Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
48. Um Caduco Tema Levanta a Cabeleira
48
Um caduco tema levanta a cabeleira
na tessitura cálida a crespa cabeleira
mais escura: assim as línguas tensas
ou um punhado de estrelas no ondear das ondas.
Cintilações que em ancas reverberam
e fragrâncias da inocência da água
de um seio, a teia canta, a teia tensa
e o corpo é lobo e pomba, é recesso e fragrância.
Alguns dirão: subsiste o tema: mas só palavras se levantam
só palavras se lêem no vento das candeias
só a língua é legível e acende a íris.
Um caduco tema levanta a cabeleira
na tessitura cálida a crespa cabeleira
mais escura: assim as línguas tensas
ou um punhado de estrelas no ondear das ondas.
Cintilações que em ancas reverberam
e fragrâncias da inocência da água
de um seio, a teia canta, a teia tensa
e o corpo é lobo e pomba, é recesso e fragrância.
Alguns dirão: subsiste o tema: mas só palavras se levantam
só palavras se lêem no vento das candeias
só a língua é legível e acende a íris.
1 006
António Ramos Rosa
48. Um Caduco Tema Levanta a Cabeleira
48
Um caduco tema levanta a cabeleira
na tessitura cálida a crespa cabeleira
mais escura: assim as línguas tensas
ou um punhado de estrelas no ondear das ondas.
Cintilações que em ancas reverberam
e fragrâncias da inocência da água
de um seio, a teia canta, a teia tensa
e o corpo é lobo e pomba, é recesso e fragrância.
Alguns dirão: subsiste o tema: mas só palavras se levantam
só palavras se lêem no vento das candeias
só a língua é legível e acende a íris.
Um caduco tema levanta a cabeleira
na tessitura cálida a crespa cabeleira
mais escura: assim as línguas tensas
ou um punhado de estrelas no ondear das ondas.
Cintilações que em ancas reverberam
e fragrâncias da inocência da água
de um seio, a teia canta, a teia tensa
e o corpo é lobo e pomba, é recesso e fragrância.
Alguns dirão: subsiste o tema: mas só palavras se levantam
só palavras se lêem no vento das candeias
só a língua é legível e acende a íris.
1 006
António Ramos Rosa
67. Veria Aqui o Rosto, o Punho Frágil
67
Veria aqui o rosto, o punho frágil
que não seguro, não segurei, retenho
o pouco dos teus pés, a figura da fímbria,
forma do ser ausente.
Perco a medida da medida, seguro a folha
do sangue sobre as pernas,
na negação do corpo encontro o corpo e o sangue
o sangue da negação do sangue ainda o sangue.
Quando a penetração pura, a branca
violência de água do alento
quando a mão recebe a pulsação da folha.
Veria aqui o rosto, o punho frágil
que não seguro, não segurei, retenho
o pouco dos teus pés, a figura da fímbria,
forma do ser ausente.
Perco a medida da medida, seguro a folha
do sangue sobre as pernas,
na negação do corpo encontro o corpo e o sangue
o sangue da negação do sangue ainda o sangue.
Quando a penetração pura, a branca
violência de água do alento
quando a mão recebe a pulsação da folha.
1 081
António Ramos Rosa
56. Mancha da Perna Maternal
56
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
Mancha da perna maternal
robusta
no pomar secreto na recente vinda
do pai descendo um pouco tímido na água.
Dir-te-ei pela água sexual
do não crime de ver-te
pela vez absoluta do olhar negro
como se não fosses a pequena deusa que não és.
Não tímida não secreta mas pobre de água
olho de um joelho límpido
prosa da terra não sulcada ainda.
995
António Ramos Rosa
50. o Claro Rumor Do
50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
990
António Ramos Rosa
50. o Claro Rumor Do
50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
990
António Ramos Rosa
50. o Claro Rumor Do
50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
990
António Ramos Rosa
50. o Claro Rumor Do
50
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
O claro rumor do
anúncio de altitude a forma
do fragmento (de)
Que a mão repercutindo
a mão e a mão de
novo ilumine o espaço deste espaço.
Que terra em terra da palavra
fragmente o frio o bloco
branco
e a forma seja a mão da forma.
990
António Ramos Rosa
41. Este (Adormecido) Na Substância do Sopro
41
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
Este (adormecido) na substância do sopro
triste na rua triste
entristecendo a rua na sua estreita altura.
Este (o outro) o nome que passeia
de árvore em árvore e não pergunta
conhece o quê e os seus telhados e os seus trapos.
Conhece o quê? desconhece a rosa
ele adormecido na multidão de pedra
conhece algum recurso que é o seu próprio curso.
982
António Ramos Rosa
29. o Lápis — Esta É a Escrita do Lápis
29
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
1 015
António Ramos Rosa
29. o Lápis — Esta É a Escrita do Lápis
29
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
1 015
António Ramos Rosa
29. o Lápis — Esta É a Escrita do Lápis
29
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
O lápis — esta é a escrita do lápis
que escreve a tortura lapidar
os ossos na neve os nervos lapidares.
Quem negará a pobreza desta escrita
que busca a pobreza essencial
a terra nunca vista e vista
sempre na cegueira essencial de sempre.
Direi diremos o que dissermos nunca
o nunca do nunca a brancura do deserto
o lápis aqui aqui sem água e nus.
1 015
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 104
António Ramos Rosa
58. o Arvoredo E a Água Subjacente
58
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
O arvoredo e a água subjacente
o arvoredo aqui (e a água subjacente)
repetição da forma não límpida insegura
pobreza da terra mais secreta e abandonada.
Frouxidão dos nós moleza imprópria doce
é também terra também a frase e a prosa
do verso da água subterrânea
a escrita da outra mão também da terra.
Contestação da limpidez: a negação
do nome
próprio
impropriedade férrea tristeza inerme.
1 104
António Ramos Rosa
59. Consoladora (Como) Considerando Estrelas
59
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
Consoladora (como) considerando estrelas
imprevistas aqui a mão mantendo a mão
como parte inerente a outro corpo escrito
inversão não ou vida, inclusão no viver.
Perante um tu que não se evoca aqui
perante um tu que é desejo de
invocação e terra, negação do sangue,
ou inscrição do sangue na madeira negra.
Tudo o que consome o sabor da terra
será a consumação do culto desta terra
que não é jardim mas cujo espaço é o espaço
e um jardim que se ama: o jardim do espaço.
988
António Ramos Rosa
39. Esta É a Folha, E a Folha
39
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
Esta é a folha, e a folha
de terra, mas a água da lâmpada
breve.
Que ela me diga a não-palavra
de palavra, a terra
e o corpo renascendo sob a árvore
e o espaço que é o espaço
o espaço.
E a terra da terra, o corpo
da figura
soprando a nuvem sobre as pernas
da mulher descoberta na ilha do seu quarto.
599
António Ramos Rosa
52. Neste Jardim Ou Espaço Do
52
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
1 134
António Ramos Rosa
52. Neste Jardim Ou Espaço Do
52
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
1 134
António Ramos Rosa
52. Neste Jardim Ou Espaço Do
52
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
Neste jardim ou espaço do
que
por abrir se abre e só assim
se
sabe o que de novo se abre.
Campo branco sem caminho ou mão
território do incerto pulso
da destruição incriada mas amante
do chão do amanhã de agora.
Que alguém procure o incerto
com os aspectos
do arbusto ardente
no novo espírito do incêndio dos aspectos.
1 134
António Ramos Rosa
49. Oscila — E Eis a Palavra — E É Uma Palavra
49
Oscila — e eis a palavra — e é uma palavra
da boca ávida e vértebra ou plátano
preenche o ar unânime do lugar
da boca e suas unhas singulares.
Pelo quarto onde as ondas batem
é um verso de mulher um olhar de
mulher que pela janela irriga
as vértebras do vento e da linguagem.
Exausto cresce oscila ao olhar a imagem
de uma linguagem do livro da linguagem
sob os golpes desferidos pelo martelo do ar.
Oscila — e eis a palavra — e é uma palavra
da boca ávida e vértebra ou plátano
preenche o ar unânime do lugar
da boca e suas unhas singulares.
Pelo quarto onde as ondas batem
é um verso de mulher um olhar de
mulher que pela janela irriga
as vértebras do vento e da linguagem.
Exausto cresce oscila ao olhar a imagem
de uma linguagem do livro da linguagem
sob os golpes desferidos pelo martelo do ar.
940
António Ramos Rosa
49. Oscila — E Eis a Palavra — E É Uma Palavra
49
Oscila — e eis a palavra — e é uma palavra
da boca ávida e vértebra ou plátano
preenche o ar unânime do lugar
da boca e suas unhas singulares.
Pelo quarto onde as ondas batem
é um verso de mulher um olhar de
mulher que pela janela irriga
as vértebras do vento e da linguagem.
Exausto cresce oscila ao olhar a imagem
de uma linguagem do livro da linguagem
sob os golpes desferidos pelo martelo do ar.
Oscila — e eis a palavra — e é uma palavra
da boca ávida e vértebra ou plátano
preenche o ar unânime do lugar
da boca e suas unhas singulares.
Pelo quarto onde as ondas batem
é um verso de mulher um olhar de
mulher que pela janela irriga
as vértebras do vento e da linguagem.
Exausto cresce oscila ao olhar a imagem
de uma linguagem do livro da linguagem
sob os golpes desferidos pelo martelo do ar.
940
António Ramos Rosa
47. Trata-Se da Escrita E do Objecto, a Coisa
47
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
987
António Ramos Rosa
47. Trata-Se da Escrita E do Objecto, a Coisa
47
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
Trata-se da escrita e do objecto, a coisa
táctil ansiosa busca no amor da mesa
dom de incandescência a que se chama lâmpada
e contra a exuberância da tirania idêntica.
Ferida amorosa na obscuridade verde
folhagem na parede reflexos na lâmina
donde emerge o sem-sentido da quimera terrestre.
Ó eternidade efémera da palavra terra
mão da sombra e pedra e fogo impuro
bronze do seio istmo dos instantes.
987
António Ramos Rosa
44. Permanecer Aqui (E Quando?)
44
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
Permanecer aqui (e quando?)
iniciará o quando que não se sabe
e adoraremos o sol do corpo breve.
No percurso ou no aspecto da sombra
abriremos um veio de felicidade límpida
e seremos os que não sabem e salvam
a brevidade do não viver sem sol.
Animais e barcos cintilações e sombras
pureza das pernas sem adornos nobres
pedra da permanência e do percurso límpido.
927