Poemas neste tema
Outros
Charles Bukowski
Supostamente Famoso
nada de muito sólido nestes rosnados da madrugada,
minha esposa, coitada, no andar de baixo,
e eu o dia todo no hipódromo e
aqui a noite toda com a garrafa e
esta máquina.
minha esposa, coitada, que ela possa encontrar seu lugar
no céu.
só que também
as poucas pessoas que eu
conheci, aquelas que me pareceram ter uma
chaminha extra
certa humanidade inventiva, bem, elas
se dissolveram
mas
sendo um solitário por natureza
não esquento muito
a cabeça –
restam meus 5
gatos: Ting, Ding, Beeker, Bleeker e
Blob.
nada de muito sólido nestes rosnados da madrugada.
sou agora um
escritor supostamente
famoso
influenciando hordas de
datilógrafos.
bem
que eu gostaria de poder
rir
de tudo
isso.
a Fama é a última puta, todas as outras se
foram.
bem, a competição não tem sido
dura
mas não tenho nada com
isso: percebi tudo
muito tempo atrás enquanto
passava fome e
mijava pela
janela
enquanto atirava copos de
trago nas
paredes
de-aluguel-atrasado.
Ting, Ding, Beeker, Bleeker e
Blob.
agora a Morte é uma planta crescendo em minha
mente
nada de muito sólido nestes rosnados da madrugada.
fico triste pelos mortos e fico triste pelos vivos
mas não por meus 5 gatos ou
por minha esposa, minha esposa que vai
encontrar seu lugar no
céu.
e quanto às pessoas
dissolvidas
eu não as dissolvi, elas mesmas se
dissolveram.
e que as calçadas estejam vazias e ao mesmo tempo
cheias de pés
passando –
isso é obra do
caminho.
nada de muito sólido
enquanto
um homem toca piano
no meu rádio e
as paredes
se erguem e
baixam
e a coragem de tudo
até das pulgas
dos piolhos
da tarântula
me assombra
nestes rosnados
da madrugada.
minha esposa, coitada, no andar de baixo,
e eu o dia todo no hipódromo e
aqui a noite toda com a garrafa e
esta máquina.
minha esposa, coitada, que ela possa encontrar seu lugar
no céu.
só que também
as poucas pessoas que eu
conheci, aquelas que me pareceram ter uma
chaminha extra
certa humanidade inventiva, bem, elas
se dissolveram
mas
sendo um solitário por natureza
não esquento muito
a cabeça –
restam meus 5
gatos: Ting, Ding, Beeker, Bleeker e
Blob.
nada de muito sólido nestes rosnados da madrugada.
sou agora um
escritor supostamente
famoso
influenciando hordas de
datilógrafos.
bem
que eu gostaria de poder
rir
de tudo
isso.
a Fama é a última puta, todas as outras se
foram.
bem, a competição não tem sido
dura
mas não tenho nada com
isso: percebi tudo
muito tempo atrás enquanto
passava fome e
mijava pela
janela
enquanto atirava copos de
trago nas
paredes
de-aluguel-atrasado.
Ting, Ding, Beeker, Bleeker e
Blob.
agora a Morte é uma planta crescendo em minha
mente
nada de muito sólido nestes rosnados da madrugada.
fico triste pelos mortos e fico triste pelos vivos
mas não por meus 5 gatos ou
por minha esposa, minha esposa que vai
encontrar seu lugar no
céu.
e quanto às pessoas
dissolvidas
eu não as dissolvi, elas mesmas se
dissolveram.
e que as calçadas estejam vazias e ao mesmo tempo
cheias de pés
passando –
isso é obra do
caminho.
nada de muito sólido
enquanto
um homem toca piano
no meu rádio e
as paredes
se erguem e
baixam
e a coragem de tudo
até das pulgas
dos piolhos
da tarântula
me assombra
nestes rosnados
da madrugada.
1 134
Charles Bukowski
Vagabundeando Com Jane
não havia fogão
e colocávamos latas de feijão
na água quente da pia
para aquecê-las
e
nós líamos os jornais dominicais
na segunda-feira
depois de desenterrá-los nas
latas de lixo
mas de algum jeito arranjávamos
dinheiro para o vinho
e para o
aluguel
e o dinheiro vinha
das ruas
das lojas de penhores
do nada
e tudo que importava
era a próxima
garrafa
e bebíamos e cantávamos
e
brigávamos
dentro e fora
de detenções
por embriaguez
carros acidentados
hospitais
fazíamos barricadas
contra a
polícia
e os outros hóspedes
nos
detestavam
e o recepcionista
do hotel
nos
temia
e aquilo nunca
tinha
fim
e foi uma das
épocas mais maravilhosas
da minha
vida.
e colocávamos latas de feijão
na água quente da pia
para aquecê-las
e
nós líamos os jornais dominicais
na segunda-feira
depois de desenterrá-los nas
latas de lixo
mas de algum jeito arranjávamos
dinheiro para o vinho
e para o
aluguel
e o dinheiro vinha
das ruas
das lojas de penhores
do nada
e tudo que importava
era a próxima
garrafa
e bebíamos e cantávamos
e
brigávamos
dentro e fora
de detenções
por embriaguez
carros acidentados
hospitais
fazíamos barricadas
contra a
polícia
e os outros hóspedes
nos
detestavam
e o recepcionista
do hotel
nos
temia
e aquilo nunca
tinha
fim
e foi uma das
épocas mais maravilhosas
da minha
vida.
1 135
Charles Bukowski
A Última Dose
aqui vamos nós, mais uma vez, a última bebida, o último
poema – décadas desta esplêndida sorte – outra madrugada
bêbada, e não no chão da cadeia de bebuns nesta noite esperando que
o cafetão negro saia do telefone de modo que eu possa fazer minha única
ligação permitida (tantas daquelas madrugadas também) eu levei
um longo tempo para encontrar a pessoa mais interessante com
quem beber: eu mesmo, assim, agora pegando à minha esquerda
a última taça do Sangue do
Cordeiro.
poema – décadas desta esplêndida sorte – outra madrugada
bêbada, e não no chão da cadeia de bebuns nesta noite esperando que
o cafetão negro saia do telefone de modo que eu possa fazer minha única
ligação permitida (tantas daquelas madrugadas também) eu levei
um longo tempo para encontrar a pessoa mais interessante com
quem beber: eu mesmo, assim, agora pegando à minha esquerda
a última taça do Sangue do
Cordeiro.
1 271
Charles Bukowski
A Última Dose
aqui vamos nós, mais uma vez, a última bebida, o último
poema – décadas desta esplêndida sorte – outra madrugada
bêbada, e não no chão da cadeia de bebuns nesta noite esperando que
o cafetão negro saia do telefone de modo que eu possa fazer minha única
ligação permitida (tantas daquelas madrugadas também) eu levei
um longo tempo para encontrar a pessoa mais interessante com
quem beber: eu mesmo, assim, agora pegando à minha esquerda
a última taça do Sangue do
Cordeiro.
poema – décadas desta esplêndida sorte – outra madrugada
bêbada, e não no chão da cadeia de bebuns nesta noite esperando que
o cafetão negro saia do telefone de modo que eu possa fazer minha única
ligação permitida (tantas daquelas madrugadas também) eu levei
um longo tempo para encontrar a pessoa mais interessante com
quem beber: eu mesmo, assim, agora pegando à minha esquerda
a última taça do Sangue do
Cordeiro.
1 271
Charles Bukowski
Meu Truque do Desaparecimento
quando eu enchia o saco de ficar no bar
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
e às vezes eu enchia
eu tinha um lugar para ir:
era um campo de capim alto
um cemitério
abandonado.
eu não via aquilo como sendo um
passatempo mórbido.
aquele só me parecia ser o melhor
lugar para estar.
ele oferecia uma generosa cura para
ressacas violentas.
através do capim dava para ver
as lápides,
muitas pendiam
em ângulos estranhos
contra a gravidade
como se precisassem
cair
mas nunca vi nenhuma
cair
embora houvesse muitas delas
no cemitério.
era fresco e escuro
com uma brisa
e várias vezes eu dormia
lá.
nunca fui
incomodado.
toda vez que eu retornava para o bar
depois de uma ausência
era sempre a mesma história com
eles:
“onde diabos você
andava? achamos que você tinha
morrido!”
para eles eu era o monstro do bar, eles precisavam de mim
para que se sentissem
melhor.
assim como eu, às vezes, precisava daquele
cemitério.
1 075
Charles Bukowski
#1
ah me perdoem Por quem os sinos dobram,
ah me perdoe Homem que andou sobre as águas,
ah me perdoe velhinha que morava num sapato,
ah me perdoe a montanha que rugia à meia-noite,
ah me perdoem os sons bobos da noite do dia e da morte,
ah me perdoe a morte da última bela pantera,
ah me perdoem todos os navios afundados e exércitos derrotados.
este é o meu primeiro POEMA EM FAX.
é tarde demais:
fui
conquistado.
ah me perdoe Homem que andou sobre as águas,
ah me perdoe velhinha que morava num sapato,
ah me perdoe a montanha que rugia à meia-noite,
ah me perdoem os sons bobos da noite do dia e da morte,
ah me perdoe a morte da última bela pantera,
ah me perdoem todos os navios afundados e exércitos derrotados.
este é o meu primeiro POEMA EM FAX.
é tarde demais:
fui
conquistado.
1 115
Charles Bukowski
Não Tem Remédio Pra Isso
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
nunca será preenchido
um espaço
e mesmo nos
melhores momentos
e
nos melhores
tempos
nós saberemos
nós saberemos
mais do que
nunca
há um lugar no coração que
nunca será preenchido
e
nós vamos esperar
e
esperar
nesse
espaço.
2 481
Charles Bukowski
Escuridão
a escuridão cai sobre a Humanidade
e os rostos se tornam coisas
terríveis
que queriam mais do que
havia.
todos os nossos dias são marcados por
afrontas
inesperadas – algumas
desastrosas, outras
menos
mas o processo é
desgastante e
contínuo.
o atrito é a norma.
a maioria cede
o lugar
deixando
espaços vazios
onde deveriam existir
pessoas.
nossos progenitores, nossos
sistemas educacionais, a
terra, a mídia, o
modo
só
iludiram e desencaminharam as
massas: elas foram
derrotadas pela aridez do
sonho
efetivo.
elas
ignoravam que
a conquista ou a vitória ou
a sorte ou
seja lá como você
quiser chamar
por certo
tem
suas derrotas.
somente o reencontro e
o ir em frente
é que conferem substância
a qualquer magia
possivelmente
derivada.
e agora
quando estamos prontos para nos autodestruir
resta muito pouco para
matar
o que torna a tragédia
menor e maior
bem bem
maior.
e os rostos se tornam coisas
terríveis
que queriam mais do que
havia.
todos os nossos dias são marcados por
afrontas
inesperadas – algumas
desastrosas, outras
menos
mas o processo é
desgastante e
contínuo.
o atrito é a norma.
a maioria cede
o lugar
deixando
espaços vazios
onde deveriam existir
pessoas.
nossos progenitores, nossos
sistemas educacionais, a
terra, a mídia, o
modo
só
iludiram e desencaminharam as
massas: elas foram
derrotadas pela aridez do
sonho
efetivo.
elas
ignoravam que
a conquista ou a vitória ou
a sorte ou
seja lá como você
quiser chamar
por certo
tem
suas derrotas.
somente o reencontro e
o ir em frente
é que conferem substância
a qualquer magia
possivelmente
derivada.
e agora
quando estamos prontos para nos autodestruir
resta muito pouco para
matar
o que torna a tragédia
menor e maior
bem bem
maior.
824
Charles Bukowski
Aos Interessados:
se você se casar acham que você está
liquidado
e se você estiver sem mulher acham que você está
incompleto
grande parte dos meus leitores quer que eu
continue escrevendo sobre deitar com loucas e
profissionais de rua –
também sobre estar em cadeias e hospitais, ou
passar fome ou
vomitar até as
tripas.
concordo que a autocomplacência dificilmente rende uma
literatura imortal
mas tampouco a rende a
repetição.
para os leitores ora
deprimidos pela
crença de que sou um homem
contente –
por favor queiram se
alegrar: a aflição às vezes muda
de forma
mas
nunca termina para
ninguém.
liquidado
e se você estiver sem mulher acham que você está
incompleto
grande parte dos meus leitores quer que eu
continue escrevendo sobre deitar com loucas e
profissionais de rua –
também sobre estar em cadeias e hospitais, ou
passar fome ou
vomitar até as
tripas.
concordo que a autocomplacência dificilmente rende uma
literatura imortal
mas tampouco a rende a
repetição.
para os leitores ora
deprimidos pela
crença de que sou um homem
contente –
por favor queiram se
alegrar: a aflição às vezes muda
de forma
mas
nunca termina para
ninguém.
909
Charles Bukowski
Aos Interessados:
se você se casar acham que você está
liquidado
e se você estiver sem mulher acham que você está
incompleto
grande parte dos meus leitores quer que eu
continue escrevendo sobre deitar com loucas e
profissionais de rua –
também sobre estar em cadeias e hospitais, ou
passar fome ou
vomitar até as
tripas.
concordo que a autocomplacência dificilmente rende uma
literatura imortal
mas tampouco a rende a
repetição.
para os leitores ora
deprimidos pela
crença de que sou um homem
contente –
por favor queiram se
alegrar: a aflição às vezes muda
de forma
mas
nunca termina para
ninguém.
liquidado
e se você estiver sem mulher acham que você está
incompleto
grande parte dos meus leitores quer que eu
continue escrevendo sobre deitar com loucas e
profissionais de rua –
também sobre estar em cadeias e hospitais, ou
passar fome ou
vomitar até as
tripas.
concordo que a autocomplacência dificilmente rende uma
literatura imortal
mas tampouco a rende a
repetição.
para os leitores ora
deprimidos pela
crença de que sou um homem
contente –
por favor queiram se
alegrar: a aflição às vezes muda
de forma
mas
nunca termina para
ninguém.
909
Charles Bukowski
Ovo Desestrelado
NADA. sentados num café tomando café da manhã. NADA. a garçonete,
e as pessoas comendo. o tráfego passa. não importa o que
Napoleão fez, o que Platão fez. Turguêniev poderia ter sido uma mosca. estamos
esgotados, esperança erradicada. pegamos xícaras de café como os robôs que tomarão em breve
o nosso lugar. coragem em Salerno, banhos de sangue no front oriental não
importaram. sabemos que estamos derrotados. NADA. agora é só uma questão de
continuar
de alguma maneira –
mastigar a comida e ler o jornal. nós
lemos sobre nós mesmos. a notícia é
ruim. algo sobre
NADA.
Joe Louis morto há muito enquanto a mosca-da-fruta invade Beverly Hills.
bem, pelo menos podemos sentar e
comer. tem sido uma viagem
árdua. poderia ser
pior. poderia ser pior do que
NADA.
peçamos mais café à
garçonete.
a vadia! ela sabe que estamos tentando chamar sua
atenção.
ela só fica lá parada fazendo
NADA.
não importa que o príncipe Charles caia do cavalo
ou que o beija-flor seja tão raramente
visto
ou que sejamos insensatos demais para
enlouquecer.
café. sirvam-nos mais desse café do
NADA.
e as pessoas comendo. o tráfego passa. não importa o que
Napoleão fez, o que Platão fez. Turguêniev poderia ter sido uma mosca. estamos
esgotados, esperança erradicada. pegamos xícaras de café como os robôs que tomarão em breve
o nosso lugar. coragem em Salerno, banhos de sangue no front oriental não
importaram. sabemos que estamos derrotados. NADA. agora é só uma questão de
continuar
de alguma maneira –
mastigar a comida e ler o jornal. nós
lemos sobre nós mesmos. a notícia é
ruim. algo sobre
NADA.
Joe Louis morto há muito enquanto a mosca-da-fruta invade Beverly Hills.
bem, pelo menos podemos sentar e
comer. tem sido uma viagem
árdua. poderia ser
pior. poderia ser pior do que
NADA.
peçamos mais café à
garçonete.
a vadia! ela sabe que estamos tentando chamar sua
atenção.
ela só fica lá parada fazendo
NADA.
não importa que o príncipe Charles caia do cavalo
ou que o beija-flor seja tão raramente
visto
ou que sejamos insensatos demais para
enlouquecer.
café. sirvam-nos mais desse café do
NADA.
1 146
Charles Bukowski
Lixo
eu tinha tomado uma surra tremenda,
eu tinha escolhido um verdadeiro touro, e por causa das
garotas e dele mesmo e só por sua
brutal energia esquiva
ele quase tinha me assassinado:
eu soube depois
que mesmo quando eu já estava apagado
ele havia chutado minha cabeça repetidas
vezes
e então havia esvaziado várias latas de lixo
em cima de mim
e então haviam me deixado ali
naquele beco.
eu era o cara de fora da cidade.
foi por volta das 6 da manhã num
domingo que eu voltei
a mim.
meu rosto era um amontoado de
feridas, crostas, coágulos, galos, calombos, meus lábios
engrossados e dormentes, meus olhos quase fechados de tão
inchados
mas eu me botei de pé e comecei
a caminhar;
eu via indícios do sol, casas, a calçada
trêmula enquanto eu
avançava na direção do meu quarto
então escutei sons arrastados vindos do
centro da rua
e forcei meus olhos para
focalizar e vi um
homem cambaleando
suas roupas rasgadas e ensanguentadas
ele cheirava a morte e escuridão
mas continuava andando em frente
pelo meio da rua
como se já tivesse caminhado
quilômetros
desde algum acontecimento tão horrível que
a própria mente poderia se recusar a aceitá-lo
como parte da vida.
meu impulso era ajudá-lo
e saltei do
meio-fio
e avancei ao encontro dele.
ele não conseguia me ver, ele avançava
procurando algum lugar para ir,
qualquer lugar, e
eu vi um dos olhos dele pendurado
fora da órbita,
balançando.
eu recuei.
ele era como uma criatura não pertencente à
terra.
deixei o homem
passar.
dava para ouvir os pés se afastando
atrás de mim
aqueles passos cegos
oscilando, em
agonia,
insensivelmente
solitários.
voltei à
calçada.
voltei ao meu
quarto.
subi na
cama.
caí com o rosto para cima
o teto no alto em cima de mim,
eu esperei.
eu tinha escolhido um verdadeiro touro, e por causa das
garotas e dele mesmo e só por sua
brutal energia esquiva
ele quase tinha me assassinado:
eu soube depois
que mesmo quando eu já estava apagado
ele havia chutado minha cabeça repetidas
vezes
e então havia esvaziado várias latas de lixo
em cima de mim
e então haviam me deixado ali
naquele beco.
eu era o cara de fora da cidade.
foi por volta das 6 da manhã num
domingo que eu voltei
a mim.
meu rosto era um amontoado de
feridas, crostas, coágulos, galos, calombos, meus lábios
engrossados e dormentes, meus olhos quase fechados de tão
inchados
mas eu me botei de pé e comecei
a caminhar;
eu via indícios do sol, casas, a calçada
trêmula enquanto eu
avançava na direção do meu quarto
então escutei sons arrastados vindos do
centro da rua
e forcei meus olhos para
focalizar e vi um
homem cambaleando
suas roupas rasgadas e ensanguentadas
ele cheirava a morte e escuridão
mas continuava andando em frente
pelo meio da rua
como se já tivesse caminhado
quilômetros
desde algum acontecimento tão horrível que
a própria mente poderia se recusar a aceitá-lo
como parte da vida.
meu impulso era ajudá-lo
e saltei do
meio-fio
e avancei ao encontro dele.
ele não conseguia me ver, ele avançava
procurando algum lugar para ir,
qualquer lugar, e
eu vi um dos olhos dele pendurado
fora da órbita,
balançando.
eu recuei.
ele era como uma criatura não pertencente à
terra.
deixei o homem
passar.
dava para ouvir os pés se afastando
atrás de mim
aqueles passos cegos
oscilando, em
agonia,
insensivelmente
solitários.
voltei à
calçada.
voltei ao meu
quarto.
subi na
cama.
caí com o rosto para cima
o teto no alto em cima de mim,
eu esperei.
1 280
Charles Bukowski
Bestas Saltando Ao Longo do Tempo –
Van Gogh escrevendo ao irmão pedindo tintas
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
1 290
Charles Bukowski
Bestas Saltando Ao Longo do Tempo –
Van Gogh escrevendo ao irmão pedindo tintas
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
1 290
Charles Bukowski
Bestas Saltando Ao Longo do Tempo –
Van Gogh escrevendo ao irmão pedindo tintas
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
Hemingway testando sua espingarda
Céline falindo como médico
a impossibilidade de ser humano
Villon expulso de Paris por ser um ladrão
Faulkner bêbado nas sarjetas de sua cidade
a impossibilidade de ser humano
Burroughs matando a esposa com uma arma
Mailer esfaqueando a dele
a impossibilidade de ser humano
Maupassant enlouquecendo num barco a remo
Dostoiévski enfileirado num muro para ser fuzilado
Crane pulando de um barco na voragem da hélice
a impossibilidade
Sylvia com a cabeça no forno como batata assada
Harry Crosby saltando naquele Sol Negro
Lorca assassinado na estrada pelos soldados espanhóis
a impossibilidade
Artaud sentado num banco de hospício
Chatterton tomando veneno de rato
Shakespeare um plagiador
Beethoven com a corneta de surdez enfiada na cabeça
a impossibilidade a impossibilidade
Nietzsche totalmente enlouquecido
a impossibilidade de ser humano
demasiado humano
esse respirar
pra dentro e pra fora
pra fora e pra dentro
esses marginais
esses covardes
esses campeões
esses loucos cães da glória
movendo um tantinho de luz rumo a
nós
impossivelmente.
1 290
Charles Bukowski
Um Cara Engraçado
Schopenhauer não suportava as massas,
elas o deixavam louco
mas ele era capaz de dizer
“pelo menos não sou elas”
e isso o consolava em certa
medida
e creio que um de seus textos mais divertidos
foi aquele no qual protestou contra certo homem que
inutilmente estalava seu chicote
sobre seu cavalo
destruindo completamente um raciocínio
que Arthur estava
desenvolvendo.
mas o homem com o chicote era uma parte do
todo
não importando quão aparentemente inútil e
estúpido
e pensamentos um dia geniais
muitas vezes com o tempo
se tornam inúteis e
estúpidos.
mas a fúria de Schopenhauer era tão
bela
tão bem colocada que eu ri
alto
e então
o larguei
ao lado de Nietzsche
que também era
demasiado
humano.
elas o deixavam louco
mas ele era capaz de dizer
“pelo menos não sou elas”
e isso o consolava em certa
medida
e creio que um de seus textos mais divertidos
foi aquele no qual protestou contra certo homem que
inutilmente estalava seu chicote
sobre seu cavalo
destruindo completamente um raciocínio
que Arthur estava
desenvolvendo.
mas o homem com o chicote era uma parte do
todo
não importando quão aparentemente inútil e
estúpido
e pensamentos um dia geniais
muitas vezes com o tempo
se tornam inúteis e
estúpidos.
mas a fúria de Schopenhauer era tão
bela
tão bem colocada que eu ri
alto
e então
o larguei
ao lado de Nietzsche
que também era
demasiado
humano.
1 160
Charles Bukowski
Um Cara Engraçado
Schopenhauer não suportava as massas,
elas o deixavam louco
mas ele era capaz de dizer
“pelo menos não sou elas”
e isso o consolava em certa
medida
e creio que um de seus textos mais divertidos
foi aquele no qual protestou contra certo homem que
inutilmente estalava seu chicote
sobre seu cavalo
destruindo completamente um raciocínio
que Arthur estava
desenvolvendo.
mas o homem com o chicote era uma parte do
todo
não importando quão aparentemente inútil e
estúpido
e pensamentos um dia geniais
muitas vezes com o tempo
se tornam inúteis e
estúpidos.
mas a fúria de Schopenhauer era tão
bela
tão bem colocada que eu ri
alto
e então
o larguei
ao lado de Nietzsche
que também era
demasiado
humano.
elas o deixavam louco
mas ele era capaz de dizer
“pelo menos não sou elas”
e isso o consolava em certa
medida
e creio que um de seus textos mais divertidos
foi aquele no qual protestou contra certo homem que
inutilmente estalava seu chicote
sobre seu cavalo
destruindo completamente um raciocínio
que Arthur estava
desenvolvendo.
mas o homem com o chicote era uma parte do
todo
não importando quão aparentemente inútil e
estúpido
e pensamentos um dia geniais
muitas vezes com o tempo
se tornam inúteis e
estúpidos.
mas a fúria de Schopenhauer era tão
bela
tão bem colocada que eu ri
alto
e então
o larguei
ao lado de Nietzsche
que também era
demasiado
humano.
1 160
Charles Bukowski
Um Poema Não Urgente
teve um sujeito que me escreveu sobre
sua impressão de que não havia a mesma
“urgência” nos meus poemas
do presente
em comparação com meus poemas
do passado.
ora, se isso é verdade
por que ele me escreveu
a respeito?
por acaso tornei seus dias
mais
incompletos?
é
possível.
bem, também já me senti
desapontado
por escritores
que eu antes considerava
poderosos
ou
ao menos
bons
pra burro
mas
jamais cogitei
escrever para
informá-los de que eu
pressentia sua
decadência.
descobri que a melhor coisa
a fazer
era apenas seguir martelando
no meu próprio trabalho
e deixar que os moribundos
morressem
como sempre
morreram.
sua impressão de que não havia a mesma
“urgência” nos meus poemas
do presente
em comparação com meus poemas
do passado.
ora, se isso é verdade
por que ele me escreveu
a respeito?
por acaso tornei seus dias
mais
incompletos?
é
possível.
bem, também já me senti
desapontado
por escritores
que eu antes considerava
poderosos
ou
ao menos
bons
pra burro
mas
jamais cogitei
escrever para
informá-los de que eu
pressentia sua
decadência.
descobri que a melhor coisa
a fazer
era apenas seguir martelando
no meu próprio trabalho
e deixar que os moribundos
morressem
como sempre
morreram.
1 173
Charles Bukowski
Milagre
acabei de ouvir uma
sinfonia que Mozart rabiscou
num único dia
e ela tinha uma dose de júbilo
louco e selvagem
capaz de durar
para sempre,
seja lá o que para sempre
for
Mozart chegou o mais próximo
possível
disso.
sinfonia que Mozart rabiscou
num único dia
e ela tinha uma dose de júbilo
louco e selvagem
capaz de durar
para sempre,
seja lá o que para sempre
for
Mozart chegou o mais próximo
possível
disso.
1 199
Charles Bukowski
Milagre
acabei de ouvir uma
sinfonia que Mozart rabiscou
num único dia
e ela tinha uma dose de júbilo
louco e selvagem
capaz de durar
para sempre,
seja lá o que para sempre
for
Mozart chegou o mais próximo
possível
disso.
sinfonia que Mozart rabiscou
num único dia
e ela tinha uma dose de júbilo
louco e selvagem
capaz de durar
para sempre,
seja lá o que para sempre
for
Mozart chegou o mais próximo
possível
disso.
1 199
Charles Bukowski
Meu Primeiro Caso Com Aquela Mulher Mais Velha
quando penso agora
no abuso que sofri nas mãos
dela
sinto vergonha por ter sido tão
inocente,
mas devo dizer
que ela bebia comigo de igual para
igual,
e eu percebi que sua vida e
seus sentimentos pelas coisas
tinham sido arruinados
ao longo do caminho
e que eu não passava de uma
companhia
temporária;
ela era dez anos mais velha
e ferida de morte pelo passado
e pelo presente;
ela me tratava mal:
abandono, outros
homens;
ela me causava imensa
dor,
continuamente;
ela mentia, roubava;
houve abandono,
outros homens,
mas tivemos bons momentos; e
a nossa novelinha terminou
com ela em coma
no hospital,
e eu me sentei junto ao leito
por horas
conversando com ela,
e aí ela abriu os olhos
e me viu:
“eu sabia que seria você”,
ela disse,
então fechou seus
olhos.
no dia seguinte ela estava
morta.
eu bebi sozinho
por dois anos
depois disso.
no abuso que sofri nas mãos
dela
sinto vergonha por ter sido tão
inocente,
mas devo dizer
que ela bebia comigo de igual para
igual,
e eu percebi que sua vida e
seus sentimentos pelas coisas
tinham sido arruinados
ao longo do caminho
e que eu não passava de uma
companhia
temporária;
ela era dez anos mais velha
e ferida de morte pelo passado
e pelo presente;
ela me tratava mal:
abandono, outros
homens;
ela me causava imensa
dor,
continuamente;
ela mentia, roubava;
houve abandono,
outros homens,
mas tivemos bons momentos; e
a nossa novelinha terminou
com ela em coma
no hospital,
e eu me sentei junto ao leito
por horas
conversando com ela,
e aí ela abriu os olhos
e me viu:
“eu sabia que seria você”,
ela disse,
então fechou seus
olhos.
no dia seguinte ela estava
morta.
eu bebi sozinho
por dois anos
depois disso.
1 591
Charles Bukowski
Outro Acidente
gato foi atropelado
agora parafuso de prata mantendo unido um fêmur
quebrado
perna direita
envolta em rubra e brilhante
atadura
trouxe meu gato de volta do veterinário
tirei meu olho
dele por
um instante
ele correu pelo piso
arrastando sua rubra
perna
perseguindo a
gata
pior coisa que o
filho da puta podia
fazer
está preso
de castigo
agora
esfriando
a cabeça
ele é igualzinho ao
resto de
nós
ele tem uns grandes
olhos amarelos
fitando fixamente
querendo apenas
viver a
vida
boa.
agora parafuso de prata mantendo unido um fêmur
quebrado
perna direita
envolta em rubra e brilhante
atadura
trouxe meu gato de volta do veterinário
tirei meu olho
dele por
um instante
ele correu pelo piso
arrastando sua rubra
perna
perseguindo a
gata
pior coisa que o
filho da puta podia
fazer
está preso
de castigo
agora
esfriando
a cabeça
ele é igualzinho ao
resto de
nós
ele tem uns grandes
olhos amarelos
fitando fixamente
querendo apenas
viver a
vida
boa.
1 176
Charles Bukowski
A Geração Perdida
andei lendo um livro sobre uma literata rica
dos anos vinte e seu marido que
beberam, comeram e farrearam pela
Europa toda
encontrando Pound, Picasso, A. Huxley, Lawrence, Joyce,
F. Scott, Hemingway, muitos
outros;
os famosos eram como brinquedinhos preciosos para
eles,
e na minha leitura
os famosos se permitiam virar
brinquedinhos preciosos.
durante o livro inteiro
esperei que um único dos famosos
mandasse a literata rica e seu
marido literato rico para
o raio que os partisse
mas, aparentemente, nenhum deles jamais
mandou.
Em vez disso eram fotografados com a dama
e seu marido
em várias praias
com expressão inteligente
como se tudo aquilo fosse parte do ato
da Arte.
talvez o fato de a mulher e o marido
encabeçarem uma exuberante editora
tivesse algo a ver
com isso.
e eram todos fotografados juntos
em festas
ou em frente à livraria de Sylvia Beach.
é verdade que muitos deles foram
artistas excelentes e/ou originais,
mas aquilo parecia um negócio tão refinado
e esnobe,
e o marido por fim cometeu seu
ameaçado suicídio
e a dama publicou um dos meus primeiros
contos nos anos
40 e agora
já morreu, só que
não consigo perdoar nenhum dos dois
pela idiotice de suas vidas ricas
e tampouco
consigo perdoar seus brinquedinhos preciosos
por terem sido
isso.
dos anos vinte e seu marido que
beberam, comeram e farrearam pela
Europa toda
encontrando Pound, Picasso, A. Huxley, Lawrence, Joyce,
F. Scott, Hemingway, muitos
outros;
os famosos eram como brinquedinhos preciosos para
eles,
e na minha leitura
os famosos se permitiam virar
brinquedinhos preciosos.
durante o livro inteiro
esperei que um único dos famosos
mandasse a literata rica e seu
marido literato rico para
o raio que os partisse
mas, aparentemente, nenhum deles jamais
mandou.
Em vez disso eram fotografados com a dama
e seu marido
em várias praias
com expressão inteligente
como se tudo aquilo fosse parte do ato
da Arte.
talvez o fato de a mulher e o marido
encabeçarem uma exuberante editora
tivesse algo a ver
com isso.
e eram todos fotografados juntos
em festas
ou em frente à livraria de Sylvia Beach.
é verdade que muitos deles foram
artistas excelentes e/ou originais,
mas aquilo parecia um negócio tão refinado
e esnobe,
e o marido por fim cometeu seu
ameaçado suicídio
e a dama publicou um dos meus primeiros
contos nos anos
40 e agora
já morreu, só que
não consigo perdoar nenhum dos dois
pela idiotice de suas vidas ricas
e tampouco
consigo perdoar seus brinquedinhos preciosos
por terem sido
isso.
1 094
Charles Bukowski
A Geração Perdida
andei lendo um livro sobre uma literata rica
dos anos vinte e seu marido que
beberam, comeram e farrearam pela
Europa toda
encontrando Pound, Picasso, A. Huxley, Lawrence, Joyce,
F. Scott, Hemingway, muitos
outros;
os famosos eram como brinquedinhos preciosos para
eles,
e na minha leitura
os famosos se permitiam virar
brinquedinhos preciosos.
durante o livro inteiro
esperei que um único dos famosos
mandasse a literata rica e seu
marido literato rico para
o raio que os partisse
mas, aparentemente, nenhum deles jamais
mandou.
Em vez disso eram fotografados com a dama
e seu marido
em várias praias
com expressão inteligente
como se tudo aquilo fosse parte do ato
da Arte.
talvez o fato de a mulher e o marido
encabeçarem uma exuberante editora
tivesse algo a ver
com isso.
e eram todos fotografados juntos
em festas
ou em frente à livraria de Sylvia Beach.
é verdade que muitos deles foram
artistas excelentes e/ou originais,
mas aquilo parecia um negócio tão refinado
e esnobe,
e o marido por fim cometeu seu
ameaçado suicídio
e a dama publicou um dos meus primeiros
contos nos anos
40 e agora
já morreu, só que
não consigo perdoar nenhum dos dois
pela idiotice de suas vidas ricas
e tampouco
consigo perdoar seus brinquedinhos preciosos
por terem sido
isso.
dos anos vinte e seu marido que
beberam, comeram e farrearam pela
Europa toda
encontrando Pound, Picasso, A. Huxley, Lawrence, Joyce,
F. Scott, Hemingway, muitos
outros;
os famosos eram como brinquedinhos preciosos para
eles,
e na minha leitura
os famosos se permitiam virar
brinquedinhos preciosos.
durante o livro inteiro
esperei que um único dos famosos
mandasse a literata rica e seu
marido literato rico para
o raio que os partisse
mas, aparentemente, nenhum deles jamais
mandou.
Em vez disso eram fotografados com a dama
e seu marido
em várias praias
com expressão inteligente
como se tudo aquilo fosse parte do ato
da Arte.
talvez o fato de a mulher e o marido
encabeçarem uma exuberante editora
tivesse algo a ver
com isso.
e eram todos fotografados juntos
em festas
ou em frente à livraria de Sylvia Beach.
é verdade que muitos deles foram
artistas excelentes e/ou originais,
mas aquilo parecia um negócio tão refinado
e esnobe,
e o marido por fim cometeu seu
ameaçado suicídio
e a dama publicou um dos meus primeiros
contos nos anos
40 e agora
já morreu, só que
não consigo perdoar nenhum dos dois
pela idiotice de suas vidas ricas
e tampouco
consigo perdoar seus brinquedinhos preciosos
por terem sido
isso.
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