Poemas neste tema
Outros
Angela Santos
Anunciação
Pior
que tudo
foi o inverno ter chegado
assim de repente,
quando ansiava ainda
manhãs de estio
Pior que tudo, este vento
varrendo dos sentidos
toda a volúpia
Pior que tudo
é este sentir-me estrangeira,
estar dentro e fora da festa…
Lá ao longe eu oiço
musica.. rufares.. alarido
e os convivas chamando
a entrar na dança
e a beber da taça
que colheu o dia.
que tudo
foi o inverno ter chegado
assim de repente,
quando ansiava ainda
manhãs de estio
Pior que tudo, este vento
varrendo dos sentidos
toda a volúpia
Pior que tudo
é este sentir-me estrangeira,
estar dentro e fora da festa…
Lá ao longe eu oiço
musica.. rufares.. alarido
e os convivas chamando
a entrar na dança
e a beber da taça
que colheu o dia.
996
Angela Santos
Construção
Às
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
737
Angela Santos
Construção
Às
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
737
Angela Santos
Construção
Às
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
vezes
deixo-me ficar quieta à espera que chegues
e de repente aí estás
olho-te construída e és palavra
e mais ainda és sentido.
Olho-te no teu ser objectivo,
palavra escrita
que abandonou as paredes estreitas do meu cérebro,
ou outras que eu nem sei,
e sinto-te cinzelada pela coração.
E fico, assim tocada
e sinto-me, sentindo-te corpo de poema
que pulsa…
e mais perto me sinto ainda
de entender esse sopro que assoma
na forma de cifra.
Nem sempre te consinto,
nem sempre me consentes
e contudo eu sei que és o caminho
onde me encontro se o norte se ausenta
ou perdida fico em meu desvario.
737
Angela Santos
Oikos
Oiço,
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
quedo-me serena
buscando decifrar as vozes
que emergem do fundo da terra
dos abismos do mar
O mistério …o obscuro
na transparência possível
vozes que emergem…
de onde?
Terra-mãe
mar, berço original
arvore sagrada verde serenidade
serena e erecta matriz do ser
na vertical.
1 171
Angela Santos
Reinvenção
Abrir-se
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
684
Angela Santos
Reinvenção
Abrir-se
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
684
Angela Santos
Reinvenção
Abrir-se
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
ao mundo
envolto nas palavras que calamos
percorrer caminhos,
antes recusados
Subir aos montes,
saborear o gosto da brisa
que quase uiva…
sobram dias de ruído
a confusão da Babel,
o vazio, o repetido
e a náusea permanente
de tudo ser sempre igual
Ah! pudesse eu regressar ali
onde tudo aconteceu
pela primeira vez…
pudesse eu entrar, lenta e docemente,
nas palavras ditas
que surgem à luz do primeiro brilho,
na génese do absoluto sentido.
Reinventar o vocabulário
como se rasga um caminho
a cada sílaba,
a cada nota,
a cada timbre,
E ante o inusitado pulsar
que nos assalta e acorda,
ver o novo onde o igual
ainda ontem surgia
naquele mesmo lugar.
Com as palavras, uma a uma,
refazer o mundo,
desvendar o centro de cada coisa que é
no instante urgente
em que o sentido grava,
indelevelmente
as marcas do ser.
684
Angela Santos
Eclosão
Cativa
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
no meu peito
uma ave se abriga
nos meus olhos, crescendo
a fome de cores que não vejo
e nas minhas mãos
que abro ao sol de outono
as sementes por plantar
guardo ainda…
E na corrente sem lei
que o meu sangue percorre,
a força de Eros vive adormecida
esperando o dia ou então o sinal
que o desperte e chame à dança da vida.
1 196
Angela Santos
No dia da morte
decretada de um Poeta
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
660
Angela Santos
No dia da morte
decretada de um Poeta
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
(18/10/85)
Hoje
é o dia decretado
para a morte
do poeta que não morre
corda, a mordaça da voz
sem sombra de silêncio.
Da terra que te abraça
sobe o grito renovado
terra irmã do teu corpo
na força e na cor
Cânticos de liberdade soam
na morte do poeta
que não morre…
E de negro se veste o espiritual
negras vozes o entoam
mas a vida fica perto
de quem morrendo não morre
por cantar liberdade.
660
Angela Santos
Hoje e Sempre
Hoje
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
É o perpetuo refluxo
do tempo e da vida
hoje e sempre
Hoje
trago a alma sedenta
os olhos famintos
hoje e sempre
Hoje
é o tempo de refazer e recusar
o que está feito e nos desfaz
hoje e sempre!
Hoje
é o tempo de dizer não
aos caminhos que o não são
hoje e sempre
Hoje
é o tempo da partida
do recomeço,
da descoberta
do golpe de asa
da porta aberta
de um passo mais
de nova ousadia
e outra e outra e outra
ainda.
624
Angela Santos
Pedaços
São
vários os pedaços espalhados
por dentro e por fora de mim
São vários os pedaços dispersos
sem pontes ou laços
E a ténue visão de me desdobrar
na multiplicidade tangente e vaga
Tantos os pedaços tanta a dispersão
que eu já não sei
qual deles sou mais
qual deles mais sinto
vários os pedaços espalhados
por dentro e por fora de mim
São vários os pedaços dispersos
sem pontes ou laços
E a ténue visão de me desdobrar
na multiplicidade tangente e vaga
Tantos os pedaços tanta a dispersão
que eu já não sei
qual deles sou mais
qual deles mais sinto
1 164
Angela Santos
O Grito
O
que me assusta
é esta imensidão
dentro de mim a espraiar-se
este saber-me só
sem outra alma ao alcance
do grito
que me assusta
é esta imensidão
dentro de mim a espraiar-se
este saber-me só
sem outra alma ao alcance
do grito
1 123
Angela Santos
Às Vezes
Às
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
707
Angela Santos
Às Vezes
Às
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
707
Angela Santos
Às Vezes
Às
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
vezes
eu fico sentada à espera
joelhos bem rentes à boca
mergulhada não sei em que águas
levemente agitadas
E ali , assim fico parada
na imensidão do vazio
que me acolhe amigo
e me estende a mão
E fico à espera de alguma coisa
vaga ou difusa
como se eu fosse corpo em gestação
E o que chega vem
sem dizer que vem é um vago torpor
que se agarra à alma…
e tremula a mão cinzela a palavra
na página branca
que sempre a aguardara.
707
Angela Santos
Hic et Nunc
Agora
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
1 143
Angela Santos
Hic et Nunc
Agora
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
quero apenas ser daqui…
sem ânsia de outro mundo
ou beleza que se eleve
à que rente ao chão que piso,
sinto e fruo por inteiro…
A fealdade não é
senão um olhar ao invés
e aqui
neste chão que sou
até do lodo se elevam
prodígios da natureza
em busca da luz do sol.
Aqui e agora
Ser,
chão rude e áspero,
anjo sem asas,
brisa que passa,
poeira de estrelas…..
e até lodo ser
se a beleza do Lotus
abrindo-se ao sol
do fundo do pântano
teimosamente
se erguer.
1 143
Angela Santos
Dúvida
Já
não sei se vivo
se minha alma se agita
e leva o que de mim resta
a passear por aí…
Não sei se a alma vive
e vivendo anima o corpo,
ou quem sabe…
se o corpo em seu simples movimento
é que chama a alma
à Vida.
não sei se vivo
se minha alma se agita
e leva o que de mim resta
a passear por aí…
Não sei se a alma vive
e vivendo anima o corpo,
ou quem sabe…
se o corpo em seu simples movimento
é que chama a alma
à Vida.
590
Angela Santos
Fragilidade
Como
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
uma borboleta
frágil
apanhada de imprevisto
na perpendicular do tempo
assim me sinto
Borboleta
instante de ser alado
meu breve instante de infinito
lembras-me o tempo
fraccionado, ou indiviso?
Danço e rodopio
na luz, minha armadilha,
e só me detenho se chega a exaustão
sabendo que ali é o fim do voo
anseio ainda minhas leves asas
para me lançar na imensidão.
1 279
Angela Santos
Tear do Tempo
De
noites de mil sóis se fazem os dias
e na berma dos sentidos
corre o desassossego de um corpo sôfrego
e a alma se aviva a cada sobressalto,
do acto consentido que atravessa o corpo
Paira uma leveza sobre os nossos dias
que leva a pensar se em nossas vidas
só ficam as marcas do fugaz presente,
e se me pergunto a alma entoa
um canto que rasga a fundura do tempo
E fico suspensa
no ponto intermédio onde me toca o futuro
e a História me alcança
Desse promontório onde o tempo interroga,
vivo as dimensões todas que há em mim
pretérito, futuro, continuo presente
a lembrar que sou
caminho, vontade, corpo chão, raiz ,
e que a cada instante do tempo que passa
ensaio a busca , de chegar mais perto
da razão que seja o tempo em si
Olho o corpo e vejo ser a dimensão
que o tempo atravessa e marca a passagem,
o corpo navio que sulca esse instante
onde ajo , penso, desejo, decido
e a alma o baú que guarda as memórias
do que fiz, pensei quis e desejei
Pesa-me a leveza que este tempo vive
que escolhe a amnésia como atitude,
pesa-me e contudo por vivê-la anseio
sem esquecer que fui e navego sonhos
e ter sido conjugo com o que serei
A vida me acena aqui e agora
no tempo e lugar onde urge cumprir
o presente e o futuro que incrustados vivem
na raiz da memória que me fez e sou,
raiz donde parto em direcção a mim
Por isso os meus dias, mesmo os banais,
são instantes únicos
que busco olhar na sua inteireza
para viver à proa o tempo que é o meu,
tempo transversal que me atravessa
tempo a dimensão que me interpela
a viver instantes de total urgência.
noites de mil sóis se fazem os dias
e na berma dos sentidos
corre o desassossego de um corpo sôfrego
e a alma se aviva a cada sobressalto,
do acto consentido que atravessa o corpo
Paira uma leveza sobre os nossos dias
que leva a pensar se em nossas vidas
só ficam as marcas do fugaz presente,
e se me pergunto a alma entoa
um canto que rasga a fundura do tempo
E fico suspensa
no ponto intermédio onde me toca o futuro
e a História me alcança
Desse promontório onde o tempo interroga,
vivo as dimensões todas que há em mim
pretérito, futuro, continuo presente
a lembrar que sou
caminho, vontade, corpo chão, raiz ,
e que a cada instante do tempo que passa
ensaio a busca , de chegar mais perto
da razão que seja o tempo em si
Olho o corpo e vejo ser a dimensão
que o tempo atravessa e marca a passagem,
o corpo navio que sulca esse instante
onde ajo , penso, desejo, decido
e a alma o baú que guarda as memórias
do que fiz, pensei quis e desejei
Pesa-me a leveza que este tempo vive
que escolhe a amnésia como atitude,
pesa-me e contudo por vivê-la anseio
sem esquecer que fui e navego sonhos
e ter sido conjugo com o que serei
A vida me acena aqui e agora
no tempo e lugar onde urge cumprir
o presente e o futuro que incrustados vivem
na raiz da memória que me fez e sou,
raiz donde parto em direcção a mim
Por isso os meus dias, mesmo os banais,
são instantes únicos
que busco olhar na sua inteireza
para viver à proa o tempo que é o meu,
tempo transversal que me atravessa
tempo a dimensão que me interpela
a viver instantes de total urgência.
1 086
Angela Santos
Meninos
Olho
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
os meninos que habitam a rua
casa que abriga
quem dentro das casas escoa os restos
da sua alma nua
E nas noites frias
em bando se juntam, sacudindo o frio
que trazem colado à pele e à vida,
Meninos,
perdidos pelas esquinas
nem sabem que existe um tempo adiante
que já não conjugam,
futuro imperfeito cravado nos dias.
E os meninos olham-nos
com seus olhos fundos que nos desafiam
e sentimos medo… não sentimos culpa!
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Angela Santos
Por Dentro
Dentro
do meu peito
há um grito que não solto
um espinho que não cravei
uma espada
que não quis
voltada contra o que sou
Dentro do meu peito
há uma ave que não voa
da janela sem horizonte
onde pousada ficou
Dentro do meu peito
há um sol em declínio
uma gaveta fechada
onde guardei os sentidos
e a chave que a abriria
perdeu-se ou enferrujou.
Dentro do meu peito
emparedado há um rio
galgando as margens
que o prendem
na senda da sua foz…
e indómito busca caminho
sem saber se vai chegar
à boca desse mar imenso
que se liga a outro mar.
do meu peito
há um grito que não solto
um espinho que não cravei
uma espada
que não quis
voltada contra o que sou
Dentro do meu peito
há uma ave que não voa
da janela sem horizonte
onde pousada ficou
Dentro do meu peito
há um sol em declínio
uma gaveta fechada
onde guardei os sentidos
e a chave que a abriria
perdeu-se ou enferrujou.
Dentro do meu peito
emparedado há um rio
galgando as margens
que o prendem
na senda da sua foz…
e indómito busca caminho
sem saber se vai chegar
à boca desse mar imenso
que se liga a outro mar.
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