Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
A Mão Baixa
A mão baixa
aranha de ar
rápida intranquila
as armas que respiram
o desejo e a surpresa
aranha de ar
rápida intranquila
as armas que respiram
o desejo e a surpresa
1 156
António Ramos Rosa
Nervuras Nítidas
Nervuras Nítidas
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
823
António Ramos Rosa
Nervuras Nítidas
Nervuras Nítidas
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
Tal é a língua que não soçobra quando
se perde noutro sulco branco
Vertical e verde
não já aqui ou quando
mas
transposta exactamente
noutro espaço inflectido
onde a branco e negro
outro objecto se refaz numa outra língua
823
António Ramos Rosa
A Trave do Sol Pisada Entre Ramos
A trave do sol pisada entre ramos
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
1 207
António Ramos Rosa
A Trave do Sol Pisada Entre Ramos
A trave do sol pisada entre ramos
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
1 207
António Ramos Rosa
A Trave do Sol Pisada Entre Ramos
A trave do sol pisada entre ramos
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
A noite perto respira
Fragmentos de luz formam um pólen
sob os passos em branco
O sopro imóvel nas letras
sobre o solo
imóvel a palavra
o espaço alto de árvores negras
a nitidez da página o vento
que limpa e desloca estas palavras
1 207
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Nada Se Transcreve Quando
Nada se transcreve quando
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
simplesmente se passa
num lugar Mas tudo vai transpor-se num silêncio de
passos sobre o chão feliz ou uma terra a descer em
cada linha
e cai no papel em chão deserto
ou um eco de um princípio
inacessível
Escrever é perder perder para respirar
551
António Ramos Rosa
Catarina Palavra Viva
Catarina esta palavra vibra
vive
em nós
não é uma palavra morta
nem perdida
Catarina
é a palavra viva
que ninguém fuzila
Catarina
o teu nome é mais que um nome
ou é o nome
que encontrou
um rosto
a alegria viva
além de nós
aqui
presente
Catarina
não é um bosque musical
mas uma pedra
que canta
de pé
claramente
pura
com um rosto
de água
sua palavra viva
vive
em nós
não é uma palavra morta
nem perdida
Catarina
é a palavra viva
que ninguém fuzila
Catarina
o teu nome é mais que um nome
ou é o nome
que encontrou
um rosto
a alegria viva
além de nós
aqui
presente
Catarina
não é um bosque musical
mas uma pedra
que canta
de pé
claramente
pura
com um rosto
de água
sua palavra viva
1 205
António Ramos Rosa
Catarina Palavra Viva
Catarina esta palavra vibra
vive
em nós
não é uma palavra morta
nem perdida
Catarina
é a palavra viva
que ninguém fuzila
Catarina
o teu nome é mais que um nome
ou é o nome
que encontrou
um rosto
a alegria viva
além de nós
aqui
presente
Catarina
não é um bosque musical
mas uma pedra
que canta
de pé
claramente
pura
com um rosto
de água
sua palavra viva
vive
em nós
não é uma palavra morta
nem perdida
Catarina
é a palavra viva
que ninguém fuzila
Catarina
o teu nome é mais que um nome
ou é o nome
que encontrou
um rosto
a alegria viva
além de nós
aqui
presente
Catarina
não é um bosque musical
mas uma pedra
que canta
de pé
claramente
pura
com um rosto
de água
sua palavra viva
1 205
António Ramos Rosa
A Face Submersa de Che
Gastaram-se as promessas da sempre morte viva
Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem
Sob as palavras as sílabas se reúnem
Outras palavras sob as palavras
nascem
A face submersa ressurge das raízes
Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre
Um rastro se propaga rasga as superfícies
Um perfume silvestre desempesta as cidades
As sílabas reúnem-se Uma bondade antiga
retempera a revolta
Gastaram-se as promessas A face submersa
ressurge das raízes
Outras palavras sob as palavras nascem
Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem
Sob as palavras as sílabas se reúnem
Outras palavras sob as palavras
nascem
A face submersa ressurge das raízes
Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre
Um rastro se propaga rasga as superfícies
Um perfume silvestre desempesta as cidades
As sílabas reúnem-se Uma bondade antiga
retempera a revolta
Gastaram-se as promessas A face submersa
ressurge das raízes
Outras palavras sob as palavras nascem
1 028
António Ramos Rosa
A Face Submersa de Che
Gastaram-se as promessas da sempre morte viva
Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem
Sob as palavras as sílabas se reúnem
Outras palavras sob as palavras
nascem
A face submersa ressurge das raízes
Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre
Um rastro se propaga rasga as superfícies
Um perfume silvestre desempesta as cidades
As sílabas reúnem-se Uma bondade antiga
retempera a revolta
Gastaram-se as promessas A face submersa
ressurge das raízes
Outras palavras sob as palavras nascem
Das sílabas do teu rosto novas palavras surgem
Sob as palavras as sílabas se reúnem
Outras palavras sob as palavras
nascem
A face submersa ressurge das raízes
Sempre ou nunca mais de cada vez e sempre
Um rastro se propaga rasga as superfícies
Um perfume silvestre desempesta as cidades
As sílabas reúnem-se Uma bondade antiga
retempera a revolta
Gastaram-se as promessas A face submersa
ressurge das raízes
Outras palavras sob as palavras nascem
1 028
António Ramos Rosa
Não-Canto a Camões
O dia em que eu nasci moura e pereça,
Camões
Oh! que não sei que escrevo nem que falo!
Camões
Morrendo estou na vida e em morte vivo
Camões
Junto de um seco, fero e estéril monte
Camões
Quem gritaria se eu gritasse
se ———————
A impossibilidade do grito o não-grito do grito no ilegível silêncio entre as letras do livro letra a letra no livro
Vejo um muro branco
sem uma sombra
A impossibilidade do canto é a possibilidade de uma parede de palavras que aniquilam uma a uma o silêncio do canto
Um braço
até ao muro
O poema é devorado letra a letra por um silêncio que o atravessa sem tocar nas palavras nem no silêncio do poema
Na aridez do frio
nenhum insecto vibra
nem uma fibra estala
Quem pode erguer o canto
sem uma pedra
sem uma sombra
sem um grito
Não há sequer a sombra de um grito
Nenhuma sombra é um grito
A impossibilidade do canto é talvez a possibilidade de um impossível canto Com as palavras nuas e vazias de uma pobreza exausta talvez possa ainda ouvir o rumor de um chão e um silêncio de ervas e de frases na ausência do amor e no silêncio de um corpo destroçado
Só a página em branco
e a ferida sem nome
no silêncio
O sangue? Será sangue? No insondável silêncio em que se abismam as palavras?
Só no silêncio da página poderá erguer-se a palavra do silêncio inacessível o centro ausente da linguagem o extremo em que a palavra se destrói e renasce no grito que se cala na p a l a v r a
Obscura promessa do silêncio da palavra
A palavra nada diz
ou diz tudo
na iminência de o dizer
O silêncio fala na palavra ou é a palavra que devolve o silêncio à palavra que se segue ao espaço entre as palavras?
Um corpo não um corpo à distância de um corpo
no vazio da palavra
à espera da palavra
a palavra que ilumina o silêncio que ilumina a palavra
Um rosto incendiado ou só um rastro
branco na brancura
porquê oh porquê
não vejo mais que um sulco
um ponto
uma palavra?
Surgirá um dia o rosto deste rosto deserto?
E será ele o teu rosto que nunca será teu?
Na luz do eclipse
vejo um rosto vazio
um rosto ou rastro errante
— o luminoso enigma?
as sílabas do sol despedaçado intacto
Camões
Oh! que não sei que escrevo nem que falo!
Camões
Morrendo estou na vida e em morte vivo
Camões
Junto de um seco, fero e estéril monte
Camões
Quem gritaria se eu gritasse
se ———————
A impossibilidade do grito o não-grito do grito no ilegível silêncio entre as letras do livro letra a letra no livro
Vejo um muro branco
sem uma sombra
A impossibilidade do canto é a possibilidade de uma parede de palavras que aniquilam uma a uma o silêncio do canto
Um braço
até ao muro
O poema é devorado letra a letra por um silêncio que o atravessa sem tocar nas palavras nem no silêncio do poema
Na aridez do frio
nenhum insecto vibra
nem uma fibra estala
Quem pode erguer o canto
sem uma pedra
sem uma sombra
sem um grito
Não há sequer a sombra de um grito
Nenhuma sombra é um grito
A impossibilidade do canto é talvez a possibilidade de um impossível canto Com as palavras nuas e vazias de uma pobreza exausta talvez possa ainda ouvir o rumor de um chão e um silêncio de ervas e de frases na ausência do amor e no silêncio de um corpo destroçado
Só a página em branco
e a ferida sem nome
no silêncio
O sangue? Será sangue? No insondável silêncio em que se abismam as palavras?
Só no silêncio da página poderá erguer-se a palavra do silêncio inacessível o centro ausente da linguagem o extremo em que a palavra se destrói e renasce no grito que se cala na p a l a v r a
Obscura promessa do silêncio da palavra
A palavra nada diz
ou diz tudo
na iminência de o dizer
O silêncio fala na palavra ou é a palavra que devolve o silêncio à palavra que se segue ao espaço entre as palavras?
Um corpo não um corpo à distância de um corpo
no vazio da palavra
à espera da palavra
a palavra que ilumina o silêncio que ilumina a palavra
Um rosto incendiado ou só um rastro
branco na brancura
porquê oh porquê
não vejo mais que um sulco
um ponto
uma palavra?
Surgirá um dia o rosto deste rosto deserto?
E será ele o teu rosto que nunca será teu?
Na luz do eclipse
vejo um rosto vazio
um rosto ou rastro errante
— o luminoso enigma?
as sílabas do sol despedaçado intacto
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