Citações neste tema
Vida e Existência
Mário Quintana
Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem ambas na casa do Presente, quando deviam estar, é lógico, uma na casa do Passado e a outra na do Futuro. Quanto ao Presente — ah! — esse nunca está em casa.
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Mário Quintana
Essas duas tresloucadas, a Saudade e a Esperança, vivem ambas na casa do Presente, quando deviam estar, é lógico, uma na casa do Passado e a outra na do Futuro. Quanto ao Presente — ah! — esse nunca está em casa.
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Mário Quintana
A memória é um sótão atravancado de objetos inúteis, onde tanto desejaríamos encontrar aquelas coisas perdidas que — de tão perdidas — já nem sabemos mais. O que sejam...
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Mário Quintana
Costumava-se distinguir entre creação e criação. Exemplo: a creação de um poema, a criação de galinhas. Era limpo e nítido. Nada de confusões. Mas agora que tudo é um, como diziam os clássicos, ficou irremediavelmente perdido o que escrevi, um dia: “Deus creou o mundo e o diabo criou o mundo.” E agora? Para explicar tudo isso em mais palavras o que seria um verdadeiro crime — imaginem os circunlóquios que eu teria de fazer... Não faço!
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Mário Quintana
Esses que vivem religiosamente se embasbacando ante o espetáculo das inatingíveis estrelas — nunca lhes terá ocorrido acaso que também fazem parte da Via Láctea?
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Mário Quintana
Era um grande nome — ora que dúvida! Uma verdadeira glória. Um dia adoeceu, morreu, virou rua... E continuaram a pisar em cima dele.
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Mário Quintana
Eis que descubro um retrato meu, aos dez anos. Escondo, súbito, o retrato. Sei lá o que estará pensando de mim aquele guri!
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Mário Quintana
Eis que descubro um retrato meu, aos dez anos. Escondo, súbito, o retrato. Sei lá o que estará pensando de mim aquele guri!
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Mário Quintana
O bom dessas grandes civilizações é que um dia elas se acabam e tudo começa novamente.
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Mário Quintana
Naquele dia fazia um azul tão límpido, meu Deus, que eu me sentia perdoado para sempre não sei de quê.
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Mário Quintana
Não, esta luz não me engana. É como se houvessem acendido de repente um fósforo no escuro: a chama arde, bruxuleia, morre... Chama que pode durar uns poucos anos, como nós. Ou milhões e milhões de anos, como o mundo. Mas sempre chama, sempre uma pobre chama efêmera.
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Mário Quintana
— What is a name? — já indagava o Poeta. Um nome serve, em última instância, para uma lápide. Ou para uma estátua, geralmente equestre. E a melhor fase da vida — a mais natural — é quando os pais ainda não escolheram um nome para a gente.
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Mário Quintana
Essa pancada que bate isolada em plena insônia e que interrogativamente alonga a sua sílaba única — ahn — é como se o próprio relógio, no escuro, estivesse indagando que horas são...
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Mário Quintana
A primeira esquina, encontro uma cara oca, uma cara sem cara... O melhor, o melhor é voltar, o quanto antes, para o quarto. Com o máximo cuidado de não olhar, acaso, para o espelho.
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Mário Quintana
Não é só no homicídio que o problema consiste em ocultar ou sonegar o cadáver; sempre nos vemos em igual contingência diante da morte natural. Vivo a sonhar o dia em que os necrológios comecem assim: “Evaporou-se o Sr. desembargador Dioclécio Fagundes.” Ou então: “Volatilizou-se, na madrugada de hoje, a gentil senhorita Celeste Pereira Pinto.” Sim, porque um dia se hão de inventar umas pílulas por assim dizer eterizantes, que nos tornarão de súbito inteiramente solúveis no ar...
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Mário Quintana
Não, não tenhas escrúpulos: se, alta noite, meteres uma bala no ouvido, os vizinhos pensarão — polidamente — que foi apenas um pneu que estourou.
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Mário Quintana
Nosso Senhor não tem o mínimo senso de humor: leva tudo a sério... Com ele não se brinca.
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