Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Uma Terra Que É Um Nome
Uma terra que é um nome
de terra
uma terra de um nome
fora do nome
uma terra
sob a terra
de terra
uma terra de um nome
fora do nome
uma terra
sob a terra
513
António Ramos Rosa
84. a Incerteza E a Certeza Dessa Escrita
84
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
1 012
António Ramos Rosa
84. a Incerteza E a Certeza Dessa Escrita
84
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
1 012
António Ramos Rosa
84. a Incerteza E a Certeza Dessa Escrita
84
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
A incerteza e a certeza dessa escrita
não filha de um futuro
na folha chamamento
dilacerante e no entanto mudo.
E que incerta insistência, fogo vago
sobre casas desertas, sobre quartos
de insectos
quanta inércia quantas pálpebras
caídas e a sombra
de um só corpo se existisse
a dúvida criando este suporte.
1 012
António Ramos Rosa
61. Um Desafio Não Sei de Que Cor: Vermelha?
61
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
514
António Ramos Rosa
61. Um Desafio Não Sei de Que Cor: Vermelha?
61
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
514
António Ramos Rosa
Uma Falha Entre
Uma falha entre
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
990
António Ramos Rosa
Uma Falha Entre
Uma falha entre
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
990
António Ramos Rosa
Uma Falha Entre
Uma falha entre
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
duas pedras
a folhagem entre as pálpebras acesas
a moeda de fogo música de dedos sóbrios
o caminho mas
sem caminho: círculo de lâmpadas
o texto o texto único raiz
do pulso
lápis de sombra
raiz do lápis na montanha
990
António Ramos Rosa
O Anel do Insecto Luxúria Mínima
O anel do insecto luxúria mínima
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
1 060
António Ramos Rosa
O Anel do Insecto Luxúria Mínima
O anel do insecto luxúria mínima
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
1 060
António Ramos Rosa
O Anel do Insecto Luxúria Mínima
O anel do insecto luxúria mínima
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
1 060
António Ramos Rosa
O Anel do Insecto Luxúria Mínima
O anel do insecto luxúria mínima
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
do poema os dentes descerrados à frescura do vento
a figura viva em fragmentos na fragrância verde
as sílabas o sol das sílabas sob as sílabas
a pedra escrita
entre a pedra e o silêncio
do nascimento
último
água ó minha mão na terra
1 060
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 104
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 104
António Ramos Rosa
83. o Pulso Activo. a Água Dos Insectos
83
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
O pulso activo. A água dos insectos
abertura e queda noutro poema visto
e fogo oculto solicitando a pedra
a queda de uma cor talvez vermelha.
O corpo sob a nuvem, o pulso activo,
o corpo descoberto sob o lençol da pedra
com os lábios devorando os lábios livres
e com a água de um ventre harmonioso.
E o ser translúcido sob o pulso activo
o ser da queda na abertura viva
a terra descoberta na transparência da água.
1 060
António Ramos Rosa
Que Importam Estas Pálpebras Na Cerração
Que importam estas pálpebras na cerração
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
da terra
um olho dilacerado vê a nudez de um corpo
obstinada desordem dos membros dissolvidos
o latejante trajecto da obscura mão
atinge o vazio de um centro o limite vivo
boca na árvore
iluminado seio caminho
do pulso
527
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 101
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 101
António Ramos Rosa
Dói-Me Uma Noite de Terra Sobre a Fronte
Dói-me uma noite de terra sobre a fronte
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
mínimo coral nocturno suspensão presente
— promontório
sem a memória das imagens
no círculo
dos derradeiros insectos
1 004
António Ramos Rosa
71. Eis a Frescura No Côncavo Das Pedras
71
Eis a frescura no côncavo das pedras
e a fábula dos insectos na folhagem
eis o sinal da manhã e a invenção
da mão na água e o sopro subtil.
Tudo isto eu saberia, eu vou saber, eu sei
porque não sei na procura dos sinais
a maravilha no limiar das formas
em que aprendo a ser o que já sou.
Eu aprenderei a partir sem conhecer
para onde vou nem olharei atrás
eu aprenderei que o presente é o presente.
Eis a frescura no côncavo das pedras
e a fábula dos insectos na folhagem
eis o sinal da manhã e a invenção
da mão na água e o sopro subtil.
Tudo isto eu saberia, eu vou saber, eu sei
porque não sei na procura dos sinais
a maravilha no limiar das formas
em que aprendo a ser o que já sou.
Eu aprenderei a partir sem conhecer
para onde vou nem olharei atrás
eu aprenderei que o presente é o presente.
1 051
António Ramos Rosa
71. Eis a Frescura No Côncavo Das Pedras
71
Eis a frescura no côncavo das pedras
e a fábula dos insectos na folhagem
eis o sinal da manhã e a invenção
da mão na água e o sopro subtil.
Tudo isto eu saberia, eu vou saber, eu sei
porque não sei na procura dos sinais
a maravilha no limiar das formas
em que aprendo a ser o que já sou.
Eu aprenderei a partir sem conhecer
para onde vou nem olharei atrás
eu aprenderei que o presente é o presente.
Eis a frescura no côncavo das pedras
e a fábula dos insectos na folhagem
eis o sinal da manhã e a invenção
da mão na água e o sopro subtil.
Tudo isto eu saberia, eu vou saber, eu sei
porque não sei na procura dos sinais
a maravilha no limiar das formas
em que aprendo a ser o que já sou.
Eu aprenderei a partir sem conhecer
para onde vou nem olharei atrás
eu aprenderei que o presente é o presente.
1 051