Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
18. Esculpida Pelas Duas Mãos Amigas
18
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
1 014
António Ramos Rosa
18. Esculpida Pelas Duas Mãos Amigas
18
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
Esculpida pelas duas mãos amigas
dividida pela sombra ferida
pela aranha de palavra cúmplice.
Palavra e lâmpada do nome
perdido quando
a terra era sem fome
amêndoa esculpida pela lucidez dos olhos.
Nome do não que iniciou o sim
sob o arbusto esculpido
na estrutura do ser antes da forma aberta.
1 014
António Ramos Rosa
Como Findar No Intervalo…
Como findar no intervalo quando o incessante é o princípio, quando a palavra desliza no indelével bordo do vazio, obscuro sussurro do silêncio, o branco fogo se ateia no silêncio, branco e quase e já cinzento.
1 181
António Ramos Rosa
Como Findar No Intervalo…
Como findar no intervalo quando o incessante é o princípio, quando a palavra desliza no indelével bordo do vazio, obscuro sussurro do silêncio, o branco fogo se ateia no silêncio, branco e quase e já cinzento.
1 181
António Ramos Rosa
O Personagem Viola As Leis da Tarde
O personagem viola as leis da tarde
e é ele a tarde mesma, o seu desvio.
As andorinhas morrem. Ele revive
na paixão da palavra: a andorinha.
Não se eleva jamais do rasto frio
que tem o dia. Mas junta-lhe outro fio
e outro calor que é a cor de outras palavras,
cores da cor, numa unidade múltipla.
Surge o jornal do dia azul e verde,
surge a glória de um sol na cabeleira
da rapariga à esquina, zebra alta,
gozo do dia e rapidez do vento.
e é ele a tarde mesma, o seu desvio.
As andorinhas morrem. Ele revive
na paixão da palavra: a andorinha.
Não se eleva jamais do rasto frio
que tem o dia. Mas junta-lhe outro fio
e outro calor que é a cor de outras palavras,
cores da cor, numa unidade múltipla.
Surge o jornal do dia azul e verde,
surge a glória de um sol na cabeleira
da rapariga à esquina, zebra alta,
gozo do dia e rapidez do vento.
712
António Ramos Rosa
O Personagem Viola As Leis da Tarde
O personagem viola as leis da tarde
e é ele a tarde mesma, o seu desvio.
As andorinhas morrem. Ele revive
na paixão da palavra: a andorinha.
Não se eleva jamais do rasto frio
que tem o dia. Mas junta-lhe outro fio
e outro calor que é a cor de outras palavras,
cores da cor, numa unidade múltipla.
Surge o jornal do dia azul e verde,
surge a glória de um sol na cabeleira
da rapariga à esquina, zebra alta,
gozo do dia e rapidez do vento.
e é ele a tarde mesma, o seu desvio.
As andorinhas morrem. Ele revive
na paixão da palavra: a andorinha.
Não se eleva jamais do rasto frio
que tem o dia. Mas junta-lhe outro fio
e outro calor que é a cor de outras palavras,
cores da cor, numa unidade múltipla.
Surge o jornal do dia azul e verde,
surge a glória de um sol na cabeleira
da rapariga à esquina, zebra alta,
gozo do dia e rapidez do vento.
712
António Ramos Rosa
O Personagem Viola Uma Viola
O personagem viola uma viola
no vento. O personagem sabe
descobrir um coração de literato.
Não é a carne que se rasga nem a dor,
mas o humor universal de um só momento,
concerto de matizes, mortes, vozes,
desastres entre nuvens, velocidades,
crimes, cópulas, distinções confusas,
icebergs, insónias. Palavras e palavras
que reúnem os factos num só acto,
todas as sombras nas sombras deste sono
e um silêncio final de madrugada.
no vento. O personagem sabe
descobrir um coração de literato.
Não é a carne que se rasga nem a dor,
mas o humor universal de um só momento,
concerto de matizes, mortes, vozes,
desastres entre nuvens, velocidades,
crimes, cópulas, distinções confusas,
icebergs, insónias. Palavras e palavras
que reúnem os factos num só acto,
todas as sombras nas sombras deste sono
e um silêncio final de madrugada.
1 105
António Ramos Rosa
O Personagem Viola Uma Viola
O personagem viola uma viola
no vento. O personagem sabe
descobrir um coração de literato.
Não é a carne que se rasga nem a dor,
mas o humor universal de um só momento,
concerto de matizes, mortes, vozes,
desastres entre nuvens, velocidades,
crimes, cópulas, distinções confusas,
icebergs, insónias. Palavras e palavras
que reúnem os factos num só acto,
todas as sombras nas sombras deste sono
e um silêncio final de madrugada.
no vento. O personagem sabe
descobrir um coração de literato.
Não é a carne que se rasga nem a dor,
mas o humor universal de um só momento,
concerto de matizes, mortes, vozes,
desastres entre nuvens, velocidades,
crimes, cópulas, distinções confusas,
icebergs, insónias. Palavras e palavras
que reúnem os factos num só acto,
todas as sombras nas sombras deste sono
e um silêncio final de madrugada.
1 105
António Ramos Rosa
10. Rosto Enraizado Na Palavra
10
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
1 154
António Ramos Rosa
10. Rosto Enraizado Na Palavra
10
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
1 154
António Ramos Rosa
10. Rosto Enraizado Na Palavra
10
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
Rosto enraizado na palavra
neste espaço de nula vocação
mas quase o grito gritando o grito.
Nesta folha neste instante de jardim
sobre este banco ou esta pedra
ó terra no silêncio da folhagem!
Isto que foi, seria no não-não ser
ou aqui
neste jardim do não impuro
ó pobreza da água desta mão!
1 154
António Ramos Rosa
Escrever
Escrever para
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
631
António Ramos Rosa
Escrever
Escrever para
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
631
António Ramos Rosa
Escrever
Escrever para
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
631
António Ramos Rosa
Escrever
Escrever para
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
descer
no fundo da nudez
na invenção de cada frase
que respira o ar
Gérmenes entrelaçados, negra
pureza
da terra e da mulher
da produção de um fogo sobre o chão e a página
corpo flutuante impelido
pelo sangue das palavras e pelo sangue
contínua curva dos flancos
das conjunções
disseminadas
respiração total
no horizonte
Escrever E as folhas
separavam-se de novo
de novo a terra um corpo adormecido
despojado
o tecido trémulo sob
a epiderme
o ciclo repercutido do silêncio
uma ponte e outra ponte e outra ponte
a parede permanente o vácuo
e o súbito cavalo
sobre
as constelações silenciosas
631
António Ramos Rosa
Feliz Fusão de Sol Parede E Água, Sol…
Feliz fusão de sol parede e água, sol — mancha entre lábios e olhos, sol de água, pedra que toco no ar, no princípio do ar.
1 566
António Ramos Rosa
As Palavras Que Suscitam As Pedras…
As palavras que suscitam as pedras sem a solidez das pedras podem ter a solidez das pedras, podem ser vivas, acres, surpresas do ar, ervas vivas, secretas sombras.
1 195
António Ramos Rosa
13. Palavra, Planta Activa, Trepadeira
13
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
1 180
António Ramos Rosa
13. Palavra, Planta Activa, Trepadeira
13
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
1 180
António Ramos Rosa
13. Palavra, Planta Activa, Trepadeira
13
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
Palavra, planta activa, trepadeira
que se entrelaça no muro da imagem — lâmina
lâmina de laços na verdura.
Ó árvore ó palavra ó árvore
no jardim porque é jardim folhagem espaço
e o melro negro é duplo em duplos saltos.
É esta a aragem da palavra e é este o rosto
da figura
palavra que aviva o verde da folhagem.
1 180
António Ramos Rosa
1. o Grito Que Não Chama, a Chama Verde
1
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
1 180
António Ramos Rosa
1. o Grito Que Não Chama, a Chama Verde
1
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
O grito que não chama, a chama verde
submersa ou não, é a não-leitura
do corpo calado que o poema lê.
E o silêncio, o silêncio do grito
é sempre outro, além, nos muros, sobre a sebe
nunca a serpente ou serpentina mas
o grito na neve, o grito sob a neve.
Quem pára sobre a nuvem sobre a boca
dá o sinal do grito se aqui o grito
não clama o clamor mas incendeia
a não-leitura — leitura das trevas verdes
em que a boca sobrenada sobre nada
grita o silêncio do grito o grito do silêncio.
1 180
António Ramos Rosa
Ó Treva Ó Música Na Extensão do Vazio
Ó treva ó música na extensão do vazio
e o silêncio no teu pulso o silêncio dos teus ombros
como eu amo esses silêncios como eu amo o silêncio dos teus olhos
quero escrever aqui os cristais vibráteis
dessa folha frágil e violenta a que chamo o teu corpo
Ó treva ó música música entre os juncos claros
música sobre a mesa de madeira nua
música da tua língua enrolada e lisa como um jarro
ó treva e música dos teus olhos ó frémito
das tuas ancas rodando contra o furor das ondas contra uma quilha ardente
Ó música entre o branco e o negro ó migrações silenciosas
das aves do sangue ó longas pulsações do ventre
o que te atravessa identicamente o que arde na consistência indemne
ó espessura vermelha ó murmúrio da fábula e da folhagem
há um fragmento imóvel há um peixe de sombra na parede
Ó música ó treva somos nós que nos abrimos
como podemos estar tão perto do limiar da folha
como escrever estes silêncios estas latentes lâmpadas
e o silêncio no teu pulso o silêncio dos teus ombros
como eu amo esses silêncios como eu amo o silêncio dos teus olhos
quero escrever aqui os cristais vibráteis
dessa folha frágil e violenta a que chamo o teu corpo
Ó treva ó música música entre os juncos claros
música sobre a mesa de madeira nua
música da tua língua enrolada e lisa como um jarro
ó treva e música dos teus olhos ó frémito
das tuas ancas rodando contra o furor das ondas contra uma quilha ardente
Ó música entre o branco e o negro ó migrações silenciosas
das aves do sangue ó longas pulsações do ventre
o que te atravessa identicamente o que arde na consistência indemne
ó espessura vermelha ó murmúrio da fábula e da folhagem
há um fragmento imóvel há um peixe de sombra na parede
Ó música ó treva somos nós que nos abrimos
como podemos estar tão perto do limiar da folha
como escrever estes silêncios estas latentes lâmpadas
577
António Ramos Rosa
Ó Treva Ó Música Na Extensão do Vazio
Ó treva ó música na extensão do vazio
e o silêncio no teu pulso o silêncio dos teus ombros
como eu amo esses silêncios como eu amo o silêncio dos teus olhos
quero escrever aqui os cristais vibráteis
dessa folha frágil e violenta a que chamo o teu corpo
Ó treva ó música música entre os juncos claros
música sobre a mesa de madeira nua
música da tua língua enrolada e lisa como um jarro
ó treva e música dos teus olhos ó frémito
das tuas ancas rodando contra o furor das ondas contra uma quilha ardente
Ó música entre o branco e o negro ó migrações silenciosas
das aves do sangue ó longas pulsações do ventre
o que te atravessa identicamente o que arde na consistência indemne
ó espessura vermelha ó murmúrio da fábula e da folhagem
há um fragmento imóvel há um peixe de sombra na parede
Ó música ó treva somos nós que nos abrimos
como podemos estar tão perto do limiar da folha
como escrever estes silêncios estas latentes lâmpadas
e o silêncio no teu pulso o silêncio dos teus ombros
como eu amo esses silêncios como eu amo o silêncio dos teus olhos
quero escrever aqui os cristais vibráteis
dessa folha frágil e violenta a que chamo o teu corpo
Ó treva ó música música entre os juncos claros
música sobre a mesa de madeira nua
música da tua língua enrolada e lisa como um jarro
ó treva e música dos teus olhos ó frémito
das tuas ancas rodando contra o furor das ondas contra uma quilha ardente
Ó música entre o branco e o negro ó migrações silenciosas
das aves do sangue ó longas pulsações do ventre
o que te atravessa identicamente o que arde na consistência indemne
ó espessura vermelha ó murmúrio da fábula e da folhagem
há um fragmento imóvel há um peixe de sombra na parede
Ó música ó treva somos nós que nos abrimos
como podemos estar tão perto do limiar da folha
como escrever estes silêncios estas latentes lâmpadas
577