaríamos rumo à Ilha dos Amores...
nossas mãos entrelaçadas,
nosso coração fremente,
nosso corpo em desalinho, buscando o voo mais alto
que nos faz pairar no tempo....
esse momento vivido, quase como eternidade,
em que alma e corpo unidos, num abraço intemporal,
nos trará a redenção de uma espera que forjou
nosso querer, nosso sentir...
E é por isso que agora
quando daqui olho o mar
o longe vira horizonte...
já não separa, aproxima
e se o sol nele se põe, eu vejo então reflectida
a clara luz que o tempo
me há- de trazer à vida.
651
Angela Santos
Além-Mar
Perco-me
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
nas avenidas do mundo, busco o longe
que me chama
coração em desalinho e a alma de sol e bruma
espraiam-se lá na lonjura
no outro lado do mar..
Aqui, onde sou raiz
as ruelas se estreitam, nelas minha alma se roça
como rio emparedado que em torrente desagua
no outro lado do mar..
Sabe-me a sol e a sal, esse chamado de longe
não o sei dizer... pressinto-o só
e esse pouco é bastante para me agitar o peito
e de mansinho lembrar essa doce vibração
que assoma à flor da pele
Não sei o longe, que me seduz e me chama,
sei apenas que o busco, sem a razão querer saber
como se buscasse, enfim, a coincidência perfeita
desse pedaço de alma que sinto faltar em mim
Ligam Língua e Oceano, esses dois lugares perdidos
Mar.. Mar.. Mar…. imenso Mar
que nos separa e aproxima
Língua - Mater que desnuda e revela devagar,
como o gesto feminino que sem pressa
vai despindo outro ser
a si igual.
755
Angela Santos
A Nossa Casa
Entrando,
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
1 160
Angela Santos
A Nossa Casa
Entrando,
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
a luz a domina,
a canela e o jasmim
se fundem e expandem
a nossa casa ...
Dentro
as paredes reflectem
a luz que a ilumina
e se derrama pelo chão...
Nossos livros, nossos quadros
musica, fotografias
nossa cama, nossas marcas
pelos cantos
Fora
colhem o dia e respiram
as flores,
e o serra da estrela, saltita
ao ver-te passar o umbral..
a nossa casa...
Abre-se a porta
a luz anuncia a chegada...
a rede baloiça,
acendo um cigarro
e deitas-te a meu lado...
A tarde serena cai
sobre as Buganvilias
e os coqueirais
e algo em nós se ilumina...
a mesma luz se derrama
nos brancos lençóis de linho
onde acordas tu e eu...
a luz de todas as manhãs
adentrando nossa casa,
invadindo nossas vidas...
1 160
Angela Santos
Em parte e no
todo
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
Serei, a
sereia,
mulher pla metade
metade no mar
outra metade
na areia...
mas é nesta cama
despida do mito
que me deito inteira....
E no abandono,
adentrando o todo
para tudo ser...
de que serei feita?
mulher, pele, medusa, mito,
metafísica das formas
que me ditam
seios
quadris
plexus,
olhos
boca
mãos,
instinto....
E alma...
alma presa a este chão
aspirando ao infinito.
1 072
Angela Santos
Instantes
Espanto e
assombro
navegam meus dias
e na visão de uma gota de orvalho
toda a luz de um cristal plangente
se revela no instante
em que o mistério se acerca.
Diante das coisas do mundo
se abrem feridas
e cascatas de luz se derramam também
se abertas as fendas
por onde entrar possam
os sinais aos olhos invisíveis
Estremeço
diante de um beijo
que se sente como pura vibração
num recanto de uma esquina qualquer
trocado, marcado em duas bocas
que ignoro, exibindo ao mundo
na expressão de um beijo
a incontida força que assoma à boca
da paixão
Em tudo me sinto,
e nada é ausência ou sem sentido
se desço ao centro do assombro
que rasga meus olhos
e deixa perenes sinais
Sobre a varanda dos meus dias
espero a luz da revelação,
e pressagio
em cada momento que passa
o inesperado mensageiro
do mistério da vida
que persigo.
Deixo-me levar no que vem
abraçando isso que não sei dizer
e na doce melopeia que me embala,
surgida desse ficar atenta
sacudo resquícios de raiva insuspeita
e sinto-me perto...mais perto de mim.
assombro
navegam meus dias
e na visão de uma gota de orvalho
toda a luz de um cristal plangente
se revela no instante
em que o mistério se acerca.
Diante das coisas do mundo
se abrem feridas
e cascatas de luz se derramam também
se abertas as fendas
por onde entrar possam
os sinais aos olhos invisíveis
Estremeço
diante de um beijo
que se sente como pura vibração
num recanto de uma esquina qualquer
trocado, marcado em duas bocas
que ignoro, exibindo ao mundo
na expressão de um beijo
a incontida força que assoma à boca
da paixão
Em tudo me sinto,
e nada é ausência ou sem sentido
se desço ao centro do assombro
que rasga meus olhos
e deixa perenes sinais
Sobre a varanda dos meus dias
espero a luz da revelação,
e pressagio
em cada momento que passa
o inesperado mensageiro
do mistério da vida
que persigo.
Deixo-me levar no que vem
abraçando isso que não sei dizer
e na doce melopeia que me embala,
surgida desse ficar atenta
sacudo resquícios de raiva insuspeita
e sinto-me perto...mais perto de mim.
1 012
Angela Santos
Enquanto a tarde
cai...
Ao meu lado,
na placidez da tarde que finda
Num quarto qualquer , de uma qualquer cidade
Dormes, serenamente, esquecida de tudo
(quiça de mim também)....
Fico atenta aos resquícios de claridade
Que não me deixam cair nesse torpor
Que desce até ti, decifro os ruídos
Que invadem o quarto, onde me sinto estrangeira
Não durmo, mergulho nos sinais
Que chegam do lado de fora ...
Neles procuro as coisas pequenas
Que afastam de mim os fantasmas
Que invadem a vigília
Prefiro a vida, os minúsculos
Sinais da vida, a qualquer não
no teu silencio, nas minhas omissões...
salvar a vida nesse gesto inoportuno
de rir até da tristeza que escorre das ausências.
Ao meu lado,
na placidez da tarde que finda
Num quarto qualquer , de uma qualquer cidade
Dormes, serenamente, esquecida de tudo
(quiça de mim também)....
Fico atenta aos resquícios de claridade
Que não me deixam cair nesse torpor
Que desce até ti, decifro os ruídos
Que invadem o quarto, onde me sinto estrangeira
Não durmo, mergulho nos sinais
Que chegam do lado de fora ...
Neles procuro as coisas pequenas
Que afastam de mim os fantasmas
Que invadem a vigília
Prefiro a vida, os minúsculos
Sinais da vida, a qualquer não
no teu silencio, nas minhas omissões...
salvar a vida nesse gesto inoportuno
de rir até da tristeza que escorre das ausências.
954
Angela Santos
Eterno Retorno
Os pés fincados
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
na terra
de terra os pés
os pés da terra são...
As mãos suspensas
dos braços
as mãos dos braços são
dos braços suspensos
do tronco
O tronco onde
o pescoço assenta
e nele a cabeça
onde se senta
o pensamento
Cabeça
Tronco
membros
pensamento
e terra também
o Homem......
Um dia,
terra da terra
inteiro no ventre
da mãe.
1 140
Angela Santos
Puros Sangue
Desgarra-se
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
do meu peito
sem freio o potro selvagem
e galopa ao compasso
do que em mim te quer e pensa...
Que de sentir e saber
é seu galope, seu trote
e à vista do puro sangue,
que em teu peito saltita
se desgarra mais ainda.
Esses dois potros selvagens,
se reconhecem no cheiro,
no galope que os parelha,
no fogo, na crina ao vento...
Selvagens potros de fogo
exaltam na liberdade
centelhas de uma outra vida....
Pégasos da nossa memória
centauros foram um dia
Livres e soltos
no teu e no meu peito desgarram,
potros de fogo, selvagens
do nosso ser a medida.
1 104
Angela Santos
Poema Azul
No seio da tempestade,
cambaleando, eu, entre escombros, foi
que os teus olhos azul safira, surgindo do nada,
se ofereceram aos meus
E agora o teu nome enche a minha boca
com o sabor de maduras pitangas
colhidas na invernia destes dias
quando nada a colheita anunciava
falo o teu nome e lembro os teus olhos
quando o deserto se me afigura,
nada pergunto, saber para quê..
se o sentido obscuro do acontecer,
ágil se esgueira e dilui de razões...
vivo a descompasso e de adiamentos
não sei do lugar
tão pouco de um tempo para o vivermos,
e dos fios que a vida tecem, eu não sei...
sei do brilho diamantino de um olhar
sei do lume que o nosso peito acalenta
sei dos passos pouco a pouco
no chão riscando um caminho...
tão pouco é o que sei e por ora é bastante
saber que por esse tão pouco existimos.
cambaleando, eu, entre escombros, foi
que os teus olhos azul safira, surgindo do nada,
se ofereceram aos meus
E agora o teu nome enche a minha boca
com o sabor de maduras pitangas
colhidas na invernia destes dias
quando nada a colheita anunciava
falo o teu nome e lembro os teus olhos
quando o deserto se me afigura,
nada pergunto, saber para quê..
se o sentido obscuro do acontecer,
ágil se esgueira e dilui de razões...
vivo a descompasso e de adiamentos
não sei do lugar
tão pouco de um tempo para o vivermos,
e dos fios que a vida tecem, eu não sei...
sei do brilho diamantino de um olhar
sei do lume que o nosso peito acalenta
sei dos passos pouco a pouco
no chão riscando um caminho...
tão pouco é o que sei e por ora é bastante
saber que por esse tão pouco existimos.
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