Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
61. Um Desafio Não Sei de Que Cor: Vermelha?
61
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
Um desafio não sei de que cor: vermelha?
Uma duplicidade, um mecanismo, um labirinto.
Mas serão menos palavras e mais espaço
que gravarão a pobreza na sua essência branca.
Escrever aqui a pedra do limiar do mar
e cavalo e logo o prumo e a nuvem límpida,
a verosímil textura, o tegumento negro,
palavras e palavras — consagração do espaço?
Sem o pai ordenador,
o arbitrário, ou acaso, ou o pudor,
outro pudor que nasce no deserto habitado
frutifica em palavras elementares quase.
516
António Ramos Rosa
68. Descontínuas, Desfechadas Linhas
68
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
Descontínuas, desfechadas linhas
cintilam no lugar no não-lugar
e o indefinido incêndio da folhagem
desfaz as sílabas da visão igual.
Uma cavidade do encontro, o sim,
ou a coluna ou as colunas, umas linhas
solares que dividem o lugar
poderiam multiplicar-se, renovar
o sopro essencial do ser (azul interno)
e a pulsação da terra sobre as linhas livres
libertar o tempo da não-razão de ser.
1 093
António Ramos Rosa
25. o Ombro de — Nenhum Ombro Ó Ombro
25
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
O ombro de — nenhum ombro ó ombro
sob a cálida treva o tambor do sol
e a riqueza hermética da harpa hermética
o sol restituído à iniciação da árvore.
Respirar respirar primeiro plano
de água ao nível dessa nuvem
onde o animal pedestre nos restitui o rastro
por onde descemos à terra mais terrestre.
Final do sim — o ombro branco
e sim do sim do não do não
jogo de afirmação jogo da mão
e o primeiro sol na mão na outra mão.
1 036
António Ramos Rosa
20. de Amor — Na Pedra E Cinza Verde
20
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
De amor — na pedra e cinza verde
o corpo no húmus sem jardim
memória que perdeu o azul anel.
De amor por ela e por ele, o sim
da ausência neste espaço não
iluminado mas branco, imune
por amor do amor no vazio amado.
Qualidade do instante na boca, língua
de palpitante sede que ressurge o corpo
para além da memória, na pedra do incesto.
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António Ramos Rosa
28. Trémulas — de Quê — Ó Trémulas
28
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
1 079
António Ramos Rosa
28. Trémulas — de Quê — Ó Trémulas
28
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
Trémulas — de quê — ó trémulas.
Os raios imperceptíveis mas
cobrindo o aspecto da sombra e o seio da pomba.
Abrem-se e não cintilam pobres de
pobreza da terra não dita ou impossível
ou ainda e sempre e sempre oculta
o não da terra sendo a terra única.
Trémulas e pobres, pobres trémulas
vamos, abram-se aqui sem nenhuma
poesia na não terra mas terra pobre terra.
1 079
António Ramos Rosa
24. Alguém o Disse — o Jorro
24
Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
Alguém o disse — o jorro
das pernas brancas e as jarras azuis
exuberância imprópria de ser pobre.
Mas há uma florescência vivaz e límpida
na pobreza essencial contra o sentido
da autoridade — isto é
uma arbitrária terra que é a terra
invisível visível pobre e rica.
Terra serás salva serás terra
e se não o fores aqui se nunca fores
que sejas negação e negação
e tristeza e pobreza e nunca aberta.
1 123
António Ramos Rosa
53. Lâmina — Dirá, E Escrita
53
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
1 062
António Ramos Rosa
53. Lâmina — Dirá, E Escrita
53
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
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António Ramos Rosa
53. Lâmina — Dirá, E Escrita
53
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
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António Ramos Rosa
53. Lâmina — Dirá, E Escrita
53
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
Lâmina — dirá, e escrita
da rapariga incerta em certa escrita
da mão suave suspensa sobre
um vazio límpido.
E qual seja a forma
e o aspecto da figura escrita
será o fruto carnal de uma impureza
igual ao corpo livre não escrito.
E qual e qual a folha
a abrir a folha
do corpo — lâmina suspensa
e todavia dita da figura incerta.
1 062
António Ramos Rosa
27. Aspecto de — Ou Circunstância Simples
27
Aspecto de — ou circunstância simples
do pobre membro inútil de tão pobre
que ninguém diz a terra e o muro de cinza
que ninguém fala do membro pobre e nu.
A não verdade e a verdade, a dupla
vulva longa e querida impenetrável
despe o membro da terra/adoração
do simples sol pequeno mas palpável.
O nascimento é isto: o isto
de nenhuma fala, escrita na
parede corrompida e curta
onde está o membro, o sol pequeno.
Aspecto de — ou circunstância simples
do pobre membro inútil de tão pobre
que ninguém diz a terra e o muro de cinza
que ninguém fala do membro pobre e nu.
A não verdade e a verdade, a dupla
vulva longa e querida impenetrável
despe o membro da terra/adoração
do simples sol pequeno mas palpável.
O nascimento é isto: o isto
de nenhuma fala, escrita na
parede corrompida e curta
onde está o membro, o sol pequeno.
1 014
António Ramos Rosa
42. Depressa Antes De
42
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
959
António Ramos Rosa
42. Depressa Antes De
42
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
959
António Ramos Rosa
42. Depressa Antes De
42
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
Depressa antes de
talvez seja o acto de ser na folha
talvez o sangue ascenda à lâmpada da língua.
Quando (aqui: é o desejo) a folha
na limpeza do vento
descubra as brancas pernas altas da mulher
a alegria da nudez
do súbito do ser.
Depressa na lentidão do acto azul
por dentro do opaco na direcção partida
fora do círculo no aberto instante.
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António Ramos Rosa
8. E Boca Ou Acidente de Palavra
8
E boca ou acidente de palavra
aspecto de estrutura
ou ideia de rosa ou de cavalo.
Nome do seio sob
a renda de areia ou
arbusto de ser inanimado
na luz harmoniosa.
Animal ou palavra animal
e árvore ou ideia seio de água
única da sede inicial.
E boca ou acidente de palavra
aspecto de estrutura
ou ideia de rosa ou de cavalo.
Nome do seio sob
a renda de areia ou
arbusto de ser inanimado
na luz harmoniosa.
Animal ou palavra animal
e árvore ou ideia seio de água
única da sede inicial.
1 089
António Ramos Rosa
8. E Boca Ou Acidente de Palavra
8
E boca ou acidente de palavra
aspecto de estrutura
ou ideia de rosa ou de cavalo.
Nome do seio sob
a renda de areia ou
arbusto de ser inanimado
na luz harmoniosa.
Animal ou palavra animal
e árvore ou ideia seio de água
única da sede inicial.
E boca ou acidente de palavra
aspecto de estrutura
ou ideia de rosa ou de cavalo.
Nome do seio sob
a renda de areia ou
arbusto de ser inanimado
na luz harmoniosa.
Animal ou palavra animal
e árvore ou ideia seio de água
única da sede inicial.
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António Ramos Rosa
14. Este (Aqui Formulado) Sobre Os Cílios
14
Este (aqui formulado) sobre os cílios
ou as pestanas pretas pretas mesmo
sob o deserto dele, a casa nuvem.
Terra (designação que nega) areia
do grito das pestanas, cílios sérios,
adormecendo a noite da folhagem.
Arranca à aragem o perfume sóbrio
desses cílios negros cílios
e colhe aí a perfumada imagem.
Este (aqui formulado) sobre os cílios
ou as pestanas pretas pretas mesmo
sob o deserto dele, a casa nuvem.
Terra (designação que nega) areia
do grito das pestanas, cílios sérios,
adormecendo a noite da folhagem.
Arranca à aragem o perfume sóbrio
desses cílios negros cílios
e colhe aí a perfumada imagem.
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António Ramos Rosa
14. Este (Aqui Formulado) Sobre Os Cílios
14
Este (aqui formulado) sobre os cílios
ou as pestanas pretas pretas mesmo
sob o deserto dele, a casa nuvem.
Terra (designação que nega) areia
do grito das pestanas, cílios sérios,
adormecendo a noite da folhagem.
Arranca à aragem o perfume sóbrio
desses cílios negros cílios
e colhe aí a perfumada imagem.
Este (aqui formulado) sobre os cílios
ou as pestanas pretas pretas mesmo
sob o deserto dele, a casa nuvem.
Terra (designação que nega) areia
do grito das pestanas, cílios sérios,
adormecendo a noite da folhagem.
Arranca à aragem o perfume sóbrio
desses cílios negros cílios
e colhe aí a perfumada imagem.
1 067
António Ramos Rosa
Não Toco a Viva Fenda Ferida…
Não toco a viva fenda ferida na parede do ar vibrante, não toco, mas estalo a fronte sem olhar, com a parede na fronte, sobre o sol, quase vendo no bordo a esquina do momento que teve, tem, terá a boca breve do ar.
1 191
António Ramos Rosa
12. Por Ela, o Qual: Por Ela
12
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
1 111
António Ramos Rosa
12. Por Ela, o Qual: Por Ela
12
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
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António Ramos Rosa
12. Por Ela, o Qual: Por Ela
12
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
Por ela, o qual: por ela
a iluminada lâmina cortando
o papel sobre a figura impura.
Nó límpido no desnudar da face
não exemplo na erva do seu ventre
no extremo lá da extrema árvore
no ribeiro gracioso ou na torrente.
Por ele: ali: por ela
cortado o papel cortada a sombra
fica o recorte da figura dele.
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António Ramos Rosa
18. Esculpida Pelas Duas Mãos Amigas
18
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
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