Poemas neste tema
Outros
António Ramos Rosa
As Tuas Armas São Lentas
As tuas armas são lentas
servas compreendem lúcidas reflectem
as tuas armas secretas e patentes
Sorves-te como um sopro em corpo e firmas-te
As tuas ancas desligam-se despenham-se
As tuas servas surpreendem
Nunca têm a febre alta
Caminham no silêncio das tuas pernas
As tuas armas são pequenas e longas
Tecem no espaço as linhas de uma águia
Desfazem um a um os mitos dos enlaces
A tua vista alcança o ponto cego da luz
A tua linguagem é o silêncio sem eco
Tornaste-te num muro alto que não vejo:
o espaço nu
servas compreendem lúcidas reflectem
as tuas armas secretas e patentes
Sorves-te como um sopro em corpo e firmas-te
As tuas ancas desligam-se despenham-se
As tuas servas surpreendem
Nunca têm a febre alta
Caminham no silêncio das tuas pernas
As tuas armas são pequenas e longas
Tecem no espaço as linhas de uma águia
Desfazem um a um os mitos dos enlaces
A tua vista alcança o ponto cego da luz
A tua linguagem é o silêncio sem eco
Tornaste-te num muro alto que não vejo:
o espaço nu
1 049
António Ramos Rosa
As Tuas Armas São Lentas
As tuas armas são lentas
servas compreendem lúcidas reflectem
as tuas armas secretas e patentes
Sorves-te como um sopro em corpo e firmas-te
As tuas ancas desligam-se despenham-se
As tuas servas surpreendem
Nunca têm a febre alta
Caminham no silêncio das tuas pernas
As tuas armas são pequenas e longas
Tecem no espaço as linhas de uma águia
Desfazem um a um os mitos dos enlaces
A tua vista alcança o ponto cego da luz
A tua linguagem é o silêncio sem eco
Tornaste-te num muro alto que não vejo:
o espaço nu
servas compreendem lúcidas reflectem
as tuas armas secretas e patentes
Sorves-te como um sopro em corpo e firmas-te
As tuas ancas desligam-se despenham-se
As tuas servas surpreendem
Nunca têm a febre alta
Caminham no silêncio das tuas pernas
As tuas armas são pequenas e longas
Tecem no espaço as linhas de uma águia
Desfazem um a um os mitos dos enlaces
A tua vista alcança o ponto cego da luz
A tua linguagem é o silêncio sem eco
Tornaste-te num muro alto que não vejo:
o espaço nu
1 049
António Ramos Rosa
O Arco, E Logo, a Folha Alta
O arco, e logo, a folha alta,
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
1 059
António Ramos Rosa
O Arco, E Logo, a Folha Alta
O arco, e logo, a folha alta,
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
1 059
António Ramos Rosa
O Arco, E Logo, a Folha Alta
O arco, e logo, a folha alta,
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
o dia. O espaço,
o silêncio, um bloco transparente.
A casa vive o que eu escrevo,
e a margem branca (intransponível)
é o corpo que eu não sei,
vivo na claridade.
Um corpo, digo, não um cristal.
Que permanece, ainda que eu hesite
ou falhe, ou recomece. E longamente
se abre, no dia, o arco, e a mão que o perde.
Só uma distância, ou o desejo, o quer.
Mas onde e quando, enquanto existe?
A vulnerada folha não o rasga.
O corpo, no horizonte, dura, intacto.
1 059
António Ramos Rosa
Desmancha-Se o Cavalo? Jamais.
Desmancha-se o cavalo? Jamais.
A resposta vem da força dele.
Corre por cima dos desastres.
É fogo e pedra alta bem talhada.
Impossível quebrar-lhe a linha aérea
que tem a terra toda nos seus cascos.
Pesa por si e pelo campo em torno.
E o tácito apelo do risco em frente.
Vive, portanto, mais alto do que o tempo.
Ele próprio é bandeira sem bandeira,
o cavalo que nunca o é para si mesmo.
A resposta vem da força dele.
Corre por cima dos desastres.
É fogo e pedra alta bem talhada.
Impossível quebrar-lhe a linha aérea
que tem a terra toda nos seus cascos.
Pesa por si e pelo campo em torno.
E o tácito apelo do risco em frente.
Vive, portanto, mais alto do que o tempo.
Ele próprio é bandeira sem bandeira,
o cavalo que nunca o é para si mesmo.
1 103
António Ramos Rosa
Da Incerteza Nasce
Da incerteza nasce,
ou dúvida. (Nem sempre.)
Débil, atravessa a folha.
A sua erva de animal:
a sede e o vazio da sombra.
Através das linhas
uma arbitrária rede justifica-se;
adiro à saliva do seu rastro:
a concha desenrola-se: uma casa
suspensa, vagarosa, incerta.
Uma figura? Ou vejo a casa mesma,
com olhos de animal, os olhos dele.
ou dúvida. (Nem sempre.)
Débil, atravessa a folha.
A sua erva de animal:
a sede e o vazio da sombra.
Através das linhas
uma arbitrária rede justifica-se;
adiro à saliva do seu rastro:
a concha desenrola-se: uma casa
suspensa, vagarosa, incerta.
Uma figura? Ou vejo a casa mesma,
com olhos de animal, os olhos dele.
1 048
António Ramos Rosa
Perto do Mar
A água de uma floresta
onde todos os pássaros são dedos submersos
O lugar dos corpos
até ao fundo arde
Podemos subir descer
perto do mar
a longa escada verde inteira e leve
até à beira das grandes pedras
onde o silêncio da terra
cresceu à altura das árvores
unânime sabor enorme das folhas que nas mãos
se enrolam frescas
somos quase a água de um segredo
como se nascêssemos
com os punhos rolados no mar
o solo até à boca
os ossos vivos no abraço
a cinza verde que se sorve é a seiva
de um ar ardente e novo
para uns lábios juntos
no silêncio das palavras jovens
Vivos entre as hastes pelos olhos
os elos do ar ligam-nos a um corpo único
todas as gavetas se dissolvem
e delas sai a pomba da água unida
cujo bico aponta o sol na clareira
Animais do sol levíssimos
propagamo-nos no azul da terra
nos verdes claros nos castanhos densos nos negros
comemos os frutos das cores dadas
as pedras as pinhas as agulhas
cantando quase o mar
Cai a noite
sobre um muro branco
a plenitude da folhagem no silêncio
nos nós verdes inundados pela sombra
não nos perdemos entre as árvores e as espigas
sentindo o áspero gosto das pedras
o pó miúdo e solto sobre as faces
o grande sorvo fresco da aragem
noite ou mar
por um caminho em que as estrelas se dispersam
como as palavras de um texto
os lábios sobram do excesso suave e grande
e soletram no silêncio do ar nocturno
onde todos os pássaros são dedos submersos
O lugar dos corpos
até ao fundo arde
Podemos subir descer
perto do mar
a longa escada verde inteira e leve
até à beira das grandes pedras
onde o silêncio da terra
cresceu à altura das árvores
unânime sabor enorme das folhas que nas mãos
se enrolam frescas
somos quase a água de um segredo
como se nascêssemos
com os punhos rolados no mar
o solo até à boca
os ossos vivos no abraço
a cinza verde que se sorve é a seiva
de um ar ardente e novo
para uns lábios juntos
no silêncio das palavras jovens
Vivos entre as hastes pelos olhos
os elos do ar ligam-nos a um corpo único
todas as gavetas se dissolvem
e delas sai a pomba da água unida
cujo bico aponta o sol na clareira
Animais do sol levíssimos
propagamo-nos no azul da terra
nos verdes claros nos castanhos densos nos negros
comemos os frutos das cores dadas
as pedras as pinhas as agulhas
cantando quase o mar
Cai a noite
sobre um muro branco
a plenitude da folhagem no silêncio
nos nós verdes inundados pela sombra
não nos perdemos entre as árvores e as espigas
sentindo o áspero gosto das pedras
o pó miúdo e solto sobre as faces
o grande sorvo fresco da aragem
noite ou mar
por um caminho em que as estrelas se dispersam
como as palavras de um texto
os lábios sobram do excesso suave e grande
e soletram no silêncio do ar nocturno
1 106
António Ramos Rosa
Em Torno Um Espaço
Em torno um espaço
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
1 148
António Ramos Rosa
Em Torno Um Espaço
Em torno um espaço
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
1 148
António Ramos Rosa
Em Torno Um Espaço
Em torno um espaço
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
— e já a noite ou a sombra
desta mão?
Um espaço. Um espaço
de equilíbrio.
Ausente sempre.
Existe ou não existe?
Que me importa? Um espaço
o cerca. Um equilíbrio.
Onde se encontra? Como
saber se nele tropeço, ou o desfaço?
Se o visse, como o diria?
Direi que é nada. Nada.
Que digo eu? Que é nada
ou só o muro que o tapa.
Fumo de palavras. Nada,
a raiva torpe, o negro
inútil destas linhas.
E todavia o espaço,
o equilíbrio,
o equilíbrio do espaço.
Como, como se,
um sopro submerso,
um feixe de haustos,
um novo corpo
num espaço de equilíbrio.
(Efémero desde sempre?
Irredutível?
A palavra o recolhe
mas não o diz?
E que digo eu agora?
Apenas que ele existe?)
Um espaço. Um equilíbrio.
Um espaço
de equilíbrio.
Em torno ao que
às vezes chamo árvore
ou tronco.
1 148
António Ramos Rosa
A Pobreza de Certas Palavras
É para ouvires o som de um buraco,
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
1 075
António Ramos Rosa
A Pobreza de Certas Palavras
É para ouvires o som de um buraco,
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
1 075
António Ramos Rosa
A Pobreza de Certas Palavras
É para ouvires o som de um buraco,
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
certas palavras despidas, certas palavras pobres:
o som de um buraco.
O sopro que ouvires, não o ouves, não é o sopro da árvore.
Aqui esqueceu-se o peso das pedras.
Por isso outras palavras: as que sobram.
Não as que restam.
Não será um grito. Certas palavras, só.
A quebra muda, nem sequer um baque.
Eis o que elas produzem depois de ti:
o som de um buraco.
Entre nós: não o ouvido. Certas palavras mais pobres,
obsessivas, mortas.
Persistem. Morrem.
1 075
António Ramos Rosa
Para Ser Nos Limites
Para ser nos limites, luz da árvore, para estar no espaço,
mãos que formem um corpo — que o desfaçam e o reúnam
— corpo nu,
a primeira palavra, o primeiro tacto.
Nasce a árvore no lugar onde é o espaço
onde tu estás.
Eu amo essa palavra no lugar — a palavra no olhar
a palavra que me faz
ver-te.
Para ser e para estar
quero construir-te árvore
do meu tacto,
árvore do meu olhar,
minha árvore.
A árvore inteira
no hálito de te ver.
Árvore no seu lugar.
Sou eu perante ti — de face
em meu rosto real
e o mesmo ar
da árvore.
mãos que formem um corpo — que o desfaçam e o reúnam
— corpo nu,
a primeira palavra, o primeiro tacto.
Nasce a árvore no lugar onde é o espaço
onde tu estás.
Eu amo essa palavra no lugar — a palavra no olhar
a palavra que me faz
ver-te.
Para ser e para estar
quero construir-te árvore
do meu tacto,
árvore do meu olhar,
minha árvore.
A árvore inteira
no hálito de te ver.
Árvore no seu lugar.
Sou eu perante ti — de face
em meu rosto real
e o mesmo ar
da árvore.
1 147
António Ramos Rosa
Cavalo Pronto a Subir
Cavalo pronto a subir
mas sempre a terra e a pausa
erguem a casa e o caminho,
o tronco e a garupa, nomes fortes.
Cavalo de palavra e terra,
pequeno aqui ou largo em nome e ser,
corre no tempo de olhar uma campina
ou empinado em brasa sobre as casas.
Cavalo de raiva amaciada,
espuma de um relincho na parede
mais alta da terra, ouvido
da noite em forma de cavalo
no horizonte.
mas sempre a terra e a pausa
erguem a casa e o caminho,
o tronco e a garupa, nomes fortes.
Cavalo de palavra e terra,
pequeno aqui ou largo em nome e ser,
corre no tempo de olhar uma campina
ou empinado em brasa sobre as casas.
Cavalo de raiva amaciada,
espuma de um relincho na parede
mais alta da terra, ouvido
da noite em forma de cavalo
no horizonte.
1 213
António Ramos Rosa
O Vigor do Cavalo, o Rigor da Palavra
O vigor do cavalo, o rigor da palavra
nua. Pátria do meu corpo.
Sopra nuvens brancas, cavalga o continente
com a terra toda vibrante e luminosa.
Vejo que a pedra é pedra, a terra terra,
mas negando a pedra, negando a terra,
de novo encontro a pedra, de novo encontro a terra
numa primeira vez de compacta lucidez.
Cavalo que me reúnes sobre escombros e cinzas
a uma textura carnal, aos ossos inseridos,
a uma fecunda cave, às raízes da voz.
Escrevo o chão consolidando a terra
por amor do teu garbo, tua dura estrada,
teu lento amadurecer, tua lição de andar.
nua. Pátria do meu corpo.
Sopra nuvens brancas, cavalga o continente
com a terra toda vibrante e luminosa.
Vejo que a pedra é pedra, a terra terra,
mas negando a pedra, negando a terra,
de novo encontro a pedra, de novo encontro a terra
numa primeira vez de compacta lucidez.
Cavalo que me reúnes sobre escombros e cinzas
a uma textura carnal, aos ossos inseridos,
a uma fecunda cave, às raízes da voz.
Escrevo o chão consolidando a terra
por amor do teu garbo, tua dura estrada,
teu lento amadurecer, tua lição de andar.
1 181
António Ramos Rosa
O Vigor do Cavalo, o Rigor da Palavra
O vigor do cavalo, o rigor da palavra
nua. Pátria do meu corpo.
Sopra nuvens brancas, cavalga o continente
com a terra toda vibrante e luminosa.
Vejo que a pedra é pedra, a terra terra,
mas negando a pedra, negando a terra,
de novo encontro a pedra, de novo encontro a terra
numa primeira vez de compacta lucidez.
Cavalo que me reúnes sobre escombros e cinzas
a uma textura carnal, aos ossos inseridos,
a uma fecunda cave, às raízes da voz.
Escrevo o chão consolidando a terra
por amor do teu garbo, tua dura estrada,
teu lento amadurecer, tua lição de andar.
nua. Pátria do meu corpo.
Sopra nuvens brancas, cavalga o continente
com a terra toda vibrante e luminosa.
Vejo que a pedra é pedra, a terra terra,
mas negando a pedra, negando a terra,
de novo encontro a pedra, de novo encontro a terra
numa primeira vez de compacta lucidez.
Cavalo que me reúnes sobre escombros e cinzas
a uma textura carnal, aos ossos inseridos,
a uma fecunda cave, às raízes da voz.
Escrevo o chão consolidando a terra
por amor do teu garbo, tua dura estrada,
teu lento amadurecer, tua lição de andar.
1 181
António Ramos Rosa
Um Ponto
Um ponto — talvez um centro
em permanência de tranquilidade
para a noite inteira. Um ponto
extremo, interno. Um pequeníssimo ponto
invulnerável
de estabilidade total
— nascido como? — fruto do espaço limpo,
de aberta aderência nua ao ar,
de constância livre, desocupada,
do descanso de ser até ao fundo simples,
de completa entrega?
Um ponto nu inabitado branco
de intocável serenidade,
fixo como um nervo e imponderável,
de fim inicial,
ponto de respiração,
clareira de estar,
abertura central viva,
praia de ser e nada
— mas apenas um ponto, um puro ponto
contra a noite inteira,
contra o frio,
contra a destruição.
Ponto de união
de paz coextensa à noite,
opaco e diáfano nó
do desenlace perfeito.
Nó de água
da água mais nua.
Ninho interno do espaço.
Pequena lua essencial
num horizonte de segura paz.
Ponto, em ti descanso,
certeza do mundo e de mim
em ti, dentro da noite,
atinjo o equilíbrio actual e puro.
Ponto, antes do início,
de ti a ti, em mim,
pulsação lisa e leve,
suave motor da terra,
a pacífica respiração do oásis.
Ponto
de universo fixado
onde atingi a consistência dócil
de permanecer entregue,
plenitude abrigada
na navegação nocturna.
Um ponto vazio,
plenamente vazio.
em permanência de tranquilidade
para a noite inteira. Um ponto
extremo, interno. Um pequeníssimo ponto
invulnerável
de estabilidade total
— nascido como? — fruto do espaço limpo,
de aberta aderência nua ao ar,
de constância livre, desocupada,
do descanso de ser até ao fundo simples,
de completa entrega?
Um ponto nu inabitado branco
de intocável serenidade,
fixo como um nervo e imponderável,
de fim inicial,
ponto de respiração,
clareira de estar,
abertura central viva,
praia de ser e nada
— mas apenas um ponto, um puro ponto
contra a noite inteira,
contra o frio,
contra a destruição.
Ponto de união
de paz coextensa à noite,
opaco e diáfano nó
do desenlace perfeito.
Nó de água
da água mais nua.
Ninho interno do espaço.
Pequena lua essencial
num horizonte de segura paz.
Ponto, em ti descanso,
certeza do mundo e de mim
em ti, dentro da noite,
atinjo o equilíbrio actual e puro.
Ponto, antes do início,
de ti a ti, em mim,
pulsação lisa e leve,
suave motor da terra,
a pacífica respiração do oásis.
Ponto
de universo fixado
onde atingi a consistência dócil
de permanecer entregue,
plenitude abrigada
na navegação nocturna.
Um ponto vazio,
plenamente vazio.
1 031
António Ramos Rosa
Um Ponto
Um ponto — talvez um centro
em permanência de tranquilidade
para a noite inteira. Um ponto
extremo, interno. Um pequeníssimo ponto
invulnerável
de estabilidade total
— nascido como? — fruto do espaço limpo,
de aberta aderência nua ao ar,
de constância livre, desocupada,
do descanso de ser até ao fundo simples,
de completa entrega?
Um ponto nu inabitado branco
de intocável serenidade,
fixo como um nervo e imponderável,
de fim inicial,
ponto de respiração,
clareira de estar,
abertura central viva,
praia de ser e nada
— mas apenas um ponto, um puro ponto
contra a noite inteira,
contra o frio,
contra a destruição.
Ponto de união
de paz coextensa à noite,
opaco e diáfano nó
do desenlace perfeito.
Nó de água
da água mais nua.
Ninho interno do espaço.
Pequena lua essencial
num horizonte de segura paz.
Ponto, em ti descanso,
certeza do mundo e de mim
em ti, dentro da noite,
atinjo o equilíbrio actual e puro.
Ponto, antes do início,
de ti a ti, em mim,
pulsação lisa e leve,
suave motor da terra,
a pacífica respiração do oásis.
Ponto
de universo fixado
onde atingi a consistência dócil
de permanecer entregue,
plenitude abrigada
na navegação nocturna.
Um ponto vazio,
plenamente vazio.
em permanência de tranquilidade
para a noite inteira. Um ponto
extremo, interno. Um pequeníssimo ponto
invulnerável
de estabilidade total
— nascido como? — fruto do espaço limpo,
de aberta aderência nua ao ar,
de constância livre, desocupada,
do descanso de ser até ao fundo simples,
de completa entrega?
Um ponto nu inabitado branco
de intocável serenidade,
fixo como um nervo e imponderável,
de fim inicial,
ponto de respiração,
clareira de estar,
abertura central viva,
praia de ser e nada
— mas apenas um ponto, um puro ponto
contra a noite inteira,
contra o frio,
contra a destruição.
Ponto de união
de paz coextensa à noite,
opaco e diáfano nó
do desenlace perfeito.
Nó de água
da água mais nua.
Ninho interno do espaço.
Pequena lua essencial
num horizonte de segura paz.
Ponto, em ti descanso,
certeza do mundo e de mim
em ti, dentro da noite,
atinjo o equilíbrio actual e puro.
Ponto, antes do início,
de ti a ti, em mim,
pulsação lisa e leve,
suave motor da terra,
a pacífica respiração do oásis.
Ponto
de universo fixado
onde atingi a consistência dócil
de permanecer entregue,
plenitude abrigada
na navegação nocturna.
Um ponto vazio,
plenamente vazio.
1 031
António Ramos Rosa
Contra o Silêncio
Ardem os braços, ardem contra
o silêncio. Não grito.
Doem os ossos contra a porta.
Abrem-se ao abraço. Estalam? Querem?
Suporto frente à porta.
Não é o silêncio do silêncio.
Não a terra da casa nem o tronco da terra.
Não a face no espelho onde nulo me vejo.
Rosto pregado ao solo, às pregas mínimas,
contacto a pura força dos ossos masculinos.
Dói. Dói-me a força que sustento.
A parede do silêncio mais espessa.
As escuras veias que se engrossam.
Rasgarei uma nuvem? Abrirei uma pedra?
Contenho o tronco, a força contra o tempo?
Uma janela? Não. Não antecipo.
No meu corpo ainda não se fez silêncio.
Abro, abro a porta deste tronco ou fecho-a?
Estendo os braços que estalam. Uma ponte?
Atravesso as veias de madeira ou de pedra.
Silva algum astro na seiva ou as raízes rangem?
Sou compactamente. Nada ainda sou.
Sobrevivo ainda. Resisto ainda. Forço ainda. Quero.
O silêncio ainda é uma bandeira de febre.
Um país de insectos dissemina-se.
Vibro no saibro ardente. Vibro e ardo.
Se atingir os ombros, desaguar as espáduas,
deixarei a onda mais branca do silêncio
abrir-me a porta, descerrar-me o tronco?
Estou aqui. Aonde? Cerradamente inverso.
Por uma ferida verde, por uma porta aberta?
Estou aqui onde não é uma torre,
contra a expulsão. Por uma explosão suave.
Ah, se caísse, caísse na queda que me erguesse?
Até à folha onde escrevo, que país de mãos seria?
o silêncio. Não grito.
Doem os ossos contra a porta.
Abrem-se ao abraço. Estalam? Querem?
Suporto frente à porta.
Não é o silêncio do silêncio.
Não a terra da casa nem o tronco da terra.
Não a face no espelho onde nulo me vejo.
Rosto pregado ao solo, às pregas mínimas,
contacto a pura força dos ossos masculinos.
Dói. Dói-me a força que sustento.
A parede do silêncio mais espessa.
As escuras veias que se engrossam.
Rasgarei uma nuvem? Abrirei uma pedra?
Contenho o tronco, a força contra o tempo?
Uma janela? Não. Não antecipo.
No meu corpo ainda não se fez silêncio.
Abro, abro a porta deste tronco ou fecho-a?
Estendo os braços que estalam. Uma ponte?
Atravesso as veias de madeira ou de pedra.
Silva algum astro na seiva ou as raízes rangem?
Sou compactamente. Nada ainda sou.
Sobrevivo ainda. Resisto ainda. Forço ainda. Quero.
O silêncio ainda é uma bandeira de febre.
Um país de insectos dissemina-se.
Vibro no saibro ardente. Vibro e ardo.
Se atingir os ombros, desaguar as espáduas,
deixarei a onda mais branca do silêncio
abrir-me a porta, descerrar-me o tronco?
Estou aqui. Aonde? Cerradamente inverso.
Por uma ferida verde, por uma porta aberta?
Estou aqui onde não é uma torre,
contra a expulsão. Por uma explosão suave.
Ah, se caísse, caísse na queda que me erguesse?
Até à folha onde escrevo, que país de mãos seria?
1 207
António Ramos Rosa
Contra o Silêncio
Ardem os braços, ardem contra
o silêncio. Não grito.
Doem os ossos contra a porta.
Abrem-se ao abraço. Estalam? Querem?
Suporto frente à porta.
Não é o silêncio do silêncio.
Não a terra da casa nem o tronco da terra.
Não a face no espelho onde nulo me vejo.
Rosto pregado ao solo, às pregas mínimas,
contacto a pura força dos ossos masculinos.
Dói. Dói-me a força que sustento.
A parede do silêncio mais espessa.
As escuras veias que se engrossam.
Rasgarei uma nuvem? Abrirei uma pedra?
Contenho o tronco, a força contra o tempo?
Uma janela? Não. Não antecipo.
No meu corpo ainda não se fez silêncio.
Abro, abro a porta deste tronco ou fecho-a?
Estendo os braços que estalam. Uma ponte?
Atravesso as veias de madeira ou de pedra.
Silva algum astro na seiva ou as raízes rangem?
Sou compactamente. Nada ainda sou.
Sobrevivo ainda. Resisto ainda. Forço ainda. Quero.
O silêncio ainda é uma bandeira de febre.
Um país de insectos dissemina-se.
Vibro no saibro ardente. Vibro e ardo.
Se atingir os ombros, desaguar as espáduas,
deixarei a onda mais branca do silêncio
abrir-me a porta, descerrar-me o tronco?
Estou aqui. Aonde? Cerradamente inverso.
Por uma ferida verde, por uma porta aberta?
Estou aqui onde não é uma torre,
contra a expulsão. Por uma explosão suave.
Ah, se caísse, caísse na queda que me erguesse?
Até à folha onde escrevo, que país de mãos seria?
o silêncio. Não grito.
Doem os ossos contra a porta.
Abrem-se ao abraço. Estalam? Querem?
Suporto frente à porta.
Não é o silêncio do silêncio.
Não a terra da casa nem o tronco da terra.
Não a face no espelho onde nulo me vejo.
Rosto pregado ao solo, às pregas mínimas,
contacto a pura força dos ossos masculinos.
Dói. Dói-me a força que sustento.
A parede do silêncio mais espessa.
As escuras veias que se engrossam.
Rasgarei uma nuvem? Abrirei uma pedra?
Contenho o tronco, a força contra o tempo?
Uma janela? Não. Não antecipo.
No meu corpo ainda não se fez silêncio.
Abro, abro a porta deste tronco ou fecho-a?
Estendo os braços que estalam. Uma ponte?
Atravesso as veias de madeira ou de pedra.
Silva algum astro na seiva ou as raízes rangem?
Sou compactamente. Nada ainda sou.
Sobrevivo ainda. Resisto ainda. Forço ainda. Quero.
O silêncio ainda é uma bandeira de febre.
Um país de insectos dissemina-se.
Vibro no saibro ardente. Vibro e ardo.
Se atingir os ombros, desaguar as espáduas,
deixarei a onda mais branca do silêncio
abrir-me a porta, descerrar-me o tronco?
Estou aqui. Aonde? Cerradamente inverso.
Por uma ferida verde, por uma porta aberta?
Estou aqui onde não é uma torre,
contra a expulsão. Por uma explosão suave.
Ah, se caísse, caísse na queda que me erguesse?
Até à folha onde escrevo, que país de mãos seria?
1 207
António Ramos Rosa
Todas As Possíveis Possibilidades
a Rui-Mário Gonçalves
Todas as possíveis possibilidades de ver
claras e sóbrias
se unem e resultam
determinadas, como uma árvore
sem as folhas.
Porque tendem todas para os dedos do espaço,
porque atingiram o ser do nervo,
a textura única.
Facilidade pura.
Olhá-las é um acto
de nervos límpidos:
estaladas,
cantam.
Chegaram a si mesmas,
hastes e panos,
uma vela
de veias
rectilínea.
Relação liberta, livre.
Todas as possíveis possibilidades de ver
claras e sóbrias
se unem e resultam
determinadas, como uma árvore
sem as folhas.
Porque tendem todas para os dedos do espaço,
porque atingiram o ser do nervo,
a textura única.
Facilidade pura.
Olhá-las é um acto
de nervos límpidos:
estaladas,
cantam.
Chegaram a si mesmas,
hastes e panos,
uma vela
de veias
rectilínea.
Relação liberta, livre.
520
António Ramos Rosa
Todas As Possíveis Possibilidades
a Rui-Mário Gonçalves
Todas as possíveis possibilidades de ver
claras e sóbrias
se unem e resultam
determinadas, como uma árvore
sem as folhas.
Porque tendem todas para os dedos do espaço,
porque atingiram o ser do nervo,
a textura única.
Facilidade pura.
Olhá-las é um acto
de nervos límpidos:
estaladas,
cantam.
Chegaram a si mesmas,
hastes e panos,
uma vela
de veias
rectilínea.
Relação liberta, livre.
Todas as possíveis possibilidades de ver
claras e sóbrias
se unem e resultam
determinadas, como uma árvore
sem as folhas.
Porque tendem todas para os dedos do espaço,
porque atingiram o ser do nervo,
a textura única.
Facilidade pura.
Olhá-las é um acto
de nervos límpidos:
estaladas,
cantam.
Chegaram a si mesmas,
hastes e panos,
uma vela
de veias
rectilínea.
Relação liberta, livre.
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