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Affonso Romano de Sant'Anna
Procura Antiga
Perdi qualquer coisa ali
entre o século onze ou dezesseis, não sei.
Qualquer coisa entre aqueles reis e servos
qualquer coisa entre a nobreza e os parvos
comensais à mesa
qualquer coisa entre as pedras de Siena
e as pernas das princesas de Viena.
Por isto procuro procuro procuro
entre
quadros portulanos estatuetas tapetes pianos
porcelanas cristais
e enternecidas madonas
como a cinderela o seu sapato perdido
na meia-noite da festa
e o maestro a semifusa confusa
que caiu no fosso da orquestra.
Procuro algo nas gretas
dos monumentos no musgo
do sofrimento no desejo
dos conventos e traças
dos documentos.
O que procuro não sei. Mas sei
que essa procura
me organiza o sofrimento.
entre o século onze ou dezesseis, não sei.
Qualquer coisa entre aqueles reis e servos
qualquer coisa entre a nobreza e os parvos
comensais à mesa
qualquer coisa entre as pedras de Siena
e as pernas das princesas de Viena.
Por isto procuro procuro procuro
entre
quadros portulanos estatuetas tapetes pianos
porcelanas cristais
e enternecidas madonas
como a cinderela o seu sapato perdido
na meia-noite da festa
e o maestro a semifusa confusa
que caiu no fosso da orquestra.
Procuro algo nas gretas
dos monumentos no musgo
do sofrimento no desejo
dos conventos e traças
dos documentos.
O que procuro não sei. Mas sei
que essa procura
me organiza o sofrimento.
1 055
Affonso Romano de Sant'Anna
Procura Antiga
Perdi qualquer coisa ali
entre o século onze ou dezesseis, não sei.
Qualquer coisa entre aqueles reis e servos
qualquer coisa entre a nobreza e os parvos
comensais à mesa
qualquer coisa entre as pedras de Siena
e as pernas das princesas de Viena.
Por isto procuro procuro procuro
entre
quadros portulanos estatuetas tapetes pianos
porcelanas cristais
e enternecidas madonas
como a cinderela o seu sapato perdido
na meia-noite da festa
e o maestro a semifusa confusa
que caiu no fosso da orquestra.
Procuro algo nas gretas
dos monumentos no musgo
do sofrimento no desejo
dos conventos e traças
dos documentos.
O que procuro não sei. Mas sei
que essa procura
me organiza o sofrimento.
entre o século onze ou dezesseis, não sei.
Qualquer coisa entre aqueles reis e servos
qualquer coisa entre a nobreza e os parvos
comensais à mesa
qualquer coisa entre as pedras de Siena
e as pernas das princesas de Viena.
Por isto procuro procuro procuro
entre
quadros portulanos estatuetas tapetes pianos
porcelanas cristais
e enternecidas madonas
como a cinderela o seu sapato perdido
na meia-noite da festa
e o maestro a semifusa confusa
que caiu no fosso da orquestra.
Procuro algo nas gretas
dos monumentos no musgo
do sofrimento no desejo
dos conventos e traças
dos documentos.
O que procuro não sei. Mas sei
que essa procura
me organiza o sofrimento.
1 055
Affonso Romano de Sant'Anna
Morte do Vizinho
Meu vizinho acaba de se jogar do 15.º andar
e seu corpo caiu no playground
nesta ensolarada manhã de verão.
Estava com depressão, dizem.
Vi-o algumas vezes de bermuda no corredor.
Sei que escrevia sobre Freud.
Seu corpo ainda está lá em baixo.
Se eu tivesse ido à janela há pouco
o teria surpreendido em pleno voo
e lhe estendido a mão.
Estendo-lhe, tardio, o poema
que não interrompe a queda
mas é o gesto possível que antecede o baque.
e seu corpo caiu no playground
nesta ensolarada manhã de verão.
Estava com depressão, dizem.
Vi-o algumas vezes de bermuda no corredor.
Sei que escrevia sobre Freud.
Seu corpo ainda está lá em baixo.
Se eu tivesse ido à janela há pouco
o teria surpreendido em pleno voo
e lhe estendido a mão.
Estendo-lhe, tardio, o poema
que não interrompe a queda
mas é o gesto possível que antecede o baque.
1 149
Affonso Romano de Sant'Anna
Unhas No Papel
Às vezes, as unhas dos pés, em devaneio,
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
1 092
Affonso Romano de Sant'Anna
Unhas No Papel
Às vezes, as unhas dos pés, em devaneio,
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
1 092
Affonso Romano de Sant'Anna
Unhas No Papel
Às vezes, as unhas dos pés, em devaneio,
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
1 092
Affonso Romano de Sant'Anna
Unhas No Papel
Às vezes, as unhas dos pés, em devaneio,
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
e as da mão, silente, corto,
entre um poema e outro de permeio.
Corto unhas quando escrevo,
corto inconsciente
e aflito corto.
Quando me ergo da mesa
deixo no chão vestígios
do que podei.
E no papel,
a ilusão que semeei.
1 092
Affonso Romano de Sant'Anna
Dilema
Sempre que volto de viagem
a alma refastelada de afrescos, vinhos e castelos
sento-me na praia aqui nos trópicos
e ponho-me a olhar o horizonte
de onde vivo regressando.
– Não deveria ter voltado. – Sim, devia.
De costas pra montanha
de frente para o mar
dividido
entre ir e regressar
penso que merecia
porto melhor para ancorar.
De frente pra montanha
de costas para o mar
recomeço a caminhar.
a alma refastelada de afrescos, vinhos e castelos
sento-me na praia aqui nos trópicos
e ponho-me a olhar o horizonte
de onde vivo regressando.
– Não deveria ter voltado. – Sim, devia.
De costas pra montanha
de frente para o mar
dividido
entre ir e regressar
penso que merecia
porto melhor para ancorar.
De frente pra montanha
de costas para o mar
recomeço a caminhar.
1 146
Affonso Romano de Sant'Anna
Analfabético
Nunca direi a palavra completa
Pois entre Alfa e Ômega
sou Beta.
Nunca direi a verdade absoluta
pois o que exponho
não é sequer vitória,
mas uma parte da luta.
Pois entre Alfa e Ômega
sou Beta.
Nunca direi a verdade absoluta
pois o que exponho
não é sequer vitória,
mas uma parte da luta.
1 159
Affonso Romano de Sant'Anna
Analfabético
Nunca direi a palavra completa
Pois entre Alfa e Ômega
sou Beta.
Nunca direi a verdade absoluta
pois o que exponho
não é sequer vitória,
mas uma parte da luta.
Pois entre Alfa e Ômega
sou Beta.
Nunca direi a verdade absoluta
pois o que exponho
não é sequer vitória,
mas uma parte da luta.
1 159
Affonso Romano de Sant'Anna
Presente Vivo
Viver
é conjugação diária
do presente.
Viver
é presentear.
Mais que um jeito de doer
é um modo de doar.
E um presente
mais que um objeto
é o elo entre dois olhos
a floração do gesto
o prateado evento
e o cristalino afeto.
Não se dá
apenas pelo prazer
de ver
o outro receber.
Dá-se
para que o outro
entre-abrindo-se ao presente
também dê.
é conjugação diária
do presente.
Viver
é presentear.
Mais que um jeito de doer
é um modo de doar.
E um presente
mais que um objeto
é o elo entre dois olhos
a floração do gesto
o prateado evento
e o cristalino afeto.
Não se dá
apenas pelo prazer
de ver
o outro receber.
Dá-se
para que o outro
entre-abrindo-se ao presente
também dê.
944
Affonso Romano de Sant'Anna
Cena Na Lagoa
Movida por dez braços
– múltipla flecha –
uma canoa avança
no crepúsculo da lagoa.
Atletas conduzem
a centopeia aquática
com seus potentes músculos
fecundando o ocaso.
Anoitece.
Com duas mãos
(apenas)
também remo
(parado)
na escuridão.
– múltipla flecha –
uma canoa avança
no crepúsculo da lagoa.
Atletas conduzem
a centopeia aquática
com seus potentes músculos
fecundando o ocaso.
Anoitece.
Com duas mãos
(apenas)
também remo
(parado)
na escuridão.
1 025
Affonso Romano de Sant'Anna
Ristorante Etruria
Essa bela garçonete etrusca
com esse nariz imponente navegando
entre as mesas do restaurante;
essa bela garçonete etrusca
com esse nariz portentoso
como enfunadas velas na direção da Grécia;
essa bela garçonete etrusca
passa para cá, para lá
ocupada em seu trabalho,
e não sabe que a contemplo
há 25 séculos atrás.
com esse nariz imponente navegando
entre as mesas do restaurante;
essa bela garçonete etrusca
com esse nariz portentoso
como enfunadas velas na direção da Grécia;
essa bela garçonete etrusca
passa para cá, para lá
ocupada em seu trabalho,
e não sabe que a contemplo
há 25 séculos atrás.
1 196
Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
1 070
Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
1 070
Affonso Romano de Sant'Anna
Ninfa
Diz um crítico
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
que desde o tempo de Alexander Pope
as ninfas partiram
sem deixar seu endereço.
Se assim é
como explicar que junto àquela fonte
por trás daquele ramo, ao meu encontro
vem sorrindo a mulher que amo?
1 070
Affonso Romano de Sant'Anna
Com Dante
Neste Castelo de Gargonza
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
1 272
Affonso Romano de Sant'Anna
Com Dante
Neste Castelo de Gargonza
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
Dante esteve um pouco antes de mim.
Escapava de inimigos (os gibelinos).
Pisava nestas pedras
ouvia o mesmo sino que na torre ainda há pouco batia.
Isto foi há oito séculos.
O que não é nada
diante das pedras
– e da poesia.
1 272
Affonso Romano de Sant'Anna
Desenhos de Picasso
“Eu não procuro, eu acho” (Picasso)
O que mostram (escondem)
entre as pernas
as mulheres de Picasso?
Relaxadas, entreabertas, entregues
dadivosas musas mudas
como se fossem gregas lascivas
espanholas carnudas
(ou baianas ociosas?)
nelas o sexo é uma fruta
que o pintor ousado morde.
O que acha (procura)
entre as pernas das mulheres
o pincel de Picasso
por essas vulvas entreabertas
e clitóris expostos
num labirinto de formas?
Ali,
o minotauro
insaciavelmente goza.
O que mostram (escondem)
entre as pernas
as mulheres de Picasso?
Relaxadas, entreabertas, entregues
dadivosas musas mudas
como se fossem gregas lascivas
espanholas carnudas
(ou baianas ociosas?)
nelas o sexo é uma fruta
que o pintor ousado morde.
O que acha (procura)
entre as pernas das mulheres
o pincel de Picasso
por essas vulvas entreabertas
e clitóris expostos
num labirinto de formas?
Ali,
o minotauro
insaciavelmente goza.
1 053
Affonso Romano de Sant'Anna
Desenhos de Picasso
“Eu não procuro, eu acho” (Picasso)
O que mostram (escondem)
entre as pernas
as mulheres de Picasso?
Relaxadas, entreabertas, entregues
dadivosas musas mudas
como se fossem gregas lascivas
espanholas carnudas
(ou baianas ociosas?)
nelas o sexo é uma fruta
que o pintor ousado morde.
O que acha (procura)
entre as pernas das mulheres
o pincel de Picasso
por essas vulvas entreabertas
e clitóris expostos
num labirinto de formas?
Ali,
o minotauro
insaciavelmente goza.
O que mostram (escondem)
entre as pernas
as mulheres de Picasso?
Relaxadas, entreabertas, entregues
dadivosas musas mudas
como se fossem gregas lascivas
espanholas carnudas
(ou baianas ociosas?)
nelas o sexo é uma fruta
que o pintor ousado morde.
O que acha (procura)
entre as pernas das mulheres
o pincel de Picasso
por essas vulvas entreabertas
e clitóris expostos
num labirinto de formas?
Ali,
o minotauro
insaciavelmente goza.
1 053
Affonso Romano de Sant'Anna
Poema Desentranhado de Uma Entrevista de Segóvia
Para Turíbio Santos
Em 1937 ganhei de Herman Hauser uma guitarra Hauser.
Nos anos 50 fui tocar nos festivais de Granada
mas a Hauser adoeceu de três notas:
– um fá sustenido
– um sol natural
– e um dó natural agudo,
que se converteram no que chamamos: sons lobo.
Nem o filho de Hauser
nem o grande Viscondez de Genebra
ou qualquer luthier
a puderam curar.
Desde então, toco uma Fleta.
Em 1937 ganhei de Herman Hauser uma guitarra Hauser.
Nos anos 50 fui tocar nos festivais de Granada
mas a Hauser adoeceu de três notas:
– um fá sustenido
– um sol natural
– e um dó natural agudo,
que se converteram no que chamamos: sons lobo.
Nem o filho de Hauser
nem o grande Viscondez de Genebra
ou qualquer luthier
a puderam curar.
Desde então, toco uma Fleta.
1 031
Affonso Romano de Sant'Anna
Coisas Básicas
Vinte e poucas letras de alfabeto
e os inumeráveis textos e civilizações
sete notas musicais
e a profusão de harmonias e canções
quatro cores básicas
e essa infindável reverberação
dois dígitos
e o conhecimento cósmico em expansão
um só Princípio Ordenador
contendo em si o seu contrário
e, no entanto,
que incalculáveis consequências!
e os inumeráveis textos e civilizações
sete notas musicais
e a profusão de harmonias e canções
quatro cores básicas
e essa infindável reverberação
dois dígitos
e o conhecimento cósmico em expansão
um só Princípio Ordenador
contendo em si o seu contrário
e, no entanto,
que incalculáveis consequências!
948
Affonso Romano de Sant'Anna
Coisas Básicas
Vinte e poucas letras de alfabeto
e os inumeráveis textos e civilizações
sete notas musicais
e a profusão de harmonias e canções
quatro cores básicas
e essa infindável reverberação
dois dígitos
e o conhecimento cósmico em expansão
um só Princípio Ordenador
contendo em si o seu contrário
e, no entanto,
que incalculáveis consequências!
e os inumeráveis textos e civilizações
sete notas musicais
e a profusão de harmonias e canções
quatro cores básicas
e essa infindável reverberação
dois dígitos
e o conhecimento cósmico em expansão
um só Princípio Ordenador
contendo em si o seu contrário
e, no entanto,
que incalculáveis consequências!
948
Affonso Romano de Sant'Anna
Na Praça de Florença
Subo quatrocentos e tantos degraus
do Campanile del Duomo de Florença
– obra de Giotto.
Mania de subir pirâmides
edifícios
catedrais.
Forma de não ficar aterrado diante de tanta história.
Em frente
Brunelleschi ergueu a cúpula de Santa Maria del Fiore
onde vejo alçados dezenas de turistas
que subiram seus degraus
e olham o horizonte que se desfaz atrás de mim.
No folheto está escrito
que para visitar a Piazza del Duomo é necessário
pelo menos meio dia.
O dia vai terminar
a noite me chama
e eu não esgotei
– o que a praça oferecia.
do Campanile del Duomo de Florença
– obra de Giotto.
Mania de subir pirâmides
edifícios
catedrais.
Forma de não ficar aterrado diante de tanta história.
Em frente
Brunelleschi ergueu a cúpula de Santa Maria del Fiore
onde vejo alçados dezenas de turistas
que subiram seus degraus
e olham o horizonte que se desfaz atrás de mim.
No folheto está escrito
que para visitar a Piazza del Duomo é necessário
pelo menos meio dia.
O dia vai terminar
a noite me chama
e eu não esgotei
– o que a praça oferecia.
990