Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Inexplicável Para Não Explicar
Inexplicável para não explicar
saborear na língua a virulência
de uma circulação
de um influxo
Ligeiros jogos na aparência
mas o trabalho sempre do arado
o rosto exposto
à incessante ressaca
da terra
Material e método de uma experiência
a vida aberta gasta
até à transparência
aqui e além de uma palavra
Corpo e língua acesos
pela mesma obscura deflagração
saborear na língua a virulência
de uma circulação
de um influxo
Ligeiros jogos na aparência
mas o trabalho sempre do arado
o rosto exposto
à incessante ressaca
da terra
Material e método de uma experiência
a vida aberta gasta
até à transparência
aqui e além de uma palavra
Corpo e língua acesos
pela mesma obscura deflagração
908
António Ramos Rosa
Talvez Cante Um Pássaro E o Céu Talvez Seja Na Aparente
Talvez cante um pássaro e o céu talvez seja na aparente
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
1 097
António Ramos Rosa
Talvez Cante Um Pássaro E o Céu Talvez Seja Na Aparente
Talvez cante um pássaro e o céu talvez seja na aparente
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
tranquilidade um liso tecido
Mas não se sabe como nomeá-lo indefinido vago
móvel sem as formas nítidas através do vidro
Talvez seja mais tarde o céu de novo em seus
pedaços ou o que através da palavra se mudou num
tecto imponderável
1 097
António Ramos Rosa
O Fogo Sob Os Passos Vibra Verde
O fogo sob os passos vibra verde
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
1 162
António Ramos Rosa
O Fogo Sob Os Passos Vibra Verde
O fogo sob os passos vibra verde
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
sem o caminho exacto
A clareira é um lugar em que se está
O centro verdadeiro ou simulacro
imponderável
A aragem nas vértebras
O fogo dos pulsos
O inacessível tronco ardendo no quadrado
E um outro quadro com as folhas e o espaço
ditos não pela boca mas inscritos
na nulidade do vento e na nudez da escrita
1 162
António Ramos Rosa
Dançam Mas Não Na Praia Dançam Apenas Não Se Sabe
Dançam mas não na praia Dançam apenas não se sabe
o quê numa orla nocturna móvel Deserto na praia A
terra perdeu todos os sinais As únicas referências
são as do jogo Um obscuro combate para quê?
O que roçam os dedos ou o que eles segregam é um
muro de névoa ou uma muralha de astros
o quê numa orla nocturna móvel Deserto na praia A
terra perdeu todos os sinais As únicas referências
são as do jogo Um obscuro combate para quê?
O que roçam os dedos ou o que eles segregam é um
muro de névoa ou uma muralha de astros
1 040
António Ramos Rosa
Acende-Se Algo Na Garganta
Acende-se algo na garganta
A língua distensa ainda verde
dirá talvez o odor da tempestade
e o silvo terrífico nas chaminés
Mas o que está a arder tão baixo
é quase imperceptível
quase nulo
como este voo raso sobre o vazio
A língua distensa ainda verde
dirá talvez o odor da tempestade
e o silvo terrífico nas chaminés
Mas o que está a arder tão baixo
é quase imperceptível
quase nulo
como este voo raso sobre o vazio
1 004
António Ramos Rosa
Algo Se Duplica
Algo se duplica
e inclina-se
refracta-se
num novo espaço em que se recompõe
Vertigem densa angústia do não igual de um outro qual?
O acaso decisivo
e o gesto imprevisível
negam ao espaço a multidão de imagens
e inclina-se
refracta-se
num novo espaço em que se recompõe
Vertigem densa angústia do não igual de um outro qual?
O acaso decisivo
e o gesto imprevisível
negam ao espaço a multidão de imagens
995
António Ramos Rosa
O Duelo de Um Braço
O duelo de um braço
lutando pelo contrário
no seu duplo ou duo
branco ou negro ou negro e branco
forma do obscuro
e nu
e nulo
lutando pelo contrário
no seu duplo ou duo
branco ou negro ou negro e branco
forma do obscuro
e nu
e nulo
1 200
António Ramos Rosa
Limiar Ou o Silêncio
Limiar ou o silêncio
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
1 109
António Ramos Rosa
Limiar Ou o Silêncio
Limiar ou o silêncio
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
de um corpo obscuro e branco
As hastes vivas
envolvem-no na clareira
em que a sua nudez promete o nome
A fenda escura e verde
em que desliza a mão
sem atingir o inseparável ou o núcleo
Imagens múltiplas
até que os limites se conjuguem
no novo corpo ou na palavra
que o transpõe
1 109
António Ramos Rosa
O Desejo a Surpresa
O desejo A surpresa
Ou a maravilha
Não pela igual imagem
mas destroçando-a
Resíduos só ou a passagem dos sinais
que dizem a passagem
do que será
se for o contacto imprevisível
do obscuro
inacessível corpo em outro corpo vivo
Ou a maravilha
Não pela igual imagem
mas destroçando-a
Resíduos só ou a passagem dos sinais
que dizem a passagem
do que será
se for o contacto imprevisível
do obscuro
inacessível corpo em outro corpo vivo
1 065
António Ramos Rosa
Não Deusas Habitam Este Átrio
Não deusas habitam este átrio
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
1 012
António Ramos Rosa
Não Deusas Habitam Este Átrio
Não deusas habitam este átrio
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
onde alguém tocaria uma flauta
No meio da rua está uma pedra verde
A tranquilidade é suave mas incita
a uma inquieta procura Já não vejo
a montanha na altura escrevo
na rarefacção do texto inexorável
Os nomes? Que dizer se a trave obscura
se não vê ou os passos já se perdem
A terra espera a paciência de algum nome
1 012
António Ramos Rosa
Mais do Que Um Rosto Um Espaço
Mais do que um rosto um espaço
multiplicado e branco para o desejo ou o obscuro
A palavra que o disser dissolver-se-á
dissolvê-lo-á
na brancura doutra
Outro desejo e o mesmo
na palavra nua
de um alento
e na surpresa nua
multiplicado e branco para o desejo ou o obscuro
A palavra que o disser dissolver-se-á
dissolvê-lo-á
na brancura doutra
Outro desejo e o mesmo
na palavra nua
de um alento
e na surpresa nua
1 153
António Ramos Rosa
Verde a Lentidão
Verde A lentidão
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
1 170
António Ramos Rosa
Verde a Lentidão
Verde A lentidão
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
1 170
António Ramos Rosa
Verde a Lentidão
Verde A lentidão
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
da curva
A anca surge branca
A forma vive na folhagem o seu dia
Nuvem cintilante ou forma
sobre forma
Surpresa dita ou por dizer
um outro sempre
É preciso cingi-lo
inventar-lhe os limites
à superfície branca
Aqui quando se diz
1 170
António Ramos Rosa
As Coisas Que Olhamos São Às Vezes Olhares
As coisas que olhamos são às vezes olhares
rostos Figuras da matéria
Como as estátuas nos antigos templos
Elas abrem os olhos as portas do olhar
O olhar é uma chave é esta chave
Avanço até à beira ainda visível
As pedras existem Existe esta montanha
São olhares também mas que se apagam já
Eu sei que assim me perco e tudo perco
se não souber arquitectar o fogo
desta matéria nova do rectângulo
rostos Figuras da matéria
Como as estátuas nos antigos templos
Elas abrem os olhos as portas do olhar
O olhar é uma chave é esta chave
Avanço até à beira ainda visível
As pedras existem Existe esta montanha
São olhares também mas que se apagam já
Eu sei que assim me perco e tudo perco
se não souber arquitectar o fogo
desta matéria nova do rectângulo
1 130
António Ramos Rosa
Escrever a Um Outro Nível de Crescimentos Simples De
Escrever a um outro nível de crescimentos simples de
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
933
António Ramos Rosa
Escrever a Um Outro Nível de Crescimentos Simples De
Escrever a um outro nível de crescimentos simples de
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
933
António Ramos Rosa
Escrever a Um Outro Nível de Crescimentos Simples De
Escrever a um outro nível de crescimentos simples de
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
movimentos simples todos principiando no centro nulo
no princípio nulo Nem os ramos nem as folhas dirão
outra coisa simbolicamente mas serão
ramos
folhas
frutos
conduzindo a seiva
e o ar vivo
Caminho imprevisível o poema invenção das formas
e do espaço
que as transforma
e as esquece
Uma ampla textura de energia e movimento
933