Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Mediadora Simples
Demora em sossegos fundos
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
1 024
António Ramos Rosa
Mediadora Simples
Demora em sossegos fundos
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
1 024
António Ramos Rosa
Mediadora Simples
Demora em sossegos fundos
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
sonoros o seu fogo azul
por simples caminhos de erva,
talvez cristal, mas argila.
Sempre amiga e silenciosa
inunda a sombra dos quartos
sem esplendor nem coroa vã
mas em suas flores de água.
Não irrompe, surge plácida
entre a surdina das coisas.
Límpida, intensa, suave
cheia de fulgores minúsculos.
Mulher de serenidade,
sem grutas nem sombras ácidas,
abre o âmbito mais suave
na simplicidade de ser.
1 024
António Ramos Rosa
Mediadora da Nudez
Um corpo aquece
ascende
liberta-se
dos círculos cinzentos.
Uma língua se tece
dentro da pele
as pálpebras compreendem
as cordas do silêncio.
Aroma global
da ferida e da resina
os extremos são barcas
nudez completa.
ascende
liberta-se
dos círculos cinzentos.
Uma língua se tece
dentro da pele
as pálpebras compreendem
as cordas do silêncio.
Aroma global
da ferida e da resina
os extremos são barcas
nudez completa.
939
António Ramos Rosa
Mediadora do Deserto
Cegueira límpida. Silêncio
de um incêndio. Que odor
nas áridas axilas!
Ela escuta a música do sol.
Divagações, figuras
esvaem-se na brancura.
Cegas frases de areia
no deserto da mesa.
Nada, ninguém. Retorno
à matriz branca. Ausência.
Espaços nus e inertes.
Mineral simplicidade.
Querer e não querer no início.
O risco é apenas um sopro
para incendiar o vento
no esquecimento do mundo.
de um incêndio. Que odor
nas áridas axilas!
Ela escuta a música do sol.
Divagações, figuras
esvaem-se na brancura.
Cegas frases de areia
no deserto da mesa.
Nada, ninguém. Retorno
à matriz branca. Ausência.
Espaços nus e inertes.
Mineral simplicidade.
Querer e não querer no início.
O risco é apenas um sopro
para incendiar o vento
no esquecimento do mundo.
542
António Ramos Rosa
Mediadora do Deserto
Cegueira límpida. Silêncio
de um incêndio. Que odor
nas áridas axilas!
Ela escuta a música do sol.
Divagações, figuras
esvaem-se na brancura.
Cegas frases de areia
no deserto da mesa.
Nada, ninguém. Retorno
à matriz branca. Ausência.
Espaços nus e inertes.
Mineral simplicidade.
Querer e não querer no início.
O risco é apenas um sopro
para incendiar o vento
no esquecimento do mundo.
de um incêndio. Que odor
nas áridas axilas!
Ela escuta a música do sol.
Divagações, figuras
esvaem-se na brancura.
Cegas frases de areia
no deserto da mesa.
Nada, ninguém. Retorno
à matriz branca. Ausência.
Espaços nus e inertes.
Mineral simplicidade.
Querer e não querer no início.
O risco é apenas um sopro
para incendiar o vento
no esquecimento do mundo.
542
António Ramos Rosa
Mediadora do Inicial Constante
Fuga que restitui: ritmo
de cinzas. Obscuro
destino na aragem
das artérias.
O longínquo respira num corpo
de penumbra.
No alento se abre
o labirinto.
Visão do ilimite compacto.
Surge
o inicial constante.
Unidade vertical de um convertido abismo.
de cinzas. Obscuro
destino na aragem
das artérias.
O longínquo respira num corpo
de penumbra.
No alento se abre
o labirinto.
Visão do ilimite compacto.
Surge
o inicial constante.
Unidade vertical de um convertido abismo.
997
António Ramos Rosa
Corpo de Argila
Aqui, para que se abram os poros na floresta.
Aqui o verde incendeia-se, os muros tornam-se aéreos.
Tudo é liso e nítido na grande folha do dia.
A terra mostra as fibras castanhas e vermelhas.
Um pássaro pousou algures na proa de uma pedra.
A ignorância, a inocência mais completa, mais nua.
Acaricio as lâmpadas do corpo vegetal,
sulcos que não conheço, portas leves e verdes
de uma casa nua, o aroma do sono,
os simples sortilégios que se lêem nas árvores.
Algo nos cria e nos liberta dos absurdos cercos.
Despertámos para tocar a boca esquecida pela noite.
Somos a folhagem e o espaço, somos uma garganta fresca.
As sombras aquecem-nos e as estrelas visitam-nos.
O meu corpo é de argila estou vivo e aceito o dia.
Aqui o verde incendeia-se, os muros tornam-se aéreos.
Tudo é liso e nítido na grande folha do dia.
A terra mostra as fibras castanhas e vermelhas.
Um pássaro pousou algures na proa de uma pedra.
A ignorância, a inocência mais completa, mais nua.
Acaricio as lâmpadas do corpo vegetal,
sulcos que não conheço, portas leves e verdes
de uma casa nua, o aroma do sono,
os simples sortilégios que se lêem nas árvores.
Algo nos cria e nos liberta dos absurdos cercos.
Despertámos para tocar a boca esquecida pela noite.
Somos a folhagem e o espaço, somos uma garganta fresca.
As sombras aquecem-nos e as estrelas visitam-nos.
O meu corpo é de argila estou vivo e aceito o dia.
1 128
António Ramos Rosa
Quem Sabe Quem a Guia Através de Que Desvios
Quem sabe quem a guia através de que desvios
e que surpresas? Segue um traçado
que deveria conduzi-la ao ponto
de sentir-se ilimitada
Ela não decide nada neste momento
deixa-se levar enquanto corre o contínuo solo
do mundo Um modo não reflexivo
de participação Talvez não deixe
de nomear os acontecimentos que constroem o seu
itinerário Transições
Por mais longe que pareça de uma paisagem comum
há sempre silhuetas fachadas conhecidas
sobreposições pontos de referência
Estará ela no interior da sua história?
Não é ela o real antes da divisão
da consciência e do real? Ela busca reencontrar
uma parte sua visível e durável
e será a resposta parcial à pergunta
que formulei ao seu contacto.
Ela desvia-se sempre e detém-se em plena rua
é um sinal de assombro
uma unificação imediata e coerente
Mas o cansaço toma-a e ela afasta-se sempre
da sua história Não consegue jamais
captar a relação da sua existência
Por isso procura-se a si mesma continuamente
Quase sempre as suas palavras os seus actos
parecem convergir para uma unidade Mas logo
se descobrem sem tomar forma (será esquecimento
o esquecimento da sua fatalidade?)
Procura despertar para quem a compreender
Mas será sempre alheia aos outros
O que a determina talvez seja o desejo
da semelhança Mas para si mesma
é um enigma fugidio
que brilha e foge na transparência opaca
a surpresa viva entre todos os sinais
e que surpresas? Segue um traçado
que deveria conduzi-la ao ponto
de sentir-se ilimitada
Ela não decide nada neste momento
deixa-se levar enquanto corre o contínuo solo
do mundo Um modo não reflexivo
de participação Talvez não deixe
de nomear os acontecimentos que constroem o seu
itinerário Transições
Por mais longe que pareça de uma paisagem comum
há sempre silhuetas fachadas conhecidas
sobreposições pontos de referência
Estará ela no interior da sua história?
Não é ela o real antes da divisão
da consciência e do real? Ela busca reencontrar
uma parte sua visível e durável
e será a resposta parcial à pergunta
que formulei ao seu contacto.
Ela desvia-se sempre e detém-se em plena rua
é um sinal de assombro
uma unificação imediata e coerente
Mas o cansaço toma-a e ela afasta-se sempre
da sua história Não consegue jamais
captar a relação da sua existência
Por isso procura-se a si mesma continuamente
Quase sempre as suas palavras os seus actos
parecem convergir para uma unidade Mas logo
se descobrem sem tomar forma (será esquecimento
o esquecimento da sua fatalidade?)
Procura despertar para quem a compreender
Mas será sempre alheia aos outros
O que a determina talvez seja o desejo
da semelhança Mas para si mesma
é um enigma fugidio
que brilha e foge na transparência opaca
a surpresa viva entre todos os sinais
1 030
António Ramos Rosa
Mediadora do Não Lugar
Múltiplas vozes anulam-se
no branco. A visão não é
da vibração dos actos
mas de máscaras brancas
invioláveis. A perspectiva
muda por momentos. Súbitas
muralhas fulgurantes,
uma mão tão antiga como a terra.
De súbito enegrece
a paisagem do mar. Nenhum rosto
ou palavra
ascende da terra.
Apenas uma árvore solitária
e um fogo negro na espuma
enevoada. É o lugar da
disparidade e da cegueira.
A opressão é permanente,
as relações indiscerníveis.
no branco. A visão não é
da vibração dos actos
mas de máscaras brancas
invioláveis. A perspectiva
muda por momentos. Súbitas
muralhas fulgurantes,
uma mão tão antiga como a terra.
De súbito enegrece
a paisagem do mar. Nenhum rosto
ou palavra
ascende da terra.
Apenas uma árvore solitária
e um fogo negro na espuma
enevoada. É o lugar da
disparidade e da cegueira.
A opressão é permanente,
as relações indiscerníveis.
713
António Ramos Rosa
Mediadora Leve
De que suaves declives
ela desce, tão efémera
em sua fresca lucidez.
Imediata fluência
perfumada. Com um hálito
de espuma transparece
entre vertentes e vértices.
Não é mais que folha ou água.
Nada pesa e tudo queda
no seu círculo subtil:
cada vez mais leve o ar
entre a penumbra dos músculos.
Nada oculta sob as pedras
do vento. A claridade lisa.
O espaço escuta. Uma fábula
de calma profundidade.
Tão próxima sempre, aviva
o fulgor dos ângulos, o brilho
do pensamento das lâmpadas.
Rosa de um círculo latente.
Ninguém a espera e é esperada
no seu fluxo de inocência.
A densidade é mais leve.
Carne da luz e da alma.
Enquanto dura o seu estar
tudo é sossego e visão
ama-se a água na água.
Amam-se as veias da sombra.
ela desce, tão efémera
em sua fresca lucidez.
Imediata fluência
perfumada. Com um hálito
de espuma transparece
entre vertentes e vértices.
Não é mais que folha ou água.
Nada pesa e tudo queda
no seu círculo subtil:
cada vez mais leve o ar
entre a penumbra dos músculos.
Nada oculta sob as pedras
do vento. A claridade lisa.
O espaço escuta. Uma fábula
de calma profundidade.
Tão próxima sempre, aviva
o fulgor dos ângulos, o brilho
do pensamento das lâmpadas.
Rosa de um círculo latente.
Ninguém a espera e é esperada
no seu fluxo de inocência.
A densidade é mais leve.
Carne da luz e da alma.
Enquanto dura o seu estar
tudo é sossego e visão
ama-se a água na água.
Amam-se as veias da sombra.
1 120
António Ramos Rosa
Mediadora Leve
De que suaves declives
ela desce, tão efémera
em sua fresca lucidez.
Imediata fluência
perfumada. Com um hálito
de espuma transparece
entre vertentes e vértices.
Não é mais que folha ou água.
Nada pesa e tudo queda
no seu círculo subtil:
cada vez mais leve o ar
entre a penumbra dos músculos.
Nada oculta sob as pedras
do vento. A claridade lisa.
O espaço escuta. Uma fábula
de calma profundidade.
Tão próxima sempre, aviva
o fulgor dos ângulos, o brilho
do pensamento das lâmpadas.
Rosa de um círculo latente.
Ninguém a espera e é esperada
no seu fluxo de inocência.
A densidade é mais leve.
Carne da luz e da alma.
Enquanto dura o seu estar
tudo é sossego e visão
ama-se a água na água.
Amam-se as veias da sombra.
ela desce, tão efémera
em sua fresca lucidez.
Imediata fluência
perfumada. Com um hálito
de espuma transparece
entre vertentes e vértices.
Não é mais que folha ou água.
Nada pesa e tudo queda
no seu círculo subtil:
cada vez mais leve o ar
entre a penumbra dos músculos.
Nada oculta sob as pedras
do vento. A claridade lisa.
O espaço escuta. Uma fábula
de calma profundidade.
Tão próxima sempre, aviva
o fulgor dos ângulos, o brilho
do pensamento das lâmpadas.
Rosa de um círculo latente.
Ninguém a espera e é esperada
no seu fluxo de inocência.
A densidade é mais leve.
Carne da luz e da alma.
Enquanto dura o seu estar
tudo é sossego e visão
ama-se a água na água.
Amam-se as veias da sombra.
1 120
António Ramos Rosa
Mediadora do Princípio
Na primeira porta a primeira página.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
1 091
António Ramos Rosa
Mediadora do Princípio
Na primeira porta a primeira página.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
Respiram escadas numa elipse frágil.
A mão é cega. As sombras esvaziam-se.
Escreve-se na pele de um planeta incerto.
Urgência de sílabas e de lábios.
Urgência de um fulgor, de uma matéria lúcida.
Alegria limpa. Lábios, lábios
sem ecos nem sombras, puríssimos, actuais.
O coração ascende. O pulso de um rio
freme. A folhagem acende-se.
Areia e sangue. Pedras ou pássaros.
Palavras de uma áspera primavera.
1 091
António Ramos Rosa
Mediadora Iminente I
A que não vem não virá?
De súbito acesa. Como?
Sem nimbos e sem volume
num rumor enamorado.
Que silêncio de murmúrios,
que tremor de dedos finos!
Zona delgada no céu
de irredutível distância.
Ardente pausa submersa
translúcida. Amante
mas tão longínqua, dentro
da sua azul espessura.
Ó profunda, ó fugitiva,
em seu olvido parada,
em sua evidência oculta!
Como resplandece na sombra?
De súbito acesa. Como?
Sem nimbos e sem volume
num rumor enamorado.
Que silêncio de murmúrios,
que tremor de dedos finos!
Zona delgada no céu
de irredutível distância.
Ardente pausa submersa
translúcida. Amante
mas tão longínqua, dentro
da sua azul espessura.
Ó profunda, ó fugitiva,
em seu olvido parada,
em sua evidência oculta!
Como resplandece na sombra?
1 009
António Ramos Rosa
Mediadora Iminente I
A que não vem não virá?
De súbito acesa. Como?
Sem nimbos e sem volume
num rumor enamorado.
Que silêncio de murmúrios,
que tremor de dedos finos!
Zona delgada no céu
de irredutível distância.
Ardente pausa submersa
translúcida. Amante
mas tão longínqua, dentro
da sua azul espessura.
Ó profunda, ó fugitiva,
em seu olvido parada,
em sua evidência oculta!
Como resplandece na sombra?
De súbito acesa. Como?
Sem nimbos e sem volume
num rumor enamorado.
Que silêncio de murmúrios,
que tremor de dedos finos!
Zona delgada no céu
de irredutível distância.
Ardente pausa submersa
translúcida. Amante
mas tão longínqua, dentro
da sua azul espessura.
Ó profunda, ó fugitiva,
em seu olvido parada,
em sua evidência oculta!
Como resplandece na sombra?
1 009
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Viagem Sem Caminho
De um sim a outro sim, viaja sem caminho.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
Com desertos de sombra, irmã viva do mar.
Adormece embalada, desliza adormecida.
De reflexo em reflexo, divaga entre a folhagem.
Escrevo através do calor das suas veias.
Ninguém te cercou de muros nem de abismos.
Danças, quieta, no mais lúcido delírio.
O teu grande mistério são beijos, são palavras?
Saborosa mulher que te espojas nas dunas
e acaricias límpida o sono azul do céu.
É contigo que danço nas varandas do vento,
solitária e transparente, mais viva do que nós.
Abolida e intacta, velada e límpida
circulas de arco em arco em voluptuosa festa.
As palavras que dizes dançam dentro do sono.
968
António Ramos Rosa
Mediadora Branca
Inacessível próxima
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
966
António Ramos Rosa
Mediadora Branca
Inacessível próxima
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
966
António Ramos Rosa
Mediadora Branca
Inacessível próxima
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
sim do vagar e de um cimo
magia de sempre e nunca
água que nasce da água
Branco jardim na noite
um acorde entre ruínas
de novo a beleza branca
a transparência do corpo
Continuamente desnuda
azulada inalcançada
nada acumula ou retém
no seu redondo horizonte
Que mensageira tu és
que só o branco revelas
inundas como se nada
em teus relâmpagos brancos
Presença feita de ausência
do silêncio estrela branca
em ti permanece o idêntico
sem miragens nem figura
Solitária e povoada
glória imóvel vigília
branco palácio do ar
balança sobre o vazio
Quieta de sílabas altas
fonte do espaço presença
tudo se apaga e exalta
em tua branca morada
Uma água de distância
flui em tuas largas veias
Magia íntima música
pureza metal brancura
Na pausa de um grande círculo
transpareces repentina
centro de ser incêndio liso
viva palavra da vida
966
António Ramos Rosa
Qual É a Cena? Hesito À Luz Escassa
Qual é a cena? Hesito à luz escassa
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
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António Ramos Rosa
Qual É a Cena? Hesito À Luz Escassa
Qual é a cena? Hesito à luz escassa
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
Caminho para ela na distância
atravesso salas e salas
dispostas numa ordem regular
e decisiva
que não consigo definir Aqui
o espectáculo começou antes de mim
Quero tocá-la ou vê-la ou antes
quero-a quando ela deflagra
o meu andar é flexível: não desloco os objectos
Lenda ou narrativa vivi talvez o que em tempos me contaram
e o que escrevo agora Tudo se duplica
num movimento presente
As coisas não voltam para mim as faces cegas
e divididas
É um espaço que se move e desenvolve
Um sopro que vem de todos os lados
anima cada coisa
O meu desejo dela a distante figura
identifica-se
com o percurso obscuro em que já não me distingo
do ilimitado organismo dos sinais
Sou a diferença que caminha e que adere à distância
Cada palavra me separa e me diz o lugar
ou não lugar
em que vou falar-lhe É preciso que lhe fale
Ela não me vê e parece não me ouvir
Alguma vez caminhámos nesta cidade, nesta rede?
Alguma vez te perdeste com ela nesta rua?
O rumo repete-se mas desvia-se do passado
há uma recusa viva na sua face inabordável
Não é possível chegar Não é possível deter-me
É para o labirinto que falo e a linguagem responde-me
Assim posso entender o murmúrio das lâmpadas
cada palavra é um acto com que avanço no escuro
estou mais perto da terra de uma árvore de uma erva
e os meus dedos sentem as raízes do obscuro
Adiro a uma chama insubmissa ao sexo do repouso
o percurso é uma fábula o desesperado encanto
do para sempre perdido na maravilha obscura
Não há centro e a figura distancia-se
mas cada passo meu define uma distância solar
em que a figura dela por vezes é um canto
que se confunde com os meandros do labirinto
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