Citações neste tema
Natureza e Elementos
Mário Quintana
... e eu imagino uma velhinha por trás da vidraça, jogando paciência com esta chuva tão sem pressa...
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Mário Quintana
Tão belo como um edifício em construção contra um céu azul, só mesmo um edifício em ruínas contra o mesmo céu. O que importa é o céu azul.
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Mário Quintana
Escreveu Buffon que o cavalo é um nobre animal. Bobagem... Nobre animal é o poeta!
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Mário Quintana
— O mais triste do vento do deserto é que é um vento analfabeto — dizia um vento da cidade a uma tabuleta oscilante. — Não — rinchava a tabuleta —, o mais triste do vento do deserto é que ele não tem recordações. — Sempre sentimental, essa velha pintada... — pensou consigo o vento da cidade, passando adiante. O vento da cidade era um pedante. O lampião da esquina não dizia nada: ardia de febre.
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Mário Quintana
Depois de ler, por cima de meu ombro, as linhas precedentes, observou-me o João Sabiá: — Mas tu já não falaste na incompreendida beleza dos sapos, na beleza transcendental de um matungo de inverno? Isso é a alma deles?! — Não, é a minha alma...
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Mário Quintana
O leão é um animal tão belo que ser devorado por ele é melhor do que ser devorado por um crocodilo... Diante da sua arremetida, bem sei que se pode morrer de puro medo... porém nunca de horror.
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Mário Quintana
Triste de quem não teve um cachorro na infância! Para uma criança, criatura tão necessitada de todos, tão frágil e sozinha, um cachorro é um teste de amor desinteressado da parte dela... é ter uma outra criatura que dependa, enfim, dos seus cuidados.
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Mário Quintana
Que importa a seca? Para o artista, o que importa é esse desenho belíssimo do solo gretado; é, agora, essa pausa das águas na paisagem morta, onde não fluem sequer as lágrimas... O artista é duro que nem Deus.
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Mário Quintana
Apenas, aqui e ali, uma janelinha de arranha-céu... Perdida... Enquanto, do fundo do único terreno baldio, um grilo insiste em transmitir, na sua frágil Morse de vidro, não se sabe que misteriosa mensagem às estrelas ausentes.
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Mário Quintana
O que mais enfurece o vento são esses poetas inveterados que o fazem rimar com lamento.
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Mário Quintana
As persianas, entrefechadas, deixam passar uma réstia de sol, onde zumbe uma mosca. Silêncio. Somente, na última prateleira, há um velho boião que diz: “Viva Dom Pedro Segundo!” — única nota exclamativa neste silêncio tecido (e não interrompido) pelo zum-zum da mosca em seu vaivém. Tudo é definitivo, tudo é tão agora que até o relógio, o velho bruxo, está parado.
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Mário Quintana
Outono: essas folhas que tombam na água parada dos tanques e não podem sair viajando pelas correntezas do mundo...
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Mário Quintana
Aquele astronauta americano que anunciou ter encontrado Deus na lua é no fim de contas menos simplório do que os primeiros astronautas russos, os quais declararam, ao voltar, não terem visto Deus no céu. Porque, se Deus é paz e paz é silêncio afinal, deve Ele estar mesmo muito mais na lua do que nas metrópoles terrenas. E, pelo que me toca, a verdade é que nunca pude esquecer estas palavras de um personagem de Balzac: “O deserto é Deus sem os homens.”
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