Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
Eis Uma Parede o Nome E a Sombra do Cavalo
Eis uma parede o nome e a sombra do cavalo
Eis ainda nomes mas a parede perde-os
Uma força antiga e de rumores novos
ouve-se subir do chão até aos arcos longos
Quando perderes a boca e os ossos sobre a trave
quando perderes os dedos e as folhas bem amadas
quando não souberes sequer o teu nome ou o dela
que essência negra e pura te envolverá o corpo?
Eis as pedras em que tropeças e a água ainda é azul
e as palavras as palavras as palavras que procuras
repete-as neste aéreo vácuo em surdina
que não é ainda o silêncio e talvez seja o silêncio
Eis ainda nomes mas a parede perde-os
Uma força antiga e de rumores novos
ouve-se subir do chão até aos arcos longos
Quando perderes a boca e os ossos sobre a trave
quando perderes os dedos e as folhas bem amadas
quando não souberes sequer o teu nome ou o dela
que essência negra e pura te envolverá o corpo?
Eis as pedras em que tropeças e a água ainda é azul
e as palavras as palavras as palavras que procuras
repete-as neste aéreo vácuo em surdina
que não é ainda o silêncio e talvez seja o silêncio
1 128
António Ramos Rosa
Não Encontrarás Aqui a Fluência
Não encontrarás aqui a fluência
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
954
António Ramos Rosa
Não Encontrarás Aqui a Fluência
Não encontrarás aqui a fluência
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
954
António Ramos Rosa
Não Encontrarás Aqui a Fluência
Não encontrarás aqui a fluência
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
de algum ventre polido ou verso límpido
porque estas palavras conhecem as paredes
que não ouviram a angústia e a vertigem
mas têm o sal das lágrimas obscuras
para sempre ignoradas para sempre futuras
nem ouvirás o som das aves frias
mas sentirás o arrepio de sombras sobre as pedras
ouvirás talvez um suor de silêncio
954
António Ramos Rosa
A Mão E o Muro
a Maria de Fátima Marinho
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
1 206
António Ramos Rosa
A Mão E o Muro
a Maria de Fátima Marinho
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
1 206
António Ramos Rosa
A Mão E o Muro
a Maria de Fátima Marinho
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
A mão é a mão
a mão no muro
entre o grito e as letras
a violência do silêncio
………………………………………………..…
onde estão as palavras que se apaguem na brancura
que me apaguem
e me disseminem sémen na folha
branco silêncio pedra árvore
………………………………………………..…
A mão tem outra mão ou procura a própria mão
a mão procura a mão sobre o seu próprio muro
os dedos desenham
letras linhas lábios
um animal disperso busca o corpo intacto
as ervas são as palavras destas pedras mudas
Há uma fenda na pedra há uma boca no muro
mas as palavras cessam no silêncio do muro
sem o espaço verde e sem a luz
sem o pulsar da terra sem o calor das pedras
…………………………………………….
A mão é a mão
a mão no muro
mas do outro lado do muro há outra mão
há outro corpo para além do muro
as letras respiram sobre a página
As palavras inscrevem-se sobre o muro da mão
só as letras sobrevivem sobre o muro
a boca busca a boca branca
do corpo que se dissemina sobre a página
O corpo renascerá na folha violenta
entre formigas pedras ervas
no silêncio voraz
na sombra opaca e deslumbrante das palavras?
A mão dissemina o ardor do pulso
no espaço ou no deserto
Ouvir-se-á agora a árvore do silêncio?
Que corpo dessedenta a boca desta mão?
A mão exacta percorre a solidão do muro
cada palavra sufoca as suas letras
e o grito
toda a luz é hostil sobre os membros dilacerados
Pronuncio em vão palavras no silêncio do muro
a violência das letras não se liberta da mão
mas há um grito em cada letra
quando dirão as palavras os gritos das suas letras
quando é que o corpo encontra a própria boca
contra a boca do muro
A mão será a mão da outra mão
O corpo reunir-se-á ao corpo atrás do muro
1 206
António Ramos Rosa
Na Dispersão Unida
Na dispersão unida
rua e corpo
no quarto
ferida a ferida
dada
A boca toca
a página
toca
o braço
do próprio ser na boca doutro
que
lhe dá a língua suprema sem saber
se arde se não
tão boa a nudez nua
arde laranja arde ardente
até ao terceiro grito branco
e
se abre a boca até ao centro negro
num felino incêndio de rasgadas partes
tudo redondo e suave em superfície
rua e corpo
no quarto
ferida a ferida
dada
A boca toca
a página
toca
o braço
do próprio ser na boca doutro
que
lhe dá a língua suprema sem saber
se arde se não
tão boa a nudez nua
arde laranja arde ardente
até ao terceiro grito branco
e
se abre a boca até ao centro negro
num felino incêndio de rasgadas partes
tudo redondo e suave em superfície
1 113
António Ramos Rosa
Como Uma Diferença Desconhecida Sem Diferença
Como uma diferença desconhecida sem diferença
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
1 088
António Ramos Rosa
Como Uma Diferença Desconhecida Sem Diferença
Como uma diferença desconhecida sem diferença
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
a lâmina do silêncio branco dentro
o percurso da sombra fresca sobre o mar
numa varanda aberta ao espaço global
forma do vento figura feita de ar
silêncio que retorna sob o frio
corpo descoberto desde as plantas frígidas
com um rosto renovado pelas rajadas de ar
com a face do silêncio em frente sobre o mar
1 088
António Ramos Rosa
Que Diz a Palavra Quando a Plena Rectitude
Que diz a palavra quando a plena rectitude
erige o desejo de a plantar inteira?
Que diz a consciência do ar no corpo
ao ar que trespassa este e aquele e o mesmo corpo?
…………………………………………………..
Eu desejo a palavra do corpo uma única vez
de cada vez que escrevo o sempre bem amado
membro eterno do desejo que fundo cava a cova
cava o sexo nocturno donde a luz do corpo nasce
Quem não ama esse membro doloroso e profundo
quem não chora na muralha do ventre o membro erecto
que mulher não o abraça e beija no cimo ardente
que homem não o quer que pedra viva e rubra
que seja mais dura e vulnerável viva
que vulva não o aspira na bondade mais fecunda?
erige o desejo de a plantar inteira?
Que diz a consciência do ar no corpo
ao ar que trespassa este e aquele e o mesmo corpo?
…………………………………………………..
Eu desejo a palavra do corpo uma única vez
de cada vez que escrevo o sempre bem amado
membro eterno do desejo que fundo cava a cova
cava o sexo nocturno donde a luz do corpo nasce
Quem não ama esse membro doloroso e profundo
quem não chora na muralha do ventre o membro erecto
que mulher não o abraça e beija no cimo ardente
que homem não o quer que pedra viva e rubra
que seja mais dura e vulnerável viva
que vulva não o aspira na bondade mais fecunda?
1 033
António Ramos Rosa
Que Diz a Palavra Quando a Plena Rectitude
Que diz a palavra quando a plena rectitude
erige o desejo de a plantar inteira?
Que diz a consciência do ar no corpo
ao ar que trespassa este e aquele e o mesmo corpo?
…………………………………………………..
Eu desejo a palavra do corpo uma única vez
de cada vez que escrevo o sempre bem amado
membro eterno do desejo que fundo cava a cova
cava o sexo nocturno donde a luz do corpo nasce
Quem não ama esse membro doloroso e profundo
quem não chora na muralha do ventre o membro erecto
que mulher não o abraça e beija no cimo ardente
que homem não o quer que pedra viva e rubra
que seja mais dura e vulnerável viva
que vulva não o aspira na bondade mais fecunda?
erige o desejo de a plantar inteira?
Que diz a consciência do ar no corpo
ao ar que trespassa este e aquele e o mesmo corpo?
…………………………………………………..
Eu desejo a palavra do corpo uma única vez
de cada vez que escrevo o sempre bem amado
membro eterno do desejo que fundo cava a cova
cava o sexo nocturno donde a luz do corpo nasce
Quem não ama esse membro doloroso e profundo
quem não chora na muralha do ventre o membro erecto
que mulher não o abraça e beija no cimo ardente
que homem não o quer que pedra viva e rubra
que seja mais dura e vulnerável viva
que vulva não o aspira na bondade mais fecunda?
1 033
António Ramos Rosa
Refaz a Pequena Chama da Montanha
Refaz a pequena chama da montanha
refaz a ardente fuga dos flancos
chama os joelhos e as nádegas sob as ondas
Chama e refaz o rosto sob as máscaras
na nudez sem perdão no perdão da nudez
reclama outro nome outra música outras pedras
Deita-te sobre os seios e o sexo da terra
refaz a ardente fuga dos flancos
chama os joelhos e as nádegas sob as ondas
Chama e refaz o rosto sob as máscaras
na nudez sem perdão no perdão da nudez
reclama outro nome outra música outras pedras
Deita-te sobre os seios e o sexo da terra
1 276
António Ramos Rosa
Ferozmente Nulo Humilde Árido
Ferozmente nulo humilde árido
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
1 010
António Ramos Rosa
Ferozmente Nulo Humilde Árido
Ferozmente nulo humilde árido
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
percorro este intervalo de assombro nu
entre ar e ar
no repouso vibrante de um andar na margem
do centro verde da água do silêncio
antes do depois no ainda já
presente em todo o corpo gelado de ar
no chão mais alto e luminoso igual
num percurso indiferente às aranhas de dentro
no hálito inicial de uma boca de mar
1 010
António Ramos Rosa
Entre o Fogo E Os Dedos Desligados
Entre o fogo e os dedos desligados
entre a cabeça longe na terra ainda vermelha
e a água sem dançar e o corpo sem o verde
enterrado no canal negro
impetuosamente nulo
o nome raso com o odor a fêmea
em que coxas comprimido ou em que boca
trucidado sem nascer
com os pulsos abertos
e os olhos coagulados sobre o muro
serei eu sou eu pedra sem lamento
pedra sem amargura e sem ventre
cabeça sobre o céu deserto
e sem a sede e no vazio e no deserto
entre a cabeça longe na terra ainda vermelha
e a água sem dançar e o corpo sem o verde
enterrado no canal negro
impetuosamente nulo
o nome raso com o odor a fêmea
em que coxas comprimido ou em que boca
trucidado sem nascer
com os pulsos abertos
e os olhos coagulados sobre o muro
serei eu sou eu pedra sem lamento
pedra sem amargura e sem ventre
cabeça sobre o céu deserto
e sem a sede e no vazio e no deserto
1 089
António Ramos Rosa
Tu a Delícia Branca
Tu a delícia branca
tu a negra
a que se dá um nome breve
e nulo
(a flor)
mas também o verde
e negro sabor da língua espessa
tu a ligeira perna
sobre o ombro
tu a pesada carga de silêncios
de longas coxas
desvalidas
ávidas
tu a soberba
molestada
trave
Tu rara
e pouca
e grande sobre a cama
à altura rasa de beber a espuma
e o sangue e o ardor da ferida
tu a negra
a que se dá um nome breve
e nulo
(a flor)
mas também o verde
e negro sabor da língua espessa
tu a ligeira perna
sobre o ombro
tu a pesada carga de silêncios
de longas coxas
desvalidas
ávidas
tu a soberba
molestada
trave
Tu rara
e pouca
e grande sobre a cama
à altura rasa de beber a espuma
e o sangue e o ardor da ferida
545
António Ramos Rosa
Nascer Com a Palavra
à Eugénia Maria
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
1 053
António Ramos Rosa
Nascer Com a Palavra
à Eugénia Maria
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
1 053
António Ramos Rosa
Nascer Com a Palavra
à Eugénia Maria
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
1 053
António Ramos Rosa
Nascer Com a Palavra
à Eugénia Maria
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
e à Kitty
Nascer começa com o desejo? Com a sede do nome?
Que todo o sinal seja ao mesmo tempo carne
Se alguma coisa tu dizes acende-se na página
É um nome que eu quero dizer mas
o que eu desejo não tem nome porque
é anterior a todas as palavras
e é por ele que cada coisa ganha um nome
Aqui é o lugar onde se forma a face
visível e silenciosa das palavras
Neste instante desapareço
As palavras começam a ter cor
e um equilíbrio alto
um rio de formas surge
Neste momento vejo um verde ígneo e um cinzento suave
Escrever é como beber por um copo de barro
a água de um corpo em que sombras se movem
e as sombras iluminam-se e iluminam as coisas
e o secreto nome brilha na parede alta
Posso abrir um parêntesis e incluir nele o muro
Esqueço tudo para poder respirar o princípio de tudo
em que de súbito uma folhagem estremece e as palavras surgem
trémulas ainda de silêncio e de desejo
Ouço um rumor ou não A lâmpada que empunho é obscura
mas busco seguir devagar um ritmo do conjunto branco
em que todas as palavras se aniquilam e a abertura se abre.
…………………………………………………………..
Nascer começa aqui onde se inaugura um incessante acto
em que se reúne o resto do que se produz continuamente
mas que é invisível deste lado do real
e é aí o centro líquido onde o corpo se refaz
a cada palavra que pronuncia a boca ferida
As palavras chamam as coisas e multiplicam-nas
sobre um fundo obscuro onde ressoam claras
Não é preciso saber não é preciso olhar
O contacto com o fundo produz a sequência feliz que principia
Um corpo desenha-se fora de nós habita o espaço
e é como se atingisse o solo onde se respira
Uma corrente única atravessa as coisas e as palavras
O mundo nasce a cada palavra e é a palavra que nasce
1 053
António Ramos Rosa
Boca Completa
a Teresa Rita
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
555
António Ramos Rosa
Boca Completa
a Teresa Rita
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
555
António Ramos Rosa
Boca Completa
a Teresa Rita
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
e a António José Saraiva
Estar sobre o opaco Livre
Imediato
Estar no negro A coisa mesma
sem intervalo
Amar sobre A pedra a boca
do morto e vivo sempre
Delinear os dedos da própria coisa
Tocar as vértebras do seu silêncio
Dentro Dentro dela
Onde nos chamam Onde nos requerem
Onde as bocas da terra nos respiram
Dentro Dentro imediatamente dentro
da própria coisa negra
Dizer o silêncio o repouso o movimento
desse braço intenso sobre a terra
O compacto completo e nu num ápice
tocado vertiginosamente como um olho
por outro olho
Unidade límpida central feliz
Ser tocado estremecido respirado
pelo próprio centro da coisa obscura
e clara Água água densa e límpida
Água de uma visão sobre madeira
Corpo de metal lúcido
Haste caindo como uma palavra sobre
um animal
Urgência de ser em estar perfeito
Nudez de dentro
Fim do deserto
Princípio da palavra
Boca completa
555