Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
No Peito da Página
No peito da página
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
1 058
António Ramos Rosa
No Peito da Página
No peito da página
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
1 058
António Ramos Rosa
No Peito da Página
No peito da página
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
o pulsar das pálpebras nas palavras
uma nova terra
na mão nova
1 058
António Ramos Rosa
Era a Interrupção Dos Segmentos E Dos Limites Vivos
Era a interrupção dos segmentos e dos limites vivos
nos tentáculos do vento ouvindo
o rumor de
uma água sombria na caverna
buscando a brancura de um volume
a figura sem rosto proa branca polpa
de visão aberta e nua
nos tentáculos do vento ouvindo
o rumor de
uma água sombria na caverna
buscando a brancura de um volume
a figura sem rosto proa branca polpa
de visão aberta e nua
1 082
António Ramos Rosa
78. Rosto Para Dizer o Rosto Rápido
78
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
1 005
António Ramos Rosa
78. Rosto Para Dizer o Rosto Rápido
78
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
Rosto para dizer o rosto rápido
pássaro quotidiano obscuro e vivo
poema da duração da alegria
do instante / do rosto pássaro.
Impulso e ombro táctil quase o beijo
sobre lábios de silêncio e de palavras
lábios lábios com seus dentes brancos
o que dizem o que falam negro e branco.
Aqui recuperada a perda exacta
da fala viva do rosto pássaro
no instante de dizer exaltação perdida.
1 005
António Ramos Rosa
69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura
69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
529
António Ramos Rosa
69. Pedra E a Perfeição, Essa Frescura
69
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
Pedra e a perfeição, essa frescura
da pedra negra e alta
da matéria da linguagem e nos lábios
feridos da pobreza numa festa.
Festa do mar e da palavra livre
que festa seria do corpo libertado?
Aqui cintila a coluna do não-ser
aqui se perde a pedra e o fogo livre.
Aqui se acende todavia a pedra
de um outro fogo do mar de uma outra festa
que viria da palavra de outro ser.
529
António Ramos Rosa
A Parede Escura E Verde
A parede escura e verde
e os sinais
entre as sombras
entre os ombros
da casa
que não tombam
entre as sombras
e os sinais
entre as sombras
entre os ombros
da casa
que não tombam
entre as sombras
1 170
António Ramos Rosa
A Parede Escura E Verde
A parede escura e verde
e os sinais
entre as sombras
entre os ombros
da casa
que não tombam
entre as sombras
e os sinais
entre as sombras
entre os ombros
da casa
que não tombam
entre as sombras
1 170
António Ramos Rosa
88. Como Dizê-Lo: Ei-Lo, Aqui
88
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
999
António Ramos Rosa
88. Como Dizê-Lo: Ei-Lo, Aqui
88
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
Como dizê-lo: ei-lo, aqui
não imagem, não aspecto da figura
mas o incêndio de todas as imagens.
Como dizer a referência absoluta
irreal da folhagem no cavalo
da fuga absoluta, pedra e não pedra
água e não água, terra absoluta.
Como dizer-te, tu que não és tu nem nada
que és a figura desfeita na terra putrefacta
este resto impuro onde se afunda a boca.
Março-Maio de 1978
999
António Ramos Rosa
74. Porque Não o Encontro E Não o Encontro
74
Porque não o encontro e não o encontro
aquém da força de que vive o pulso
aquém da face e da figura o esplendor.
Porquê a árvore oculta sob a árvore
a pedra não soando e sem a cor e sem
a força do sinal de pedra e o fogo
sem a mão do afago e tudo em vão
no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro
a presença perdida na presença.
Porque não o encontro e não o encontro
aquém da força de que vive o pulso
aquém da face e da figura o esplendor.
Porquê a árvore oculta sob a árvore
a pedra não soando e sem a cor e sem
a força do sinal de pedra e o fogo
sem a mão do afago e tudo em vão
no vão de tudo ser o encontro aquém do encontro
a presença perdida na presença.
957
António Ramos Rosa
O Que Permanece Ainda Enterrado Pobre
O que permanece ainda enterrado pobre
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
987
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 128
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 128
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 128
António Ramos Rosa
Progridem Os Silêncios
Progridem os silêncios
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
1 063
António Ramos Rosa
Progridem Os Silêncios
Progridem os silêncios
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
— tudo é oco ou opaco?
a pressão do tempo cai sobre a nuca negra
o mundo da língua é o murmúrio de um barco
e um ritmo subsiste um perfume de pedra
uma laranja um copo um fragmento a folha
a gravidade cálida nos elementos livres
o negro
transmite
o branco a intensidade silenciosa
1 063
António Ramos Rosa
Um Mar Furtivo Entre Dois Ventos
Um mar furtivo entre dois ventos
no limite
das árvores as vagas
no papel áridas asas
uma cabeça oca branca entre algas dedos
transparência da luz alta
sobre as pálpebras
ávida morte nua lápide da sombra
no limite
das árvores as vagas
no papel áridas asas
uma cabeça oca branca entre algas dedos
transparência da luz alta
sobre as pálpebras
ávida morte nua lápide da sombra
1 062
António Ramos Rosa
73. Perdido o Centro, Perdida a Rosa
73
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
1 069
António Ramos Rosa
Pedra de Sol Na Boca
Pedra de sol na boca
língua verde
ombros no horizonte
próximos
língua verde
ombros no horizonte
próximos
1 003
António Ramos Rosa
76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra
76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
531
António Ramos Rosa
76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra
76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
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