Poemas neste tema
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António Ramos Rosa
Encontro
Tu te ofereceste aberta como eras
no sentido da dança, do fogo e do mar,
ergueste-te do fundo até à praia lisa
rodando em círculos de luz e ondas
no ar de uma asa imensa e transparente.
O vento conduzia-te devagar, seguindo
o teu desejo. Com que descanso pleno!
Eu descobria-te em luminoso movimento
porque tu eras a minha forma e o meu mundo,
o caminho enrolado em suas ondas curvas.
Vinhas despertar a encantada noite
e a alta música, o fundo do oriente.
Abolindo, começando na hora mais redonda
a fábula mais intensa que nasce do desejo,
ó mais completo sonho, ó maravilha viva!
no sentido da dança, do fogo e do mar,
ergueste-te do fundo até à praia lisa
rodando em círculos de luz e ondas
no ar de uma asa imensa e transparente.
O vento conduzia-te devagar, seguindo
o teu desejo. Com que descanso pleno!
Eu descobria-te em luminoso movimento
porque tu eras a minha forma e o meu mundo,
o caminho enrolado em suas ondas curvas.
Vinhas despertar a encantada noite
e a alta música, o fundo do oriente.
Abolindo, começando na hora mais redonda
a fábula mais intensa que nasce do desejo,
ó mais completo sonho, ó maravilha viva!
1 220
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Nudez
Toquei um nome quando a luz amanhecia.
Era uma ferida menor do que um suspiro.
Ondulava um campo, um luminoso mar.
Nada podia faltar porque as palavras o diziam.
Imediata era a sede, o coração na espuma.
Cheguei e era o espaço, a suave inteligência
de um corpo. Eram pálpebras e lábios.
Era um pássaro, o pulsar de uma pedra, os dedos
como um sopro cálido, o vento nos cabelos.
Era leve a nudez e a frescura da sombra.
Nasci dormindo, sonhando, abrindo os olhos
num pleno descanso transparente. Conheci
a realidade completa do desejo, o diamante
da água. Voluptuosa, a folhagem estremecia.
Eu adormecia a teu lado como um puro esquecimento.
Tu erguias-te da penumbra vegetal. Uma mulher
nasce sem cessar. Tu ardias na aresta azul
do horizonte. Um pássaro cantava
no centro de uma árvore. Eu vibrava
numa terra imóvel, num país imenso.
Era uma ferida menor do que um suspiro.
Ondulava um campo, um luminoso mar.
Nada podia faltar porque as palavras o diziam.
Imediata era a sede, o coração na espuma.
Cheguei e era o espaço, a suave inteligência
de um corpo. Eram pálpebras e lábios.
Era um pássaro, o pulsar de uma pedra, os dedos
como um sopro cálido, o vento nos cabelos.
Era leve a nudez e a frescura da sombra.
Nasci dormindo, sonhando, abrindo os olhos
num pleno descanso transparente. Conheci
a realidade completa do desejo, o diamante
da água. Voluptuosa, a folhagem estremecia.
Eu adormecia a teu lado como um puro esquecimento.
Tu erguias-te da penumbra vegetal. Uma mulher
nasce sem cessar. Tu ardias na aresta azul
do horizonte. Um pássaro cantava
no centro de uma árvore. Eu vibrava
numa terra imóvel, num país imenso.
1 134
António Ramos Rosa
Os Prestígios Simples
Conheço as palavras das árvores, as voluptuosas têmporas
das pedras. Toda a minha vida é um sono de árvores.
Vivo oscilando como uma simples coisa
na paz do espaço. Não pergunto às folhas
onde o país unânime. Sou uma chama do ar.
Oscilo na folhagem. Vibro entre mãos aéreas
sobre os sulcos dos insectos. Amo os simples
prestígios, os percursos leves, as sombras verdes.
Esta é a minha casa de pedras e de sol.
Esta é a minha firmeza suave, minha alegria nova.
Estou no meio do vento, sou uma haste solitária.
Bebo as sombras que deslizam numa volúpia aérea.
Dispo-me e sou um tronco, ou um ramo, uma figura da terra.
Adormeço e desperto para o júbilo do mar.
A boca encontra o seio da primeira harmonia.
das pedras. Toda a minha vida é um sono de árvores.
Vivo oscilando como uma simples coisa
na paz do espaço. Não pergunto às folhas
onde o país unânime. Sou uma chama do ar.
Oscilo na folhagem. Vibro entre mãos aéreas
sobre os sulcos dos insectos. Amo os simples
prestígios, os percursos leves, as sombras verdes.
Esta é a minha casa de pedras e de sol.
Esta é a minha firmeza suave, minha alegria nova.
Estou no meio do vento, sou uma haste solitária.
Bebo as sombras que deslizam numa volúpia aérea.
Dispo-me e sou um tronco, ou um ramo, uma figura da terra.
Adormeço e desperto para o júbilo do mar.
A boca encontra o seio da primeira harmonia.
1 089
António Ramos Rosa
Um Discurso Transparente
Avanço através de um caos silencioso.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
637
António Ramos Rosa
Um Discurso Transparente
Avanço através de um caos silencioso.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
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António Ramos Rosa
Um Discurso Transparente
Avanço através de um caos silencioso.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
Nem um som nem uma sombra. É uma lenta descida.
É vazio o princípio do princípio. Solipsismo.
A possibilidade de nascer é o desejo que nasce.
Esquecer, viver. Tudo dizer em evidências brancas.
Com as armas mais puras, com a luz das minhas ervas
enuncio a fragrância de uma lâmpada. Comovo-me
com a água do poema. Crianças de cor solar
acenam em campos silenciosos. É suficiente estar aqui
mais além de todo o lugar, na superfície nua.
Habito agora o movimento do meio-dia.
Inesgotável um campo tão contínuo.
O sol fixou-se na corola do tempo, o espaço é puro.
O mar levanta-se do fundo até aos seus limites.
Um discurso flui completo e transparente.
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António Ramos Rosa
A Coisa Sem Nome
Um disco de uma negra densidade,
a coisa sem nome, irradiante embriaguez.
Terei tocado a sombra, a sequiosa luz?
Vibro no vazio do vento, vivo com as pedras,
em ondas oscilantes, entre pequenas ilhas.
Uma coisa germina, volúvel, subtil,
da guerra silenciosa à silenciosa música.
Um tranquilo relâmpago, um gesto da paisagem.
Ainda não um nome. Uma dança. Um desenho.
Uma poeira de ferrugem na água transparente.
Este é o lugar do meu desejo, na leveza
de uma estrela. O obscuro liberta-se em miríades
fosforescentes. As linhas cantam ao primeiro álcool
da respiração. O corpo completa-se
no vermelho sono de uma vibrante folha.
Aniquilado, vagaroso rosto, que se forma no centro
da folha inicial. As pedras ouvem, o arbusto vê.
O mar, não uma lâmpada, acende a mão deserta.
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
a coisa sem nome, irradiante embriaguez.
Terei tocado a sombra, a sequiosa luz?
Vibro no vazio do vento, vivo com as pedras,
em ondas oscilantes, entre pequenas ilhas.
Uma coisa germina, volúvel, subtil,
da guerra silenciosa à silenciosa música.
Um tranquilo relâmpago, um gesto da paisagem.
Ainda não um nome. Uma dança. Um desenho.
Uma poeira de ferrugem na água transparente.
Este é o lugar do meu desejo, na leveza
de uma estrela. O obscuro liberta-se em miríades
fosforescentes. As linhas cantam ao primeiro álcool
da respiração. O corpo completa-se
no vermelho sono de uma vibrante folha.
Aniquilado, vagaroso rosto, que se forma no centro
da folha inicial. As pedras ouvem, o arbusto vê.
O mar, não uma lâmpada, acende a mão deserta.
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
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António Ramos Rosa
A Coisa Sem Nome
Um disco de uma negra densidade,
a coisa sem nome, irradiante embriaguez.
Terei tocado a sombra, a sequiosa luz?
Vibro no vazio do vento, vivo com as pedras,
em ondas oscilantes, entre pequenas ilhas.
Uma coisa germina, volúvel, subtil,
da guerra silenciosa à silenciosa música.
Um tranquilo relâmpago, um gesto da paisagem.
Ainda não um nome. Uma dança. Um desenho.
Uma poeira de ferrugem na água transparente.
Este é o lugar do meu desejo, na leveza
de uma estrela. O obscuro liberta-se em miríades
fosforescentes. As linhas cantam ao primeiro álcool
da respiração. O corpo completa-se
no vermelho sono de uma vibrante folha.
Aniquilado, vagaroso rosto, que se forma no centro
da folha inicial. As pedras ouvem, o arbusto vê.
O mar, não uma lâmpada, acende a mão deserta.
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
a coisa sem nome, irradiante embriaguez.
Terei tocado a sombra, a sequiosa luz?
Vibro no vazio do vento, vivo com as pedras,
em ondas oscilantes, entre pequenas ilhas.
Uma coisa germina, volúvel, subtil,
da guerra silenciosa à silenciosa música.
Um tranquilo relâmpago, um gesto da paisagem.
Ainda não um nome. Uma dança. Um desenho.
Uma poeira de ferrugem na água transparente.
Este é o lugar do meu desejo, na leveza
de uma estrela. O obscuro liberta-se em miríades
fosforescentes. As linhas cantam ao primeiro álcool
da respiração. O corpo completa-se
no vermelho sono de uma vibrante folha.
Aniquilado, vagaroso rosto, que se forma no centro
da folha inicial. As pedras ouvem, o arbusto vê.
O mar, não uma lâmpada, acende a mão deserta.
Ninguém separa já a palavra dos meus dedos.
A presença é o esquecimento no seio do abandono.
1 144
António Ramos Rosa
Omnipresença Imediata
Ela é nuvem, omnipresença imediata,
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
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António Ramos Rosa
Omnipresença Imediata
Ela é nuvem, omnipresença imediata,
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
a mais viva, a mais próxima, imperceptível,
sem contornos e sem caos, a mais antiga
e a mais nova, em suave movimento,
omnipresença do ar, infância leve,
profusão inicial que o olhar não capta,
sempre feliz e aérea, mas quem a vê, quem a demora?
Ó atenção inocente e amorosamente desarmada!
Todos os vivos se inspiram deste sopro que ilumina
e que consagra o solo antes que os deuses cheguem.
E todavia, nenhum abrigo. Imprevisível, livre,
não ouve de nenhuma boca o seu caminho.
Não força nenhum obstáculo, obedece à gravidade
de forças puras. Amplitude sem reserva,
o seu canto irriga obscuramente o mundo.
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António Ramos Rosa
O Crescimento Escreve
A trama é verde num clima de brancura.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
1 039
António Ramos Rosa
O Crescimento Escreve
A trama é verde num clima de brancura.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
1 039
António Ramos Rosa
O Crescimento Escreve
A trama é verde num clima de brancura.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
O crescimento escreve. Como uma flor se forma
em eficaz simplicidade. A energia é lenta
de uma lentidão silenciosa. Somos um fragmento
de um obstinado discurso de brancos arabescos.
Matéria porosa, transparente. Eclosão de torsos
sumptuosos, delicados. Génese violenta, límpida
dos corpos. Lisas, flexíveis, insinuantes formas.
O olhar vê e adere e escreve as carícias voluptuosas
deste caminho silencioso. Em fogo, em água, em terra
e ar. Que multidão tão branca e nua,
que exuberância calma, que prodígio aberto!
A afirmação do fundo é evidência aérea.
A luz nasce da água, tudo está suspenso,
as figuras dançam no círculo do princípio.
1 039
António Ramos Rosa
Esta Lacuna
Esta lacuna à qual adiro, mais próxima do que a mão,
e que se estende branca, interrompida, aberta,
semelhante aos lábios. Serão palavras, serão pedras
as formas que diviso antes de qualquer caminho?
São figuras do ar, são evidências do ar?
O fogo dissimula-se no espaço, o fogo pronuncia
espaço. Volúveis os dedos oblíquos
seguem um sinuoso rosto. Avançam e separam
até que o sol e a terra se confundam
numa densa folhagem verde e silenciosa.
Na frescura das volutas é o vazio que respira
sem suporte e sem espessura. Tudo se obscurece
ou ilumina. Abro os olhos no centro.
Amo tudo o que é vivo, falo às pedras e aos ramos.
Perco-me e encontro-me na leveza do desejo.
e que se estende branca, interrompida, aberta,
semelhante aos lábios. Serão palavras, serão pedras
as formas que diviso antes de qualquer caminho?
São figuras do ar, são evidências do ar?
O fogo dissimula-se no espaço, o fogo pronuncia
espaço. Volúveis os dedos oblíquos
seguem um sinuoso rosto. Avançam e separam
até que o sol e a terra se confundam
numa densa folhagem verde e silenciosa.
Na frescura das volutas é o vazio que respira
sem suporte e sem espessura. Tudo se obscurece
ou ilumina. Abro os olhos no centro.
Amo tudo o que é vivo, falo às pedras e aos ramos.
Perco-me e encontro-me na leveza do desejo.
1 071
António Ramos Rosa
Esta Lacuna
Esta lacuna à qual adiro, mais próxima do que a mão,
e que se estende branca, interrompida, aberta,
semelhante aos lábios. Serão palavras, serão pedras
as formas que diviso antes de qualquer caminho?
São figuras do ar, são evidências do ar?
O fogo dissimula-se no espaço, o fogo pronuncia
espaço. Volúveis os dedos oblíquos
seguem um sinuoso rosto. Avançam e separam
até que o sol e a terra se confundam
numa densa folhagem verde e silenciosa.
Na frescura das volutas é o vazio que respira
sem suporte e sem espessura. Tudo se obscurece
ou ilumina. Abro os olhos no centro.
Amo tudo o que é vivo, falo às pedras e aos ramos.
Perco-me e encontro-me na leveza do desejo.
e que se estende branca, interrompida, aberta,
semelhante aos lábios. Serão palavras, serão pedras
as formas que diviso antes de qualquer caminho?
São figuras do ar, são evidências do ar?
O fogo dissimula-se no espaço, o fogo pronuncia
espaço. Volúveis os dedos oblíquos
seguem um sinuoso rosto. Avançam e separam
até que o sol e a terra se confundam
numa densa folhagem verde e silenciosa.
Na frescura das volutas é o vazio que respira
sem suporte e sem espessura. Tudo se obscurece
ou ilumina. Abro os olhos no centro.
Amo tudo o que é vivo, falo às pedras e aos ramos.
Perco-me e encontro-me na leveza do desejo.
1 071
António Ramos Rosa
As Figuras do Espaço
Mais próximo de uma simples coisa diminuta.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
1 040
António Ramos Rosa
As Figuras do Espaço
Mais próximo de uma simples coisa diminuta.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
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António Ramos Rosa
Um Corpo Vegetal
Um corpo vegetal repousa, um corpo de sossego
em leves impulsos, em silêncio e cor.
Óleo sobre os lábios, penumbra, júbilo. Lâmpadas e muros.
Este é o instante branco dos imóveis relâmpagos.
Vagueio entre ondas amantes, entre dedos e folhas.
Sou um viajante em núpcias com a sombra
e com a luz. O mundo não sonha. Sonho eu as coisas?
O mundo amoroso sinto-o nas paredes, na inocente vertigem,
é sempre um corpo unânime que murmura na folhagem.
Num frenesim disperso abraço esguias formas.
Os meus companheiros são vagabundos ténues, inocentes selvagens.
Que plenitude vazia, que viagens tão leves!
Não outro mas o mundo das antenas amorosas.
Formas insubmissas, formas felizes, formas vivas
que o olhar bebe num sossegado assombro.
em leves impulsos, em silêncio e cor.
Óleo sobre os lábios, penumbra, júbilo. Lâmpadas e muros.
Este é o instante branco dos imóveis relâmpagos.
Vagueio entre ondas amantes, entre dedos e folhas.
Sou um viajante em núpcias com a sombra
e com a luz. O mundo não sonha. Sonho eu as coisas?
O mundo amoroso sinto-o nas paredes, na inocente vertigem,
é sempre um corpo unânime que murmura na folhagem.
Num frenesim disperso abraço esguias formas.
Os meus companheiros são vagabundos ténues, inocentes selvagens.
Que plenitude vazia, que viagens tão leves!
Não outro mas o mundo das antenas amorosas.
Formas insubmissas, formas felizes, formas vivas
que o olhar bebe num sossegado assombro.
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António Ramos Rosa
Um Corpo Vegetal
Um corpo vegetal repousa, um corpo de sossego
em leves impulsos, em silêncio e cor.
Óleo sobre os lábios, penumbra, júbilo. Lâmpadas e muros.
Este é o instante branco dos imóveis relâmpagos.
Vagueio entre ondas amantes, entre dedos e folhas.
Sou um viajante em núpcias com a sombra
e com a luz. O mundo não sonha. Sonho eu as coisas?
O mundo amoroso sinto-o nas paredes, na inocente vertigem,
é sempre um corpo unânime que murmura na folhagem.
Num frenesim disperso abraço esguias formas.
Os meus companheiros são vagabundos ténues, inocentes selvagens.
Que plenitude vazia, que viagens tão leves!
Não outro mas o mundo das antenas amorosas.
Formas insubmissas, formas felizes, formas vivas
que o olhar bebe num sossegado assombro.
em leves impulsos, em silêncio e cor.
Óleo sobre os lábios, penumbra, júbilo. Lâmpadas e muros.
Este é o instante branco dos imóveis relâmpagos.
Vagueio entre ondas amantes, entre dedos e folhas.
Sou um viajante em núpcias com a sombra
e com a luz. O mundo não sonha. Sonho eu as coisas?
O mundo amoroso sinto-o nas paredes, na inocente vertigem,
é sempre um corpo unânime que murmura na folhagem.
Num frenesim disperso abraço esguias formas.
Os meus companheiros são vagabundos ténues, inocentes selvagens.
Que plenitude vazia, que viagens tão leves!
Não outro mas o mundo das antenas amorosas.
Formas insubmissas, formas felizes, formas vivas
que o olhar bebe num sossegado assombro.
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António Ramos Rosa
Onde a Terra Será Branca
Onde a terra será branca. Num domínio
oblíquo. A liberdade silenciosa.
Lábios iluminados. Dedos quase felizes.
Um volume verde, a narrativa quase exacta.
Espaço e corpo no interior das linhas.
Que suave aventura descansar dentro de um corpo!
Com o ouvido no vento, com o coração no escuro,
digo o nome do indizível, sigo um fluxo
de minúsculas coisas, uma música de insectos.
O ar tornou-se branco através do silêncio.
Como uma mulher aberta, o poema é um pomar.
A terra inteira resplandece como um fruto.
Tudo parece imóvel como uma árvore transparente.
O tempo abriu espaços entre os muros.
Somos a incessante luz na água azul.
oblíquo. A liberdade silenciosa.
Lábios iluminados. Dedos quase felizes.
Um volume verde, a narrativa quase exacta.
Espaço e corpo no interior das linhas.
Que suave aventura descansar dentro de um corpo!
Com o ouvido no vento, com o coração no escuro,
digo o nome do indizível, sigo um fluxo
de minúsculas coisas, uma música de insectos.
O ar tornou-se branco através do silêncio.
Como uma mulher aberta, o poema é um pomar.
A terra inteira resplandece como um fruto.
Tudo parece imóvel como uma árvore transparente.
O tempo abriu espaços entre os muros.
Somos a incessante luz na água azul.
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António Ramos Rosa
Onde a Terra Será Branca
Onde a terra será branca. Num domínio
oblíquo. A liberdade silenciosa.
Lábios iluminados. Dedos quase felizes.
Um volume verde, a narrativa quase exacta.
Espaço e corpo no interior das linhas.
Que suave aventura descansar dentro de um corpo!
Com o ouvido no vento, com o coração no escuro,
digo o nome do indizível, sigo um fluxo
de minúsculas coisas, uma música de insectos.
O ar tornou-se branco através do silêncio.
Como uma mulher aberta, o poema é um pomar.
A terra inteira resplandece como um fruto.
Tudo parece imóvel como uma árvore transparente.
O tempo abriu espaços entre os muros.
Somos a incessante luz na água azul.
oblíquo. A liberdade silenciosa.
Lábios iluminados. Dedos quase felizes.
Um volume verde, a narrativa quase exacta.
Espaço e corpo no interior das linhas.
Que suave aventura descansar dentro de um corpo!
Com o ouvido no vento, com o coração no escuro,
digo o nome do indizível, sigo um fluxo
de minúsculas coisas, uma música de insectos.
O ar tornou-se branco através do silêncio.
Como uma mulher aberta, o poema é um pomar.
A terra inteira resplandece como um fruto.
Tudo parece imóvel como uma árvore transparente.
O tempo abriu espaços entre os muros.
Somos a incessante luz na água azul.
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