Poemas neste tema

Amor à Distância

João Baveca

João Baveca

U Vos Nom Vejo, Senhor, Sol Poder

U vos nom vejo, senhor, sol poder
nom hei de mim, nem me sei conselhar,
nem hei sabor de mi, erg'em cuidar
em como vos poderia veer;
       e pois vos vejo, maior coita hei
       que ant'havia, senhor, porque m'hei

end'a partir. E quem viu nunca tal
coita sofrer qual eu sofro? Ca sem
perç'e dormir. E tod'esto mi avém
por vos veer, senhor, e nom por al!
       E pois vos vejo, maior coita hei
       que ant'havia, senhor, porque m'hei

end'a partir. E por en sei que nom
perderei coita, mentr'eu vivo for,
ca, u vos eu nom vejo, mia senhor,
por vos veer, perç'este coraçom.
       E pois vos vejo, maior coita hei
       que ant'havia, senhor, porque m'hei

end'a partir, mia senhor, e bem sei
que d'ũa destas coitas morrerei.
469
Silva Dutra

Silva Dutra

Soneto do Mistério Ontológico

Simone, a amada que não sai da mente,
e cuja ausência o próprio amor deplora,
lembra ser o que eu era antigamente
e não o que eu podia ter agora.

Não é mais o problema, em mim tão triste
um mistério de forma disfarçada;
mesmo porque alguma coisa existe,
alguma coisa no lugar do nada.

Qualquer coisa de essência põe Simone
diante de mim, assim como um mistério.
Mas o problema, o que me deixa insone,

é ter que refletir num "eu" tão sério.
Nada há oculto do que me seduz,
que a sombra só existe pela luz.

898
João Garcia de Guilhade

João Garcia de Guilhade

Chus Mi Tarda, Mias Donas, Meu Amigo

Chus mi tarda, mias donas, meu amigo,
que el migo posera,
e crece-m'end'ũa coita tam fera
que nom hei o cor migo,
       e jurei já que, atá que o visse,
       que nunca rem dormisse.

Quand'el houv'a fazer a romaria,
pôs-m'um dia talhado
que veesse, [e] nom vem, mal pecado,
hoje se compr'o dia;
       e jurei já que, atá que o visse,
       que nunca rem dormisse.

Aquel dia que foi de mi partido
el mi jurou chorando
que verria, e pôs-mi praz'e quando;
já o praz'é saído;
       e jurei já que, atá que o visse,
       que nunca rem dormisse.
692
José Saramago

José Saramago

Lembrança de João Roiz de Castel’Branco

Não os meus olhos, senhora, mas os vossos,
Eles são que partem às terras que não sei,
Onde memória de mim nunca passou,
Onde é escondido meu nome de segredo.

Se de trevas se fazem as distâncias,
E com elas saudades e ausências,
Olhos cegos me fiquem, e não mais
Que esperar do regresso a luz que foi.
1 541
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Soneto de Véspera

Quando chegares e eu te vir chorando
De tanto te esperar, que te direi?
E da angústia de amar-te, te esperando
Reencontrada, como te amarei?

Que beijo teu de lágrimas terei
Para esquecer o que vivi lembrando
E que farei da antiga mágoa quando
Não puder te dizer por que chorei?

Como ocultar a sombra em mim suspensa
Pelo martírio da memória imensa
Que a distância criou - fria de vida

Imagem tua que eu compus serena
Atenta ao meu apelo e à minha pena
E que quisera nunca mais perdida...

Oxford, 1939
1 068
João Mendes de Briteiros

João Mendes de Briteiros

Amiga, Bem [S]Ei Que Nom Há

Amiga, bem [s]ei que nom há
voss'amigo nẽum poder
de vos falar nem vos veer,
e vedes por que o sei já:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Encobride[s]-vos sobejo
de mim, e já o feito eu sei
e poridade vos terrei,
mais vedes por que o vejo:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Come se fosse o feito meu,
vos guardarei quant'eu poder,
e negar-mi-o nom há mester,
ca vedes por que o sei eu:
       porque vos vej'ambos andar
       mui tristes e sempre chorar.

Nem choredes, ca o pesar
sol Deus tost'em prazer tornar.
607
Silvestre Péricles de Góis Monteiro

Silvestre Péricles de Góis Monteiro

A que não veio

Setembro. Nesta noite perfumada
espero-te. E não sei se vens, ao certo.
Pode ser que te percas pela estrada,
temerosa da chama que te oferto.

Neste leito - sozinho, inquieto. E cada
rumor que ouço, me torna mais desperto.
Iluzão...Não chegaste, minha amada,
nem me troxeste o níveo seio aberto.

Já se adelgaça a névoa dos caminhos.
Ante a luz matinal, que se anuncia,
há bulícios e músicas nos ninhos.

E eu, taciturno, mas, em ti pensando,
fecho os olhos cansados para o dia
como quem fica ainda te esperando.

853
Vinicius de Moraes

Vinicius de Moraes

Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura
O amor como um patético tormento
Pensar nele é morrer de desventura
Não pensar é matar meu pensamento.

Seu mais doce desejo se amargura
Todo o instante perdido é um sofrimento
Cada beijo lembrado uma tortura
Um ciúme do próprio ciumento.

E vivemos partindo, ela de mim
E eu dela, enquanto breves vão-se os anos
Para a grande partida que há no fim

De toda a vida e todo o amor humanos:
Mas tranqüila ela sabe, e eu sei tranqüilo
Que se um fica o outro parte a redimi-lo.

Oxford, carnaval de 1939
1 546
Matilde Campilho

Matilde Campilho

Não É Cair: É Voar Com Estilo

I was going to right to a poem but then I didn’t. A week ago I wrote to you a tiny telegram que dizia: “I’ll be home soon! Do not cry princess.” Foi duro pra caramba essa distância, mas é bom saber que você se fez rainha e que o afastamento de dois corpos a muito contribuiu para isso. Doeu, mas foi. E os santos padroeiros ajudaram. Sebastião, Antônio, Jorge e as multidões revolucionárias que andam ascabuçadas com a crise econômica. Às vezes, penso na fazendo do meu pai. É como aquela imagem do rosto do tigre que me vem as barbas, mas depois passa. Também escuto as canções do Tim Maia, mas nada resolve muito bem. Só sei da fazenda do pai, da fronha do tigre, do choro do mendigo e… vá lá vai. Já é lucaraça. Fiz-me poeta para dizeres okay. “Don’t you understand?” Como dizia o rapaz na chuva: “Don’t you?”. Isto não ouviria comigo, esquece! Alguns monges andam procurando mirra nas extremidades dos grãos da terra, mas já sabemos que isso é um valente estado de ilusão. Ou então é fé, sabe se lá. Tu deves saber. Tu sabes muito sobre escavação e horas são. Esta noite escrevi outro sério pedido de casamento, mas acho que já não vais na conversa. Faz tripas coração, mas sei muito bem que me amas pelos olhinhos e nunca pelas coisas que um dia morrem de podres, zonas internas e tal. Poemas. Bá. Andas bem empenhado em saber porque raios é que escrevo em inglês, mas nem eu sei. Deve ser só mais fácil mentir à estrangeiro. Desde que este da poesia era tudo verdade, mas não sei não. Também achei que o amor tinha muito menos mutação que um plátano e agora fica aqui sentado na minha fazenda assistindo a transição das estações. Alguém fez disso uma enorme ilusão. E olha que nem sei o que é a morte. My bad or my luck. Os olhos da avó ainda são azuis. Está tudo igual naquela sala é só puxar os sofás um pouco mais pra frente. É da crise, sei lá. Europa não parece querer ter outra palavra. Vi que na cidade o homem se suspende a troco de dinheiro e que fica na praça por horas e horas. Faz uns cento e tal euros por mês. Saudade do Rio all, my friend. Saudade de tudo aqui que a gente foi um dia, mas agora só existem os poemas. A mentira dos poemas. E a tradução dos poemas feitas por heróis que julgam, sei lá, amar a história que já morreu. Guarda nuns sessenta mil. Pode ser que te dê sorte.
698
João Soares Coelho

João Soares Coelho

Ai Deus, a Vó'lo Digo

Ai Deus, a vó'lo digo:
foi s'ora o meu amigo;
       e se o verei, velida?

Quem m'end'ora soubesse
verdad'e mi dissesse
       e se o verei, velida?

Foi-s'el mui sem meu grado
e nom sei eu mandado;
       e se o verei, velida?

Que fremosa que sejo,
morrendo com desejo;
       e se o verei, velida?
815
Manuel Bandeira

Manuel Bandeira

Ao Crepúsculo

O crepúsculo cai, tão manso e benfazejo
Que me adoça o pesar de estar em terra estranha.
E enquanto o ângelus abençoa o lugarejo,
Eu penso em ti, apaziguado e sem desejo,
Fitando no horizonte a linha da montanha.

A montanha é trangjúila e forte, e grande e boa.
Ela afaga o meu sonho. E alegra-me pensar
(Tanto a saudade a um tempo acalenta e magoa!)
Que tu, na doce paz da tarde que se escoa,
Teces o mesmo sonho, ouvindo e vendo o mar.

Embalada na voz do grande solitário,
Tu mortificarás teu casto coração
Na dor de revocar o noivado precário.
(Ah, por que te confiei o meu desejo vário?
Por que me desvendaste a tua sedução?)

Se nos aparta o espaço, o tempo — esse nos liga.
A lembrança é no amor a cadeia mais pura.
Tu tens o grande Amigo e eu tenho a grande Amiga:
O mar segredará tudo quanto eu te diga,
E a montanha dir-me-á tua imensa ternura.
957
Lara de Lemos

Lara de Lemos

Cantiga do Pressentir

A noite já nos espreita
e permaneço esquecida
à beira do meu destino.
És tardo porque ignoras
que vivo do que adivinho.

Repele a palavra esquiva
não te cubras de distância,
estende um lenço, um soluço,
troca teus olhos de ausente
por dois claros de esperança.

E vem, que te aguardo ainda
nesses linhos de aconchego,
em braços de puro embalo,
em plumagens de mornura,
em claras nuvens de espuma.

Enquanto não me descobres
me perco em falas menores,
me reparto sem vontade,
tropeço pedras amargas,
naufrago secretos mares.


Poema integrante da série Canto Breve.

In: LEMOS, Lara de. Canto breve: poesia. Porto Alegre: Difusão de Cultura, 1962
1 468
Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

Nas Barcas Novas Foi-S'o Meu Amigo Daqui

Nas barcas novas foi-s'o meu amigo daqui,
e vej'eu viir barcas e tenho que vem i,
       mia madre, o meu amigo.

Atendamos, ai madr', e sempre vos querrei bem,
ca vejo viir barcas e tenho que i vem,
       mia madre, o meu amigo.

Nom faç'eu desguisado, mia madr', em o cuidar,
ca nom podia muito sem mi alhur morar,
       mia madre, o meu amigo.
666
Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

Vej'eu, Mia Filha, Quant'é Meu Cuidar

- Vej'eu, mia filha, quant'é meu cuidar,
as barcas novas viir pelo mar,
       em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos empar,
       irei veer se vem meu amig'i.

- Cuid'eu, mia filha, no meu coraçom,
das barcas novas, que aquelas som
       em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos perdom,
       irei veer se vem meu amig'i.

- Filha fremosa, por vos nom mentir,
vej'eu as barcas pelo mar viir
       em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, quant'eu poder ir,
       irei veer se vem meu amig'i.
752
Juião Bolseiro

Juião Bolseiro

Nom Perdi Eu, Meu Amigo, Des Que Me de Vós Parti

Nom perdi eu, meu amigo, des que me de vós parti,
do meu coraçom gram coita, nem gram pesar, mais perdi
       quanto tempo, meu amigo,
       vós nom vivestes comigo.

Nem perderam os olhos meus chorar nunca, nem eu mal,
des que vos vós daqui fostes, mais vedes que perdi al:
       quanto tempo, meu amigo,
       vós nom vivestes comigo.
726
Lourenço

Lourenço

Estes Com Que Eu Venho Preguntei

Estes com que eu venho preguntei
quant'há que veemos, per boa fé,
dessa terra u [a] mia senhor é;
mais dizem-mi o que lhis nom creerei:
       dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

Mais de pram nom lhe-lo poss'eu creer
aos que dizem que tam pouc'há i
que m'eu, d'u est a mia senhor, parti;
mais que mi querem creente fazer?
       Dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

Mentr'eu morar u nom vir mia senhor,
se m'oito dias tant'ham a durar,
mais me valria log'em me matar,
se m'oito dias tam gram sazom for.
       Dizem que mais d'oito dias nom há
       e a mi é que mais d'um an'i há!

E se mais d[e] oito dias nom som
que de mia senhor foi alongado,
forte preito tenho começado,
pois m'oito dias foi tam gram sazom!
481
Martim Codax

Martim Codax

Ai Deus, Se Sab'ora Meu Amigo

Ai Deus, se sab'ora meu amigo
com'eu senheira estou em Vigo!
       E vou namorada...

Ai Deus, se sab'ora meu amado
com'eu em Vigo senheira manho!
       E vou namorada...

Com'eu senheira estou em Vigo
e nulhas gardas nom hei comigo!
       E vou namorada...

Com'eu senheira em Vigo manho
e nulhas gardas migo nom trago!
       E vou namorada...

E nulhas gardas nom hei comigo,
ergas meus olhos que choram migo!
       E vou namorada...

E nulhas gardas migo nom trago,
ergas meus olhos que choram ambos!
       E vou namorada...
1 045
Martha Medeiros

Martha Medeiros

way out

way out
saída de metrô
South Kensington Station
você na cabeça
minha mente voou
um museu, um punk
uma saudade
falo inglês pensando em português
eu amo você
como você mudou
997
Martha Medeiros

Martha Medeiros

amor por correspondência

amor por correspondência
tem problema de fuso horário
ele me entende tarde demais
eu desisto dele muito cedo
1 169
Charles Bukowski

Charles Bukowski

A Deusa de Um Metro E Oitenta

sou grande
suponho que é por isso que minhas mulheres sempre
[parecem
pequenas
mas essa deusa de um metro e oitenta
que negocia imóveis
e arte
e que voa do Texas
para me ver
e eu voo ao Texas
para vê-la –
bem, há nela o suficiente para
ser agarrado
e eu me agarro todo
nela,
puxo-lhe a cabeça para trás pelos cabelos,
sou macho de verdade,
chupo-lhe o lábio superior
sua xoxota
sua alma
monto sobre ela e lhe digo,
“vou lançar suco quente e branco
dentro de você. não voei desde
Galveston para jogar
xadrez”.

depois nos deitamos enlaçados como vinhas humanas
meu braço esquerdo debaixo de seu travesseiro
meu braço direito sobre o lado de seu corpo
aferro-me às suas mãos,
e meu peito
barriga
bolas
pau
enroscam-se nela
e através de nós
no escuro
passam raios
pra lá e pra cá
pra lá e pra cá
até que eu desfaleça
e nós durmamos.

ela é selvagem
mas dócil
minha deusa de um metro e oitenta
faz-me rir
a risada do mutilado
que ainda precisa de
amor,
e seus olhos abençoados
fluem para o fundo de sua cabeça
como nascentes na montanha
ao longe
nascentes
frescas e boas.

ela me resguardou
de tudo o que não está
aqui.
1 227
Charles Bukowski

Charles Bukowski

Comunhão

cavalos correndo
com ela a milhas de distância
rindo com um
louco

Bach e a bomba de hidrogênio
e ela a milhas de distância
rindo com um
louco

o sistema bancário
guinchos de carro
gôndolas em Veneza
e ela a milhas de distância
rindo com um
louco

você nunca viu de fato
uma escada antes
(cada degrau olhando
separadamente para você)
e do lado de fora
o vendedor de jornais parecendo
imortal
enquanto os carros passam
debaixo do sol
como um inimigo
e você se pergunta
por que é tão difícil
enlouquecer –
se é que você já não está
louco

até agora
você não tinha visto uma
escada que se parecesse com
uma escada
uma maçaneta que se parecesse com
uma maçaneta
e sons como esses sons

e quando a aranha aparece
e olha pra você
por fim
você já não a odeia
por fim
com ela a milhas de distância
rindo com um
louco.
1 083
António Ramos Rosa

António Ramos Rosa

Mediadora Iminente I

A que não vem não virá?
De súbito acesa. Como?
Sem nimbos e sem volume
num rumor enamorado.

Que silêncio de murmúrios,
que tremor de dedos finos!
Zona delgada no céu
de irredutível distância.

Ardente pausa submersa
translúcida. Amante
mas tão longínqua, dentro
da sua azul espessura.

Ó profunda, ó fugitiva,
em seu olvido parada,
em sua evidência oculta!
Como resplandece na sombra?
991
Martim Codax

Martim Codax

Ai Ondas Que Eu Vim Veer

Ai ondas que eu vim veer,
se me saberedes dizer
       por que tarda meu amigo sem mim?

Ai ondas que eu vim mirar,
se me saberedes contar
       por que tarda meu amigo sem mim?
1 426
Ruy Belo

Ruy Belo

A rapariga de Cambridge

Queria conhecer intimamente conhecer
a rapariga anónima estendida no relvado
ao sol distante de um colégio de cambridge
Perdida na distância nem sei bem
se é uma mulher se rapariga
mais uma das amadas raparigas
Sei apenas que lê não sei o quê
e é simples objecto recortado
na margem verde intensamente verde
após a água mansa que reflecte os edifícios
Urgente é conhecer aquela que só veio num postal
mandado por alguém que certamente não sabia
o que essa rapariga ao sol para mim significaria
Ela devia saber um português profundíssimo
ou talvez as coisas que eu tinha para lhe dizer
as conseguisse de repente dizer num inglês
que fosse a melhor parte de mim
Definitivamente todo este dia-a-dia
contra o qual esmago a minha melhor lança
como que um sobressalto passaria
O meu reino pela rapariga de cambridge
Se eu a conhecesse mas no momento da fotografia
sentindo agora o que à distância sinto
pode dizer-se que seria feliz
Só assim o seria finalmente
há uma força obscura que mo diz.

Ruy Belo | "Obra Poética de Ruy Belo" - Vol. 1, pág. 157 | Editorial Presença Lda., 1984
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