Poemas neste tema
Outros
Charles Bukowski
O Primeiro Amor
certa vez
quanto eu tinha 14 anos
os criadores me trouxeram
meu único sentimento de
chance.
meu pai não gostava
de livros e
minha mãe não gostava
de livros (porque meu pai
não gostava de livros)
sobretudo aqueles que eu trazia
da biblioteca:
D.H. Lawrence
Dostoiévski
Turguêniev
Górki
A. Huxley
Sinclair Lewis
outros.
eu tinha meu próprio quarto
mas às 8 da noite
devíamos estar todos indo dormir:
“Cedo na cama e cedo desperto:
o homem fica saudável, rico e esperto”,
meu pai costumava dizer.
“LUZES DESLIGADAS!”, ele gritava.
então eu pegava o abajur de cabeceira
colocava embaixo das cobertas
e com o calor e a luz escondida
eu continuava lendo:
Ibsen
Shakespeare
Tchékhov
Jeffers
Thurber
Conrad Aiken
outros.
eles me trouxeram chance e esperança e
sentimento num lugar sem chance,
sem esperança, sem sentimento.
eu trabalhei duro.
ficava quente embaixo das cobertas.
às vezes o abajur começava a soltar fumaça
ou os lençóis – começavam a
pegar fogo;
aí eu desligava o abajur,
segurava fora da janela para
esfriar.
sem esses livros
não tenho bem certeza
no que teria dado a minha
vida:
desvario; o
assassinato do pai;
idiotismo; imbecilidade;
insípida desesperança.
quando meu pai gritava
“LUZES DESLIGADAS!”
tenho certeza de que ele temia
a palavra bem escrita
que aparecia com suavidade
e razoabilidade
em nossa melhor e
mais interessante
literatura.
e foi ali
perto de mim
embaixo das cobertas
mais mulher do que mulher
mais homem do que homem.
eu tinha tudo
e
não deixei escapar.
quanto eu tinha 14 anos
os criadores me trouxeram
meu único sentimento de
chance.
meu pai não gostava
de livros e
minha mãe não gostava
de livros (porque meu pai
não gostava de livros)
sobretudo aqueles que eu trazia
da biblioteca:
D.H. Lawrence
Dostoiévski
Turguêniev
Górki
A. Huxley
Sinclair Lewis
outros.
eu tinha meu próprio quarto
mas às 8 da noite
devíamos estar todos indo dormir:
“Cedo na cama e cedo desperto:
o homem fica saudável, rico e esperto”,
meu pai costumava dizer.
“LUZES DESLIGADAS!”, ele gritava.
então eu pegava o abajur de cabeceira
colocava embaixo das cobertas
e com o calor e a luz escondida
eu continuava lendo:
Ibsen
Shakespeare
Tchékhov
Jeffers
Thurber
Conrad Aiken
outros.
eles me trouxeram chance e esperança e
sentimento num lugar sem chance,
sem esperança, sem sentimento.
eu trabalhei duro.
ficava quente embaixo das cobertas.
às vezes o abajur começava a soltar fumaça
ou os lençóis – começavam a
pegar fogo;
aí eu desligava o abajur,
segurava fora da janela para
esfriar.
sem esses livros
não tenho bem certeza
no que teria dado a minha
vida:
desvario; o
assassinato do pai;
idiotismo; imbecilidade;
insípida desesperança.
quando meu pai gritava
“LUZES DESLIGADAS!”
tenho certeza de que ele temia
a palavra bem escrita
que aparecia com suavidade
e razoabilidade
em nossa melhor e
mais interessante
literatura.
e foi ali
perto de mim
embaixo das cobertas
mais mulher do que mulher
mais homem do que homem.
eu tinha tudo
e
não deixei escapar.
815
Charles Bukowski
Sorrindo, Brilhando, Cantando
minha filha parecia uma Katharine Hepburn muito jovem
na apresentação de Natal da escola primária.
estava lá com os outros
sorrindo, brilhando, cantando
no vestido longo que eu tinha comprado pra ela.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à mãe dela
que estava sentada à minha esquerda.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à minha namorada
que estava sentada à minha direita.
a vó da minha filha estava a dois assentos de mim;
não falei nada pra ela.
nunca gostei das atuações de Katharine Hepburn,
mas sempre gostei de sua aparência,
de sua classe, sabe,
alguém com quem você podia conversar na cama
por uma hora e meia antes de pegar no
sono.
posso ver que minha filha vai ser uma
mulher belíssima.
um dia quando eu estiver bastante velho
ela provavelmente vai me trazer o urinol com um sorriso
dos mais amáveis.
e ela provavelmente vai se casar com um caminhoneiro que
caminha pesadão
e joga boliche todas as quintas à noite
com a rapaziada.
bem, nada disso importa.
o que importa é o agora.
sua avó é uma grande mulher de rapina.
sua mãe é uma liberal psicótica e amante da vida.
seu pai é um bêbado.
minha filha parecia uma Katharine Hepburn muito jovem.
depois da apresentação de Natal
nós fomos ao McDonald’s e comemos, e alimentamos os pardais.
faltava uma semana para o Natal.
estávamos menos preocupados com isso do que nove décimos da cidade.
isso é classe, nós dois temos classe.
ignorar a vida no momento certo exige uma sabedoria especial:
como um Feliz Ano-Novo para
todos vocês.
na apresentação de Natal da escola primária.
estava lá com os outros
sorrindo, brilhando, cantando
no vestido longo que eu tinha comprado pra ela.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à mãe dela
que estava sentada à minha esquerda.
ela parece a Katharine Hepburn, falei à minha namorada
que estava sentada à minha direita.
a vó da minha filha estava a dois assentos de mim;
não falei nada pra ela.
nunca gostei das atuações de Katharine Hepburn,
mas sempre gostei de sua aparência,
de sua classe, sabe,
alguém com quem você podia conversar na cama
por uma hora e meia antes de pegar no
sono.
posso ver que minha filha vai ser uma
mulher belíssima.
um dia quando eu estiver bastante velho
ela provavelmente vai me trazer o urinol com um sorriso
dos mais amáveis.
e ela provavelmente vai se casar com um caminhoneiro que
caminha pesadão
e joga boliche todas as quintas à noite
com a rapaziada.
bem, nada disso importa.
o que importa é o agora.
sua avó é uma grande mulher de rapina.
sua mãe é uma liberal psicótica e amante da vida.
seu pai é um bêbado.
minha filha parecia uma Katharine Hepburn muito jovem.
depois da apresentação de Natal
nós fomos ao McDonald’s e comemos, e alimentamos os pardais.
faltava uma semana para o Natal.
estávamos menos preocupados com isso do que nove décimos da cidade.
isso é classe, nós dois temos classe.
ignorar a vida no momento certo exige uma sabedoria especial:
como um Feliz Ano-Novo para
todos vocês.
1 032
Charles Bukowski
Sim
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
1 077
Charles Bukowski
Sim
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
meus relacionamentos duram em média
dois anos e meio.
com guerras
inflação
desemprego
alcoolismo
jogatina
e o meu próprio nervosismo degenerado
acho que me saio bem o bastante.
gosto de ler os jornais dominicais na cama.
gosto de fitas cor de laranja amarradas em volta do pescoço do gato.
gosto de dormir apertado contra um corpo que conheço bem.
gosto de papeletas pretas no pé da minha cama
às 2 da tarde.
gosto de ver como ficaram as fotos.
gosto que me ajudem a suportar os feriados:
Independência, Dia do Trabalho, Halloween, Ação de Graças,
Natal, Ano-Novo.
elas sabem como remar por essas correntezas
e têm menos medo do amor do que eu.
conseguem me fazer rir onde comediantes profissionais
fracassam.
há a caminhada na rua para comprar um jornal juntos.
há muita coisa boa em estar sozinho
mas há um estranho calor em não estar sozinho.
gosto de batatas vermelhas cozidas.
gosto de olhos e dedos melhores que os meus que consigam
tirar nós de cadarços.
gosto de deixá-la dirigir o carro em noites escuras
quando a estrada e o caminho me deram nos nervos,
o rádio do carro ligado
nós acendemos cigarros e conversamos sobre coisas
e de vez em quando
ficamos em silêncio.
eu gosto de grampos de cabelo em cima de mesas.
eu gosto de conhecer as mesmas paredes
as mesmas pessoas.
não gosto das brigas insanas e inúteis que sempre
ocorrem
e não gosto de mim nessas ocasiões
não dando nada
não entendendo nada.
gosto de aspargos cozidos
gosto de rabanetes
gosto de cebolas.
gosto de levar meu carro num lava-jato.
gosto quando tenho vitória de dez em aposta de seis
por um.
gosto do meu rádio que fica tocando
Shostakovich, Brahms, Beethoven, Mahler.
gosto quando há uma batida na porta e
é ela.
não importa com quem eu esteja
as pessoas sempre dizem:
você ainda está com ela?
devem pensar que eu as enterro
em Hollywood Hills.
1 077
Charles Bukowski
A Sova do Consolo
numa semana eu tive 6 mulheres diferentes
em 6 camas diferentes
(tirei uma quinta-feira de folga
para descansar)
e só falhei
sexualmente
uma noite,
a última noite da semana:
aconteceu quando eu estava em ação.
ela levou para o lado pessoal.
agora fiquei com uma só mulher
e eu não a traio.
quando você constata que pode se foder
facilmente
você constata que não precisa sair
por aí
simplesmente fodendo mulheres
e usando seus banheiros e seus
chuveiros e suas toalhas
e suas entranhas,
seus pensamentos, seus
sentimentos.
agora tenho um belo jardim lá fora.
ela o plantou.
eu o rego diariamente.
vasos de plantas pendem de cordas.
estou em paz.
ela fica aqui 3 dias por semana
então volta para sua casa.
o carteiro me pergunta: “ei, o que
aconteceu com todas as suas mulheres? você
costumava ter umas duas delas
sentadas na sua varanda quando eu passava
por aqui...”
“Sam”, eu lhe digo, “eu estava começando
a me sentir como um consolo...”
o cara da entrega de bebidas aparece:
“ei, cara! onde foi parar a mulherada toda?
você está sozinho nesta noite...”
“mais bebida pra mim,
Ernie...”
fodi a cidade, bebi a
metrópole, trepei com o país,
mijei no universo.
resta pouco a fazer exceto
firmar posição e relaxar.
tenho um belo jardim.
tenho uma mulher adorável.
já não me sinto como um
consolo.
eu me sinto como um homem.
a sensação é bem
melhor, é
mesmo. não se preocupem
comigo.
em 6 camas diferentes
(tirei uma quinta-feira de folga
para descansar)
e só falhei
sexualmente
uma noite,
a última noite da semana:
aconteceu quando eu estava em ação.
ela levou para o lado pessoal.
agora fiquei com uma só mulher
e eu não a traio.
quando você constata que pode se foder
facilmente
você constata que não precisa sair
por aí
simplesmente fodendo mulheres
e usando seus banheiros e seus
chuveiros e suas toalhas
e suas entranhas,
seus pensamentos, seus
sentimentos.
agora tenho um belo jardim lá fora.
ela o plantou.
eu o rego diariamente.
vasos de plantas pendem de cordas.
estou em paz.
ela fica aqui 3 dias por semana
então volta para sua casa.
o carteiro me pergunta: “ei, o que
aconteceu com todas as suas mulheres? você
costumava ter umas duas delas
sentadas na sua varanda quando eu passava
por aqui...”
“Sam”, eu lhe digo, “eu estava começando
a me sentir como um consolo...”
o cara da entrega de bebidas aparece:
“ei, cara! onde foi parar a mulherada toda?
você está sozinho nesta noite...”
“mais bebida pra mim,
Ernie...”
fodi a cidade, bebi a
metrópole, trepei com o país,
mijei no universo.
resta pouco a fazer exceto
firmar posição e relaxar.
tenho um belo jardim.
tenho uma mulher adorável.
já não me sinto como um
consolo.
eu me sinto como um homem.
a sensação é bem
melhor, é
mesmo. não se preocupem
comigo.
755
Charles Bukowski
A Sova do Consolo
numa semana eu tive 6 mulheres diferentes
em 6 camas diferentes
(tirei uma quinta-feira de folga
para descansar)
e só falhei
sexualmente
uma noite,
a última noite da semana:
aconteceu quando eu estava em ação.
ela levou para o lado pessoal.
agora fiquei com uma só mulher
e eu não a traio.
quando você constata que pode se foder
facilmente
você constata que não precisa sair
por aí
simplesmente fodendo mulheres
e usando seus banheiros e seus
chuveiros e suas toalhas
e suas entranhas,
seus pensamentos, seus
sentimentos.
agora tenho um belo jardim lá fora.
ela o plantou.
eu o rego diariamente.
vasos de plantas pendem de cordas.
estou em paz.
ela fica aqui 3 dias por semana
então volta para sua casa.
o carteiro me pergunta: “ei, o que
aconteceu com todas as suas mulheres? você
costumava ter umas duas delas
sentadas na sua varanda quando eu passava
por aqui...”
“Sam”, eu lhe digo, “eu estava começando
a me sentir como um consolo...”
o cara da entrega de bebidas aparece:
“ei, cara! onde foi parar a mulherada toda?
você está sozinho nesta noite...”
“mais bebida pra mim,
Ernie...”
fodi a cidade, bebi a
metrópole, trepei com o país,
mijei no universo.
resta pouco a fazer exceto
firmar posição e relaxar.
tenho um belo jardim.
tenho uma mulher adorável.
já não me sinto como um
consolo.
eu me sinto como um homem.
a sensação é bem
melhor, é
mesmo. não se preocupem
comigo.
em 6 camas diferentes
(tirei uma quinta-feira de folga
para descansar)
e só falhei
sexualmente
uma noite,
a última noite da semana:
aconteceu quando eu estava em ação.
ela levou para o lado pessoal.
agora fiquei com uma só mulher
e eu não a traio.
quando você constata que pode se foder
facilmente
você constata que não precisa sair
por aí
simplesmente fodendo mulheres
e usando seus banheiros e seus
chuveiros e suas toalhas
e suas entranhas,
seus pensamentos, seus
sentimentos.
agora tenho um belo jardim lá fora.
ela o plantou.
eu o rego diariamente.
vasos de plantas pendem de cordas.
estou em paz.
ela fica aqui 3 dias por semana
então volta para sua casa.
o carteiro me pergunta: “ei, o que
aconteceu com todas as suas mulheres? você
costumava ter umas duas delas
sentadas na sua varanda quando eu passava
por aqui...”
“Sam”, eu lhe digo, “eu estava começando
a me sentir como um consolo...”
o cara da entrega de bebidas aparece:
“ei, cara! onde foi parar a mulherada toda?
você está sozinho nesta noite...”
“mais bebida pra mim,
Ernie...”
fodi a cidade, bebi a
metrópole, trepei com o país,
mijei no universo.
resta pouco a fazer exceto
firmar posição e relaxar.
tenho um belo jardim.
tenho uma mulher adorável.
já não me sinto como um
consolo.
eu me sinto como um homem.
a sensação é bem
melhor, é
mesmo. não se preocupem
comigo.
755
Charles Bukowski
Corcunda
momentos de danação e momentos de glória
tamborilam ao longo do meu telhado.
o gato passa por mim
parecendo saber tudo.
minha sorte tem sido melhor, creio,
do que a sorte do gladíolo,
se bem que não tenho certeza.
fui amado por muitas mulheres,
e, para um corcunda da vida,
isso é uma sorte.
tantos dedos por entre meus cabelos
tantas mãos agarrando as minhas bolas
tantos sapatos tombados de lado pelo tapete do meu
quarto.
tantos olhos observando
endentados num crânio que vai carregar todos esses
olhos rumo à morte,
recordando.
fui tratado melhor do que eu
merecia –
não pela vida em geral
ou pela maquinaria das coisas
mas pelas mulheres.
e o outro
(pelas mulheres): eu
parado no quarto sozinho
dobrado
mãos segurando a pança –
pensando
por que por que por que por que por que por quê?
mulheres caídas por homens como porcos
mulheres caídas por homens com mãos como galhos secos
mulheres caídas por homens que trepam mal
mulheres caídas por coisas de homens
mulheres caídas
caídas
porque elas precisam cair
na ordem das
coisas.
as mulheres sabem
mas com mais frequência decidem fugir da
desordem e da confusão.
elas podem matar o que tocam.
estou morrendo
mas não estou morto.
tamborilam ao longo do meu telhado.
o gato passa por mim
parecendo saber tudo.
minha sorte tem sido melhor, creio,
do que a sorte do gladíolo,
se bem que não tenho certeza.
fui amado por muitas mulheres,
e, para um corcunda da vida,
isso é uma sorte.
tantos dedos por entre meus cabelos
tantas mãos agarrando as minhas bolas
tantos sapatos tombados de lado pelo tapete do meu
quarto.
tantos olhos observando
endentados num crânio que vai carregar todos esses
olhos rumo à morte,
recordando.
fui tratado melhor do que eu
merecia –
não pela vida em geral
ou pela maquinaria das coisas
mas pelas mulheres.
e o outro
(pelas mulheres): eu
parado no quarto sozinho
dobrado
mãos segurando a pança –
pensando
por que por que por que por que por que por quê?
mulheres caídas por homens como porcos
mulheres caídas por homens com mãos como galhos secos
mulheres caídas por homens que trepam mal
mulheres caídas por coisas de homens
mulheres caídas
caídas
porque elas precisam cair
na ordem das
coisas.
as mulheres sabem
mas com mais frequência decidem fugir da
desordem e da confusão.
elas podem matar o que tocam.
estou morrendo
mas não estou morto.
1 126
Charles Bukowski
Apenas Uma Noite
a mais recente aparelhagem pendendo sobre meu travesseiro recebe
luz da rua pela janela por entre a névoa do álcool
eu era o filhote de uma puritana que me surrava quando
o vento agitava folhas de relva que os olhos conseguiam ver
se mexendo e
você era uma
menina do convento observando as freiras espanarem
a areia de Las Cruces dos mantos de Deus.
você é
o ramalhete
de ontem tão tristemente
invadido. eu beijo seus pobres
seios enquanto minhas mãos tateiam em busca do amor
neste apartamento barato em Hollywood cheirando a
pão e gás e tristeza.
avançamos por rotas lembradas
os mesmos degraus velhos de guerra lisinhos com centenas de
passos, 50 amores, 20 anos.
e nos concedem um verão muito pequeno, e
aí já é
inverno de novo
e você está arrastando pelo piso
uma coisa pesada e embaraçosa
e a descarga soa no banheiro, um cão late
a porta de um carro é batida com força...
algo nos fugiu inescapavelmente, tudo,
ao que parece, e eu acendo um cigarro e
aguardo a mais velha maldição
de todas.
luz da rua pela janela por entre a névoa do álcool
eu era o filhote de uma puritana que me surrava quando
o vento agitava folhas de relva que os olhos conseguiam ver
se mexendo e
você era uma
menina do convento observando as freiras espanarem
a areia de Las Cruces dos mantos de Deus.
você é
o ramalhete
de ontem tão tristemente
invadido. eu beijo seus pobres
seios enquanto minhas mãos tateiam em busca do amor
neste apartamento barato em Hollywood cheirando a
pão e gás e tristeza.
avançamos por rotas lembradas
os mesmos degraus velhos de guerra lisinhos com centenas de
passos, 50 amores, 20 anos.
e nos concedem um verão muito pequeno, e
aí já é
inverno de novo
e você está arrastando pelo piso
uma coisa pesada e embaraçosa
e a descarga soa no banheiro, um cão late
a porta de um carro é batida com força...
algo nos fugiu inescapavelmente, tudo,
ao que parece, e eu acendo um cigarro e
aguardo a mais velha maldição
de todas.
1 027
Charles Bukowski
Cometi Um Erro
me estiquei até o alto do armário
e puxei uma calcinha azul
e mostrei a ela e
perguntei “é sua?”
e ela olhou e falou:
“não, essa pertence a um cão”.
ela foi embora depois disso e não a vi
desde então. não está na casa dela.
continuo indo lá, deixando bilhetes enfiados
por baixo da porta. volto lá e os bilhetes
continuam ali. tiro a cruz de Malta
arranco-a do espelho do meu carro, amarro-a
com um cadarço em sua maçaneta, deixo
um livro de poemas.
quando retorno na noite seguinte tudo
continua ali.
sigo rondando as ruas em busca daquele
encouraçado sangue-vinho que ela dirige
com uma bateria fraca, e as portas
pendendo de dobradiças quebradas.
dirijo pelas ruas
a um centímetro de chorar,
envergonhado de meu sentimentalismo e
possível amor.
um velho confuso dirigindo na chuva
perguntando-se onde a boa sorte
foi parar.
e puxei uma calcinha azul
e mostrei a ela e
perguntei “é sua?”
e ela olhou e falou:
“não, essa pertence a um cão”.
ela foi embora depois disso e não a vi
desde então. não está na casa dela.
continuo indo lá, deixando bilhetes enfiados
por baixo da porta. volto lá e os bilhetes
continuam ali. tiro a cruz de Malta
arranco-a do espelho do meu carro, amarro-a
com um cadarço em sua maçaneta, deixo
um livro de poemas.
quando retorno na noite seguinte tudo
continua ali.
sigo rondando as ruas em busca daquele
encouraçado sangue-vinho que ela dirige
com uma bateria fraca, e as portas
pendendo de dobradiças quebradas.
dirijo pelas ruas
a um centímetro de chorar,
envergonhado de meu sentimentalismo e
possível amor.
um velho confuso dirigindo na chuva
perguntando-se onde a boa sorte
foi parar.
1 115
Charles Bukowski
Meu Verdadeiro Amor Em Atenas
e eu me lembro da faca,
do modo como você toca uma rosa
e sai com sangue
e como você toca o amor do mesmo modo,
e como quando você quer entrar na autoestrada
os caminhões encurralam você na pista interna
luar e rugindo
atropelando sua bravura,
fazendo você pisar no freio
e pequenas imagens surgem na sua cabeça:
imagens de Cristo pendurado lá
ou Hiroshima
ou sua última esposa
fritando um ovo.
o modo como você toca uma rosa
é o modo como você se encosta nas laterais dos caixões
dos mortos,
o modo como você toca uma rosa
e vê os mortos rodopiando de volta
por baixo das suas unhas;
a faca
Gettysburg, as Ardenas, Flandres,
Átila, Muss –
de que me serve a história
quando tudo se reduz
à sombra das três da tarde
embaixo de uma folha?
e se a mente fica atormentada
e a rosa morde
como um cão,
dizem
que temos amor...
mas de que me serve o amor
quando todos nascemos
em diferentes momentos e lugares
e só nos encontramos
através de um truque dos séculos
e três passos casuais
à esquerda?
você quer dizer que
um amor que não encontrei
é menos do que um egoísmo
que chamo de próximo?
posso dizer agora
com sangue de rosa no fundo da minha mente,
posso dizer agora enquanto rodopiam os planetas
e toneladas de força são disparadas dentro do fim do espaço
para fazer Colombo parecer uma criança idiota
posso dizer agora
que porque gritei dentro de uma noite
e não me ouviram,
posso dizer agora
que me lembro da faca
e fico sentado num quarto fresco
e esfrego meus dedos ao apito do relógio
e calmamente penso em
Ajax e escarro
e galinhas ferroviárias atravessando os trilhos dourados,
e meu verdadeiro amor está em Atenas
600
A ou D,
enquanto fora da minha janela
pombos tropeçam enquanto voam
e por uma porta
de longa espera para um quarto vazio
rosas não conseguem
entrar ou sair,
ou amor ou mariposas ou relâmpago –
eu não irromperia nem em suspiro
nem em sorriso; poderiam nadas
como mariposas ou homens
existir como luz solar laranja sobre papel
dividido por nove?
Atenas fica agora a muitas milhas
e uma morte de distância,
e as mesas estão sujas pra cacete
e os lençóis e os pratos,
mas estou rindo; isso não é real;
mas é, dividido por nove
ou cem;
roupa limpa é amor
que não se coça
e suspira.
do modo como você toca uma rosa
e sai com sangue
e como você toca o amor do mesmo modo,
e como quando você quer entrar na autoestrada
os caminhões encurralam você na pista interna
luar e rugindo
atropelando sua bravura,
fazendo você pisar no freio
e pequenas imagens surgem na sua cabeça:
imagens de Cristo pendurado lá
ou Hiroshima
ou sua última esposa
fritando um ovo.
o modo como você toca uma rosa
é o modo como você se encosta nas laterais dos caixões
dos mortos,
o modo como você toca uma rosa
e vê os mortos rodopiando de volta
por baixo das suas unhas;
a faca
Gettysburg, as Ardenas, Flandres,
Átila, Muss –
de que me serve a história
quando tudo se reduz
à sombra das três da tarde
embaixo de uma folha?
e se a mente fica atormentada
e a rosa morde
como um cão,
dizem
que temos amor...
mas de que me serve o amor
quando todos nascemos
em diferentes momentos e lugares
e só nos encontramos
através de um truque dos séculos
e três passos casuais
à esquerda?
você quer dizer que
um amor que não encontrei
é menos do que um egoísmo
que chamo de próximo?
posso dizer agora
com sangue de rosa no fundo da minha mente,
posso dizer agora enquanto rodopiam os planetas
e toneladas de força são disparadas dentro do fim do espaço
para fazer Colombo parecer uma criança idiota
posso dizer agora
que porque gritei dentro de uma noite
e não me ouviram,
posso dizer agora
que me lembro da faca
e fico sentado num quarto fresco
e esfrego meus dedos ao apito do relógio
e calmamente penso em
Ajax e escarro
e galinhas ferroviárias atravessando os trilhos dourados,
e meu verdadeiro amor está em Atenas
600
A ou D,
enquanto fora da minha janela
pombos tropeçam enquanto voam
e por uma porta
de longa espera para um quarto vazio
rosas não conseguem
entrar ou sair,
ou amor ou mariposas ou relâmpago –
eu não irromperia nem em suspiro
nem em sorriso; poderiam nadas
como mariposas ou homens
existir como luz solar laranja sobre papel
dividido por nove?
Atenas fica agora a muitas milhas
e uma morte de distância,
e as mesas estão sujas pra cacete
e os lençóis e os pratos,
mas estou rindo; isso não é real;
mas é, dividido por nove
ou cem;
roupa limpa é amor
que não se coça
e suspira.
743
Charles Bukowski
Notificação
os cisnes se afogam em água imunda,
retirem os avisos,
testem os venenos,
isolem a vaca
do touro,
a peônia do sol,
tirem os beijos de alfazema da minha noite,
coloquem as sinfonias nas ruas
como mendigos,
deixem as unhas de prontidão,
açoitem as costas dos santos,
atordoem sapos e ratos para o gato da alma,
queimem as pinturas arrebatadoras,
mijem no amanhecer,
meu amor
está morto.
retirem os avisos,
testem os venenos,
isolem a vaca
do touro,
a peônia do sol,
tirem os beijos de alfazema da minha noite,
coloquem as sinfonias nas ruas
como mendigos,
deixem as unhas de prontidão,
açoitem as costas dos santos,
atordoem sapos e ratos para o gato da alma,
queimem as pinturas arrebatadoras,
mijem no amanhecer,
meu amor
está morto.
1 196
Charles Bukowski
Fax
ganha do amor porque
não há quaisquer feridas
baqueando na carne. pela
manhã ela liga o
rádio com Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart.
ela ferve os ovos con-
tando em voz alta os segundos:
56, 57, 58. descasca
os ovos, os traz para
mim na cama. depois do café
da manhã é o sofá, nós
colocamos os pés sobre a mesma
cadeira e ouvimos a
música clássica. ela
está em seu primeiro copo de
scotch e em seu terceiro
cigarro. digo-lhe que
preciso ir ao hipó-
dromo. ela está por aqui
faz 2 noites e 2 dias.
“quando vou ver você
de novo?”, pergunto. ela sugere
que isso dependeria de mim.
assinto com a cabeça e Mozart toca.
não há quaisquer feridas
baqueando na carne. pela
manhã ela liga o
rádio com Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart.
ela ferve os ovos con-
tando em voz alta os segundos:
56, 57, 58. descasca
os ovos, os traz para
mim na cama. depois do café
da manhã é o sofá, nós
colocamos os pés sobre a mesma
cadeira e ouvimos a
música clássica. ela
está em seu primeiro copo de
scotch e em seu terceiro
cigarro. digo-lhe que
preciso ir ao hipó-
dromo. ela está por aqui
faz 2 noites e 2 dias.
“quando vou ver você
de novo?”, pergunto. ela sugere
que isso dependeria de mim.
assinto com a cabeça e Mozart toca.
1 086
Charles Bukowski
Fax
ganha do amor porque
não há quaisquer feridas
baqueando na carne. pela
manhã ela liga o
rádio com Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart.
ela ferve os ovos con-
tando em voz alta os segundos:
56, 57, 58. descasca
os ovos, os traz para
mim na cama. depois do café
da manhã é o sofá, nós
colocamos os pés sobre a mesma
cadeira e ouvimos a
música clássica. ela
está em seu primeiro copo de
scotch e em seu terceiro
cigarro. digo-lhe que
preciso ir ao hipó-
dromo. ela está por aqui
faz 2 noites e 2 dias.
“quando vou ver você
de novo?”, pergunto. ela sugere
que isso dependeria de mim.
assinto com a cabeça e Mozart toca.
não há quaisquer feridas
baqueando na carne. pela
manhã ela liga o
rádio com Brahms ou Ives
ou Stravinsky ou Mozart.
ela ferve os ovos con-
tando em voz alta os segundos:
56, 57, 58. descasca
os ovos, os traz para
mim na cama. depois do café
da manhã é o sofá, nós
colocamos os pés sobre a mesma
cadeira e ouvimos a
música clássica. ela
está em seu primeiro copo de
scotch e em seu terceiro
cigarro. digo-lhe que
preciso ir ao hipó-
dromo. ela está por aqui
faz 2 noites e 2 dias.
“quando vou ver você
de novo?”, pergunto. ela sugere
que isso dependeria de mim.
assinto com a cabeça e Mozart toca.
1 086
Charles Bukowski
Para Jane: Com Todo o Amor Que Eu Tinha, Que Não Foi Suficiente
eu pego a saia,
eu pego as contas cintilantes
em preto,
essa coisa que se movia outrora
em volta de carne,
e chamo Deus de mentiroso,
repito qualquer coisa que se movesse
daquele jeito
ou soubesse
meu nome
jamais poderia morrer
na veracidade comum da morte,
e eu pego
seu gracioso
vestido,
sua graciosidade toda se foi,
e falo
a todos os deuses,
deuses judeus, deuses de Cristo,
lascas de coisas piscantes,
ídolos, pílulas, pão,
profundidades, riscos,
rendição experiente,
ratos no molho de 2 totalmente enlouquecidos
sem chance,
conhecimento de beija-flor, chance de beija-flor,
eu me apoio nisso,
eu me apoio em tudo isso
e sei:
seu vestido em meu braço:
mas
não querem
devolvê-la pra mim.
eu pego as contas cintilantes
em preto,
essa coisa que se movia outrora
em volta de carne,
e chamo Deus de mentiroso,
repito qualquer coisa que se movesse
daquele jeito
ou soubesse
meu nome
jamais poderia morrer
na veracidade comum da morte,
e eu pego
seu gracioso
vestido,
sua graciosidade toda se foi,
e falo
a todos os deuses,
deuses judeus, deuses de Cristo,
lascas de coisas piscantes,
ídolos, pílulas, pão,
profundidades, riscos,
rendição experiente,
ratos no molho de 2 totalmente enlouquecidos
sem chance,
conhecimento de beija-flor, chance de beija-flor,
eu me apoio nisso,
eu me apoio em tudo isso
e sei:
seu vestido em meu braço:
mas
não querem
devolvê-la pra mim.
913
Charles Bukowski
A Travessura da Expiração
eu sou, quando muito, delicado pensamento de delicada mão
que extingue pela corda de mistura, e quando
por baixo do amor das flores estou calmo,
e a aranha bebe a hora verdejante –
batem sinos cinzentos de bebida,
que uma rã diga
uma voz morreu,
que as bestas da despensa
e os dias que odiaram isso,
as esposas contrariadas que pranteiam sem piscar,
planícies da pequena rendição
entre Mexicali e Tampa;
galinhas abatidas, cigarros fumados, pães fatiados,
e não tomem isso por tristeza torta:
coloquem a aranha no vinho,
batam nos finos lados do crânio dotados de fraco relâmpago,
façam disso menos do que um beijo traiçoeiro,
inscrevam-me na dança
vocês bem mais mortos,
sou um prato para suas cinzas,
sou um punho para seu ar.
a coisa mais imensa sobre a beleza
é vê-la desaparecida.
que extingue pela corda de mistura, e quando
por baixo do amor das flores estou calmo,
e a aranha bebe a hora verdejante –
batem sinos cinzentos de bebida,
que uma rã diga
uma voz morreu,
que as bestas da despensa
e os dias que odiaram isso,
as esposas contrariadas que pranteiam sem piscar,
planícies da pequena rendição
entre Mexicali e Tampa;
galinhas abatidas, cigarros fumados, pães fatiados,
e não tomem isso por tristeza torta:
coloquem a aranha no vinho,
batam nos finos lados do crânio dotados de fraco relâmpago,
façam disso menos do que um beijo traiçoeiro,
inscrevam-me na dança
vocês bem mais mortos,
sou um prato para suas cinzas,
sou um punho para seu ar.
a coisa mais imensa sobre a beleza
é vê-la desaparecida.
1 093
Charles Bukowski
A Travessura da Expiração
eu sou, quando muito, delicado pensamento de delicada mão
que extingue pela corda de mistura, e quando
por baixo do amor das flores estou calmo,
e a aranha bebe a hora verdejante –
batem sinos cinzentos de bebida,
que uma rã diga
uma voz morreu,
que as bestas da despensa
e os dias que odiaram isso,
as esposas contrariadas que pranteiam sem piscar,
planícies da pequena rendição
entre Mexicali e Tampa;
galinhas abatidas, cigarros fumados, pães fatiados,
e não tomem isso por tristeza torta:
coloquem a aranha no vinho,
batam nos finos lados do crânio dotados de fraco relâmpago,
façam disso menos do que um beijo traiçoeiro,
inscrevam-me na dança
vocês bem mais mortos,
sou um prato para suas cinzas,
sou um punho para seu ar.
a coisa mais imensa sobre a beleza
é vê-la desaparecida.
que extingue pela corda de mistura, e quando
por baixo do amor das flores estou calmo,
e a aranha bebe a hora verdejante –
batem sinos cinzentos de bebida,
que uma rã diga
uma voz morreu,
que as bestas da despensa
e os dias que odiaram isso,
as esposas contrariadas que pranteiam sem piscar,
planícies da pequena rendição
entre Mexicali e Tampa;
galinhas abatidas, cigarros fumados, pães fatiados,
e não tomem isso por tristeza torta:
coloquem a aranha no vinho,
batam nos finos lados do crânio dotados de fraco relâmpago,
façam disso menos do que um beijo traiçoeiro,
inscrevam-me na dança
vocês bem mais mortos,
sou um prato para suas cinzas,
sou um punho para seu ar.
a coisa mais imensa sobre a beleza
é vê-la desaparecida.
1 093
Charles Bukowski
Um Para a Dente-Acavalado
conheço uma mulher
que fica comprando quebra-cabeças
quebra-cabeças
chineses
blocos
arames
peças que afinal se encaixam
numa espécie de ordem.
ela monta tudo
matematicamente
resolve todos os seus
quebra-cabeças
vive junto ao mar
deixa açúcar fora para as formigas
e acredita
fundamentalmente
num mundo melhor.
seu cabelo é branco
ela raras vezes o penteia
seus dentes são acavalados
e ela usa macacões frouxos e disformes
sobre um corpo que a maioria
das mulheres desejaria ter.
por vários anos ela me irritou
com aquilo que eu considerava como sendo
suas excentricidades –
tipo mergulhar cascas de ovo na água
(alimentando as plantas para que
absorvessem cálcio).
mas afinal quando penso em sua
vida
e a comparo com outras vidas
mais deslumbrantes, originais
e belas
percebo que ela machucou menos
gente do que qualquer pessoa que conheço
(e com machucar quero dizer simplesmente machucar).
ela teve alguns momentos terríveis,
momentos em que talvez eu devesse tê-la
ajudado mais
pois ela é a mãe da minha única
filha
e outrora fomos grandes amantes,
mas ela superou os obstáculos
como eu disse
ela machucou menos gente do que
qualquer pessoa que conheço,
e se você olhar por esse ângulo,
bem,
ela criou um mundo melhor.
ela venceu.
Frances, este poema é pra
você.
que fica comprando quebra-cabeças
quebra-cabeças
chineses
blocos
arames
peças que afinal se encaixam
numa espécie de ordem.
ela monta tudo
matematicamente
resolve todos os seus
quebra-cabeças
vive junto ao mar
deixa açúcar fora para as formigas
e acredita
fundamentalmente
num mundo melhor.
seu cabelo é branco
ela raras vezes o penteia
seus dentes são acavalados
e ela usa macacões frouxos e disformes
sobre um corpo que a maioria
das mulheres desejaria ter.
por vários anos ela me irritou
com aquilo que eu considerava como sendo
suas excentricidades –
tipo mergulhar cascas de ovo na água
(alimentando as plantas para que
absorvessem cálcio).
mas afinal quando penso em sua
vida
e a comparo com outras vidas
mais deslumbrantes, originais
e belas
percebo que ela machucou menos
gente do que qualquer pessoa que conheço
(e com machucar quero dizer simplesmente machucar).
ela teve alguns momentos terríveis,
momentos em que talvez eu devesse tê-la
ajudado mais
pois ela é a mãe da minha única
filha
e outrora fomos grandes amantes,
mas ela superou os obstáculos
como eu disse
ela machucou menos gente do que
qualquer pessoa que conheço,
e se você olhar por esse ângulo,
bem,
ela criou um mundo melhor.
ela venceu.
Frances, este poema é pra
você.
603
Charles Bukowski
Um Para a Dente-Acavalado
conheço uma mulher
que fica comprando quebra-cabeças
quebra-cabeças
chineses
blocos
arames
peças que afinal se encaixam
numa espécie de ordem.
ela monta tudo
matematicamente
resolve todos os seus
quebra-cabeças
vive junto ao mar
deixa açúcar fora para as formigas
e acredita
fundamentalmente
num mundo melhor.
seu cabelo é branco
ela raras vezes o penteia
seus dentes são acavalados
e ela usa macacões frouxos e disformes
sobre um corpo que a maioria
das mulheres desejaria ter.
por vários anos ela me irritou
com aquilo que eu considerava como sendo
suas excentricidades –
tipo mergulhar cascas de ovo na água
(alimentando as plantas para que
absorvessem cálcio).
mas afinal quando penso em sua
vida
e a comparo com outras vidas
mais deslumbrantes, originais
e belas
percebo que ela machucou menos
gente do que qualquer pessoa que conheço
(e com machucar quero dizer simplesmente machucar).
ela teve alguns momentos terríveis,
momentos em que talvez eu devesse tê-la
ajudado mais
pois ela é a mãe da minha única
filha
e outrora fomos grandes amantes,
mas ela superou os obstáculos
como eu disse
ela machucou menos gente do que
qualquer pessoa que conheço,
e se você olhar por esse ângulo,
bem,
ela criou um mundo melhor.
ela venceu.
Frances, este poema é pra
você.
que fica comprando quebra-cabeças
quebra-cabeças
chineses
blocos
arames
peças que afinal se encaixam
numa espécie de ordem.
ela monta tudo
matematicamente
resolve todos os seus
quebra-cabeças
vive junto ao mar
deixa açúcar fora para as formigas
e acredita
fundamentalmente
num mundo melhor.
seu cabelo é branco
ela raras vezes o penteia
seus dentes são acavalados
e ela usa macacões frouxos e disformes
sobre um corpo que a maioria
das mulheres desejaria ter.
por vários anos ela me irritou
com aquilo que eu considerava como sendo
suas excentricidades –
tipo mergulhar cascas de ovo na água
(alimentando as plantas para que
absorvessem cálcio).
mas afinal quando penso em sua
vida
e a comparo com outras vidas
mais deslumbrantes, originais
e belas
percebo que ela machucou menos
gente do que qualquer pessoa que conheço
(e com machucar quero dizer simplesmente machucar).
ela teve alguns momentos terríveis,
momentos em que talvez eu devesse tê-la
ajudado mais
pois ela é a mãe da minha única
filha
e outrora fomos grandes amantes,
mas ela superou os obstáculos
como eu disse
ela machucou menos gente do que
qualquer pessoa que conheço,
e se você olhar por esse ângulo,
bem,
ela criou um mundo melhor.
ela venceu.
Frances, este poema é pra
você.
603
Charles Bukowski
O Amor É Uma Forma de Egoísmo
vadiagem, a trompa de eustáquio e a hera verde insetomorta
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
1 164
Charles Bukowski
O Amor É Uma Forma de Egoísmo
vadiagem, a trompa de eustáquio e a hera verde insetomorta
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
e o modo como andamos esta noite
com o céu subindo em nossos ouvidos e nos nossos bolsos
enquanto falávamos de coisas que não importavam
e o bonde balançava e uivava sua cor
que não notamos exceto como algo ao lado da véspera
enquanto mencionávamos o sexo através de paralisias,
vadiagem, o fogo vermelho, vadiagem a trompa de eustáquio!
já se foram os dias, já se foi a hera verde insetomorta
e as palavras ditas esta noite que não importavam;
X 12, Escarlate e Ouro
OURO OURO OURO OURO OURO!
teus olhos são ouro
teu cabelo é ouro
teu amor é ouro
teu túmulo é ouro
e as ruas passam como pessoas caminhando
e os sinos tocam como sinos tocando;
tuas mãos são ouro e tua voz é ouro
e todas as crianças caminhando
e as árvores crescendo e os idiotas vendendo jornais
34256780000 ah enquanto você está
trompa de eustáquio
fogo vermelho
verdeinsetomorta
hera
escarlate e ouro
e as palavras que dissemos esta noite
estão indo embora
por cima das árvores
junto com o bonde
e eu fechei o livro
com o vermelho vermelho leão
junto aos portões de ouro.
1 164
Charles Bukowski
Para a Puta Que Levou Meus Poemas
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
1 139
Charles Bukowski
Para a Puta Que Levou Meus Poemas
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
1 139
Charles Bukowski
Para a Puta Que Levou Meus Poemas
alguns dizem que deveríamos evitar remorsos particulares no
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
poema,
manter a abstração, e há certa razão nisso,
mas jezus:
lá se foram 12 poemas e eu nunca uso papel-carbono e você está com
minhas
pinturas também, minhas melhores; é sufocante:
você está tentando me triturar como todos os outros?
por que não leva meu dinheiro? é o que costumam tirar
das calças bêbadas e adormecidas passando mal na esquina.
da próxima vez leve meu braço esquerdo ou uma nota de cinquenta
mas não meus poemas:
não sou Shakespeare
mas um dia simplesmente
não haverá mais nenhum, abstrato ou seja o que for;
sempre haverá dinheiro e putas e bêbados
até a última bomba,
mas como Deus disse,
cruzando as pernas:
percebo que fiz poetas de sobra
mas não muita
poesia.
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Charles Bukowski
A Deusa de Um Metro E Oitenta (Para S.D.)
sou grande
suponho que é por isso que minhas mulheres sempre parecem
pequenas
mas essa deusa de um metro e oitenta
que negocia imóveis
e arte
e voa do Texas
para me ver
e eu voo ao Texas
para vê-la –
bem, há nela uma abundância para
ser agarrada
e eu agarro tudo
dela,
puxo sua cabeça para trás pelos cabelos,
sou macho pra valer,
chupo seu lábio superior
sua boceta
sua alma
monto nela e lhe digo:
“vou jorrar suco branco quente
dentro de você. não voei até
Galveston pra jogar
xadrez”.
depois deitamos entrelaçados como vinhas humanas
meu braço esquerdo sob seu travesseiro
meu braço direito sobre seu flanco
aperto suas duas mãos,
e meu peito
barriga
bolas
pau
emaranham-se nela
e através de nós no escuro
passam brancos raios berrantes
pra lá e pra cá
pra lá e pra cá
até que eu despenco
e nós dormimos.
ela é selvagem
mas gentil
minha deusa de um metro e oitenta
me faz rir
a risada do mutilado
que ainda precisa
de amor,
e seus olhos abençoados
brotam nas profundezas de sua cabeça
como nascentes interiores
no íntimo distante
e
frescas e boas.
ela me salvou
de tudo que
não está aqui.
COMECEI A SUGAR O AR DE SEUS PULMÕES
suponho que é por isso que minhas mulheres sempre parecem
pequenas
mas essa deusa de um metro e oitenta
que negocia imóveis
e arte
e voa do Texas
para me ver
e eu voo ao Texas
para vê-la –
bem, há nela uma abundância para
ser agarrada
e eu agarro tudo
dela,
puxo sua cabeça para trás pelos cabelos,
sou macho pra valer,
chupo seu lábio superior
sua boceta
sua alma
monto nela e lhe digo:
“vou jorrar suco branco quente
dentro de você. não voei até
Galveston pra jogar
xadrez”.
depois deitamos entrelaçados como vinhas humanas
meu braço esquerdo sob seu travesseiro
meu braço direito sobre seu flanco
aperto suas duas mãos,
e meu peito
barriga
bolas
pau
emaranham-se nela
e através de nós no escuro
passam brancos raios berrantes
pra lá e pra cá
pra lá e pra cá
até que eu despenco
e nós dormimos.
ela é selvagem
mas gentil
minha deusa de um metro e oitenta
me faz rir
a risada do mutilado
que ainda precisa
de amor,
e seus olhos abençoados
brotam nas profundezas de sua cabeça
como nascentes interiores
no íntimo distante
e
frescas e boas.
ela me salvou
de tudo que
não está aqui.
COMECEI A SUGAR O AR DE SEUS PULMÕES
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