Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Até À Pedra Que
Até à pedra que
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
555
António Ramos Rosa
Até À Pedra Que
Até à pedra que
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
resvala
na terra e no silêncio
o espaço obscuro estranho
e algo cintilando lá no fundo
nada se diz
porque se vê
não sei o quê ou só o escuro azul
555
António Ramos Rosa
Olhar Sem Olhar
Em qualquer parte, talvez, uma palavra arde. Um acto do universo, não uma palavra, mas uma palavra ainda: a chuva cai sobre as cores, lava os pórticos, refresca os deuses. O que me atrai são os confusos indícios de uma prosa marinha, os fluxos, os matizes, as pausas, as minúcias de uma música que se esvai ao mesmo tempo que se abate sobre a muralha a grande ressaca de uma outra escrita ou contra-escrita. Quero seguir o bulício mais vivo de uma outra cidade que nunca vi. As manchas das casas revelariam as relações que só se distinguem nos indefiníveis intervalos em que a morte de súbito se extingue e um rosto intacto se entremostra. Há uma limpidez exacta e uma vivacidade mate nos murmúrios e nas cenas, nas sombras e surpresas. Então, num impulso de atenção outra, cega e vidente, a mão levanta-se e compreende o intenso e inenarrável momento de aliança completa entre o corpo e a terra, entre as sombras e a claridade.
1 047
António Ramos Rosa
Olhar Sem Olhar
Em qualquer parte, talvez, uma palavra arde. Um acto do universo, não uma palavra, mas uma palavra ainda: a chuva cai sobre as cores, lava os pórticos, refresca os deuses. O que me atrai são os confusos indícios de uma prosa marinha, os fluxos, os matizes, as pausas, as minúcias de uma música que se esvai ao mesmo tempo que se abate sobre a muralha a grande ressaca de uma outra escrita ou contra-escrita. Quero seguir o bulício mais vivo de uma outra cidade que nunca vi. As manchas das casas revelariam as relações que só se distinguem nos indefiníveis intervalos em que a morte de súbito se extingue e um rosto intacto se entremostra. Há uma limpidez exacta e uma vivacidade mate nos murmúrios e nas cenas, nas sombras e surpresas. Então, num impulso de atenção outra, cega e vidente, a mão levanta-se e compreende o intenso e inenarrável momento de aliança completa entre o corpo e a terra, entre as sombras e a claridade.
1 047
António Ramos Rosa
Olhar Sem Olhar
Em qualquer parte, talvez, uma palavra arde. Um acto do universo, não uma palavra, mas uma palavra ainda: a chuva cai sobre as cores, lava os pórticos, refresca os deuses. O que me atrai são os confusos indícios de uma prosa marinha, os fluxos, os matizes, as pausas, as minúcias de uma música que se esvai ao mesmo tempo que se abate sobre a muralha a grande ressaca de uma outra escrita ou contra-escrita. Quero seguir o bulício mais vivo de uma outra cidade que nunca vi. As manchas das casas revelariam as relações que só se distinguem nos indefiníveis intervalos em que a morte de súbito se extingue e um rosto intacto se entremostra. Há uma limpidez exacta e uma vivacidade mate nos murmúrios e nas cenas, nas sombras e surpresas. Então, num impulso de atenção outra, cega e vidente, a mão levanta-se e compreende o intenso e inenarrável momento de aliança completa entre o corpo e a terra, entre as sombras e a claridade.
1 047
António Ramos Rosa
Oscilação No Branco
A oscilação quase, quase pressentida, de um vocábulo ou de uma lâmpada branca. Mas o que oscila, invisível (quase?) não é palavra nem objecto. Poderá ser para um efeito poético uma nuvem ou uma sombra. Não é nada. Nem sequer oscila. Quem escreve sente a matéria gráfica e o branco da superfície da página. O que se passa? Alguém expira. O silêncio é feito da sufocação de uma impossível agonia. Ao sol. Na plenitude do sol. Na plenitude do branco. O que, talvez, oscile será o sentido absoluto de que livro, de que estranha estranheza e ilegível livro? Nenhuma frase pode corresponder à agonia dos que já não podem morrer e sucumbem infindavelmente na sua impossível morte. Nenhuma frase, nenhuma palavra… mas a brancura do sentido que a um tempo corrói e exalta os vocábulos, não é para a definitiva nudez que aponta sem que no entanto a possa alguma vez dizer?
1 125
António Ramos Rosa
Oscilação No Branco
A oscilação quase, quase pressentida, de um vocábulo ou de uma lâmpada branca. Mas o que oscila, invisível (quase?) não é palavra nem objecto. Poderá ser para um efeito poético uma nuvem ou uma sombra. Não é nada. Nem sequer oscila. Quem escreve sente a matéria gráfica e o branco da superfície da página. O que se passa? Alguém expira. O silêncio é feito da sufocação de uma impossível agonia. Ao sol. Na plenitude do sol. Na plenitude do branco. O que, talvez, oscile será o sentido absoluto de que livro, de que estranha estranheza e ilegível livro? Nenhuma frase pode corresponder à agonia dos que já não podem morrer e sucumbem infindavelmente na sua impossível morte. Nenhuma frase, nenhuma palavra… mas a brancura do sentido que a um tempo corrói e exalta os vocábulos, não é para a definitiva nudez que aponta sem que no entanto a possa alguma vez dizer?
1 125
António Ramos Rosa
Oscilação No Branco
A oscilação quase, quase pressentida, de um vocábulo ou de uma lâmpada branca. Mas o que oscila, invisível (quase?) não é palavra nem objecto. Poderá ser para um efeito poético uma nuvem ou uma sombra. Não é nada. Nem sequer oscila. Quem escreve sente a matéria gráfica e o branco da superfície da página. O que se passa? Alguém expira. O silêncio é feito da sufocação de uma impossível agonia. Ao sol. Na plenitude do sol. Na plenitude do branco. O que, talvez, oscile será o sentido absoluto de que livro, de que estranha estranheza e ilegível livro? Nenhuma frase pode corresponder à agonia dos que já não podem morrer e sucumbem infindavelmente na sua impossível morte. Nenhuma frase, nenhuma palavra… mas a brancura do sentido que a um tempo corrói e exalta os vocábulos, não é para a definitiva nudez que aponta sem que no entanto a possa alguma vez dizer?
1 125
António Ramos Rosa
O Deus Dos Teus Dedos
Repara, o teu deus não é mais que o deus dos teus dedos, o silêncio da tua mão nua.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
1 120
António Ramos Rosa
O Deus Dos Teus Dedos
Repara, o teu deus não é mais que o deus dos teus dedos, o silêncio da tua mão nua.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
1 120
António Ramos Rosa
O Deus Dos Teus Dedos
Repara, o teu deus não é mais que o deus dos teus dedos, o silêncio da tua mão nua.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
A impossível brancura.
Tu caminhas e segredas.
O que desejas, para passar a noite, é encontrar um pobre caminho de cabras, uma vereda de pedras solitária.
Tu persistes e insistes, como se a distância se abrisse luminosa e ao mesmo tempo fosse a secreta sombra dos vocábulos.
O que te separa das mãos e dos ombros, o que mais te dói sem o saberes, é a separação da ferida que a palavra abre e renova em cada sílaba.
O murmúrio do branco combina-se com o murmúrio da sombra e assim se forma uma penumbra das mãos, esse silencioso vagar do silêncio do sol.
Mas há uma urgência do grito que é urgência da vida. Tudo se constrói em torno da ferida.
A tua mão corre à procura da mão que se forma, a mão viva que é mais do que uma chave e do que uma porta.
Tudo o que escreves nasce do campo móvel e branco da página. É essa a tua morte, o secreto vazio que desnuda, que deixa a ferida aberta em cada sílaba.
Se uma boca ou uma mão se desenha neste rectângulo de água, és tu e eu que se tocam, se interpenetram e mutuamente se dessedentam.
Todo o encontro é a dicção de um silêncio.
1 120
António Ramos Rosa
A (I)Legibilidade do Livro
O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
1 027
António Ramos Rosa
A (I)Legibilidade do Livro
O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
1 027
António Ramos Rosa
A (I)Legibilidade do Livro
O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
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António Ramos Rosa
A (I)Legibilidade do Livro
O livro está aberto e há demasiada luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
Tudo o que tu escreves está contido nesse livro de letras brancas como a tua morte.
Será possível ler o sol e o silêncio desse livro branco eternamente branco e silencioso?
Como conter a ávida necessidade de devorá-lo como se o livro pudesse matar-nos a irredutível fome de uma linguagem legível e luminosa?
Estamos perante a impossibilidade de ler por um excesso de luz que é a um tempo a nossa morte e a improvável possibilidade de escrever o que não vemos, de ler o que não lemos.
Devoramos o livro e com os olhos cegos de brancura transformamos a impossível leitura na escrita de uns signos imediatos que nos devolvem a linguagem da luz apagada pela luz.
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António Ramos Rosa
A Partir do Deserto
Abre-se o espaço uma corola se abre
a partir do deserto
um silêncio se apaga outro silêncio de água
Desce a dançarina exacta
até ao extremo da brancura
A noite é verde
na distância dos cabelos
Nenhuma imagem subsiste
Nenhuma gota de sangue
O sol repousa numa obscura nuvem
Absoluta a suavidade sem espera
um aroma sem aroma
o silêncio entre os corpos
a partir do deserto
um silêncio se apaga outro silêncio de água
Desce a dançarina exacta
até ao extremo da brancura
A noite é verde
na distância dos cabelos
Nenhuma imagem subsiste
Nenhuma gota de sangue
O sol repousa numa obscura nuvem
Absoluta a suavidade sem espera
um aroma sem aroma
o silêncio entre os corpos
1 090
António Ramos Rosa
A Partir do Deserto
Abre-se o espaço uma corola se abre
a partir do deserto
um silêncio se apaga outro silêncio de água
Desce a dançarina exacta
até ao extremo da brancura
A noite é verde
na distância dos cabelos
Nenhuma imagem subsiste
Nenhuma gota de sangue
O sol repousa numa obscura nuvem
Absoluta a suavidade sem espera
um aroma sem aroma
o silêncio entre os corpos
a partir do deserto
um silêncio se apaga outro silêncio de água
Desce a dançarina exacta
até ao extremo da brancura
A noite é verde
na distância dos cabelos
Nenhuma imagem subsiste
Nenhuma gota de sangue
O sol repousa numa obscura nuvem
Absoluta a suavidade sem espera
um aroma sem aroma
o silêncio entre os corpos
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António Ramos Rosa
A Diferença Desejada, a Página Prometida
Como que uma obrigação de renascer, de respirar. Algures, aqui, além, a sombra da frescura…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
1 108
António Ramos Rosa
A Diferença Desejada, a Página Prometida
Como que uma obrigação de renascer, de respirar. Algures, aqui, além, a sombra da frescura…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
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António Ramos Rosa
A Diferença Desejada, a Página Prometida
Como que uma obrigação de renascer, de respirar. Algures, aqui, além, a sombra da frescura…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
Tu escreves, percorres a igualdade da página, a sua inenarrável brancura. Qual a experiência que em parte se dissimula, oculta pelo visível-invisível véu da superfície insondavelmente branca?
Um animal de luz, um animal de sombra?
Tu não podes dizer ainda o teu nome. Tens de defender-te pelo risco, pela audácia, pela minuciosa avaliação que te conduzirá à diferença desejada, à página prometida.
O arco de aliança não é o arco de amanhã. Desviaste-te da estrada principal e procuras a disseminação do solo onde todos os caminhos conduzem aos caminhos que se perdem.
Essa, a tua perda, o teu risco, a possibilidade do renovo.
Há um tremor nas tuas mãos, és tu que tremes, não as palavras como fugidios desenhos, como lábios de uma ferida viva.
As palavras são sempre demasiado rígidas ou fluidas. O traço nunca é diáfano ou transparente.
Escreve-se sempre com as mãos nuas mas a nudez e a transparência da página é que permitem a penetração no obscuro, a revelação do invisível.
Quando todos os vocábulos são de água e de ar e terra e fogo…
1 108
António Ramos Rosa
Limiar Ou o Silêncio
Limiar ou o silêncio
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
1 099
António Ramos Rosa
Limiar Ou o Silêncio
Limiar ou o silêncio
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
1 099
António Ramos Rosa
Ruptura/Continuidade
Cansei-me não das palavras, nem da vida, cansei-me. Cansei-me da linguagem, não do real. Cansei-me da realidade, não da linguagem. Nunca me cansei, nunca pude cansar-me na (da) realidade. Impossível ter-me cansado se nunca caminhei sobre a língua, sobre a lande, sobre a glande. Que digo eu, que diz a linguagem? Diz a língua urgente, a beleza urgente a pique, a orientação viva? Que é o poema, que é a língua? Perguntas só por perguntar ou porque não há respostas, não há caminho, não há cama, não há coma? O que há é linguagem, é a visão de um ininteligível fragmento do real. Tu viajaste. Nunca saíste do teu quarto. Nunca viajaste no teu quarto. Ignoras o espaço, o eros do espaço. Ignoras o espaço. A linguagem apresenta-te, representa-te a árvore, a pedra, a água, o linho e a seda de um corpo, o rictus da máscara, o ritmo do real inatingível. A linguagem é um corpo vivo, mas também é eloquência, grandiloquência, verbo inflado, empolamento de útero sem nascimento, válvula de hemorragias. Cansaste-te não do sémen nem da disseminação (da utopia) da linguagem, mas das suas versões eloquentes, demasiado belas para poderem corresponder ao (quase) imperceptível murmúrio da realidade? A realidade é linguagem, a linguagem é realidade? Porque te emaranhas nos círculos do inferno cerebral? Não é a realidade que procuras, a realidade natural, a realidade animal, a realidade sensual? Sai, se puderes, deste poema vicioso, abre a janela (abre-a, se puderes) abre e respira. Respira a linguagem (do real), respira o poema (real), não, não podes respirar sem a linguagem, não podes abrir a janela sem romperes o cordão que te liga ao umbigo deste poema fétido que se cerra e que se abre mas que não é como uma pálpebra nem como um lábio, que não é nada, nada, nada, pois nem é um grito, nem uma gruta, nem uma trave, nem uma pedra. A linguagem desdiz tudo o que diz e desdizendo diz. É preciso apagar este poema, enterrá-lo na areia como um animal e que dele reste só a areia redemoinhando acima do focinho que tenta a sufocada respiração. Acima da respiração. A linguagem que respira é o verbo da erva, a palavra verde que murmura e nada diz se diz o nada, o imperceptível sorriso das coisas que não choraram, a alacridade eterna ( efémera) de uma chama, de um espaço, de um corpo.
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