Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Completo No Ar
Quando surge, substância subtil em rotação
de oferta, abre-se no rumor um espaço de silêncio.
Ponto imóvel. Luz branca. Incandescência.
O alento esqueceu-se de si e prolonga-se na luz.
Completa no ar é a realidade do desejo.
São lábios, são sementes, são dedos sobre o pólen?
Aprendemos a leveza das pétalas, o peso dos insectos.
A visão move-se, a lentidão é beleza.
O pensamento despiu-se e flui como uma onda.
O corpo revela a sua frágil, líquida, obstinada
violência. As coisas vibram, nuas,
incandescentes. Todas as nuvens ardem
azuis, vermelhas, brancas. No centro está o diamante lúcido.
Tudo abstraio até onde começa a transparência.
O poema apaga as letras e depois respira-as.
de oferta, abre-se no rumor um espaço de silêncio.
Ponto imóvel. Luz branca. Incandescência.
O alento esqueceu-se de si e prolonga-se na luz.
Completa no ar é a realidade do desejo.
São lábios, são sementes, são dedos sobre o pólen?
Aprendemos a leveza das pétalas, o peso dos insectos.
A visão move-se, a lentidão é beleza.
O pensamento despiu-se e flui como uma onda.
O corpo revela a sua frágil, líquida, obstinada
violência. As coisas vibram, nuas,
incandescentes. Todas as nuvens ardem
azuis, vermelhas, brancas. No centro está o diamante lúcido.
Tudo abstraio até onde começa a transparência.
O poema apaga as letras e depois respira-as.
1 046
António Ramos Rosa
Completo No Ar
Quando surge, substância subtil em rotação
de oferta, abre-se no rumor um espaço de silêncio.
Ponto imóvel. Luz branca. Incandescência.
O alento esqueceu-se de si e prolonga-se na luz.
Completa no ar é a realidade do desejo.
São lábios, são sementes, são dedos sobre o pólen?
Aprendemos a leveza das pétalas, o peso dos insectos.
A visão move-se, a lentidão é beleza.
O pensamento despiu-se e flui como uma onda.
O corpo revela a sua frágil, líquida, obstinada
violência. As coisas vibram, nuas,
incandescentes. Todas as nuvens ardem
azuis, vermelhas, brancas. No centro está o diamante lúcido.
Tudo abstraio até onde começa a transparência.
O poema apaga as letras e depois respira-as.
de oferta, abre-se no rumor um espaço de silêncio.
Ponto imóvel. Luz branca. Incandescência.
O alento esqueceu-se de si e prolonga-se na luz.
Completa no ar é a realidade do desejo.
São lábios, são sementes, são dedos sobre o pólen?
Aprendemos a leveza das pétalas, o peso dos insectos.
A visão move-se, a lentidão é beleza.
O pensamento despiu-se e flui como uma onda.
O corpo revela a sua frágil, líquida, obstinada
violência. As coisas vibram, nuas,
incandescentes. Todas as nuvens ardem
azuis, vermelhas, brancas. No centro está o diamante lúcido.
Tudo abstraio até onde começa a transparência.
O poema apaga as letras e depois respira-as.
1 046
António Ramos Rosa
As Figuras do Espaço
Mais próximo de uma simples coisa diminuta.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
1 045
António Ramos Rosa
As Figuras do Espaço
Mais próximo de uma simples coisa diminuta.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
Um domínio interior de silêncio e frescura.
Vejo com nitidez os tímidos animais,
os pequenos buracos, as folhas vagarosas,
o ligeiro movimento da água nas veredas.
Na evidência da luz em sílabas aéreas
as formas naturais propagam o desejo.
O vento é um vagar, facilidade pura.
Estou numa onda serena e abraço todo o espaço.
Que raízes procuro, que obscura flor ainda?
O que nos diz a sombra, o que nos diz o silêncio?
São palavras aéreas? São as figuras do espaço
tranquilas e longínquas? Uma única boca para o vento,
uma sílaba clara, uma ressonância calma
em volúveis vogais na ausência dos caminhos.
1 045
António Ramos Rosa
Terraço de Alegria
Há um terraço de alegria onde desperta
o corpo do sono e onde se amplia
a substância do vento e a nua perfeição
de estar a uma mesa aberta ao horizonte
e em volta unânime a vegetal frescura.
Tudo apresenta campo ao corpo ardente
que em seus meandros busca o coração
do jogo cintilante e vivo. Uma estria
vinca-se ao ritmo da distância lúcida
que no centro se abre em transparência azul.
Inebriada a inteligência singra a superfície
em que se esquece e esquecendo-se respira
as pausas da residência imóvel da alegria
que habita como se fosse a história viva
que está suspensa e no entanto principia.
o corpo do sono e onde se amplia
a substância do vento e a nua perfeição
de estar a uma mesa aberta ao horizonte
e em volta unânime a vegetal frescura.
Tudo apresenta campo ao corpo ardente
que em seus meandros busca o coração
do jogo cintilante e vivo. Uma estria
vinca-se ao ritmo da distância lúcida
que no centro se abre em transparência azul.
Inebriada a inteligência singra a superfície
em que se esquece e esquecendo-se respira
as pausas da residência imóvel da alegria
que habita como se fosse a história viva
que está suspensa e no entanto principia.
1 060
António Ramos Rosa
O Corpo E a Leitura
É talvez o sopro do horizonte, talvez o vento
que abre a corola do ventre na leitura
em que a sombra canta. E repentinos
entre árvores e aromas de planetas,
num túmido tumulto os potros saltam.
A mão quase toca as hastes e as nervuras
de um país que aflora num deslumbramento.
Uma atenção de antenas mais subtil e livre
vai seguindo o canto em que se move o fundo
incandescente. De cada sombra líquida desenreda-se
o globo que é fogo e água e ar unificados.
A inumerável trama é todo o corpo aceso
que treme em cada linha. Os instrumentos
se desatam e erram e irradiam
em torno de uma falha ou de uma folha branca.
que abre a corola do ventre na leitura
em que a sombra canta. E repentinos
entre árvores e aromas de planetas,
num túmido tumulto os potros saltam.
A mão quase toca as hastes e as nervuras
de um país que aflora num deslumbramento.
Uma atenção de antenas mais subtil e livre
vai seguindo o canto em que se move o fundo
incandescente. De cada sombra líquida desenreda-se
o globo que é fogo e água e ar unificados.
A inumerável trama é todo o corpo aceso
que treme em cada linha. Os instrumentos
se desatam e erram e irradiam
em torno de uma falha ou de uma folha branca.
1 097
António Ramos Rosa
O Corpo E a Leitura
É talvez o sopro do horizonte, talvez o vento
que abre a corola do ventre na leitura
em que a sombra canta. E repentinos
entre árvores e aromas de planetas,
num túmido tumulto os potros saltam.
A mão quase toca as hastes e as nervuras
de um país que aflora num deslumbramento.
Uma atenção de antenas mais subtil e livre
vai seguindo o canto em que se move o fundo
incandescente. De cada sombra líquida desenreda-se
o globo que é fogo e água e ar unificados.
A inumerável trama é todo o corpo aceso
que treme em cada linha. Os instrumentos
se desatam e erram e irradiam
em torno de uma falha ou de uma folha branca.
que abre a corola do ventre na leitura
em que a sombra canta. E repentinos
entre árvores e aromas de planetas,
num túmido tumulto os potros saltam.
A mão quase toca as hastes e as nervuras
de um país que aflora num deslumbramento.
Uma atenção de antenas mais subtil e livre
vai seguindo o canto em que se move o fundo
incandescente. De cada sombra líquida desenreda-se
o globo que é fogo e água e ar unificados.
A inumerável trama é todo o corpo aceso
que treme em cada linha. Os instrumentos
se desatam e erram e irradiam
em torno de uma falha ou de uma folha branca.
1 097
António Ramos Rosa
No Centro da Aparência
Repousa no espaço de um olhar. O ar dança na rua.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
1 023
António Ramos Rosa
No Centro da Aparência
Repousa no espaço de um olhar. O ar dança na rua.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
1 023
António Ramos Rosa
No Centro da Aparência
Repousa no espaço de um olhar. O ar dança na rua.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
Sombras e ruídos. As árvores têm uma idade clara.
Vagarosa persistência, a alguns metros do solo.
O enigma está vivo no centro da aparência.
Uma criança designa o mar. Alguém traz uma folha.
Alguém compreende a sede de uma pedra?
Quem estuda a felicidade? Quem define um jardim?
Que linguagem é a do espaço? O que é o sal da sombra?
Esquecemos a linguagem do vento e do vazio.
Nunca houve um encontro. Quando será o início?
Vejo a folhagem e os frutos da distância.
Olho longamente até ao cimo da ternura.
Vivo na luz extrema em todas as direcções.
O pequeno e o grande conjugam-se, consagram-se.
Canto na luz suave e bebo o espaço.
1 023
António Ramos Rosa
O Corpo Desenhado
Talvez a linha se acenda e continue
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
967
António Ramos Rosa
O Corpo Desenhado
Talvez a linha se acenda e continue
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
967
António Ramos Rosa
O Corpo Desenhado
Talvez a linha se acenda e continue
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
967
António Ramos Rosa
O Corpo Desenhado
Talvez a linha se acenda e continue
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
ondeando a página e sendo nós só margem
de um domínio onde fulge a inocência,
talvez se revele a transparência inicial
em que a luz de estar a ver seja a palavra mesma.
Vêm figuras que se espraiam e crescem
até serem apenas ondulada memória.
Adensam-se outros corpos e enterram-se no fogo.
As linhas enovelam-se num delírio exacto.
A alegria ilumina penumbras de volumes.
Em tensos membros lúcidos e redondos
move-se o desenhado corpo ligeiro
e lento. Aumenta a densidade até ao centro
de um deus que diz o esplendor silencioso.
Ou só o ar ondeia num planalto de vento.
967
António Ramos Rosa
O Que Designa o Desejo
O que designa o desejo, os primeiros dedos da água,
as colinas redondas, o orvalho sobre o seio,
alguma vespa febril, esguias formas nuas,
um animal, uma onda ou sucessivas ondas
de esfera em esfera e em espiral subindo.
Terrível turbilhão, prodigiosa dança
em que a energia se expande em oceanos de espaço
e os relâmpagos são lábios ou folhas que se alongam.
Que ligeira espuma nos dentes, que brisas tão marinhas,
que oscilantes planetas, que perfeitas carícias!
O ardor da terra canta a capacidade de estrela.
Palavras, mas só redondas pedras, corolas
de sangue, lâminas, ombros, garganta,
veias. Os cavalos remotos libertaram-se.
São longos os campos de seda acariciados.
as colinas redondas, o orvalho sobre o seio,
alguma vespa febril, esguias formas nuas,
um animal, uma onda ou sucessivas ondas
de esfera em esfera e em espiral subindo.
Terrível turbilhão, prodigiosa dança
em que a energia se expande em oceanos de espaço
e os relâmpagos são lábios ou folhas que se alongam.
Que ligeira espuma nos dentes, que brisas tão marinhas,
que oscilantes planetas, que perfeitas carícias!
O ardor da terra canta a capacidade de estrela.
Palavras, mas só redondas pedras, corolas
de sangue, lâminas, ombros, garganta,
veias. Os cavalos remotos libertaram-se.
São longos os campos de seda acariciados.
1 012
António Ramos Rosa
O Que Designa o Desejo
O que designa o desejo, os primeiros dedos da água,
as colinas redondas, o orvalho sobre o seio,
alguma vespa febril, esguias formas nuas,
um animal, uma onda ou sucessivas ondas
de esfera em esfera e em espiral subindo.
Terrível turbilhão, prodigiosa dança
em que a energia se expande em oceanos de espaço
e os relâmpagos são lábios ou folhas que se alongam.
Que ligeira espuma nos dentes, que brisas tão marinhas,
que oscilantes planetas, que perfeitas carícias!
O ardor da terra canta a capacidade de estrela.
Palavras, mas só redondas pedras, corolas
de sangue, lâminas, ombros, garganta,
veias. Os cavalos remotos libertaram-se.
São longos os campos de seda acariciados.
as colinas redondas, o orvalho sobre o seio,
alguma vespa febril, esguias formas nuas,
um animal, uma onda ou sucessivas ondas
de esfera em esfera e em espiral subindo.
Terrível turbilhão, prodigiosa dança
em que a energia se expande em oceanos de espaço
e os relâmpagos são lábios ou folhas que se alongam.
Que ligeira espuma nos dentes, que brisas tão marinhas,
que oscilantes planetas, que perfeitas carícias!
O ardor da terra canta a capacidade de estrela.
Palavras, mas só redondas pedras, corolas
de sangue, lâminas, ombros, garganta,
veias. Os cavalos remotos libertaram-se.
São longos os campos de seda acariciados.
1 012
António Ramos Rosa
Mediadora do Silêncio
Onde o incandescente
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
993
António Ramos Rosa
Mediadora do Silêncio
Onde o incandescente
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
993
António Ramos Rosa
Mediadora do Silêncio
Onde o incandescente
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
centro das flores?
Entre margens de água
onde a alma se encurva?
Voz próxima do chão
onde estremecem palavras
na indivisa espera
de um vinho negro.
Respiram minuciosas
entre detritos verdes
e lâmpadas quebradas.
Não dizem a palavra.
Calar, calar talvez.
Querer dizer é demais.
993
António Ramos Rosa
Mediadora Irrevelada
Descalça e fulgurante
passageira das sombras.
Lâmpada sonâmbula
interrompendo as águas.
Não pousam pássaros
nos seus ombros escuros.
Corpo ainda aéreo
opaco e cristalino.
Não música nem pintura.
Eclipse do espelho.
Silenciosa energia
de um voo irrevelado.
passageira das sombras.
Lâmpada sonâmbula
interrompendo as águas.
Não pousam pássaros
nos seus ombros escuros.
Corpo ainda aéreo
opaco e cristalino.
Não música nem pintura.
Eclipse do espelho.
Silenciosa energia
de um voo irrevelado.
1 110
António Ramos Rosa
Mediadora Irrevelada
Descalça e fulgurante
passageira das sombras.
Lâmpada sonâmbula
interrompendo as águas.
Não pousam pássaros
nos seus ombros escuros.
Corpo ainda aéreo
opaco e cristalino.
Não música nem pintura.
Eclipse do espelho.
Silenciosa energia
de um voo irrevelado.
passageira das sombras.
Lâmpada sonâmbula
interrompendo as águas.
Não pousam pássaros
nos seus ombros escuros.
Corpo ainda aéreo
opaco e cristalino.
Não música nem pintura.
Eclipse do espelho.
Silenciosa energia
de um voo irrevelado.
1 110
António Ramos Rosa
Figuras
Delícia dos movimentos calmos, ecos
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
1 199
António Ramos Rosa
Figuras
Delícia dos movimentos calmos, ecos
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
1 199
António Ramos Rosa
Figuras
Delícia dos movimentos calmos, ecos
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
talvez de um sonho, mas figuras tão vivas
com as suas espáduas largas e vazias.
Corpos sem sombras entre a chama e o vento.
Adormecem no ar, navegam sem navios.
Não vivem no mar mas na ausência que é o mar
quando a palavra o diz. Não estão no bosque
mas na folha que escrevo. Chega a noite das árvores
em que eles são no silêncio uma folhagem de olhos.
Não murmuram sequer, na mais pura cadência.
Escrevo a lentidão das figuras serenas
que respiram na tranquila nitidez aérea.
Os nomes dão-lhes vida sem caminhos prévios.
No vazio do desejo se acende o seu fulgor.
Estão no nosso estar de campos sossegados.
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