Citações neste tema
Emoções e Sentimentos
Karl Kraus
Obras de arte são supérfluas. É necessário criá-las, é verdade, mas não é necessário mostrá-las. Quem possui arte em si não necessita da ocasião externa. Quem não a possui vê apenas a ocasião. A um o artista impõe-se, ao outro prostitui-se. Em ambos os casos, deveria envergonhar-se.
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Karl Kraus
Um bom estilista deve sentir o prazer de um Narciso durante o seu trabalho. Deve ser capaz de objetivar a sua obra de tal maneira que se surpreenda com um sentimento de inveja e somente pela memória se aperceba que ele próprio é o criador. Em suma, deve dar provas daquela objetividade suprema que o mundo chama de vaidade.
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Karl Kraus
Há dois tipos de apreciadores da arte. Uns elogiam o que é bom porque é bom e criticam o que é mau porque é mau. Outros criticam o que é bom porque é bom e elogiam o que é mau porque é mau. A distinção entre esses tipos é simples pelo facto de o primeiro deles não existir. As coisas seriam fáceis de entender se não houvesse ainda uma terceira categoria. Ela é formada por aqueles que elogiam o que é bom apesar de ser bom e criticam o que é mau embora seja mau. É a essa espécie perigosa que se deve toda a confusão nos assuntos artísticos. O seu instinto diz-lhes que devem alvejar o que é errado, mas por precaução alvejam o que é certo. Possuem razões que se encontram fora da sensibilidade artística. O artista poderia viver sem o esnobismo que o exalta. Dificilmente, sem a estupidez que o degrada.
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Karl Kraus
Há dois tipos de apreciadores da arte. Uns elogiam o que é bom porque é bom e criticam o que é mau porque é mau. Outros criticam o que é bom porque é bom e elogiam o que é mau porque é mau. A distinção entre esses tipos é simples pelo facto de o primeiro deles não existir. As coisas seriam fáceis de entender se não houvesse ainda uma terceira categoria. Ela é formada por aqueles que elogiam o que é bom apesar de ser bom e criticam o que é mau embora seja mau. É a essa espécie perigosa que se deve toda a confusão nos assuntos artísticos. O seu instinto diz-lhes que devem alvejar o que é errado, mas por precaução alvejam o que é certo. Possuem razões que se encontram fora da sensibilidade artística. O artista poderia viver sem o esnobismo que o exalta. Dificilmente, sem a estupidez que o degrada.
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Karl Kraus
Crianças brincam de soldado. Isto é razoável. Mas por que brincam os soldados de criança?
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Karl Kraus
Os neurologistas que patologizam o génio merecem que lhes partamos o crânio com as suas Obras Completas. Não devemos agir de forma diferente com os defensores da humanidade que deploram a vivissecção em cobaias e permitem a utilização de obras de arte para fins experimentais. Sempre que consigamos agarrá-los, chutemos a cara de todos os que se dispõem a provar que a imortalidade deve ser atribuída à paranoia, de todos os ajudantes racionalistas da humanidade normal que a tranquilizam por não ter inclinações para obras do engenho e da imaginação. Shakespeare louco? Então a humanidade ajoelha-se e, com medo da sua saúde, implora ao Criador por mais loucura!
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Karl Kraus
Considero a política uma maneira pelo menos tão excelente de liquidar a seriedade da vida quanto o jogo de cartas, e visto que há homens que vivem de jogar cartas, o político profissional é um fenómeno perfeitamente compreensível. Tanto mais que ele ganha sempre à custa daqueles que não tomam parte no jogo. Mas está correto que o apostador político pague as contas, já que a observação paciente constitui o conteúdo da sua vida. Se não houvesse política, o cidadão teria apenas a sua vida interior, ou seja, nada que o pudesse ocupar.
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Karl Kraus
O desporto é um filho do progresso, e já contribui por conta própria para a imbecilização da família.
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Karl Kraus
As revistas de humor são uma prova de que o filisteu não tem sentido de humor. Elas fazem parte da seriedade da vida como a bebida faz parte da refeição. “Dê-me todas as revistas de humor!”, ordena um idiota cheio de preocupações ao empregado de mesa, e atormenta-se para que um sorriso apareça no seu rosto. O humor que ele não tem deve chegar-lhe de todos os cantos da vida quotidiana, e ele desdenharia inclusive a caixa de fósforos que não trouxesse uma piada no seu rótulo. Li numa delas: “Aprendiz de ofício (que comprou uma linguiça casualmente enrolada num poema): Muito bem! Primeiro vou comer a linguiça para alimentar o corpo e depois leio o poema para alimentar o espírito!”. Coisas assim alegram o filisteu, e ele nem sequer percebe o método do aprendiz de ofício como uma indireta.
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Karl Kraus
Não se deveria abolir a vara, e sim o professor que a emprega mal. A reforma ginasial, como todo remendo humanitário, é uma vitória sobre a imaginação. Os mesmos professores que até então não eram capazes de chegar a um juízo com a ajuda do catálogo, agora terão de mergulhar carinhosamente na individualidade do estudante. O humanitarismo eliminou o pesadelo do medo de ser “chamado à frente”, mas a vida estudantil sem perigos será mais insuportável do que a perigosa. Entre “excelente” e “absolutamente insatisfatório” havia um espaço para experiências românticas. Eu não gostaria de secar de minha memória o suor pelos troféus da infância. Juntamente com o aguilhão, também desaparece o estímulo. O ginasiano vive sem ambição como um filósofo sorridente e entra despreparado no arrivismo da vida que no passado o seu caráter antecipava inofensivamente como o corpo vacinado antecipava a varíola. Ele experimentava todos os perigos da vida, chegando à beira do suicídio. Em vez de banir os professores que fazem a brincadeira dos perigos transformar-se em coisa séria, prescreve-se a seriedade da vida sossegada. Antes os alunos vivenciavam a escola, agora devem deixar-se formar por ela. A beleza é banida juntamente com os arrepios, e o espírito jovem encontra-se diante da parede caiada de um céu protestante. Os suicídios de estudantes motivados pela estupidez de pais e professores irão cessar, e como motivo legítimo restará o tédio.
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Karl Kraus
O trabalho intelectual assemelha-se tanto ao acto da volúpia que nele também obedecemos, de maneira involuntária, à convenção da vida sexual. Agimos discretamente, e quando recebemos a visita de uma mulher durante o trabalho, não a deixamos entrar para evitar um encontro embaraçoso. O filisteu ocupa-se com uma mulher, o artista corteja uma obra.
70
Karl Kraus
A nossa cultura consiste em três gavetas, das quais duas se fecham quando uma está aberta: trabalho, diversão e instrução. Os malabaristas chineses dominam a vida toda com um só dedo. As coisas serão fáceis para eles, portanto. A esperança amarela!
78
Karl Kraus
Como? A humanidade imbeciliza-se em favor do progresso maquinal e nem sequer deveríamos fazer uso dele? Deveríamos manter diálogos com a estupidez quando podemos escapar dela num automóvel?
70
Karl Kraus
O valor da formação revela-se da maneira mais nítida quando as pessoas cultas tomam a palavra para falar de um problema que se encontra fora do campo da sua formação.
65
Karl Kraus
A ideia de que uma obra de arte possa ser alimento para o apetite do filisteu enche-me de pavor. Recuso-me a ser digerido pelo burguês. Mas ficar no seu estômago também não é tentador. O melhor, talvez, seja não se lhe servir de forma alguma.
73
Karl Kraus
Para que um artista deveria compreender o outro? O Vesúvio aprecia o Etna? No máximo, poderia estabelecer-se uma relação feminina de comparação invejosa: quem cospe melhor?
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Karl Kraus
Para se orientar em questões de política, bastam lembranças de opereta. Aquilo que pode ser dito contra a forma de governo absolutista, por exemplo, foi-nos ensinado pelas figuras de um rei Bobèche, de um príncipe herdeiro Kasimir ou de um general Kantschukoff. Se a exigência dos frasistas de que a arte se ocupe dos assuntos públicos possui mesmo um sentido, então ela só pode estar a referir-se à produção de operetas. Esta é criticada com razão por negligenciar há décadas os únicos assuntos humanos que não cabe levar a sério, ou seja, os assuntos públicos. Pois a forma artística da opereta é adaptada à essência de todos os desdobramentos políticos por conceder à estupidez uma improbabilidade redentora. Exigir que a criação artística se lance sobre os acontecimentos recém-saídos do forno é uma tolice; mesmo a sátira os desdenha, pois ainda que seja capaz de apreender os ridículos da política, estes ocorrem abaixo do nível de uma observação espirituosa de sentido superior.
52
Karl Kraus
Não há volúpia que se aproxime da euforia da criação intelectual, e não há tristeza que se compare ao estado em que o artista mergulha depois de concluída a obra. A segurança da inconsciência cria sempre a sua primeira obra e, por isso, sempre a melhor. Uma vez consumada, a insegurança da consciência vê que é a última e, por isso, a pior. Qualquer crítica leviana impressiona semelhante desânimo. Um juízo capaz de acompanhar a criação artística apenas na sobriedade e não no gozo é uma verdadeira maldição. Nada sabem da volúpia aqueles que apenas sabem que ela precede a tristeza.
82
Karl Kraus
O segredo do agitador consiste em parecer tão idiota quanto os seus ouvintes, de modo que eles acreditem ser tão inteligentes quanto ele.
74
Karl Kraus
A natureza adverte para refletirmos sobre uma vida que se apoia sobre trivialidades. Uma insatisfação cósmica manifesta-se por toda a parte; neves estivais e calores invernais protestam contra o materialismo que transforma a existência num leito de Procusto, trata doenças psíquicas como se fossem dores de barriga e gostaria de desfigurar a face da natureza onde quer que perceba as suas feições: na natureza, na mulher e no artista. Um mundo que suportaria o seu ocaso desde que não fosse impedido de ver a sua exibição cinematográfica não pode ser atemorizado com o incompreensível. Eu, porém, tomo facilmente um terramoto como protesto contra as conquistas do progresso e não duvido por um instante da possibilidade de que um excesso de estupidez humana possa indignar os elementos.
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Karl Kraus
Aquele suicídio foi cometido durante um acesso de clareza intelectual. Às vezes, as pessoas cheias de alegria de viver refletem; e em alguma delas poderia ter havido tantas vidas que ela sacrifica uma sem hesitação. O suicídio pode significar a sangria de uma natureza puro-sangue. Quem se limpa a boca dos deleites da vida tão calmamente a fim de fechá-la para sempre por certo se destaca dos seus companheiros de mesa. Não me livro da suspeita, sobretudo, de que hoje alguém já deve ser um homem se a vida atual o derruba. Aquilo que tiver fogo e um ímpeto ligeiro, queima. Apenas homens sem medula e mulheres com cérebro estão à altura da ordem social.
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Karl Kraus
Em caso de igual estupidez, importa a diferença de volume corporal. Um imbecil não deveria ocupar espaço demais.
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