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Fernando Pessoa
She lives on the cover
She lives on the cover
Of a chocolate‑box.
Her wide hat comes over
Her too golden locks.
Near her many a blossom
Of a bad green tree
Her hand's on her bosom
And she looks past me.
Haply she is like
Someone I ne'er knew,
And can memory strike
In a way untrue.
A vague maiden made
Of bad printing work,
Of colours ill‑laid
……
Haply she's someone,
Real, person, and true
In a world, or none,
Our thoughts can construe.
Somehow she is there
And that means something
Real, but not near
Our imagining.
Why was she made that
There and thus, if she
Is not God‑known. What
Is reality?
Nothing that we can
Interpret or dream
Quite exhausts the span
Of what she can seem.
God is very complex.
Life is very wide.
Who knows? She resembles
Much that is denied.
This is idle, but
Perhaps out of here
Its sense may abut
On some notion clear.
Life is shallow water,
Dreams are ripples gone.
To think is to falter
What's known is unknown.
Of a chocolate‑box.
Her wide hat comes over
Her too golden locks.
Near her many a blossom
Of a bad green tree
Her hand's on her bosom
And she looks past me.
Haply she is like
Someone I ne'er knew,
And can memory strike
In a way untrue.
A vague maiden made
Of bad printing work,
Of colours ill‑laid
……
Haply she's someone,
Real, person, and true
In a world, or none,
Our thoughts can construe.
Somehow she is there
And that means something
Real, but not near
Our imagining.
Why was she made that
There and thus, if she
Is not God‑known. What
Is reality?
Nothing that we can
Interpret or dream
Quite exhausts the span
Of what she can seem.
God is very complex.
Life is very wide.
Who knows? She resembles
Much that is denied.
This is idle, but
Perhaps out of here
Its sense may abut
On some notion clear.
Life is shallow water,
Dreams are ripples gone.
To think is to falter
What's known is unknown.
1 408
Fernando Pessoa
She lives on the cover
She lives on the cover
Of a chocolate‑box.
Her wide hat comes over
Her too golden locks.
Near her many a blossom
Of a bad green tree
Her hand's on her bosom
And she looks past me.
Haply she is like
Someone I ne'er knew,
And can memory strike
In a way untrue.
A vague maiden made
Of bad printing work,
Of colours ill‑laid
……
Haply she's someone,
Real, person, and true
In a world, or none,
Our thoughts can construe.
Somehow she is there
And that means something
Real, but not near
Our imagining.
Why was she made that
There and thus, if she
Is not God‑known. What
Is reality?
Nothing that we can
Interpret or dream
Quite exhausts the span
Of what she can seem.
God is very complex.
Life is very wide.
Who knows? She resembles
Much that is denied.
This is idle, but
Perhaps out of here
Its sense may abut
On some notion clear.
Life is shallow water,
Dreams are ripples gone.
To think is to falter
What's known is unknown.
Of a chocolate‑box.
Her wide hat comes over
Her too golden locks.
Near her many a blossom
Of a bad green tree
Her hand's on her bosom
And she looks past me.
Haply she is like
Someone I ne'er knew,
And can memory strike
In a way untrue.
A vague maiden made
Of bad printing work,
Of colours ill‑laid
……
Haply she's someone,
Real, person, and true
In a world, or none,
Our thoughts can construe.
Somehow she is there
And that means something
Real, but not near
Our imagining.
Why was she made that
There and thus, if she
Is not God‑known. What
Is reality?
Nothing that we can
Interpret or dream
Quite exhausts the span
Of what she can seem.
God is very complex.
Life is very wide.
Who knows? She resembles
Much that is denied.
This is idle, but
Perhaps out of here
Its sense may abut
On some notion clear.
Life is shallow water,
Dreams are ripples gone.
To think is to falter
What's known is unknown.
1 408
Fernando Pessoa
Perdi a esperança como uma carteira vazia...
Perdi a esperança como uma carteira vazia...
Troçou de mim o Destino; fiz figas para o outro lado,
E a revolta bem podia ser bordada a missanga por minha avó
E ser relíquia da sala da casa velha que não tenho.
(Jantávamos cedo, num outrora que já me parece de outra incarnação,
E depois tomava-se chá nas noites sossegadas que não voltam.
Minha infância, meu passado sem adolescência, passaram ,
Fiquei triste, como se a verdade me tivesse sido dita,
Mas nunca mais pude sentir verdade nenhuma excepto sentir o passado)
Troçou de mim o Destino; fiz figas para o outro lado,
E a revolta bem podia ser bordada a missanga por minha avó
E ser relíquia da sala da casa velha que não tenho.
(Jantávamos cedo, num outrora que já me parece de outra incarnação,
E depois tomava-se chá nas noites sossegadas que não voltam.
Minha infância, meu passado sem adolescência, passaram ,
Fiquei triste, como se a verdade me tivesse sido dita,
Mas nunca mais pude sentir verdade nenhuma excepto sentir o passado)
1 162
Fernando Pessoa
When slattern Time, worn out with toil of wearing,
When slattern Time, worn out with toil of wearing,
With loose‑tied pack shall trudge upon my years,
And I shall feel that forced occasion nearing
That despair's self (that must live to be) fears,
I, being beggared of all wealth of hope -
So prodigal have I to wishes been -
Shall with known uselessness for the coin grope
To pay that the hour’s ending be serene.
I shall not enter the great silent cave
With curious ardour, or ease out of sun,
But all that with me I shall then still have
Will be a coward rage that all is done.
No hope the cave's a passage shall control
Fear of the immediate night of the shown hole.
With loose‑tied pack shall trudge upon my years,
And I shall feel that forced occasion nearing
That despair's self (that must live to be) fears,
I, being beggared of all wealth of hope -
So prodigal have I to wishes been -
Shall with known uselessness for the coin grope
To pay that the hour’s ending be serene.
I shall not enter the great silent cave
With curious ardour, or ease out of sun,
But all that with me I shall then still have
Will be a coward rage that all is done.
No hope the cave's a passage shall control
Fear of the immediate night of the shown hole.
1 395
Fernando Pessoa
Durmo, remoto; sonho, diferente,
Durmo, remoto; sonho, diferente,
Meu coração, ansioso e pressuroso,
Foi entalado num comboio entre
Os dois vagões do meu destino ocioso.
Meu coração, ansioso e pressuroso,
Foi entalado num comboio entre
Os dois vagões do meu destino ocioso.
1 103
Fernando Pessoa
Onde é que os mortos dormem? Dorme alguém
Onde é que os mortos dormem? Dorme alguém
Neste universo atomicamente falso?
Neste universo atomicamente falso?
1 560
Fernando Pessoa
Há cortejos, pompas, discursos,
Há cortejos, pompas, discursos,
Na inauguração quotidiana dos meus sentimentos inúteis...
São iluminadas à veneziana por luzes contentes
As minhas decepções, e os meus desesperos vão em carrossel
Por uma necessidade [fatídica?] do destino.
Na inauguração quotidiana dos meus sentimentos inúteis...
São iluminadas à veneziana por luzes contentes
As minhas decepções, e os meus desesperos vão em carrossel
Por uma necessidade [fatídica?] do destino.
1 010
Fernando Pessoa
Velha cadeira deixada
Velha cadeira deixada
No canto da casa antiga
Quem dera ver lá sentada
Qualquer alma minha amiga.
No canto da casa antiga
Quem dera ver lá sentada
Qualquer alma minha amiga.
2 677
Fernando Pessoa
Houve um momento entre nós
Houve um momento entre nós
Em que a gente não falou.
Juntos, estávamos sós.
Que bom é assim estar só!
Em que a gente não falou.
Juntos, estávamos sós.
Que bom é assim estar só!
1 453
Fernando Pessoa
Houve um momento entre nós
Houve um momento entre nós
Em que a gente não falou.
Juntos, estávamos sós.
Que bom é assim estar só!
Em que a gente não falou.
Juntos, estávamos sós.
Que bom é assim estar só!
1 453
Fernando Pessoa
Às vezes medito,
Às vezes medito,
Às vezes medito, e medito mais fundo, e ainda mais fundo
E todo o mistério das coisas aparece-me como um óleo à superfície,
E todo o universo é um mar de caras de olhos fechados para mim.
Cada coisa — um candeeiro de esquina, uma pedra, uma árvore,
E um olhar que me fita de um abismo incompreensível,
E desfilam no meu coração os deuses todos, e as ideias dos deuses.
Ah, haver coisas!
Ah, haver seres!
Ah, haver maneira de haver seres
De haver haver,
De haver como haver haver,
De haver...
Ah, o existir o fenómeno abstracto — existir,
Haver consciência e realidade,
O que quer que isto seja...
Como posso eu exprimir o horror que tudo isto me causa?
Como posso eu dizer como é isto para se sentir?
Qual é alma de haver ser?
Ah, o pavoroso mistério de existir a mais pequena coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver qualquer coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver...
Às vezes medito, e medito mais fundo, e ainda mais fundo
E todo o mistério das coisas aparece-me como um óleo à superfície,
E todo o universo é um mar de caras de olhos fechados para mim.
Cada coisa — um candeeiro de esquina, uma pedra, uma árvore,
E um olhar que me fita de um abismo incompreensível,
E desfilam no meu coração os deuses todos, e as ideias dos deuses.
Ah, haver coisas!
Ah, haver seres!
Ah, haver maneira de haver seres
De haver haver,
De haver como haver haver,
De haver...
Ah, o existir o fenómeno abstracto — existir,
Haver consciência e realidade,
O que quer que isto seja...
Como posso eu exprimir o horror que tudo isto me causa?
Como posso eu dizer como é isto para se sentir?
Qual é alma de haver ser?
Ah, o pavoroso mistério de existir a mais pequena coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver qualquer coisa
Porque é o pavoroso mistério de haver...
1 198
Fernando Pessoa
Quero, Neera, que os teus lábios laves
Quero, Neera, que os teus lábios laves
Na nascente tranquila
Para que contra a tua febre e a triste
Dor que pões em viver,
Sintas a fresca e calma natureza
Da água, e reconheças
Que não têm penas nem desassossegos
As ninfas das nascentes
Nem mais soluços do que o som da água
Alegre e natural.
As nossas dores, não, Neera, vêm
Das causas naturais
Datam da alma e do infeliz fruir
Da vida com os homens.
Aprende pois, ó aprendiza jovem
Das clássicas delícias,
A não pôr mais tristeza que um suspiro
No modo como vives.
Nasceste pálida, deitando a regra
Da tua vã beleza
Sob a estólida fé das nossas mãos
Medrosas de ter gozo
Demasiado preso à desconfiança
Que vem de teu saber,
Não para essa vã mnemónica
Do futuro fatal.
Façamos vívidas grinaldas várias
De sol, flores e risos
Para ocultar o fundo fiel à Noite
Do nosso pensamento
Curvado já em vida sob a ideia
Do plutónico jugo
Cônscia já da lívida aguardança
Do caos redivivo.
Na nascente tranquila
Para que contra a tua febre e a triste
Dor que pões em viver,
Sintas a fresca e calma natureza
Da água, e reconheças
Que não têm penas nem desassossegos
As ninfas das nascentes
Nem mais soluços do que o som da água
Alegre e natural.
As nossas dores, não, Neera, vêm
Das causas naturais
Datam da alma e do infeliz fruir
Da vida com os homens.
Aprende pois, ó aprendiza jovem
Das clássicas delícias,
A não pôr mais tristeza que um suspiro
No modo como vives.
Nasceste pálida, deitando a regra
Da tua vã beleza
Sob a estólida fé das nossas mãos
Medrosas de ter gozo
Demasiado preso à desconfiança
Que vem de teu saber,
Não para essa vã mnemónica
Do futuro fatal.
Façamos vívidas grinaldas várias
De sol, flores e risos
Para ocultar o fundo fiel à Noite
Do nosso pensamento
Curvado já em vida sob a ideia
Do plutónico jugo
Cônscia já da lívida aguardança
Do caos redivivo.
859
Fernando Pessoa
A estrada inteiramente insubjectiva
A estrada inteiramente insubjectiva
Branca, branca, sem pensamento algum
Branca, branca, sem pensamento algum
1 506
Fernando Pessoa
A estrada inteiramente insubjectiva
A estrada inteiramente insubjectiva
Branca, branca, sem pensamento algum
Branca, branca, sem pensamento algum
1 506
Fernando Pessoa
Mas que grande disparate
Mas que grande disparate
É o que penso e o que sinto.
Meu coração bate, bate
E se sonho muito, minto.
É o que penso e o que sinto.
Meu coração bate, bate
E se sonho muito, minto.
1 832
Fernando Pessoa
A coisa estranha e muda em todo o corpo,
A coisa estranha e muda em todo o corpo,
Que está ali, ebúrnea, no caixão,
O corpo humano que não é corpo humano
Que ali se cala em todo o ambiente;
O cais deserto que ali aguarda o incógnito
O assombro álgido ali entreabrindo
A porta suprema e invisível;
O nexo incompreensível
Entre a energia e a vida,
Ali janela para a noite infinita...
Ele — o cadáver do outro,
Evoca-me do futuro
[Eu próprio dois?], ou nem assim...
E embandeiro em arco a negro as minhas esperanças
Minha fé cambaleia como uma paisagem de bêbedo,
Meus projectos tocam um muro infinito até infinito.
Que está ali, ebúrnea, no caixão,
O corpo humano que não é corpo humano
Que ali se cala em todo o ambiente;
O cais deserto que ali aguarda o incógnito
O assombro álgido ali entreabrindo
A porta suprema e invisível;
O nexo incompreensível
Entre a energia e a vida,
Ali janela para a noite infinita...
Ele — o cadáver do outro,
Evoca-me do futuro
[Eu próprio dois?], ou nem assim...
E embandeiro em arco a negro as minhas esperanças
Minha fé cambaleia como uma paisagem de bêbedo,
Meus projectos tocam um muro infinito até infinito.
1 407
Fernando Pessoa
NA ÚLTIMA PÁGINA DE UMA ANTOLOGIA NOVA
NA ÚLTIMA PÁGINA DE UMA ANTOLOGIA NOVA
Tantos bons poetas!
Tantos bons poemas!
São realmente bons e bons,
Com tanta concorrência não fica ninguém,
Ou ficam ao acaso, numa lotaria da posteridade,
Obtendo lugares por capricho do Empresário.
Tantos bons poetas!
Para que escrevo eu versos?
Quando os escrevo parecem-me
O que a minha emoção, com que os escrevi, me parece —
A única coisa grande no mundo...
Enche o universo de frio o pavor de mim.
Depois, escritos, visíveis, legíveis...
Ora... E nesta antologia de poetas menores?
Tantos bons poetas!
O que é o génio, afinal, ou como é que se distingue
O génio, e os bons poemas dos bons poetas?
Sei lá se realmente se distingue...
O melhor é dormir...
Fecho a antologia mais cansado do que do mundo —
Sou vulgar?...
Há tantos bons poetas!
Santo Deus!...
Tantos bons poetas!
Tantos bons poemas!
São realmente bons e bons,
Com tanta concorrência não fica ninguém,
Ou ficam ao acaso, numa lotaria da posteridade,
Obtendo lugares por capricho do Empresário.
Tantos bons poetas!
Para que escrevo eu versos?
Quando os escrevo parecem-me
O que a minha emoção, com que os escrevi, me parece —
A única coisa grande no mundo...
Enche o universo de frio o pavor de mim.
Depois, escritos, visíveis, legíveis...
Ora... E nesta antologia de poetas menores?
Tantos bons poetas!
O que é o génio, afinal, ou como é que se distingue
O génio, e os bons poemas dos bons poetas?
Sei lá se realmente se distingue...
O melhor é dormir...
Fecho a antologia mais cansado do que do mundo —
Sou vulgar?...
Há tantos bons poetas!
Santo Deus!...
1 333
Fernando Pessoa
Sorrow no more for the faded rose,
Sorrow no more for the faded rose,
Nor of the yellow lily despair.
These, as we see them, are but their shows.
They are elsewhere.
Tis but their shadow lives in our light.
As we see them (...)
They live more truly in our delight
Than in their forms.
The beauty they had was never lost,
It moved away
From the present hour and the form once tossed
Into space and day.
But the undying essence of the (...)
The rose that faded from yesterday
Is where yesterday is.
I shall have again the flower and the day,
The self and the bliss.
Nor of the yellow lily despair.
These, as we see them, are but their shows.
They are elsewhere.
Tis but their shadow lives in our light.
As we see them (...)
They live more truly in our delight
Than in their forms.
The beauty they had was never lost,
It moved away
From the present hour and the form once tossed
Into space and day.
But the undying essence of the (...)
The rose that faded from yesterday
Is where yesterday is.
I shall have again the flower and the day,
The self and the bliss.
1 414
Fernando Pessoa
O teu carrinho de linha
O teu carrinho de linha
Rolou pelo chão caído.
Apanhei-o e dei-o e tinha
Só em ti o meu sentido.
Rolou pelo chão caído.
Apanhei-o e dei-o e tinha
Só em ti o meu sentido.
859
Fernando Pessoa
Mas eu, alheio sempre, sempre entrando
Mas eu, alheio sempre, sempre entrando
O mais íntimo ser da minha vida,
Vou dentro em mim a sombra procurando.
O mais íntimo ser da minha vida,
Vou dentro em mim a sombra procurando.
1 403
Fernando Pessoa
Quase sem querer
Quase sem querer (se o soubéssemos!) os grandes homens saindo dos homens vulgares
O sargento acaba imperador por transições imperceptíveis
Em que se vai misturando
O conseguimento com o sonho do que se consegue a seguir
E o caminho vai por degraus visíveis, depressa.
Ai dos que desde o principio vêem o fim!
Ai dos que aspiram a saltar a escada!
O conquistador de todos os impérios foi sempre ajudante de guarda-livros
A amante de todos os reis — mesmo dos já mortos — é mãe séria e carinhosa,
Se assim como vejo os corpos por fora, visse as almas por dentro.
Ah, que penitenciaria os Anjos!
Que manicómio o sentido da vida!
O sargento acaba imperador por transições imperceptíveis
Em que se vai misturando
O conseguimento com o sonho do que se consegue a seguir
E o caminho vai por degraus visíveis, depressa.
Ai dos que desde o principio vêem o fim!
Ai dos que aspiram a saltar a escada!
O conquistador de todos os impérios foi sempre ajudante de guarda-livros
A amante de todos os reis — mesmo dos já mortos — é mãe séria e carinhosa,
Se assim como vejo os corpos por fora, visse as almas por dentro.
Ah, que penitenciaria os Anjos!
Que manicómio o sentido da vida!
886
Fernando Pessoa
Coroai-me de rosas. [2]
Coroai-me de rosas.
Coroai-me em verdade
De rosas.
Quero ter a hora
Nas mãos pagãmente
E leve,
Mal sentir a vida,
Mal sentir o sol
Sob ramos.
Coroai-me de rosas
E de folhas de hera
E basta.
Coroai-me em verdade
De rosas.
Quero ter a hora
Nas mãos pagãmente
E leve,
Mal sentir a vida,
Mal sentir o sol
Sob ramos.
Coroai-me de rosas
E de folhas de hera
E basta.
1 507