Poemas neste tema
Outros
José Saramago
Canção
Canção, não és ainda. Não te bastem
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
1 153
José Saramago
Canção
Canção, não és ainda. Não te bastem
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
1 153
José Saramago
Canção
Canção, não és ainda. Não te bastem
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
Os sons e as cadências, se do vento
O acenar da asa não tiveres.
Aqui me voltarás um outro dia:
Nocturno escurecido da lembrança,
Coral resplandecente de alegria
1 153
José Saramago
Epitáfio Para Luís de Camões
Que sabemos de ti, se só deixaste versos,
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
1 531
José Saramago
Epitáfio Para Luís de Camões
Que sabemos de ti, se só deixaste versos,
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
1 531
José Saramago
Epitáfio Para Luís de Camões
Que sabemos de ti, se só deixaste versos,
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
Que lembrança ficou no mundo que tiveste?
Do nascer ao morrer ganhaste os dias todos?
Ou perderam-te a vida os versos que fizeste?
1 531
José Saramago
Jogo Das Forças
Resiste ainda a corda que se esgarça,
Rangendo entre os dois nós que a rematam:
Não fugiu dela a força que disfarça
Este romper de fibras que desatam.
Do nascimento e morte os pólos vejo
Na distorção que mostra a corda ferida,
Contraditório medo, que é desejo
De a conservar assim e ver partida.
Rangendo entre os dois nós que a rematam:
Não fugiu dela a força que disfarça
Este romper de fibras que desatam.
Do nascimento e morte os pólos vejo
Na distorção que mostra a corda ferida,
Contraditório medo, que é desejo
De a conservar assim e ver partida.
1 236
José Saramago
Lembrança de João Roiz de Castel’Branco
Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.
Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.
Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.
1 567
José Saramago
Lugar-Comum do Quadragenário
Quinze mil dias secos são passados,
Quinze mil ocasiões que se perderam,
Quinze mil sóis inúteis que nasceram,
Hora a hora contados
Neste solene, mas grotesco gesto
De dar corda a relógios inventados
Para buscar, nos anos que esqueceram,
A paciência de ir vivendo o resto.
Quinze mil ocasiões que se perderam,
Quinze mil sóis inúteis que nasceram,
Hora a hora contados
Neste solene, mas grotesco gesto
De dar corda a relógios inventados
Para buscar, nos anos que esqueceram,
A paciência de ir vivendo o resto.
1 254
José Saramago
Destino
Risco no chão um traço, à beira água:
Não tarda que a maré o deixe raso.
Tal e qual o poema. É comum sorte
Que areias e poemas tanto valham
Ao vaivém da maré, vem-vem da morte.
Não tarda que a maré o deixe raso.
Tal e qual o poema. É comum sorte
Que areias e poemas tanto valham
Ao vaivém da maré, vem-vem da morte.
1 449
José Saramago
Destino
Risco no chão um traço, à beira água:
Não tarda que a maré o deixe raso.
Tal e qual o poema. É comum sorte
Que areias e poemas tanto valham
Ao vaivém da maré, vem-vem da morte.
Não tarda que a maré o deixe raso.
Tal e qual o poema. É comum sorte
Que areias e poemas tanto valham
Ao vaivém da maré, vem-vem da morte.
1 449
José Saramago
Passado, Presente, Futuro
Eu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais,
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais,
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
2 048
José Saramago
Eloquência
Um verso que não diga por palavras,
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
1 358
José Saramago
Eloquência
Um verso que não diga por palavras,
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
1 358
José Saramago
Eloquência
Um verso que não diga por palavras,
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
Ou se palavras tem, que nada exprimam:
Uma linha no ar, um gesto breve
Que, num silêncio fundo, me resuma
A vontade que quer, a mão que escreve.
1 358
José Saramago
Cantiga de Sapo
Já mastiguei solidão
E tinha gosto de cobre
Ficou-me o travo na língua
Mais amargo que o azebre
Já cantei com voz de sapo
As rosas do céu mais perto
Coseram-me a fio a boca
Espetaram-me em vara torta
Voei com penas de cinza
Por sobre as águas abertas
Sonho de asa mal firmada
Numa aparência de vento
Voltei ao sapo que era
À minha boca calada
À triaga à mordedura
À vara que me espetava
Debaixo de mim a terra
Por cima de mim o céu
A noite que vai passando
O silêncio a solidão
A manhã que vem tão longe
As rosas que vão murchando
E tinha gosto de cobre
Ficou-me o travo na língua
Mais amargo que o azebre
Já cantei com voz de sapo
As rosas do céu mais perto
Coseram-me a fio a boca
Espetaram-me em vara torta
Voei com penas de cinza
Por sobre as águas abertas
Sonho de asa mal firmada
Numa aparência de vento
Voltei ao sapo que era
À minha boca calada
À triaga à mordedura
À vara que me espetava
Debaixo de mim a terra
Por cima de mim o céu
A noite que vai passando
O silêncio a solidão
A manhã que vem tão longe
As rosas que vão murchando
1 219
José Saramago
Cantiga de Sapo
Já mastiguei solidão
E tinha gosto de cobre
Ficou-me o travo na língua
Mais amargo que o azebre
Já cantei com voz de sapo
As rosas do céu mais perto
Coseram-me a fio a boca
Espetaram-me em vara torta
Voei com penas de cinza
Por sobre as águas abertas
Sonho de asa mal firmada
Numa aparência de vento
Voltei ao sapo que era
À minha boca calada
À triaga à mordedura
À vara que me espetava
Debaixo de mim a terra
Por cima de mim o céu
A noite que vai passando
O silêncio a solidão
A manhã que vem tão longe
As rosas que vão murchando
E tinha gosto de cobre
Ficou-me o travo na língua
Mais amargo que o azebre
Já cantei com voz de sapo
As rosas do céu mais perto
Coseram-me a fio a boca
Espetaram-me em vara torta
Voei com penas de cinza
Por sobre as águas abertas
Sonho de asa mal firmada
Numa aparência de vento
Voltei ao sapo que era
À minha boca calada
À triaga à mordedura
À vara que me espetava
Debaixo de mim a terra
Por cima de mim o céu
A noite que vai passando
O silêncio a solidão
A manhã que vem tão longe
As rosas que vão murchando
1 219
José Saramago
Prestidigitação
Não pode mais do que eu a natureza
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
1 153
José Saramago
Prestidigitação
Não pode mais do que eu a natureza
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
1 153
José Saramago
Prestidigitação
Não pode mais do que eu a natureza
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
Nem são de ferro as leis que me governam.
Dentro de mim as artes se conjugam
Que de novos sinais te vão cercar:
Uma pedra fendida num sorriso,
Uma nuvem gritando nas alturas,
Uma sombra que a luz não justifica,
Um sopro quando o vento se afastou.
Outras muitas maravilhas eu faria
E quantas mais me dessem na vontade,
Mas não a servem artes nem sinais:
É de ferro e é lei esta saudade.
1 153
José Saramago
Metáfora
Trago nas mãos um búzio ressoante
Onde os ventos do mar se reuniram,
E das mãos, ou do búzio murmurante,
Alastra em cor e som irradiante
A beleza que os olhos te despiram
Onde os ventos do mar se reuniram,
E das mãos, ou do búzio murmurante,
Alastra em cor e som irradiante
A beleza que os olhos te despiram
1 891
José Saramago
Taxidermia, Ou Poeticamente Hipócrita
Posso falar de morte enquanto vivo?
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
1 109
José Saramago
Taxidermia, Ou Poeticamente Hipócrita
Posso falar de morte enquanto vivo?
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
1 109
José Saramago
Taxidermia, Ou Poeticamente Hipócrita
Posso falar de morte enquanto vivo?
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
Posso ganir de fome imaginada?
Posso lutar nos versos escondido?
Posso fingir de tudo, sendo nada?
Posso tirar verdades de mentiras.
Ou inundar de fontes um deserto?
Posso mudar de cordas e de liras,
E fazer de má noite sol aberto?
Se tudo a vãs palavras se reduz
E com elas me tapo a retirada,
Do poleiro da sombra nego a luz
Como a canção se nega embalsamada.
Olhos de vidro e asas prisioneiras,
Fiquei-me pelo gasto de palavras
Como rasto das coisas verdadeiras.
1 109