Citações neste tema
Vida e Existência
Mário Quintana
Também me lembro que quando eu era gurizote e briguei mais uma vez para sempre com a Gabriela, deixei-a ali na praça (era domingo, depois da missa) e fui passar pela sua casa, pela sua calçada, pela sua rua.
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Mário Quintana
Nunca me releio... Tenho um medo enorme de me influenciar. É verdadeiramente catastrófico quando um autor se transforma no seu discípulo.
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Mário Quintana
Há enredo e enredo. O enredo puramente anedótico e um outro mais sutil, feito de não sabemos o que, mas que nos prende com uma rede invisível. Nos contos de Tchekov, às vezes parece que não aconteceu nada... Aconteceu apenas a vida!
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Mário Quintana
Seremos fatalistas? Não sei, há uma coisa no entanto que dá para desconfiar... Tenho lido notícias, e até verbetes de dicionários biográficos, impregnados do mais puro fatalismo. Com frases assim: “no dia 31 de julho, tomou um avião para morrer em...” Talvez não passe de mero cacoete de estilo. E quero crer que o próprio S. F., se acaso se desse a esse trabalho, emendaria abespinhado: — Eu não tomei o avião para morrer; eu tomei o avião e morri!
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Mário Quintana
Seremos fatalistas? Não sei, há uma coisa no entanto que dá para desconfiar... Tenho lido notícias, e até verbetes de dicionários biográficos, impregnados do mais puro fatalismo. Com frases assim: “no dia 31 de julho, tomou um avião para morrer em...” Talvez não passe de mero cacoete de estilo. E quero crer que o próprio S. F., se acaso se desse a esse trabalho, emendaria abespinhado: — Eu não tomei o avião para morrer; eu tomei o avião e morri!
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Mário Quintana
— O mais triste do vento do deserto é que é um vento analfabeto — dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante. — Não — rinchava a tabuleta —, o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações. — Sempre sentimental, essa velha pintada... — pensou consigo o vento da cidade, passando adiante. O vento da cidade era um pedante. O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.
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Mário Quintana
Todos temos a mesma chance? Mas ainda me lembro que, pela década de 20, eu sonhava viver em Paris... e havia gente que já tinha nascido lá mesmo.
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Mário Quintana
Nem ao menos a morte iguala tudo. Se é verdade que todos terminamos cadáveres, uns são os cadáveres de Einstein, de Aga Khan ou de Marilyn Monroe, e outros os de José Fagundes ou Joaquininha da Silva...
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Mário Quintana
A vida era muito mais intensa quando não passava, na média, de quarenta anos. Agora é um longo, um interminável arrastar de correntes: nós somos as almas penadas deste mundo.
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Mário Quintana
Esses que se debruçam no parapeito de uma ponte têm vocação suicida. Apenas vocação. São uns suicidas crônicos.
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Mário Quintana
Descobri na Meditação contemplativa do Padre Júlio Maria esta frase, que daria uma bela epígrafe para um livro de poemas: “E a visão não aproveitou nem a Balaão nem à besta.” Aconselharam-me que desistisse, porque Balaão é meio desconfiado.
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Mário Quintana
A presunção — tão desculpável e divertida nos moços — é o mais certo sinal de burrice nos velhos. O verdadeiro fruto da árvore do conhecimento é a simplicidade.
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Mário Quintana
... e eu imagino uma velhinha por trás da vidraça, jogando paciência com esta chuva tão sem pressa...
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Mário Quintana
O cristianismo acabou com o sofrimento transformando o sofrimento em prazer, como o atesta a alegre legião dos mártires e essa gente que, a cada golpe, exclama: “Seja o que Deus quiser!”
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Mário Quintana
Nada de maior; simples passagem de um estado para outro — assim como quem se muda do estado do Rio Grande do Sul para o estado de Santa Catarina...
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Mário Quintana
Nada de maior; simples passagem de um estado para outro — assim como quem se muda do estado do Rio Grande do Sul para o estado de Santa Catarina...
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Mário Quintana
Ah, esses livros que nos vêm às mãos, na Biblioteca Pública e que nos enchem os dedos de poeira. Não reclames, não. A poeira das bibliotecas é a verdadeira poeira dos séculos.
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Mário Quintana
Hoje ganhei o meu dia. Porque uma meninazinha me perguntou: “O senhor pode me botar uma dedicação neste livro?” Escrevi, então, sinceramente: “Para a Heloisa Maria, com toda a minha dedicação.” E assinei. E datei, com tristeza.
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Mário Quintana
Quando o homem desaparecer, que será das coisas? Morrerão da mesmice de ser. De serem apenas aquele poste ali na esquina, a fonte sorrateira, a bela tabuleta inutilmente colorida, os pacientes relógios sobreviventes. Morrerão da mesmice de serem e não mais parecerem. Quando o homem desaparecer, que será das coisas, que será de Deus?
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Mário Quintana
Quando o homem desaparecer, que será das coisas? Morrerão da mesmice de ser. De serem apenas aquele poste ali na esquina, a fonte sorrateira, a bela tabuleta inutilmente colorida, os pacientes relógios sobreviventes. Morrerão da mesmice de serem e não mais parecerem. Quando o homem desaparecer, que será das coisas, que será de Deus?
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