Poemas neste tema
Outros
Sophia de Mello Breyner Andresen
Tu Que Esculpes No Ar o Vento Musculado
Belo é o teu sorriso sem cabeça
A tua alegria lutadora e veemente
Que vai pesando uma por uma as proas dos navios
Belo é o teu passo impetuoso
Ó portadora sem braços nem oferenda
De ti só recebemos
O mundo onde moramos e o que somos
A tua alegria lutadora e veemente
Que vai pesando uma por uma as proas dos navios
Belo é o teu passo impetuoso
Ó portadora sem braços nem oferenda
De ti só recebemos
O mundo onde moramos e o que somos
1 164
Sophia de Mello Breyner Andresen
Mar
De novo o som o ressoar o mar
De novo o embalo do tumulto mais antigo
E a inteireza de instante primitivo
De novo o canto o murmurar o mar
Que se repete intacto e sacral
De novo o limpo e nu clamor primordial
De novo o embalo do tumulto mais antigo
E a inteireza de instante primitivo
De novo o canto o murmurar o mar
Que se repete intacto e sacral
De novo o limpo e nu clamor primordial
1 597
Sophia de Mello Breyner Andresen
Navegadores
Esses que desenharam os mapas da surpresa
Contornando os cabos e dando nome às ilhas
E por entre brilhos espelhos e distâncias
Por entre aéreas brumas irisadas
Em extáticas manhãs solenes e paradas
No breve instante eterno surpreenderam
O arcaico sorrir do mar recém-criado
1987
Contornando os cabos e dando nome às ilhas
E por entre brilhos espelhos e distâncias
Por entre aéreas brumas irisadas
Em extáticas manhãs solenes e paradas
No breve instante eterno surpreenderam
O arcaico sorrir do mar recém-criado
1987
642
Sophia de Mello Breyner Andresen
Ménades
As antigas Fúrias tinham as pupilas vermelhas
Os cabelos eriçados de serpentes
As mãos pesadas a boca sequiosa
De puro sangue a cara tatuada
Os cabelos eriçados de serpentes
As mãos pesadas a boca sequiosa
De puro sangue a cara tatuada
1 185
Sophia de Mello Breyner Andresen
Orpheu E Eurydice
Juntos passavam no cair da tarde
Jovens luminosos muito antigos
Jovens luminosos muito antigos
1 272
Sophia de Mello Breyner Andresen
Senhor
Senhor sempre te adiei
Embora sempre soubesse que me vias
Quis ver o mundo em si e não em ti
E embora nunca te negasse te apartei
1987
Embora sempre soubesse que me vias
Quis ver o mundo em si e não em ti
E embora nunca te negasse te apartei
1987
1 299
Sophia de Mello Breyner Andresen
À La Manière De
No mundo da arte há muitos saltimbancos
Que voam sem rede e jogam
A virar o mundo de pernas para o ar
Também caminham
Pé ante pé no arame
Equilibrados no fio fino e leve da vara
Eles próprios são leves e finos e recaem
Aéreos sobre a terra e conhecem
As leis abstractas do equilíbrio
O jogo do que é os absorve
Porque o inventam
Que voam sem rede e jogam
A virar o mundo de pernas para o ar
Também caminham
Pé ante pé no arame
Equilibrados no fio fino e leve da vara
Eles próprios são leves e finos e recaem
Aéreos sobre a terra e conhecem
As leis abstractas do equilíbrio
O jogo do que é os absorve
Porque o inventam
1 135
Sophia de Mello Breyner Andresen
À La Manière De
No mundo da arte há muitos saltimbancos
Que voam sem rede e jogam
A virar o mundo de pernas para o ar
Também caminham
Pé ante pé no arame
Equilibrados no fio fino e leve da vara
Eles próprios são leves e finos e recaem
Aéreos sobre a terra e conhecem
As leis abstractas do equilíbrio
O jogo do que é os absorve
Porque o inventam
Que voam sem rede e jogam
A virar o mundo de pernas para o ar
Também caminham
Pé ante pé no arame
Equilibrados no fio fino e leve da vara
Eles próprios são leves e finos e recaem
Aéreos sobre a terra e conhecem
As leis abstractas do equilíbrio
O jogo do que é os absorve
Porque o inventam
1 135
Sophia de Mello Breyner Andresen
Narciso
Um longo barco é no silêncio agudo
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
1 443
Sophia de Mello Breyner Andresen
Narciso
Um longo barco é no silêncio agudo
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
1 443
Sophia de Mello Breyner Andresen
Narciso
Um longo barco é no silêncio agudo
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
Outro Narciso em busca do retrato.
29 de Novembro de 1949
1 443
Sophia de Mello Breyner Andresen
À Maneira de Horácio
Feliz aquele que disse o poema ao som da lira
À mesa do banquete entre os amigos
E coroado estava de rosas e de mirto
Seu canto nascia da solar memória dos seus dias
E da pausa mágica da noite —
Seu canto celebrava
Consciente da areia fina que escorria
Enquanto o mar as rochas desgastava
1994
À mesa do banquete entre os amigos
E coroado estava de rosas e de mirto
Seu canto nascia da solar memória dos seus dias
E da pausa mágica da noite —
Seu canto celebrava
Consciente da areia fina que escorria
Enquanto o mar as rochas desgastava
1994
1 345
Sophia de Mello Breyner Andresen
Memória
Mimesis. E vós Musas filhas da memória
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
1 418
Sophia de Mello Breyner Andresen
Memória
Mimesis. E vós Musas filhas da memória
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
1 418
Sophia de Mello Breyner Andresen
Memória
Mimesis. E vós Musas filhas da memória
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
De leve passo nos cimos do Parnaso
Suave a brisa — a fonte impetuosa
Princípio fundamento rosto-início
Espelho para sempre os olhos verdes
As longas mãos as azuladas veias
1 418
Sophia de Mello Breyner Andresen
Roma
à memória de meu irmão Thomaz
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina
As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina
As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina
1 118
Sophia de Mello Breyner Andresen
Roma
à memória de meu irmão Thomaz
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina
As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina
O belo rosto dos deuses impassível e quebrado
A noite-loba rondando nas ruínas
A veemência a musa
Colunas e colinas
O bronze a pedra e o contínuo
Tijolo sobre tijolo
A arte difícil e bela da pintura
A música veemente que assedia a alma
O corpo a corpo do espaço e da escultura
Os múltiplos espelhos do visível
A selvagem e misteriosa paixão de Catilina
As altas naves as enormes colunas
Os enormes palácios as pequenas ruas
A lenta sombra atenta e muito antiga
O sucessivo surgir de fontes e de praças
Vermelho cor-de-rosa muita pressa
Gesticular de gentes e de estátuas
Azáfama clamor e gasolina
Do guarda-sol castanho a penumbra fina
1 118
Sophia de Mello Breyner Andresen
Alcácer do Sal
A sombra azul da palavra moira
O branco vivo da palavra sal
O branco vivo da palavra sal
1 281
Sophia de Mello Breyner Andresen
Alcácer do Sal
A sombra azul da palavra moira
O branco vivo da palavra sal
O branco vivo da palavra sal
1 281
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Poeta Sábio
É sábio hábil arguto informado
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
1 423
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Poeta Sábio
É sábio hábil arguto informado
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
1 423
Sophia de Mello Breyner Andresen
O Poeta Sábio
É sábio hábil arguto informado
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
Porém quando ele escreve
As Ménades não dançam
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