Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Este É o Lugar de Todas As Ausências
Este é o lugar de todas as ausências
no silêncio do azul.
Aqui sei que a luz
é o nada
e o alimento perfeito e transparente
que desata os nós sepultos.
no silêncio do azul.
Aqui sei que a luz
é o nada
e o alimento perfeito e transparente
que desata os nós sepultos.
612
António Ramos Rosa
O Presente Absoluto
Duas bocas descobrem o veludo incandescente
e saboreiam o sabor perfeito de um fruto liso
que é um sumo do universo. Com a sua espuma constante
os amantes tecem uma abóbada leve de seda e espaço.
Vivem num volume cintilante o presente absoluto.
Corpos encerrados em superfícies delicadas
abrem-se como velas vermelhas e o calor brilha,
clareiras acendem-se numa tranquilidade branca,
os olhos embriagam-se de miríades de cores
e todos os vocábulos são recentes como o orvalho.
Criam a origem pela origem, num corpo duplo e uno,
transformam-se subindo morrendo em verde orgia,
inertes renascem de onda em onda radiantes,
reconhecem-se no vento que os expande e os dissolve,
o mundo é uma brecha um esplendor um redemoinho.
e saboreiam o sabor perfeito de um fruto liso
que é um sumo do universo. Com a sua espuma constante
os amantes tecem uma abóbada leve de seda e espaço.
Vivem num volume cintilante o presente absoluto.
Corpos encerrados em superfícies delicadas
abrem-se como velas vermelhas e o calor brilha,
clareiras acendem-se numa tranquilidade branca,
os olhos embriagam-se de miríades de cores
e todos os vocábulos são recentes como o orvalho.
Criam a origem pela origem, num corpo duplo e uno,
transformam-se subindo morrendo em verde orgia,
inertes renascem de onda em onda radiantes,
reconhecem-se no vento que os expande e os dissolve,
o mundo é uma brecha um esplendor um redemoinho.
910
António Ramos Rosa
Sim, Digamos Sim Sem o Dizer
Sim, digamos sim sem o dizer
por todos os poros,
sim, este fulgor, este sopro, este jardim
que é como um barco ou um pássaro silencioso,
sim, esta única carícia sobre um corpo que flui infinitamente.
por todos os poros,
sim, este fulgor, este sopro, este jardim
que é como um barco ou um pássaro silencioso,
sim, esta única carícia sobre um corpo que flui infinitamente.
1 124
António Ramos Rosa
Não Fosforesce Essa Mão Que Mal Se Move
Não fosforesce essa mão que mal se move
e quase não palpita sob a escura abóbada.
Estreitam-se os dedos de madeira transparente
e sobre o papel volante ainda acendem uma lua
que ascende vacilante sobre a cabeça trémula.
e quase não palpita sob a escura abóbada.
Estreitam-se os dedos de madeira transparente
e sobre o papel volante ainda acendem uma lua
que ascende vacilante sobre a cabeça trémula.
923
António Ramos Rosa
Porque Não É o Impensável
Porque não é o impensável
a voz do fogo
que desenha
as suas ondas
e as habita
no instante fulgurante?
a voz do fogo
que desenha
as suas ondas
e as habita
no instante fulgurante?
1 165
António Ramos Rosa
Porque Não É o Impensável
Porque não é o impensável
a voz do fogo
que desenha
as suas ondas
e as habita
no instante fulgurante?
a voz do fogo
que desenha
as suas ondas
e as habita
no instante fulgurante?
1 165
António Ramos Rosa
Encontro
Como nasceste? Amadurecia o mundo. Ó impaciência
alegre, ó aérea sombra do desejo, ó dura sede
dos teus brilhos gloriosos, ó cabeleira vibrante,
fogo que me consome, folha iluminada,
extensa como uma praia viva e oferecida.
Todo o mistério te envolve enquanto a terra gira
com uma suave cabeça. Não sei o que é morrer.
Que brancas estrelas num mar constante e puro!
Somos, estamos na luz e no silêncio, num tranquilo presente.
Rimos entre folhas verdes, no calor das pedras.
É a terra que ascende, que tu acaricias,
é um voo de dois corpos em vagarosos relâmpagos,
é a espuma que arde, é o ar na liberdade das pétalas.
Que leveza ardente para o cimo com os teus olhos lentos,
ó recém-nascida, ó ignorante, ó viva!
alegre, ó aérea sombra do desejo, ó dura sede
dos teus brilhos gloriosos, ó cabeleira vibrante,
fogo que me consome, folha iluminada,
extensa como uma praia viva e oferecida.
Todo o mistério te envolve enquanto a terra gira
com uma suave cabeça. Não sei o que é morrer.
Que brancas estrelas num mar constante e puro!
Somos, estamos na luz e no silêncio, num tranquilo presente.
Rimos entre folhas verdes, no calor das pedras.
É a terra que ascende, que tu acaricias,
é um voo de dois corpos em vagarosos relâmpagos,
é a espuma que arde, é o ar na liberdade das pétalas.
Que leveza ardente para o cimo com os teus olhos lentos,
ó recém-nascida, ó ignorante, ó viva!
1 034
António Ramos Rosa
Esta Alegria
Esta alegria
que de nada nasce
antes da palavra
sopro insubmisso
sortilégio do dia.
que de nada nasce
antes da palavra
sopro insubmisso
sortilégio do dia.
578
António Ramos Rosa
Extremamente Nua
Extremamente nua. E através dela a sombra
luminosa, a mais íntima coisa e a mais externa,
que aflora em ondas e folhas vulneráveis,
exposta como a lua na sua incerta malícia.
Ela é a ilusão essencial e completamente física
entre nuvens e árvores, entre pedras e ondas.
Quando a conhecemos dir-se-ia que anoitece
e que na escuridão entramos, num turbilhão de espuma.
São dela as imaculadas sílabas, o frágil timbre
cristalino, a delícia subtil dos lábios e do sexo.
Tocá-la é concebê-la na indolência perfeita
e com as palavras do mundo dizer a vida do mundo.
O real é uma invenção deste opaco amplexo
em que o prodígio é a simplicidade e a opulência
de uma ignorância que habita a medula dos sentidos.
luminosa, a mais íntima coisa e a mais externa,
que aflora em ondas e folhas vulneráveis,
exposta como a lua na sua incerta malícia.
Ela é a ilusão essencial e completamente física
entre nuvens e árvores, entre pedras e ondas.
Quando a conhecemos dir-se-ia que anoitece
e que na escuridão entramos, num turbilhão de espuma.
São dela as imaculadas sílabas, o frágil timbre
cristalino, a delícia subtil dos lábios e do sexo.
Tocá-la é concebê-la na indolência perfeita
e com as palavras do mundo dizer a vida do mundo.
O real é uma invenção deste opaco amplexo
em que o prodígio é a simplicidade e a opulência
de uma ignorância que habita a medula dos sentidos.
1 103
António Ramos Rosa
Extremamente Nua
Extremamente nua. E através dela a sombra
luminosa, a mais íntima coisa e a mais externa,
que aflora em ondas e folhas vulneráveis,
exposta como a lua na sua incerta malícia.
Ela é a ilusão essencial e completamente física
entre nuvens e árvores, entre pedras e ondas.
Quando a conhecemos dir-se-ia que anoitece
e que na escuridão entramos, num turbilhão de espuma.
São dela as imaculadas sílabas, o frágil timbre
cristalino, a delícia subtil dos lábios e do sexo.
Tocá-la é concebê-la na indolência perfeita
e com as palavras do mundo dizer a vida do mundo.
O real é uma invenção deste opaco amplexo
em que o prodígio é a simplicidade e a opulência
de uma ignorância que habita a medula dos sentidos.
luminosa, a mais íntima coisa e a mais externa,
que aflora em ondas e folhas vulneráveis,
exposta como a lua na sua incerta malícia.
Ela é a ilusão essencial e completamente física
entre nuvens e árvores, entre pedras e ondas.
Quando a conhecemos dir-se-ia que anoitece
e que na escuridão entramos, num turbilhão de espuma.
São dela as imaculadas sílabas, o frágil timbre
cristalino, a delícia subtil dos lábios e do sexo.
Tocá-la é concebê-la na indolência perfeita
e com as palavras do mundo dizer a vida do mundo.
O real é uma invenção deste opaco amplexo
em que o prodígio é a simplicidade e a opulência
de uma ignorância que habita a medula dos sentidos.
1 103
António Ramos Rosa
A Substância Dos Amantes
No escuro círculo em que se expande a ferida
palpita o abismo de uma forma feminina.
Que corpo de nebulosas e de cinza, uma árvore ainda?
Como semear neste corpo o esperma cintilante?
Toda a energia toda a ternura toda a chama
poderão reacender a substância dos amantes?
Aqui, na saliva do sabor, no vazio do gérmen,
a força cresce para abolir e renascer
na órbita do vento em seus flancos de horizonte.
Vermelha é a corola que se abre ao espaço inteiro.
Uma única pulsação de árvore liberta,
sílaba plena de água e sol numa boca silenciosa,
nascente que se enreda nas árvores, numa lua lúcida,
braços que poderiam abraçar a cintura da terra,
amor do fundo com sangue onde se reflecte o firmamento.
palpita o abismo de uma forma feminina.
Que corpo de nebulosas e de cinza, uma árvore ainda?
Como semear neste corpo o esperma cintilante?
Toda a energia toda a ternura toda a chama
poderão reacender a substância dos amantes?
Aqui, na saliva do sabor, no vazio do gérmen,
a força cresce para abolir e renascer
na órbita do vento em seus flancos de horizonte.
Vermelha é a corola que se abre ao espaço inteiro.
Uma única pulsação de árvore liberta,
sílaba plena de água e sol numa boca silenciosa,
nascente que se enreda nas árvores, numa lua lúcida,
braços que poderiam abraçar a cintura da terra,
amor do fundo com sangue onde se reflecte o firmamento.
1 003
António Ramos Rosa
No Vértice Obscuro do Encontro
Como se abre um corpo? Como as águas descem
da tua cintura, como as mãos cegas se incendeiam?
Até ao vértice escuro do encontro, até à terrível margem
da sede. Um negro peixe do fundo gira entre os limos.
Entro no redemoinho: toda a sombra é meu corpo.
Eleva-se o amor com seus tentáculos para fundar a vertigem.
Quem cai em mim, quem ascende em minhas veias?
Obscura é a gruta, obscuras as delícias.
Um odor perfeito, um odor animal desprende-se da terra.
As raízes do corpo têm a força dos deuses.
Como se conquistássemos uma colina próxima do sol,
somos um corpo na veemente limpidez da água.
Distinguimos na luz uma luz desconhecida.
Que nitidez de alegria nas veias silenciosas!
Das gargantas da sombra sobem folhas ligeiras.
da tua cintura, como as mãos cegas se incendeiam?
Até ao vértice escuro do encontro, até à terrível margem
da sede. Um negro peixe do fundo gira entre os limos.
Entro no redemoinho: toda a sombra é meu corpo.
Eleva-se o amor com seus tentáculos para fundar a vertigem.
Quem cai em mim, quem ascende em minhas veias?
Obscura é a gruta, obscuras as delícias.
Um odor perfeito, um odor animal desprende-se da terra.
As raízes do corpo têm a força dos deuses.
Como se conquistássemos uma colina próxima do sol,
somos um corpo na veemente limpidez da água.
Distinguimos na luz uma luz desconhecida.
Que nitidez de alegria nas veias silenciosas!
Das gargantas da sombra sobem folhas ligeiras.
1 084
António Ramos Rosa
Na Esfera do Repouso
Abre-se o ventre ubiquamente no repouso
que o arqueia e estende ao horizonte.
Como regressa ao seio, como descansa
erguendo a torre branca no lugar do abismo!
Como uma só concha com os redondos membros
abre todo o espaço de velas harmoniosas.
Sossegado navio entre ramos e sombras.
Revolução lenta e clara entre colinas.
Move-se o fundo num vagar de anoitecer.
Alguém dorme na imóvel residência?
Na esfera em que repousa o pensamento é água
e feliz na luz que passa com o vento.
Nela se habita o vagar da roda rescendente.
O coração sabe que ama e vive, o desejo conhece
a cintura da terra entre as águas abertas.
que o arqueia e estende ao horizonte.
Como regressa ao seio, como descansa
erguendo a torre branca no lugar do abismo!
Como uma só concha com os redondos membros
abre todo o espaço de velas harmoniosas.
Sossegado navio entre ramos e sombras.
Revolução lenta e clara entre colinas.
Move-se o fundo num vagar de anoitecer.
Alguém dorme na imóvel residência?
Na esfera em que repousa o pensamento é água
e feliz na luz que passa com o vento.
Nela se habita o vagar da roda rescendente.
O coração sabe que ama e vive, o desejo conhece
a cintura da terra entre as águas abertas.
826
António Ramos Rosa
Descoberta
Ela procura o sílex e a pura sombra sossegada.
Um aroma nasce entre os cabelos, entre as páginas.
A cabeça ligeira inclina-se para uma incerta música.
Escreve com o seu hálito entre a espuma fugidia.
Sente o mundo rodar sob os seus pés, pressente o espaço.
Amanhece nos ombros ou é o mar nos ombros
e quase está no cimo. Ouvem-se pássaros silvestres
na espessura do estio. A sua garganta acende-se.
Quase feliz, beijada, ela descobre o mundo.
Sente o corpo vivo no vento, como um arbusto leve.
Já não existe e existe, o seu segredo abriu-se inteiro
no espaço. É um corpo quase transparente
que canta porque encontrou o mar. Não clama, não grita.
Toda a sua alegria é o silêncio de uma pedra ardente.
À beira de água é uma nuvem que se levanta de si mesma.
Um aroma nasce entre os cabelos, entre as páginas.
A cabeça ligeira inclina-se para uma incerta música.
Escreve com o seu hálito entre a espuma fugidia.
Sente o mundo rodar sob os seus pés, pressente o espaço.
Amanhece nos ombros ou é o mar nos ombros
e quase está no cimo. Ouvem-se pássaros silvestres
na espessura do estio. A sua garganta acende-se.
Quase feliz, beijada, ela descobre o mundo.
Sente o corpo vivo no vento, como um arbusto leve.
Já não existe e existe, o seu segredo abriu-se inteiro
no espaço. É um corpo quase transparente
que canta porque encontrou o mar. Não clama, não grita.
Toda a sua alegria é o silêncio de uma pedra ardente.
À beira de água é uma nuvem que se levanta de si mesma.
1 105
António Ramos Rosa
Descoberta
Ela procura o sílex e a pura sombra sossegada.
Um aroma nasce entre os cabelos, entre as páginas.
A cabeça ligeira inclina-se para uma incerta música.
Escreve com o seu hálito entre a espuma fugidia.
Sente o mundo rodar sob os seus pés, pressente o espaço.
Amanhece nos ombros ou é o mar nos ombros
e quase está no cimo. Ouvem-se pássaros silvestres
na espessura do estio. A sua garganta acende-se.
Quase feliz, beijada, ela descobre o mundo.
Sente o corpo vivo no vento, como um arbusto leve.
Já não existe e existe, o seu segredo abriu-se inteiro
no espaço. É um corpo quase transparente
que canta porque encontrou o mar. Não clama, não grita.
Toda a sua alegria é o silêncio de uma pedra ardente.
À beira de água é uma nuvem que se levanta de si mesma.
Um aroma nasce entre os cabelos, entre as páginas.
A cabeça ligeira inclina-se para uma incerta música.
Escreve com o seu hálito entre a espuma fugidia.
Sente o mundo rodar sob os seus pés, pressente o espaço.
Amanhece nos ombros ou é o mar nos ombros
e quase está no cimo. Ouvem-se pássaros silvestres
na espessura do estio. A sua garganta acende-se.
Quase feliz, beijada, ela descobre o mundo.
Sente o corpo vivo no vento, como um arbusto leve.
Já não existe e existe, o seu segredo abriu-se inteiro
no espaço. É um corpo quase transparente
que canta porque encontrou o mar. Não clama, não grita.
Toda a sua alegria é o silêncio de uma pedra ardente.
À beira de água é uma nuvem que se levanta de si mesma.
1 105
António Ramos Rosa
O Tempo
Que dizer quando o tempo se esquece e há um nimbo
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
699
António Ramos Rosa
O Tempo
Que dizer quando o tempo se esquece e há um nimbo
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
699
António Ramos Rosa
O Tempo
Que dizer quando o tempo se esquece e há um nimbo
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
verde que abriga num claro sortilégio?
Estamos tão atentos que vemos os minúsculos
matizes. É talvez a nascente que cintila.
O sangue ascende até ao cimo das árvores.
Todo o mundo é música de água ou transparência.
A inteligência é o sabor completo do silêncio.
Onde estamos é a insondável delicadeza de uma estrela.
A criança está com a mãe numa nebulosa dourada.
O desejo de união encontra a terra fluida.
Alguns sons vêm da sombra e formam uma esfera.
Algumas palavras se juntam e são pétalas abertas.
Todo o nosso saber é uma ignorância fértil.
O ritmo das nuvens ordena as nossas mesas.
Por toda a parte radiosos, minúsculos afluentes.
699
António Ramos Rosa
O Reino Está Aqui
O reino está aqui
no seu rumor de oceano
no seu horizonte fundo
na sua redondez cintilante.
Mas nós perdemos as leves
sandálias do vento
já não conhecemos o gozo
vegetal
de uma nua eternidade.
no seu rumor de oceano
no seu horizonte fundo
na sua redondez cintilante.
Mas nós perdemos as leves
sandálias do vento
já não conhecemos o gozo
vegetal
de uma nua eternidade.
588
António Ramos Rosa
Sobre o Seu Sono Ardente
Sobre o seu sono ardente, sobre o seu corpo
sonoro, esta dança da escrita, esta obscura
mão. Entre um vaso de sangue e um vaso de cinza
o poema ergue uma arcada branca. Como a fuga de um pássaro
a palavra levanta-se dos ombros, o mundo recomeça.
Tão fluida é a felicidade das sílabas, tão lúcidas
as câmaras onde se anuncia o sangue. Tão claro é o ritmo
por um nome silencioso que circula em minhas veias.
Já não sonho, conheço o gérmen e a sua dança imóvel,
durmo nas virilhas de uma ilha incandescente.
Recebo as ondas da inteligência mais suave,
a água do seu corpo é mais leve que a das árvores.
O mundo dança em torno da sua cintura verde.
Uma sede se desenha nos vocábulos vibrantes.
O olhar vê com a boca o ouro azul.
sonoro, esta dança da escrita, esta obscura
mão. Entre um vaso de sangue e um vaso de cinza
o poema ergue uma arcada branca. Como a fuga de um pássaro
a palavra levanta-se dos ombros, o mundo recomeça.
Tão fluida é a felicidade das sílabas, tão lúcidas
as câmaras onde se anuncia o sangue. Tão claro é o ritmo
por um nome silencioso que circula em minhas veias.
Já não sonho, conheço o gérmen e a sua dança imóvel,
durmo nas virilhas de uma ilha incandescente.
Recebo as ondas da inteligência mais suave,
a água do seu corpo é mais leve que a das árvores.
O mundo dança em torno da sua cintura verde.
Uma sede se desenha nos vocábulos vibrantes.
O olhar vê com a boca o ouro azul.
1 060
António Ramos Rosa
Sobre o Seu Sono Ardente
Sobre o seu sono ardente, sobre o seu corpo
sonoro, esta dança da escrita, esta obscura
mão. Entre um vaso de sangue e um vaso de cinza
o poema ergue uma arcada branca. Como a fuga de um pássaro
a palavra levanta-se dos ombros, o mundo recomeça.
Tão fluida é a felicidade das sílabas, tão lúcidas
as câmaras onde se anuncia o sangue. Tão claro é o ritmo
por um nome silencioso que circula em minhas veias.
Já não sonho, conheço o gérmen e a sua dança imóvel,
durmo nas virilhas de uma ilha incandescente.
Recebo as ondas da inteligência mais suave,
a água do seu corpo é mais leve que a das árvores.
O mundo dança em torno da sua cintura verde.
Uma sede se desenha nos vocábulos vibrantes.
O olhar vê com a boca o ouro azul.
sonoro, esta dança da escrita, esta obscura
mão. Entre um vaso de sangue e um vaso de cinza
o poema ergue uma arcada branca. Como a fuga de um pássaro
a palavra levanta-se dos ombros, o mundo recomeça.
Tão fluida é a felicidade das sílabas, tão lúcidas
as câmaras onde se anuncia o sangue. Tão claro é o ritmo
por um nome silencioso que circula em minhas veias.
Já não sonho, conheço o gérmen e a sua dança imóvel,
durmo nas virilhas de uma ilha incandescente.
Recebo as ondas da inteligência mais suave,
a água do seu corpo é mais leve que a das árvores.
O mundo dança em torno da sua cintura verde.
Uma sede se desenha nos vocábulos vibrantes.
O olhar vê com a boca o ouro azul.
1 060
António Ramos Rosa
Dissipam-Se As Minhas Pétalas
Dissipam-se as minhas pétalas
entre formigas e sombras.
Tudo o que me dilacera
está perto do que é minúsculo.
Pequenos fósseis brancos
dizem tudo quanto sou
no desejo de ser pedra
ou uma parede com fendas.
entre formigas e sombras.
Tudo o que me dilacera
está perto do que é minúsculo.
Pequenos fósseis brancos
dizem tudo quanto sou
no desejo de ser pedra
ou uma parede com fendas.
1 099
António Ramos Rosa
Na Transparência da Sombra
Dorme na transparência da sombra ignorante
de ser a própria fonte inebriante e a área
que é um estremecimento do centro até ao círculo.
Vê-la é ver do fundo olvido a nudez ardente.
Ilumina-se um sabor e a inteligência é de vento.
Que volúvel é o brilho de tudo quanto vê!
Contempla em vivas curvas a liberdade do fogo.
Forma o mundo de si, no seu vagar maravilhoso.
Está feliz vendo e em cada coisa repousando
cada vez mais terra numa inocência vegetal.
Andar com ela será ser a transparência intacta
ou sereno errar num espaço de atenção.
Em torno dela o mundo é um pomar unânime.
Quem se abre mais imóvel mais fluido
à magnífica ubiquidade do seu silêncio?
de ser a própria fonte inebriante e a área
que é um estremecimento do centro até ao círculo.
Vê-la é ver do fundo olvido a nudez ardente.
Ilumina-se um sabor e a inteligência é de vento.
Que volúvel é o brilho de tudo quanto vê!
Contempla em vivas curvas a liberdade do fogo.
Forma o mundo de si, no seu vagar maravilhoso.
Está feliz vendo e em cada coisa repousando
cada vez mais terra numa inocência vegetal.
Andar com ela será ser a transparência intacta
ou sereno errar num espaço de atenção.
Em torno dela o mundo é um pomar unânime.
Quem se abre mais imóvel mais fluido
à magnífica ubiquidade do seu silêncio?
1 002
António Ramos Rosa
Na Transparência da Sombra
Dorme na transparência da sombra ignorante
de ser a própria fonte inebriante e a área
que é um estremecimento do centro até ao círculo.
Vê-la é ver do fundo olvido a nudez ardente.
Ilumina-se um sabor e a inteligência é de vento.
Que volúvel é o brilho de tudo quanto vê!
Contempla em vivas curvas a liberdade do fogo.
Forma o mundo de si, no seu vagar maravilhoso.
Está feliz vendo e em cada coisa repousando
cada vez mais terra numa inocência vegetal.
Andar com ela será ser a transparência intacta
ou sereno errar num espaço de atenção.
Em torno dela o mundo é um pomar unânime.
Quem se abre mais imóvel mais fluido
à magnífica ubiquidade do seu silêncio?
de ser a própria fonte inebriante e a área
que é um estremecimento do centro até ao círculo.
Vê-la é ver do fundo olvido a nudez ardente.
Ilumina-se um sabor e a inteligência é de vento.
Que volúvel é o brilho de tudo quanto vê!
Contempla em vivas curvas a liberdade do fogo.
Forma o mundo de si, no seu vagar maravilhoso.
Está feliz vendo e em cada coisa repousando
cada vez mais terra numa inocência vegetal.
Andar com ela será ser a transparência intacta
ou sereno errar num espaço de atenção.
Em torno dela o mundo é um pomar unânime.
Quem se abre mais imóvel mais fluido
à magnífica ubiquidade do seu silêncio?
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