Citações neste tema
Outros
Karl Kraus
Quem levou a sua pele ao mercado tem mais direito a mostrar-se sensível do que aquele que lá comprou uma roupa pechinchando.
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Karl Kraus
Um pensamento só é legítimo quando temos a sensação de que nos surpreendemos plagiando a nós mesmos.
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Karl Kraus
Um pensamento só é legítimo quando temos a sensação de que nos surpreendemos plagiando a nós mesmos.
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Karl Kraus
Por que o público é tão insolente em relação à literatura? Porque ele domina a língua. As pessoas se atreveriam exatamente da mesma maneira em relação às outras artes caso se dirigir cantando aos demais, lambuzar-se com tinta ou atirar gesso fossem meios de comunicação. A desgraça está justamente no facto de a arte da palavra trabalhar a partir de um material que passa todo dia pelas mãos da ralé. É por isso que a literatura não tem mais salvação. Quanto mais ela se afasta da compreensibilidade, tanto maior é a impertinência com que o público reclama o seu material. O melhor seria esconder a literatura do público até entrar em vigor uma lei que proíba as pessoas de usarem a linguagem coloquial e apenas lhes permita fazer uso de uma linguagem de sinais em casos de urgência. Mas até que essa lei entre em vigor, elas poderiam ter aprendido a responder à ária “Como vão os negócios?” com uma natureza morta.
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Karl Kraus
O jornalismo, que conduz os espíritos para dentro do seu curral, conquista a sua pastagem entretanto. Jornalistas querem ser autores. Publicam-se antologias de folhetim nas quais nada causa mais espanto do que o trabalho não se ter desintegrado nas mãos do encadernador. Assa-se pão a partir de migalhas. O que lhes dá a esperança da permanência? O interesse permanente no material que eles “escolhem”. Alguém que tagarela sobre a eternidade não deveria ser ouvido enquanto a eternidade durar? Desta falácia vive o jornalismo. Ele tem sempre os maiores temas, e nas suas mãos a eternidade pode tornar-se atual; mas ela acaba envelhecendo com a mesma facilidade. O artista dá forma ao dia, à hora, ao minuto. Por mais limitado e condicionado temporal e espacialmente que seja o seu motivo, a sua obra cresce mais ilimitada e livremente quanto mais dele se afasta. Que ela envelheça serenamente no instante: ela rejuvenesce com o passar das décadas.
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Karl Kraus
Ele pintava os vivos como se estivessem mortos há dois dias. Quando certa vez quis pintar um morto, o caixão já tinha sido fechado.
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Karl Kraus
Quem pensa profissionalmente nas razões do ser, nem sequer precisa realizar tanto a ponto de conseguir aquecer os seus pés com isso. Mas ao remendar sapatos, mais de um já chegou perto das razões do ser.
68
Karl Kraus
O original sempre volta a absorver o que lhe foi retirado. Mesmo que venha ao mundo mais tarde.
69
Karl Kraus
O pensamento é algo que se encontra, que se reencontra. E quem o procura é um encontrador honesto; ele é seu, mesmo que outro também já o tenha encontrado antes dele.
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Karl Kraus
O pensamento é algo que se encontra, que se reencontra. E quem o procura é um encontrador honesto; ele é seu, mesmo que outro também já o tenha encontrado antes dele.
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Karl Kraus
Teatro de variedades. O humor da comédia-pastelão é hoje em dia o único humor com visão de mundo. Por ter um fundamento mais profundo, ele parece não ter fundamento, tal como a ação que oferece. Sem fundamento é o riso que ele provoca em nossa região. Quando uma pessoa acaba subitamente de quatro, trata-se de um efeito de contraste primitivo do qual corações simples não conseguem se esquivar. Uma compreensão mais refinada já pressupõe a representação de um mestre de cerimónias que se esborracha no parquê. Seria a demonstração do absurdo da dignidade, da pompa, da vida decorativa. A cultura da Europa Central oferece todos os pressupostos para a compreensão desse humor. O humor dos clowns não tem raízes aqui. Quando um deles salta sobre a barriga do outro, o que pode cativar é apenas a comicidade da mudança de posição, do acidente nunca visto. Mas o humor norte-americano é a demonstração do absurdo de uma vida em que o homem se tornou uma máquina. O trânsito flui sem obstáculos; por isso, é plausível que alguém entre voando pela janela e seja lançado pela porta, que leva com ele. A vida foi imensamente simplificada. Visto que o conforto é o princípio supremo, é algo óbvio que se pode obter cerveja fazendo um furo numa pessoa e segurando uma caneca debaixo da abertura. As pessoas dão golpes de picareta no crânio das outras e perguntam atenciosas: “O senhor notou isso?”. É uma interminável carnificina de máquinas, na qual não corre nenhum sangue. A vida tem um humor que caminha sobre cadáveres, sem machucar. Por que essa violência? Ela é apenas uma prova de força imposta à comodidade. Aperta-se um botão e um criado morre. O que for incómodo é tirado do caminho. Vigas dobram-se à vontade, tudo anda com desembaraço, ninguém está à toa. Mas, de repente, um pedaço de papel não quer parar no lugar. Ele não fica onde foi jogado por uma questão de comodidade, mas sempre volta a subir. Isso é incómodo, e a pessoa se vê obrigada a convencê-lo com o martelo. Ele ainda estremece. A pessoa quer abatê-lo a tiros. Ele é explodido com dinamite. Uma aparelhagem nunca vista é empregada para aquietá-lo. A vida tornou-se terrivelmente complicada. No fim, tudo vira uma grande confusão porque um objeto qualquer da natureza não quis se encaixar no sistema... Talvez um farrapo de sentimentalismo que um defraudador trouxe lá da Europa.
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Karl Kraus
Há imitadores de originais. Quando dois têm um pensamento, ele não pertence àquele que o teve antes, mas àquele que o tem melhor.
76
Karl Kraus
Há imitadores de originais. Quando dois têm um pensamento, ele não pertence àquele que o teve antes, mas àquele que o tem melhor.
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Karl Kraus
Pode-se traduzir um editorial, mas não um poema. É verdade que se pode atravessar a fronteira nu, mas não sem pele, pois ao contrário da roupa, ela não volta a crescer.
69
Karl Kraus
Pode-se traduzir um editorial, mas não um poema. É verdade que se pode atravessar a fronteira nu, mas não sem pele, pois ao contrário da roupa, ela não volta a crescer.
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Karl Kraus
O senhor v. H. foi criticado por causa de uma frase ruim. Com razão. Pois descobriu-se que a frase era de Jean Paul e era boa.
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Karl Kraus
Não tenho objeções à literatura romanesca pela razão de que me parece conveniente que aquilo que não me interessa seja dito de maneira prolixa.
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Karl Kraus
Não tenho objeções à literatura romanesca pela razão de que me parece conveniente que aquilo que não me interessa seja dito de maneira prolixa.
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Karl Kraus
As minhas palavras nas mãos de um jornalista são piores do que aquilo que ele próprio pode escrever. Para que, portanto, o aborrecimento de citar? Eles acreditam que podem oferecer provas de um organismo. Para mostrar que uma mulher é bonita, arrancam-lhe os olhos. Para mostrar que a minha casa é habitável, colocam a minha varanda sobre as suas calçadas.
76
Karl Kraus
As minhas palavras nas mãos de um jornalista são piores do que aquilo que ele próprio pode escrever. Para que, portanto, o aborrecimento de citar? Eles acreditam que podem oferecer provas de um organismo. Para mostrar que uma mulher é bonita, arrancam-lhe os olhos. Para mostrar que a minha casa é habitável, colocam a minha varanda sobre as suas calçadas.
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