Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Será Viva Entre Acidentes
Será viva entre acidentes
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
1 066
António Ramos Rosa
Será Viva Entre Acidentes
Será viva entre acidentes
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
1 066
António Ramos Rosa
Será Viva Entre Acidentes
Será viva entre acidentes
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
demolida
a móvel coluna imperceptível
que estaca e se dobra na retina
Um novo furor na espessura cálida
abre-se ao vento e o vento
desnuda investe a água nua
de uma figura incerta principia
Posso dizer terra fogo ou pedra
porque o limiar está limpo
e a limpidez do ar se afirma
nas sílabas
e na nudez obscura desta página
1 066
António Ramos Rosa
Dizem Que É Jardim
Dizem que é jardim
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
949
António Ramos Rosa
Dizem Que É Jardim
Dizem que é jardim
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
porque repousa
E diz-se também que se ilumina
em pausas
repentinas
Mas que dizer da trama
em movimento?
Que dizer do vento?
Que se prepara o incêndio
aqui na folha
949
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Terra de Um Sabor Denso
Terra de um sabor denso
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
1 036
António Ramos Rosa
Terra de Um Sabor Denso
Terra de um sabor denso
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
e o olhar retido no tronco
para que o inerte se transforme
no triunfo de uma palavra viva
A seiva escorre cor de ferrugem
os insectos desviam-se
circulam sobre as inscrições
A folhagem desperta sobre o muro
Há um caminho pequeno
E alto e forte
o tumulto da aragem aqui afirma
a saída do chão outra palavra viva
1 036
António Ramos Rosa
Ei-La Despida Ou
Ei-la despida ou
dir-se-ia a altura de uma nuvem
a árvore seria densa espada
A expressão é forte
é ela própria o que diz
e mais forte ainda quando
se implanta no músculo
por onde
O vento é a inteligência libertada
E agora a árvore se adensa
no músculo
para que o acto da forma seja intenso
dir-se-ia a altura de uma nuvem
a árvore seria densa espada
A expressão é forte
é ela própria o que diz
e mais forte ainda quando
se implanta no músculo
por onde
O vento é a inteligência libertada
E agora a árvore se adensa
no músculo
para que o acto da forma seja intenso
1 039
António Ramos Rosa
A Decisão Inteira
A decisão inteira
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
1 006
António Ramos Rosa
A Decisão Inteira
A decisão inteira
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
mas imprevista a cada espaço
Pleno vazio vazio sempre
A coerência de um todo incoerente
entre uma rede opaca
atravessada por uma luz branca e lívida
E algo único sobre o branco
e no branco que respira
nulo e pleno
a trama solta cerrada
na obscura evidência dos vocábulos
1 006
António Ramos Rosa
Uma Felicidade Nos Dedos
Uma felicidade nos dedos
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
um fluir cálido o sol
captado no repouso sobre a mesa
e escrito aqui um sol tão rápido
Nada se separa sob os dedos
ignorantes da divisão do vidro
E se o pássaro fica
sem o canto
não o sabem os dedos
Eles deslizam sobre a superfície
na absoluta densidade indesvendável
1 136
António Ramos Rosa
Mais Raso
Mais raso
onde não é aqui
e o que vibra apenas vibra
ou nada vibra
quase ou já o limiar
incessante
que requer o limite ou o obstáculo
contra o grito
Aqui quando se diz
aqui
o desejo e o espaço
a palavra limite e não limite
do vazio
onde não é aqui
e o que vibra apenas vibra
ou nada vibra
quase ou já o limiar
incessante
que requer o limite ou o obstáculo
contra o grito
Aqui quando se diz
aqui
o desejo e o espaço
a palavra limite e não limite
do vazio
1 167
António Ramos Rosa
As Pernas São o Grito
As pernas são o grito
no rosto no ventre A língua
contra a língua
ou antes as duas línguas que a destroem
Vertigem dos limites
contra a vertigem
Explosão esta figura
ao atingir a superfície branca
no rosto no ventre A língua
contra a língua
ou antes as duas línguas que a destroem
Vertigem dos limites
contra a vertigem
Explosão esta figura
ao atingir a superfície branca
1 065
António Ramos Rosa
Algo Completo Não Sei Onde
Algo completo Não sei onde
O desejo de o ver Forma e contacto
Um outro espaço ou este mesmo
Opaco Transparente
Intacto
O desejo de o ver Forma e contacto
Um outro espaço ou este mesmo
Opaco Transparente
Intacto
1 115
António Ramos Rosa
Quando
Quando
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
1 095
António Ramos Rosa
Quando
Quando
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
1 095
António Ramos Rosa
Quando
Quando
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
não há sinal na noite em que se escreve o clarão é branco
alucinante o traço nulo marca no vazio o caminho
talvez um túnel ou descampado
a órbita branca oscila
a noite é que governa as sílabas
Há uma surpresa e um equilíbrio na intensidade
o vento treme o obscuro emigra
um aglomerado de pedras
e a torre de palavras e de fogo
1 095
António Ramos Rosa
Com o Instrumento Frágil
Com o instrumento frágil
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
1 031
António Ramos Rosa
Com o Instrumento Frágil
Com o instrumento frágil
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
tudo se ordenaria
concêntrico
Perímetro de luzes
à volta do olhar Crescem
num início
e disseminam-se
Irisações irrompem
de brisas e de estrume
até à corda nula que apaga o instrumento
1 031
António Ramos Rosa
O Lugar Onde o Lugar
O lugar onde o lugar
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte
Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas
Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
com a face da noite em pleno dia
o lugar onde passa o insecto
e o horizonte
Um pequeno círculo a clareira
onde se respira a luz
dividida em sílabas de seixos
e nas lagartixas que atravessam rápidas
Estamos perto do corpo da ínfima
nudez
Há curvas inesperadas um atalho secreto
O lugar não é aqui onde o designamos
1 109