Poemas neste tema
Outros
Martha Medeiros
silêncio, estou escrevendo
silêncio, estou escrevendo
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
1 198
Martha Medeiros
silêncio, estou escrevendo
silêncio, estou escrevendo
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
1 198
Martha Medeiros
silêncio, estou escrevendo
silêncio, estou escrevendo
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
e não sei se destas palavras
sairá como mágica um poema
uma reportagem ou um recado
não sei em que se transformará
este grupo de sujeitos e advérbios
que buscam aqui reunidos
decifrar todos os meus medos
silêncio, estou me escutando
e quem fala são meus dedos
1 198
Martha Medeiros
eu triste sou calada
eu triste sou calada
eu braba sou estúpida
eu lúcida sou chata
eu gata sou esperta
eu cega sou vidente
eu carente sou insana
eu malandra sou fresca
eu seca sou vazia
eu fria sou distante
eu quente sou oleosa
eu prosa sou tantas
eu santa sou gelada
eu salgada sou crua
eu pura sou tentada
eu sentada sou alta
eu jovem sou donzela
eu bela sou fútil
eu útil sou boa
eu à toa sou tua
eu braba sou estúpida
eu lúcida sou chata
eu gata sou esperta
eu cega sou vidente
eu carente sou insana
eu malandra sou fresca
eu seca sou vazia
eu fria sou distante
eu quente sou oleosa
eu prosa sou tantas
eu santa sou gelada
eu salgada sou crua
eu pura sou tentada
eu sentada sou alta
eu jovem sou donzela
eu bela sou fútil
eu útil sou boa
eu à toa sou tua
1 077
Martha Medeiros
solidão que tanto temem
solidão que tanto temem
que tanto ignoram o bem que faz
sozinha não minto, não finjo
não causo nenhum escarcéu
sozinha não maltrato, não disfarço
não há pesquisa que me sonde
sozinha não retruco, não provoco
não deixo ninguém sem resposta
sozinha não julgo nem condeno
não trato ninguém como réu
sozinha não grito, não rogo praga
não renego meu deleite
sozinha não trapaceio, não peco
não falto nem chego atrasada
sozinha não sumo, não volto
não tenho presença notada
sozinha eu sou quem eu posso
sozinha eu faço o que quero
sozinha não há céu que me rejeite
que tanto ignoram o bem que faz
sozinha não minto, não finjo
não causo nenhum escarcéu
sozinha não maltrato, não disfarço
não há pesquisa que me sonde
sozinha não retruco, não provoco
não deixo ninguém sem resposta
sozinha não julgo nem condeno
não trato ninguém como réu
sozinha não grito, não rogo praga
não renego meu deleite
sozinha não trapaceio, não peco
não falto nem chego atrasada
sozinha não sumo, não volto
não tenho presença notada
sozinha eu sou quem eu posso
sozinha eu faço o que quero
sozinha não há céu que me rejeite
1 096
Martha Medeiros
ele não é meu
ele não é meu
porque não dorme comigo
mas também não é amigo
porque me beija e me vê despida
não é meu marido
mas telefona e reparte um passado
que eu queria também ter vivido
não é meu porque não tem roupas
penduradas ao lado das minhas
não tenho dele um retrato
não passa comigo um domingo
jamais ganhei um presente
que não fosse de seda rendada
eu sou a preferida
de um homem comprometido
queria não ser um perigo
uma bomba que pode explodir
e deixar outra mulher arruinada
ele é o terrorista
eu o alvo escolhido
preferia aceitar um pedido
fazer nada escondido
mas ele não é meu marido
não é namorado, não é bom partido
não pode andar ao meu lado
não sabe a que horas acordo
não racha as contas comigo
não fica para ouvir um disco
não é exigido, não é meu parente
e anda sumido
nada é mais deprimente
quando chamo seu número ela atende
e eu desligo
porque não dorme comigo
mas também não é amigo
porque me beija e me vê despida
não é meu marido
mas telefona e reparte um passado
que eu queria também ter vivido
não é meu porque não tem roupas
penduradas ao lado das minhas
não tenho dele um retrato
não passa comigo um domingo
jamais ganhei um presente
que não fosse de seda rendada
eu sou a preferida
de um homem comprometido
queria não ser um perigo
uma bomba que pode explodir
e deixar outra mulher arruinada
ele é o terrorista
eu o alvo escolhido
preferia aceitar um pedido
fazer nada escondido
mas ele não é meu marido
não é namorado, não é bom partido
não pode andar ao meu lado
não sabe a que horas acordo
não racha as contas comigo
não fica para ouvir um disco
não é exigido, não é meu parente
e anda sumido
nada é mais deprimente
quando chamo seu número ela atende
e eu desligo
1 205
Martha Medeiros
estarei em torno dos quarenta
estarei em torno dos quarenta
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
1 110
Martha Medeiros
estarei em torno dos quarenta
estarei em torno dos quarenta
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
1 110
Martha Medeiros
estarei em torno dos quarenta
estarei em torno dos quarenta
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
já terei passado pela Grécia e pelo Egito
e por algumas dificuldades
terei mais rugas, não morarei mais nesta rua
meus manuscritos estarão publicados
terei dois filhos e voltarei a ler os livros
que li na adolescência
terei um pouco mais de paciência, menos medo
da verdade e vou deixar de herança
um segredo enfim revelado
1 110
Martha Medeiros
quando é que se decreta
quando é que se decreta
é hoje que sou feliz
quando é que se diz
que se fez a descoberta
quando é que se é indiscreta
e se põe os pingos nos is
quando é que esta força motriz
finalmente liberta
quando é que a dor não aperta
e se deixa de ouvir Elis
quando é que os sonhos juvenis
de outro modo se interpreta
quando é que de forma concreta
eu deixo de ser uma miss
quando é que eu corto a raiz
e passo a sonhar desperta
quando é que se fica esperta
e se passa a viver por um triz
quando é que eu chamo os guris
e deixo minha porta aberta
é hoje que sou feliz
quando é que se diz
que se fez a descoberta
quando é que se é indiscreta
e se põe os pingos nos is
quando é que esta força motriz
finalmente liberta
quando é que a dor não aperta
e se deixa de ouvir Elis
quando é que os sonhos juvenis
de outro modo se interpreta
quando é que de forma concreta
eu deixo de ser uma miss
quando é que eu corto a raiz
e passo a sonhar desperta
quando é que se fica esperta
e se passa a viver por um triz
quando é que eu chamo os guris
e deixo minha porta aberta
1 191
Martha Medeiros
já meio sem esperança
já meio sem esperança
de encontrá-la depois dos quarenta
eis que um amigo me apresenta
uma mulher de trança
manteve-se meio a distância
mas já havia dito bom dia
e era mais do que queria
um coração que descansa
falava de maneira lenta
com palavras que ninguém alcança
suspeitei que era uma mulher mansa
dessas que não se enfrenta
quanto mais eu temia a aliança
mais ela me seduzia
um amor que não se comenta
diga que homem sustenta
fazia notar sua presença
como que distraída
sabia ficar isenta
do próprio pecado que inventa
quanto mais queria tocá-la
mais escorregadia
preso nessa paixão tardia
ninguém pagaria a fiança
enquanto meu amor arrebenta
seu olhar tripudia
quem é essa mulher que se ausenta
e ao mesmo tempo me tenta
é a mulher de trança
aquela que só se contenta
quando toda a imprensa
vem testemunhar sua vingança
não sabia que a mulher de trança
acabara de ter sido traída
de encontrá-la depois dos quarenta
eis que um amigo me apresenta
uma mulher de trança
manteve-se meio a distância
mas já havia dito bom dia
e era mais do que queria
um coração que descansa
falava de maneira lenta
com palavras que ninguém alcança
suspeitei que era uma mulher mansa
dessas que não se enfrenta
quanto mais eu temia a aliança
mais ela me seduzia
um amor que não se comenta
diga que homem sustenta
fazia notar sua presença
como que distraída
sabia ficar isenta
do próprio pecado que inventa
quanto mais queria tocá-la
mais escorregadia
preso nessa paixão tardia
ninguém pagaria a fiança
enquanto meu amor arrebenta
seu olhar tripudia
quem é essa mulher que se ausenta
e ao mesmo tempo me tenta
é a mulher de trança
aquela que só se contenta
quando toda a imprensa
vem testemunhar sua vingança
não sabia que a mulher de trança
acabara de ter sido traída
1 121
Martha Medeiros
no fundo sabemos
no fundo sabemos
que somos todos loucos
ninguém em sã consciência
se regraria dessa forma
sem saber afinal
para onde iremos
ninguém repetiria os mesmos passos
e aceitaria tão poucas escolhas
medicina engenharia arquitetura
música teatro escultura
homeopatia hipnose acupuntura
ninguém
a não ser por loucura
seria casado ou solteiro
trabalhador ou biscateiro
gremista ou colorado
entre londres e new york
entre o álcool e a gasolina
entre a vida e a pantomima
quem de nós arriscará
uma outra alternativa
a essa altura?
que somos todos loucos
ninguém em sã consciência
se regraria dessa forma
sem saber afinal
para onde iremos
ninguém repetiria os mesmos passos
e aceitaria tão poucas escolhas
medicina engenharia arquitetura
música teatro escultura
homeopatia hipnose acupuntura
ninguém
a não ser por loucura
seria casado ou solteiro
trabalhador ou biscateiro
gremista ou colorado
entre londres e new york
entre o álcool e a gasolina
entre a vida e a pantomima
quem de nós arriscará
uma outra alternativa
a essa altura?
1 111
Martha Medeiros
cinderela insone
cinderela insone
idade postiça
decote remunerado
recheio de silicone
coxas de paetê
oferta de camelô
bustiê bordô
carinha de fome
idade postiça
decote remunerado
recheio de silicone
coxas de paetê
oferta de camelô
bustiê bordô
carinha de fome
1 113
Martha Medeiros
aventura não é escalar montanhas
aventura não é escalar montanhas
não é atravessar desertos
não é preciso bravura
aventura não é saltar de avião
não é descer cachoeira
não é preciso tontura
aventura não é comer bicho vivo
não é beber aguardente
não é preciso angustura
aventura não é morar em castelo
não é correr de ferrari
não é preciso frescura
aventura é tudo o que faz
uma pessoa tornar-se capaz
de abrir mão da loucura
aventura é ser mãe e pai
não é atravessar desertos
não é preciso bravura
aventura não é saltar de avião
não é descer cachoeira
não é preciso tontura
aventura não é comer bicho vivo
não é beber aguardente
não é preciso angustura
aventura não é morar em castelo
não é correr de ferrari
não é preciso frescura
aventura é tudo o que faz
uma pessoa tornar-se capaz
de abrir mão da loucura
aventura é ser mãe e pai
1 599
Martha Medeiros
não morro de amores
não morro de amores
por pessoas sem mistério
quando se é muito transparente
muito risonho e educado
é raro ser levado a sério
prefiro os mais silenciosos
os que abrem a boca de menos
os mais serenos e mais perigosos
aqueles que ninguém define
e que sempre analisam os fatos
por um novo enfoque
prefiro os que têm estoque
aos que deixam tudo à mostra na vitrine
por pessoas sem mistério
quando se é muito transparente
muito risonho e educado
é raro ser levado a sério
prefiro os mais silenciosos
os que abrem a boca de menos
os mais serenos e mais perigosos
aqueles que ninguém define
e que sempre analisam os fatos
por um novo enfoque
prefiro os que têm estoque
aos que deixam tudo à mostra na vitrine
686
Martha Medeiros
não morro de amores
não morro de amores
por pessoas sem mistério
quando se é muito transparente
muito risonho e educado
é raro ser levado a sério
prefiro os mais silenciosos
os que abrem a boca de menos
os mais serenos e mais perigosos
aqueles que ninguém define
e que sempre analisam os fatos
por um novo enfoque
prefiro os que têm estoque
aos que deixam tudo à mostra na vitrine
por pessoas sem mistério
quando se é muito transparente
muito risonho e educado
é raro ser levado a sério
prefiro os mais silenciosos
os que abrem a boca de menos
os mais serenos e mais perigosos
aqueles que ninguém define
e que sempre analisam os fatos
por um novo enfoque
prefiro os que têm estoque
aos que deixam tudo à mostra na vitrine
686
Martha Medeiros
não passem batom nos meus lábios
não passem batom nos meus lábios
nem esmalte em unhas que não crescem mais
nada de rímel em olhos fechados
nem beijos de despedida
serei um dia a mais pálida e forte
será da morte o encargo de me levar vestida
nem esmalte em unhas que não crescem mais
nada de rímel em olhos fechados
nem beijos de despedida
serei um dia a mais pálida e forte
será da morte o encargo de me levar vestida
1 151
Martha Medeiros
eu tinha por ti amor
eu tinha por ti amor
e ainda não havia lido
nem escrito nem vivido nada igual
eu tinha por ti um sentimento
que não havia sido previsto, intuído
não havia sinal de reconhecimento
por isso ainda deixo a porta aberta
não entra você, entra o vento
todo amor desconhecido
precisa se entender com o tempo
e ainda não havia lido
nem escrito nem vivido nada igual
eu tinha por ti um sentimento
que não havia sido previsto, intuído
não havia sinal de reconhecimento
por isso ainda deixo a porta aberta
não entra você, entra o vento
todo amor desconhecido
precisa se entender com o tempo
1 191
Martha Medeiros
sou capaz dos gestos mais nobres
sou capaz dos gestos mais nobres
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer loira, pálida e profunda
nada me detém, sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu
pudesse ser tão boa, uma santa, uma alma
do outro mundo
mas se acordo atordoada, sou capaz de
armar um circo
solto fogo pelas ventas, não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta, sou herege, estúpida,
ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta
bem no fundo do buraco, a cara cheia de
olheiras
argh! que eu sou de lascar quando eu quero
haja paciência ou sabedoria
ou pouco caso ou em ego imenso
ou isso tudo
para enfrentar o céu e o inferno a cada
vinte minutos
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer loira, pálida e profunda
nada me detém, sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu
pudesse ser tão boa, uma santa, uma alma
do outro mundo
mas se acordo atordoada, sou capaz de
armar um circo
solto fogo pelas ventas, não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta, sou herege, estúpida,
ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta
bem no fundo do buraco, a cara cheia de
olheiras
argh! que eu sou de lascar quando eu quero
haja paciência ou sabedoria
ou pouco caso ou em ego imenso
ou isso tudo
para enfrentar o céu e o inferno a cada
vinte minutos
1 193
Martha Medeiros
sou capaz dos gestos mais nobres
sou capaz dos gestos mais nobres
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer loira, pálida e profunda
nada me detém, sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu
pudesse ser tão boa, uma santa, uma alma
do outro mundo
mas se acordo atordoada, sou capaz de
armar um circo
solto fogo pelas ventas, não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta, sou herege, estúpida,
ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta
bem no fundo do buraco, a cara cheia de
olheiras
argh! que eu sou de lascar quando eu quero
haja paciência ou sabedoria
ou pouco caso ou em ego imenso
ou isso tudo
para enfrentar o céu e o inferno a cada
vinte minutos
nem eu consigo me aceitar assim tão justa
chego a parecer loira, pálida e profunda
nada me detém, sou a dignidade em pessoa
ninguém diria que uma criatura como eu
pudesse ser tão boa, uma santa, uma alma
do outro mundo
mas se acordo atordoada, sou capaz de
armar um circo
solto fogo pelas ventas, não resmungo, grito mesmo
ninguém me aguenta, sou herege, estúpida,
ruim como o diabo
me escondo em qualquer beco, rabugenta
bem no fundo do buraco, a cara cheia de
olheiras
argh! que eu sou de lascar quando eu quero
haja paciência ou sabedoria
ou pouco caso ou em ego imenso
ou isso tudo
para enfrentar o céu e o inferno a cada
vinte minutos
1 193
Martha Medeiros
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
1 295
Martha Medeiros
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
1 295
Martha Medeiros
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
1 295
Martha Medeiros
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
ah, mas é muito fácil escrever sobre o mar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
diria alguém que nunca viu o mar como eu vi
que já nem era azul de tão profundo
que nem deste mundo parecia ser
e que nenhum mergulho conseguiria descrever
ah, mas falar sobre os pássaros até eu
diria alguém que nunca voou nem em sonhos
e que enxerga os limites que inventa
pois não há limites no ar
e na terra quem ousa limitar não voa mais
ah, mas rimar amor e dor quantos fizeram
diria alguém que fez também sem reparar
e que no ato de amar não atentou
para os mistérios e os nocautes que só a vida
com sabedoria faz rimar
1 295