Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
82. Procuro As Palavras — Língua Breve
82
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
1 075
António Ramos Rosa
82. Procuro As Palavras — Língua Breve
82
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
Procuro as palavras — língua breve
acesa sobre a relva da manhã concreta
que os pássaros picam em palavras vivas
que aqui se inventam e são de fogo branco.
Procuro as palavras e são vãs e brancas
quantas vezes quantas vezes cinza
de uma cinza de outra cinza de algum fogo.
De algum fogo? O que procura o pulso
e que é letra de aranha, obscuras patas,
obscuro sonho do poema errante.
1 075
António Ramos Rosa
Consonância do Intacto
Consonância do intacto
com o corpo
nudez
de pedra
exacta
com o corpo
nudez
de pedra
exacta
1 057
António Ramos Rosa
Consonância do Intacto
Consonância do intacto
com o corpo
nudez
de pedra
exacta
com o corpo
nudez
de pedra
exacta
1 057
António Ramos Rosa
79. a Abstracta Figura Concretiza-Se
79
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
1 083
António Ramos Rosa
79. a Abstracta Figura Concretiza-Se
79
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
1 083
António Ramos Rosa
79. a Abstracta Figura Concretiza-Se
79
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
1 083
António Ramos Rosa
79. a Abstracta Figura Concretiza-Se
79
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
A abstracta figura concretiza-se
em pedras e pedras sucessivas
num sincopado fluxo de água e de detritos.
Vejam a lâmpada negra da aranha
que entre paredes busca a sintaxe inversa
busquem a pedra essencial a pedra.
Mas o esforço é abandono rouco
às pulsões da terra branca desta escrita
que é animal para ser animal livre.
1 083
António Ramos Rosa
72. Porquê o Porquê a Sombra Viva, a Sobrevida
72
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
1 103
António Ramos Rosa
72. Porquê o Porquê a Sombra Viva, a Sobrevida
72
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
Porquê o porquê a sombra viva, a sobrevida
e escrever estes sinais na folha e não saber
e escrever ainda sem esperança e no desejo
dos sinais de uma paisagem acesa, o esplendor.
O esplendor. O encontro. Aqui jamais
eis o epitáfio e o motor da imagem
negra ou branca na incerta curva
de um verso e outro verso entre os espaços.
E se ela fosse vermelha, ah vermelha!
ela quem? — ela, o esplendor do encontro
tão raro e tão pouco no pouco que é
viver sem esperar, escrever sem esperar,
mas no movimento da imagem interior
acender a imagem da face ou o esplendor.
1 103
António Ramos Rosa
O Que Permanece Ainda Enterrado Pobre
O que permanece ainda enterrado pobre
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
no vazio nocturno
minha terra latente
no tempo sem sinais em que os sinais prolongam
os sulcos de uma sombra maquinal e branca
e o meu desejo é uma imagem
minúscula
uma pobre frase com duas árvores nuas
992
António Ramos Rosa
76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra
76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
535
António Ramos Rosa
76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra
76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
535
António Ramos Rosa
76. Linha E Sóbria, Desesperada Pedra
76
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
Linha e sóbria, desesperada pedra
contida em sua linha de água e dança
vertida na palavra que não dança.
Ela a retida, livre — na cidade —
desocupada na página ou no lancil
lançada à vertigem viva de uma escrita.
Por ela a terra roda a vila pesa
a pedra é pedra e sol e água e
entre o lugar e a ausência o nome é branco.
535
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 110
António Ramos Rosa
Entre Dois Espaços Duas Sombras Altas
Entre dois espaços duas sombras altas
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
o movimento da montanha o vazio
nos passos
talvez o texto da terra talvez a terra e a mão
antes das pálpebras no ar
Caminho não de lábios mas de sombras
sobre a raiz do lápis sobre o pulso
caminho ou não
no círculo
dos passos
e esta é a frase do caminho
ou a lucidez do braço
1 110
António Ramos Rosa
73. Perdido o Centro, Perdida a Rosa
73
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
Perdido o centro, perdida a rosa
quando a vulnerável lâmpada, quando
apagado for o sinal dilacerado
a interrupção dos sinais será a fuga
ou o apaziguamento das imagens vivas
os animais caminhando musicais
as pedras mais vivas do que as mãos
no entanto mais vivas do que as pedras
quando apagada a terra os olhos lentos
verão serenamente o esplendor do muro.
1 078
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 133
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 133
António Ramos Rosa
70. Incide a Água Onde Ainda É Água
70
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
Incide a água onde ainda é água
e o princípio é um não-saber
e a ilha poderia ser iluminada
pela outra ilha do horizonte incerto.
Assim as palavras mudam na carne ausente
que é a tua carne e o silêncio dessa carne
para um país real de excesso e maravilha
para a festa animal onde a montanha vibra.
As palavras mudas animam-se no dia
da sua festa incerta maravilha
é a parte que cabe à luz da vida.
1 133
António Ramos Rosa
77. Inflectida a Figura Recebe a Face
77
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
Inflectida a figura recebe a face
que vive no discurso das pedras dos detritos.
Na ausência da paisagem a ausência da figura.
Ó noite não ó dia manhã da vida forte
aí a face na multidão vestida
ou na nudez da cama do miserável quarto.
Com o suor da face e as pernas negras húmidas
com a humildade do sono na urina breve
vive a figura aqui
Vive? Respira pobre.
1 043
António Ramos Rosa
Pedra de Sol Na Boca
Pedra de sol na boca
língua verde
ombros no horizonte
próximos
língua verde
ombros no horizonte
próximos
1 009
António Ramos Rosa
85. Vagos Sinais Dentes Na Pedra
85
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
Vagos sinais dentes na pedra
sem solução de árvore
marcação de um traço único
este, não o rosto, este
limite que não transponho que
não tem além o além o fogo azul
e
que nenhuma sombra atravessou
porque subsiste ou não algum ardor
porque os dentes enterram-se na pedra.
536
António Ramos Rosa
86. Desobstruindo o Espaço Só Esta Mancha
86
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
Desobstruindo o espaço só esta mancha
e esta casa sem fogo é apenas uma marca
e esta pedra o sinal da busca
e esta pedra e esta pedra.
Uma pergunta: que espaço
ou casa
para a alegria para a livre força?
Dando lugar ao espaço à luz
e estas pedras sem cinza
esta mas não esta marca
quase feroz tão inútil ou tão certa?
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