Citações neste tema
Emoções e Sentimentos
Mário Quintana
Ainda há gente que, por preço nenhum, se animaria a entrar num cemitério à noite. Bobagem. Somente no Dia de Finados é que exsurge dentre aqueles mármores um que outro fantasma. E mesmo esses poucos não prestam a mínima atenção a qualquer vivente — tão ocupados se acham eles em limpar do limo suas próprias lápides, em roubar de outros defuntos algumas flores para as dispor artisticamente ao pé de seus túmulos esquecidos.
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Mário Quintana
Esse olhar sonhador com que as mulheres saem do cinema onde a heroína do filme sofreu uma curra.
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Mário Quintana
Desconfio muito que, nos dias de nevoeiro, os fantasmas aproveitam para passear incógnitos pelas ruas...
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Mário Quintana
Na mala que nem o Anjo da Guarda, nem o Delegado do Distrito, nem eu mesmo consigo encontrar, está a minha imagem única, fechada a chave — e a chave caída no fundo do mar! Não adianta chamar escafandro, nem homens-rãs, nem a sereia mais querida, nem os atenciosos hipocampos, nada adianta. E, por falar em querida, jamais se viu um crime tão perfeito: — Não existem vestígios de mim.
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Mário Quintana
Não sei se alguém já descobriu que a sutilíssima arte desses palhaços de circo está justamente na graça que eles não têm.
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Mário Quintana
Bem que eu desejaria entender tanto de poesia como certos críticos, mas aí, então, não conseguiria fazer um único verso...
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Mário Quintana
— Manuela é nome de mulher de sapo — sentencia Lili. E não adianta perguntar por quê. — Todo o mundo sabe...
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Mário Quintana
As épocas de transição nunca foram idades de ouro, séculos de ouro. São apenas épocas de arame. Que a gente tem de atravessar como o bamboleante fio estendido de um lado a outro do circo. E isto, note-se bem, sem rede de segurança. (Lá embaixo, na arena, estão rugindo as feras.)
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Mário Quintana
As épocas de transição nunca foram idades de ouro, séculos de ouro. São apenas épocas de arame. Que a gente tem de atravessar como o bamboleante fio estendido de um lado a outro do circo. E isto, note-se bem, sem rede de segurança. (Lá embaixo, na arena, estão rugindo as feras.)
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Mário Quintana
Ah! esses vizinhos habilidosos que estão sempre consertando coisas, martelando coisas, nas horas mais insólitas, enquanto eu me acho entregue apenas a este silencioso vício: a leitura.
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Mário Quintana
Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.
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Mário Quintana
Com a adição de mais um dia nos anos bissextos — esse indesejado 29 de fevereiro — a gente sempre desconfia que na verdade foi vítima de uma subtração.
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Mário Quintana
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
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Mário Quintana
Por que será que a gente vive chorando os amigos mortos e não aguenta os que continuam vivos?
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Mário Quintana
Qual a essência do cômico? Um homem de perna de pau nos deixa indiferentes, polidamente indiferentes. Mas três homens de perna de pau andando juntos na rua... Essa não! Por que estás rindo?
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Mário Quintana
Dizeis que tudo é amor e eu vos direi que a fome é tudo; tanto assim que o verbo comer, na insondável sabedoria do povo, também significa possuir carnalmente.
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Mário Quintana
Dizeis que tudo é amor e eu vos direi que a fome é tudo; tanto assim que o verbo comer, na insondável sabedoria do povo, também significa possuir carnalmente.
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Mário Quintana
Dizeis que tudo é amor e eu vos direi que a fome é tudo; tanto assim que o verbo comer, na insondável sabedoria do povo, também significa possuir carnalmente.
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Mário Quintana
Não, não foi por humor negro que pus no que leste acima o título de Conto Azul. Costumamos pintar sempre de azul tudo o que se passou nos nossos quinze anos — talvez por um instinto de compensação. Mas a infância, ó poetas, não é mesmo azul? Quanto a mim, eu venho há muito desconfiando de que a infância é uma invenção do adulto. E o passado uma invenção do presente. Por isso é tão bonito sempre, ainda quando foi uma lástima... A memória tem uma bela caixa de lápis de cor.
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Mário Quintana
Como todos os indivíduos profundamente sentimentais, acontece que tenho verdadeiro horror ao sentimentalismo verbal. Daí, certos toques de “humour” nos meus poemas. Uns toques de impureza, pois. E na verdade te digo que poeta puro, mesmo, “na santidade da sua nudez”, só mesmo a Cecília Meireles. A nossa Cecília que, a 9 do mês de novembro em que escrevo estas linhas, faz exatamente cinco anos que não morreu.
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